Praça do Ciclista finalmente ganha placa

 

A Praça do Ciclista é desses espaços que merecem nossa atenção, pois são conquistados pelo cidadão a despeito do poder público. Fica no fim da avenida Paulista, esquina com a Consolação, e foi escolhida por um grupo de ciclista para ponto de encontro de evento mensal, a Bicicletada. Chegou a ganhar uma placa com o nome de batismo popular. Sabe-se lá o motivo, a placa sumiu e nunca mais havia sido reposta. Surpresa para os cicloativistas foi descobrir, nesta terça-feira, que a placa está lá a marcar a vitória do cidadão. Que tenha chegado para ficar. Soube da conquista pelo Twitter do Andre Pasqualini com quem, quinta-feira, tenho encontro marcado para participar do Desafio Intermodal. Quem sabe não é o primeiro sinal de que a prefeitura de São Paulo vai se engajar nas atividades do Dia Mundial Sem Carro.

Desafio terá cadeira de roda e helicóptero

 

Um cadeirante e um passageiro de helicóptero estarão entre os participantes de um desafio que pretende mostrar que existem diferentes formas de as pessoas se deslocarem na cidade. Em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro, cicloativistas promoverão a quarta edição do Desafio Intermodal na cidade de São Paulo, no dia 17 de setembro, quinta-feira.

A competição está mais difícil do que em anos anteriores. Desta vez, haverá 18 modalidades de transporte competindo no percurso entre a praça General Falcão, no bairro do Brooklin, e a sede da prefeitura de São Paulo, no Viaduto Chá, região central da cidade. Todos os participantes iniciam o percurso às seis da tarde, horário de pico no trânsito da capital. A intenção é ver qual o tipo de transporte que se desloca com maior rapidez.

O desafio terá participantes utilizando os seguintes meio de transporte: pedestre caminhando, pedestre correndo, bike courrier (ciclista que trabalha com entregas rápidas), ciclista iniciante (vias alternativas), ciclista experiente (vias alternativas), ciclista experiente (avenidas de trânsito mais rápido); ciclista em bicicleta dobrável (integração com ônibus), ciclista de fixa, motoboy, motociclista, motorista, ônibus, trem e metrô, trem e ônibus, ônibus e metrô, trem mais ponte Orca e metrô, cadeirante de transporte público e helicóptero.

No deslocamento todas as regras de trânsito terão de ser respeitadas. Além do tempo de cada modal, o custo para o deslocamento, bem como o impacto no meio ambiente, serão divulgados imediatamente após o fim do percurso no site oficial do Dia Sem Carro (http://diamundialsemcarro.ning.com/)

Serviço do Desafio Intermodal

Data: 17 de setembro, quinta-feira
Local de saída: praça General Gentil Falcão – Brooklin (próximo do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini.
Concentração: 17 horas
Saída: 18 horas

Comentário de André Pasqualini que destaco no post (14.09, 17h28)

Só reforçando, o desafio não é bem uma competição e sim uma avaliação dos modais que os paulistanos tem a disposição para se deslocar pela cidade.

Avaliaremos, além do tempo, o custo e a quantidade de poluentes emitidos pelos modais, além de comparar os resultados com os anos anteriores.

No link abaixo tem os resultados dos anos anteriores.

http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias52.asp

Troca-se entulho por uma ciclovia

 

Entulho Campo Limpo
Entulho Campo Limpo
A proposta nunca aceita era construir uma ciclovia aproveitando a parte baixa do trecho da linha lilás do Metrô, que liga as estações Giovanni Gronchi e Vila das Belezas, na zona sul. Diante da inércia do poder público, aproveitadores passaram a usar o espaço livre para despejo de entulho. A prefeitura, após meses recolhendo o material deixado por lá de forma irregular, mudou a estratégia e construiu um muro no local. O entulho apenas trocou de endereço. Ou melhor, de lado, segundo o cicloativista André Pasqualini. As fotos que fez desde que começou a acompanhar esta situação mostram que o despejo segue ocorrendo à noite, ou na calçada oposta ou no meio da rua mesmo.

Da direita para a esquerda, você vê o entulho jogado antes da intervenção da prefeitura, e para onde o lixo foi parar com a construção do muro. Se clicar nas imagens vai para o álbum do CBN SP no Flickr e encontra mais imagens enviadas pelo André Pasqualini.

Selvaço

 Por Vinícius Leyser da Rosa

bicicleta estaciona

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Uma gaiola protege contra o vento e a chuva, uma série de alavancas garante o controle, um motor ligado às rodas impulsionam o conjunto. Com um pouco de trabalho, qualquer que fosse, todos poderiam juntar dinheiro o suficiente para ter condições de comprar aquela carroça sem cavalos, de 100 cavalos. Poderia se ir mais longe, mais rápido, com mais conforto, com menos esforço. Era uma idéia tentadora, digna do desejo de trabalhadores que precisavam carregar quilos e quilos de materiais por longas distâncias todos os dias, cansando exaustivamente a si próprios e a seus animais. Digna também, porém, da futilidade do sedentarismo antinatural que tomou conta da civilização. Não se cansa mais, não se sua mais, não existe mais esforço senão aquele cujo único objetivo é justamente não mais se esforçar.

Era uma manhã como outra qualquer, acordei cedo. Peguei meu veículo e logo parei para abastecer numa padaria que serve um ótimo combustível. De tanque cheio, tomei meu rumo. Nessa hora, as ruas parecem currais de rinocerontes, búfalos, hipopótamos, elefantes e até dinossauros. São todos grandes, brutos, pesados, fedidos e esfomeados. Comportam-se como seres irracionais que são, apesar de adestrados por seres teoricamente racionais. Ineficiência temperada a aço e óleo que um dia acabarão. Nas mais variadas formas e tamanhos, essas bestas preenchem cada centímetro dos vastos labirintos que uma vez foram criados para os animais humanos, estes que agora mais parecem presentes troianos. Nessa realidade animalesca, sinto-me um leopardo: leve, esguio, rápido, prático. Eficiência abastecida a arroz e feijão, renovados a cada estação. E um pouco mais racional.

Leia aqui o texto completo que foi sugerido ao Blog pelo ouvinte-internauta Alexandre Afonso

São Paulo tem 367 km de ciclovias não feitas

 

Bicicleta na PaulistaO cálculo é do cicloativista Henrique Boney. Ele vasculhou os Planos Regionais Estratégicos das 31 subprefeituras e traçou mapa no qual mostra onde as pistas exclusivas seriam construídas. Somou tudo e chegou ao total de 367 quilômetros, dos quais 275 já deveriam ter sido entregues.

No blog Ciclo BR, André Pasqualini (a foto deste post é dele e está no nosso álbum do Flickr), informa que até agora não foi entregue um metro sequer das ciclovias previstas nos planos aprovados pela Câmara Municipal de São Paula, em 2002.

Alguém haverá de lembrar da ciclovia da Radial Leste, ainda incompleta. Esta não estava prevista no plano regional da subprefeitura do Tatuapé, na zona leste, apesar de ter sido iniciada. Assim como também não há nada nos planos que fale da pista que foi prometida pelo Estado na Marginal Pinheiros. O adjunto da Secretaria Estadual de Minas e Energia Ricardo Toledo havia prometido, em entrevista ao CBN SP, no dia 15.10.08, publicada no Blog do Mílton Jung, que o primeiro trecho estaria entregue em 2010.

Pasqualini afirma, também, que ao não construir o que está previsto em lei e prometer obras onde não estava previsto, prefeitura e Estado mostram que falta planejamento cicloviário para a capital paulista.

Enquanto isso, ao ir de carro para a rádio CBN, durante as madrugadas de agosto, passo por vários ciclistas que pedalam sem cansar pelas ruas e avenidas de São Paulo, fugindo do assédio dos veículos motorizados.

Ciclistas organizam protesto contra corte na Marginal

O corte de enormes árvores para ampliação da Marginal Tietê será alvo de protesto por parte de cicloativistas, NESTE DOMINGO, em São Paulo. Aproveitando o evento Pedal Verde que se realiza todo mês na capital, no qual ciclistas plantam árvores, os manifestantes vão inverter a ação. Pretendem impedir que árvores sejam mortas como foi registrado por um dos ciclistas, André Pasqualini, na noite de segunda-feira:


Veja mais clicando aqui

A concentração dos ciclistas será na Praça do Ciclista, no fim da avenida Paulista, às 10 da MANHÃ, DESSE DOMINGO. É possível encontrar o grupo, também, sobre a Ponte das Bandeiras.

“Se você tem uma cidade onde as pessoas pedalam …”

“… esta é uma cidade agradável”, diz um dos entrevistados de documentário produzido pela ONG Interface for Cycling Expertise, com sede nos Países Baixos, que incentiva projetos em favor do uso da bicicleta e iniciativas de mobilidade de baixo custo. Uma das muitas lições que você receberá ao assistir ao vídeo ‘Ciclovia para cidades que queremos’ à disposição no You Tube.

A dica foi do ouvinte-internauta Reginato Andre Rezende Moschen que encontrou o material no site English Experts.

Ônibus e bicicleta podem dividir espaço

Campanha de convivência ônibus e bicicleta realizada na Nova Zelândia (Foto: Vitor L. Pinheiro)

Vitor Leal Pinheiro ainda sente dores no ombro direito. Sente mais ainda indignação pelo desrespeito do qual foi vítima, que por pouco não lhe tirou a vida. No dia 7 de maio, ele estava de bicicleta quando foi atingido por um ônibus, em uma rua do bairro da Aclimação. Na mensagem que escreveu ao CBN SP, ele descreve a maneira como o motorista se comportou até derrubar-lhe no chão. Assim como faz sugestões à Prefeitura para que recicle os transportadores de passageiros na capital e invista em obras como “as ciclovias da Faria Lima e da Marginal, e o plano cicloviário do Butantã”.

“Recentemente um colega fez um cálculo simples, avaliando a quantidade de viagens por bicicleta na cidade (300 mil) e dividindo pela capacidade dos ônibus (74 passageiros). Seriam necessários mais de 5 mil ônibus extras para levar toda essa gente. Cidades como Londres, Nova York, São Francisco e Paris investem pesado em melhoramentos cicloviários. E eles não se baseiam em ciclovias, mas em ciclofaixas – demarcações simples no chão que legitimam e protegem o ciclista”, escreveu.

André Pasqualini, cicloativista, em outra mensagem, informa que será responsável pelo curso “Motoristas convivendo com bicicletas”, para funcionários de empresas de ônibus na capital, domingo 07.06, no Parque do Ibirapuera. A ideia é mostrar como é possível uma convivência pacífica no trânsito e reduzir o número de acidentes. Interessante é que após a palestra que começa às nove da manhã todos os participantes – a maioria trabalhadores das empresas – serão convidados a pedalar em um passeio no entorno do Ibirapuera e sentir na pele aquilo que os ciclistas sentem diariamente pela cidade de São Paulo

Leia o texto completo de Vitor Leal Pinheiro publicado no Blog Quintal

Ciclistas protestam contra multa da CET

A marca da bicicleta em frente à CETCiclistas protestaram em frente a sede da CET, na Barão de Itapetininga, centro da cidade, contra a cobrança de multa feita de um ciclista que participou da Pedalada Pelada, em São Paulo, em 14 de março. André Pasqualini recebeu boleto no valor de R$ 1.289,25 enviado pela Companhia de Engenharia de Tráfego sob a “acusação” de ser o organizador do “World Naked Bike Ride”.

Conforme carta enviada ao ciclista a Lei 14.072, de outubro de 2005, autoriza a companhia a “cobrar pelos custos operacionais de serviços prestados em eventos, relativos ao sistema viário”. Pasqualini se defende, inicialmente, explicando que não é o organizador do evento que se realiza em 150 cidades pelo mundo. Ele entende que a multa tem caráter puramente político.

Os ciclistas resolveram se antecipar a Companhia de Engenharia de Tráfego e deixaram cuecas no local como “caução” para o pagamento das multas que ainda podem ser lavradas contra os participantes da irreverente manifestação. Além disso, pintaram uma ciclofaixa em frente à entrada do prédio.

A dificuldade de a CET aceitar o transporte de bicicletas na cidade é histórica. Na época em que o comando da Companhia estava com Roberto Scaringela, este se negou a apoiar passeio de ciclistas entre os parques, apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo, propondo que isto só fosse feito se os participantes aceitassem andar em comboio.

A ideia foi retomada pelo secretário municipal dos Esportes, Walter Feldmann, neste ano, com o projeto de criar ciclofaixas entre os principais parques de São Paulo, apenas nos domingos pela manhã. Em breve, o primeiro circuito deverá ser anunciado, mesmo com o olhar retorcido da CET.

Até a pé nós iremos

Após ler “Cidade tem de estar comprometida com mudanças”, publicado neste blog na terça 24, o ouvinte-internauta Zizzo Bettega enviou a mensagem que você lê a seguir. Ressalto que ao  falar de diferenças geográficas, entre São Paulo, capital, e Estocolmo, apenas pretendia levar para o texto justificativa que se ouve frequentemente na cidade. Concordo com ele que a principal mudança tem de ser prioridade. Mas vamos ao textoque já me conquistou pelo título (refrão do hino do Imortal Tricolor):

Em tese a vantagem de Estocolmo sobre São Paulo para o ciclismo está somente em que a cidade nórdica não requer obrigatoriamente bicicletas com câmbio, como fica claro ao observar a topografia e a respectiva frota local.

Se não deixamos de priorizar o automóvel aqui, lógico nunca teremos os índices da cidade nórdica e por conseqüência um ar minimamente respirável. O que por si só incentivaria a adesão espontânea de novos ciclistas.

O fato de São Paulo requerer uma bicicleta com câmbio; como as mountain-bikes; preferencialmente não afeta em muito aquela sustentável fórmula básica do ciclista em comparação com o pedestre que é válida para as duas cidades, grosso modo:

  • 10 vezes mais rápido
  • 10 vezes mais longe
  • 10 vezes menos esforço

Mesmo quando se fala nas nossas subidas e descidas metropolitanas, requerendo tão somente o mínimo de técnica e intimidade com o câmbio moderno que acredito é o maior obstáculo para uma gama mais abrangente de novos ciclistas no nosso caso. Não em vão o câmbio moderno foi inventado nos Alpes italianos pelo atleta Campagnolo, Algo até certo ponto desnecessário para o ciclismo em cidades insulares como é o caso de Estocolmo.

Já os dados para a “apressada” São Paulo quanto à velocidade média como era de se esperar continuam praticamente os mesmos: 22km/h para os carros cerca de 25km/h de média para as bicicletas. Imaginem houvessem aqui verdadeiros eixos cicloviários!

O que muda drasticamente em relação às duas cidades; creio eu; é que o custo para uma vaga de estacionamento na zona urbana de Estocolmo deve ser proibitiva, enquanto que em São Paulo; o paraíso do homo motorisadus;  esta mesma vaga é quase que subsidiada indiretamente pelas municipalidades metropolitanas em prol dos impostos que lhes rendem a indústria automobilística que mata e sufoca lentamente o cidadão e acidifica rapidamente nossos oceanos que são quem verdadeiramente produz o oxigênio que respiramos e que é filtrado pelas florestas remanescentes.

Há tempo de reverter esta lógica perversa ainda?

Enquanto a letárgica maioria motorizada aproveita a lentidão da via para sonhar com sua solução na forma de um panorâmico jeep urbano ledo desejo de superioridade por sobre os demais. Nós Desnudos Quixotes Vitruvianos marchamos contra os nada imaginários moinhos de gente da cidade insana.

Saudações cíclicas,

Zizzo Bettega”