Avalanche Tricolor: não é nada, não é nada, ao menos goleamos no Gre-Nal

 

Grêmio 1 x 1 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Valia pouco, mas valia alguma coisa a partida de encerramento da temporada 2014. A vitória faria com que o Grêmio colocasse R$ 1milhão a mais no bolso -não é nada não é nada, dá pra fazer pouco mais do que nada com este dinheiro. A Copa do Brasil no ano que vem também seria mais curta, pularíamos três fases, em especial aquelas em que se costuma jogar nos Cafundós do Judas contra times semi-amadores, o que sempre é um risco de vexame prematuro. Entraria-se nas oitavas-de-final, ou seja, a oito jogos do título, uma vantagem que não chega a ser decisiva, mas que é sempre bem-vinda, especialmente para quem tem alguma pretensão e muitas obrigações no ano que vem.

 

O bônus que a vitória nos ofereceria não foi suficiente para nos fazer melhor em campo. Houve até momentos interessantes: um drible por aqui, outra jogada por ali; a bola continuou insistindo em bater no travessão quando não, desviada para fora; e, finalmente, um gol de falta muito bem cobrada – aliás, foi a coisa mais bonita que se viu na Arena, neste fim de tarde de muito calor em Porto Alegre. Luan, que voltou a marcar, segue oferecendo sinais contraditórios, pois aparenta ser lento na maneira de jogar, às vezes parece apagado e fora do ritmo, para de repente driblar o adversário com uma facilidade constrangedora e fazer gols. Será importante no ano que vem quando estará mais maduro.

 

Por falar em meninos, um dos que chamam mais atenção é Everton, sempre disposto a atacar, meter a bola entre as pernas do adversário, trocar passes com os companheiros e, se derem algum espaço, chutar a gol. Talvez com mais tempo de jogo entre os titulares consiga ter rendimento capaz de desequilibrar as partidas a nosso favor na próxima temporada. Quem melhorou bastante ao permanecer entre os titulares foi Walace, volante grandalhão mas bem ajeitado com a bola no pé. Também um garoto prestes a se revelar no futebol.

 

Comemorar o surgimento dessa gurizada e torcer para que, ao lado de jogadores mais maduros, formem um time vencedor em 2015 é o que nos resta neste fim de ano. Apesar de que mesmo tendo sido uma temporada de poucos momentos de emoção, apenas alguns ensaios de satisfação e muitos tropeços, nunca vou cansar de lembrar que, em 2014, nossa maior vitória foi golear no Gre-nal: não é nada, não é nada, foram 4 a 1 de lavar a alma, não é mesmo!?

 

A foto que ilustra este post é do site oficial do Grêmio

Notas e observações: eleições 2014

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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A não aprovação da Rede Sustentabilidade de Marina para impedir a sua candidatura foi um primeiro sinal de que o pleito que viria seria um vale tudo. Inevitável, diante de condições propícias como a corrupção e a manutenção por doze anos do mesmo grupo no poder. E ampliada com o fator inesperado da morte de Campos, que trouxe de vez a candidatura de Marina.

 

A disparada de Marina acionou uma artilharia pesada que levou Aécio ao segundo turno. O emocional se acentuou e a paixão dominou eleitores, candidatos e afins. A postura se transformou em descompostura, onde predominou o juízo de valor e se abandonou a técnica e a lógica. A metodologia das pesquisas e o reconhecimento dos jornalistas foram ignorados.

 

Um dos argumentos mais utilizados para criticar as pesquisas era que ninguém conhecia eleitor que tivesse sido pesquisado .Ora, tecnicamente conhecer um dos 2.000 a 4.000 pesquisados num universo de 144 milhões de eleitores é que seria um fato raro. Ao mesmo tempo, eleitores de Aécio diziam que havia erro nas previsões que apontavam a vitória de Dilma porque no seu ambiente quase todos iriam votar em Aécio, esquecendo “apenas” que existe a segmentação de mercado, e havia outro mercado que não votaria em Aécio. Já na apuração e apresentação dos resultados também se ignorou a segmentação, e o Brasil foi apresentado como um país dividido por região, embora o seja por segmento. Situação e oposição, estado por estado. Fato muito bem ilustrado no Facebook de Amanda Dassié onde encontrei o mapa acima estampado.

 

Entretanto, grave foi a combinação PT e PSDB de afastar os jornalistas dos debates pela TV. O resultado foram diálogos com dados a bel prazer dos candidatos, quando não insultos inflamados com informações manipuladas ou fora do contexto. Viraram “memes” como o da economista que perguntou como a Presidenta Dilma iria tratar o problema da mão de obra qualificada que não consegue colocação por causa da idade, e recebeu orientação para fazer o PRONATEC.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Que Barbosa agora descanse em paz

 

Diante da vitória acachapante da Alemanha e da forma surpreendente como o Brasil perdeu a vaga à final da Copa, tive dificuldade de encontrar inspiração para escrever a você, caro e raro leitor. Ainda bem que antes de tentar escrever qualquer coisa, recebi o texto abaixo, assinado pelo colega de blog Carlos Magno Gibrail. Aproveito a forma precisa, observadora e definitiva com que ele analisa o Mundial no Brasil, e antecipo a publicação do artigo enquanto ganho um tempo para me refazer do impacto da goleada desta terça-feira.

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Os números e os fatos têm demonstrado que estamos realizando uma COPA de sucesso. Tanto no aspecto técnico do futebol quanto nas condições operacionais. Dentre os principais quesitos, a COPA 14 ocupará posição de destaque na história do futebol. Apenas o número de público ficará em segundo lugar, em torno de 60mil espectadores por jogo. Nos Estados Unidos, a média foi de 70mil. Até mesmo o número de gols, que graças à contribuição brasileira dada aos alemães deverá ser o maior de todas as COPAs. Os demais aspectos também têm superado as previsões. A quantidade de sul-americanos que marcaram presença, o clima amistoso que foi dado aos turistas e sua reciprocidade, a postura simpática da maioria das seleções com a nossa cultura, e até mesmo fatos marcantes. Como a mordida celeste, a joelhada que gerou a mais séria contusão, e a goleada de sete que marca o Mineirão e desagrava o Maracanã.

 

Diante deste ambiente amigável, ficou evidente a preferência de consumo dos turistas por produtos e serviços típicos. Restaurantes a quilo, comidas da terra e a caipirinha se sobressaíram. Sem falar nos bairros com lifestyle que teve a Vila Madalena, em São Paulo, como um dos destaques. Ela foi literalmente invadida e consumida. Cerveja e caipirinha que o digam.

 

Do início até hoje o cenário real da COPA 14 evidenciou total reversão da expectativa. A COPA das COPAs.

 

A questão agora é saber se os três dias restantes de jogos continuarão dentro deste clima. Tudo indica que sim. Afinal, em matéria de COPA em casa evoluímos de um vexame de 2×1 ao desastre de 7×1. Com a seleção brasileira composta de jogadores e técnicos internacionalizados, suporte globalizado, todos ricos e famosos. Que Barbosa agora descanse em paz.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Aproveito para desejar-lhe um feliz Ano Novo

 

Por Mílton Jung

 

 

Estou de volta à casa onde escrevi meu primeiro livro, na cidade americana de Ridgefield, em Connecticut, e, por coincidência, sentado, enquanto redijo este post, praticamente no mesmo espaço que ocupei naquelas férias de meio de ano, em 2004. Algumas coisas mudaram desde lá, a começar pela própria casa, ainda mais confortável, com ambientes ampliados e a cozinha deslocada mais para o fundo em uma peça redesenhada em estilo toscano. O tempo, porém, não foi suficiente para quebrar o silêncio que toma conta da vizinhança. À noite, mal se ouvem o aquecedor central estalando a madeira, o som dos pneus de carro roçando o asfalto e o murmurinho das crianças que brincam até tarde no quarto. A sensação de paz é impressionante, às vezes, assustadora para quem se acostumou com a barulheira urbana de São Paulo.

 

‘Jornalismo de Rádio’, lançado naquele mesmo ano pela Contexto, estava bem planejado quando cheguei aqui, praticamente todo material de pesquisa havia sido separado, mas era preciso acelerar a escrita para entregar no prazo da editora. Plano quase frustrado, pois o único computador da casa estava quebrado e sem previsão de conserto. Fui salvo por um palmtop que havia trazido comigo do Brasil e tinha como principal função servir de agenda eletrônica. Talvez você nem se lembre mais dessas pequenas máquinas de recursos limitados se comparados aos equipamentos eletrônicos atuais. O modelo do meu, se não me falha a memória, era o Zire 21, talvez o 31, dos primeiros da série fabricada pela PalmOne, que comprei acompanhado de um teclado dobrável, frágil e de ergonomia sofrível, mesmo porque deveria servir apenas para facilitar o registro de algumas informações, jamais foi pensado para escrever um livro. O processador de texto também não era grande coisa, mas tinha as funções básicas. O cartão de memória acoplado no palmtop foi quem me salvou de um desastre quase uma semana depois de o trabalho ter se iniciado. A máquina travou e tive de esperar a bateria descarregar para ligá-lo novamente e descobrir que apenas os textos escritos naquele dia estavam perdidos. O aparelhinho foi heróico e merecia ter sido bem guardado, mas, infelizmente, devo tê-lo passado à frente.

 

Calculo que, hoje, nesta casa, tenhamos ao menos 10 computadores, notebooks, netbooks e tablets, sem contar os telefones celulares que substituem com maestria as funções do palmtop. Vou deixar fora dessa conta, ainda, os consoles de videogame que também oferecem acesso à internet. Escrever mais um livro, tarefa que incluí nas resoluções de ano novo, não seria empecilho, se para isso eu dependesse apenas dessas traquitanas. É uma quantidade impressionante de máquinas à disposição das duas famílias que se encontram por aqui, gerando inúmeras possibilidades e acesso ilimitado às informações. Graças a esses equipamentos, o Mundo também ficou bem menor e nos permitimos estar conectados com o restante da família e amigos que ficaram no Brasil, nesta virada do ano.

 

Feliz 2014!

O luxo de permitir-se à reflexão!

 

Por Ricardo Marins

 

 

Esse época de fim do ano é inevitável fazermos um balanço. Seja pessoal, profissional, espiritual, é um momento em que muitos se permitem essa reflexão. Eu, pessoalmente, de uns tempos pra cá procuro fazer esse balanço/reflexão durante o ano todo, até porque não dá para esperar um ano para mudar o que devemos em nossas vidas. Penso eu. O tempo passa muito rapidamente e cabe a nós buscarmos o que nos falta, corrigir o que nos parece errado e aprender o que ainda não conhecemos….sim, sempre temos algo novo a aprender…

 

Nessa reflexão, para mim particularmente, sempre há agradecimentos. Um agradecimento interno de tudo que aprendi, conquistei, sonhos que realizei. Nunca conseguimos tudo e no prazo que gostaríamos, mas a gratidão é essencial para seguirmos em frente. Gratidão pelo que conquistei, pelas Amizades que cativei, pelos Negócios que realizei, por ter poucos e bons queridos ao meu redor…

 

Ser convidado pelo meu querido amigo e autor deste blog, Mílton Jung, foi um dos privilégios que conquistei neste ano. Um espaço democrático, com temas diversos, comentários bacanas, enfim…um ambiente de credibilidade altíssima e que dá prazer contribuir e fazer parte. Ser admirador da pessoa e do profissional Mílton Jung foi um dos fatores que mais colaboraram para a minha inspiração nos textos. Afinal, quando a gente admira uma pessoa, seja ela uma figura pública ou não, dá muito mais prazer em entregar o melhor.

 

Admiração, aliás, penso eu, que é um luxo. Pare para pensar quantas pessoas ao seu redor você admira. Podemos gostar de muitos, amar poucos, mas admirar…bem poucos!

 

Que 2014 seja um ano luxuoso para todos vocês que nos acompanham aqui no blog, Independentemente do significado de Luxo para cada um, que sabemos que é algo muito particular e subjetivo. Pra mim, Luxo é vivenciar experiências inesquecíveis, ter tempo para estar ao lado das pessoas que gostamos e admiramos, liberdade para fazer o que queremos…ou seja, que 2014 seja repleto de boas sensações a todos nós! E o mais importante: o meu muito obrigado a todos vocês pelas visitas ao blog e por lerem os meus artigos. Afinal, agradecer é sinônimo de respeito e de educação, dois artigos em extinção no mundo moderno….feliz ano novo!

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

2014: O grande jogo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Fernando Henrique Cardoso, a maior expressão do PSDB, não tem sido usado pelo partido que fundou, na medida proporcional à sua envergadura política. Luis Ignácio Lula da Silva, fundador e comandante absoluto do PT, sempre usou e foi usado pelo partido.

Governaram por 16 anos o país, que ajudaram a democratizar, antes e depois do período ditatorial.

Na sexta feira, Nelson Motta jornalista cultural e admirador incondicional de FHC, considerando suas qualidades intelectuais, morais, administrativas e estéticas, lançou em artigo no Estadão, a sua candidatura à presidência para duelar com Lula.

Clóvis Rossi, em sua coluna na Folha de domingo endossa o embate para as próximas eleições, sugerido por Motta. Mas, não sem antes salientar a inoperância tucana com o uso do trunfo FHC, lembrando que agora nas comemorações do 80º aniversário de Fernando Henrique, o mais competente elogio veio da adversária e presidenta Dilma Rousseff.

“A luta do século” de Motta e “A vida começa aos 80” de Rossi trazem interessantes colocações, embora curiosamente com títulos invertidos.

Nelson Motta lembrando os 83 anos que FHC terá em 14, cita Adenauer 87, Ping 95, Tito 88, para demonstrar que não há o empecilho da idade, pois o alemão, o chinês e o iugoslavo governaram até as respectivas idades citadas.

Clóvis Rossi, embora tenha passado os últimos 16 anos em que FHC e Lula estiveram no poder criticando-os, considera que ambos foram os melhores: “Seria um duelo para fazer esquecer todos os inesquecíveis duelos do cinema de faroeste, entre os dois melhores presidentes do Brasil que me tocou viver, apesar das críticas duras que mereceram”.

Se a COPA é sempre uma incógnita a respeito de emoção, “Lula x FHC” é sensação prometida e garantida.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feira, no Blog do Mílton Jung

Cochichos e recados nos caminhos do Morumbi 2014

 

Direto de Roma/Itália

Toda vez que o presidente Lula abre a boca pra falar de Copa, o projeto Morumbi’14 sai da gaveta novamente, onde está guardado com pastas e documentos importantes que podem decidir o destino do estádio de São Paulo.

No lançamento do estranho logo para o Mundial do Brasil, Lula passou recado ao prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (DEM), que está na África sob a alegação de que precisa conhecer programas e soluções desenvolvidas por aquelas cidades.

Kassab foi, na verdade, fazer política, não planejar.

As constatações do prefeito de que São Paulo não deve nada ao sistema de transporte de Johannesburgo e seria impossível construir um Soccer City com dinheiro público poderiam ser feitas de dentro do gabinete dele, no Viaduto do Chá. Haja vista que ao planejarem a Copa da África, as autoridades sul-africanas foram a São Paulo, especificamente na região do ABD paulista, passaram por Curitiba e esticaram viagem a Bogotá, na Colômbia, para entender como transportar passageiros com qualidade. Devem ter ficado presos em congestionamentos na cidade de São Paulo, onde não se investe em corredores de ônibus, há bons anos.

E como Kassab foi fazer política, voltará da África com o recado do presidente lhe coçando a orelha: “Continue a brigar pelo Morumbi” – está no Blog de Cosme Rímoli, em 08/07/10.

Há pouco mais de um ano, em outro cochicho nem tão baixo assim, Lula falou ao Ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, durante cerimônia no estádio do Morumbi: “Diga ao Ricardo (Texeira) para parar de falar m…. . É preciso baixar a crista dele. O Morumbi é o estádio de São Paulo para a Copa” – descreveu Juca Kfouri em 24/06/09

Pode parecer uma contradição (mas só a quem mantém a visão ingênua de que tudo é uma questão de preferência clubística), o corintiano Lula tem sido o “Embaixador do Morumbi” desde o primeiro minuto de jogo e seu esforço aumentou após encontro com o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio – o mesmo que ao assinar nota em resposta a exclusão do estádio da Copa, ameaçou: “A Justiça é filha do Tempo. O Tempo é o Senhor da Razão. O Tempo dirá. E nós também” (16/06/10). Dirá o quê ?

Há quem não consiga dissociar a frase final daquela nota com o comentário presidencial, na cerimônia africana, de que o Brasil é feito de gente que não desiste nunca. Disse isso em uma das três vezes nas quais citou nominalmente Ricardo Teixeira, durante a cerimônia. Mais do que um slogan, um alerta ?

Destacou, também, o necessário combate a corrupção na Copa 2014. Quando, aliás, não será mais presidente do Brasil: “pode contar comigo no que for necessário” – fez questão de avisar a Teixeira.

Terça-feira (07/07/2010), já em solo africano, em outra das suas frases, Lula não foi descuidado na fala: “Se a CBF adotasse o que eu adotei quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, a cada oito anos a gente trocava a direção da CBF. No sindicato a gente trocava”.

Quanto a Kassab, não-alheio a discussão, voltará a São Paulo talvez com a bagagem vazia de projetos urbanísticos, mas com um aparente alívio: poderá reaproximar seu discurso pró-Morumbi ao do Palácio dos Bandeirantes, de onde se ouvia dos corredores críticas pesadas contra o alcaide. E, ao mesmo tempo, costurar com investidores a construção do Plano B, ou P, o Piritubão.

Desembarcará em São Paulo, com um pé em cada estádio.

Por enquanto, vizinho do Palácio, Juvenal Juvêncio só abre a gaveta de seu escaninho, cheia de pastas e documentos, pra remexer no projeto de reforma do estádio do Morumbi.

É das conversas ao pé de orelha, bate-papo nos bastidores e recados indiretos que se constrói o caminho para São Paulo ser sede da abertura da Copa do Mundo de 2014. Ou qualquer outra coisa que tenha o mesmo valor.

Moradores de rua são homens sem país, diz Nicomedes

 

o homem sem paísO “homem sem país” identifica milhares de brasileiros que vivem nas ruas e não são aceitos em nenhuma cidade. É personagem no qual tropeçamos na calçada e fazemos questão de não enxergar. Que ao se aproximar do vidro do carro, nos causa pavor. Por isso, é o centro da história contada por Sebastião Nicomedes em peça itinerante e que, segundo ele, está na hora de ser mostrada para os outros. Até aqui só apresentou para moradores de rua: “cansei de falar de nós para nós, não transforma”.

Sebastião Nicomedes é daqueles entrevistados que me orgulho de colocar no ar. Conheço-o muito pouco, pessoalmente, mas li e ouvi várias vezes a história deste cidadão sempre apresentado como ex-morador de rua. Ele é muito mais do que isso, inteligente, culto, bem articulado, visão lógica das coisas da vida e com a experiência de quem conhece o que ocorre no mundo – conceito de algo que não precisa estar do outro lado do Planeta, está logo ali, do lado de fora da sua porta.

Sabia que na conversa sobre o tratamento oferecido aos moradores de rua na capital paulista, ele traria pensamentos capazes de nos levar a refletir. E de cara chamou atenção do presidente da República, do Governador de São Paulo e do prefeito na capital que “estão mais preocupados em mostrar uma cidade bonita para os turistas na Copa do Mundo”. A sugestão dele é que no dinheiro a ser investido se leve em consideração a inserção dos moradores de rua nos planos de habitação e no trabalho gerado pelas melhorias a serem realizadas. “Por que não pegam essas pessoas que estão perdendo a mente na rua e os oferecem a oportunidade de trabalhar na limpeza da cidade ?”, pergunta Nicomedes em uma sequência de frases fortes e reivindicatórias.

Cartaz 2Sobre o que ocorre em São Paulo se disse preocupado pelo sumiço dos agentes de proteção, substituídos pela Guarda Civil Metropolitana e pela própria polícia. “O caminhão do rapa que antes recolhia material de camelô, passou a abordar moradores de rua para tomar os pertences deles”, explicou. Foi sarcástico ao lembrar que para o governo dar bolsa-aluguel é preciso o morro cair ou a casa desabar, como morador de rua não tem onde morar, nunca é lembrado.

Para ele, o “povo da rua” não é caso de polícia nem só de assistência social. A questão tem de ser atendida por outras áreas como as secretarias de saúde, trabalho e habitação.

Para conhecer melhor Sebastião Nicomedes assista à peça “O homem sem país”, dia 7 de maio, na rua Guaicurus, 1000, Lapa, São Paulo. Ou ouça aqui a entrevista ao CBN SP.