Pedalando para o trabalho

 

Todos os dias de capacete embaixo do braço, mochila nas costas e banho tomado, Leonardo Stamillo, gerente de jornalismo, chega a redação da rádio CBN. Ele parece estar ligado no 220 – como dizem por aí -, com um ar bem diferente daquele que muitos de nós imaginamos que estaríamos depois de pedalar de casa ao trabalho. Leonardo é casado, pai de de um menino e uma menina e usa a bicicleta com responsabilidade, como você pode conferir no vídeo do qual é protagonista. Sua bicicleta fica estacionada ao lado dos carros dos demais funcionários da casa – inclusive o meu – e antes de subir para começar o trabalho toma uma ducha, privilégio que nem todas as empresas oferecem aos seus empregados. É um exemplo de que é possível rever a mobilidade urbana também na maior cidade do Brasil.

Como Copenhagen foi tomada pelas bicicletas

 

Começam a aparecer os primeiros resultados da viagem da jornalista Natália Garcia pelo projeto Cidade Para Pessoas, assunto que já foi tratado aqui neste blog. Em Copenhagen, capital da Dinamarca, ela conversou com planejadores urbanos e representantes da prefeitura para mostrar a relação da bicicleta com a cidade. Uma das curiosidades mostradas neste trecho do trabalho à disposição no You Tube é o fato de por cerca de três décadas, as bicicletas haviam desaparecido do cenário dinamarquês, apesar de este meio de transporte ter sido tão popular no passado. Foi necessária a reação dos cidadãos e a pressão sobre o poder público para chegar ao estágio atual, no qual 55% das viagens dentro da cidade são feitas de bicicleta.

Fragmentada, São Paulo terá rota de bicicletas

 

Bicicleta na Paulista

Antônio Bertolucci não tinha cargo nem idade para ser ciclista em São Paulo. No imaginário da cidade, são os jovens e os operários que pedalam; são pessoas com o senso de responsabilidade não muito apurado; uma turma que parece não ter gosto pela vida, pois se mete a andar em lugar destinado a carros e caminhões.

Sendo presidente do Conselho de Administração do Grupo Lorenzetti e estando com 68 anos de vida, o lugar de Bertolucci teria de ser dentro de um carro com vidros escuros, blindado e conduzido por motorista particular. É o senso comum.

E por pensar assim é que a cidade se desenvolve fragmentada. Cada pessoa no seu lugar, sem compartilhar conhecimento nem espaço, cercada por seus conceitos e vítimas do preconceito. Estamos todos condenados a não pensar “fora da caixa”.

A batalha do trânsito reflete esse nosso comportamento e o atropelamento e morte de Bertolucci, na manhã de segunda-feira, dia 13/06, expôs mais uma vez estas diferenças. Cada um se juntou a seu grupo e defendeu sua tese, sem direito a réplica ou reparações.

Jornalista e tendo coberto o tema no Jornal da CBN, que apresento todas as manhãs, recebi uma série de mensagens de cidadãos comentando o caso. Houve quem dissesse que a morte ocorreu porque a cidade não tem estrutura para bicicleta; quem criticasse o atrevimento das pessoas que se arriscam a pedalar; quem tivesse culpado o motorista de ônibus sem sequer entender o caso; quem reclamasse da mídia por destacar o fato apenas quando a vítima é importante.

Leia o texto completo no Blog Adote São Paulo, da Época São Paulo

Os caminhos de Buenos Aires

 

Ciclofaixa em Buenos Aires

Por Milton Ferretti Jung

Minha mulher e eu estivemos, desde domingo, dia 3 de abril, visitando Buenos Aires, para onde temos ido quase todos anos. Graças ao fato de estarmos no vigésimo-sétimo andar do hotel em que nos hospedamos, com vista, a partir da Avenida Corrientes, para boa parte da cidade, constatei que, apesar das queixas dos portenhos, lá o trânsito apenas tende a ficar congestionado quando piqueteiros de todos os credos realizam suas manifestações.

Aliás, a Presidenta da República Cristina Fernandez de Kirchner costuma incentivar algumas dessas manifestações. Faço um parênteses a fim de esclarecer que, para os argentinos, há presidentes e presidentas, enquanto para nós,brasileiros, o certo é chamar o primeiro mandatário da nação de presidente, seja qual for o seu sexo. Lembro que Isabelita Perón foi a primeira presidenta deles. Então, neste particular, se nos fixarmos somente em números.os “hermanos” estão a nossa frente.

Volto ao meu assunto: trânsito. É claro, em horários de pico, o fluxo de veículos se torna mais denso, o que é absolutamente normal. O desenho de Buenos Aires é muito melhor que o de São Paulo, uma das razões para que os problemas sejam menores que os vividos pelos paulistanos.

Nas outras visitas que fiz a Buenos Aires não notei que as autoridades se preocupassem (posso estar iludido) com a criação de “bicisendas”, o equivalente as nossas ciclovias. Agora, entretanto, fiquei surpreendido com a existência de “bicisenda” numa das transversais da Corrientes, a Suipacha. Plantaram na rua árvores que estão ainda em fase de crescimento. Esta via é estreita. Há ônibus que descem pela Esmeralda e subiam pela Suipacha. Estes são obrigados, agora, a fazer uma volta bem maior para que cheguem ao seu destino.

Outro problema que constatei é que os ciclistas, em sua maioria, aproveitam a ciclovia para rodar em alta velocidade quando descem a rua, sem respeitar os pedestres que correm risco de atropelamento se, por distração, tentam atravessar a via de costas para as bicicletas. Entre as duas ciclovias – a que sobe e a que desce – há uma faixa exclusiva para pedestres: uma “peatonal”.

Seja lá como for, creio que a intenção dos idealizadores da inovação foi das melhores. Seria interessante, todavia, que procurassem encontrar jeito de corrigir os problemas por mim citados.

Antes de encerrar o texto, sugiro a quem puder, que faça uma visita a Buenos Aires A diferença entre o valor do cruzeiro e do peso, favorável a “nosotros, permitem que os brasileiros façam o mesmo que os argentinos, décadas atrás: “dame dos” – diziam ao comprar em nossas lojas ou ao visitar nossos restaurantes.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Até com o Citroën do meu pai

 

Por Milton Ferretti Jung

Estamos longe, em Porto Alegre, de assemelharmo-nos a São Paulo em matéria de trânsito. Mesmo assim, acredito que um de nossos conterrâneos poderia entrar no Guiness Book na condição de maior atropelador de ciclistas do mundo. No momento, ele está sendo castigado. Foi recolhido a um presídio, depois de passar algum tempo hospitalizado, com a desculpa de ter problemas mentais. Na semana passada, outro sujeito atropelou dois ciclistas. Esse nem sequer possuía carteira de habilitação. Foi identificado ,mas está (ou estava) foragido.

Não se imagina, porém, que todos os motoristas alimentem animosidade em relação a quem pedala por essas ruas da capital gaúcha, sem as sempre reclamadas ciclovias, embora muito prometidas. Seja lá como for, uma coisa é certa: bikes (apelido das bicicleta que é um modismo dos tantos que já andei criticando), não criam congestionamentos, pelo menos, nas cidades de nosso país.

Quando abordo assuntos que envolvem trânsito, sinto muita saudade dos tempos em que na minha cidade, nos domingos, bem cedo, especialmente (e até nos outros dias da semana), dirigia-se por e para qualquer bairro sem encontrar carros em profusão, situação bem diferente da experimentada hoje.

Lembro-me de que meu pai era proprietário de um Citroën 1947 ,importado da França. Esses automóveis (há pouquíssimos, agora, em mãos de colecionadores de carros antigos) tinham uma peculiaridade em relação à pintura com a qual desembarcavam por aqui (ao menos em Porto Alegre): vinham com apenas duas demãos de tinta, a básica e a outra de um preto fosco, e o revendedor possuía a que seria usada gratuitamentre, no acabamento. Isso nunca aconteceu. Afinal, na época, não se falava em “recall”.

Meu pai me emprestava o carrinho para que, nas manhãs dominicais, fosse com ele à igreja. Seria só para isso. Não era o que eu fazia. Saía a passear pela cidade e retornava no fim da missa. Apenas mentiras de políticos conseguem possuir pernas grandes. As nossas, simples mortais que somos, todos afirmam que são curtas. No meu caso, tratou-se de pura verdade.

Em um certo domingo, para emprestar veracidade à minha mentira, no fim da missa, passei pela igreja e dei carona para uma vizinha. Não pensem mal de mim, não. A vizinha era casada, mãe de meus amigos. Minha paróquia ficava – e ainda fica – no alto de uma colina. Foi nas festas que o pároco realizava visando a angariar dinheiro para completar o templo, que comecei a bancar o locutor. Depois deste parênteses, volto ao episódio dominical. Costumava descer a lomba da então igrejinha, em ponto-morto. Mas havia um cruzamento. Não percebi que um táxi (era um Mercury imenso), por ser grandão, nem ligou se estava ou não na via preferencial e bateu no pára-lama traseiro do Citroën. Não deu nem para discutir quem tinha razão. Até poderia ser eu, mas ainda não possuía carta de habilitação.

Ao parar com o carro na entrada da garagem lá de casa, meu pai, preocupado com minha demora, esperava-me na porta. Contei-lhe o acontecido… e passei um monte de tempo sem licença paterna para dirigir. Sem dúvida, não é necessário enfrentar o tráfego intenso dos nossos dias para a gente se meter num acidente de trânsito.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Jornalista vai caçar boas idéias para sua cidade

 

Cidades para Pessoas from Natália Garcia on Vimeo.

Viajar por 12 cidades à caça de boas ideias de planejamento urbano e contribuir para que São Paulo e outros municípios brasileiros se desenvolvam oferecendo qualidade de vida aos seus moradores. É a pretensão da jornalista Natália Garcia com o projeto Cidade para Pessoas, inspirado no trabalho do planejador urbano Jan Gehl, dinamarquês que há 50 anos redesenha cidades e bairros como em Melbourbe e Perth (Austrália), Estocolmo (Suécia), Lyon (França) e Copenhaguen (Dinamarca), onde tudo começou. Foi lá que ele convenceu os moradores e autoridades de que o espaço público não pode ser privilégio de automóveis.

A etapa mais complicada da viagem talvez seja aquela que Natália está encarando agora, antes mesmo de botar o pé na estrada ou no pedal – já que pretende andar de bicicleta e a pé pelos roteiros escolhidos. O projeto que vai durar um ano custará R$ 25 mil e o dinheiro está sendo arrecado pelo sistema de crowdfunding – uma ação colaborativa em que todo o cidadão pode contribuir com pequenas quantias, através da internet. Até aqui, Natália conseguiu arrecadar pouco mais de R$ 11 mil e tem mais sete dias para chegar ao total necessário.

Cada um das cidades visitadas por Natália (conheça a lista aqui) será traduzida em quatro grandes reportagens, vídeos e posts publicados no blog Cidade para Pessoas. Todo o material coletado será licenciado em Creative Commons by-sharealike com restrições comerciais – ou seja poderão ser reproduzidos e citados em redes, blogs e material de prestação de serviço, e usados por universidades e pelo poder público desde que não haja exploração comercial.

O projeto é apenas uma etapa para chegar ao que Natália realmente sonha que é colaborar para a construção de uma cidade para as pessoas:

Eu sei o que você vai dizer: não somos a Europa. E foi essa a reação que os jornais dinamarqueses tiveram quando o Jan Gehl quis transformar uma importante avenida de carros em um calçadão para pedestres. “Não somos italianos”, dizia o jornal, “nosso clima escandinavo não convida à vida nas ruas”. Segundo as publicações, ninguém toparia andar de bicicleta em Copenhagen e tirar os carros daquela avenida faria as casas de comércio falir. Elas não só não faliram como lucraram o dobro. E hoje Copenhagem é a cidade com o maior número de usuários de bicicletas no mundo.
Dá para fazer o mesmo por São Paulo. Mas vai ser preciso colocar as pessoas à frente dos carros (trecho do Blog Cidade para Pessoas).

A colaboração para o projeto pode ser a partir de R$ 20 e deve ser feita através do site Catarse, especializado neste sistema de arrecadação.

Minha bicicleta Centrum era mais bonita e segura

Por Milton Ferretti Jung

Os pais, que têm condições financeiras, mais cedo ou mais tarde acabam dando uma bicicleta ao seu filho. Custei, mas também ganhei minha “magrela”. Ao contrário do que ocorreu com minha irmã, cujo comportamento era considerado melhor que o meu, mesmo sendo mais moça, foi a primeira a ser agraciada com uma Monark. Obrigava-me a pedir a dela emprestada enquanto aguardava o almejado presente paterno. Recebi-o, não, porém, no Natal, época apropriada para tal tipo de mimo. Foi quando passei, em segunda época, num exame de matemática,o que não chegou a ser surpreendente na minha vida de estudante. Surpreendente, isso sim, foi a qualidade da bicicleta. Tratava-se de uma Centrum,de fabricação sueca, raríssima naquele tempo, com pneus tipo balão, tamanho 28, guarda-lamas e aros de alumínio, uma jóia. Até hoje ela está com meu filho Christian e ainda roda, se ele quiser usá-la.

Por falar em naquele tempo, lembro-me que realizei com ela vários e longos passeios. Ir de bicicleta ao centro da cidade de Porto Alegre, que para quem ainda não sabe, é de onde posto meus textos, não representava perigo. Bastava a gente tomar, é claro, alguns cuidados. O espelho retrovisor, que não vinha com a bicicleta, talvez porque os suecos já então respeitavam este tipo de transporte, era indispensável. Os veículos motorizados estavam longe de ser ameaça para quem pilotava a prima pobre movida por pedais e que não poluía o meio ambiente.

Agora tudo mudou. O trânsito é pesado e a bicicleta é a menos respeitada das conduções sobre duas, quatro ou inúmeras rodas, como a do caminhão que provocou a morte de vinte e sete pessoas. Na época a que me refiro ninguém imaginaria que Porto Alegre desse mote para uma notícia que seria veiculadas no mundo inteiro. O leitor que ligou o meu assunto desta quinta-feira – bicicleta – já deve ter imaginado que lembrei o passado para chegar ao episódio ocorrido no dia 25 de fevereiro, no qual o motorista de um Golf atropelou pelas costas um grupo de ciclistas que participava de protesto contra a carência de ciclovias na capital gaúcha. A reivindicação é justíssima. A cidade se ressente da ausência de faixas pelas quais ciclistas possam se deslocar com segurança. Sei que em São Paulo as ciclovias também não preenchem as necessidades da cidade.

Fiquei, outro dia, apavorado quando descobri que o responsável por este blog – meu filho, por sinal – iria se deslocar, de bicicleta, de casa até a CBN, ida e volta. Felizmente, afora o cansaço natural, passou ileso pela rota que escolheu. Mas retorno ao acidente, que acredito ser inédito na batalha entre quem pedala bicicletas e dirige veículos motorizados. Sabe-se que os que protestavam não possuíam licença para obstruir o trânsito. A reação do motorista, todo o modo, foi completamente desproporcional. Se em algum momento ele teve razão, perdeu-a ao investir sobre os ciclistas. Os nossos colégios deveriam preocupar-se mais com a educação no trânsito. Esta é mais importante, porque custa vidas, que outras matérias que recebem mais cuidados dos educadores.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Contra promessas, Mapa de Rotas é saída para bicicleta

 

Bicicleta na pista

Foi com satisfação que comecei a ler a entrevista do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Miguel Bucalem, na Época São Paulo, edição de março, que está nas bancas. A manchete era convidativa: “Os carros serão usados apenas como opção de lazer”. Era do tipo pingue-pongue, pergunta e resposta, e logo soube que estão nos planos da prefeitura a entrega de 100 quilômetros de ciclovias até 2012, melhoria da circulação dos pedestres e novos corredores de ônibus, além de um planejamento voltado para 2020.

Quatro páginas e 18 perguntas depois caí na real. Ao ser perguntado sobre o que realmente seria entregue até o fim deste ano, Bucalem tascou: “O Complexo Padre Adelino – três viadutos com intersecções que levarão os motoristas provenientes de ambos os sentidos da Radial Leste a acessar a Avenida Salim Farah Maluf”. Motoristas de carro, é lógico.

E as ciclovias? Nem alguns metros dos quilômetros sugeridos? Quem sabe uma faixa exclusiva para os ônibus? Ou ruas privilegiando o pedestre?

Nada disso será contemplado em 2011. Mas, calma, tudo faz parte dos planos para a cidade.

Foi aí que lembrei de um experiente e pragmático editor de política da TV Cultura, Rui Rebelo, cansado de ouvir políticos prometendo maravilhas para dali quatro, cinco, dez anos: “jogue para o futuro e você nunca vai errar”, dizia ele, apostando no esquecimento do cidadão e da mídia para as promessas de médio e longo prazos.

A cidade dos nossos sonhos com ambiente urbano organizado, mobilidade garantida e carros como opção de lazer – assim dito pelo secretário à Época SP – estão na promessa deste e dos governos anteriores. Enquanto isso, confinamos os ciclistas a uma faixa que grita em tinta vermelha no asfalto que só deve ser usada domingo das 7h às 14h.

Leia este post completo no Blog Adote São Paulo, na Época São Paulo

Bicicletas fantasmas em protesto por ciclofaixas

 

Dica do mano que além de escrever o Blog MacFuca, ainda fica de olho no noticiário de modelos de transporte que valem a pena: ciclistas de Pelotas, no Rio Grande do Sul, acorrentaram oito bicicletas brancas em um poste, em frente ao Altar da Pátria, na avenida Bento Gonçalves. A intervenção é para alertar autoridades e cidadãos da necessidade da criação de ciclofaixas na cidade.

A ação que se repetiu em Joiville integra a campanha “Cada Asfalto uma Ciclofaixa”

Moda, estilo e bicicleta

 

Por Dora Estevam
 
A onda de andar de bicicleta com roupas “normais” toma conta das grandes capitais e tem chamado muito a atenção dos fotógrafos. Desde que o Blog Copenhagen Cycle Chic foi criado, há quatro anos, o movimento de pessoas que andam de bike com roupas de trabalho aumentou muito. A ideia do blog é fazer com que a bicicleta se transforme em meio de transporte social. E logo os adeptos começaram a aliar moda, estilo e bicicleta.


  
Interessante porque, normalmente, quando pensamos em sair para dar umas pedaladas pensamos em colocar shorts, tênis e camiseta. Para quem pedala longe todos os apetrechos necessários à segurança – indispensáveis. Sem contar que geralmente a inspiração para o passeio vem nos fins de semana e ainda depende do sol.
 
A proposta do Cycle Chic é que os ciclistas pedalem todos os dias, para a escola, o lazer e o trabalho. E a ordem é quanto mais fashion e estiloso, melhor.

E não é que ficam charmosos, mesmo !


 
Eu já gostei muito de andar de bike. Confesso que tenho em casa, mas ultimamente ela tem ficado mais na garagem do que na rua. Ensinei o meu filho a pedalar e ele tomou gosto, também. Só tem um probleminha: o perigo que corremos em pedalar mesmo nos arredores do bairro.  Infelizmente, existem alguns motoristas que circulam de carro como se estivessem em pista de corrida. Sem respeitar o ser humano.
 
Outro dia presenciei um rapaz acompanhado do filho, cada um em uma bicicleta, eles estavam atravessando de uma calçada para outra quando veio um carro na curva e quase pega os dois. Estava logo atrás e fiquei horrorizada com tamanha violência.
 

Realmente, pensar em pedalar para ir ao trabalho, andar de um bairro ao outro aqui no Brasil ainda é coisa de gente corajosa. Sem contar as calçadas quebradas, as ruas com aquele meio fio estourado devido ao peso dos ônibus e caminhões, e os buracos cheios de água suja.
 
Eu fico pensando, como é que a pessoa consegue circular em uma avenida como a Rebouças, em SP. É loucura. O ideal mesmo é andar em local seguro.

Por isso, – caro leitor, cara leitora – se você gosta de bicicleta, lute pelos seus direitos, faça o poder público construir ciclovias, faixas apropriadas, campanha de respeito ao ciclista e transforme a cidade em um lugar amigo da bicicleta. Afinal, é a sua vida que está em jogo. E liberdade de escolha, também.


  
É muito bom saber que o movimento para desmistificar a bicicleta aumentou e continua fazendo sucesso pelo mundo afora. Aos poucos, ela deixa de ser um brinquedinho e passa a fazer parte integrante da cidade como já acontece em Copenhagen.

Se você quer saber mais sobre este movimento, se você tem um grupinho de amigos e amigas que têm interesse neste assunto, consulte o Copenhagem Cycle Chic (de onde saíram as fotos deste post) e conheça versões de outras cidades como Barcelona, Valência e Dublin, as dicas que eles postam por lá são incríveis.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung
 

NB: Conheça também o Blog Gata de Rodas e Hoje Vou Assim de Bike