O perigo da ciclofaixa desativada no domingo, em SP

A campanha publicitária é intensa, seja da prefeitura que a usa para fazer de conta que incentiva o uso da bicicleta na cidade, seja pelo Bradesco que investe na imagem positiva que a iniciativa trará. Apesar disto, a ciclofaixa que liga três parques da cidade de São Paulo voltará a ficar fechada neste domingo. É a segunda vez, desde que foi criada há pouco mais de dois meses. Pela primeira experiência, o risco é enorme.

Os avisos de que uma corrida neste domingo impedirá a utilização da ciclofaixa são tímidos, insuficientes para bem informar o cidadão que planejava por o pé no pedal e usufruir do benefício gerado pelos 5 km de pista exclusiva para as bicicletas na cidade. É bem possível que muitos levem a família para passear entre os parques do Povo, Ibirapuera e das Bicicletas e se deparem com os carros ocupando a faixa.

O cicloativista André Pasqualini pedalou durante a Virada Esportiva quando a ciclofaixa foi desativada pela primeira vez: “Muitos ciclistas com crianças na cadeirinha, ou escoltando seus filhos em bicicletas de rodinhas, se aventuraram na ciclofaixa na cara e na coragem”. Quanto aos carros, muitos respeitavam o direito de quem pedalava nas avenidas, mas havia aqueles que jogavam os veículos sobre os ciclistas e ainda berravam pela janela: “Está desativada”. Uma espécia de propaganda boca a boca.

Dois pontos a serem considerados:

1. Mesmo que a ciclofaixa esteja desativada, o ciclista tem o direito – garantido por lei – de pedalar na rua e avenida;

2. A partir de 2010, é recomendável que a prefeitura reavalie o percurso das provas de ruas (atividades importantes para a cidade, também) ou o volume de publicidade informando que a ciclofaixa estará desativada.

Leia aqui a avaliação de André Pasqualini no site CicloBR de onde, aliás, “roubei” a foto que ilustra este post

Um casamento na bicicleta

 

Willian e Priscila casam neste sábado, 24. A cerimônia não seguirá a tradição do véu e grinalda, na porta da Igreja. Menos ainda limosine ou carro preto para levar a noiva. Aliás, os carros não são bem-vindos. O casal é apaixonado pela bicicleta e será pedalando que irá comemorar o “enlace matrimonial”. Eles se encontrarão com os padrinhos e convidados na praça do Ciclista, que fica no encontro da Paulista com a Consolação e de lá seguirão até o cartório na Avenida Jabaquara, ao lado do metrô da Saúde.

De acordo com os noivos, ninguém precisa ficar preocupado com a falta de fôlego, pois o caminho é plano e a pedalada será sem pressa para que todos possam acompanhar. “Estaremos usufruindo do nosso direito de circular de bicicleta pelas ruas da cidade em um grupo grande de ciclistas, o que traz mais segurança para todos”, disse Willian Cruz. Que não chova, para não molhar o vestido da noiva.

A propósito, para participar da Pedalada do Casório basta ter bicicleta.

CET diz que terá 54 km para “peão de bicicleta”

 

A Companhia de Engenharia de Tráfego afirma que “trabalha para criar espaços seguros para os ciclistas, incentivando novos usuários a migrarem para a bicicleta”. Diz ainda que os projetos que desenvolvem são em áreas da periferia que concentram a maior quantidade de viagens de bicicleta como meio de transporte para o trabalho ou a escola. A nota foi uma resposta à crítica que fiz neste Blog e no CBN São Paulo de que a Secretaria Municipal dos Transportes e a CET não tomam medidas amigáveis aos ciclistas. O principal motivo do post – que se você quiser lê clicando aqui – era chamar atenção para a necessidade de se beneficiar o trabalhador que anda de bicicleta em vez de dar preferência apenas ao ciclismo de lazer

Curioso é que as três ações anunciadas pela Companhia são apenas projetos de ciclovias. Nenhuma delas se iniciou até o momento. A mais próxima, cumprida a agenda, se iniciará em dezembro no Jardim Helena. No circuito do Jardim Brasil, as obras estão programadas para março e do Grajau/Cocaia para abril de 2010. A persistirem os sintomas, seriam 54 quilômetros de extensão entre ciclovia, ciclofaixa e pista com tráfego compartilhado.

A única ação já realizada, segundo nota da CET, é a operação da “ciclofaixa de lazer que liga os parques das Bicicletas, do Ibirapuera e do Povo”. Convenhamos, operar a pista é sua obrigação. A criação e iniciativa foram da Secretaria Municipal dos Esportes, conforme o próprio secretário Walter Feldman lembrou há duas sextas-feiras, no CBN SP.

Acreditando na palavra oficial da CET e da SMT já comecei a me preparar para pedalar nas faixas de bicicletas que serão entregues, em 2010. E também nos outros 46 quilômetros a serem construídos até 2012, conforme prometido no Plano de Metas da prefeitura.

Milton e a bicicleta dobrável

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Governo tem de dar atenção as travessias na ciclovia

 

A construção da ciclovia na Marginal Pinheiros está mais próxima de ser realizadas, pois a administração está com a CPTM e “lá tem uns caras que gostam de bicicleta”, disse o presidente do Instituto CicloBR André Pasqualini ao CBN SP. Mais otimista com o projeto que será discutido na segunda-feira, 05.10, no Palácio dos Bandeirantes, ele chama atenção para a necessidade de se estudar com cuidado como será feita a travessia para a faixa exclusiva de bicicletas.



Pasqualini explica que “a princípio estão previstos apenas acessos em Interlagos, junto a Ponte do Socorro e na Ponte João Dias. Ele sugere que se vá além, não apenas no número de travessias, mas na construção da pista segregada dos dois lados da Marginal Pinheiros, ou seja nas margens leste e oeste do rio.

Ouça a entrevista com Andre Pasqualini

Ciclovia na Marginal: um ano depois, uma reunião

 

Ciclovia na Radial LesteClique nesta imagem e veja outras fotos da ciclovia na Radial Leste feitas por Luis F. Gallo

 

Há duas semanas, o CBN SP procura o Governo do Estado para saber como está o projeto de construção de uma ciclovia na Marginal Pinheiros, prometido há quase um ano em entrevista ao programa pelo secretário-adjunto de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Ricardo Toledo. Do Palácio dos Bandeirantes e da Secretaria Estadual de Saneamento e Energia soube-se que não havia sido feito até então. Houve, inclusive, tentativa de entrevista com a secretária Dilma Pena, mas a falta de informação sobre o assunto fez com que ela não aceitasse conversar como programa.

Por isso, fiquei surpreso ao ver que o secretário chefe da Casa Civil do Governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, e o secretário municipal dos Esportes, Walter Feldman, divulgaram nota, nesta quinta-feira, convidando ciclistas para encontro no qual será apresentada proposta de projeto de uma nova ciclovia na cidade, segunda-feira, 05.10, às duas e meia da tarde, com a presença do arquiteto Ruy Ohtake, no Palácio dos Bandeirantes.

Espara-se que a disposição dos dois secretários tire do limbo projeto que havia sido anunciado em 15 de outubro do ano passado, pouco antes da eleição municipal e gerou expectativa em ciclistas que pedalam entre os carros e todos os dias correm risco de vida, saindo da zona sul da capital em direção aos bairros mais centrais. A ciclovia ligaria o autódromo de Interlagos ao Cebolão e seria construída entre a pista da marginal que segue em direção a zona sul e o rio Pinheiros. Naquela época falou-se que até 2010 o primeiro trecho estaria entregue.

Em agosto, a partir de estudo realizado pelo cicloativista Henrique Boney, informamos aqui no Blog que a cidade tem 367 quilômetros de ciclovias, previstas nos Planos Regionais Estratégicos, não realizados (leia sobre o assunto). Curiosidade maior: a da Marginal Pinheiros que ameaça sair agora não faz parte dos planos, assim como a da Radial Leste (foto) que se iniciou mas ainda não acabou.

Reportagem de hoje da Folha diz que a CPTM promete ciclovia na Marginal Pinheiros em quatro meses e projeto já está em andamento.

Como foi o Desafio Intermodal 2009

 

Desafio Intermodal 2009Os dois destaques do Desafio Intermodal 2009 em São Paulo eram o helicóptero e a cadeira de roda, modelos de transporte usados com freqüência na capital paulista e testados pela primeira vez desde que o evento se iniciou em 2006. Você já sabe – o Heródoto, invejoso, não parou de falar disso nesta sexta-feira – o helicóptero chegou em quarto lugar, após duas bicicletas e uma moto. E a cadeirante foi a penúltima colocada ao ter de usar o sistema de ônibus e metrô para se deslocar da avenida Luis Carlos Berrini, na zona sul, até a sede da prefeitura, ao lado do Viaduto do Chá.

Antes de se iniciar o Desafio, eu conversei com o Roberto Nonato, no Jornal da CBN 2ª edição:

Ouça a conversa com o Roberto Nonato, no Jornal da CBN

Logo que levantei voo, às 6h15, voltei à CBN para registrar o começo da viagem

Ouça como foi o início da viagem de helicóptero

A chegada foi às 6h33 da tarde, e só depois de chegar descobrir que o helicóptero havia perdido a corrida para bicicletas e moto:

Ouça como foi a chegada na prefeitura, após a viagem de helicóptero

O evento ganhou destaque nas comemorações do Dia Mundial Sem Carro que será em 22 de setembro, próxima terça-feira. Eu aproveito para deixar aqui alguns posts de reportagens publicadas no rádio e televisão sobre o tema.

Ouça a reportagem da jornalista Cristina Coghi, que acompanhou o Desafio na CBN

A TV Globo acompanhou a chegada do Desafio Intermodal, veja aqui

Desafio Intermodal: O helicóptero não é mais aquele

 

Desafio Intermodal 2009

Assista ao slideshow com imagens do Desafio Intermodal 2009, em São Paulo

Uma caminhada até o outro lado da rua, dois elevadores e 16 andares acima, eu estava no heliponto de um prédio comercial ao lado da Avenida Eng. Luis Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo. Era para mim o início do Desafio Intermodal 2009 e de uma história que surpreendeu a todos os participantes, mesmo os mais otimistas incentivadores da bicicleta.

O helicóptero saiu do Campo de Marte para nos pegar na Berrini. Chegou 10 minutos depois de iniciado o desafio. Por ser um heliponto, o comandante não pode ficar parado esperando o passageiro. Ciclistas, cadeirantes, pedestres e motoristas já seguiam seu caminho. Todos embarcados – eu, cinegrafista e fotógrafo -, ficamos esperando cinco minutos para autorização de voo. O tráfego aéreo, congestionado naquele horário, impedia nossa subida.

Assim que autorizado pela torre de controle do aeroporto de Congonhas, o comandante Murilo levanta voo e em vez de seguir direto para a prefeitura, precisa fazer o retorno pelo Morumbi e acompanhar as marginais, Pinheiro e Tietê. São os corredores aéreos que precisam ser respeitados em nome da segurança.

A cidade que nos incomoda lá embaixo, às seis e 15 da tarde, poluída e travada, é linda vista de cima com sua iluminação rica. Riscos vermelhos e brancos ressaltam o trajeto dos carros pelas grandes avenidas. Difícil para novatos reconhecer os pontos importantes da cidade pelos quais sobrevoamos, mas o comandante está no caminho certo e logo se enxerga o topo do prédio Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo, no centro. Ao lado de um jardim suspenso, o heliponto nos aguarda.

Foram 15 minutos no ar, desde que levantou na Berrini até tocar o chão novamente. Mais algum tempo para o desembarque, espera no elevador da prefeitura e a descida para o largo em frente ao prédio. Tudo somado, completamos o percurso em 33 minutos e 50 segundos.

Surpreendente foi descobrir que três participantes já haviam chegado ao mesmo ponto antes de mim: dois ciclistas e um motoboy que gastaram de 22 a 33 minutos para percorrer o trajeto. A “derrota” do helicóptero encheu os participantes de convicção: a bicicleta, é sim, uma opção para o trânsito de São Paulo.

Outras curiosidades

1. O automóvel – vilão da data – gastou 82 minutos entre os dois pontos, menos do que no ano passado e o dobro de 2007; ficou em 11º lugar, custou R$ 15 e jogou no ar 2,5kg de CO2.

2. O corredor a pé chegou antes do carro ao percorrer o trajeto em 66 minutos; ficou em 6º, não custou nada nem prejudicou o meio ambiente, além de ter queimado alguns gramas de gordura.

3. Quem usou ônibus, chegou em 71 minutos e melhorou a marca do ano passado que foi de 111 minutos.

4. A cadeirante que usou trem e metrô para se deslocar até a prefeitura completou o percurso em 108 minutos, foi o 16º pior resultado, mas mesmo assim ficou a frente do participante que usou ônibus e metrô (109 min.)

Veja todos os resultados na página do Instituto Ciclo BR

Veja o Desafio Intermodal pela internet

 

Bicicleta na pistaDa praça General Falcão, no Brooklin, até a prefeitura de São Paulo, no centro, todos os participantes do Desafio Intermodal serão monitorados pela internet, além de terem suas ações gravadas em vídeo. As informações serão atualizadas na página do Ciclo BR que está no comando desta quarta edição. Tempo de viagem, custo e emissão de CO2 serão os dados registrados na chegada para que se possa comparar as modalidades de transporte que estarão no desafio.

Uma das avaliações que se pode fazer em relação ao Desafio Intermodal é quanto ao serviço prestado pelo sistema de ônibus da capital. Há três edições, o trajeto a ser percorrido é o mesmo. Enquanto em 2006, da Berrini até a prefeitura, a viagem durou 66 minutos, em 2007 foram gastos 76 minutos, no ano passado foram necessários 111 minutos. Ou seja, perde-se cada vez mais tempo para andar de ônibus.

Para conferir o desempenho de cada modal nos anos anteriores e as informações atualizadas do desafio deste ano, acesse a página do Clico BR.

Ouça a entrevista com o cicloativista Andre Pasqualini

Prefeitura de SP no Dia Mundial Sem Carro

 

Abrir espaço para a reflexão sobre o uso do automóvel na cidade é o objetivo da prefeitura de São Paulo nas ações que serão promovidas, a partir de amanhã, na capital paulista. De acordo com o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, a agenda oficial do Dia Mundial Sem Carro terá mostra de cinema, debates, e passeio de bicicleta. Semana que vem, também, será assinada a criação do comitê de acompanhamento da Lei Municipal de Mudanças Climáticas, aprovada este ano.

Na conversa que tivemos com o secretário, ele chamou atenção para o fato de a atual administração municipal ter sido uma das primeiras no país a aderir ao movimento internacional.

Ouça a entrevista com o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge

Veja a programação completa, no material de divulgação enviado pela prefeitura de São Paulo:

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