Projeto de lei ajudará cidadão a controlar gastos públicos pelo WhatsApp

 

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Escrevi esses dias sobre minha participação em apenas um grupo de WhatsApp, ao contrário da maioria das pessoas que conheço. Limite imposto pela minha incompetência em gerenciar tantos canais falando ao mesmo tempo. Imagine que ao receber mensagens de um e outro, individualmente, já me vi em saia justa ao responder o outro em lugar do um. Em grupo, seria uma …

 

O grupo que acompanho é o do Adote um Vereador porque há regras restritas e uma turma disciplinada conversando por ali. Porém, a persistirem às intenções de projeto de lei que corre no Senado talvez tenha de mudar este meu comportamento, em breve.

 

Explico: há um mês, quando estive na Câmara dos Deputados para fazer palestra sobre cidadania com base nas experiências que desenvolvi trabalhando com comunicação e ao lado do pessoal do Adote um Vereador, fui procurado pelo senador João Capiberibe, do PSB/AP. Por telefone, ele gostou de saber da experiência do Adote e me apresentou projeto de sua autoria que acabara de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. É o PL 325/2017.

 

A ideia do projeto é criar a Gestão Compartilhada, permitindo que grupos de cidadãos, através do WhatsApp ou Telegram, acompanhem os gastos públicos de obras, prestação de serviços públicos e compra de material e equipamentos. Pelo projeto, pessoas interessadas em controlar, por exemplo, o andamento de uma obra na sua região se reúnem em grupo nos aplicativos e se cadastram em um órgão público. Esse órgão, por sua vez, tem a obrigação de colocar um agente seu no grupo para prestar informações.

 

Pode-se pensar em pais de uma escola pública dispostos a saber como o dinheiro investido pelo município está sendo usado no colégio. Ou moradores de uma rua onde se inicia projeto de construção de uma praça. Ou motoristas que acompanham a construção de uma ponte na região por onde passam. Ou cidadãos que queiram saber qual o ritmo das obras do metrô no seu bairro.

 

Hoje já existe uma volume considerável de informações nos Portais de Transparência – verdade que em alguns lugares bem mais estruturados do que em outros – mas com a Gestão Compartilhada o cidadão teria acesso mais rápido às informações, acompanhamento mais preciso dos gastos públicos e em áreas de seu interesse. Para o senador, a Gestão Compartilhada é um passo adiante à Lei da Transparência. Ele próprio faz este exercício oferecendo aplicativo que permite que o eleitor tenha acesso às informações do seu mandato.

 

Um aspecto que pode ajudar na aprovação e implantação do projeto é a sua simplicidade. Os aplicativos são acessíveis e usados com facilidade pela maioria da população, especialmente nas áreas urbanas. União, estados e municípios, por força de lei, mantém pessoal para fornecer informações. Facilita a comunicação e reduz a burocracia.

 

Uma encrenca que percebo no sucesso deste projeto é a falta de estrutura especialmente de municípios para atender as demandas do cidadão. Haja vista, a dificuldade que encontramos em algumas cidades quando se pede dados da prefeitura ou da Câmara Municipal através da Lei de Acesso à Informação Pública, um direito que todos nós temos e uma obrigação do poder público.

 

Falta estrutura e, claro, de interesse. Recentemente assistimos na cidade de São Paulo um assessor de comunicação flagrado em áudio no qual confessava que não mediria esforços para impedir que jornalistas tivessem acesso a determinadas informações públicas. Ele foi afastado da função. A cultura do medo e da falta de transparência, duvido.

 

O projeto de Gestão Compartilhada, como disse, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e vai para a Comissão de Transparência em caráter terminativo. Se aprovado não precisa passar em plenário e vai direto à Câmara dos Deputados.

 

Acho que vou ter de me acostumar com esses grupos de WhatsApp!

Taxistas terão de ir além do sorriso e da simpatia para se manterem vivos na cidade

 

 

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Passeie pelo Rio por três dias e fiquei bem impressionado com o atendimento que recebi da saída do aeroporto à porta do hotel. Funcionários simpáticos e atenciosos me receberam nos lugares que visitei. Foram poucos é verdade, mas diversificados. Rodei de táxis pela cidade e fui transportado por motoristas que fizeram questão de me dar informações sobre o Rio e os lugares pelos quais passamos. Um deles, assim que percebeu que eu havia descido em local errado fez questão de retornar para me levar mais adiante. Pediu desculpas, pois se soubesse que eu queria entrar na Arena Jeunesse teria me deixado mais à frente para facilitar. Em resumo, uma simpatia.

 

 

Para todos os cariocas com quem conversei, e fiz questão de compartilhar esta minha boa impressão, fui alertado que “antigamente” as coisas não eram assim, especialmente nos táxis. A mudança de comportamento teria sido o efeito Uber. Motoristas perceberam que teriam que incluir no seu cardápio sorriso e bom atendimento para competir com os aplicativos. No meu caso, funcionou, mesmo com a corrida saindo um pouco mais cara.

 

 

As mudanças, porém, terão de ir além do comportamento.

 

Ainda nesta semana, e já aqui em São Paulo, leio em “O Diário do Transporte” que os motoristas do Táxis Preto – que surgiu no fim de 2015 como alternativa de alto padrão ao Uber Black – tiveram de receber socorro extra da prefeitura pois não têm conseguido pagar as parcelas do alvará, que custa R$ 60 mil, valor que pode ser dividido em 60 prestações de R$ 1 mil. A administração municipal anunciou que o prazo de pagamento será ampliado e aqueles que desistirem de prestar o serviço poderão devolver a licença sem a obrigação de fazerem o pagamento integral, terão apenas de acertar os atrasados.

 

Na outra ponta do sistema, os jornais informam que o presidente executivo da startup 99, o americano Peter Fernandez, anda feliz da vida com os US$ 200 milhões que foram colocados na empresa por investidores (ou seja dinheiro privado): US$ 100 milhões da chinesa Didi Chuxing e US$ 100 milhões da japonesa SoftBank. Com muito mais dinheiro no caixa, Fernandez diz que será possível acelerar a missão da empresa de fazer o transporte ficar cada vez mais barato, rápido e seguro para os brasileiros.

 

Fico sabendo, no texto assinado pelo jornalista Alexandre Pelegi, que a prefeitura de São Paulo tira do seu caixa (ou seja dinheiro público) R$ 250 milhões por ano para os taxistas transportarem 1,5% das pessoas que são atendidas pelo transporte público, na capital. Pelegi compara: cada paulista que usa táxi recebe subsídio cinco vezes maior do que os que andam de ônibus.

 

Os números mostram que a concorrência entre os táxis e os carros que atendem pelos aplicativos é desleal. E digo isso não no sentido de revelar uma irregularidade. Pelo contrário. Digo pelo simples fato de que o dinheiro privado é muito mais abundante e rentável do que o dinheiro público.  Sorrisos e bom atendimento não serão suficientes para a sobrevivência da categoria. Taxistas e prefeituras terão de repensar a gestão do sistema, e, temo, ainda chegarão a conclusão – na marra ou por reflexão  – que o transporte individual tenha de ficar nas mãos dos empresários, cabendo à administração municipal a fiscalização rígida do serviço prestado.

 

Na ponta do lápis, faz muito mais sentido a prefeitura investir cada tostão em um sistema que atenda muito mais gente – ônibus, trem e metrô, por exemplo – do que desperdiçá-lo no transporte público individual, especialmente se o setor privado é capaz de oferecer o mesmo serviço, com mais carros  e por um custo menor.

 

Enquanto essa época não chega, seguirei chamando meu táxi na expectativa de ser atendido com sorriso, simpatia e segurança.

 

*na primeira versão deste texto, por engano deste blogueiro, o nome da startup 99 estava grafado errado. Corrigido, agora!

Mundo Corporativo: Armindo Motta Jr da Wappa diz como empresas podem reduzir custos com serviço de táxi

 

 

Em meio a polêmica entre o serviço de táxi tradicional e o uso do aplicativo Uber, algumas empresas conseguem encontrar brecha para prestarem serviço que atenda os profissionais do setor e os passageiros. É o caso da Wappa, uma plataforma de gestão de táxi, que está há dez ano no mercado e atende cerca de 2.500 empresas e clientes. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, o CEO da Wappa, Armindo Motta Júnior, explica que as empresas podem economizar até 40% nos custos de transportes dos seus funcionários ao permitirem a gestão do serviço através da tecnologia que foi desenvolvida. Ele, também, analisa as rápidas transformações que o mercado de táxi no Brasil e no Mundo vem enfrentando com o surgimento de aplicativos e novas funcionalidades: “todos nós vamos precisar nos adaptar às mudanças”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação do Paulo Rodolfo, do Douglas Matos e da Débora Gonçalves.

Eu só queria um selo, simples assim

 

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O cartaz, escrito à mão, pedia paciência aos clientes e informava que o sistema estava lento. A impaciência no olhar das pessoas que estavam na fila sinalizava que o problema não era a lentidão, mas a inexistência do sistema. Aproveitei a moça do caixa, com ar desolado, para saber se poderia ao menos comprar um selo e remeter carta simples para outro Estado. Selo tem, mas não tem sistema, e só vende selo se tiver sistema. Mas custa só 85 centavos!? Sem sistema não tem registro, sem registro não se vende selo. Simples assim.

 

Como não estava disposto a esperar, pois não havia qualquer previsão de regularização no atendimento, fui ao shopping mais próximo, onde, certamente, haveria selos à venda e meu problema estaria resolvido. Ledo engano. Na livraria não vendem, na revistaria, também não, e nenhum dos que me atenderam souberam responder onde encontrá-los. Sem contar o olhar de estranhamento: quem ainda precisa de selo?

 

Se as pessoas não resolvem, aposto na tecnologia, sem lembrar que foi esta que me criou o primeiro entrave lá no posto em que a fila de espera era extensa. Com o celular na ponta dos dedos, acessei a página dos Correios na internet e logo percebi que esta é imprópria para navegação, pois não se adapta ao tamanho da tela.

 

Não desisti: fui para a loja de aplicativos e encontrei o ícone que desejava. Baixei o app Correios no meu celular em busca da agência mais próxima. Surpreendi-me ao saber que o aplicativo não é nada amigável: por exemplo, não oferece a possibilidade de localizar, automaticamente, a agência e posto próximos de onde você está, coisa que qualquer serviço mequetrefe já desenvolveu.

 

Se não dá para ajudar, por que não criar ainda mais problemas?

 

Ao clicar na aba “Agências – procure uma agência perto de você” é preciso informar o Estado, a cidade e o bairro onde você está. Ou melhor, o bairro próximo de onde você está e tenha representantes dos Correios. É que o sistema de busca só tem os nomes dos bairros onde funcionam os Correios, o que gera a seguinte situação: se eu estiver no Jardim Lindoia (você sabe onde fica?) e lá não houver agência, tenho de descobrir quais bairros fazem limite com o Lindoia e verificar se um deles aparece na lista. Um dos mais famosos da cidade de São Paulo, o Morumbi, por exemplo, não aparece.

 

Poderia ser tudo mais simples se o sistema funcionasse, os selos estivessem disponíveis em qualquer banca e o aplicativo fosse criado pensando na experiência do usuário. Mais simples ainda, se a empresa para qual fui contratado para prestar palestra não me obrigasse a postar no correio um documento que poderia ter sido digitalizado e enviado por e-mail – o que convenhamos, hoje é coisa simples de se fazer.

 

Não bastasse todo o transtorno, um toque de ironia nesta história: dentro do envelope – que eu ainda não remeti – uma declaração em papel timbrado e assinado de que minha empresa está incluída no “Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte” que costumamos chamar de Simples.

 

Simples assim.

Conheça o Smaps: aplicativo do bem contra o mal

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os moradores de grandes cidades acostumados ao benefício dos aplicativos, que os tem levado de forma mais rápida aos seus destinos, terão um adicional providencial e essencial: que tal além de poder se deslocar pela rota mais rápida, saber a mais rápida e mais segura?

 

Essa é a ideia do Adm. Douglas Roque, criador do aplicativo SMAPS-Segurança Colaborativa Mundial. Na verdade, o aplicativo, que roda no Iphone, no Androide e em desktops, fornece também outras indicações, tais como:

 

– Locais mais seguros para se locomover, morar, trabalhar, passear e investir.
– Alertas de perigo sobre regiões como moradia, trabalho, escola, clube, casa de praia e de campo.
– Imagens de câmeras instaladas nas ruas e zonas de interesse dos usuários.
– Registro ordenado de todos os tipos de crimes e abusos contra a pessoa ou o patrimônio. Dos mais hediondos aos mais comuns como as ofensas sexuais ou raciais. Até mesmo o insolúvel problema do barulho de festas, clubes noturnos, etc.

 

Tudo isso, além de contribuir com os especialistas e as autoridades envolvidas na segurança.

 

O SMAPS já conta com 2.500 colaboradores e visitação diária de 400 internautas. Tem o apoio de vários CONSEGs e de algumas ONGs, como os PAULISTANOS PELA PAZ. Já tem audiência marcada com a Prefeitura de São Paulo e várias entidades sociais.

 

Se no âmbito do Marketing, Philip Kotler, um dos seus ícones, afirmou que o Marketing era muito importante para ficar restrito aos especialistas, o que dizer então da Segurança?

 

É realmente momento oportuno para as redes sociais entrarem em campo com tudo, como colaboradores e usuários, nesta área tão séria quanto carente que é a da Segurança. É função de vital importância que não deve se restringir à Polícia. O SMAPS é um dos caminhos. É só acessar: http://www.smaps.com.br

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Pia Mancini: como trazer o cidadão para a política na era da internet

 

 

Foi Bel Pesce, do Caderninho, quem provocou o tema ao lembrar o trabalho da argentina Pia Mancini, ativista política que lançou aplicativo que permite o acesso direto do cidadão com seu representante no parlamento. Com dificuldade para propor aos políticos de sua terra, ela própria mobilizou-se para fundar um partido e se lançou candidata com a proposta de apresentar e votar projetos conforme decisão direta de seus eleitores, que seria apresentada através do aplicativo. Através de sua plataforma móvel, Mancini quer trazer os cidadãos para o processo legislativo. Ela não se elegeu, mas seu aplicativo está no ar a espera de políticos dispostos a ouvir a opinião do cidadão.

Cidadão tem aplicativo para avaliar Câmara; faltam os vereadores

 

A Câmara Municipal de São Paulo poderá ser avaliada através do aplicativo MyFunCity, uma plataforma de convergência social e digital, que incentiva a participação popular na gestão pública. Além de opinar sobre a qualidade do serviço prestado pelo legislativo, os moradores poderão dizer o que pensam da prefeitura e da qualidade de vida na capital paulista. O MyFunCity permite compreender como os paulistanos se sentem em aspectos como saúde, educação, segurança, transporte público, lazer, condições das ruas e custo de vida. A avaliação é feita de forma simples. Por exemplo, se quiser opinar sobre as condições de barulho da rua em que você está, o aplicativo identifica o local e você clica no ícone específico, aparecerão cinco figuras com carinhas que vão de um sorriso aberto até o choro. Se tiver interesse é possível registrar o local ou o motivo da reclamação com foto e incluir comentários. A soma das avaliações vai gerar o nível de bem estar por regiões. As primeiras análises mostram que as maiores preocupações neste momento dos paulistanos são o barulho e o custo de vida.,

 

Em relação a Câmara, até o momento em que publicamos este post, havia apenas uma avaliação com nível de satisfação de 30%, em uma escala que vai de 10% a 100%. A medida que os paulistanos começarem a expressar-se através do aplicativo, os vereadores terão ideia melhor sobre o desempenho da casa legislativa, assim como dos demais ítens, pois o acompanhamento pode ser feito em tempo real. Por enquanto, não é possível fazer avaliação individual dos vereadores, o que seria muito interessante, pois teríamos a oportunidade de entender um pouco o que o cidadão pensa de cada um dos seus representantes (se é que eles se sentem representados). Além de o aplicativo ser adaptado para que tenhamos esta possibilidade, a rede Adote um Vereador também sugere aos paulistanos que acompanhem mais de perto o trabalho no legislativo. Nossa ideia é que você monitore, fiscalize e controle os vereadores, escolhendo um dos parlamentares e levantando informações sobre ele a partir do que está publicado nos meios de comunicação, na internet, no site da Câmara, nas páginas e perfis dos vereadores nas redes sociais, através de contatos com os gabinetes e, se possível, com o próprio legislador. Importante, também, compartilhar este conhecimento com as demais pessoas em blogs, sites, twitter, facebook, jornalzinho da rua, mural do trabalho ou da escola. Assim, você estará ajudando os moradores a participar da vida pública da sua cidade. E a Câmara a trabalhar mais próxima do cidadão.

 


Baixe o MyFunCity e mãos à obra. Ou melhor, dedo no aplicativo: avalie, provoque, mude.

 

Adote um Vereador ganha aplicativo para celular

Com as facilidades oferecidas pela Fábrica de Aplicativos, criação do engenheiro de computação Guilherme Santa Rosa, a rede Adote um Vereador ganha mais uma ferramenta digital para facilitar o acesso às informações e análises sobre os vereadores e as câmaras municipais. O aplicativo do Adote pode ser baixado em qualquer telefone celular e foi desenvolvido pelo Alecir Macedo, um dos fundadores da rede de cidadãos que se dedica a controlar o trabalho do legislativo nas cidades brasileiras. A ideia é simples e oferece com apenas um toque informações como o telefone e e-mail dos vereadores da cidade de São Paulo. É possível encontrar ainda as notícias do Adote um Vereador no Facebook e Twitter, além de vídeos que ensinam como participar deste projeto. O aplicativo está em fase de implantação, já passou por algumas atualizações e está à disposição do cidadão e dos especialistas em mídias digitais para que fique ainda mais adaptado as demandas do cidadão. Se você tiver uma boa ideia, mande para nós, visitando o site www.adoteumvereadorsp.com.br. E adote um vereador.

Acesse nossos APPs e compartilhe suas ideias na CBN

 

Duas mãos, muitas palavras e a música no ritmo da notícia que você ouve na CBN. Estas são marcas do vídeo que incentiva os ouvintes-internautas a acessar os novos aplicativos para Android, Iphone e Ipad. A campanha abre espaço para você compartilhar conosco palavras e mensagens que representam o que sente, deseja ou sonha. Escreva no seu corpo, fotografe, grave e mande para cá: milton@cbn.com.br. Vou adorar dividir estas emoções com toda a comunidade que acompanha a rádio CBN.

 

Mercado criativo faz applemaníacos driblar burocratas em Cuba

 

 

Um All Star de cano alto era o sonho de consumo de todos meus colegas de basquete, nos anos de 1970 e 1980, no Rio Grande do Sul. Para tê-lo era preciso contar com a viagem para os Estados Unidos, raras na época, de algum parente, conhecido ou conhecido do conhecido. Havia ainda a possibilidade de encontrarmos um “canal tri-legal”. Que o legal aqui seja entendido como bacana, interessante, pois o tal canal não tinha nada de legal, era algum muambeiro que trazia os produtos para o Brasil. Antes que você me condene, explico que nunca comprei destes tênis, naquela época. E antes que você me enalteça, digo que não o fiz por falta de dinheiro. Contentava-me com o Charrua, comprado no Uruguai, mais barato, de boa qualidade e confortável.

 

Lembrei dos tênis All Star e o que eles representavam nos pés dos meus colegas – pareciam saltar mais, correr mais e jogar mais do que eu (e o faziam mesmo mas apenas porque eram melhores do que eu)- ao ler a coluna da jornalista cubana Yoani Sánchez, no Estadão de domingo, escrita sob o título Apple causa furor em Havana. A marca criada por Steve Jobs, evidentemente, não tem loja nem revenda oficial no país comunista – assim como nenhuma outro fabricante americano. É proibido vender Iphone por lá. Isto não impede que seus consumidores façam fila na porta de uma assistência técnica que anuncia no cartaz trabalhar com o produto. “Estão ali aqueles que conseguem comprá-los no mercado informal graças ao ingresso de alguns pesos conversíveis ou os que receberam os aparelhos de algum parente ou amigo radicado no exterior”, escreve a mais famosa blogueira da terra de Fidel. Ter o aparelho nas mãos é sinal de status para os cubanos, os torna especiais, descolados, assim como acontecia com o All Star calçado pelos outros.

 

O contrabando não é novidade em Cuba mas o que considero mais interessante no relato de Yoani é o fato dela ter identificado o desenvolvimento de um mercado criativo de grande sucesso com soluções inteligentes capazes de contornar todos os bloqueios impostos pela burocracia e tecnologia. Há uma versão da Wikipédia em espanhol que é instalada na memória do celular, têm mapas de Havana e de toda Cuba que podem ser ativados por um sistema de localização que não necessita de satélite e, um dos grandes sucessos, um aplicativo que funciona como identificador de chamada capaz de oferecer além do nome e do número de quem está ligando, também o endereço e o registro de identidade dele. Imagine os avanços que Cuba e seu povo teriam se esta criatividade fosse incentivada em um mercado aberto e com acesso a tecnologia no exterior.

 

Em tempo: hoje tenho uma coleção de All Star e ainda não tenho nenhum Iphone. Quem sabe compro um quando viajar para Cuba