Avalanche Tricolor: gol para quem precisa

 

 

Grêmio 6×1 Avaí
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre/RS

 
 

 

Gremio x Avai

Luan é a cara do gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


 

 

A gente merece. Sabe que a vida não será fácil logo ali em frente. O desafio é enorme. Gigante. Libertador. Vamos testar nossa Imortalidade. Nosso coração. Sendo assim, foi muito boa a oportunidade que a tabela do Campeonato Brasileiro nos ofereceu, nesta quinta-feira à noite. Um jogo em casa, com time (quase) titular e muitos gols à disposição.
 

 

Haverá quem justifique a goleada desta 21a rodada à fragilidade do adversário. Para que não se tire conclusões antecipadas e distorcidas, vamos lembrar que enfrentávamos um daqueles times que jogava a vida para escapar da zona de rebaixamento, vinha embalado com duas vitórias seguidas e está na lista de “toucas” do Grêmio —- é como chamamos os adversários que costumam ser encrenca mesmo diante da diferença técnica.
 

 

O Grêmio só fez o que fez porque se impôs diante do adversário. E o fez com intensidade e talento: passe de pé em pé, deslocamentos de um lado e de outro, jogadores sempre se apresentando para receber e toques de bola precisos e rápidos.
 

 

Um gol, dois gols, três gols, quatro gols, cinco gols, seis gols …. uma goleada que começou a ser construída ainda no primeiro tempo. Um mais bonito do que o outro e com a presença de jogadores que precisam se firmar no grupo: Tardelli, Braz, Luciano, Cortez, André e Luan —- especialmente Luan que, aposto com você, será o ponto de desequilíbrio no momento em que mais precisarmos nesta temporada.
 

 

A gente merecia —- como disse logo na abertura desta Avalanche. E esses jogadores, também. Fazem parte do grupo. E como Renato insiste a cada entrevista, temos um grupo e um grupo forte, formado por jogadores que precisam se destacar sempre que as oportunidades surgem.
 

 

Foi o que aconteceu hoje, especialmente no primeiro tempo quando ouvi do comentarista da Sportv Carlos Eduardo Lino a frase que se transformou em titulo desta Avalanche: gol para quem precisa de gol.
 

 

E se estes jogadores mereciam o gol que fizeram. Nós merecíamos um jogo tranquilo como o desta quinta-feira à noite. Porque, a partir de agora, é concentração total, mente focada e coração na ponta da chuteira. A partir de agora —- mesmo que haja uma partida no fim de semana —- é a alma tricolor que precisará se expressar para nos colocar na final da Libertadores da América.

Avalanche Tricolor: viajei no tempo

 

Avaí 1×1 Grêmio
Brasileiro – Ressacada/Florianópolis-SC

 

 

Gremio x Avai

Thaciano é destaque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Viajei muitas vezes ao lado de meu pai atrás do Grêmio. Ele, profissionalmente. Era escalado para narrar os jogos pela rádio Guaíba de Porto Alegre, onde trabalhou por quase 60 anos. Eu, apaixonadamente. Pegava carona nas Kombis e Veraneios que transportavam a equipe de esportes da emissora. Era sempre um sensação bacana chegar ao estádio a bordo daquelas viaturas, pois a turma da rádio era muito respeitada pelos torcedores-ouvintes. Ficava orgulhoso de ver a maneira como meu pai e seus colegas eram recebidos.

 

Nos anos de 1970, lembro de o pai ter sido escalado para narrar uma partida do Grêmio em Florianópolis. Aproveitou que sairia de férias em seguida, mandou a família arrumar as malas, colocou todos nós no seu Corcel azul marinho e pegou a estrada em direção a Santa Catarina. Deixou a turma em um hotel assim que chegou à capital catarinense e foi comigo para o estádio Adolfo Konder, que também atendia pelos apelidos Majestoso e Pasto do Bode. O adversário era o Avaí, time do qual eu pouco havia ouvido falar.

 

O Grêmio passou fácil pelo adversário. Se não me engano aplicou-lhe uma goleada, o que levou alguns torcedores que nos encontraram após a partida a fazer brincadeiras relacionando o placar do jogo com um seriado famoso da época, chamado Havaí 5.0, protagonizado por uma força especial de policiais que combatia o crime  no estado do Havaí, nos Estados Unidos.

 

Uma das imagens que tenho na memória é a de um passeio de mãos dadas com o pai e ao lado de parte da equipe de esportes da Guaíba, que fizemos à noite pelas ruas de Florianópolis. Guri de calça curta, eu ficava sempre muito alegre naqueles momentos em que tinha a oportunidade de acompanhá-lo com seus colegas —- eu praticamente não abria a boca, apenas ouvia o que eles conversavam, mas era o suficiente para ter a sensação de que fazia parte daquele time de craques. Curiosamente, muitos anos depois trabalhei com alguns deles, no início da minha carreira, já na metade dos anos de 1980.

 

Alguns desses momentos voltaram à mente na noite dessa quarta-feira quando fui ao apartamento do pai, aqui em Porto Alegre, para assistir, pela televisão, ao segundo jogo do Grêmio, no Campeonato Brasileiro. Viajei no tempo, enquanto a bola rolava no Estádio da Ressacada, batizado Aderbal Ramos da Silva. Relembrei do passeio à Florianópolis e de muitos outros que fizemos juntos, quase sempre a caminho das partidas do Grêmio. De como nos divertíamos com as histórias que ouvíamos, de como comemorávamos as vitórias e arrumávamos justificativas para as derrotas.

 

Eram tantas lembranças que surgiam que tive a impressão de não ter me dedicado à partida como estou acostumado. Sabe quando a gente está em um lugar mas a cabeça está em outro? Pois é, foi o que aconteceu comigo nesse fim de feriado do Dia do Trabalho. Verdade que eu tinha um bom motivo para tal. Estou vivendo um momento em que tenho o desejo de recuperar cada experiência ao lado do pai. E nada parece ser mais importante agora.

 

Quem não podia ter perdido o foco mesmo era o Grêmio. Pois isso sempre acaba cobrando um preço alto ou nos tirando pontos preciosos, como aconteceu nessa noite, em Florianópolis — até porque o adversário há algum tempo deixou de ser aquele time desconhecido para o qual fui apresentado lá nos anos de 1970.

Avalanche Tricolor: entendi o recado, Everson!

 

Avaí 2×2 Grêmio
Brasileiro – Estádio da Ressacada, Florianópolis/SC

 

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Everson Passos aqui embaixo, ao lado do Roberto Nonato, no estúdio da CBN

 

Esta Avalanche não escrevo para você, caro e raro leitor. E tenho certeza de que você entenderá. Também peço encarecidamente aos amigos que reproduzem esta Avalanche em seus blogs dedicados ao Grêmio que poupem seus leitores das minhas palavras, mesmo porque não vou falar do resultado desta noite de domingo. O que falarei aqui é algo muito particular que não gostaria de ver exposto especialmente à sanha intolerante que toma conta da sociedade contemporânea. Mas preciso escrever. Para mim sempre foi a melhor maneira de arrancar a tristeza do coração.

 

Hoje, vou dedicar esta Avalanche a um colorado. Um cara que era capaz de vestir a camisa encarnada (ou estilizada) na alegria e no sofrimento. Nos momentos extremos em que seu time vencia, especialmente quando vencia o meu, ou diante de derrotas copiosas. Ele fazia questão de mostrar-se solidário nesses instantes. Solidário a sua paixão, como muitos de nós torcedores costumamos ser.

 

Falo aqui de Everson Passos, que morreu sexta-feira, dia 27 de outubro, após ter sofrido, há três meses, um derrame cerebral que o tirou a consciência e o desconectou da vida. Foi meu colega na CBN e teimo em acreditar que chegou a trabalhar com o pai lá na Rádio Guaíba de Porto Alegre. Se não o fez, com certeza conheceu meu pai enquanto atuava como jornalista no Rio Grande do Sul, pois o pai foi nosso assunto em comum em mais de uma oportunidade.

 

Ele falava pouco, resmungava muito, dizia certas verdades e nunca nos deixava ser levado pela ilusão das vitórias. E não falo aqui das coisas do futebol, não. É dá vida mesmo. O Everson tinha os dois pés no chão (a não ser quando estava montado em uma bicicleta) e nos colocava no devido lugar sempre que nos atrevêssemos devanear.

 

Chegava a ser engraçado na maneira de se portar diante dos fatos. Olhava de revesgueio, como costumamos dizer lá no Rio Grande, tinha um ar desconfiado e nas poucas palavras que proferia dizia muito.

 

Ao meu lado apresentou algumas edições do Jornal da CBN quando se revelava ainda mais rigoroso com a leitura dos textos. O mesmo rigor que usava no momento de redigir ou editar as reportagens. Um rigor que não se voltava aos colegas, mas a ele próprio.

 

Foi esse mesmo rigor que fez com que ele decidisse voltar para o Rio Grande do Sul. Deixou a rádio e São Paulo porque acreditava que tinha uma missão muito mais importante: cuidar da mãe que vivia sozinha desde a morte do pai. O destino lhe pregou uma peça. Poucos meses depois de chegar a terra natal sofreu o derrame e a mãe ficou para lhe dar carinho e apaziguá-lo até a morte.

 

E mesmo na morte, Everson não deixou de ser Everson.

 

Ao morrer com apenas 51 anos, sem precisar dizer uma só palavra, nos manda um recado ao estilo dele. Escancara a fragilidade do ser humano e nos faz ver como desperdiçamos nossos momentos com picuinhas, desentendimentos baratos entre amigos, colegas de trabalho, torcedores e mesmo irmãos, pais e mães. É como se estivesse nos dizendo: vai cuidar da sua vida!

 

Valeu, Everson! Anotei o recado.

Avalanche Tricolor: assim é pra acabar de vez com minhas chances no Cartola

 

 

Grêmio 0x2 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Vai dizer que você não apostaria neles, também?

 

 

 

 

Havia seis jogadores e o técnico do Grêmio no meu Cartola para a rodada deste fim de semana. A dominância tricolor é um padrão no Reina del Sur*, time que criei para disputar a Liga Hora de Expediente CBN – brincadeira que engajou mais de 4 mil ouvintes de um dos quadros do programa que apresento na rádio CBN.

 

 

No momento de escalar um lateral, analiso as possibilidade da longa lista disponível e teimo em pensar, ou melhor, em torcer para que as opções gremistas tenham melhor desempenho na rodada seguinte. O mesmo critério (o do torcedor) uso na avaliação de quem será o volante, o meio de campo, o atacante, o goleiro e …. bem, o zagueiro é sempre o Geromel e não tem discussão.

 

 

A dificuldade de me desapegar do tricolor, porém, tem me cobrado um preço caro no fantasy game.

 

 

Bons jogos e vitórias não são suficientes para que o craque escalado pontue bem. Às vezes, seu desempenho chama atenção em campo, mas dois ou três passes errados – que podem representar um percentual mínimo diante da quantidade de passes certos -, faltas cometidas e o cartão amarelo, injustamente aplicado pelo árbitro, são suficientes para reduzir a pontuação dele. Ou o seu atacante escalado em lugar de fazer o gol prefere deixar seus companheiros mais bem colocados. E logo aqueles companheiros que você deixou de escalar.

 

 

Sim, porque tem uma curiosidade nas minhas escolhas: quando percebo que tem muito jogador do Grêmio na formação do Reina del Sur, disfarço, faço de conta que vou equilibrar as forças e usar a lógica acima da emoção; substituo um da defesa, escalo outro no meio de campo, e mudo o companheiro do nosso atacante. Geralmente essas substituições são um desastre, pois retiro aquele gremista que acaba tendo melhor pontuação na rodada. Menos o Geromel, é lógico. Esse não sai nunca do time.

 

 

Impus a mim mesmo algumas regras no momento de escalar minha equipe no Cartola.

 

 

Regra número 1: nunca, jamais e em momento algum ponho no meu time alguém que vá jogar contra o Grêmio. Aí, não! Pelo amor de Deus! É desapego demais pra minha cabeça.

 

 

Regra número 2: sempre escalo o Geromel.

 

 

Regra número 3: na dúvida, escalo o jogador do Grêmio na posição.

 

 

Regra número 4: se sobrou dinheiro, convoco o Renato para técnico.

 

 

Não recomendo a você que siga minhas regras, especialmente se tem a pretensão de aparecer com destaque no Cartola. Minha pontuação até aqui, mesmo levando em consideração o bom desempenho que o Grêmio vinha obtendo no Campeonato Brasileiro, é lastimável. Se os líderes da nossa Liga Hora de Expediente CBN já estão na casa dos 800 pontos, eu “malemal” passei dos 550 e ocupava até a última rodada o 1.925º lugar entre 4.188 participantes – com tendência de baixa, haja vista os resultados parciais desta décima-segunda rodada do Brasileiro.

 

 

Por falar nesta rodada do Brasileiro: mesmo que escalar vários gremistas no Reina del Sur seja um padrão deste técnico fajuto de fantasy game, você há de convir que dado o desempenho, até então, dos dois times que se encaravam nessa tarde, na Arena, havia uma certa lógica na presença de seis jogadores e do treinador do Grêmio na minha formação. Imagino até que muita gente deve ter me acompanhado nesta aposta. E, assim como eu, se frustrado com o resultado alcançado em campo (menos com o Geromel, claro!).

 

 

*Antes que algum gaiato queira saber: Reina del Sur é homenagem a Kate del Castillo, musa de novela produzida em parceria de americanos e espanhóis, sobre uma mulher que comanda o narcotráfico, na Colômbia. Dá pra assistir no Netflix, mas cuidado: vicia!

Avalanche Tricolor: bela vitória e um ótimo show, mas não dá pra relaxar

 

Grêmio 3×1 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Música e futebol voltaram a se misturar no meu fim de semana e acabei distante do Grêmio, sábado à noite, para acompanhar o penúltimo dia de shows no Rock In Rio, que comemorava 30 anos de edição. Eu havia estado por lá na primeira das grandes festas, em 1985, quando recém havia concluído a faculdade de jornalismo. Naquele tempo, nosso time já fazia parte da galeria dos maiores do mundo, com os títulos da Libertadores e do Mundial, anos antes. Foi também quando iniciamos a série do hexacampeonato gaúcho.

 

Dividi as apresentações, no Rio, com consultas ao meu celular, por onde recebia as informações do desempenho gremista, em Porto Alegre. Desta vez, o aglomerado de pessoas e, por conseguinte, de celulares estreitou a banda e impediu que eu conferisse o jogo pelo APP do Premier. Quando Giuliano abriu o placar, após mais uma boa troca de passes que se iniciou por Galhardo e Pedro Rocha, e praticamente selou a vitória com o segundo gol, com menos de meia hora de jogo, já havia curtido velhos ídolos de balada: Ultraje a Rigor e Erasmo, no palco Sunset, e Lulu Santos, que abriu os trabalhos no palco Mundo com um show dançante.

 

Lá de Porto Alegre, soube da façanha de outro velho ídolo: Andre Lima, que nunca nos fez morrer de paixão pelo talento, mas sempre se fez admirado pela maneira como se entregava pelo Grêmio. Em lugar de comemorar o único tento adversário, o que seria mais do que justificável, afinal está prestando serviços para outra camisa, preferiu homenagear o torcedor gremista sinalizando com as mãos o histórico placar de 5×0.

 

Os australianos do Sheppard não entusiasmaram nada na sequência das apresentações na Cidade do Rock, por mais que tenham se esforçado para ganhar o coração da galera. Em compensação, de Porto Alegre, sou avisado de que um outro estrangeiro acabara de dar um show com um chute incrível de perna esquerda: Maxi Rodriguez, que vinha devendo o bom futebol que se espera dele, pude conferir depois nos melhores momentos, fez a bola subir o suficiente para encobrir todos os jogadores que estavam dentro da área e descer o necessário para cair dentro do gol, fora do alcance do goleiro.

 

O Grêmio fez a lição de casa e deu mais um passo em sua paciente caminhada ao topo, e me deixou tranquilo para assistir às duas apresentações que realmente valiam o ingresso no Rock In Rio naquela noite: Sean Smith e Rihanna. Bem verdade que, quando o show estava no auge, passou ao meu lado um fã de Smith vestindo a camisa do Fluminense e logo me veio a cabeça a ideia de que por melhor que esteja a festa não dá pra relaxar.

Avalanche Tricolor: no futebol, o Grêmio sempre terá a minha preferência

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Ressacada/Florianópolis (SC)

 

Gremio x Palmeiras

 

O dilema é antigo e, apesar de para mim sempre ter sido coisa bem resolvida, sei que muita gente ainda tem dúvida sobre seus próprios sentimentos: você prefere ver a seleção campeã a comemorar o título de seu time? Nunca pestanejei: quero o Grêmio campeão e azar de quem não gostar do que penso. Prova disso foi o que aconteceu nesse sábado em que o futebol tomou conta da programação a partir da tarde com a rodada do Campeonato Brasileiro e se estendeu à noite com a Copa América.

 

Ver o Grêmio em campo me causa muito mais apreensão e nervosismo do que a seleção. E não é por confiar menos no time gremista. É por torcer mais. Desejar muito mais uma vitória nossa do que qualquer outra (ao menos quando a referência é o futebol). E, nesse sábado, o desejo da vitória começou a ser atendido quando ainda nem havia me ajeitado direito no sofá.

 

Em jogada relâmpago, a pressão gremista provocou o erro da defesa adversária e, com apenas seis toques na bola, a partir da nossa intermediária, Pedro Rocha apareceu na entrada da área para marcar. Soube depois da partida, porque durante o jogo o locutor da televisão insistia em repetir que o gol havia sido no primeiro minuto de jogo, que nosso atacante fez o gol mais rápido do campeonato ao assinalá-lo aos 37 segundos. Foi o suficiente para voltar a ouvir elogios ao talento do jovem Rocha, apesar de não me iludir com isso, pois bastará uma partida dele sem gols, um erro diante do goleiro, para surgirem os que implicam com o futebol do guri. Dia desses houve até quem escrevesse que ele não era um atacante de verdade para explicar o gol desperdiçado na derrota para o São Paulo.

 

Aliás, lembro ter lido em algum lugar qualquer, após aquele mesmo jogo contra o São Paulo, que Luan era um “moscão”, a alegria dos zagueiros, o meia do drible para trás e outras coisas do mesmo nível. Com seu estilo diferente de jogar e difícil de marcar, Luan já é o segundo goleador do time, o que mais finaliza, dribla e dá assistência a seus companheiros. Nesse sábado, ainda marcou um gol em excepcional cobrança de falta. Colocou a bola por cima da barreira e no ângulo, como manda a cartilha. Foi mestre em segurar o jogo quando éramos pressionado e quase voltou a marcar no segundo tempo, após sequência de dribles dentro da área.

 

Claro que a vitória não poderia ser tão tranquila assim, especialmente por estarmos jogando na casa do adversário. A reação haveria de acontecer nem que fosse pela força de vontade, já que tecnicamente éramos superiores. No entanto, nossos laterais substitutos funcionaram bem, com destaque para o garoto Marcelo Hermes. A defesa se garantiu como pode e Tiago voltou a mostrar valor. Os volantes também deram conta do recado, ao menos enquanto Walace e Maicon formaram a dupla à frente da área. E nosso conjunto mesmo pressionado garantiu a primeira vitória fora da Arena.

 

Assim que se encerrou a partida, com o Grêmio beliscando a terceira posição e se aproximando do líder, situação que pode mudar conforme a combinação de resultados deste domingo, satisfeito com a vitória, peguei o casaco para afugentar o frio e me arrumei para assistir à missa das seis da tarde, na capela próxima de casa.

 

Ouvi ainda alguém me perguntar: e a seleção? Que tenha a mesma sorte do Grêmio, pensei comigo. Não teve.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalache Tricolor: E da-lhe, da-lhe, da-lhe Mário !

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Nossa torcida, na Ressacada, em foto no site gremista aovivo.ducker.com

Foram seis toques com o pé direito até a bola ser ajeitada para o esquerdo, que concluiu cambaleante mas com força suficiente para passar pelos braços do goleiro adversário. Douglas que acabara de escapar para dentro da área pelo lado direito, certo de que seria o destino final da jogada, não teve tempo de reclamar pela decisão individual de seu colega. Foi sensível o suficiente para, com os braços abertos, pedir que André Lima deixasse a bola escorregar para dentro do gol que premiaria um dos jogadores mais incríveis do Grêmio, nesta temporada: Mário Fernandes.

Com apenas 21 anos – completados no início da semana – , Mário foi centro-avante nas primeiras peladas, chegou ao futebol profissional zagueiro e, pelas circunstâncias, se travestiu e ala direito. E foi nesta posição que, recentemente, teve sua primeira convocação para a seleção brasileira principal. Haverá alguém para lembrar que esta apenas se fez devido a restrição imposta a Mano Menezes de chamar os jogadores “estrangeiros”. Que pense assim ! Nosso lateral (como sempre gostei de chamar os que atuam nesta posição) demonstra enorme capacidade para estar entre os titulares do Brasil na Copa 2014, a persistirem os sintomas. É moderno, não no cabelo nem no modo de se vestir, mas na performance, no jeito com que avança em direção ao gol. Mistura força e talento como na arrancada que resultou na abertura do placar na tarde deste domingo, em Florianópolis.

Sempre que o vejo, fico com a impressão de que não vive aquele ambiente. Olha para algum lugar, sem definição. Expressa uma leve depressão no semblante. Quando a bola chega a seus pés escapa pela lateral do campo até a linha de fundo, fazendo atalhos entre as pernas dos marcadores a caminho da área, atropelando quem se atreve a parar na frente. É quase irresponsável nestas escapadas. Uma irresponsabilidade saudável, ressalte-se, pois se beneficia da falta de medo em errar. E se errar, volta com velocidade pronto a abortar o contra-ataque adversário e começar todo o trajeto, novamente. Faz tudo isso como extrema simplicidade. Sem reclamar, espernear ou chiar. E, assim, se transforma em um guerreiro (desculpe-me André Lima, mas este, sim, merece o apelido).

Por tudo isso, merecia aquele gol. E merecia marcá-lo em uma tarde na qual o Grêmio reencontraria a vitória com todos os percalçados e defeitos que nos são comuns nesta temporada.

Em tempo: não bastasse tudo isso, Mário Fernandes ainda carrega nas costas o meu número 13. Dá-lhe, Mário !

Veja mais foto da vitória em Florianópolis, no site Ducker.com

Avalanche Tricolor: Por estes nossos feitos

 

Avaí 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Bandeira do RS e do Grêmio

É momento de comemorar. Desfilar orgulhoso por nossos feitos. Andar pelas ruas – seja na capital, Porto Alegre, seja nas cidades do interior, seja onde você estiver – com a cabeça erguida de quem nunca desistiu mesmo quando a derrota parecia definitiva, de quem sempre viveu na busca da vitória.

O Rio Grande do Sul vai parar. E está decretado feriado. para que se possa fazer festa para todos os lados.

Calma lá, caro e raro leitor. Não me considere um alucinado pelos parágrafos que abrem este post.

Você deve achar que é deslumbramento demais para apenas uma vitória gremista. Bem verdade que esta não é uma vitória simples. O Grêmio goleou na casa do adversário. E que goleada !

Uma vitória que se iniciou nas mãos de Vítor em dois momentos que poderiam ser decisivos no primeiro tempo. Que passou pelo desarme (e armação, também) de dois volantes que tomaram conta do jogo, Rochemback e Adílson – mais uma vez Adílson foi grande em campo. Que teve a qualidade do passe de Douglas para fazer diferença. E que se completou no talento e oportunismo de nossos atacantes, em especial Jonas.

Vá ver o primeiro gol dele, o drible que deu em seus marcadores, a maneira como deixou um deles caído no chão, o olhar voltado para o gol e o chute certeiro. No segundo, valeu o desejo de ser goleador. Deslocou-se para receber dentro da área e mesmo marcado abriu espaço para chegar a artilharia do Campeonato Brasileiro.

Foi muito bom, também, ver André Lima raspar a bola de cabeça em direção ao gol, em meio a uma montoeira de marcadores, depois de ser lançado lá da intermediária, ao velho estilo gremista. Quem sabe nosso atacante não desencanta !

Apesar de todos estes feitos e minha alegria em fechar este domingo respirando aliviado ao olhar a tabela de classificação, as palavras que marcam a abertura deste post se referem a outro momento significativo para quem nasceu no Rio Grande do Sul.

É que amanhã, dia 20 de setembro, é o Dia do Gaúcho, quando se realiza desfile para lembrar as batalhas da Revolução Farroupilha, das mais extensas rebeliões que o País já teve. Uma guerra que não tinha na sua origem o caráter separatista mas, sem dúvida, uma indignação contra injustiças do poder central.

Sendo assim, parabéns a todos os gaúchos – em especial aos gaúchos gremistas.

Avalanche Tricolor: Um esboço

 

Grêmio 3 x 0 Avaí
Brasileiro – Olímpico Monumental

Rochemback


Maylson começou a jogada lá de trás com rapidez, encontrou Roberson no meio do caminho que fez a bola alcançar Fernando já na entrada da área. Enquanto isto, Fábio Rochemback seguia por um caminho paralelo, longe da visão dos adversários, em alta velocidade e na direção do gol. Foi o pé dele que a bola encontrou na passada certa para fechar o placar, na primeira vitória neste Campeonato Brasileiro.

Posso estar sendo injusto com Jonas que não apenas marcou os dois primeiros gols da partida como teve muito talento e tranquilidade no segundo, ao preferir a descrição do gol de Rochemback. Convenhamos, nosso atacante tem sido presença constante nesta Avalanche pelos muitos feitos conquistados até aqui. Mais do que isso, porém, foi a jogada do terceiro gol que me chamou atenção.

A velocidade na troca de bola, a movimentação dos jogadores e a maneira como deixaram os marcadores para trás foram o esboço de um Grêmio que desde o início do ano tenta impor uma forma diferente de jogar. E bonita, também. Algumas vezes, no Gaúcho e na Copa do Brasil conseguiu superar os adversários desta maneira. Hoje, por alguns instantes fez este futebol fluir, apesar de um segundo tempo insosso, após ter praticamente definido o resultado no primeiro.

Se conseguir mesclar esta forma de jogar com a pegada que sempre fez parte da nossa história, podemos estar assistido ao início de uma bela jornada, neste Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: Cor e coração

 

Avai 4 (3) x 5 (2) Grêmio
Copa do Brasil – Florianópolis (SC)
Camisa Branca

Uma camisa branca com alguns riscos azuis cruzando na horizontal. Muitas marcas de empresas poluindo o ambiente e competindo com o emblema tricolor. De frente da TV, com a câmera à distância, dava para desconfiar que não era o Grêmio em campo, no estádio da Ressacada, em Florianópolis. Foram necessários 45 minutos, ou melhor, foi necessário começar o 2º tempo para ver que aquele time alvo tinha brio, tinha coração.

Houve um gol de Jonas na conclusão de uma bola que parecia não querer entrar, que amorteceu no seu peito e estufou a rede. Houve até mesmo um gol de falta de Fábio Rochemback em um chute que vazou a barreira e só foi contido quando a bola estava presa no ‘fundo do poço’ – como tenho saudade de ouvir esta expressão. Nem um nem outro, porém, foram suficientemente significativos para que eu tivesse identificado o meu Grêmio naquele time que vestia branco.

Foi o carrinho de William Magrão impedindo que o adversário partisse de seu campo, comemorado com os punhos cerrados. Foi uma despachada de bola pela lateral evitando o cruzamento perigoso, festejado por Rodrigo com um soco no ar. Foram chutes sem direção, mas com a intenção de salvar uma história na Copa do Brasil. Foi a classificação com o goleiro fazendo milagres, três volantes em campo, um só atacante na frente e o placar no limite. Foi tudo isso que me deu a certeza de que ali estava o time pelo qual torço. E sofro.

E como sofro.