Avalanche Tricolor: Sofrer na internet

Grêmio 3 x 1 Avaí
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

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São cerca de 300 canais à disposição e passei um por um em busca das imagens do Grêmio. Havia nove emissoras transmitindo quatro jogos diferentes: da Libertadores, da Copa do Brasil e mais um VT de times que não guardei o nome. Nenhum acompanhando o time quatro vezes campeão e que mais finais fez na competição.

Que os canais abertos estivessem mais atentos às partidas de São Paulo, não há o que discutir. São emissoras comerciais, sobrevivem graças a audiência e não faria o menor sentido se não estivessem com os clubes paulistas na tela. Mas a TV fechada teria de ser a opção. Poderia muito bem oferecer esta oportunidade aos torcedores. Preferiram disputar público com eles próprios, inclusive abrindo os canais de PPV para partidas que estavam na concorrente.

Foi-se, porém, o tempo em que na falta da televisão, me obrigava a levantar a antena de um rádio Transglobe que ficava escondido no armário durante a semana e de lá somente era retirado para sintonizar as emissoras de Porto Alegre em dias de jogos do Grêmio. Deixava-o escondido, pois temia algum boicote da família incomodada com a chiadeira emitida nos 90 minutos de partida. Às vezes, não conseguia entender direito o nome do autor do gol, mas a força do grito do narrador sinalizava ao menos se era o time da casa que havia marcado.

Com a internet, o “radião de pilha” ficou abandonado. Transferi minhas emoções para a tela do computador, onde após três, quatro, cinco tentativas se encontra algum link com capacidade de trazer até você cada segundo de esforço dos seus craques, de estratégia do seu técnico e vibração da sua torcida que lota as arquibancadas – isso quando o time em campo e os torcedores no estádio lhe oferecem tudo isso, é lógico.

Hoje, a torcida me transmitiu esta energia cantando, nos fones de ouvido de meu computador, desde seus gritos de guerra até seu hino de paixão que, no caso do Imortal Tricolor pode ser tanto o criado por Lupicínio Rodrigues, conhecido mundialmente pelo refrão “Até a pé nós iremos”, ou o Rio-Grandense, uma marca dos gaúchos nos campos de futebol.

O Grêmio também fez a sua parte com Jonas e Borges mostrando que formam dos melhores ataques do Brasil e Vítor, indiscutivelmente, defendendo o título de melhor goleiro. Muito mais do que isso não fizemos e parece que o time não irá fazer mesmo, apesar de esboçar boas jogadas e trocas de passe.

É uma sina que nos persegue na TV, no rádio, na internet ou em pé na “geral”: sofrer acreditando na vitória quando estamos em desvantagem no placar e temer pelo pior mesmo quando a diferença de gols nos é favorável.

Vá entender este coração tricolor !

Avalanche Tricolor: Cada bola, uma batalha

 

 

Grêmio 3 x 1 Avaí
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

A bola que rolou para Perea e provocou o penâlti que Tcheco cobrou no estilo “pocotó” foi bonita e produtiva. Assim foi também o desarme de Adílson lá na intermediária, a velocidade imposta que o fez chegar na área inimiga e chutar prensado com o defensor numa força suficiente para encontrar Máxi Lopes livre. A melhor jogada estava reservada para o fim, com a escapa de Douglas Costa pela esquerda, o toque com o bico da chuteira para fugir da marcação, a corrida em direção a área e o cruzamento no que um dia chamaram de ponto futuro, onde chegaria Souza para completar.

Todos os três gols, sem dúvida, foram bonitos e motivos para arrancar do peito uma angustia que vinha incomodando nestas últimas rodadas. Além disso, confirmaram para o Brasil quem tem o melhor ataque do campeonato brasileiro com 58 gols, vantagem de cinco sobre o segundo melhor.

O lance que mais admirei, porém, foi na metade do primeiro tempo, na intermediária do Grêmio, quando vencíamos por 1 a 0 e, aparentemente, o adversário estava dominado no jogo, mas teve o atrevimento de querer dominar a bola naquele instante. Destemido, Rochemback saltou com as duas pernas em direção ao inimigo. Desarmá-lo custe o que custar era o único objetivo. Aterrisou com força sobre a bola. O atacante chegou a pensar que teria condições de um drible ou algo parecido, mas desmontou no chão enfraquecido que estava diante da força do volante que fazia jus a posição.

O juiz, pobre desses juízes incapazes de admirar uma jogada com todo aquele talento, premiou Rochemback com o cartão vermelho. Imaginou que estaria ali punindo a violência. Autuori e Vítor chegaram a reclamar do árbitro no intervalo, deveriam tê-lo agradecido. Ele apenas fez o estádio e as câmeras de televisão reverenciarem aquele instante de um time que, em boa parte do campeonato, abdicou do direito ao carrinho. Momento tão crucial que a partir dali o Grêmio – com apenas dez jogadores em campo e faltando ainda uma hora de jogo – se soltou em campo, passou a jogar com liberdade, parecia guri que recebe autorização do pai pra sujar a roupa de festa.

Ao fim da partida, Tcheco reservou outro momento importante quando com a sinceridade de sempre ouviu do repórter o resultado do demais jogos da rodada e a pergunta sobre a meta de chegar a Libertadores. O meio-campo foi claro: não temos de pensar nos outros, temos de ganhar cada jogo. Poderia ter dito, cada confronto, cada batalha, cada guerra. Não está mais em jogo uma vaga aqui ou acolá, está, sim, a vergonha na cara, a coragem de nunca desistir, a história do Grêmio na temporada de 2009.

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