Morumbi é o plano A, B e C de São Paulo para a Copa

 

morumbi_Schlaich_Bergermann_und_Partner_GMP_architekten_divulgacao_600A Fifa correu a negar e o Comitê Paulista da Copa do Mundo, também. Após o impacto da notícia publicada pelo jornal O Estado de São Paulo de que a entidade que comanda o futebol internacional havia descartado o uso do estádio do Morumbi para jogos da Copa do Mundo, a federação divulgou nota afirmando que não havia nenhuma decisão sobre o tema e as conversas para melhorias do estádio paulista estavam em andamento.

Foi a repórter Letícia Constant, da Rádio França Internacional, a entrar no ar para transmitir o recado da Fifa aos brasileiros. Em seguida, conversamos com o Comitê Paulista da Copa do Mundo que deixou claro não haver alternativas: jogos da Copa, em São Paulo, apenas no Morumbi. Nao tem plano B ou C, como sinalizam alguns setores interessados na construção de mais um estádio na cidade.

Luiz Sales, coordenador do núcleo de comunicação de turismo do Comitê, disse, inclusive, que neste dia 15 (quinta-feira) um novo projeto para o estádio, atendendo as sugestões feitas pela Fifa, será apresentado ao secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, que estará no Brasil.

Acompanhe a entrevista de Luiz Sales do Comitê Paulista da Copa do Mundo e conheça as novidades que fazem parte do projeto que será apresentado quinta-feira.

Ouça o que disse a Fifa sobre a polêmica, em reportagem de Letícia Constant

Na Esquina do Esporte, Marcelo Gomes e Natalie Gedra falaram que ameaça é pressão política.

“Os planos B,C.D ficam por conta de quem quer ver dinheiro público mais uma vez jogado fora num elefante branco.Vide Engenhão e outros.E depois de 6 jogos quem fica de presente com R$ 1 bilhão pago pelo contribuinte”
-Presidente da SPTuris e coordenador do Comitê Paulista da Copa do Mundo Caio Carvalho em comentário deixado aqui noi Blog do Mílton Jung

Hora de tomar chá de cadeira

 

Por Carlos Magno Gibrail

Morumbi da Galeria de Alvez no Flickr

O futebol e Ricardo Teixeira têm tudo a ver. Imagem e semelhança da grande maioria dos dirigentes de federações e clubes. Teixeira é a favor dos poderes plenos, da perpetuação nos cargos, dos sistemas e regras imutáveis, da aversão absoluta às mudanças, da paixão por si próprio, do apoio total aos bajuladores e da administração focada na manutenção do poder pessoal, adotando os amigos e expurgando os inimigos.

Não é a toa que o esporte mais popular do planeta não exiba nenhuma empresa dentro do ranking das melhores e maiores do mundo. Além da maioria dos clubes apresentarem crônicos prejuízos. A FIFA e demais federações, detentoras dos monárquicos poderes, conferem os lucros. Na Alemanha faturou US$ 2,6 bilhões, na África do Sul prevê US$ 3,8 bilhões e para o Brasil planeja US$ 4,4 bilhões onde 70% dos ingressos já estão vendidos.

Estranhamente, mas dentro do padrão incoerente do futebol, a FIFA começa a exigir do Brasil mais do que o fez em outros países. Isenções fiscais, vantagens operacionais, e de repente dirige a atenção para São Paulo. Afirmou ao governador José Serra que São Paulo teria a abertura da Copa, e que o Morumbi, indicado pela Prefeitura e Estado como a única alternativa, seria o local.

Entretanto a seguir, o secretário-geral da FIFA começava a torpedear o projeto apresentado, desqualificando-o. Ao mesmo tempo que ignorava as demais sedes, muitas das quais não cumpriam as datas e condições mínimas então exigidas.

Em 19 de março, finalmente, o todo poderoso Jerome Valcke declara a respeito do Morumbi, em entrevista coletiva após a reunião do comitê executivo da entidade na Suíça: “O último projeto que recebemos preenchem todos os requisitos pedidos”.

Em menos de 15 dias, Ricardo Teixeira ignora Valcke e ataca o Morumbi. Não surpreendeu quem acompanhava a luta travada no Clube dos 13. Apenas confirmava a marcação serrada para a disputa do poder e as consequentes vantagens financeiras e estratégicas neste campo encharcado de ações e traições políticas. Teixeira não perdoava o apoio de Juvenal Juvêncio à Koff. Muito menos a sua candidatura como Vice do Clube dos 13. Entidade que conseguiu trazer as quotas de TV de 20 para 450 milhões em benefício aos clubes.

Juvenal, iludido por Teixeira, deixa-o desiludido. Ou vice-versa. Ente ilusões e desilusões façamos alusão ao que interessa, pois a FIFA, Blates e Teixeira precisam mais de São Paulo, do que São Paulo necessita da Copa.

A coerência da escolha do governo paulista fica bem clara nas palavras que o Presidente da SPTuris Caio Luiz de Carvalho atenciosamente nos concede:

“Desde que começou a corrida pela Copa de 2014 no Brasil, indicamos o Estádio do Morumbi como sede dos jogos em São Paulo por vários motivos: é o maior da cidade e tem a capacidade exigida, tem a melhor infraestrutura e o SPFC se comprometeu a investir nas reformas necessárias, inclusive assinando esse compromisso (“Stadium Agreement”). O Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo, após o estudo inicial, consideraram que não seria viável construir um novo estádio na cidade com verba pública, já que só o município possui outros sete estádios (alguns deles, inclusive, subutilizados e que vem apresentando pouco público durante as partidas), um novo seria muito dispendioso e possivelmente não “se pagaria”, ou seja, talvez fosse apenas mais um para a cidade custear, bancar sua igualmente cara manutenção após a Copa e que poderia ser subutilizado. Por isso, o Comitê Paulista optou por focar seus investimentos em obras que a cidade realmente necessita como intervenções em transporte público e mobilidade”.

De outro lado, a dependência da Copa 2014 a São Paulo é evidente se olharmos os números da cidade, que Caio nos forneceu:

São Paulo – com orçamento de 34 bilhões de reais para projetos de infraestrutura, transporte público e mobilidade que ficarão prontos para a Copa de 2014 -, com 15% do PIB do Brasil, 6% da população e, portanto, disparada em primeiro lugar quanto às possibilidades econômico-financeiras, tão importantes para uma COPA, reflete em infindável relação de quesitos esta posição.

É a primeira cidade turística, tendo recebido em 2009 mais de 11,3 milhões de visitantes. Seus 410 hotéis possuem 42.000 quartos enquanto o Rio 26.000, Brasília 20.000 e BH 8.000. E os hotéis de São Paulo comemoraram em 2009 uma taxa de ocupação de 63%, com um valor médio de 190 reais por unidade habitacional. Os 90.000 eventos realizados certamente contribuíram.

12.500 Restaurantes, 15.000 bares, 3.200 padarias oferecem como opção 52 tipos de cozinhas diferentes.    45 grandes shoppings, 59 ruas comerciais especializadas em 51 segmentos, 240.000 lojas, comercializam produtos do mundo todo.

Para a cultura, 110 museus, 160 teatros, 260 cinemas, 90 bibliotecas, 40 centros culturais, 105 faculdades e 28 universidades.

No transporte, o aeroporto de Cumbica recebeu 20 milhões de passageiros em 2008, Congonhas 14 milhões e os três terminais rodoviários 16 milhões. São 89 estações de trem, 55 estações de metrô e 83 km de linha, 200 heliportos. 32.000 taxis, 15.000 ônibus. E o porto de Santos fica a 70 km de São Paulo.

Diante disso, com Serra ansioso, Teixeira pretensioso, só nos resta ouvir Juca Kfouri e tomar chá de cadeira, esperando a queda do Ricardo Teixeira.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e tá crente que vai assistir à abertura da Copa do Morumbi


Veja mais imagens na galeria de Alvez, no Flickr

Ônibus é solução urgente para a Copa do Mundo

Por Adamo Bazani

Ônibus para corredor segregado

A FIFA já fez o alerta: os investimentos no setor de transportes estão a passos muito lentos, no Brasil. O Ministro das Cidades, Márcio Fortes, salientou que o Programa de Aceleração do Crescimento prevê, aproximadamente, R$ 4 bilhões para o transporte público nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Apesar de o dinheiro parecer muito e 2014, distante, a verdade é que o recurso e o prazo são apertadíssimos quando o assunto é transporte. Algumas cidades não dão conta nem de oferecer serviço digno aos passageiros habituais, quanto mais aos turistas. A imagem do Brasil, projetada pelo Mundial, depende de soluções nas áreas de segurança pública e transporte.

Essa foi a tônica dos debates da 3a. edição da Transpúblico e do 22º Seminário da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), que se realizaram no Transamérica Expo, zona sul de São Paulo.

O “Ponto de ônibus” esteve lá e acompanhou propostas de especialistas no setor, empresários e fabricantes.

BRT, solução rápida e mais barata

Um consenso foi de que o transporte ferroviário, com malha maior de metrô de “dignificação” da malha de trens já existente, seria a solução mais próxima do ideal, porém, a mais cara e difícil de ser aplicada, principalmente em o menos de 5 anos. Com base nos investimentos que foram realizados na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, e em outras cidades que precisaram de soluções rápidas, o exemplo vem do BRT (Bus Rapid Transit), o ônibus de trânsito rápido, que oferece em corredores segregados um sistema de média e alta capacidades, com rapidez e conforto. De acordo com o diretor-superintendente da NTU, Marcos Bicalho, em palestra, cada quilômetro de um BRT, um corredor exclusivo, custa aproximadamente US$ 10 milhões contra US$ 50 bilhões do sistema VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) e US$ 90 milhões de metrô. Bicalho garante que se as linhas forem bem projetadas e os ônibus usados nestes corredores forem do modelo ideal, os benefícios serão os mesmos que os oferecidos pelo sistema de trilhos, com a vantagem de o custo de operação e instalação ser menor, além de mexer menos com a paisagem urbana, havendo menos escavações, obras de risco e desapropriações.

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Abertura da Copa: Futebol & Política

Por Carlos Magno Gibrail

“Não falo sobre hipótese”, Ricardo Teixeira semana passada em Nassau, ao responder sobre a possibilidade de entrar uma das cidades não incluídas, caso alguma das escolhidas não cumprisse as obrigações.

“Quem não cumprir os prazos será substituído”, Ricardo Teixeira no Rio, alguns dias depois, ameaçando as cidades escolhidas.

Diante de tal incerteza proveniente da autoridade que definirá tudo a respeito da COPA, o melhor é enveredar pela certeza dos números.
Inclusive para se afastar também das ultimas notícias, sem fonte, supostamente oriundas da FIFA e ditas à CBF, tentando desqualificar São Paulo como cidade da Abertura.

São Paulo responde a partir do seu brasão histórico: “Pro Brasília fiant eximia”. “Pelo Brasil façamos o melhor”, e neste contexto os dados devem ser levantados.

A cidade, com orçamento de 31 bilhões de reais, com 15% do PIB do Brasil, 6% da população e, portanto, disparada em primeiro lugar quanto às possibilidades econômicas financeiras, tão importantes para uma COPA, reflete em infindável relação de quesitos esta posição.

É a primeira cidade turística, tendo recebido em 2008 mais de 11 milhões de visitantes. Seus 401 hotéis possuem 42.000 unidades habitacionais enquanto o Rio 26.000, Brasília 20.000 e BH – segundo Juca Kfouri forte concorrente se Aécio for indicado para Presidente –  8.000 .
E os hotéis de São Paulo comemoraram em 2008 uma taxa de ocupação de 68,5%, com um valor médio de 109 reais por unidade habitacional. Os 90.000 eventos realizados certamente contribuíram.

12.500 Restaurantes, 15.000 bares, 3.200 padarias oferecem como opção 52 tipos de cozinhas diferentes.    77 Shoppings, 59 ruas comerciais, 51 segmentos, 240.000 lojas, comercializam produtos do mundo todo.

Para a cultura, 110 museus, 160 teatros, 260 cinemas, 90 bibliotecas, 40 centros culturais, 105 faculdades e 28 universidades.

No transporte, o aeroporto de Cumbica recebeu 20 milhões de passageiros em 2008, Congonhas 14 milhões e os três terminais rodoviários 16 milhões. São 89 estações de trem, 55 estações de metrô e 83 km de linha, 200 heliportos. 32.000 taxis, 15.000 ônibus. E o porto de Santos fica a 70 km de São Paulo.

Na política, Estado e Município estão integrados na execução da COPA na cidade. Para Caio Luiz de Carvalho, Presidente da SP Turismo, São Paulo não terá problemas para absorver tantos visitantes. “Em hotelaria e entretenimento, somos imbatíveis. Na rede hospitalar, 17 centros com certificação internacional garantirão o atendimento dos visitantes – dois deles Albert Einstein e São Luiz  – a cinco minutos do Estádio do Morumbi”.

São Paulo vai investir cerca de R$ 33 bilhões em obras que pretendem ordenar o trânsito da cidade. “O grande legado de um evento da grandeza de uma Copa não está em equipamentos esportivos – até porque, muitas vezes, eles viram elefantes brancos. O importante é aquilo que fica para o cidadão ao fim do evento”, diz Caio coordenador do projeto paulista. Tanto que o Estádio do Morumbi, que pertence ao São Paulo e deve ser reformado, é a aposta paulistana para o Mundial.

“O governador José Serra vai terminar a Linha Amarela do Metrô, fazer a Linha Laranja (da Freguesia até o Pacaembu), mais o Expresso Aeroporto que sairá do terminal 3 de Guarulhos para a Estação da Luz, mais o Expresso Jabaquara, com trens de superfície, para ligar aquele terminal a Congonhas, mais a recuperação de 274 km de malha férrea da CPTM, mais a Perimetral e o término do Rodoanel”, diz Caio.

“A prefeitura vai fazer a ampliação do túnel Lineu de Paula Machado, sob o Rio Pinheiros, que é caminho para o Estádio do Morumbi, obras na Chucri Zaidan, a ligação da avenida Roberto Marinho com a Imigrantes; obras no complexo viário Sena Madureira com Domingos de Moraes,  para melhorar no fluxo que vem de Santos e do ABC. É importante pensar na ligação com Santos, pois haverá muitos navios hotéis ancorados lá, com gente de fora que vem para os jogos”.

E, o apoio parece que vem também do Governo Federal:

“Observamos aspectos da mobilidade urbana e do estádio como um todo e acredito que o Morumbi pode não apenas ser sede da Copa do Mundo, como receber a abertura da Copa, principalmente, porque a direção do São Paulo está aberta para atender todas as exigências da FIFA”, afirmou o ministro Orlando Silva. Mas se São Paulo e o Morumbi estão absolutamente engajados, inclusive na separação capitalista ideal, distinguindo o público do privado, por que tantas críticas ?

Del Nero, pós-punição, pode estar sonhando com a construção de um novo estádio, Ricardo Teixeira esperando uma definição do quadro sucessório presidencial. Ambos precisam ver que pelos dados a cidade estará preparada.

O risco de se contrapor a tanta consistência não é pequeno.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Milton Jung e quer ir a pé assistir à abertura da Copa de 2014.