Os caminhos de Buenos Aires

 

Ciclofaixa em Buenos Aires

Por Milton Ferretti Jung

Minha mulher e eu estivemos, desde domingo, dia 3 de abril, visitando Buenos Aires, para onde temos ido quase todos anos. Graças ao fato de estarmos no vigésimo-sétimo andar do hotel em que nos hospedamos, com vista, a partir da Avenida Corrientes, para boa parte da cidade, constatei que, apesar das queixas dos portenhos, lá o trânsito apenas tende a ficar congestionado quando piqueteiros de todos os credos realizam suas manifestações.

Aliás, a Presidenta da República Cristina Fernandez de Kirchner costuma incentivar algumas dessas manifestações. Faço um parênteses a fim de esclarecer que, para os argentinos, há presidentes e presidentas, enquanto para nós,brasileiros, o certo é chamar o primeiro mandatário da nação de presidente, seja qual for o seu sexo. Lembro que Isabelita Perón foi a primeira presidenta deles. Então, neste particular, se nos fixarmos somente em números.os “hermanos” estão a nossa frente.

Volto ao meu assunto: trânsito. É claro, em horários de pico, o fluxo de veículos se torna mais denso, o que é absolutamente normal. O desenho de Buenos Aires é muito melhor que o de São Paulo, uma das razões para que os problemas sejam menores que os vividos pelos paulistanos.

Nas outras visitas que fiz a Buenos Aires não notei que as autoridades se preocupassem (posso estar iludido) com a criação de “bicisendas”, o equivalente as nossas ciclovias. Agora, entretanto, fiquei surpreendido com a existência de “bicisenda” numa das transversais da Corrientes, a Suipacha. Plantaram na rua árvores que estão ainda em fase de crescimento. Esta via é estreita. Há ônibus que descem pela Esmeralda e subiam pela Suipacha. Estes são obrigados, agora, a fazer uma volta bem maior para que cheguem ao seu destino.

Outro problema que constatei é que os ciclistas, em sua maioria, aproveitam a ciclovia para rodar em alta velocidade quando descem a rua, sem respeitar os pedestres que correm risco de atropelamento se, por distração, tentam atravessar a via de costas para as bicicletas. Entre as duas ciclovias – a que sobe e a que desce – há uma faixa exclusiva para pedestres: uma “peatonal”.

Seja lá como for, creio que a intenção dos idealizadores da inovação foi das melhores. Seria interessante, todavia, que procurassem encontrar jeito de corrigir os problemas por mim citados.

Antes de encerrar o texto, sugiro a quem puder, que faça uma visita a Buenos Aires A diferença entre o valor do cruzeiro e do peso, favorável a “nosotros, permitem que os brasileiros façam o mesmo que os argentinos, décadas atrás: “dame dos” – diziam ao comprar em nossas lojas ou ao visitar nossos restaurantes.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

2 comentários sobre “Os caminhos de Buenos Aires

  1. Gostaria que o seus comentários já fossem no sentido de corrigir a ciclovia (permanente) que nós aqui em São Paulo ainda nem temos.
    Mesmo com os problemas que você observou, corrigi-la aqui seria uma maravilha no nosso transito caótico.
    Ta ai Milton, comentá-la já seria até mesmo mais um bom motivo para uma vista sua.
    Vamos trabalhar bastante para que no quesito, bicicletas ‘los hermanos’ não ficarem tanto tempo na nossa frente como estiveram no da presidência.
    Abraço

  2. Prezado Milton Ferretti Jung,

    em relação a vossa viagem a Buenos Aires, como signo símbolo, ele nos faz compreender e analisar as convenções da sociedade em que vive, na qual todos os seus atos e suas formas de expressão refletem as peculiaridades do seu espaço e tempo. Sua língua e os instrumentos utilizados para convencioná-la, as palavras, tornam-se elementos caracterizantes da realidade no qual está inserido; a maneira de se vestir; o seu comportamento e a própria forma de se portar perante o mundo são símbolos de sua personalidade. Segundo Brosso e Valente (1999, p.184), “símbolo é o signo que se refere ao objeto em virtude de uma convenção, lei ou associação geral de idéias/terceiridade/nível pragmático/ lei ou pensamento”, e nesse contexto o ser humano seria o sujeito e objeto dessa convenção, ele a cria ao mesmo tempo em que a vivência.

    Prezado Milton Ferretti Jung,

    O signo (…) transforma, transfigura e até certo ponto e numa certa medida, deforma aquilo que reflete.

    Abraços de quem o admira,

    Nelson Valente

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