Avalanche Tricolor: Grêmio completa 700 vitórias diante de uma torcida que faz a diferença!

João Pedro comemora o gol da vitória, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Grêmio 1×0 Santos

Brasileiro – Alfredo Jaconi, Caxias/RS

“Muito feliz com o desempenho da torcida” — disse Nathan, naquela entrevista feita logo após o apito final do árbitro, ainda no calor da partida. Costuma ser a mais difícil de todas e injustamente cobrada de jogadores que nem sempre têm habilidade com as palavras. O batimento cardíaco está em alta, mal deu tempo de respirar fundo para pensar no que acabou de acontecer e o repórter dispara uma pergunta que, convenhamos, tende a ser mais longa do que deveria, considerando que tudo que ele gostaria de saber é “o que você achou do jogo?”.

O recém-chegado meio campista do Grêmio respondeu no microfone da televisão com a mesma sensibilidade e talento que havia apresentado em campo desde que entrou aos 26 do segundo tempo em lugar de Cristaldo.  Foram dele três dos principais e raros lances de ataque na etapa final —dois em que foi o protagonista do chute a gol e um terceiro, já nos acréscimo, quando desarmou o adversário e entregou a bola limpa para Suárez concluir.

Ao exaltar o torcedor, que havia tomado quase todas as dependências do Alfredo Jaconi, em Caxias, e vibrou mesmo diante da pressão maior do adversário, Nathan fez justiça aos gremistas que, já no ano passado, entenderam sua importância para o clube e tomaram para si a responsabilidade de nos levar de volta à Série A. Ascensão  conquistada e o orgulho recuperado, nesta temporada de 2023, os torcedores souberam dar a resposta ao esforço da diretoria que montou um elenco qualificado e, principalmente, contratou um dos maiores goleadores do mundo, Luis Suárez. 

Cada jogo é uma nova festa. Da Recopa Gaúcha a Copa do Brasil, do campeonato Gaúcho ao Brasileiro, tomamos as arquibancadas e aumentamos exponencialmente o número de sócios. Estamos com o Grêmio onde o Grêmio estiver. A despeito de algumas recaídas, com vaias pontuais a determinados jogadores, canta e embala a equipe, faz nosso time se desdobrar em busca da vitória, e a resistir quando necessário. No fim deste domingo, foi fundamental para dar força a equipe que estava tendo dificuldades para dominar a bola, especialmente no segundo tempo. E reconheceu quem se doou em busca do resultado, como fez com Kannemann que teve seu nome gritado enquanto estava caído e extasiado no gramado.

De minha parte, queria chamar atenção para a boa atuação dos três laterais que vestiram nossa camisa. Na direita, João Pedro que fez o gol da vitória, batendo de fora da área com pé trocado e tendo seus últimos desempenhos premiados neste momento importante da vida, às vésperas do primeiro bebê nascer. Thomas Luciano, de apenas 21 anos, que substituiu o autor do gol no intervalo, tomou para si a responsabilidade de combater o principal atacante adversário e cumpriu com precisão seu papel, além de ter sido o responsável por provocar a expulsão dele. E, finalmente, Diogo Barbosa, que se faz melhor nas últimas partidas e hoje foi essencial na movimentação de ataque pelo lado esquerdo.

O futebol jogado pelo Grêmio ficou aquém da expectativa mas havia na partida de hoje algo muito mais importante a se comemorar: a volta à Série A. Volta que se deu com uma vitória histórica porque é a de número 700 desde que as competições nacionais foram unificadas, em 1959 — estatística registrada logo após ao jogo pelo canal História Grêmio, no YouTube.

Avalanche Tricolor: se é o que temos para vencer, venceremos

 

Grêmio 2 x 0 Náutico
Brasileiro – Alfredo Jaconi (Caxias-RS)

 

Gremio x Nautico

 

Aprendemos com o tempo que o Campeonato Brasileiro se conquista a cada rodada, na soma de pontos de cada jogo, e, portanto, toda partida é uma decisão. Sendo assim, vencemos a primeira de 38 finais que temos para sermos campeões. Distante de casa, pela punição que sofremos no fim da temporada passada, mas próximo da torcida que praticamente lotou o Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, fizemos uma boa partida, na qual nosso meio de campo se destacou com os gols de Zé Roberto e Elano. Houve destaques nas laterais, com Pará e Alex Telles se revezando nas subidas. E a defesa jogando com seriedade.

 

Era evidente o ressentimento de muitos com a desclassificação na Libertadores, e as vaias para Vanderlei Luxemburgo que soaram das arquibancadas revelaram este sentimento. Há muita desconfiança com o que este elenco qualificado é capaz de fazer quando desafiado em campo. Mesmo os jogadores não escondiam a ferida aberta pela derrota há pouco mais de uma semana. Ou seria a lição aprendida? A comemoração de Zé Roberto, logo após o gol, que correu para abraçar Cris no banco, pareceu-me uma forma de tentar reconstruir este grupo que, segundo palavras do próprio craque da camisa 10, precisa encarar o Brasileiro como um novo tempo para o Grêmio. Tempo de mostrar que projetos pessoais jamais poderão se sobrepor ao interesse coletivo. Que talentos individuais somente se consagrarão se impulsionados pelo espírito guerreiro que sempre marcou nossa histórias.

 

Ao fim do jogo, Souza resumiu o desejo de todos: se é o Brasileiro (e a Copa do Brasil) que temos para vencer, vamos vencer. Que assim seja, da primeira à última rodada.