“Por que punir Moema com ciclovia ?”

 

bicicleta rua

A pergunta que abre este post foi feita pela presidente da associação dos moradores de Moema, Lygia Horta, ao fim do debate sobre o projeto de criação de ciclovias no bairro da zona sul de São Paulo, promovido pelo CBN SP. Do outro lado, estava André Pasqualini, do Instituto CicloBR, autor da proposta que ganha forma na Companhia de Engenharia de Tráfego.

O diálogo entre um cicloativista e uma tradicional moradora de Moema expôs com clareza e sem dissimulação pontos de vista antagônicos e representativos. Confesso que fiquei chocado com algumas afirmações (e perguntas) que foram feitas, e ao mesmo tempo satisfeito. Em meio a um debate eleitoral no qual candidatos escondem suas verdadeiras razões e se expõem apenas após o crivo dos homens do marketing, a sinceridade dos entrevistados é bem-vinda.


Ouça o debate entre André Pasqualini (ClicloBR) e Lygia Horta (Associação dos Moradores e Amigos de Moema), no CBN SP

Ouça a notícia sobre o projeto que cria ciclofaixas em Moema

Discordo da ideia de que a criação de ciclofaixas assim como a formação de pistas segregadas para transporte público possam prejudicar a qualidade de vida de uma região – desde que feitas dentro de parâmetros razoáveis, em especial quando me refiro aos corredores de ônibus. Mas a cidade é plural e abriga visões completamente diferentes, por isso viabilizar a convivência dos contrários é um desafio para a autoridade pública. E para a própria sociedade.

Tem-se de pesar os interesses em jogo, os privilégios propostos e os conceitos que movem cada grupo social deste enorme condomínio em que vivemos. E decidir em favor da cidade.

Moema vem sofrendo transformações desde a criação da ciclofaixa de lazer que liga alguns parques, no domingo pela manhã. No fim de semana, aumentou a circulação de bicicletas internamente. Não apenas de pessoas que “vêm de fora”, mas de moradores da região que passaram a experimentar este modelo de transporte. Não por acaso é alvo desta iniciativa em estudo pela prefeitura.

Respeitando as opiniões contrárias e sempre disposto a abrir espaço para o debate público, sou a favor de que a cidade seja riscada de ciclofaixas em todos os cantos e bairros. Moema inclusive.

No Dia Sem Carro, jornalista e ciclista

 

Sou jornalista há 26 anos, blogueiro há quatro e ciclista há uma semana. Tudo bem que pedalo desde guri em Porto Alegre, mas nunca muito além do meu quarteirão, limite que mantive em São Paulo. Havia feito passeios de bicicleta na Cidade do Cabo, durante a Copa do Mundo da África, mas foi semana passada que arrisquei o primeiro desafio. O segundo foi neste Dia Mundial Sem Carro e foi o mais difícil pois, além de distante, fiz o percurso na ida e na volta – interminável volta que se encerrou diante de casa quando completei 39km em um só dia – com interrupções, lógico.

Escrevo ainda sob o efeito da pedalada. No corpo, nas pernas em especial, e na cabeça, também. Haja fôlego e preparo físico para percorrer ruas e avenidas que separam minha casa, na zona sul, da rádio, próximo ao centro. Mesmo que algumas destas vias tenham ares bastante agradáveis, em especial no Butantã e nos Jardins, atravessar a cidade é tarefa hercúlea – para usar expressão dos tempos de meu pai – para um neófito como eu.

Dia Mundial sem Carro - Floriano Pesaro e Milton Jung

Meu guia de pedal, Mig, foi excepcional para a ida. A volta tive de fazer na cara, na coragem e no resto de fôlego que tinha.

Pelo plano de viagem do Mig, fugimos das vias mais movimentadas o quanto foi possível. Em vez de Francisco Morato ou a inclinada Giovanni Gronchi, começamos na avenida Pirajuçara e Eliseu de Almeida. Pista larga em boa parte do percurso, apesar da obra que segue no canteiro central, mas com caminhões e ônibus. E uma pista simbólica para entender as prioridades de uma prefeitura que adora fazer mizancene no Dia Mundial Sem Carro.

Ali deveria ter sido construída uma ciclovia. Promessa de prefeito em 2007 com projeto desenhado e tudo mais. Por enquanto, só tem lama. E a CET envia nota dizendo que o plano da prefeitura está sendo readequado, sem prazo para terminar o tal estudo, menos ainda iniciar a tal obra. Será que erraram na primeira vez ? Os 750 ciclistas que usam a vida diariamente vão esperar sentados no selim.

Passar por dois quarteirões da Vital Brasil nos obrigou a andar entre os carros. Calma lá ! Estavam todos parados, assim como os ônibus. E logo que algum deu sinal de se movimentar, já havíamos vencido esta etapa.

Cruzar a ponte Euzébio Matoso foi tenso. Aliás, cruzar as pontes é sempre tenso quando se está de bicicleta. Mas deu pra vencer o percurso e logo fugir para o início da Rebouças, na esquina com a Marginal Pinheiros. Dali pra frente, uma sequência de belas alamedas, árvores na calçada, praças e “ouve o passarinho cantando”, chamou-me atenção meu tranquilo colega de pedal.

Difícil foi encarar a Bela Cintra e seus quarteirões finais, íngremes, intermináveis para meu (des)preparo, logo ali para quem já pedala há algum tempo. Mas superá-lo, mesmo que empurrando a bicicleta em uma das quadras, tinha duas motivações: encontrar a turma toda na Praça das Bicicletas, na avenida Paulista com Consolação, e depois descer o resto do percurso até a rádio.

Dia Mundial Sem Carro - praça do Ciclista

Entre um gole de suco, frutas e barrinhas de cereal conversei com muita gente que havia estacionado na praça. A primeira reivindicação veio do Carvalho, funcionário de banco, que pedala todos os dias, mas sente falta de um banheiro com chuveiro na agência. Dificuldade enfrentada pela maioria dos ciclistas-trabalhadores. Felizmente, a CBN pode ser incluída na lista das empresas amigas da bicicleta. O banho foi o prêmio que recebi logo que cheguei por lá.

Houve quem reclamasse da falta de respeito com o ciclista. Devo ter tido sorte de iniciante. Pois nos 14km do Desafio e nos 39km do Dia Sem Carro o grau de risco foi muito baixo, o confronto com os carros e ônibus não foi evidente, e notei motoristas segurando no freio para permitir a passagem da minha bicicleta. Ouvi uma só buzinada na volta pra casa de alguém que parecia gritar para mim: teu lugar é na calçada ! Não é, mesmo.

É preciso, aqui, deixar esta questão bem explicada: evidentemente que quanto mais você pedala, maior é o risco. E quanto mais você pedala de maneira arriscada, o perigo é eminente. Mesmo que a rua seja espaço público e, portanto, a bicicleta teria de estar incluída nela, não adianta partir para o enfrentamento, o ciclista é o elo mais fraco nesta corrente, só superado pelo pedestre.

Por falar em calçada, dado o caminho privilegiado que fiz, fiquei satisfeito em ver que boa parte delas tinha guia rebaixada, sinal positivo para a civilidade que deve prevalecer no ambiente urbano.

Mig foi meu guia no Dia Mundial Sem Carro

Após 1h10 de pedalada, com mais meia hora de conversa na Praça do Ciclista, chegamos a CBN. Suado, sim, mas extremamente acelerado para trabalhar, ainda mais com o banho antes de entrar no ar. Havia entre os colegas da redação um espécie de espanto pela minha tarefa, principalmente ao ouvirem a promessa de que retornaria para casa no pedal. O Leonardo Stamillo, nem tanto. Ele é ciclista de verdade e hoje também estacionou a bicicleta no estacionamento da rádio.

Quem sabe seja possível incentivar outros companheiros de trabalho a usarem a bicicleta. E, em breve, tenhamos um número razoável de jornalistas ciclistas. Sugiro apenas que nas primeiras tentativas, façam percursos menores do que o meu. E se forem, respirem bem, antes de voltar.

Meu retorno foi bem mais demorado e sem a orientação do Mig. Mesmo por caminhos mais amenos, a perna estava muita pesada e, às vezes, tinha dificuldade para encontrar ar para os pulmões (sem contar que muitas vezes quando o encontrava vinha sujo pela descarga dos carros ou pelo pó das obras). Parei em vários pontos, bebi muita água, sentei na calçada, respirei até o batimento cardíaco baixar os 200 bpm.

Fui mais inseguro no caminho, mas aproveitei o embalo das pedaladas o quanto pude. Tive que cruzar a ponte Cidade Jardim e não foi muito fácil, não. Peguei avenidas mais longas e alcancei novamente a Elizeu que me pareceu bem mais extensa do que pela manhã, mas cheguei a meu destino.

Estou muito cansado, claro, mas bastante satisfeito com o resultado e a expectativa de incluir a bicicleta no meu cotidiano. Ainda não para as distâncias que percorri nestes dias, mas para trechos que estejam ao meu alcance e que vão bem além do quarteirão do tempo de criança.

Logo após o banho em casa, me preparo para esticar as pernas e descansar. Ledo engano, o rapaz do Censo bateu na porta. Profissão: jornalista e ciclista, brinquei com todo meu atrevimento.

NB: Na primeira foto, meu bate-papo com o vereador Floriano Pesaro (PSDB); na segunda, a mesa que nos esperava na Praça do Ciclista; na terceira, na frente da CBN e ao lado do meu guia, Mig

Estou de saída e hoje vou pedalando !

Vou tentar mais uma vez. Depois de completar o percurso de 14 quilômetros do Desafio Intermodal, vou encarar 18 pedalando no Dia Mundial Sem Carro. Na primeira vez não havia compromisso com o tempo, apenas com a causa. Desta vez, tenho de estar atento aos dois.

Para quem está acostumado com a bicicleta como meio de transporte, tarefa simples. Para mim, sempre um desafio.

Saio logo cedo de casa, próximo do Portal do Morumbi, e vou para o bairro de Santa Cecília, quase no centro, onde está a rádio CBN. Lá “bato ponto” às 10:02, assim que a vinheta do CBN SP vai ao ar. Meu “guia do pedal” Marcelo Mig disse que é bom sair às 7 e meia da manhã e não ter necessidade de acelerar o pedal. Cheguarei, se o previsto ocorrer, com boa antecedência.

Ele também me fez vários alertas: não esqueça o capacete; óculos para proteger é importante, e de preferência troque os pneus por modelo mais apropriado ao asfalto. Luz de alerta na frente e atrás, luvas, câmbio ajustado e espaço para o celular que vai gravar parte do trajeto foram cuidados que eu acrescentei na lista.

Vou sair pela avenida Eliseu de Almeida para fugir da complicada Francisco Morato. Apesar dela não ser grande coisa, também, era lá que deveria haver uma das muitas ciclovias prometidas na cidade. Se tudo der no tempo certo, encontrarei uma turma de ciclistas lá no fim da Bela Cintra para recuperar o fôlego da subida até o espigão da Paulista. Dali pra frente, é só descida.

O que interessa mesmo é me convencer de que posso usar a bicicleta sempre que sentir necessidade. E chamar atenção para o fato de que a cidade precisa se adaptar a este modelo de transporte, também.

Se não somos capazes de criarmos pistas específicas e mais seguras que sejamos de construir uma consciência cidadã em favor da bicicleta.

Até mais !

“Bicicleta pode criar cidadão mais consciente”,diz Ciclo BR

 

Desde ontem recebo enorme quantidade de mensagens via e-mail, blog ou Twitter a propósito da participação no Desafio Intermodal 2010. A maioria me incentivando a seguir no pedal. Prometo que vou insistir. Mas quero dividir com você o comentário publicado neste Blog pelo André Pasqualini, do Instituto CicloBR para que possamos entender melhor o espírito do Desafio Intermodal 2010. Ao André e equipe que organizaram mais este evento, meus parabéns. Ainda quero registrar a importância de se ter ao lado um guia com a experiência, paciência e desejo de ensinar como foi meu caso que em todo o trajeto teve a orientação do Mig. Que possamos compartilhar novas pedaladas.

Vamos ao texto do André:

O Desafio Intermodal não é uma competição, embora muitas pessoas e, às vezes, até alguns participantes encarem dessa forma.

Realizamos o Desafio há cinco anos. Desde o começo a ideia é comparar os modais ano a ano e o trajeto é o mesmo até para facilitar essa comparação. Mas por mais que a organização se esforce, infelizmente, parte da mídia encara o Desafio como uma corrida maluca.

O Desafio serve para inúmeras coisas. Primeiro mostrar às pessoas que o carro não é a única opção para deslocamento nessa cidade, até a ciclista Cycle Chic, que pedala com roupas casuais e num ritmo tranquilo para não transpirar muito, chegou antes do carro. Até skate e patins chegaram antes do carro.

Infelizmente, a modalidade transporte público, apesar de uma melhora, está longe de ser cativante. Infelizmente, a maioria da população quer mesmo é diminuir seu tempo de deslocamento e não está muito preocupada se sua opção faz mal a cidade. Infelizmente, ainda teremos muitos carros nas ruas, pois quem optou por transporte público ficou refém do trânsito causado por carros, sendo que a maioria deles tinha uma pessoa dentro.

Finalizando, o Desafio Intermodal serve para mostrar a sociedade que, além de haver outras alternativas ao carro, tem que, de forma urgente, cobrar para que essa injustiça com o transporte público pare de ocorrer. Mesmo se para isso ela tiver que sacrificar o espaço que hoje é dado para quem está de carro.

Os dados estão aí, agora cabe a população fazer sua parte.

E Milton, lindo seu relato, muito mais que uma corrida, um dos objetivos do Desafio é mostrar que as cidades possam ser mais humanas desde que os meios de locomoção que aproximam as pessoas da cidade sejam valorizados.

Sei que a bicicleta não vai resolver todos os problemas de deslocamento em São Paulo, mas ela pode servir para criar cidadãos mais conscientes, reforçando esse elo de amor com a cidade que é tão diferente vista de fora dos carros. Sim, nossa cidade é linda e precisa urgentemente de nós.

Abraços e muito obrigado pelo apoio, em meu nome e com certeza, em nome de todos do Instituto CicloBR.

Para mais informações sobre o Desafio Intermodal 2010 visite o site do Instituto CicloBR

Bicicleta ganha de W.O do helicóptero

 

portal_de_caragua_dia_mundial_sem_carrosUma hora e 5 minutos de pedalada, 30 minutos de mais diversão, e cheguei a sede da prefeitura de São Paulo convencido de que a bicicleta é um meio de transporte para mim também. Que é uma alternativa para o cidadão, nunca tive dúvida, haja vista o número de pessoas que se deslocam na cidade seja por vontade seja por necessidade. Pesquisa divulgada pelo Nossa São Paulo, ontem, mostra que para 227 mil paulistanos a bicicleta é o caminho para deixar o carro em casa – ou não tê-lo.

Já o Heródoto Barbeiro deve ter ido dormir com a certeza de que o helicóptero não é uma opção das mais seguras. Pagou o mico de ficar no chão, devido ao tempo fechado na cidade no fim da tarde desta quinta-feira quando se realizou o Desafio Intermodal, dentro das comemorações da Semana da Mobilidade.

É isso mesmo: o helicóptero perdeu por W.O no seu confronto direto com a bicicleta. Sei lá se por medo de estragar o cabelo na garoa ou por falta de visibilidade mesmo, meu experiente colega nada pode fazer com seu brevê que leva a assinatura de Santos Dumont. Não bastasse ter entregue os pontos antes mesmo de encarar a disputa, ainda enfrentou congestionamento para deixar o Campo de Marte, pela Marginal Tietê, na zona norte.

O Desafio Intermodal não é uma competição de velocidade ou performace. O que se busca é mostrar à cidade as diferentes possibilidades que temos para nos locomover. E, principalmente, que podemos reduzir o tempo desperdiçado no trânsito. Mesmo estudo da Nossa São Paulo, citado no primeiro parágrafo, informa que o tempo médio para se deslocar entre as atividades diárias do paulistano é maior do que 2h40.

Acostumado a usar a bicicleta como instrumento de lazer, encarei o desafio pessoal de utilizá-la como meio de transporte. O percurso que se iniciou no número 1000 da Berrini, zona sul, foi de aproximadamente 13 quilômetros e tinha como ponto final a prefeitura, ao lado do Viaduto do Chá, no centro.

Acompanhado pelo experiente ciclista Mig, que me passou todas as instruções necessárias, e pelo colega de rádio Leonardo Stamillo, seguimos por ruas secundárias dos bairros do Brooklin, Moema, Ibirapuera, Paraíso, Liberdade e centro. Como iniciante a ideia era fugir do trânsito pesado.

Mesmo assim houve momentos em que tive de pedalar entre ônibus e carros; e forçar o pedal para encarar subidas como a da Abílio Soares, logo após ter apreciado a paisagem noturna do Parque do Ibirapuera. Parei para gravar imagens e depoimentos para o Stamillo que tentava me seguir com uma câmera de vídeo. E conversar com outros ciclistas que participavam do evento.

Fiz questão de parar sobre a 23 de Maio e apreciar o trânsito congestionado lá embaixo. Quase uma vingança de quem várias vezes esteve preso no asfalto. Será o Heródoto aquele Kombi atravancando a avenida ?

Na Vergueiro e Liberdade, uma transgressão. Transformamos a motofaixa em ciclofaixa com a aceitação dos poucos motociclistas que passavam por ali, após às sete e meia da noite. E nesta experiência, a constatação de que a cidade precisa abrir corredores para bicicletas, também. Não é por acaso que 25% dos entrevistados na pesquisa do Nossa São Paulo dizem que usariam a bicicleta como meio de transporte se houvesse a construção de ciclofaixas.

Andar de bicicleta me ofereceu a oportunidade de ver São Paulo de uma maneira diferente, mais próxima e com mais calma, quase como se eu tivesse a chance de tocar a cidade inalcançavel para quem está dentro do carro.

O risco no trânsito existe para todos nós e quanto mais frágeis somos nesta “cadeia alimentar” mais nos transformamos em alvo. Minha sorte de iniciante, porém, impediu que tomasse sustos no caminho. A responsabilidade de meu guia, também. Aprendi que não se deve ter medo no tráfego pesado, mas respeito – de todas as partes.

Quando cheguei na prefeitura, todos os participantes já estavam por lá. Haviam feito caminhos mais curtos, mais rápidos e sem paradas prolongadas.

Logo alguém me provocou: vai vender o carro ?

Ainda não, mas ele vai ficar muito mais tempo guardado na garagem, com certeza.

Quanto ao Heródoto Barbeiro, vou ligar o Jornal da CBN bem cedinho para ouvir as justificativas deste aviador frustrado. E deixo o convite para que no ano que vem, ou a qualquer momento em edição extraordinária, ele encare comigo uma pedalada pela cidade.

Desafio: Heródoto de helicóptero e eu no pedal

 

portal_de_caragua_dia_mundial_sem_carrosA bicicleta não é meio de transporte no meu cotidiano. É lazer. Pedalo em volta de casa, ruas tranquilas ou praças mais próximas. Ando, paro, bebo água, retomo o passeio, paro para bater papo e retorno relativamente satisfeito – um pouco cansado na maioria das vezes.

Encarar o trânsito de São Paulo, hoje, no horário de pico em percurso de mais de 12 quilômetros, entre a Berrini, zona sul, e a sede da prefeitura, no centro, será, sem dúvida, enorme desafio pessoal.

Será que sou capaz ?

A proposta do Desafio Intermodal é esta mesma. Testar formas diferentes de se locomover no ambiente urbano. Mostrar às pessoas – a nós mesmos – que existem alternativas para o carro. Temos à disposição uma variedade de modais de transporte que podem fazer parte do nosso dia-a-dia.

Por isso, a partir das cinco da tarde, cicloativistas e incentivadores da bicicleta estarão reunidos na praça General Gentil Falcão, próximo do número 1.000 da avenida Luis Carlos Berrini, de onde partirão uma hora depois em direção ao centro. De trem, de metrô, de ônibus, de moto, de bicicleta, a pé, correndo e, claro, de bicicleta. Cada um a seu modo fará o mesmo percurso.

O helicóptero, pelo segundo ano, estará presente, cedido pela rádio CBN. Em 2009, eu estava a bordo, neste ano o lugar será ocupado por nosso colega Heródoto Barbeiro. Experiente – como poucos no planeta Terra -, já tendo pilotado avião e pequenos helicópteros, pretende “honrar” o nome da aviação e chegar em primeiro lugar. Ano passado, ficamos em quarto, atrás de duas bicicleta e uma moto. (para saber sobre o evento do ano passado, clique aqui)

O interessante é que neste Desafio não está em jogo quem é mais rápido. Mas quem é mais rápido, mais econômico e menos poluente. Nesta tenho certeza de que vencerei do Heródoto pois minha bicicleta tem impacto zero no meio ambiente.

Vou pedalar na categoria “ciclista iniciante” e depois que vi o meu roteiro de viagem coloquei em dúvida minha condição física para completar o percurso, principalmente por causa de algumas subidas que terei no caminho. Em compensação terei a oportunidade cruzar o Parque do Ibirapuera pedalando.

Confira aqui o percurso que vou realizar de bicicleta, nesta quinta-feira.

Heródoto e eu teremos o acompanhamento do Leandro Motta e do Leonardo Stamillo, respectivamente, que gravarão em vídeo nosso desafio para depois compartilharmos com você a experiência.

Nos acompanhe, hoje, na CBN ou pelas ruas de São Paulo.

Serviço

Programação do Desafio
17h00 – Início da Concentração Na Praça Gal Gentil Falcão e atendimento a imprensa.



17h50 – Alinhamento dos participantes e explicação das regras do desafio



18h00 – Pelo viva-voz do telefone celular, representante da organização, que estará diante da prefeitura, dá a largada. Cada uma das pessoas se dirige ao seu modal e faz o trajeto que considerar mais conveniente.



18h30 – Previsão de chegada dos primeiros participantes em frente à Prefeitura de São Paulo



20h00 – Previsão de chegada do último participante

Quando bicicleta e carro se entendem

 

Na leitura do Blog MacFuca me chamou atenção a imagem da bicicleta acima em destaque num espaço sempre destinado ao mais popular de todos os carros. Logo identifiquei o motivo: a bike tem a assinatura da Volkswagen.

A fabricante alemão desenvolveu este modelo elétrico, sem pedais, dobrável e pronta para ser levada no espaço destinado a estepe do carro. Enquanto é transportada pode ter a bateria recarregada no próprio veículo. Ou, então, em uma tomada elétrica.

A ideia, apresentada na Auto China 2010, é oferecer ao cidadão a oportunidade de usar os dois modais em um deslocamento na cidade. O carro trafegaria nas distâncias maiores e ficaria em um estacionamento quando a bicicleta fosse usada para encarar as áreas mais congestionadas ou com trânsito restrito.

Pedalando na Cidade do Cabo, amiga da bicicleta

 

Direto da Cidade do Cabo

Passeio de bicicleta na Cidade do Cabo

Além da mão inglesa – que ainda atrapalha a maioria dos turistas -, os britânicos que estiveram por aqui no século 19 parecem ter deixado outro legado para o trânsito da Cidade do Cabo: o respeito ao pedestre e ao ciclista. Parar antes da faixa de segurança e dar preferência aos que caminham e pedalam, é comum por aqui.

Foi neste ambiente que decidimos – eu e mais três colegas do Portal Terra – fazer um tour pela cidade de bicicleta. Tivemos de buscá-la no centro porque se a encomenda fosse no hotel custaria bem mais caro e a caução também seria maior. Com R 160, moeda local, algo próximo de R$ 50, você aluga uma bicicleta por 24 horas, e deixa o número do cartão de crédito à disposição para casos de desaparecimento.

O trajeto havia sido planejado com um mapa em mãos, mas logo o nosso caminho sofreu mudanças. Avenidas que nos levaram a passar por prédios modernos e calçadas largas foram escolhidas por curiosidade. A cidade que tem um pouco da cara do Rio de Janeiro, já que está na orla e tem o morro logo atrás, também abriga construções como as da avenida Berrini, em São Paulo (não me refiro a bom gosto, mas a dimensões). Isto se justifica por ser a capital legislativa da África do Sul, onde o Parlamento Nacional e vários escritórios do governo estão postados, além de ser um pólo comercial e industrial importante no país.

Mesmo o passeio tendo se iniciado logo após o meio-dia, o trânsito não chegou a ser uma barreira. Em algumas vias centrais era preciso prestar bem atenção para não sermos traídos pela mão invertida. Com exceção de um motorista que não pensou duas vezes ao fazer a conversão à esquerda para entrar na garagem, o que obrigou uma freada brusca, os demais parecem ser cuidadosos com os ciclistas – ao menos com estes que tem cara de turista.

Cidade do Cabo ciclovia

Atravessar as ruas é tarefa facilitada pois todas as calçadas são acessíveis com guias rebaixadas. Nos locais em que não existem semáforos, a faixa de segurança é facilmente identificável seja pela pintura zebrada seja pelo piso diferenciado. Não há também aglomeração de pessoas circulando, o que permite pedaladas e paradas estratégicas para fotografia ou apenas para apreciar uma construção qualquer. Isto talvez seja resultado da baixa densidade demográfica de Cidade do Cabo. Cerca de 3 milhões e meio de habitantes vivem em uma área de 2.455km2 – bem mais extensa do que a maioria das cidades sul-africanas. Cálculo rápido:1.425 habitantes/km2.

Desnecessárias, talvez, e pouca utilizadas, com certeza, encontramos faixas exclusivas de bicicleta com sinalização horizontal e nos postes em parte do nosso caminho que a esta altura do campeonato já se aproximava de Waterfront, onde se encontra um complexo de lojas, bares e hotéis. Elas, por sinal, estão em rotas turísticas o que me leva a entender que tem como objetivo os que pedalam por lazer.

Questiono a necessidade das ciclofaixas demarcando a área pelo fato desta ser, claramente, uma cidade amigável dos ciclistas. Parece que mesmo sem estes sinais, o respeito seria mantido, como vimos nos trajetos em que a ciclofaixa não existe.

Quanto a utilização das mesmas, nosso passeio que durou cerca de 3 horas deu a impressão de que a bicicleta está na cidade apenas para quem se diverte, não para quem trabalha. Cruzamos por pouquíssimos ciclistas em todo o caminho que fizemos.

Caminho, aliás, que foi ganhando contornos ainda mais bonitos quando nos aproximamos do porto, área muito bem aproveitada que mistura o movimento de carga e descarga de navios com a exploração turística do local. Ali tivemos que pedalar com muito cuidado, devido ao grande número de pessoas, a maioria torcedores devidamente identificados, seja pelas camisas, seja pelos gritos.

Green Point stadium Cidade do cabo

Saindo da aglomeração, procuramos a Beach Road, que não se perde pelo nome, e encontramos quebra-mares curiosos, feitos de cimento em formato de âncoras gigantes. Trajeto que só foi possível porque estávamos de bicicleta. De carro teríamos ido embora sem prestar atenção no local. Este é um dos grandes baratos do passeio de bicicleta. Conseguimos enxergar melhor a cidade.

Foi de lá que tivemos das melhores visões do Green Point, estádio que será inaugurado na sexta-feira com a partida entre França e Uruguai. Chegar até ele passou a ser nosso novo objetivo, apesar de o mar batendo do lado direito também nos chamar atenção. O caminho é todo margeado por prédios novos com muitos apartamentos abrigando torcedores – tais eram as bandeiras esticadas nas sacadas.

Foi a possibilidade de nos aproximarmos do estádio que nos deu fôlego para continuar com a pedalada. No entorno do Green Point, as ciclofaixas estão delimitadas sobre as calçadas, com espaço para ida e volta, além da faixa dos pedestres. As placas alertam que lá é proibido parar automóveis em dias de evento. Em compensação, o número de vagas para os carros é enorme na área de estacionamento, o que faz com que o jornalista sem credencial ou o torcedor sem ingresso tenha de permanecer distante.

Depois de apreciar esta construção polêmica – por seu custo e local (outro dia conto esta história) – e muito bonita, nos restava voltar para “casa”. Afinal já estávamos a quase 3 horas pedalando.

A facilidade com que o deslocamento foi feito, a beleza das áreas pelas quais passamos e as novidades do caminho evitaram o cansaço deste que é ciclista nas horas vagas e pouco acostumado a fazer esta aventura em São Paulo, cidade que, infelizmente, não é amiga da bicicleta.