Namorar

Por Abigail Costa

Está aí uma palavra que eu ouço com certa sonorização.
Namoro: encantamento, descobertas, interesses.

Uma relação que começa num sorriso e se estende nas palavras. Se fosse comparado as estações, teria a sensualidade do verão, o charme do inverno, a luz do outono e a delicadeza da primavera.

Namoro deveria ser eternizado durante todas as fases do relacionamento. E por algum tempo apenas trocar a aliança. Do lado direito para o dedo da mão esquerda.

Imagine falar isso numa roda de conhecidos há uns vinte anos?

Me lembro de algumas justificativas para não querer namorar. Uma delas, compromisso. Conheci gente que tinha até discursso pronto.

– Isso é ir para a forca!

Ainda bem que muitos deles hoje, já não pensam assim. Buscam o lado prazeroso do namoro e fazem o possível para não pegar pesado nas cobranças, muito menos perder o interesse depois dos muitos anos de convivência.

Serão, de  preferência,   encontros intermináveis mas  com a sensação de ser sempre um dos primeiros.

Aproveite o feriado prolongado para namorar.

Faz bem para o corpo, alma e pele.

Abigail Costa é jornalista e eterna namorada.

De Imaginação

Por Maria Lucia Solla

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Olá,

Um dia, assim de repente, descobri um você diferente.
Vi chispar do teu olhar  um brilho perigoso;
envolvente.

Teu olhar se fazia espelho que refletia meu desejo com definição digital.
Mas, assim como veio, um dia se foi. Deixou tudo opaco;
no escuro total.

Teus ouvidos eram caixas que amplificavam meus pensamentos.
Um dia, assim como gritavam, se calaram. Pobre de mim;
dos meus sentimentos!

Através do teu olhar, que me traduzia tão bem,
eu compreendia um pouco do que morava em mim.
Aquilo que me dava orgulho, e aquilo que me envergonhava,
também.

Teu olhar era a esperança do beijo que eu acreditava possível,
através do meu louco desejo.
Mas ele se fez ausência na presença, tornando o beijo
impossível.

Ele acendia a luz, quando a dor me impedia de ver.
Mas hoje permite à dor
me envolver.

Teu olhar me perguntava coisas que eu não sabia, então, responder.
Será que foi por isso que resolveu de mim
se esconder?

O olhar pode ser cúmplice, traidor, juiz e defensor.
É ladrão de pensamentos, sem dúvida. É santo;
é pecador.

Na sua passagem, fez nascer em mim um amor tão grande, que jamais conheci.
Será que fui eu que de algum modo o espantei? Não sei;
não percebi.

Só sei que hoje procuro e filosofo de lanterna na mão;
não para encontrar o homem, mas
o seu coração.

Será que de tão romântica, isso tudo eu sonhei?
Vai ver que não vi esse olhar com meus olhos;
apenas imaginei.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, aqui no Blog do Milton Jung, nos faz imaginar que a vida é uma poesia

De Amor

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

Há quanto tempo você não se entrega a um poema?
Acabo de vir de uma linda festa de casamento, e estou permeada de amor.
Então, decidi sair de cena, ler um ou dois poemas, antes de dormir e deixar você aos cuidados de Paul Géraldy, poeta e dramaturgo francês.

Poema de Paul Geraldy

E, em francês, português, ou noutra lingua qualquer, me diga, o que você pensa do amor?

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, faz de seus pensamentos poemas no Blog do Milton Jung

 

O egoísmo do bem

Por Abigail Costa

Passamos boa parte da infância ouvindo frases do tipo:
– Não seja egoísta!  Deixe seu irmão pegar seu brinquedo!

Mais tarde,  outras frases com a mesma palavra soam mais duras:
– Que egoísta! só pensa nele.

E-GO-ÍS-MO = Apego excessivo a si mesmo(a).

E agora? Vai dizer que nunca ninguém  a aconselhou a pensar mais em você; a aprender a dizer não; a se cuidar primeiro,  depois os outros; e por aí vai.

A história é  que ouvimos de um jeito, mas a interpretação pode e deve ser outra. Se não fosse assim,  na escritura sagrada  não haveria entre outros mandamentos:
– Amarás o teu próximo, como a ti mesmo.

Essa é a minha parte preferida. Aquela que, sem remorso, levanto e volto pra cama com a sensação de dever cumprido. Cuidei de mim, antes de… Fiz isso por mim,  apesar de…. Me olhei primeiro.

Tem alguém no mundo que sabe mais de você, do que você mesma ?

Claro, estamos rodeados de gente adorável, mas falo de conhecimento íntimo, daquele de mim pra mim mesma.

Repare que quando nos tornamos egoísta, quando aprendemos a nos ver, o reflexo exterior é quase que imediato.

É como se uma luz, dessas de pisca-pisca, sinalizasse boas novas. As pessoas percebem que aconteceu algo.

A interpretação disso não é cada um por si e Deus pra todos. Não é dessa forma. É saber até onde se pode ir sem se machucar, e perceber até quando se pode ajudar sem faltar a si mesma.

Um egoísmo do bem. Sem prejuízos a terceiros.

No máximo, de vez em quando um estrago no cartão de crédito. No caso de querer  muito, mas muito,  agradar a si mesma !

Esta parte final  da conversa fica para uma outra quinta.

Até mais !

Abigail Costa é jornalista e, sem egoísmo, fala de si mesma para todos nós toda quinta-feira no Blog do Milton Jung