Por Abigail Costa
Passamos boa parte da infância ouvindo frases do tipo:
– Não seja egoísta! Deixe seu irmão pegar seu brinquedo!
Mais tarde, outras frases com a mesma palavra soam mais duras:
– Que egoísta! só pensa nele.
E-GO-ÍS-MO = Apego excessivo a si mesmo(a).
E agora? Vai dizer que nunca ninguém a aconselhou a pensar mais em você; a aprender a dizer não; a se cuidar primeiro, depois os outros; e por aí vai.
A história é que ouvimos de um jeito, mas a interpretação pode e deve ser outra. Se não fosse assim, na escritura sagrada não haveria entre outros mandamentos:
– Amarás o teu próximo, como a ti mesmo.
Essa é a minha parte preferida. Aquela que, sem remorso, levanto e volto pra cama com a sensação de dever cumprido. Cuidei de mim, antes de… Fiz isso por mim, apesar de…. Me olhei primeiro.
Tem alguém no mundo que sabe mais de você, do que você mesma ?
Claro, estamos rodeados de gente adorável, mas falo de conhecimento íntimo, daquele de mim pra mim mesma.
Repare que quando nos tornamos egoísta, quando aprendemos a nos ver, o reflexo exterior é quase que imediato.
É como se uma luz, dessas de pisca-pisca, sinalizasse boas novas. As pessoas percebem que aconteceu algo.
A interpretação disso não é cada um por si e Deus pra todos. Não é dessa forma. É saber até onde se pode ir sem se machucar, e perceber até quando se pode ajudar sem faltar a si mesma.
Um egoísmo do bem. Sem prejuízos a terceiros.
No máximo, de vez em quando um estrago no cartão de crédito. No caso de querer muito, mas muito, agradar a si mesma !
Esta parte final da conversa fica para uma outra quinta.
Até mais !
Abigail Costa é jornalista e, sem egoísmo, fala de si mesma para todos nós toda quinta-feira no Blog do Milton Jung