Deficientes visuais fotografam ‘Acessibilidade’

 

Deficientes visuais fotografam o mundo que enxergam e transformam este material artístico em ato político na exposição “Acessibilidade” que está no Senac de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. A ideia de abordar este tema partiu dos próprios alunos do curso realizado pelo professor e curador João Kulcsár que desenvolve o conceito de alfabetização visual. Navegue no álbum digital que traz algumas das imagens que fazem parte da mostra e sinta você mesmo a profundidade do olhar de cada um destes fotógrafos do cotidiano.

O Centro Universitário Senac, unidade Santo Amaro, fica na avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823. A entrada é gratuíta.

Prefeito veta lei que garante acesso a cegos em lan house

 

Uma lei vetada e outra a espera da palavra decisiva do prefeito Gilberto Kassab (DEM) levaram a vereadora Mara Gabrilli (PSDB) a questionar o compromisso da administração municipal com a causa da pessoa deficiente. Descartada, foi a proposta de obrigar as lan houses a adaptarem computadores e ambiente para cegos; no aguardo, o projeto que cria o censo da inclusão e pretende mapear onde vivem as pessoas com deficiência ou restrição de mobilidade.

Mara Gabrilli foi secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na administração Serra/Kassab, por isso o tom de sua crítica durante entrevista ao CBN SP surpreendeu e revelou o quanto ela está incomodada com as atitudes tomadas até aqui pelo prefeito, ao menos em relação ao tema.

Na conversa, além de explicar a que se prestam as duas leis aprovadas na Câmara, a vereadora tucana também falou sobre regras que estão em vigor há algum tempo mas não estão sendo cumpridas na capital: uma de 1988 que obriga tornar acessível todas as calçadas no entorno de prédios públicos; outra, mais recente, que exige a recuperação de cerca de 3 mil km de calçadas localizadas em rotas estratégicas do município.

Ouça a entrevista da vereadora Mara Gabrilli (PSDB)

Em tempo: a lei que obriga as lan houses a se adaptarem para clientes cegos, é de autoria da vereadora Gabrilli e do vereador Ricardo Teixeira (PSDB).


Agora o outro lado
(atualizado 12:30 de 23/12)

O secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, disse que não sabe os motivos ténicos que levaram a prefeitura a decidir pelo veto ao projeto de lei que prevê acessibilidade de cegos a lan houses. Em entrevista ao CBN SP, apesar de ter explicado que o parecer da secretaria dele havia sido favorável,
ressaltou que donos de lan houses teriam alegado dificuldades técnicas para a implantação do sistema exigido.

Ouça a entrevista com o secretário Belizário que falou também sobre os problemas das calçadas não-acessíveis

Para pessoas com deficiência, São Paulo sempre para

 

Ao mesmo tempo em que milhares de paulistanos se lamentavam por não conseguirem se deslocar na cidade devido as enchentes, nesta terça-feira algumas dezenas de pessoas estavam no auditório do WTC, em São Paulo, onde discutiam temas ligados a questão da acessibilidade, no Encontro Internacional de Tecnologia para Pessoas com Deficiência.

Nos corredores, a caminho do plenário, uma série de equipamentos expostos chamavam atenção dos visitantes. Cadeiras de roda dos mais variados modelos e para distintas doenças, móveis compostos por uma complicada engenharia capaz de oferecer autonomia ao usuário com restrição nos movimentos e demais traquitanas desenvolvidas para dar mais conforto em casa ou no tratamento de pessoas com deficiência.

Todos estes produtos surpreenderam um dos convidados para o debate, Aílton Brasiliense, conhecedor dos males provocados pelos acidentes de trânsito. “Somos capazes de desenvolver estas máquinas para ajudar pessoas com deficiência assim como para deixá-las com sequelas ou matá-las”, comentou em referência ao número de motociclistas mortos no País: 10 mil, no ano passado.

No painel para o qual fui convidado a mediar, “Transformação: uma cidade para todos”, Brasiliense descreveu cenas comuns dos pedestres na capital paulista e repetiu a tragédia que se transformou nosso trânsito – não pelos congestionamentos, mas pelos assassinatos.

Calçadas sem prumo, piso irregular e todo tipo possível e imaginável de obstáculos que o ambiente urbano, da maneira como foi construído por nós, impõe ao cidadão também foram destacados. E soluções para este cenário, apresentadas. Lá estiveram, ainda, prefeito, vice e secretário de três cidades paulistas (Jaú, São José dos Campos e capital, respectivamente) que dedicaram seu tempo a mostrar tecnologia e políticas implantadas em seus municípios. Nada muito além daquilo que já conhecemos e identificamos como necessidade na busca de uma cidade inclusiva.

A vereadora Mara Gabrilli, de São Paulo, foi quem mais chamou atenção para recursos tecnológicos que podem facilitar a comunicação de pessoas com deficiência. Um microfone que a conecta com o sistema de som de qualquer plenário, a máquina que lhe permite votar na câmara apenas pelo piscar do olho e a necessidade de as emissoras de TV implantarem sistema de audiodescrição, são alguns dos exemplos.

A mim coube a tarefa de responder uma pergunta do meu colega de programa, Cid Torquato: “Uma cidade inclusiva é possível ?”. Fui o mais pessimista dos participantes ao dizer que não tenho esta ilusão, não neste momento, apesar de me orgulhar de fazer parte da geração que inicia esta construção de consciência cidadã.

Repito aqui o que disse logo na abertura do evento: o dia para o debate – apesar de muitos terem se ausentado pelos problemas no trânsito – foi simbólico. Boa parte do paulistano, ilhada, não teve acesso ao trabalho, a escola ou ao lazer por quase um dia inteiro. Direito castrado de centenas de pessoas com deficiência por quase toda a vida. Que faça desta experiência motivo de reflexão sobre o quanto precisamos investir em conhecimento e inteligência para transformarmos o ambiente urbano em um espaço para todos.

A Paulista é o paraíso mas eu não moro lá

 

Os obstáculos urbanos são incontáveis no caminho do paulistano. Todo dia falamos de buracos na rua, calçadas irregulares, postes atravancando o caminho e guias sem acesso. As segundas, no Cidade Inclusiva, Cid Torquato também chama atenção para estas dificuldades que interrompem nosso passeio. O Blog São Paulo Urgente está postando uma série de reportagens do jornalista Leonardo Feder, que tem distrofia muscular de Duchenne, doença genética que provoca perda progressiva da força muscular. Cadeirante, ele descreve os muitos desafios e constragimento que enfrenta na capital paulista:

“A avenida Paulista virou, na minha opinião de cadeirante que circula pelo local, um paraíso em acessibilidade, após as reformas de 2007 e 2008 que custaram R$ 10,7 milhões à prefeitura na gestão Gilberto Kassab. Tanto que é lá (da praça Oswaldo Cruz ao Masp) onde ocorre a passeata anual do Movimento Superação, um grupo de pessoas com ou sem deficiência que promove projetos culturais visando à inclusão social.

MAS… Moro na Rua Tomás Carvalhal, no bairro Paraíso (talvez só no nome), e consigo chegar até o shopping Paulista em 25 minutos – só que nunca sozinho, devido à falta de guias rebaixadas e aos buracos e desníveis em calçadas do caminho (vejam as fotos no post O DESAFIO DE LEONARDO NAS RUAS DE SÃO PAULO). Como posso ter a liberdade de ir e vir com independência e assegurar minha plena cidadania se não posso usufruir por conta própria das benesses (de cultura, consumo, gastronomia) da cidade?”

Leia esta e outras reportagens sobre o tema no blog São Paulo Urgente

Se tiver reclamação, o gabinete do prefeito é lá

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Escada rolante quebrada

Os deficientes físicos e idosos tem sofrido na Praça da Bandeira, centro de São Paulo. É que uma das principais escadas rolantes do terminal urbano que dá acesso à estação do metrô Anhangabaú está quebrada, há mais de um mês. O terminal, ainda não dispõe de elevadores e é comum os vigilantes carregarem pessoas nos braços. Quem não gostou de ver a escada sendo fotografada foi um agente a serviço da SPTrans: “Meu amigo, aqui não pode tirar foto não”. Questionado sobre o tempo da manutenção do equipamento, disse: “Aqui,eu sou só pau-mandado, quando manda, carrego até aleijado. se tiver alguma reclamação, o Gabinete do Prefeito é naquela janela lá,” apontando para o Palácio do Anhangabaú.

Ônibus é solução urgente para a Copa do Mundo

Por Adamo Bazani

Ônibus para corredor segregado

A FIFA já fez o alerta: os investimentos no setor de transportes estão a passos muito lentos, no Brasil. O Ministro das Cidades, Márcio Fortes, salientou que o Programa de Aceleração do Crescimento prevê, aproximadamente, R$ 4 bilhões para o transporte público nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Apesar de o dinheiro parecer muito e 2014, distante, a verdade é que o recurso e o prazo são apertadíssimos quando o assunto é transporte. Algumas cidades não dão conta nem de oferecer serviço digno aos passageiros habituais, quanto mais aos turistas. A imagem do Brasil, projetada pelo Mundial, depende de soluções nas áreas de segurança pública e transporte.

Essa foi a tônica dos debates da 3a. edição da Transpúblico e do 22º Seminário da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), que se realizaram no Transamérica Expo, zona sul de São Paulo.

O “Ponto de ônibus” esteve lá e acompanhou propostas de especialistas no setor, empresários e fabricantes.

BRT, solução rápida e mais barata

Um consenso foi de que o transporte ferroviário, com malha maior de metrô de “dignificação” da malha de trens já existente, seria a solução mais próxima do ideal, porém, a mais cara e difícil de ser aplicada, principalmente em o menos de 5 anos. Com base nos investimentos que foram realizados na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, e em outras cidades que precisaram de soluções rápidas, o exemplo vem do BRT (Bus Rapid Transit), o ônibus de trânsito rápido, que oferece em corredores segregados um sistema de média e alta capacidades, com rapidez e conforto. De acordo com o diretor-superintendente da NTU, Marcos Bicalho, em palestra, cada quilômetro de um BRT, um corredor exclusivo, custa aproximadamente US$ 10 milhões contra US$ 50 bilhões do sistema VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) e US$ 90 milhões de metrô. Bicalho garante que se as linhas forem bem projetadas e os ônibus usados nestes corredores forem do modelo ideal, os benefícios serão os mesmos que os oferecidos pelo sistema de trilhos, com a vantagem de o custo de operação e instalação ser menor, além de mexer menos com a paisagem urbana, havendo menos escavações, obras de risco e desapropriações.

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O Brasil da diversidade exige transporte para diversidade

Por Adamo Bazani

Esta foi uma visão que se destacou, além do próprio debate sobre a Copa 2014, na Transpúblico que teve a participação de mais de 70 empresas, entre montadoras, encarroçadoras, auto-peças e acessórios, revendedoras e viações. Apesar da necessidade de uma política nacional para o setor, o Brasil é um país de grande diversidade econômica, cultural e territorial, e os transportes também devem ser pensados localmente, para atender cada demanda.
Se, antigamente, um modelo de ônibus tinha de servir para o País todo, hoje os fabricantes são unânimes de que deve haver um atendimento específico para cada região e passageiro. E a gama de modelos apresentados na feira mostrou isso.

Para as cidades que necessitem de corredores exclusivos e possuem grande número de passageiros, foram apresentados veículos e chassis articulados, bi-articulados e trucados (três eixos) urbanos.

Para aquelas que exigem respeito às pessoas com deficiência, além do tamanho dos chassis, os ônibus tem desenhos mais variados. Uma opção interessante, apresentada pela Volvo, é o chassi B9 SALF. Com carroceria Caio Mondego LA, o ônibus inteiro é de piso baixo, evitando os degraus internos, em carrocerias cuja frente e meio têm piso baixo, mas da metade para trás, o piso é convencional, havendo a necessidade de degraus no meio do corredor do ônibus.

Preferência do empresariado

Ônibus Midi

Apesar de os ônibus de média e alta capacidade serem apontados como soluções para as grandes cidades, o evento foi nacional e contemplou empresas de várias regiões do Brasil, que possuem condições de asfalto precárias, ruas e avenidas estreitas e linhas em bairros com muitos desníveis e curvas. Por isso, os chassis e carrocerias midi, os micrões, intermediários entre micro-ônibus e ônibus convencionais, eram os mais procurados sempre que os empresários ouviam a pergunta: “Qual seu modelo de interesse?”. Os custos de manutenção destes veículos são menores e, uma triste realidade social, dispensam cobradores, mão de obra a menos para pagar salário. Alguns micrões, como Sênior Midi, Spectrum, Foz Super, oferecem capacidade de passageiro igual a alguns ônibus antigos, como Vitória, Amélia e Gabriela, mas sem o cobrador e com consumo e manutenção menores. Em algumas cidades, empresas inteiras já operam com micrões. Solução que ainda é alvo de contestações, já que o motorista tem de dirigir e cobrar ao mesmo tempo, num veículo cujas dimensões são um pouco inferiores aos convencionais.

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Santander da Paulista não tem acesso e culpa prefeitura

“A Prefeitura que venha multar”. Foi a frase  que Julie Nakayama ouviu de funcionária da agência do Banco Santander, na avenida Paulista, 453, ao reclamar da falta de acesso ao prédio. Julie é fiscal de acessibilidade da Paulista, circula de cadeira de roda em toda a extensão em busca de desrespeitos ao cidadão. Encontrou na porta do Santander duas rampas com degrau que impedem, por exemplo, a entrada de cadeirante. A funcionária que a atendeu, identificada apenas por Cláudia, colocou a culpa na prefeitura que ao reformar a calçada deixou a entrada fora do nível. A vereadora Mara Gabrilli (PSDB) comenta: “Imagine se todas as calçadas da cidade tivessem de se adaptar a entrada dos prédios ?”

Reproduzo aqui, comentário publicado pela Julie no Blog:

Julie Nakayama:

Milton Jung,

Muito obrigada por ajudar a divulgar os grandes problemas da avenida.
Apesar da falta de consideração com o próximo da coordenadora Cláudia, hoje já tivemos uma boa notícia: a vereadora Mara Gabrilli acaba de falar com Fernando Martins, diretor da Ouvidoria do Banco Santander e Gislaine, responsável pelo banco também acaba de me ligar. Segundo ela, o Banco Santander irá notificar a coordenadora Cláudia, e as adaptações serão feitas no local. Assim que pronta,já fui convidada para conferir se está aprovada ou não.
Vamos esperar e assim que tiver notícias, te informo.

 

Faça seu site acessível a todos

A preocupação para que os sites sejam acessíveis às pessoas com deficiência tem aumentado nos últimos tempos, conforme constatou o comentarista do Cidade Inclusiva, Cid Torquato. Recentemente, no CBN SP ele trouxe algumas fontes importantes para quem pretende adaptar sua página na internet e dar acesso a milhares de pessoas ansiosas pelo direito à inclusão.

A maior referência internacional é a ONG W3C cujo site do capítulo brasileiro é o www.w3c.br. Outro endereço que cabe ser visitado é o Acessibilidade Legal mantido pelo deficiente visual Marco Antonio de Queiroz que atende pelo sugestivo apelido MAQ.

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoas Com Deficiência tem um portal acessível como não poderia deixas de ser. Apesar de que mesmo órgãos que tratam da causa do deficiente costumam provocar situações constrangedoras. De acordo com Elza Ambrósio, responsável pelo portal da Secretaria explica que  “empregamos o padrão web de acessibilidade e usabilidade com recursos que contemplam aumento de fonte para usuário com baixa visão, contraste que atende principalmente a pessoa daltônica, acessibilidade para diferentes leitores de tela, vídeos legendados que atendem à pessoa surda dentre outros”.

Ouça aqui o comentário de Cid Torquato sobre “sites acessíveis”

Ouça mais informações sobre acessibilidae no comentário Cidade Inclusiva RJ, por Gerogette Vidor

Foto-ouvinte: Vai encarar !

Cadeirante na rua

A calçada destruída e a falta de respeito impõem aos cadeirantes uma só opção se quiserem passar por este trecho na avenida Anhaia Mello, na Vila Prudente, zona leste da capital paulista: disputar espaços com os carros. É o que conta e mostra nesta foto o ouvinte-internauta Henrique Boney.