Avalanche Tricolor: viajei no tempo

 

Avaí 1×1 Grêmio
Brasileiro – Ressacada/Florianópolis-SC

 

 

Gremio x Avai

Thaciano é destaque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Viajei muitas vezes ao lado de meu pai atrás do Grêmio. Ele, profissionalmente. Era escalado para narrar os jogos pela rádio Guaíba de Porto Alegre, onde trabalhou por quase 60 anos. Eu, apaixonadamente. Pegava carona nas Kombis e Veraneios que transportavam a equipe de esportes da emissora. Era sempre um sensação bacana chegar ao estádio a bordo daquelas viaturas, pois a turma da rádio era muito respeitada pelos torcedores-ouvintes. Ficava orgulhoso de ver a maneira como meu pai e seus colegas eram recebidos.

 

Nos anos de 1970, lembro de o pai ter sido escalado para narrar uma partida do Grêmio em Florianópolis. Aproveitou que sairia de férias em seguida, mandou a família arrumar as malas, colocou todos nós no seu Corcel azul marinho e pegou a estrada em direção a Santa Catarina. Deixou a turma em um hotel assim que chegou à capital catarinense e foi comigo para o estádio Adolfo Konder, que também atendia pelos apelidos Majestoso e Pasto do Bode. O adversário era o Avaí, time do qual eu pouco havia ouvido falar.

 

O Grêmio passou fácil pelo adversário. Se não me engano aplicou-lhe uma goleada, o que levou alguns torcedores que nos encontraram após a partida a fazer brincadeiras relacionando o placar do jogo com um seriado famoso da época, chamado Havaí 5.0, protagonizado por uma força especial de policiais que combatia o crime  no estado do Havaí, nos Estados Unidos.

 

Uma das imagens que tenho na memória é a de um passeio de mãos dadas com o pai e ao lado de parte da equipe de esportes da Guaíba, que fizemos à noite pelas ruas de Florianópolis. Guri de calça curta, eu ficava sempre muito alegre naqueles momentos em que tinha a oportunidade de acompanhá-lo com seus colegas —- eu praticamente não abria a boca, apenas ouvia o que eles conversavam, mas era o suficiente para ter a sensação de que fazia parte daquele time de craques. Curiosamente, muitos anos depois trabalhei com alguns deles, no início da minha carreira, já na metade dos anos de 1980.

 

Alguns desses momentos voltaram à mente na noite dessa quarta-feira quando fui ao apartamento do pai, aqui em Porto Alegre, para assistir, pela televisão, ao segundo jogo do Grêmio, no Campeonato Brasileiro. Viajei no tempo, enquanto a bola rolava no Estádio da Ressacada, batizado Aderbal Ramos da Silva. Relembrei do passeio à Florianópolis e de muitos outros que fizemos juntos, quase sempre a caminho das partidas do Grêmio. De como nos divertíamos com as histórias que ouvíamos, de como comemorávamos as vitórias e arrumávamos justificativas para as derrotas.

 

Eram tantas lembranças que surgiam que tive a impressão de não ter me dedicado à partida como estou acostumado. Sabe quando a gente está em um lugar mas a cabeça está em outro? Pois é, foi o que aconteceu comigo nesse fim de feriado do Dia do Trabalho. Verdade que eu tinha um bom motivo para tal. Estou vivendo um momento em que tenho o desejo de recuperar cada experiência ao lado do pai. E nada parece ser mais importante agora.

 

Quem não podia ter perdido o foco mesmo era o Grêmio. Pois isso sempre acaba cobrando um preço alto ou nos tirando pontos preciosos, como aconteceu nessa noite, em Florianópolis — até porque o adversário há algum tempo deixou de ser aquele time desconhecido para o qual fui apresentado lá nos anos de 1970.

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