Ciclistas protestam contra multa da CET

A marca da bicicleta em frente à CETCiclistas protestaram em frente a sede da CET, na Barão de Itapetininga, centro da cidade, contra a cobrança de multa feita de um ciclista que participou da Pedalada Pelada, em São Paulo, em 14 de março. André Pasqualini recebeu boleto no valor de R$ 1.289,25 enviado pela Companhia de Engenharia de Tráfego sob a “acusação” de ser o organizador do “World Naked Bike Ride”.

Conforme carta enviada ao ciclista a Lei 14.072, de outubro de 2005, autoriza a companhia a “cobrar pelos custos operacionais de serviços prestados em eventos, relativos ao sistema viário”. Pasqualini se defende, inicialmente, explicando que não é o organizador do evento que se realiza em 150 cidades pelo mundo. Ele entende que a multa tem caráter puramente político.

Os ciclistas resolveram se antecipar a Companhia de Engenharia de Tráfego e deixaram cuecas no local como “caução” para o pagamento das multas que ainda podem ser lavradas contra os participantes da irreverente manifestação. Além disso, pintaram uma ciclofaixa em frente à entrada do prédio.

A dificuldade de a CET aceitar o transporte de bicicletas na cidade é histórica. Na época em que o comando da Companhia estava com Roberto Scaringela, este se negou a apoiar passeio de ciclistas entre os parques, apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo, propondo que isto só fosse feito se os participantes aceitassem andar em comboio.

A ideia foi retomada pelo secretário municipal dos Esportes, Walter Feldmann, neste ano, com o projeto de criar ciclofaixas entre os principais parques de São Paulo, apenas nos domingos pela manhã. Em breve, o primeiro circuito deverá ser anunciado, mesmo com o olhar retorcido da CET.

17 comentários sobre “Ciclistas protestam contra multa da CET

  1. Vou mandar para a CET também os custos em desconto de salario por causa dos engarrafamentos, dos sinais de transito com deifeito, os custos com combustivel que gastamos quando ficamos parados nas ruas de SP nao só para a CET mas para a Prefeitura e para o Governo do Estado também!

  2. Diticil ser levado a sério quando as respostas são infantis , jocosas e dão mal exemplo. Dar cuécas em pagamento, hahaha que engraçado, pichar qualquer coisa sem autorização, lamentável (ainda mais espaço público).
    Seria interessante que, pessoas que, por competência, passam a ter alguma visibilidade ,tomassem uma postura um pouco mais responsável, por exemplo: atraves de campanhas educar (muitos) ciclistas (principalmente entregadores ) a não transitarem pela contramão, em vias estreitas como a Rua das Palmeiras ,ou mesmo, não passarem pela faixa de pedestres quando o farol está fechado para os veículos e …..
    De qualquer forma parabéns aos ciclistas que se engajam em causas ambientais e contribuem para a melhoria da qualidade do ar de nosso planeta

  3. Junior, prefiro mil vezes uma resposta irônica e criativa do que uma resposta agressiva, como a que tive vontade de dar quando minha amiga Márcia perdeu a vida na Paulista no ano passado. A culpa pelas mais de 700 mortes de pedestres e ciclistas é justamente devido a opção que a CET fez ao dar preferência a “fluidez motorizada” ante a segurança das pessoas. Veja a frase do nosso secretário de transporte num evento no Ministério Público terça passada.

    “Há medidas para ampliar a segurança, mas não implantamos pois prejudicam o trânsito”

    http://ecourbana.wordpress.com/2009/03/31/%E2%80%9Cha-medidas-para-ampliar-a-seguranca-mas-nao-implantamos-pois-prejudicam-o-transito/

    Sinto dizer que não é invenção de um blogueiro, eu estava lá e ouvi exatamente isso.

    Não quero defender os ciclistas, mas tem uma enorme diferença ao risco que um ciclista imprudente traz a sociedade comparado com um motorista imprudente.

    Eu procuro educar os ciclistas, mas meu raio de ação é limitado, já a CET e a prefeitura, que poderiam educar os motoristas para diminuir os números de guerra (1500 mortes por ano) que vivemos, fazem o oposto. Na revista Veja, o mesmo secretário disse que entre multar e ajudar na fluidez eles darão preferência a segunda opção, ou seja, enquanto a gente paga com cuecas, a prefeitura paga com vidas.

    Enquanto na Europa, 75% das vítimas em acidentes de trânsito são motoristas e passageiros, em São Paulo a proporção é de 18,5%.

    Só fico triste em ver que muitos motoristas não se revoltam com esses números e preferem que a prefeitura continue com essa política de priorizar a fluidez a custa de tantas vidas que se perdem fora dos carros.

    A mudança só virá quando a maioria dos motoristas perceberem que a vida fora do carro é mais importante que sua pressa. Quando pararem de pressionar a prefeitura para resolver os problemas dos seus deslocamentos aumentando ainda mais o número de vias e a velocidade delas.

    André Pasqualini

  4. André, temos consciência da importância da implantação de ciclovias e do uso da bicicleta ser parte do nosso dia-a-dia, tanto pela questão da saúde quanto da questão ambiental. Não defendo de forma alguma a postura das autoridades e também a de muitos motoristas, mas temos de convir que muitos ciclistas, assim como sobretudo grande parte dos MOTOCICLISTAS, se acham prioridade e arriscam suas próprias vidas de forma idiota. Eu transito frequentemente por duas vias que apresentam problemas sérios com acidentes de motociclistas: a Radial Leste e a Marginal Tietê; fico inconformado com o jeito que, para não dizer todos, 99% guiam suas motos disputando espaço com carros, ônibus e caminhões. Cansei de ver carros sinalizando com a seta a intenção de trocar de faixa e os motociclistas quase se matarem por não terem a capacidade de diminuir a velocidade para dar passagem. Acho que na auto-escola não ensinam que o botão da buzina não serve para freiar…
    Com o aumento de ciclistas, tenho vivenciado episódios semelhantes na Radial Leste, infelizmente…
    Aproveitando, não confundam nunca PROTESTO com VANDALISMO. Danificar a via pública com pinturas é vandalismo; não protesto…

  5. Concluindo, temos que brigar por nossos direitos de ciclovias e melhoras constantes, mas não arriscar nossas vidas à toa enquanto isto não vem…

  6. André, não gostaria de fazer desta seção um bate-papo pessoal, e de alguma forma perder o foco da discução proposta, que eu acredito ser de uma enorme utilidade.
    Sem querer ser leviano, me solidarizo a você na dor da perda de uma amiga, quero te dizer que não perdi amigos para o transito caótico de SP, mas perdi ídolos (todos nós).
    Agora buscando mais nosso tema, tenho observado que as pessoas no geral estão radicalizando muito e com isso perdendo oportunidades ótimas de iniciar trabalhos conjuntos.
    Não costumo julgar frases ou palavras fora de um contexto, mas abrindo uma exceção, acredito que o secretário de transporte, não queria o mal até mesmo a morte de qualquer pessoa , e acho que a maioria dos motoristas preferam se atrazar do que um pedestre ou ciclista seja acidentado (ainda credito nas pessoas).
    Como já disse anteriormente, você é uma pessoa que por competência própria, passou a ser ouvido. Não pense que seu raio de ação é pequeno, sem dúvida hoje ele é menor que a CET, mas o que te digo é: seu raio de ação hoje é maior que ontem e de acordo com sua competência certamente ele amanhã será maior que hoje (a CET que se cuide ).
    Digo isso porque ao que parece você ve os problemas e busca soluções, inclusive com problemas que talvez nem sejam seus.
    Outro dia aqui mesmo em um bolg da CBN li a seguinte frase:
    “Se você não faz parte das soluções, certamente fará parte dos problemas”.
    E e´isso que importa colocar na cabeça dos motoristas, ciclistas e pedestres.
    Temos que focar nas soluções . Deixar de apontar os grandes problemas e passar a contribuir mesmo com pequenas soluções.
    Veja André quando li o comentário sobre a pichação minha reação não foi positiva, devido a forma, agora depois de sua resposta mais verdadeira, sem nenhuma ironia, te digo que tenho vontade contribuir.
    Sendo assim uma sujestão para quem está nos lendo: acredito que um bom começo para educar motoristas e ciclistas sejam as escolas, onde pode-se atingir o alvo. Quem sabe alguma empresa ou revenda de carros, motos ou bicicletas, não está disposta a patrocinar ong`s com o objetivo de ministrar palestras com este fim.
    Mais uma informação, ando com meus filhos regularmente de bike no parque Villa Lobos e são momentos maravilhosos,
    nas ruas desistí a muito tempo, pois fiquei realmente com medo.
    Um abraço e sucesso.

  7. Uma Frase a se pençar!

    “Para os problemas dos outros eu tenho todas as soluções”

    Acredito que os problemas de SP sejam do tamanho de um quebra cabeça de 100.000 peças com soluções dificilimas, para qualquer governante, de qualquer partido.
    E dentro deste princípio ,acredito que todos sabem da importância de ciclovías, mas como buscar soluções pensando no todo da cidade e não particularizando as necessidades.

  8. Esse negócio de campanha de educação não funciona no Brasil porque a falta de educação esta no nosso sangue e nos não queremos ser civilizados. Veja bem o caso dos ciclistas que vivem dizendo que não são respeitados mas eles , também, não respeitam ninguem. Hoje mesmo quase fui atropelado por um ciclista que furou um sinal de transito e avançou sobre a faixa de pedestre, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Eles trafegam na contramão, andam sobre as calçadas, fazem todo o tipo de barbaridades, não tem o minimo de respeito com o pedestre e ainda posam de vítimas. Minha sincera opinião é que bicicletas deveriam ser proibidas no transito pois São Paulo ja não aguenta os motociclistas e agora ainda tem de sofrer na mão desse suicidadas mal educados que são os cilclistas.

  9. No meu último comentário, escrevi pensar com “ç”, que absurdo ,acredito que não pensei antes de escrever, mil desculpas.
    Quase imperdoável foi isto acontecer no blog de um GREMISTA CULTO. (acredito que acabo de cometer outro erro pois, gremista culto é redundancia ou pleonasmo vicioso)

  10. Era só o que faltava a CET multar ciclistas. Os próximos tem que ser pedestres que fazem manifestações na Paulista.

    Gente vão trabalhar cuidando do trânsito engarrafado, faróis quebrados, falta de faixas de segurança, estacionamento em local proibido, fila dupla, carros velhos e barulhentos, motoqueiros buzinando em túneis, caminhão poluindo e circulando em horário proibido enfim…

    Ficaria aqui até amanhã lembrando de obrigações que vocês tem e não tem competência para fazer direito.

  11. A discussão aqui esta muito boa, vamos a algumas questões.

    Pichar a rua não é crime, crime é pichar edificação ou monumento público, a rua não é nem um nem outro. Aliás, se pichar a rua fosse crime, metade dos brasileiros seriam presos em copa do mundo.

    Portanto não considero aquele grafite feito por ciclistas um ato de vandalismo, muito pelo contrário. Foi simplesmente uma forma de se manifestar. No mais em poucos meses aquela pintura vai sumir naturalmente, só com a chuva.

    O Fernando falou da questão das motos, moto não é bicicleta, moto é um sub produto do carro, a forma de pilotar uma moto não tem nada a ver com a bicicleta, é um veículo totalmente distinto. Um dos erros no planejamento viário da nossa cidade é que ela só considera o deslocamento dos carros.

    Uma cidade bem planejada, há estudos para o deslocamento seguro de carros, motos, ônibus, caminhões, bicicletas e pedestres, nesses estudos, para que não ocorram acidentes, há as segregações (ciclovias, ciclofaixas) ou o compartilhamento com a redução da velocidade das vias. Por isso não gosto da defesa da ciclovia e sim do planejamento e do estudo do deslocamento do ciclista.

    Em São Paulo só há estudos para carros. O resultado? Esses índices absurdos com mortes de pedestres e motoqueiros. Nem falo das bicicletas, pois muitos podem não concordar, mas na minha opinião, andar de bicicleta é mais seguro do que andar de carro. Fiz uma explicação nessa matéria em meu site.

    http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias59.asp

    Agora respondendo ao Luis Coelho. Eu acredito sim que educação funciona e tenho como provar. Basta perguntar a qualquer ciclista que ande a mais de 5 anos nessa cidade, tenho certeza que todos irão dizer que os motoristas de hoje respeitam muito mais os ciclistas do que a dois anos atrás. É graças a esse respeito que temos muito mais ciclistas nas ruas. Como isso se deu? Basicamente com educação, mas não especificamente por parte da Prefeitura, mas muito sim por parte da sociedade, dos ciclistas e da imprensa.

    Agora essa sua opinião é absurda. A rua não é dos carros, a rua é um espaço público e por lei, tem que ser compartilhada. Há países com uma taxa de motorização similar a nossa, a China por exemplo, onde por mais caótico que possa parecer, dificilmente há acidentes e todos se respeitam.

    Não gosto de carros, não tenho prazer em dirigir carros, não tenho e se depender de mim nunca mais terei um carro, mas não sou contra os motoristas. Todos tem o direito de fazer o que quiser com seu dinheiro e se deslocarem da maneira que acharem melhor. Mas nunca vou achar justo eu só ter acesso a via pública se tiver um carro.

    A lei me garante esse direito, além do bom senso. Se você com seu carro tem o direito de chegar aonde quiser, ou aonde a gasolina lhe permitir, porque não posso chegar aonde eu quero com a força das minhas pernas?

    Finalizando, sim, não me preocupo apenas com os ciclistas, me preocupo com todas as vidas perdidas, com todos que sofrem com os congestionamentos, me preocupo com cada uma das 10 pessoas que morrem diariamente por problemas respiratórios por causa da poluição veicular e farei tudo que puder para mudar essa situação. E pelo tanto que estudei, vejo que a única solução é priorizar a segurança das pessoas muito antes da fluidez dos carros.

    Infelizmente nosso secretário não pensa assim, e não me baseio apenas nas inúmeras frases que ele disse na palestra, mas também em outras matérias para outros canais e até mesmo no bate-papo que tivemos depois da apresentação. Mas não o culpo ela forma de pensar, isso porque pelo datachute, 90% dos motoristas pensam assim também. Parecem que a única preocupação que possuem é saber o quão cedo vão chegar em casa, mas poucos percebem o que a prefeitura faz para que isso aconteça.

    Poucos se importam com as milhares de pessoas que tentam atravessar uma ponte por uma alça de acesso na marginal, colocando sua vida em risco. Poucos ligam para um semáforo, em plena Paulista com a Augusta, ficar 2min12seg aberto para os carros e 12 segundos para os pedestres.

    Poucos reclamam da velocidade de 70 km/h da Paulista, uma via onde passam 90 mil carros por dia e 1 milhão de pessoas a pé.

    O problema é que eu me importo com tudo isso, eu e milhares de pessoas, por isso que fazemos essas ações para ver se mais pessoas abrem os olhos e percebam a barbárie que vivemos e como, inconscientemente contribuímos para ela continuar.

    Bem, desculpe pelo post longo, no link do meu nome tem o meu site e lá tem meu email, se alguém quiser ampliar esse debate, estou a disposição.

    Abraços a todos.

    André Pasqualini

  12. André já que pichar não é crime então vamos multipicar por 10 mil , 50 mil, 1 milhão de vezes este grafite e coloca-lo em todas as ruas de SP quem sabe do Brasil mas em forma de adesivo, nos vidros e traseiras dos carros com a seguinte frase:
    ” Eu preferia estar numa bike, prefeito cade minha ciclovia?”
    Acho que isto talvez até aumentaria o respeito dos motoristas pelos ciclistas, não é verdade? Acho que temos outra frase ai!
    “Eu respeito o ciclista”.
    Eu colocaria um adesivo deste no meu carro, e acredito que o Fernando o Luis o Daniel e o Claudio também.
    Um abraço a todos.

  13. Mais uma sugestão de adesivo:
    “Sou um ciclista responsável, uso capacete, não quero aumentar as estatísticas”.
    Uma pergunta, nas estatisticas de morte de ciclistas quantos estavam usando equipamentos de segurança, ou mesmo desrespeitando as leis de trânsito, para mim, se divulgada, esta talvez seja uma informação muito útil para diminuir os acidentes fatais.

  14. Junior e Fernando Maciel, a respeito de ciclovias, dêem uma olhada no Manifesto dos invisíveis, onde os ciclistas explicam porque elas não são a solução para o uso da bicicleta na cidade: http://tinyurl.com/cfk6uv

    André, sobre a frase “enquanto a gente paga com cuecas, a prefeitura paga com vidas”: clap, clap, clap. Sem mais.

    E a todos (exceto talvez ao Luis Coelho), parabéns pelo nível do debate e pelas opiniões maduras, mesmo que eu não concorde 100% com algumas delas. 🙂

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