“É proibido calar” volta aos palcos em São Paulo e, em seguida, bota o pé na estrada

 

 

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A série de entrevistas com os candidatos à presidência, promovida pela CBN e pelo G1, está no ar desde a semana passada; e pela importância do momento tenho me dedicado à preparação das sabatinas. Nem por isso, deixei de lado os eventos relacionados ao lançamento de “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (Best Seller).

 

 

Nessa terça-feira, dia 11 de setembro, fui privilegiado com o convite do consultor e palestrante César Souza que lançará o livro dele “Seja o líder que o momento exige”   (Best Business), em evento-show ao lado do mágico Clóvis Tavares.

 

 

Farei a abertura do encontro, no Maksoud Plaza, na qual falarei sobre comunicação, liderança, ética e cidadania. César e Clóvis são os responsáveis pelo show: eles falam sobre as turbulências e desafios da liderança usando a metáfora de um piloto de avião. Logo depois, receberei, ao lado do César, os leitores em sessão de autógrafos.  Para participar do evento basta fazer a inscrição, de graça, no site.

 

 

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No domingo, dia 16 de setembro, o palco ficará por minha conta e risco: a convite da BYU Managemente Society e a J. Reuben Clark Law Society vou conversar com o público sobre  “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”  O encontro será na se da Igreja de Jesus Cristo dos Santos Últimos Dias, na avenida Professor Francisco Morato, 2430, em São Paulo, às 19 horas, com entrada franca.

 

 

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As viagens para lançamento do livro serão retomadas no fim da próxima semana — assim que se encerrarem as entrevistas com os presidenciáveis. No dia 22 de setembro, estarei em Vitória ES, a convite da CBN Vitória e Rede Gazeta, quando participarei de talk show comandado pelos jornalistas Fernanda Queiroz e Fabio Botacin, às 10 da manhã, no Cinemark — Shopping Vitória.  Garanta já a sua presença fazendo a inscrição de graça através deste link. Já estão confirmados os lançamentos em Belo Horizonte, dia 25 de setembro, terça-feira, e Campinas, no dia 27 de setembro, quinta-feira.

Avalanche Tricolor: só havia motivos para sorrir neste domingo

 

Atlético MG 4×3 Grêmio
Brasileiro – Independência-BH/MG

 

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Guris se divertem em campo, em reprodução da SportTV

 

Estava ansioso pelo domingo. E o domingo começou com céu claro e sol agradável em São Paulo. Motivos não faltavam para minha ansiedade: era meu primeiro domingo de férias, que se estenderão até quase o fim do ano, ao lado dos filhos, da mulher e, provavelmente, com uma experiência inédita na minha vida – sobre a qual compartilharei com você assim que se realizar (e se realizar). Era ainda o primeiro domingo do advento do Natal, sempre razão de alegria para os católicos. Mas era, também, a primeira vez que encontraria o padre José Bortolini desde a conquista da Libertadores.

 

Falei dele por aqui em edições anteriores. Aos 65 anos, encara uma daquelas doenças sempre dispostas a nos tirar de ação, mas incapaz de abatê-lo. Já teve problemas de saúde durante a missa. Foi parar no hospital. Não foram suficientes para fazê-lo desistir. Coragem, fé e inteligência são suas principais fortalezas. Autor de inúmeros livros, é um intelectual a serviço da religião e como poucos padres que conheci tem uma incrível capacidade para agregar pessoas e animar a missa. Nessa segunda-feira, completará 40 anos de sacerdócio. É um vitorioso.

 

Bortolini nasceu em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, e, principalmente, nasceu gremista – e agora você, caro e raro leitor desta Avalanche, começa a entender o fato dele ser personagem desta nossa conversa. É com ele que troco olhares, sorrisos e algumas poucas palavras antes de a missa começar ou no seu encerramento. São os únicos momentos em que permitimos que o futebol se sobreponha aos assuntos da religião. Costumam ser mensagens curtas, uma ou duas frases. Nunca mais do que isso. O suficiente para que nossas intenções e confiança em relação ao jogo transpareçam.

 

Hoje, cheguei cedo. E ele estava lá, firme e forte. Forte e faceiro. Assim que me viu, se virou para cumprimentar-me com a simpatia de sempre. Assoprou-me algumas palavras talvez para que outros fiéis não se sentissem incomodados: “a América ficou pequena para nós”. Foi o suficiente para tirar um largo sorriso deste escrevinhador e de alguns que estavam mais próximos. Disse sem medo de estar cometendo o pecado da soberba, pois tinha a favor de seu argumento o futebol superior que nos levou ao tri da Libertadores.

 

Abracei-o com o abraço que os campeões merecem e assim que entrei na Igreja mais uma cena a me lembrar da nossa conquista: Romano Pansera, um dos fiéis que sempre encontro aos domingos, estava sentado nos primeiros bancos. Seu primeiro nome aparecia em destaque gravado nas costas da camisa tricolor. Sim, ele também é gremista como eu. E pelo que percebi aproveitou o momento para agradecer pelas graças alcançadas. Fui até lá para compartilhar um abraço, afinal, ali estava outro campeão da América.

 

De minha parte, como já deixei claro em outras Avalanches, procuro não misturar os assuntos. Sempre tenho a impressão que Deus tem mais com que se preocupar do que ficar defendendo bola lá atrás e as desviando para o gol lá na frente. O futebol, dizem, tem deuses próprios que habitam os estádios e costumam intervir nos momentos mais inacreditáveis para nos provar que estão dispostos a ajudar a quem fez por merecer.

 

Assim que voltei para a casa, ainda pela manhã, o Grêmio haveria de me oferecer outro instante de satisfação: graças ao seu título, fui entrevistado no programa apresentado por Carlos Eduardo Eboli, na CBN, ao lado de Álvaro Oliveira Filho. Oportunidade para tecer elogios à gestão do futebol gremista, à perseverança e ao conhecimento de Renato e à construção desta equipe de campeões.

 

A tarde de domingo chegou e lá estava o Grêmio a me dar mais alegrias, mesmo diante de resultado desfavorável. Perdão, placar desfavorável. Porque o resultado do futebol apresentado pelos meninos que entraram em campo foi muito bom. Toque de bola, deslocamento, velocidade, dribles, coragem, paciência e persistência: todas aquelas marcas que fizeram nosso time campeão estavam naquele grupo de guris. Eles jogaram bola com sorriso no rosto. Divertiram-se diante das câmeras de televisão. Não se intimidaram com a experiência e a torcida do adversário. Sinalizaram a mim, ao Brasil e a todos que admiram um jogo bem jogado que o futebol que nos levou ao título da América não foi um acaso.

 

Realmente, a América está pequena para nós, como disse o padre Bortolino.

 

Que assim seja para todo o sempre, amém!

Avalanche Tricolor: o Imortal voltou!

 

Atlético MG 1×3 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

 

Gremio x Cruzeiro

 

 

É difícil até de começar esta conversa com você, caro e raro leitor desta Avalanche! Estar nesta final da Copa do Brasil tem me provocado as mais diversas sensações.

 

Me vi na cabine do Morumbi narrando (e comemorando) o título da Copa de 2001, como lembrei em texto anterior. Também revisitei o Olímpico em seus escombros e senti a força daquela avalanche que marcou história.

 

Pensei no pai com quem costumava ir até lá assistir aos jogos do Grêmio desde um tempo em que os títulos estaduais eram nossa maior façanha. E como seria bom estar ao lado dele mais uma vez para vibrar nesta final. O telefonema dele hoje à tarde, antes da partida, foi um alento a saudade daqueles anos.

 

Revivi os tempos de guri em que vestia a camisa do Grêmio para assistir às aulas nos dias seguintes às vitórias. E a envergava nos ombros mesmo quando os resultados não eram assim tão bons.

 

Pude pensar nas vezes em que fiquei sentado ao lado da casamata na função de gandula (e pombo correio), levando ao time as instruções determinadas pelo padrinho Enio Andrade. Sem contar as vezes em que chorei sentado na arquibancada pelas frustrações de não ter um título.

 

Até aquela Batalha heróica dos Aflitos e a maneira como os guris aqui em casa comemoram um título que eles mal entendiam a importância vieram à memória nestas horas que antecederam o início da decisão.

 

Quando a bola começou a rolar e o time comandado por Renato se impôs no Mineirão, a ansiedade da final foi substituída pela certeza de que a Copa seria nossa. Que fique claro, ainda não o é … mas a personalidade de cada um dos 11 jogadores em campo superou qualquer temor, mesmo nos momentos mais difíceis – raros momentos em uma partida praticamente toda dominada pelo Grêmio.

 

A marcação perto da área do adversário, as roubadas de bola, a maneira como o time se movimentava para receber e passar, a elegância do drible e a velocidade do jogo nos davam a impressão da invencibilidade.

 

Foi então que Pedro Rocha fez um, perdeu outro e mais outro. E fez mais um, novamente. E tirou a camisa, como eu faria de euforia. Tomou amarelo. E fez falta, como nós todos faríamos, e tomou o vermelho. E chorou, como muitos de nós faríamos no lugar dele.

 

O guri que um dia o presidente gremista Romildo Bolzan definiu, em entrevista que fiz na ESPN, como sendo aquele que “sempre está lá”, da mesma forma que nos levou ao ápice também nos fez lembrar de um enorme mérito que temos: o da Imortalidade.

 

Com um a menos e a pressão da torcida, tomamos um gol e, imagino, que houve alguém gritando nos nossos ouvidos que acreditava na virada.  Mas aquilo tudo era apenas para comprovar o quanto somos capazes de superar adversidades. Era como se precisássemos passar por mais esta provação para que o Brasil inteiro compreendesse nossa resiliência.

 

E para que não houvesse dúvidas de que o Imortal estava de volta, Geromel e Everton completaram o placar que nos oferece uma vantagem importante para o último jogo, na Arena. 

 

Para a festa ficar completa ainda temos que encarar a batalha final e, não vamos esquecer, contra um time que contou histórias incríveis no futebol nos últimos anos. Portanto, por mais próximos da Copa que estejamos, ainda precisaremos entrar em campo quarta-feira que vem com a mesma raça e talento que vestimos no jogo desta noite.

 

Tenha certeza, será mais uma semana de muitas lembranças e emoções.

 

Avalanche Tricolor: categoria e vigor deixam o Grêmio próximo da final

 

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

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Torcida do Grêmio no Mineirão (reprodução da SPORTV)

 

Raro momento este que exercito agora: escrever esta Avalanche antes mesmo do fim da partida. E se me atrevo a tal, é porque o Grêmio me proporcionou esta oportunidade.

 

Poucas vezes nestes últimos tempos, vi o Grêmio jogar com tanta maturidade. O estádio lotado e a experiência do adversário não foram suficientes para intimidar nossos jogadores.

 

Exceção aos 15 primeiros minutos, o Grêmio dominou o jogo, tocou a bola, se movimentou com inteligência e voltou a desfilar o futebol ensinado por Roger e desenvolvido por Renato.

 

Foi solidário na marcação com os jogadores da frente atrapalhando a saída de bola, deu pouco espaço para que o adversário impusesse perigo e a dupla de área foi de uma seriedade de chamar atenção.

 

O primeiro gol deu a cara da partida com a bola rolando de pé em pé. Foram 23 toques em pouco mais um minuto, com jogadores passando a bola e se deslocando para receber livre, a ponto de desnortearem os marcadores. E um chute genial de Luan que voltou a marcar após 12 partidas. E que gol, ele marcou!

 

O segundo gol foi resultado da vantagem conquistada no primeiro tempo. O Grêmio obrigou o adversário a dar mais espaço, e isso costuma ser fatal diante da qualidade do toque de bola gremista. Foi resultado, também, da forma voluntariosa – nem sempre com bons resultados – com que Marcelo Oliveira atua, pois ao cortar a bola na lateral do campo proporcionou nosso contra-ataque. E, sem dúvida, foi resultado da maneira como Ramiro e Douglas – principalmente Douglas – tratam a bola.

 

Chego ao fim do texto no momento em que a partida se encerra. E nada mudou desde que comecei a escrevê-lo.

 

O Grêmio foi melhor, jogou futebol de verdade e fez o placar que lhe põe muito próximo da final da Copa do Brasil. Mas a gente sabe que nada está resolvido ainda. É preciso confirmar o resultado na Arena semana que vem, pois, como disse lá no inicio, escrever esta Avalanche com o jogo em andamento é coisa rara e sabemos que as conquistas não costumam ser fáceis para os Imortais.

Avalanche Tricolor: sofrer é preciso!

 

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Brasileiro – Estádio Independência BH/MG

 

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Jailson escapa da marcação, em foto do site Grêmio.net

 

Começamos a rodada em terceiro lugar e com alguma chance de ser líder. Quando iniciamos a partida ainda havia a possibilidade de ser vice-líder. Terminamos o domingo, em quarto lugar.

 

E como isso aconteceu, levando-se em consideração o adversário!?

 

Era o lanterna do campeonato – aliás, o será por um bom tempo, a persistirem os sintomas – e acabara de ser goleado na Copa do Brasil. Havia levado 14 gols nas últimas sei-lá-quantas partidas que disputou.

 

A aposta da maioria, aqui em São Paulo, era de que os três pontos já estavam nas contas do Grêmio. Imagino que em Porto Alegre, Belo Horizonte e em todas as outras capitais brasileiras, também. A vitória era o único resultado previsível diante das circunstâncias, apesar de a disputa ser fora de casa.

 

Confesso que eu teimava em não acreditar em nenhuma das previsões otimistas. Aos que contavam com os três pontos na tabela, expressava meu ceticismo: “o Grêmio gosta de se complicar contra os pequenos”. Cheguei pensar que era coisa de torcedor chato, desconfiado … A partida me deu razão, infelizmente.

 

Foi um jogo mal jogado, e os primeiros minutos já deixavam claro de que a inspiração e respiração que costumam nos diferenciar dos demais adversários foram esquecidas em um lugar qualquer do vestiário.

 

O pouco espaço deixado pela marcação fizeram o bom futebol gremista se tornar pequeno: um chutão por cima, um pelo lado e outro no poste foram os únicos momentos capazes de nos dar alguma perspectiva de vitória.

 

Verdade seja dita, também: o perigo de perdemos esteve distante na maior parte do jogo; exceção a uma ou outra bola metida na área, como aquela em que de cabeça (sempre de cabeça) o atacante deles obrigou Marcelo Grohe a excelente defesa.

 

A expulsão de Edílson, aos 29 minutos do segundo tempo, serviu apenas para deixar mais complicado um problema para o qual não havíamos encontrado até aquele momento a solução.

 

A frustração e lástima dos próprios jogadores ao fim da partida refletia bem o pensamento da maioria dos torcedores. Cético, sofri menos, pois tive a impressão de que já estava com o espírito preparado para o empate sem gol.

 

Agora, antes que você, caro e raro leitor desta Avalanche, acostumado com minha visão sempre otimista, às vezes ufanista, em relação ao Grêmio, estranhe minha postura neste domingo: saiba que meu ceticismo se encerrou junto com a partida.

 

O tempo me ensinou que não sabemos fazer as coisas pela via fácil. Sofrer é preciso!

 

Assim que olhei a tabela da classificação, independentemente das boas possibilidades que tínhamos nesta rodada, percebi que agora estamos a apenas dois pontos da liderança. Um tropeço de um aqui, uma vitória ali, três pontos conquistados no confronto direto, e o Grêmio logo poderá comemorar o primeiro lugar.

 

Temos time, temos condições e o campeonato sequer chegou a metade. Bola pra frente!

Avalanche Tricolor: uma noite de gala e com direito a traquinagem

 

Atlético MG 0x3 Grêmio
Brasileiro – Independência BH/MG

 

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torcida do Grêmio em BH, foto: reprodução da SporTV

 

Darei-me a liberdade de cometer uma traquinagem daquelas, algo que jamais tive coragem de fazer nestes anos todos de Avalanche.

 

Justifico-me: apesar de hoje ser feriado, amanhã não o é (perdão pelo excesso de ênclise, temo estar contaminado pelas falas do presidente em exercício).

 

Hoje, como sempre, o jogo terminará tarde. E amanhã acordo cedo, ainda de madrugada.

 

Apesar da sexta servir de “ponte” para muita gente, a minha está com a agenda lotada, da manhã à noite. Ou seja nem o recurso de escrever mais tarde e no dia seguinte, teria à disposição.

 

Poderia simplesmente não cumprir a tarefa de falar do desempenho gremista sempre após nossa participação em campo – obrigação a qual me impus desde 2008, se não me falha a memória. Mas nunca deixei de fazê-la mesmo nos piores momentos. Imagine em uma noite como essa. Noite de gala (sem trocadilho, por favor).

 

Claro que você já deve imaginar sobre qual traquinagem me refiro: escrever esta Avalanche antes de a partida se encerrar. Mais do que isso: escrevê-la no intervalo do jogo. Sim, logo que o Grêmio marcou o seu terceiro gol, após um futebol arrasador de toque de bola veloz, movimentação inteligente de seus jogadores e precisão nos chutes.

 

Por mais que o adversário tenha boa fama de virador e guerreiro – valores que respeitamos muito nesta Avalanche e lá pelos lados de Humaitá, também – a impressão que tinha é que nada poderia dar errado nesta noite. Como não deu.

 

Desde o início deste campeonato, viu-se que a bola voltou a rolar a nosso favor. A defesa acertou a passada. Os passes começaram a dar certo, novamente. E, hoje à noite, até os gols, que vinham fazendo falta saíram com uma tranquilidade impressionante.

 

Nem mesmo as ausências antes da partida e as três substituições que tiveram de ser feitas ainda no primeiro tempo devido a lesões pareciam fazer diferença para o Grêmio.

 

Prometo que não repetirei esta “brincadeira” em outras oportunidades, pois sabemos que se o Grêmio passou invicto as três primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, mesmo tendo três clássicos no seu caminho,e sem tomar gol, o fez graças a humildade de enxergar seus defeitos, treinar duro para corrigi-lo e jogar de forma séria.

 

Mas, hoje, por favor, não me cobre tanta seriedade: hoje é feriado, amanhã cedo tem trabalho duro e o meu Grêmio deu um show em campo.

Em BH, sete em cada 10 já abandonaram sacola plástica

 

As sacolas plásticas estão saindo aos poucos da vida dos mineiros, uma mudança de hábito provocada pela lei que proibiu o uso deste material no comércio de Belo Horizonte, em vigor há um mês. De cada dez moradores da capital, sete não usam mais as sacolinhas para levar as compras para casa, de acordo com a prefeitura.

Puxando o traça e fazendo as contas, deixaram de ser usados 13,5 milhões de sacolinhas e de ser jogado no meio ambiente 60 toneladas de plástico. Por outro lado, alguns funcionários perderam o emprego e uma parcela da produção da indústria do setor está parada.

Hoje, somente 15% dos consumidores estão levando para casa as sacolas de plástico, nos supermercados. Estas são feitas de amido do milho ou recicladas e custam R$ 0,19 cada uma. Os demais usam sacolas retornáveis , carrinhos de feira ou caixa de papelão.

A lei em vigor na cidade de Belo Horizonte havia sido apresentada em 2008 quando foi aprovada e sancionada pela prefeitura, mas jamais regulamentada. O prefeito Márcio Lacerda resolveu por ordem na casa – ou no lixo -, assinou dois decretos, um proibindo o uso da sacola plástica comum e o outro permitindo o uso das recicladas e oxiobiodegradáveis por até 120 dias.

Os fabricantes protestam contra a medida e alegam que tiveram de demitir funcionários devido a queda de 30% da produção provocada pela entrada em vigor da lei.

É importante verificar como os mineiros estão se comportando a medida que foi a primeira capital a adotar esta medida por lei. Na cidade de São Paulo a proibição se inicia em janeiro de 2012, tempo durante o qual o mercado terá de se adaptar.

A restrição às sacolas plásticas deve aumentar ainda mais, pois a proibição está em discussão na Assembleia Legislativa de São Paulo com o projeto de lei 226/201, de autoria da deputada Célia Leão (PSDB). O tema está agora nas comissões de Constituição e Justiça e de Meio Ambiente devendo ser realizadas, em breve, audiências públicas. Se for aprovado, o uso dessas sacolas estará probido nas 645 cidades paulistanas.

Rosângela Giembinsky, do Movimento Voto Consciente, chama atenção para a importância da presença do cidadão no debate: “Por ser projeto de grande abrangência com consequência de curto e longo prazos, o cidadão tem de dar sua contribuição. Vale o debate pois existem vários lados com interesse, as empresas que fabricam as sacolas, os supermercados que deixam de ter as despesas, o meio ambiente e o cidadão”

O voo-cego do rádio esportivo

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O autor do texto está na ponta esquerda da mesa

 

Preciso, antes de mais nada, agradecer aos leitores do meu texto de estreia, neste espaço, pela ordem, Carlos Magno Gibrail, Daniel Lescano, Nelson Valente, Armando Italo, Dora e Airton Gontow. Foram todos muito bondosos. Grato pelas boas-vindas, passo para a escrever o que reservei para esta quinta-feira.

 

Outro dia, o Mílton, em sua “Avalanche Tricolor”, a propósito de uma outra estreia – a do Grêmio no Campeonato Gaúcho- lembrou, com saudade, o início de sua carreira na Rádio Guaíba, no qual, repórter esportivo que era, trabalhava nos jogos dessa competição, muitos deles narrados por mim. A saudade se explica: os jogos, em geral, especialmente aqueles disputados no interior do estado,transformavam-se em batalhas campais ou quase nisso. Os jogadores, mesmo os da dupla Gre-Nal, mais bem remunerados, tinham amor à camiseta, coisa rara hoje em dia, pois o profissionalismo transformou muitos em verdadeiros mercenários. O que o Mílton não recordou, porque não havia nascido na época, foi das dificuldades que se enfrentava para transmitir as partidas do que agora resolveram apelidar de Gauchão, superlativo injustificável para o futebol que se vê.

 

Em algumas cidades interioranas – Bagé era uma delas – não havia linha telefônica, necessária para que se falasse dos estádios. Viajava-se, na véspera dos jogos, por estradas de chão batido, muitas vezes debaixo de chuva. Não havia motorista profissional. Dirigiamos nós mesmos inseguras kombis. Dentro delas, estava um enorme transmissor “single-side-band”, o substituto da linha telefônica. Para que funcionasse era preciso comprar dois postes de bom tamanho, estender entre eles um cabo, conectado a outro que, por sua vez, ligava-se ao transmissor. Na sede da rádio, um técnico passava trabalho para receber a transmissão. Esse, controlava o áudio girando um botão. Para a equipe que estava no estádio ouvisse o retorno do som que era enviado, fazia-se necessário sintonizar a onda-curta da emissora.

 

Em transmissões de futebol fora do estado precisava-se contratar a Radional, antecessora da Embratel e nem sempre confiável. Essa, certa vez – e com isso vou encerrar este papo, não se preocupem – nos deixou na mão num jogo entre Atlético Mineiro e Grêmio, em Belo Horizonte, no Estádio Independência. Sem conseguir captar a onda-curta da Guaíba, abri a transmissão depois de avisar para o estúdio que iriamos – o Ruy Ostermann e eu – entrar no ar em “voo-cego”. E entramos. Narrei 85 minutos. Foi então que a onda-curta deu o ar da graça. No estúdio, o locutor do noticiário apresentava o Jornal da Noite.

 

Seja lá como for (ou como era) que, tal qual o Mílton bem mais tarde, nós dois tenhamos bons motivos para sentir saudade dos velhos tempos do futebol e do rádio esportivo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, gremista e meu pai. Escreve toda quinta-feira aqui no Blog do Mílton Jung (o filho dele)