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Do banco dos tribunais aos do ônibus

18 de agosto de 2009 / miltonjung / 10 Comentários

 

Por Adamo Bazani

Advogado larga carreira, estabilidade e se torna pequeno empresário do setor de transportes e garante que é mais feliz com as mãos sujas de graxa

Em épocas de crise econômica, desemprego, indicadores não muito favoráveis, que são constantes e vai e vem no mundo, você largaria uma carreira, os anos de estudos e o dinheiro dedicados a uma faculdade, além da estabilidade, para realizar um sonho?

Aroldo e a paixão desde criança

O único motivo para isso é a paixão encarada como loucura para muitas pessoas. Mas tem gente que fez isso e garante que é feliz e valeu a pena investir no sonho. É o caso do advogado Aroldo de Souza Neto, de 32 anos, dono de uma pequena empresa de ônibus na cidade de Mauá, no ABC Paulista.

E ele afirmou logo no início da entrevista: “Quando eu era advogado, dormia mal, acordava 7 ou 8 horas da manhã sem disposição nenhuma para trabalhar. Agora, com as mãos sujas de graxa, acordo às 4 da manhã, com uma disposição de menino que sai de manhãzinha para brincar”

E foi de menino, que começou essa paixão do advogado.

Aroldo conta que quando tinha 5 anos adorava ver os ônibus passando coloridos nas ruas. Bela época em que não havia padronizações de pinturas. Os dias mais alegres para ele eram quando ia para a casa do avô e pegava os Vermelhinhos, como eram chamados os da Viação Utinga de Santo André, entre os bairros de Santa Terezinha e Utinga, na cidade do ABC Paulista.

“Lembro-me de viver perguntando para minha mãe, se ela sabia dirigir ônibus, pois queria ter um. Umas das empresas que eu mais gostava do ABC era Viação Garcia Turismo, de fretamento, que nem mais existe”.

Com cores típicas, os Marcopolo III, da Viação Garcia, faziam o coração do pequeno Aroldo disparar.

Em 1983, Aroldo ganhou uma máquina fotográfica simples do pai. As primeiras fotos: ônibus. Sem saber no que poderiam resultar as fotos, hoje, elas viraram precioso acervo para quem pretende resgatar a história dos transportes. Mas para o menino, na época, era apenas o registro de uma paixão.

Foi com 12 anos que Aroldo disse não ter dúvidas que seu gosto mesmo era por ônibus. Perto de sua casa, um rapaz tinha um ônibus rodoviário que realizava excursões. Mais tarde, este ônibus deu origem a empresa Selerete, que ainda atua no ABC e na Capital.
Ele foi até o Paraguai numa excursão e a amizade se estreitou com o dono do ônibus.

Com 14 anos, foi passear com o dono do ônibus para Mogi das Cruzes. O pneu furou e ele teve de ajudar a trocar. A paixão, virou amor. O que para muita gente é um martírio, trocar pneus, fez com que ele se sentisse o garoto mais importante da época: “Afinal, não era qualquer pneu, era pneu de ônibus”

Na oportunidade, Aroldo deu partida no veículo e a emoção foi maior ainda. E, realmente, quem gosta desse tipo de veículo, o momento da partida é um dos mais marcantes. Todo amante de ônibus lembra de sua primeira vez……a primeira vez que acionou a ignição do veículo.

Em 1988, quando estudava no Sesi (Serviço Social da Indústria), no Jardim Zaíra, em Mauá, tinha na contra-capa do caderno, os horários, prefixos, modelos e nomes das empresas que passavam na hora da aula e que ele observava pela janela. “Acho que minhas anotações eram mais precisas que a dos fiscais de linha”.

Os amigos de infância sabiam e achavam estranho. Quando passeava com os colegas de escola, repentinamente, interrompia a conversar pra ficar olhando o ônibus passar.

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