Avalanche Tricolor: um Dia dos Namorados muito especial para mim

 

Botafogo 0x1 Grêmio
Brasileiro — Estádio Nilton Santos/RJ

 

Gremio x Botafogo

Jean Pyerre comemora em cena flagrada por LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O 12 de junho é dos namorados. Data criada pelo comércio, em 1949, que contaminou os corações e mexeu com as emoções. São tantos os estímulos — dos anúncios, dos colegas, dos amigos e dos amantes —- que nenhum casal se atreve a passar o dia em branco. Eu, por exemplo, passei em azul, preto e branco.

 

Um post no Instagram, um WhatsApp logo cedo, uma lembrança comprada na loja da esquina, um beijo intenso antes de levantar da cama ou uma música oferecida no rádio —- e meus ouvintes se esbaldaram em sugestões durante todo o programa que apresentei na CBN. Vale todo o artifício para revelar o seu amor. Há os que preparam surpresas, enchem a casa de rosas, escrevem cartas melosas ou servem um jantar inesquecível.

 

O dilema é que tudo isso tinha de ser feito em uma noite na qual os clubes brasileiros se despendiam por um tempo de seus torcedores. A bola só voltará a rolar no Campeonato Brasileiro na metade do mês de julho, devido a parada para a Copa América. Imagine a saudade que vão nos deixar, especialmente quando assistimos ao nosso time iniciando a prometida decolagem como é o caso do Grêmio.

 

Sei que muita gente torce o nariz para essa prioridade que os apaixonados dedicam ao futebol. Deve ter quem nos condene por gostarmos tanto de um time, por sofrermos diante das derrotas, por nos descabelarmos com o chute mal dado ou por chorarmos na inacreditável conquista. Coisa ridícula! — é o que ouço da consciência enrustida dessa turma.

 

Pensem o que quiserem. O que importa é que nossas amantes — e os amantes, também — entendem esse sentimento. Sabem que não desdenhamos da companhia, do carinho e da troca de carícia deles e delas. Nosso coração tem espaço para as diversas paixões que nos movem, desde o time de futebol que aprendemos a amar quando ainda éramos pequenos até a pessoa que escolhemos para dividir angústias, sonhos e amenidades em algum momento qualquer da vida.

 

É nesse entender que uma relação se constrói. Por isso, a noite desta quarta-feira deixou de ser um dilema para se transformar em mais uma prova de amor nesse relacionamento que já preservamos por 27 anos. Adaptamos nosso dia, curtimos nosso almoço, trocamos juras de amor durante a tarde, jantamos no intervalo do jogo e compartilhamos o presente mais incrível que eu poderia ter ganhado em um Dia dos Namorados: a camisa autografada por Geromel.

 

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A camisa de Geromel entregue pelo mano Ricardo

 

Sou fã de carteirinha do nosso zagueiro. Não bastasse o que ele representa para o Grêmio, ainda demonstra a todo momento o quão gente boa consegue ser na vida. Conheci a mãe dele na felicidade de um gol, na semifinal do Mundial de Clubes em Abu Dabhi, há dois anos — história que acredito já ter contado para você nesta Avalanche.

 

Hoje, recebi o irmão de Geromel, Ricardo, para entrevista em programa sobre negócios, carreiras e empreendedorismo que apresento na CBN. Assim que chegou, replicando o sorriso do mano, me entregou a nova camisa tricolor com a mensagem grafada em tinta: “Ao Amigo Milton Jung, Geromel”.

 

Sim, isso mesmo. O melhor presente que poderia ganhar neste Dia dos Namorados tem a marca de uma das minhas mais fortes paixões: o Grêmio. E chegou até mim pelas mãos de um cara que recém conheci, mas que há muito sabe dos meus amores.

 

O mais legal é que ela — o amor com quem compartilho, sem vergonha, minhas paixões —- sabe muito bem o quanto isso é importante para mim. E não me julga por isso. Me adora assim mesmo. É capaz de me endereçar um sorriso ao me ver vibrar sozinho na sala diante da televisão pelo golaço que Jean Pyerre, esse gênio com futebol e sobrenome de craque (leia a Avalanche anterior se ficou curioso), marcou na vitória desta noite — outro  presente a todos aqueles que adoram torcer pelo Grêmio, como eu.

 

Por seu gol, obrigado Jean Pyerre!

 

Por sua dedicatória, obrigado Geromel! 

 

Por sua compreensão, obrigado Abigail!

 

Vocês fizeram este Dia dos Namorados ainda mais especial para mim.

Avalanche Tricolor: que baita saudade!

 

Botafogo 2×1 Grêmio
Brasileiro – Nilton Santos/RJ

 

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De folga nestes dias, vim a Porto Alegre me encontrar com a família. Quando estou por aqui, fico na casa da Saldanha Marinho, que já foi muitas vezes protagonista desta Avalanche. É a vizinha do velho estádio Olímpico, no limite entre o bairro Menino Deus e o da Azenha. Daqui até ali é um pulo só — um salto que deixou marcas no meu coração pelas vitórias e sofrimentos, muitos dos quais confidenciados a você caro e raro leitor deste blog.

 

Nesse sábado, peguei carona com meu irmão e demos uma volta no entorno do Olímpico —- ou o que resta dele. O lado que costumo enxergar aqui de casa não causou tanto desconforto, talvez por já ter absorvido a imagem do estádio sem o anel superior.

 

Incomodou-me, porém, o restante do tour, a começar pela passagem do Largo dos Campeões – portão de grade fechado, pedaços de cimento espalhados pelo piso, e os Arcos que recepcionavam a torcida esquecidos, servindo de estacionamento para dois carros — quem teria o privilégio de acessar aquele espaço?

 

Já do lado da Azenha, a coisa é ainda pior. Os despojos do ginásio onde treinei basquete por 13 anos e da churrascaria, que recebia visitantes estrangeiros e ilustres; os tapumes diante dos portões por onde parte dos torcedores chegavam e o mato cobrindo o que antes era a sede social, onde ficavam as piscinas do clube — tudo isso compõe uma imagem melancólica.

 

Tenho saudade do Olímpico por tudo que representou na minha vida —- e saudade é uma lembrança que vem pela alegria ao contrário da nostalgia. Se é triste presenciar sua desconstrução sem o devido respeito à sua história; é com satisfação que rememoro os momentos que presenciei nas arquibancadas e nos bastidores do nosso antigo estádio.

 

Voltei para casa para assistir ao Grêmio pela TV, na terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Fomos de time alternativo ao Rio. Dos titulares somente Luan. Tudo bem, se quiser pode colocar André nesta conta, pois tem saído jogando desde que o Brasileiro iniciou-se.

 

Tive saudade no desenrolar da partida daquele passe perfeito, daquele deslocamento veloz e daquela defesa impenetrável, coisas que o time completo costuma oferecer ao torcedor — mas não é justo exigir espetáculo igual se nossa escolha foi por deixar os titulares descansando.

 

A saudade do Olímpico ficará no coração para sempre; a do futebol talentoso que tem sido premiado com títulos e elogios, matarei na terça-feira, quando o Grêmio estará disputando a liderança do grupo A da Libertadores, em nossa casa mais moderna e confortável, a Arena.

Avalanche Tricolor: ‘Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra’

 

 

Grêmio 1×0 Botafogo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

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Neste 20 de Setembro havia três brasileiros disputando a Libertadores da América. Apenas um deles sobreviveu em campo na luta pelo título: o único que é Imortal. Diante de mais este feito, só me resta cantar, daqui de Belo Horizonte, onde me encontro nesta noite, para que todos ouçam por toda a América:

 

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

 

 

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

 

 

 

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Avalanche Tricolor: as marcas do futebol gremista, na Libertadores

 

Botafogo 0x0 Grêmio
Libertadores – Estádio Nilton Santos RJ

 

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Arthur deixa a sua marca (reprodução SporTV)

 

Personalidade e maturidade foram marcas do futebol gremista na noite desta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Típicas de um time copeiro, experiente em competições sul-americanas e consciente do seu potencial. Não por acaso estamos em nossa décima-sétima Libertadores, já fomos quatro vezes à final e buscamos o Tri.

 

O Grêmio de Renato soube reduzir os riscos contra um adversário empurrado por sua entusiasmada e confiante torcida, que acabara de vir de uma vitória em clássico, no Campeonato Brasileiro. Sabia da pressão que poderia sofrer e soube trabalhar diante deste desafio.

 

Fez questão de ficar com a bola no pé e trocar passes sem precipitação, com precisão – esta que, aliás, é outra de nossas marcas, desde a temporada passada. Jogou com inteligência, tendo Arthur mais uma vez demonstrado talento acima da média na condução da bola.

 

Marcou com firmeza, expondo-se pouco ao perigo e contando com a experiência de jogadores como Kannemann, Edílson, Leo Moura e Fernandinho. 

 

Soube aproveitar o talento de seus jogadores, mesmo sem ter em campo dois de seus melhores: Geromel e Luan.

 

Nosso zagueiro mitológico mais uma vez foi substituído pela segurança de Bressan.

 

Já Luan não tem substituto em solo brasileiro, portanto não havia como esperar que alguém reproduzisse suas qualidades.

 

Nada está decidido, mas a decisão será na Arena, com a torcida a se somar aos nossos talentos. Sem contar que Renato terá de volta – é o que se espera – Geromel e Luan, marcas importantes desta equipe.

 

Por mais difícil que seja o confronto da próxima quarta-feira ou por mais que empate com gols seja favorável ao adversário, o Grêmio está firme e forte a caminho de deixar mais uma marca na Taça Libertadores.

 

 

Avalanche Tricolor: os detalhes que levaram o Grêmio a vencer na estreia

 

 

Grêmio 2×0 Botafogo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Detalhes dos gols de Ramiro, reprodução da SPORTV

 

Diz o ditado que é no detalhe que mora o Diabo. Como não tenho medo dele, foi pra lá que resolvi olhar na partida de estreia do Grêmio, no Campeonato Brasileiro. E que baita partida, hein, amigo! 

 

O primeiro detalhe que percebi é daqueles que poucos falarão na crônica do jogo, mas para mim faz uma tremenda diferença. Aliás, é uma das coisas que mais me incomodam nos times de futebol: insiste-se em tocar a bola para trás quando o objetivo do jogo é se aproximar do gol.

 

Pense comigo: se no campo temos de conquistar espaço, avançar sobre o território inimigo para alcançarmos a meta adversária, a primeira opção de um jogador que está com a bola tem de ser encontrar um colega que esteja mais à frente. Parece óbvio, mas não é. Geralmente, como esse companheiro está mais bem marcado, por medo, desiste-se de arriscar um passe que nos colocaria avante. Volta-se a bola e se começa tudo de novo.

 

Desde os primeiros minutos, a começar por Arthur, e passando por Michel, Ramiro e Luan, o time do Grêmio mostrou que queria jogar para frente. A qualidade do passe de alguns de nossos jogadores ajudou muito nesta decisão. O deslocamento do companheiro de time para receber à frente, também. E não tenho dúvida em dizer que isso foi resultado dos dias bem aproveitados de treino.

 

Foi este detalhe que permitiu que se chegasse tantas vezes e com muitos jogadores na cara do gol, mas outros tantos seguiram me ajudando a contar a história do jogo.

 

Foi por um triz, por exemplo, que Luan não abriu o placar logo no início da partida, ao receber belo passe e ficar cara a cara com o goleiro. Se ele tivesse prestado atenção em outro detalhe, o gol teria sido marcado por Lucas Barrios que estava livre do seu lado direito.

 

Mais um detalhe desses que fico prestando atenção durante a partida: em um dos muitos ataques que desperdiçamos no primeiro tempo, Ramiro, ao chutar a gol e ver a bola ser desviada de cabeça, comentou com seus companheiros que “hoje parece que nada dá certo”. Um lamento que se revelou na leitura labial que fiz (ou seria apenas licença poética deste torcedor?). Ainda bem que Ramiro estava enganado. E ele próprio provou isso para a gente no fim do primeiro tempo (e no segundo, também).

 

Um lançamento de Michel do outro lado do campo encontrou Léo Moura disparado no ataque. Nosso lateral teve de usar de toda sua velocidade para alcançar a bola que, por um detalhe, não saiu pela linha de fundo. Cruzou e proporcionou um bombardeio no gol adversário: foram três chutes à queima roupa até Ramiro, o Incrível, fulminar no fundo do poço.

 

A volta do segundo tempo tem sido sempre preocupante pra gente, é quando costumamos dormir no ponto e permitimos a reação do adversário. Bem que eles tentaram chegar ao nosso gol, mas não tiveram sucesso. Por muito pouco, aliás, pois, logo após a volta, o atacante deles se livrou de todos os marcadores dentro da área e estava pronto para empatar. Só tinha um detalhe, aliás, um baita detalhe: Kannemann não desiste nunca e mesmo tendo sido driblado na primeira vez, se jogou a tempo de desviar a bola para longe.

 

Em seguida, retomamos a bola, voltamos a dominar o jogo, fazer passes ofensivos, nos deslocarmos por um lado e outro. Nossos alas apareciam à frente e eram bem recebidos pelos atacantes. Nossos atacantes trocavam bola entre eles em busca de espaço. E o risco de cedermos o resultado diminuía a medida que o tempo avançava.

 

Foi Ramiro, o Incrível, que mais uma vez apareceu para resolver a partida, após boa movimetação do time pelo lado direito. Ele recebeu a bola pelo alto e na entrada da área. Dominou-a e chutou com força, como sempre chuta. Para cair dentro do gol, a bola bateu antes em Luan, subiu e foi parar no fundo das redes. Bateu na mão, reclamaram os adversários. E só se descobriu que eles tinham razão depois que a televisão mostrou o lance detalhadamente.

 

Perdão se exagero nos detalhes, mas quero encerrar esta Avalanche apenas lembrando mais um: o Campeonato só começou agora e já estamos no G4, de novo.

Avalanche Tricolor: o Domingo da Alegria!

 

Grêmio 0x1 Botafogo
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Alegria na torcida do Grêmio em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Domingo é dia de ir à missa. E isso já contei muitas vezes pra você, caro e raro leitor desta Avalanche. Hábito que aprendi com minha mãe, a quem perdi muito mais cedo do que devia, e abandonei com o passar do tempo. Faz alguns anos retomei a caminhada e isto tem me feito bem em todos os sentidos.

 

Aqui em São Paulo, fui morar próximo de uma capela, que fica bem na esquina de casa. Após algum tempo frequentando o local, descobri que entre os padres que se revezavam nas missas diárias estava José Bortolini, um intelectual religioso e autor de dezenas de livros. Soube por ele próprio que éramos conterrâneos. Eu, nascido em Porto Alegre. Ele, em Bento Gonçalves. Ambos, torcedores do Grêmio.

 

Santa coincidência.

 

Sei que já escrevi nesta Avalanche sobre Padre José e também deixei claro que procuro ao máximo não misturar religião e futebol. Acho que Ele tem coisas mais importantes para resolver.

 

Para o campo e para a bola, existem deuses próprios. Mundanos. Travessos e sempre prontos a se divertirem com nossas angústias. Irônicos ao se depararem com a soberba. Injustos, quando estão manipulando contra o meu time. Implacáveis, algumas vezes.

 

Padre José não acredita nesses deuses, mas adora assistir aos jogos de futebol. Quarta-feira passada acordou dois dos seus mais próximos companheiros de caminhada – acostumados a irem para a cama cedo – e os fez vibrar com o Grêmio Penta da Copa do Brasil.

 

Apesar do meu cuidado para que religião e futebol fiquem cada um em seu campo, confesso que, neste domingo, fui a Igreja com a esperança de encontrar o Padre José. E, Graças a Deus, ops … E, graças a escala das missas, lá estava ele na porta para receber os fiéis. Trocamos olhares cúmplices e não soubemos esconder o sorriso maroto de quem conquistou um título de expressão nacional depois de 15 anos.

 

Padre José vestia túnica branca e estola rosa, uma espécie de vermelho esmaecido. Cumprimentou-me e entramos na Igreja para mais uma missa dominical. Antes, porém, cochichou-me no ouvido: não esquece, hoje é o Domingo da Alegria.

 

Sinceramente, até agora não sei se ele se referia ao fato de ser o Terceiro Domingo do advento, tempo de os católicos se alegrarem na preparação e pela espera do ‘Prometido’, ou se suas palavras estavam apenas antecipando o que viria acontecer ao fim desta última rodada do Campeonato Brasileiro.

 

Seja o que for, o domingo foi de muita alegria (ao menos para a maioria de nós)!

Avalanche Tricolor: estas mal traçadas linhas

 

Botafogo 2×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Botafogo

 

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Luan bem que tentou nesta jogada, em foto do site Gremio.Net

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já tenha se deparando com o desafio de ter de começar a escrever um texto e a falta de criatividade impedir-lhe de avançar além do primeiro parágrafo. Escreve, descreve e reescreve. Vai e volta. Arrisca seguir por um lado. Não dá certo. Tenta o outro. Também não rola. Apaga tudo e recomeça.

 

Algum tempo depois, diante da página vazia ou cheia de frases mal começadas, você percebe que pouco tinha a dizer. E o que tinha, não sabia como fazer. Pensa em desistir, mas o texto já está encomendado. Não tem jeito. Chuta pra frente e torce para que uma frase colada na outra faça algum sentido. Na maioria das vezes, o máximo que se consegue são mal-traçadas linhas.

 

Assim foi o futebol do Grêmio na tarde deste domingo.

 

Esqueceu da inspiração em algum lugar qualquer no caminho entre Porto Alegre e Rio de Janeiro. O comentarista que ouvi na televisão chegou a supor que o problema se devia aos desfalques na equipe. Estranhei, porque exceção a Miller, que sequer é unanimidade entre os torcedores, os demais ausentes estão longe de serem artífices da criatividade, apesar de importantíssimos para a segurança do time. E nesse caso, claro, refiro-me a Marcelo Grohe e Geromel.

 

O time simplesmente não conseguiu jogar. Parecia desconfortável naquele estádio com cara de interior, apelidado de Arena e gramado precário. Apresentou-se desajeitado, com jogadores fora de posição e se deslocando de maneira acanhada, o que prejudicou a qualidade do passe.

 

Se na frente a coisa não andava, atrás desandava.

 

A impressão é que o sistema defensivo jamais havia jogado junto. Sempre aparecia um atacante livre para receber e colocar perigo no nosso gol. Era tanta liberdade que até o árbitro e seu auxiliar se atrapalharam logo no início da partida quando não sabiam se davam impedimento ou validavam o gol adversário. Acertaram ao anular o lance, não sem antes fazerem uma baita confusão e influenciarem os ânimos dos jogadores dos dois times.

 

Diante dos fatos, deixamos de somar mais três pontos, no Campeonato Brasileiro. Dos nove últimos disputados, conseguimos apenas um. Nos afastamos ainda mais do líder. E seguimos fora da zona de classificação. O jogo que deveria ter acontecido no início de agosto, nos pegou no pior momento desta temporada nacional.

 

E agora?

 

Apaga tudo e começa de novo, até porque apesar da falta de criatividade deste domingo, ainda confio muito no talento de Roger e sua turma. E o Grêmio sempre encontra inspiração para reescrever sua história.

Oferta de secador em “manto sagrado” dá confusão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Casa & Vídeo, tradicional empresa de varejo de eletrodomésticos, utilizou a torcida do Botafogo, emblemático clube do futebol carioca, para promover a sua marca. Lançou uma campanha de escolha de um produto para ofertar em homenagem ao Dia da Mulher. E usou como veículo a camisa do Botafogo. Foi no clássico com o Fluminense, disputado domingo no Maracanã.

 

Não bastasse o inédito e bizarro processo de comunicação, o secador de cabelo, produto escolhido pela torcida botafoguense, teve dois preços. Os jogadores entraram em campo com a oferta de R$ 49,00 e trocaram de camisa no segundo tempo da partida, com o secador anunciado em nova camisa por R$ 39,00.

 

Se Heleno, Nilton Santos, Didi ou Garrincha, jogadores que honraram a camisa botafoguense, presenciassem a derrota no domingo, certamente se espantariam não com o resultado, talvez nem tanto com a promoção, mas com a anuência e a participação de torcedores, que normalmente consideram a camisa do clube como um manto sagrado.

 

Se, no atual contexto nacional ações que buscam vantagens financeiras, legais ou ilegais, tornaram-se rotinas, nada mais há que deveria surpreender. Entretanto, o torcedor de futebol normalmente é um fanático por definição. Colocando muitas vezes o amor pelo clube acima das paixões mais convencionais, como as da família.

 

Endossar uma oferta de secador na camisa do clube que ama foi de espantar. Assim como foi de mal gosto a direção do Botafogo aprovar.
E, para congestionar o verossímil, ontem, a Secretária do PROCON, Cidinha Campos, anunciou que irá processar a Casa & Vídeo por propaganda enganosa, além de encaminhar ao CONAR a questão. Está inconformada com rebaixamento de preço em prazo curto demais.

 

Se a moda pegasse, o mundo iria esquecer o 7×1. Zombariam das futuras promoções que viriam. Ou virão?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: lances que explicam o time de Felipão

 

Botafogo 0 x 2 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Maracanã

 

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Faltavam poucos minutos para se encerrar a partida, resultado praticamente decidido pois Barcos já havia marcado seus dois gols. O adversário ainda ensaiava alguns ataques, apesar da segurança da defesa gremista durante todo o jogo. Uma escapada pelo meio, porém, se transformaria em ameaça ao nosso time, o atacante deles apareceria na entrada da área sem marcação. Ou quase. Pois, o nosso atacante, Barcos, aquele mesmo que já havia marcado seus dois gols, surgiria para despachar a bola para fora e colocar a casa em ordem.

 

Um pouco antes ou depois, já não lembro mais, foi nossa vez de contra-atacar pelo meio, com o trabalho de articulação de Alan Ruiz, que havia entrado no segundo tempo. O gringo encontrou livre pela esquerda, dentro da área, Mateus Biteco, que também acabara de entrar. O volante, que era o homem mais avançado do Grêmio naquele momento, percebeu a chegada em velocidade de Zé Roberto. Nosso lateral camisa 10 já havia participado do início da jogada lá na defesa e mesmo depois de correr quase 90 minutos se apresentava no ataque.

 

Descrevo os dois lances acima, que talvez não apareçam nos melhores momentos que a televisão vai mostrar nos programas de esporte amanhã, porque os considero significativos. Revelam parte do sucesso alcançado pelo Grêmio desde que Luis Felipe Scolari assumiu o comando há pouco mais de dois meses. Cada jogador em campo, comece como titular ou entre no decorrer da partida, está comprometido com as ideias defendidas pelo treinador. Defendem e atacam independentemente da posição para a qual estão escalados. Entregam-se de corpo e alma, mesmo quando há limites técnicos. Sabem que nosso objetivo está no topo da tabela e têm perseverança nesta busca, pois estão cientes de que o caminho é longo, ainda faltam 13 rodadas, são 39 pontos em disputa e um tremendo de congestionamento de times.

 

A vitória deste domingo, além de nos manter nessa caminhada, nos oferece outros sinais animadores. O Rio de Janeiro é praticamente nossa casa, estamos há dois anos e 20 jogos sem perder para times cariocas. Neste campeonato, alcançamos a nona partida seguida sem derrota e completamos 810 minutos sem tomar gol – fato, aliás, que me faz lembrar mais um lance no Maracanã: com apenas um minuto do segundo tempo, instante em que o adversário parecia motivado a mudar o rumo do jogo após praticamente não tocar na bola no primeiro tempo, o ataque deles chega de forma perigosa, faz assistência de letra, completa com um sem-pulo mas se frustra ao ver Marcelo Grohe desviar com a mão esquerda. Nosso goleiro impediu o gol com movimento que levou milésimos de segundo, o que também explica nosso sucesso até aqui.

 

De Grohe a Barcos, sem exceção, todos sabem seu dever e estão prontos a servir. Assim é o Grêmio de Luis Felipe Scolari e quem não acreditar nisso que pegue suas convicções e vá torcer em outra freguesia.

Avalanche Tricolor: até a pé nós iremos a caminho da liderança

 

Grêmio 2 x 1 Botafogo
Brasileiro – Alfredo Jaconi/Caxias (RS)

 

 

Chegamos ao terceiro dia de turbulência em São Paulo provocada por desentendimento entre sindicalistas que pararam boa parte do transporte de ônibus na capital e, de forma brutal, abandonaram os passageiros no meio do caminho. Aparentemente, os grevistas perderam força nesta quinta-feira e o sistema talvez volte a funcionar no restante do dia. Como da cabeça desta turma não se sabe o que pode sair, é bom ficar alerta no noticiário para que não sejamos surpreendidos mais uma vez. Foi triste acompanhar pessoas humildes sendo obrigadas a caminhar por horas para chegar no trabalho ou voltar para casa devido a falta de ônibus. Em alguns bairros os pedestres pareciam estar em procissão, todos seguindo o mesmo passo em busca de um destino. Imagino que não tenha sido esta cena que motivou o desproposital comentário do ex-presidente Lula de que o brasileiro está acostumado a andar a pé e este negócio de metrô na porta do estádio é babaquice, expressão usada em conversa pública com amigos. Ninguém pede estação na porta do estádio, consta que nem é recomendável, mas é prudente que se tenha meio de transporte capaz de atender a grande demanda de torcedores que costumam assistir aos jogos de futebol.

 

É provável que você já tenha lido a história que vem a seguir, mas a reproduzo aqui na Avalanche porque é o gancho que precisava para desviar este texto para as coisas do meu Grêmio. Foi no restaurante Copacabana, no bairro da Cidade Baixa, e inspirado na devoção dos torcedores que não se intimidaram com a greve de bondes, em 1953, e seguiram a pé ao estádio da Baixada do Moinhos de Vento para assistir ao jogo de seu time do coração que Lupicínio Rodrigues compôs o mais conhecido verso do hino gremista: “até a pé nós iremos, como o Grêmio onde o Grêmio estiver”. Desde aquela época, nossos torcedores não mediam esforços para apoiar a equipe e têm se consagrado por estar ao seu lado em qualquer situação. Diante desses fatos, o cansaço causado por dias de trabalho exaustivo e a obrigação de acordar ainda de madrugada para dar início à minha jornada, não seriam suficientes para justificar a ausência na partida da noite de ontem, em Caxias do Sul. Evidentemente que meus compromissos profissionais me impediriam de viajar até a cidade serrana, mas às 10 da noite lá estava eu, firme e forte (apesar de que com sono), diante da televisão. E não foram necessários mais de cinco minutos para perceber que o Grêmio me manteria acordado e sofrendo até a meia-noite. Esse foi o tempo para tomarmos o primeiro gol em jogada que até agora não entendi porque não foi interrompida com falta na intermediária, talvez respeito excessivo ao fato de seu protagonista ter jogado com a camisa do tricolor gaúcho.

 

Demoramos um pouco para entender que a virada no placar exigiria no mínimo chutes a gol. Durante parte do primeiro tempo nosso time não era capaz de encontrar espaço para tal e quando o encontrava desperdiçávamos com passes errados ou chutes desviados. De repente, com a torcida gritando no cangote, já que as arquibancadas do Alfredo Jaconi nos deixam próximos dos jogadores, de tanto insistir por um lado e pelo outro, na maioria das vezes no congestionado caminho do meio, a bola chegou a Barcos que a escorou para Rodriguinho chutar rente a grama e distante o suficiente para o goleiro adversário não alcançar. O gol de empate tirou a sonolência, minha e do jogo, e abriu a perspectiva de encerrarmos a rodada do Brasileiro muito próximo da liderança, meta que foi alcançada quando faltavam pouco mais de dez minutos para o fim da partida. As duas mudanças feitas pelo técnico Enderson Moreira deram resultado quase que imediato, pois Zé Roberto, que substituiu Ramiro, entregou a bola para Maxi Rodriguez, que entrara no lugar de Rodriguinho, marcar o gol da virada. O uruguaio chegou com velocidade, tirou os dois marcadores com um só drible e ajeitou a bola quase no ângulo. O gesto de comemoração deixou claro que ele estava incomodado com o burburinho da torcida devido ao baixo desempenho das últimas partidas. Que sempre responda jogando deste jeito.

 

Quanto a nós, torcedores: até a pé iremos a caminho da liderança.