Avalanche Tricolor: o dia em que o futebol ficou sem graça

 

Grêmio 6×0 Avenida
Gaúcho/Recopa — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

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Jogadores e Renato prestam homenagem aos meninos mortos no Flamengo Foto LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Tinha taça em jogo. E taça a gente quer ganhar sempre. Em campo, estava o que havia de melhor à disposição de Renato — e ao longo da partida ainda entraram alguns jogadores que, provavelmente, deixarão o time ainda melhor. O toque de bola era o que aprendemos a gostar. A categoria do passe se fez presente desde o minuto inicial. A movimentação intensa abriu caminho para o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto gol —- e que baita gol foi esse último. Aliás, difícil escolher o mais bonito. De cabeça. De cavadinha. Com dribles. Com força. No ângulo. Gol para todos os gostos. A torcida assoviou para dar ritmo à equipe. Bateu palmas no mesmo compasso do futebol jogado. Cantou seus cantos. E relembrou o grito de “é campeão”!

 

Tinha tudo para ser um jogo perfeito. Mas foi sem graça. Uma graça que se perdeu na morte de dez garotos, vítimas da tragédia no Ninho do Urubu, na sexta de madrugada. Garotos que, como muitos daqueles que vestiram, vestem ou vestirão a camisa do Grêmio, só queriam ter o direito de jogar futebol. De sorrir pelo drible bem dado. De comemorar nos braços do torcedor o gol bem feito. De levar para a família a alegria de uma vida mais bem estruturada.

 

Um gurizada como Everton e Luan —- que começa na base a construir sua própria história e ser protagonista da história do seu time de coração. Que abre mão da infância e da adolescência —- aceita a rotina de treinos intensos, a distância da família e as condições que lhe oferecem para dormir, comer e morar — porque sabe que seu talento está prestes a abrir-lhe às portas para uma vida mais digna. Com o respeito dos outros. A admiração de muitos. O olhar orgulhoso da mãe e do pai, quando o tem. Dos parentes e amigos, também.

 

Os meninos do Flamengo são meninos como os nossos. Imaturos por adolescentes que são. Inseguros diante de uma vida que mal está começando. Ao mesmo tempo, corajosos. Capazes de superar qualquer dificuldade porque só assim terão espaço no campo do futebol. Sabem que os ídolos nos quais eles se inspiravam também tiveram de trilhar essa caminhada. Só não sabiam o que o destino havia reservado a eles. Destino? Talvez caiba melhor nessa frase a irresponsabilidade, o descaso, o desrespeito, a crença de que nada vai dar errado … essas coisas que se transformaram em lugar-comum nesse país que assiste aos seus jovens morrerem queimados em boates e alojamentos, suas famílias serem soterradas pela lama da mineração e sua gente ser levada pelas águas das enchentes. Tão comum quanto a impunidade que se segue a essas tragédias.

 

Bem que tentei sorrir a cada gol marcado pelo meu Grêmio. Mas o som dos trompetes militares entoando o toque fúnebre, na cerimônia que se realizou antes da partida, ficou em meus ouvidos e me fez lembrar a cada minuto de jogo que um daqueles dez meninos mortos poderia um dia estar ali na Arena do Grêmio fazendo aquilo que tanto desejavam em vida: dar alegria ao torcedor. 

Adote um Vereador: uma homenagem na faixa ou uma auto-homenagem com dinheiro público?

 

 

Fui testemunha de uma cena comovente, no domingo pela manhã, em uma das principais avenidas do bairro em que moro, na zona Oeste da capital. Havia um sol escaldante e termômetros de rua registrando mais de 30 graus. Coisa de louco. As ruas estavam quase vazias. Qualquer um de nós desejaríamos estar à sombra. Quem sabe na piscina do vizinho para refrescar. Eu — sem nenhum vizinho que me convidasse para o banho — só havia me arriscado sair de casa porque fui buscar um pote de sorvete na padaria mais próxima.

 

O desconforto e os riscos à saúde provocados por este verão de 2019 não foram suficientes para impedir que dois cidadãos paulistanos levantassem uma escada de alumínio, tão alta quanto o poste que eles almejavam alcançar, e deixassem registrada uma mensagem de gratidão a dois políticos da cidade de São Paulo. A homenagem estava em forma de faixa. Tinha o fundo amarelo para que as letras em azul, vermelho e roxo se destacassem — afinal, o que mais interessava naquele gesto cidadão era enaltecer o nome dos representantes do povo.

 

Como minha caminhada se estendeu por mais alguns quarteirões, logo percebi que o trabalho daqueles dois cidadãos era muito maior do que eu imaginava. Eles haviam repetido a cena em ao menos mais três pontos da avenida —- onde encontrei a faixa com o mesmo padrão pendurada entre postes.

 

Fiquei imaginando, o tamanho da gratidão deles. Deixaram suas famílias em um domingo pela manhã, quando poderiam muito bem estar brincando com as crianças ou quem sabe iniciando os preparativos para o churrasco servido com cerveja bem gelada. Não se fizeram de rogados diante dos riscos impostos pelo calor. Levantaram a escada não apenas uma, mas duas, três, quatro, oito vezes —- sim, porque para cada homenagem pública eram necessárias duas “trepadas” de escada.

 

Não faria isso nem que me pagassem, pensei comigo mesmo —- e fiquei um pouco constrangido com os meus pensamentos, que se pareceram mesquinhos diante daquela atitude voluntária dos dois cidadãos. Logo eu que me dedico a convencer as pessoas da importância de acompanhar o trabalho do homem público, fiscalizar a ação dos nossos representantes na Câmara Municipal e ficar atentos a forma como gastam o nosso dinheiro. Deveria ter parado diante deles, aplaudido em pé e parabenizado a dupla pela atitude adotada. Mas não. Apenas olhei e segui em frente. Minto, também registrei o feito em foto para quem sabe incentivar outros cidadãos.

 

Já sem o efeito do calor, mais relaxado em casa e pote de sorvete desbravado, fui rever as imagens que estavam em meu celular. Incrédulo que sou, cheguei a pensar na possibilidade de aqueles dois rapazes serem apenas funcionários de alguma empresa que confecciona faixas na cidade. Talvez eles tivessem sido pagos por alguém para fazer a homenagem. Um outro cidadão? Não sei.

 

Foi, então, que chafurdei no pior que tem de meus pensamentos. Teria sido um dos citados na faixa o autor da homenagem? E sendo um dos citados vereador, ele teria feito a auto-homenagem com a verba indenizatória que custeia os serviços contratados pelos legisladores?

 

Que vergonha, Mílton! Pensar uma coisa dessas.

 

Perdoe-me caro e raro leitor deste blog. Só pode ser efeito do forte calor. Vereador nenhum desse país usaria dinheiro público para fazer auto-homenagem e ter algum ganho político com obra que é obrigação do município — não é mesmo? Além disso, todos sabemos, graças a Camões, que elogio em boca própria é vitupério.

 

Apesar de considerar singela a atitude dos dois cidadãos que estenderam seus agradecimentos pelo recapeamento da avenida Guilherme Dumont Vilares, gostaria de alertar que é proibido pendurar faixas na cidade, sem autorização da prefeitura. O que, certamente, é de conhecimento do vereador Isac Felix do PR que já foi chefe de gabinete na subprefeitura do Campo Limpo e tem seu nome estampado na auto-homenagem. Ops, na homenagem cidadã!

 

PS: Além de desrespeitar a lei municipal, a faixa também comete erro de português. Agradecer é verbo transitivo indireto quando se refere a pessoa. Portanto a regência correta é “agradecer ao prefeito” —- como está escrito ao lado do nome de Bruno Covas — e não “agradecer o vereador” —- como está logo abaixo.

Conte Sua História de São Paulo: na Paulista, o encontro do Duque e da Duquesa

 

Por Suely Schraner
Ouvinte da CBN

 

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Na avenida Paulista (foto da autora)

 

 

Duquesa, da avenida Paulista

 

Eu sou quem inspira cartaz
Um cartaz de amizade

 

Você é quem compra na loja de grifes
Na famosa avenida paulista

 

O principal centro financeiro
Daqui debaixo do equador

 

Meu céu,  a marquise
Ao lado,  a escadaria
– meu palácio de neon

 

A sociedade emblemática

 

No asfalto, ruídos vivos
Rua que não dorme jamais

 

No meu sono
Ouvidos alertas
Passos , buzinas
Sina
A vigília do porvir

 

Partilhar olhares, nossa miséria
Pobres ricos, ricos pobres

 

Duque (dux), o que me conduz
Duquesa, a mulher do duque
Aristocracia de asfalto

 

Ele e eu
Eu e ele

 

Engulo o latido

 

Vigília do porvir
Sentinela do nada

 

Nos reconhecemos
Eu e ele
Ele e eu

 

Suely Schraner é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série de aniversário da nossa cidade: escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: barba, cabelo e bigode, com toda a elegância

 

Avenida 0x3 Grêmio
Gaúcho – Estádio dos Eucaliptos – Santa Cruz/RS

 

Arthur

Arthur completou o serviço no segundo tempo

 

Barba, cabelo e bigode. No passado, era assim que se descrevia uma tarefa que havia sido realizada por completo. E assim pode-se descrever a tarefa cumprida pelo Grêmio no simpático estádio e complicado gramado de Santa Cruz do Sul, nesta tarde de domingo.

 

Desde os primeiros movimentos, percebia-se que superar o campo ruim e pesado dos Eucaliptos seria mais difícil do que vencer o adversário que jogava em casa.

 

Apesar de enfrentarmos um time que se propôs a fincar-se diante de sua área e de lá não sair, com o objetivo de não levar gols, o toque de bola do Grêmio era envolvente a ponto de encontrar espaço para jogar.

 

Com a área congestionada, preferimos arriscar de fora e tivemos sucesso nos pés de Ramiro, aos 8 minutos de partida. Aliás, no pé esquerdo de Ramiro, o que não é comum ao meio-campista destro do Grêmio que tem revelado um excelente chute, como já vimos em algumas cobranças de falta, nos últimos jogos.

 

Barba feita, fomos em busca do segundo gol que veio dois minutos depois. A fórmula foi a mesma. Ou quase. Troca de passe veloz e precisa. Deslocamento de jogadores de um lado e de outro. Jael recebeu de Luan na esquerda e ao tentar devolver a bola foi desviada na mão do marcador. Luan cobrou bem o pênalti.

 

Renato chegou a pedir serviço completo ainda no primeiro tempo. Gato escaldado tem medo de água quente, costumava dizer seu Alecir, barbeiro que me atendia nos tempos em que morei em Porto Alegre. Melhor matar o adversário quando ele ainda está tonto do que deixá-lo ir para o vestiário, se reorganizar e reagir. Não foi atendido, mas contou com Marcelo Grohe que mais uma vez fez das suas para impedir qualquer reação: que baita goleiro, heim seu Alecir?!?

 

Fomos para o vestiário com barba e cabelo feitos. E não demorou muito para aparar o bigode, também. Aos 12 do segundo tempo, após nova troca de passe bem elaborada, Arthur recebeu de Everton de frente para o gol. Havia dois marcadores em cima dele, então com a elegância que lhe é comum, Arthur puxou a bola para trás, deixou os dois zagueiros abraçados  e com o mesmo pé que fez o corte completou o serviço: 3 a 0.

 

Restou para a segunda partida, na Arena, quarta-feira à noite, apenas o banho de “aqua velva – aquele toque invisível de distinção que todos notam”, como se lia na publicidade antiga desta que foi das mais famosas águas pós-barba que já conhecemos.

 

 

Avalanche Tricolor: ainda tem muita bola pra rolar neste ano!

 

Avenida 3×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio dos Eucaliptos/Santa Cruz-RS

 

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Um jovem torcedor assiste ao Grêmio, em Santa Cruz (Foto de LUCAS UEBEL/Grêmio FBPA)

 

Esta quinta-feira é feriado aqui em São Paulo. Aniversário da cidade. Falso feriado para mim que trabalhei logo cedo no programa de rádio, que é nacional. Ainda mais com o noticiário pegando fogo e com a obrigação de explicar ao ouvinte o que acontecerá no Brasil após a condenação de Lula em segunda instância. Vale Ficha Limpa? Se vale por que se candidata? Se se candidata, o que vale? E cadeia? Só em segunda instância? Mas já foi em segunda! Mas tem recurso. Vá entender!

 

O futebol também é tema por aqui, neste feriado. Dia 25 de janeiro é a data da final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Tradicional decisão que ocorre no estádio do Pacaembu. Foi meu primeiro programa esportivo quando cheguei à cidade, em 1991. Mal sabia o que me aguardava. O Grêmio decidiu o título contra a Portuguesa. E perdeu. Derrota acachapante diante de um adversário espetacular: 4 a 0. Nunca assisti a um jogo em que apesar de meu time sair derrotado e goleado, aplaudi. Para ter ideia: aquele time da Portuguesa tinha no comando do ataque um gênio da bola: Dener.

 

Certamente, você ouviu falar deste menino. Veloz, driblador, talentoso. Fantástico! Tanto quanto precoce. Dener foi campeão da Copa São Paulo aos 19 anos, convocado para a seleção brasileira aos 20, vestiu por três meses a camisa do Grêmio aos 22 e morreu em acidente automobilístico aos 23, quando ainda jogava pelo Vasco. Curiosamente, o único título que conquistou na vida profissional foi pelo Grêmio, campeão Gaúcho de 1993.

 

Naquele time do Grêmio que perdeu a final da Copa São Paulo – e de goleada – o goleiro era Danrlei, que dispensa apresentações. Enquanto escrevo essa Avalanche, olho para a camisa número 1 que está emoldurada e pendurada na parede de casa e ostenta o autógrafo do ídolo. Foi o mesmo goleiro que tive o prazer de assistir de perto caminhando com uma medalha na mão e um sorriso no rosto, no corredor do estádio do Morumbi, logo após o Grêmio conquistar o título de campeão da Copa do Brasil, em 2001.

 

O futebol é assim mesmo. Como a vida. Prega peças. Nos desvia do curso. Nos coloca em outro rumo. Nada do que acontece aqui – ou quase nada – é definitivo. O ídolo para o qual se projeta o paraíso, desaparece. O goleiro, envergonhado pela goleada, renasce.

 

Diante desses fatos, parece-me precipitado e perigoso tirar conclusões nesta altura do campeonato e acreditar que o que aconteceu nestes três primeiros jogos do Gaúcho – incluindo o da noite de ontem – sejam determinantes para o destino da maioria dos jogadores jovens ou estreantes que nos representam. Portanto, antes de opiniões definitivas e decisões intempestivas, tenha a certeza de que muita bola ainda vai rolar neste ano.

 

No futebol, na política e na sua vida!

Avalanche Tricolor: a maldição dos goleadores

 

 

Avenida 1 x 3 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Santa Cruz do Sul

 

 

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Foi-se o tempo em que partidas pelo interior do Rio Grande do Sul me provocavam grandes emoções. Já falei aqui que o acanhamento dos estádios e a precariedade da infraestrutura oferecida para se jogar bola são desanimadores. O dos Eucaliptos, em Santa Cruz, não é muito diferente do que estamos acostumados a ver por aí no Campeonato Gaúcho. Nada, porém, que me tire o desejo de assistir ao Grêmio em campo e, claro, vencendo. Por isso, não faltaria ao compromisso desse fim de tarde de domingo. Com os minutos contados no relógio, interrompi o trabalho que tem tomado todo meu tempo neste começo de ano, sobre o qual já conversamos na Avalanche que marcou o início da temporada 2015, para me postar, animadamente, diante da televisão.

 

 

Para minha surpresa e, imagino, para muitos dos torcedores gremistas, logo ficamos sabendo que Marcelo Moreno estaria no banco de reservas, preservado pelo fato de fazer parte de mais um negócio com a China, mesmo destino de Barcos, nosso goleador nas temporadas 2013 e 2014. A história parecia se repetir, pois quando o argentino entrou em campo em seu último jogo, os jornalistas diziam que seria seu último jogo, mas ninguém confirmava a informação oficialmente. Naquela oportunidade, estreia no Gaúcho, deixaram com que nos deliciássemos mais alguns minutos com o talento de Barcos e comemorássemos com ele os dois gols marcados para depois entregá-lo ao futebol chinês.

 

 

Desta vez, parece que Felipão resolveu pensar em testar soluções para os problemas que terá no resto da temporada do que apostar em mais um jogador que está de saída. Como vimos, teve de mudar de ideia, pois apesar de ver seu meio campo se movimentando bem, com dribles e trocas de passes mais precisos do que nos jogos iniciais, além de algumas enfiadas de bola dentro da área, pouco se produziu no ataque. Chutes a gol foram raros no primeiro tempo de partida, mesmo quando já tínhamos um jogador a mais em campo. No momento em que o juiz decidiu equilibrar as forças usando de forma indevida os cartões amarelo e vermelho a situação ficou ainda mais complicada.

 

 

O jeito foi chamar Moreno que entrou ao lado de Everton que, aliás, está merecendo um lugar entre os titulares. Assistimos à outra partida de futebol, com a bola chegando dentro da área e encontrando um atacante de ofício, daqueles que sentem o cheiro do gol. Moreno tentou uma, tentou duas, tentou três vezes até que na quarta o zagueiro adversário se assustou e fez contra. De tanto tentar conseguiu fazer o seu gol ao concluir de cabeça cruzamento dentro da área. Fez do jeito que se espera que os atacantes façam. Correu para a torcida, beijou o distintivo e agradeceu os gritos de “Fica!”. Ao fim do jogo disse que tudo vai depender da diretoria. Talvez me engane e tomara que realmente esteja enganado, mas creio que assistimos ao último jogo de Moreno com a camisa do Grêmio, também.

 

 

Entendo as dificuldades financeiras que nos levaram a desconstruir a equipe do ano passado e contratar jogadores modestos para as posições que necessitavam algum reforço. Entendo que se deva investir nos talentos que surgem nas categorias de base; e temos visto alguns jogadores ensaiando bons desempenhos como foi o caso de Lincoln na partida de hoje. Minha dúvida apenas é a quem vamos recorrer no próximo jogo para finalizar em gols as jogadas criadas no meio de campo? Talvez seja melhor mesmo que não apareça nenhum goleador típico. E nos contentemos com vitórias enxutas baseadas em gols aleatórios de um zagueiro, de um chute à distância do volante ou quem sabe das trapalhadas dos adversários. Pois corremos o sério risco de nos animarmos com um novo goleador um dia e nos despedirmos dele no outro.

 

A foto deste post é do álbum do Grêmio Oficial no Flickr
 

Por revanchismo, vereadores mudam nome de avenida em Porto Alegre

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Duvido que exista em São Paulo – refiro-me à capital – quem não se preocupe, um pouquinho que seja, com o Adote um Vereador.A ideia partiu da cabeça do Mílton. Quem lê o blog inserido no site da CBN sabe que se trata do meu filho. Acho tão importante o trabalho que a turma do Adote realiza – e hoje é bem grande – que não tenha encontrado seguidores em outros municípios brasileiros,nos maiores,pelo menos,porque quanto maior a cidade,mais vereadores elege. Não pensem que,em São Paulo,os representantes dos munícipes sejam policiados. Podem ser,isso sim,cobrados por aquelas pessoas que os puseram na Câmara,caso não façam o esperado pelos seus eleitores.

 

Estou tentando saber o que o povo votante da minha Porto Alegre pensa,agora que a eleição está tão próxima, de um projeto que passou pela nossa Câmara:refiro-me à troca de nome de uma avenida da cidade. Alega o prefeito José Fortunati que a comunidade porto-alegrense não foi consultada sobre a alteração que a Câmara aprovou.E fez bem. Talvez surja quem entenda que o chefe do município,como não vetou nem sancionou a lei,teria ficado em cima do muro. O texto da lei voltou para os vereadores. A Casa,no momento,está sendo comandada por um presidente em exercício – o petista Mauro Pinheiro. Este terá de sancionar a lei. O titular do cargo,Professor Garcia,peemedebista,está licenciado.

 

Não esclareci para quem não é porto-alegrense e,por porventura,esteja lendo o meu texto,qual é a via,importante porque é por ela que se sai da capital gaúcha,cujo nome está provocando a polêmica:Castelo Branco é o atual;Avenida da Legalidade e da Democracia,talvez venha a ser o novo. Como não poderia deixar de ser,Fernanda Melchionna e Pedro Ruas,ambos do PSOL,se surpreenderam com a posição de José Fortunati. Eles são autores do projeto. Para mim,a ideia de troca tem cheiro de revanchismo rançoso. Não lembro de ter notícia de avenida que mudou de nome por razões eivadas de politicagem.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Carros abandonados e casas irregulares na av. Hebe Camargo

 

Desmanche de carro

 

Fui conhecer a avenida Hebe Camargo, inaugurada às pressas no fim do governo passado, entre o Panamby e a Paraisópolis, na zona Sul de São Paulo. Foi aquela via que, ao ser entregue, parcialmente, descobriu-se que haviam esquecido de tirar as árvores e postes do meio do caminho. É uma aposta antiga da cidade para que se ofereça alternativa no trânsito aos motoristas que saem dos bairros mais ao Sul e tentam chegar na zona Oeste ou central. Hoje, costumam usar a Marginal Pinheiros e a Giovanni Gronchi, as duas entupidas, especialmente no horário de pico. A primeira surpresa que tive ao entrar na avenida foi perceber que ela não serve para quase nada, pois termina logo após o CEU Paraisópolis, e, não por acaso, tem pouco trânsito. Talvez tenha utilidade quando concluída, mas não há prazo confirmado. O que mais me surpreendeu foi a quantidade de carcaça de veículos abandonas ao longo da via. Fato que chamou atenção de outros motoristas, a ponto de ter recebido a imagem que ilustra este post, feita recentemente.

 

Hoje, fico sabendo que não são apenas estes carros desmanchados que estão ornando o cenário da Hebe Camargo. Moradores da região perceberam que foram levantados casebres feitos de tapumes, inclusive com instalação elétrica, e há sinais de que novas habitações, do mesmo tipo, estão a caminho. É desta forma que, historicamente, as favelas se formam na capital paulista e as pessoas são incentivadas a morar em áreas de alto risco, com a possibilidade de serem vítimas de tragédias. O Subprefeito do Campo Limpo Sérgio Roberto dos Santos teria sido alertado para a ocupação ilegal, por e-mail, que ainda não foi respondido.

Avalanche Tricolor: dá para ter bons sonhos

 

Grêmio 4 x 0 Avenida
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

Abrir a Avalanche chorando minhas pitangas não é o ideal após uma noite em que o Grêmio confirma a classificação a fase final da Taça Farroupilha, com bom desempenho em campo e vantagem sobre os demais adversários, além de ser o ÚNICO time com 100% de aproveitamento neste segundo turno. Mas você, caro e raro leitor deste blog, sabe bem do meu drama matinal, pois antes mesmo do sabiá cantar já estou em pé, na mesa do café, lendo meu jornal e me preparando para mais uma jornada. Portanto, dormir cedo é quase obrigação e, confesso, poucas coisas conseguem mudar este meu compromisso com a cama e o sono. O Grêmio é uma delas, mesmo quando o jogo tem pouca importância – se é que possível falar isso de uma partida em que o meu time do coração esteja em campo. Por isso, mesmo depois de um dia tão cheio de tarefas profissionais e familiares, me dispus a esticar à noite e acompanhar o Imortal Tricolor em mais um desafio pelo sempre disputado – com facas, dentes e travas da chuteira – Campeonato Gaúcho. Sabia bem o esforço que seria encarar a sexta-feira diante desta situação. E não é que em um minuto de jogo, nossa equipe já dava sinais de que eu poderia dormir tranquilo com um golaço de Marcelo Moreno? Aliás, não havia transcorrido os primeiros 15 minutos e o placar marcava 2 a 0, graças a mais um gol de Moreno, desta vez de pênalti cavado por Bertoglio. O curioso é que o time estava tão solto em campo, trocando passes, se movimentando bem, chutando a gol e sem muitos riscos que acabei ficando até o final diante da televisão. Até porque você sabe que meu time gosta de provocar muitas emoções, mesmo quando tira vantagem logo cedo. No fim fui premiado com uma boa partida e também vi os gols de Léo Gago e Bertoglio (aliás, companheiro ideal para Moreno). E fui dormir com a certeza de que posso sonhar com bons desempenhos na temporada. Boa noite !

Canto da Cátia: Protesto contra o buraco do Kassab

 

Protesto no cone

 

Foi a Cátia Toffoletto quem encontrou nas ruas de São Paulo o cartaz com protesto contra os buracos na cidade. Na imagem, aparece o rosto do prefeito Gilberto Kassab (PSD) coberta pela placa de proibido e a frase: Buraco do Kassab. A pista lateral, por onde deveriam passar os ônibus, nota-se com clareza, está inviável. E não apenas pelos buracos, mas também pelas ondulações do piso.