Avalanche Tricolor: criticar os críticos; pode isso, Sandro?!?

São Paulo 0x0 Grêmio

Brasileiro — Morumbi, São Paulo-SP

Pepê disputa jogada no ataque, em flagrante de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dois colegas na mesa de debate começaram os trabalhos criticando as críticas gremistas ao árbitro e a utilização do VAR ouvidas ao fim da partida desse sábado à noite. A crítica contra os críticos veio ilustrada por um lance logo no início do jogo em que Pepê caiu dentro da área quando recebia a bola em direção ao gol. Os dois decidiram em comum acordo em favor do árbitro. “Lannnnce leeegaaaal — teriam gritado se fossem Mario Vianna, ex-árbitro e  primeiro comentarista de arbitragem que trabalhou na Globo e na Tupi, nos anos de 1960. 

(Para ser preciso —- antes que alguém peça para conferir no VAR, ops, no Google —-, o grito de Vianna era “goooool leeegaaaal”)

Sim, comentaristas de árbitro existem desde aquela época, apesar de terem ficado famosos mesmo com a chegada da função à televisão, em 1989, quando o árbitro Arnaldo César Coelho foi convidado por Armando Nogueira, diretor de jornalismo da TV Globo, a assumir a função. Foi da parceria de Arnaldo com Galvão Bueno que surgiu outro bordão marcante nas narrações esportivas: “pode isso, Arnaldo?”, momento em que o ex-árbitro esclarecia o que havia acontecido no lance.

Hoje é comum todos os programas esportivos contarem com a presença de ex-juízes de futebol comentando os lances mais polêmicos  — alguns difíceis inclusive de tomar uma decisão após ser visto por vários ângulos, o que sempre leva à inocência o árbitro de campo. Na Justiça se diria “in dubio pro reo”. No futebolês: se na tela da TV já foi difícil de decidir, imagine no calor da partida. Verdade que com a tecnologia à disposição, auxiliando nos momentos em que a regra permite, a vida do árbitro no gramado ficou mais fácil. Caiu na área, teve dúvida, o VAR confere e se suspeitar de irregularidade, chama o árbitro de campo para assistir na casinha; caiu na área, o árbitro marcou, o VAR discordou, chama para o cantinho e entram em acordo.

Na partida desta noite, a turma do VAR não estava muito afim de trabalhar —- foi a impressão que tive (ou foi a pressão que os cartolas do adversário tinham feito na semana, a ponto de a escalação da arbitragem sofrer mudanças pela CBF?). Nem tanto pelo lance de Pepê, que por ter ocorrido fora da área, apesar dele ter caído dentro, não existe motivo de revisão do VAR, mesmo que o árbitro tenha se enganado na marcação. Esse é o típico lance em que o erro é do árbitro e o VAR não pode salvar. Mas houve erro? Para os comentaristas de futebol, lembrados no primeiro parágrafo desta Avalanche, não. Tanto que usaram o lance para justificar as críticas que faziam aos críticos gremistas. Usaram o lance errado. Durante a partida, o comentarista de árbitro Sandro Meira Ricci havia sido taxativo: foi falta, fora da área e passível de cartão vermelho porque Pepê seguia em direção ao gol. 

O lance em que o VAR não trabalhou —- e que me deu a impressão de que a turma da cabine estava incomodada por já ser tarde da noite, em São Paulo, e a temperatura estar baixa, pensando que seria muito melhor estar em casa com a família e sem sofrer pressão da cartolagem — foi outro, bem distante daquele, no outro lado do campo e no segundo tempo. Refiro-me a falta que teria ocorrido sobre Geromel em uma bola alçada na área adversária. Nosso zagueiro que raramente recebe cartão amarelo, perdeu a pose, reclamou de nada ter sido sinalizado no momento da jogada e sequer ter havido revisão do VAR.

(Que fique claro, só tem revisão se aquela turma da cabine chama — aquela que eu desconfio não estava muito disposta a fazer sua tarefa no jogo por frio ou por medo. Ou seja, nem o juiz viu em campo nem o VAR, na cabine)

A jogada que foi esquecida pelos críticos dos críticos, e não foi vista nem pelo árbitro nem pelo VAR, segundo Sandro Meira Ricci também foi ilegal. Para ele, Geromel foi derrubado, deveria ter sido sinalizado pênalti e como não o foi, o VAR teria de ter alertado o árbitro. Nem uma coisa nem outra. O juiz Rafael Traci fez cara de bravo, mandou seguir o jogo e na primeira parada puniu a crítica de Geromel com o cartão amarelo.

Além do amarelo de Geromel — que mesmo com razão, exagerou na reclamação —-, Kannemann também foi amarelado em outro lance no qual o VAR não podia interferir e em que o juiz decidiu punir a vítima. Na cobrança de falta quase na linha da área, a barreira adversária claramente avançou, o juiz mandou voltar o lance, e a barreira continuou avançando, tanto que o árbitro insistia para que voltasse à posição correta. Desrespeitado, em lugar de amarelar o homem base da barreira —- como manda a regra —, destinou o cartão ao zagueiro gremista que reclamava para a regra ser cumprida.

Evidentemente que estou dedicando esta Avalanche a falar de comentaristas e de arbitragem porque o futebol ficou em dívida com o torcedor, mesmo que o Grêmio tenha sabido desarmar a principal arma do adversário, depois de sofrido muito nos primeiros 20 minutos de jogo para segurar o toque de bola rápido e envolvente do time da casa. Tivéssemos marcado em alguns dos lances de ataque e saído de campo com os três pontos, meu olhar agora estaria brilhando de alegria, o que se refletiria neste texto. Não foi o que aconteceu, então decidi compartilhar com você, caro e raro eleitor desta Avalanche, meu mau humor com os comentaristas —- que, aliás, admiro muito —- e com os árbitros —- destes, confesso, nunca fui muito fã. 

Sem bom futebol, me restou criticar a critica aos críticos. Pode isso, Sandro?

Avalanche Tricolor: cuidado com as palavras e apuro na bola jogada

 

Fluminense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Volta Redonda/RJ

 

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Bobô na disputa pelo alto, em foto de Nelson Perez/Gremio.net

 

O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe bem o cuidado que tenho com as palavras. Tanto porque aprecio as benditas assim como tenho medo do poder das malditas, aquelas que proferimos na emoção de um lance, no momento de explosão do gol ou diante da injustiça imposta pela autoridade em campo.

 

Pensei bem antes de escrever esta Avalanche, mesmo assim por várias vezes me peguei digitando algumas linhas tortas e as apaguei em seguida.

 

Desde que deixei as quadras de basquete, e isso faz muitos anos, decidi controlar meus gestos e emoções. Naquela época, explodia de alegria, de raiva, de choro e de indignação. Fui guerreiro mas fui injusto e descontrolado muitas vezes. Os árbitros eram meus alvos principais. E seria o árbitro meu alvo nesta Avalanche se insistisse em escrevê-la ainda sob o impacto da partida de sábado.

 

Convenhamos, aquele cidadão agiu de maneira um pouco estranha. Se por um lado enxergava pouco por outro ouvia demais. Os olhos toleravam o que o ouvido não aceitava; o que talvez explique não ter enxergado duas mãos na bola em um mesmo lance – e, portanto, deixado de marcar pênalti a favor do Grêmio – nem visto falta em um “carrinho temerário” quando Edílson escapava pela direita, o que provocou a reclamação de Ramiro. Seu ouvido sensível, porém, foi ultrajado com as palavras de nosso volante e, sem dó nem advertência prévia – que resultaria em um cartão amarelo – colocou-o para fora causando mais um grave prejuízo ao Grêmio.

 

Como disse anteriormente, porém, não quero aqui me ater a influência do árbitro nem aos motivos que o levaram a cometer tantos erros contra o Grêmio – apesar de já tê-lo feito no parágrafo anterior (eu não consigo me conter).

 

Prefiro olhar nossos méritos. E que méritos: lá atrás Bruno no gol, Geromel e Wallace dentro da área, Edílson e Marcelo Hermes pelas laterais, apesar do gol sofrido, foram gigantes para suportar a pressão do adversário. Lá na frente, a troca de passes que nos proporcionou o gol, mesmo quando já estávamos com “dois a menos” (se é que você me entende), foi lance de alta categoria.

 

Diante da área e da defesa adversária, com velocidade e precisão, Giuliano passou para Bobô que, sem pestanejar, encontrou Marcelo Hermes entrando por trás da defesa. Nosso menino da lateral esquerda deu um toque elegante embaixo da bola, fazendo-a cair dentro do gol. Coisa linda de se ver, que mostra bem o nível do futebol que temos jogado.

 

Neste fim de semana, ganhamos um ponto e nos tiraram dois. E quem nos tirou os pontos, levou junto a possibilidade de encerrarmos esta sétima rodada na liderança.

 

Se me permitem uma sugestão: independentemente das injustiças proporcionadas pelo apito, dentro de campo, vamos esquecer o árbitro e seguir jogando a bola que sabemos. A performance de nossa equipe é suficiente para nos oferecer a esperança de que logo estaremos na ponta novamente. 

O que taxistas e árbitros de futebol têm em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Carlos

 

As recentes manifestações de taxistas e os depoimentos de árbitros de futebol defendem a manutenção das condições atuais de suas funções e atribuições, repudiando a inovação que ora lhes é apresentada. É coerente, mas não é inteligente.

 

O naturalista Charles Darwin já demonstrou que a preservação das espécies é efetivada pela adaptação às mudanças. Mais recentemente o economista Joseph Schumpeter alertou que as novas tecnologias destroem antigos modelos de negócios e profissões, mas é inevitável.

 

O tema é recorrente, pois uma análise do passado reflete a repetição deste processo (inevitável) de inovação.

 

Não é difícil apostar no predomínio do Uber contra os taxistas, do WhatsApp contra as telefônicas, da Netflix contra as TVs a cabo. É o novo contra o velho. Ou será que as pessoas irão preferir médicos, remédios e hospitais sem tecnologia?

 

Os taxistas de São Paulo teriam melhor caminho se absorvessem a tecnologia em benefício próprio, e entendessem que o Uber é o futuro, enquanto o ponto será coisa do passado. Por bem ou por mal.

 

De outro lado, a proposta da CBF, de experimentar o uso da tecnologia simples, agregando um árbitro com recurso da imagem para dirimir dúvidas, recebeu dura oposição de árbitros notáveis.

 

Estes árbitros-personagens, com espaço nobre nas TVs, antes de criticar, deveriam estudar outros esportes que utilizam os recursos eletrônicos como tênis, handebol, vôlei, futebol americano e atletismo. Mesmo porque a tecnologia criou uma emoção adicional, por exemplo, no tênis, quando se espera a imagem de um desafio que pode decidir uma partida.

 

As cidades e o futebol esperam em breve a tecnologia que ora lhes é negada, com a dúvida de quando virá, mas a certeza que virá.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto do taximetro capelinha é do Blog FuscaClassic

 

A foto do árbitro de futebol é do álbum de Andrea Re Depaolini no Flickr

Avalanche Tricolor: vaga na Copa do Brasil ainda está em jogo, apesar de gol mal anulado

 

Grêmio 0x1 Criciúma
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

 

É impressão minha ou todo mundo achou que o erro do árbitro ao anular o gol de Pedro Rocha foi normal? Que não influenciou na partida? Que pouca diferença faria no desempenho das duas equipes? Ouvi alguns comentaristas durante a transmissão e pouco se citou o fato, para mim crucial no jogo. Houve até quem, a princípio, validasse a decisão do juiz.

 

Eram 22 minutos quando Rocha, em meio aos zagueiros e em velocidade, tabelou com Luan e, na entrada da área, recebeu passe preciso, em jogada que tem marcado o futebol gremista nesses tempos de Roger, para com apenas um toque deslocar o goleiro e por a bola dentro do gol.

 

Vamos ser sincero: era desnecessária a linha digital que as emissoras de televisão usam nas transmissões – aliás, demoraram para usar nesta terça-feira – para perceber que o atacante estava em posição legal. O auxiliar, que está lá só para ver esse lance e trabalha recomendado pela Fifa a, na dúvida, dar sequência à jogada, não entendeu dessa maneira e levou o árbitro ao erro.

 

Como agora é proibido reclamar do juiz, mesmo diante de erros crassos, aos jogadores cabe apenas indignar-se em silêncio, enquanto os algozes seguem sua vida sem qualquer punição. Um erro que pode custar a desclassificação desta Copa, pois exigirá vitória em Criciúma na partida de volta – o que, convenhamos, não é difícil, desde que as finalizações voltem a ser mais certeiras.

 

Um gol naquela altura mudaria o cenário da partida, pois obrigaria o adversário a abandonar sua postura defensiva, desmontaria a retranca montada para surpreender o Grêmio e abriria espaço para jogar. Sem o gol, o Grêmio teve dificuldade para trocar bola com mais objetividade e foi punido com um erro na saída de bola da sua defesa.

 

O Grêmio não perdeu a partida somente por causa do árbitro, mas também por causa dele, e precisa acertar sua forma de jogar contra equipes retrancadas, pois com sua ascensão na temporada tende a ser essa a postura dos próximos adversários. Porém, analisar o resultado do jogo e nosso destino na competição sem levar em consideração a anulação do gol no primeiro tempo é injusto. Assim como o foi a vaia de alguns torcedores ao fim da partida. Pois, mesmo com a derrota, o que o time precisa agora é de todo o apoio para se recuperar na próxima partida e, novamente, revelar-se Imortal.

Avalanche Tricolor: “juiz ladrão!”

 

Grêmio 0 x 1 São Paulo
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Sao Paulo

 

Calma lá! Este gremista que lhe escreve ainda não perdeu por completo as estribeiras. Foi-se o tempo no qual me travestia de atleta e, em quadra ou em campo, aprontava poucas e más com os árbitros de futebol e basquete com os quais mantive relação belicosa e, provavelmente, injusta, pois nem eles eram tão ruins como eu os acusava nem eu era tão inocente quanto me fazia passar. Não me orgulho das brigas que tive enquanto joguei os dois esportes, sempre vestindo a camisa do Grêmio, apesar de hoje, ao contar as histórias daquele tempo, achar graça das cenas que repasso na memória. Tenho consciência que faziam parte de uma personalidade competitiva que se construía sob a influência de hormônios adolescentes. Mudei muito desde que deixei de jogar pra valer, isso lá pelos anos de 1980. Sou muito mais controlado nas minhas reações e, beneficiado pela experiência, tento canalizar aquela energia que beirava a violência para minhas tomadas de decisão e desenvolvimento das funções que preciso exercer no jornalismo e na vida. Bem verdade que o esporte ainda mexe comigo e, às vezes, diante da televisão ou nas raras oportunidades em que vou ao estádio me pego esbravejando contra o árbitro. Para que ele não se sinta perseguido, adianto que o alvo da minha ira muda dependendo a situação. Pode ser o craque que perde gol feito ou o zagueiro que erra feio. O adversário, é claro, tem preferência nessa lista.

 

Hoje, o árbitro Felipe Gomes da Silva concentrou boa parte das minhas reclamações, especialmente porque a precisão de seu olhar funcionou tão bem a ponto de perceber Rhodolfo tocando o pé do adversário na dividida de bola, dentro da área, o que resultou em pênalti, mas não teve a mesma competência para ver que a bola lançada para Barcos, em condições de marcar o gol que abriria o placar, ainda no primeiro tempo, saiu do pé de outro adversário e, portanto, não havia nenhuma irregularidade. Veja que reclamo do juiz porque errou ao anular jogada legal para o Grêmio tanto quanto porque marcou de forma acertada pênalti contra o Grêmio. Nós torcedores somos assim mesmo. Injustos e intempestivos no momento de encontrar culpados para as coisas que não estão dando certo. Reclamamos porque o juiz deu cartão amarelo para nosso jogador em uma entrada mais forte e pedimos cartão à primeira falta que um dos nossos recebe. Xingamos porque o auxiliar enxergou o impedimento milimétrico e nos impediu de fazer o gol (tava pouca coisa na frente!) e voltamos a xingar porque não levantou a bandeira quando nossos zagueiros já não eram mais capazes de segurar o contra-ataque, mesmo que a reprodução na TV mostre que ele estava correto.

 

Cabeça no lugar, tempo para pensar e razão retomada. Tudo isso ajuda a ver melhor os motivos que impedem seu time de conquistar a vitória esperada. Percebe-se que o erro do juiz não foi maior do que do atacante que desperdiçou a oportunidade de marcar logo no início da partida, como aconteceu com Luan, mais uma vez. Entende-se melhor que falta precisão nas cobranças de falta e escanteio, fato que nos tirou a fama de ser um time forte nas bolas paradas (muitas vezes usada de forma pejorativa, como se fosse nossa única arma). Impossível não incluir nessa análise o potencial do adversário que sabe usar a experiência e qualidade do passe de alguns de seus jogadores. Teve o juiz, também, claro que teve. Foi inseguro, trocou marcações e fez aumentar a intranquilidade de um time que há algumas rodadas ronda o G-4 e não o alcança em definitivo. Mas não a ponto de chamá-lo de ladrão.

 

Então, porque o título desta Avalanche? – deve estar se perguntando você, caro e raro leitor. Por que lembrei do meu colega de rádio CBN e torcedor do São Paulo, Carlos Alberto Sardenberg, depois do jogo deste sábado. Ele costuma brincar que só existem dois resultados no futebol: ou meu time ganha o jogo ou o juiz é ladrão. O time dele ganhou. O meu … você já sabe.
Foto do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Palavras no rádio e na TV que não consigo digerir

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Olho para trás e me dou conta de que passei a maior parte da minha vida trabalhando como radialista. Exerci várias funções,pasmem,atuando em apenas duas emissoras:a Rádio Canoas (que mudou de nome e virou Rádio Clube Metrópole ao receber concessão para funcionar em FM) e na Rádio Guaíba. Essa,inaugurada em 1957. Era um sonho dos locutores,na época,ser contratado pela rádio que se firmou no ano seguinte,1958,por ter transmitido a Copa do Mundo da Suécia com equipe própria:Mendes Ribeiro,Flávio Álcaraz Gomes e Francisco Antônio Caldas. De lá para cá,a Guaíba só não se fez presente na deste ano que os brasileiros preferem não lembrar por motivos para lá de óbvios. Além de locutor comercial,comecei a narrar futebol e,em 1964,passei a apresentar o Correspondente Renner que,modéstia à parte, foi durante muitos anos a principal síntese informativa da Guaíba.

 

O leitor – se é que tenho algum,especialmente fora do Rio Grande do Sul – não pode imaginar o que o Correspondente Renner representou,em uma época que o radiozinho de pilha era companheiro sempre presente dos agricultores. Até hoje,encontro quem diga que os pais de família não permitiam que os filhos falassem enquanto o Correspondente Renner estivesse no ar. Fiz esse intróito para dar ao leitor – insisto,se existir algum – uma ideia sobre este que lhes escreve e que vai,daqui para a frente,digitar algumas coisinha que,tanto no rádio quanto na TV atuais,não consegue digerir.

 

A grande maioria,sempre que se refere ao juiz de uma partida,diz que a arbitragem acertou ou errou. Ocorre que não é arbitragem que faz isso ou aquilo.O jogo é arbitrado só pelo juiz. Os seus auxiliares,por mais importantes que sejam,a rigor,não passam disso. O árbitro – e repito – apenas ele, é o indivíduo responsável, por fazer cumpriras regras,o regulamento e o espírito do jogo. A arbitragem é,digamos assim,o conjunto da obra. Quem manda,porém,insisto,é o que chamam,quando não fazem direito o seu trabalho,de “sopradores de apito”. Creio que os chefes desses moços que não sabem a diferença entre árbitro e arbitragem bem que poderiam ser alertados pelos seus superiores.

 

Outro erro, que já estou cansado de ouvir, é informar que “o estádio está completamente lotado”. Trata-se de um pleonasmo,isto é,repetição,na mesma frase,das mesmas ideias por meio de palavras. Narradores,comentaristas,repórteres e assemelhados,cometem os tipos de erros que citei. O pior é quando vejo que a mídia brasileirsa,com raríssims exceções,até agora não se decidiu entre chamar a maravilhosa Nova Iorque de Nova York. Que se use o nome em completamente em inglês ou todinho aportuguesado. Não pode,na minha modesta opinião,grafar o nome de maneira híbrida:Nova York.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: só pode ser algum tipo de provação

 

 

Grêmio 0 x 2 Santos
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

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Começo esta Avalanche antes de a partida se encerrar, não porque tenha desistido do jogo. Jamais desistirei. E espero que o Grêmio não desista, também. A tarefa é difícil, mas não impossível. E mesmo que seja impossível, está é uma palavra que não está no nosso vocabulário. Veio para frente do computador, porém, porque estou tentando entender o que acontece. Há algum tempo não assistia ao Grêmio jogar bem, ter rapidez na troca de passe e intensidade no ataque como nestas últimas partidas. Está evidente que o time é melhor neste momento do que foi durante todo o restante do ano. Em textos anteriores já escrevi sobre alguns jogadores que encaixaram melhor no time, tais como Zé Roberto e Dudu. O próprio Barcos melhorou sua participação, sem contar Giuliano que cresceu em seu desempenho (e aí me refiro ao jogo de hoje à noite), após uma fase ruim. Sem contar Marcelo Grohe com defesas incríveis. Não quero porém me estender falando de indivíduos quando o que mais tem me agradado é o coletivo. E é isso que torna mais difícil entender o resultado desta noite. Por muito tempo, nosso time foi acusado de jogar feio, uma forma de desvalorizar vitórias sofridas que tivemos. Agora, produzimos mais, jogamos melhor. Mas o gol não sai, e quando sai não é o suficiente. Será que não estamos fazendo por merecer sorte maior em campo? Será que toda provação imposta a Luis Felipe com a malfadada Copa do Mundo não foi suficiente? Sim, Felipão pelo que fez, pelo que passou e pelo que, agora, está reconstruindo no Grêmio teria o direito de ser recompensado.

 

 

Há outro motivo pelo qual decidi escrever esta Avalanche antes da hora, além da injustiça do placar diante do futebol produzido. Foi a injustiça imposta por um árbitro que não esteve a altura do posto que ocupa no quadro da Fifa (ou esteve). Permitiu jogada irregular na arrancada do segundo gol santista e impediu a nossa arrancada para a virada ao não marcar pênalti em Zé Roberto. Não bastasse a forma displicente com que agiu diante da indisciplina. Prejudicou claramente o Grêmio e com sua atuação desequilibrou o time, mais do que o adversário teria feito por seus próprios méritos (sem desmerecer a qualidade deste). Que fique claro, minha indignação com a injustiça do resultado e do árbitro, não é suficiente para me cegar diante de erros que cometemos. E gostaria muito de ver Felipão fazendo ao menos duas mudanças entre os titulares, porque há erros que têm se repetido com frequência acima da média, e escrevo isso pensando no lado direito da nossa defesa, e jogador que não têm sido capaz de entregar o que promete.

 

 

Chego ao fim desta Avalanche no instante em que a partida se encerra e, infelizmente, ficamos sabendo que algo mais triste do que o resultado e os erros do árbitro acontece no jogo. Idiotas voltaram a usar palavras e gestos racistas, uma gente que não merece vestir a camisa do Grêmio nem ocupar espaço naquela Arena. Deveriam ser extirpados do clube e mantidos afastados das nossas cores. Sinto vergonha do que fazem. E espero não precisar ouvir a voz de nenhum outro gremista defendendo este bando.

Avalanche Tricolor: o juiz roubou meu post

 

Grêmio 3 x 1 Bahia
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

“Juiz ladrão, porrada é a solução; juiz ladrão, porrada é a solução”. A frase era repetida à exaustão por um coro desencontrado e de voz infantil e o som vinha do pátio da escola, onde meninos jogavam bola em uma quadra de terra sem muita estrutura nem goleiras com rede. Fiquei curioso para saber o que acontecia lá dentro e em vez de seguir meu passeio aproveitei o portão enferrujado semi-aberto para entrar. O alvo era um outro garoto que, com apito na boca, fazia trejeitos de árbitro impondo-se diante dos colegas, ditando regra, interrompendo o jogo a todo instante como se querendo mostrar que por mais talentosos que fossem os meninos em quadra nada seriam capazes de fazer diante da autoridade dele. Percebi, também, que os gritos tinham muito mais de humor do que de raiva, e a intenção era tirar uma da cara do amiguinho que, sabe se lá o motivo, em vez de jogar bola prefere controlar o jogo.

 

Quando assisto a uma partida como desta tarde no estádio Olímpico lembro-me da cena que vivi há alguns anos, em Porto Alegre, em escola estadual que existe até hoje perto da casa em que morava no bairro do Menino Deus. Esclareço desde já que não estou dizendo que o juiz Cláudio Francisco Lima e Silva, do Sergipe, seja ladrão e menos ainda defendendo a violenta solução proposta no versinho dos meninos. Mas sempre me pergunto o que leva alguém a decidir-se por esta profissão ingrata que se exercida com perfeição não será sequer percebida, talvez não mereça uma só menção na crônica do jogo. Que somente terá o privilégio de ver seu nome em destaque no primeiro parágrafo de uma reportagem esportiva se estiver metido em confusão.

 

Ao fim da partida de hoje vi em Seu Lima e Silva a mesma cara de menino safado e arteiro que havia naquele garoto da escola porto-alegrense. Em vez de medo pela forma agressiva com que os jogadores do Bahia reclamavam, ele parecia orgulhoso pelo dever cumprido, ou seja, ser mais importante em campo do que todos os jogadores. Com a colaboração de seus auxiliares, interferiu no andamento da partida, anulou gol legítimo, legitimou gol irregular, permitiu que a regra fosse descumprida por jogadores dos dois lados e ainda realizou a façanha de permitir que um jogador com dois cartões amarelos permanecesse em campo. (sim, no momento em que o Grêmio fez o gol da virada, Mancini do Bahia já teria que estar no vestiário)

 

Nem Zé Roberto que conduz e passa a bola com precisão rara no futebol brasileiro, nem Elano que arma e dribla com qualidade, nem o belo gol de Marcelo Moreno, nem o fato de o Grêmio permanecer por mais uma rodada no G4 serão mais falados do que as trapalhadas de Seu Lima e Silva. Seus erros impedem que os méritos sejam destacados assim como escondem as falhas de uma equipe que aceitou a reação do adversário mesmo jogando em casa. E o que mais me incomoda: me roubou a oportunidade de escrever um post sobre mais um momento de superação do Imortal Tricolor. E para isso não tem perdão: “juiz ladrão, porrada é a solução”.

Razão e versão vistas por trás do lance

 

O lance do penâlti, indiscutível, de Fábio Rochemback no Gre-Nal desse domingo ganha destaque por uma cena inusitada. O quinto árbitro Alexandre Kleiniche está atrás do gol gremista e gesticula no momento em que o volante põe a mão na bola (confira no vídeo). Para parte dos torcedores do Grêmio foi uma contida comemoração em favor do Inter; na voz dele e de seus colegas, gesto casual provocado pela irregularidade do lance.

A defesa de Kleiniche, porém, não ajuda muito. Ele nega qualquer comemoração. Já Carlos Simon, que não tem a simpatia dos torcedores gremistas, disse que o auxiliar vibrou com a marcação correta do penâlti. Enquanto o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Gaúcha, Luis Fernando Moreira, afirmou que “com uma mão ele bate no antebraço” para sinalizar Simon de que houve irregularidade. Não custaria terem alinhado a informação, antes de sairem falando por aí.

Kleiniche que é do quadro nacional de arbitragem me parece ter sido vítima mesmo da casualidade. Árbitro que é – ou bandeirinha -, atento a movimentação dentro do gramado, fez o gesto como reflexo da “defesa” ilegal de Rochemback. Nada mais do que isso.

Gosto muito de futebol, mas entendo pouco dessas peculiaridades. Por isso, não vou me ater as questões técnicas da arbitragem, tem gente bem preparada no Brasil para explicar isso tudo.

Prefiro falar de comunicação.

Ao contrário do que muitos imaginam, uma imagem não vale mais do que mil palavras. A cena em foco é prova disto. Não é objetiva. Por mais que seja reproduzida, cada um terá sua própria verdade. É uma daquelas que podem ser vistas milhares de vezes – aliás, já tinha mais de 13 mil acessos no You Tube, nesta tarde – e cada um vai enxergar o que bem entender, influenciado por sua consciência e conhecimento.

Para azar do personagem principal deste caso, todas as explicações que oferecer serão insuficientes. Quem quiser ver falta de isenção, verá; quem quiser dar ouvidos à sua inocência, dará.

Porém, na próxima partida que entrar em campo, no jogo mais distante que for trabalhar, Kleiniche não vai escapar. Alguém haverá de lembrar da reação dele.

No campo da comunicação, a regra é clara: A razão de um gesto jamais irá superar a versão.

Árbitros, erros e trapalhadas no caminho do Hexa

Direto da Cidade do Cabo

O Brasil estará em campo na disputa por uma vaga nas quartas-de-final enquanto eu estarei em um avião no caminho de volta pra casa, duas semanas depois de ter desembarcado na África do Sul. Dunga terá todo seu time à disposição ao que parece, com o retorno de Kaká, insubstituível mesmo combalido, Elano, imprescindível neste momento, e Robinho, imbatível quando se solta a driblar. O treinador vive o melhor dos cenários, comparado a colegas de profissão, despachados mais cedo ou com times sem capacidade para ficar entre os 16 melhores.

De todas as seleções que apareceram até aqui, boa parte da crítica esportiva, fora do País, concorda que o Brasil é das mais equilibradas – outras equipes tem um ou outro setor em destaque – e segue firme e forte entre os candidatos ao título. Mesmo o baixo rendimento do jogo anterior, prejudicados que fomos pelas mudanças por suspensão ou exaustão, mostrou que o time pode segurar ataques fortes e atrevidos.

O Chile é um adversário curioso, pois apesar de seus bons momentos aqui na Copa e mesmo nas Eliminatórias sofre ao saber que terá de pegar o Brasil pela frente. Foi goleado na ida e na volta (3×0 e 4×2) na disputa sul-americana. E Bielsa terá de ter muito mais do que arrojo e competência para ganhar da seleção brasileira, apesar de alguns de seus jogadores apontarem suposta fragilidade da nossa defesa.

Hoje, vimos o que pode acontecer com uma equipe que respeita além da conta seu adversário. E me refiro ao México que, apesar de prejudicado pelo árbitro, visivelmente, temia a força argentina.

Nosso favoritismo, porém, não nos dará o direito de errar. O futebol jogado nesta Copa e a estratégia montada pelos treinadores têm demonstrado que o espaço para construir é cada vez mais escasso. O ato de destruir tem privilégio nos esquemas táticos e, assim, fica-se a espreita da bola mal cortada, do passe irresponsável, da falta próximo da área, do vacilo do goleiro ou de alguma artimanha da jabulani.

Soma-se a isto o erro dos árbitros, fundamental nos dois resultados desse domingo, a começar pela conquista alemã. A seleção da Inglaterra não tinha futebol suficiente para superar a Alemanha, mas se o gol legítimo tivesse sido sinalizado as dificuldades da equipe de Joachim Low seriam muito maiores.

Dunga e o Brasil mostraram que sabem encarar estas situações e têm dado poucas chances ao adversário. Portugal, o mais habilitado, não alcançou nada além de um empate contra uma seleção desmontada em seu meio-campo pelos motivos que já conhecemos. Por isso, não se arrisca nenhum resultado que não seja o da vitória, com direito a classificação a fase seguinte.

É provável que somente saiba do placar quando estiver a bordo do avião. Não terei o direito de torcer pela bola chutada por nossos atacantes ou secar o avanço chileno contra o gol de Júlio César. Fico com a impressão de que não terei como ajudar o Brasil neste desafio. Pura pretensão de torcedor, sem dúvida. Pois nada do que façamos lá fora é suficientemente maior do que os jogadores podem aprontar em campo. Ou o que podem aprontar com eles.

Que a seleção brasileira jogue o futebol para o qual está capacitada e foi preparada. E que esteja livre destes árbitros trapalhões no caminho do Hexa.