Foto-ouvinte: Arte no tapume mostra história da Paulista

 

Tapumes com arte

Os tapumes de um empreendimento na Paulista se transformaram em telas gigantes para desenhistas da cidade que estão reproduzindo cenas dos 120 anos da história da avenida. Entre as ruas Pamplona e São Carlos do Pinhal é possível ver parte do trabalho realizado pelos artistas da ONG Revolucionarte que contará com a imagem de bondes e veículos do passado, silhuetas de pessoas pintadas em cores, além do Masp, estações do Metrô e outros marcos do local. Lek, um dos instrutores do projeto, destaca que os tapumes estão oferecendo visibilidade para o talento de vários desses artistas da ONG, que tem como objetivo oferecer cursos profissionalizantes de pintura artística para jovens de comunidades carentes. Eles aplicam a técnica da aerografia com o uso de tinta e compressores de ar, o que exige precisão e habilidade nos traços. A iniciativa é da CCDI e Cyrela, responsáveis pela construção da torre comercial na avenida Paulista

Leon Cakoff foi genial e pautou São Paulo

 

A morte de Leon Cakoff incomoda muito. Não era amigo nem parente. Nunca devo ter conversado com ele ao vivo e em cores. Fiz, porém, algumas entrevistas obrigatórias. Não impostas, como podem entender alguns ao ler a frase anterior. Mas por mérito. Impossível pensar e discutir São Paulo sem ser pautado por ele. Cakoff foi genial em seu propósito e fez da cidade um circuito internacional de cinema trazendo para cá criações que jamais teríamos oportunidade de assistir nas telas comerciais. Nos proporcionou parte dos prazeres que teve na época de menino em que morou no bairro do Tremembé, zona norte da capital. Foi lá que viu seus primeiros filmes projetados em 16 milímetros em um lençol esticado na rua por um dos vizinhos, na paróquia da Igreja de São Pedro em sessões organizadas pelo Padre Bruno ou nas poltronas do Cine Ipê, que visitava acompanhado pela mãe. Em depoimento ao Conte Sua História de São Paulo, que apresento na CBN, Leon Cakoff lembrou que o Tremembé era um bairro distante do centro onde respirava os ares do interior: “sentia-me um pequeno índio em uma aldeia sendo nutrido por esta curiosidade pelo cinema”.

Ouça o depoimento de Leon Cakoff ao Conte Sua História de São Paulo, em 2007

Leon Cakoff morreu nesta sexta-feira, aos 63 anos, vítima de câncer. Uma notícia que incomoda demais por revelar como somos frágeis e dependemos de homens como ele. São Paulo sentirá muita falta deste gênio.

Mundo Corporativo: Marketing para consumir a cultura

 

O aprimoramento das leis de incentivo cultural pode oferecer maior diversidade de oferta e acesso às artes, permitindo que mais artistas tenham oportunidade de apresentar seu trabalho e o consumo neste mercado também aumente. A opinião é do professor da Faculdade de Administração e Finanças da UERJ Manoel Marcondes Neto entrevistado do Mundo Corporativo da CBN. Com o tema “economia da cultura”, o programa discutiu caminhos para que o marketing cultura atenda as diferentes demandas do setor sem interferir na qualidade e conteúdo da obra. Manoel Marcondes Neto escreveu Lusia Angelete Ferreira, o livro “Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo e histórico da gestão de organizações culturais no Brasil”.

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. A entrevista é reproduzida aos sábados, no Jornal da CBN

Memória nos muros de São Paulo

 

O muralista e artista plástico Eduardo Kobra fez uma nova obra de seu mais antigo projeto em São Paulo, o “Muro das Memórias”. O trabalho, na av. Hélio Pelegrino, mostra uma cena da década de 30. Segundo Kobra, alguns dos personagens do mural olham para fora, “como que cobrando as pessoas de hoje sobre as transformações sem planejamento que prejudicaram a cidade de São Paulo”. Além de Kobra, participaram do trabalho outros três artistas do Studio Kobra: Agnaldo Britto Pereira, Marcos Rafael dos Santos e Andressa Munin Duarte.

Conte Sua História de SP: Minha biblioteca

 

Paulo Pina

No Conte Sua História de São Paulo, Paulo Pina, 48 anos, nascido na capital, criado na zona leste e apaixonado pela cultura. Ele sonhava ser jornalista, mas ao conhecer a jovem Irene descobriu às artes. Formado em biblioteconomia, hoje é responsável pelo Museu Lasar Segall, uma relação que se iniciou na primavera de 1985 e foi contado em mais um capítulo da nossa cidade, em depoimento ao Museu da Pessoa:

Ouça o depoimento de Paulo Pina gravado pelo Museu da Pessoa, sonorizado pelo Cláudio Antônio e editado pela Juliana Paiva

Participe do Conte Sua História de São Paulo. Envie um texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. Este programa vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP.

Conte Sua História de SP: Srur, arte da cidade

 

Eduardo Srur

Transformar São Paulo em uma imensa tela para suas criações levou o artista plástico Eduardo Srur a obras com a dimensão da cidade. Nada cabia nas paredes dos museus e galerias tradicionais. Eram necessários cenários impressionantes. E ele foi tomar as margens do Tietê, às águas do Pinheiros e os monumentos nas praças públicas.

Projetos que alertavam o paulistano para a maneira destrutiva com que nos relacionamos no ambiente urbano desde o mau uso dos recursos naturais até o desrespeito com os recursos humanos.

Com estas ideias, Srur interfere e dialoga com a cidade sendo protagonista de uma série de capítulos que contam a história de São Paulo, alguns relatados na conversa desta segunda-feira, no CBN São Paulo

Ouça o depoimento de Eduardo Srur ao Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: A memória do Kobra

 

Muralismo-

Da pichação sem sentido ao desenho que nos faz recordar; da cultura americana à visão paulistana. O artista gráfico Eduardo Kobra rodou por todas estas expressões até ter seu trabalho reconhecido – inclusive por seus pais. Foram eles, os primeiros a tentar reprimir o menino de 12 anos que saía do Campo Limpo, na zona sul, empunhando tubos de tinta ao lado dos amigos para sujar a cidade. Tinham medo do que podia acontecer com o filho que por duas vezes já havia sido detido por policiais.

Hoje, Kobra tem consciência do comportamento impróprio da época e sabe que foi, em parte, aquele o motivo para os familiares terem tanta dificuldade para compreender o que ele realmente fazia quando passou a usar os muros de São Paulo para recuperar nossa memória.

Com o nome escrito na vida cultura da cidade, Kobra hoje pode subir a 40 metros de altura ou estender sua obra por quilômetros de paredes sem que a polícia o incomode (às vezes, ainda tem quem confunda as coisas). Mesmo só tendo entrado em uma galeria de arte pela primeira vez aos 26 anos, atualmente é um artista respeitado. Seu trabalho é visto com interesse no exterior, também.

Eduardo Kobra foi personagem do Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 457 anos da nossa cidade.

Ouça o depoimento dele ao CBN SP

Foto-ouvinte: Céu bordado no Masp

 

Céu no Masp


Por Marcos Paulo Dias

Ouvinte-internauta e jornalista

A artista plástica  brasileira Regina Silveira “bordou” o céu nos vidros do MASP, quem passar pela avenida Paulista a partir de hoje,  15/11,  terá a oportunidade  de ver a instalação “Tramazul”, adesivos de vinil que recobre todos os vidros da fachada do museu. Da Avenida 9 de Julho,  a obra se torna ainda mais bela. De lá  podemos observar  uma agulha gigante que  com ela são “bordadas as nuvens”, lembrando um bordado de ponto cruz , cria-se um contraste com o dia a dia da cidade ,onde nem sempre o céu é azul. Apesar do alto  fluxo de veículos e  movimentação  de pessoas  na Avenida 9 de Julho  vale a pena dar uma paradinha para observar a obra  na altura da Parada Getúlio Vargas (corredor de ônibus  da avenida ), pois deste trecho você tem uma visão ampla e ótima para  observar , entender , fotografar e filmar, pois além da obra, temos a Avenida 9 de Julho e o mais antigo  túnel viário construído na cidade.

De asas e raízes

 


Por Maria Lucia Solla



Ouça De asas e raízes na voz da autora

Tradição! clamavam os judeus na Rússia de antes da revolução de 1917. Se você não viu, veja O Violinista no Telhado, com Topol no papel principal. É de comprar e assistir sempre que precisar, como remédio. É amor pela vida, na veia! É arte; remédio para a alma.

Arte pressupõe manutenção de tradição e superação de barreiras.

arte é tradição
e libertação
sem contradição

Tradição! clama o aborígene de todos os cantos da Terra, de todas as cores, de todas as línguas e filosofias. De uma só origem. Implora pela natureza. Implora pela vida

tradição é planta rara
de terra virgem
que alimenta suporta
e cura
levando embora a inverdade
que permeia a transitoriedade

raízes asas
asas raízes
querer voar quando não há céu
querer o chão quando chão não há
galhos raízes
folhas de mil matizes

Temos necessidade de um traçado do desenho, mesmo que seja para nem prestar atenção nele ou para apagar e desenhar outro. Outros! Precisamos de um modelo, um padrão almejado e possível de alcançar, que não exija perfeição nem sorte além da conta.

Contando um conto e aumentando um ponto, estica daqui, puxa dali, moldamos a tradição. Nós a submetemos ao bisturi, de acordo com a moda, para que mantivesse, século após século, cara de modernidade. E a deformamos, a afastamos de sua essência e demos a ela um espelho. Ela mirou a própria imagem e, tendo aprendido a vaidade humana, acreditou no que viu e se submeteu.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung