Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quantas mensagens você é capaz de reter em um anúncio?

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“Menos é mais e isso vale também aqui para marcas”

Cecília Russo

Qual a nossa capacidade de observação e retenção das informações que recebemos ao longo dia? Partindo desta dúvida, a Millward Brown, dedicada a fazer pesquisas de mercado, expôs um grupo de pessoas diante de quatro cenários. Em um deles, havia um comercial com apenas uma mensagem, em seguida outro com duas, três e quatro mensagens. O resultado não surpreendeu, mas serviu para certificar o que muitos profissionais de branding têm defendido há algum tempo: ser simples gera melhores resultados.

De acordo com a pesquisa, o público que foi exposto ao comercial com quatro mensagens reteve de 24% a 42% das informações transmitidas. Em contrapartida, o potencial de retenção daqueles que estiveram à frente do comercial com apenas uma mensagem chegou a quase 100%.

Com base nesse trabalho, Jaime Troiano e Cecília Russo, alertam para o risco de as empresas cairem na tentação de criarem peças publicitárias ou material de divulgação com mensagens técnicas, detalhadas e minuciosas sob a justificativa de deixarem seu cliente bem informado. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, nossos especialistas em branding lembraram que quanto mais congestionado for o mercado, mais meios e mensagens tivermos à disposição, mais precisamos ser concisos em nossas mensagens:

“Ninguém consegue apreender várias mensagens de uma marca”.

Cecília Russo

Para comunicar de forma mais eficiente é preciso fazer um exercício de depuração das mensagens, identificando aquela que seja a mais importante, contendo a ambição de querer falar tudo. É a mensagem-chave que precisará ser comunicada, e para fazer essa escolha é importante entender muito os dois lados: 

“Saber tudo de seu produto para saber o onde colocar o holofote e conhecer profundamente seu consumidor, para que a mensagem tenha relevância para ele”.

Jaime Troiano

O que os números não mostram, mas é importante para que essa mensagem-chave seja realmente absorvida pelo público-alvo é a forma de transmitir a informação. Ter um bom storytelling é uma maneira interessante de dar vida a mensagem única que se quer comunicar. 

Na nossa conversa, Jaime lembrou de um diálogo do filme “Amigos, sempre amigos”, de 1991, quando o personagem representado por Bruno Kirby pergunta a um companheiro:

— Sabe o que uma vida simples significa? 

— Não?

Do alto de seu cavalo, Kirby mostra com o dedo:

— One thing (uma coisa)!

— E como saber qual é a uma coisa?

— Você tem de descobrir!

Com marcas é exatamente isso, uma mensagem relevante e você é que tem de descobrir qual é essa mensagem.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que foi ao ar no último fim de semana do ano:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quais as mais mais da pesquisa Marca Mais

Pesquisa também certifica escolha do consumidor pela marca Photo by Andrea Piacquadio on Pexels.com

“Sua marca pessoal é o que as pessoas dizem sobre você quando você não está na sala.” 

Jeff Bezos

Inspirando-se na frase do ‘todo poderoso’ da Amazon, nossos colegas Jaime Troiano e Cecília Russo colocaram suas equipes a trabalhar em busca de uma resposta: o que falam das marcas quando elas não estão na sala? Pela oitava edição, a TroianoBranding usou de sua metodologia para selecionar as empresas e serviços que mais se destacaram no ano e publicar a pesquisa Marcas Mais, encomendada pelo Estadão. O trabalho revela quais as marcas, em várias categorias de negócio, têm mais envolvimento com o mercado de consumidor — ou seja, vai além da proposta da maioria das pesquisas que é saber quais marcas estão na mente do consumidor.

“O Marcas Mais é feito de um conjunto maior de indicadores que revelam a saúde, a força e o envolvimento que a marca tem com os consumidores”

Cecília Russo

Com base nos resultados alcançados ao longo dos oito anos da pesquisa, Jaime e Cecília fizeram levantamento das marcas que mais se destacaram entre os três primeiros lugares em suas categorias, revelando aquelas que têm demonstrado consistência na relação com o cliente. 

A seguir, aquelas que apareceram nas oito edições do Marcas Mais:

  • Bancos — Itaú e Banco do Brasil
  • Supermercados — Carrefour e Extra
  • Seguradoras — Porto Seguro e Bradesco
  • Automóveis — Volkswagen e Honda
  • Educação Superior — Mackenzie e PUC
  • Produtos de Limpeza — Omo e Veja

Um das reflexões feitas na edição deste ano foi que, além de os resultados serem um prêmio para a empresa e um atestado de competência para seus gestores, também são um benefício ao consumidor:

“Quando ele vê a marca que ele consome numa posição privilegiada, ele sente confirmada a escolha que fez por ela”

Jaime Troiano

Diante dessa constatação, Jaime e Cecília lembram que os clientes têm o direito de saber como a marca que ele usa é avaliada pela sociedade da qual faz parte. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: aluga-se tudo 

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“Vale estudar um pouco seu mercado e avaliar se há uma oportunidade dentro da economia compartilhada”

Jaime Troiano

De casa a carro, de roupa a lava-roupa. Aluga-se de tudo e um pouco mais em um sistema bastante antigo que ganhou roupagem nova com o conceito da economia compartilhada. Diante da era da escassez, tomar por empréstimo alguma coisa faz sentido além de tornar acessíveis bens que seriam financeiramente inviáveis. Com isso, surgiram oportunidades para que as marcas construam nova imagem frente ao consumidor.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo revelou seu otimismo com o sistema de aluguel que, além de estar se expandindo aos mais diversos setores da economia, têm surgido de forma renovada em segmentos onde o modelo já existia, como o de automóveis. Se no passado alugava-se carros por dias ou semanas —- e necessariamente em agências especializadas —, hoje é bastante comum, o aluguel por hora e de veículos que estão estacionados nos mais diversos pontos da cidade.

“Vejo que a modalidade do aluguel tem muito espaço para crescer e muitas marcas novas poderão surgir nessa tendência”

Cecília Russo

A economia compartilhada democratiza o uso de produtos e serviços assim como reduz o impacto no meio ambiente. No caso de carros, por exemplo, troca-se a lógica de um carro por pessoa para um mesmo carro para várias pessoas. 

A consolidação deste modelo passa pelo amadurecimento do consumidor que vê com menos preconceito a possibilidade de dividir produtos com outras pessoas e se desprende da ideia de posse. As vantagens são muitas, como relacionou Jaime Troiano:

  1. Comodidade: locar um carro, por exemplo, alivia o consumidor de várias tarefas. Já vem com seguro, não tem de pagar IPVA e a manutenção é desnecessária. Se houver algum problema, devolve e troca de carro. 
  2. Variedade: alugar roupas é ter um armário ilimitado, com todas as cores, modelos e estilos disponíveis sem lotar o seu armário em casa.
  3. Acesso: aluguel, é óbvio, custa bem menos do que comprar um bem, na maior parte dos casos. Dessa forma, pode-se ter acesso a uma bolsa de uma grife para usar no fim de semana, sem desembolsar o valor de uma compra.

Queremos ouvir a sua opinião:

O que você pensa sobre a locação dos mais diversos produtos? 

Qual foi a sua experiência nessa área? 

Que oportunidades você vê para o seu negócio?

Para saber mais sobre o mercado de aluguel e como as marcas devem aproveitar essas oportunidades, ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que pensam os brasileiros sobre a publicidade

Imagem de StockSnap por Pixabay 

“Só marcas que conhecem pessoas conseguem criar relacionamentos duradouros. Isso para a publicidade é fundamental porque só assim consegue-se criar algo que tenha pertinência ao público”.

Jaime Troiano

O Brasil é destaque frequente nos festivais mundiais de publicidade e essa qualidade é reconhecida pelo público, como se percebe nos resultados de pesquisa realizada pela Globo e publicada no portal Gente. Foi de lá, que Jaime Troiano e Cecília Russo extraíram dados para refletir sobre a influência da propaganda no público e, por consequência, na formação das marcas. De acordo com o estudo, 78% dos brasileiros consomem vídeo diariamente —- seja na TV ou streaming —- e são multi-telas. Não bastasse esse alto volume de consumo, 70% dizem prestar atenção aos conteúdos publicitários veiculados nesses espaços — um avanço de 10 pontos percentuais em relação ao resultado alcançado em trabalho semelhante há três anos. 

“Também é interessante ver que a razão para esse engajamento é a qualidade da publicidade brasileira. Aliás, comparando com dados globais, a publicidade brasileira é associada de forma bem mais expressiva como de melhor qualidade.”

Cecília Russo

Um engajamento que pode ser medido pelo interesse que a publicidade gera no consumo da marca: 77% declaram que foram em busca de informações sobre o produto ou o serviço anunciado, o que, segundo Jaime, mostra a credibilidade que a publicidade tem e o impacto que exerce no comportamento do público. 

“E ainda vemos um caráter pedagógico nas propagandas, já que 68% afirmam que ver propagandas os ajudam a conhecer mais sobre produtos ou serviços e 62% afirmam que é por lá que se atualizam sobre novidades das marcas”

Jaime Troiano

Um aspecto ressaltado por Jaime e Cecília é que muitos dos dados coletados mostram que a publicidade é cada vez mais efetiva quando existe adequação entre a mensagem publicitária e o perfil do consumidor. E respeito à inteligência dele.

A pergunta que Cecília deixa para os ouvinte é se temos nessa relação publicidade e público o efeito ovo e galinha: a nossa publicidade é de alto nível e os consumidores mostram níveis de engajamento bastante alto com elas ou é o contrário, o alto engajamento dos consumidores pressiona as marcas para trazerem cada vez mais qualidade para seus comerciais?

Enquanto você pensa na melhor resposta, ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cinco tendências do design de marcas

“Design é parte do branding, mas branding não é só design”

Cecília Russo

 

As letras mais finas e um tom de azul mais elegante, se aproximando do azul marinho, redesenharam uma das marcas mais longevas e tradicionais de automóvel do mundo, a VolksWagen. A mudança, anunciada em setembro de 2019, chegou aos novos modelos de carro em 2020, e vai ao encontro de uma das tendências de design de marcas: a “simplicidade renovada”.

Outra linha que os gestores de marcas têm adotado é a do “retrô moderno”, que pode ser percebida na nova identidade visual do Burger King que, desde 2021, trouxe de volta elementos usados nos anos de 1960, mexeu em sua paleta de cores e se apresenta com soluções mais minimalistas, além de nostálgicas.

Os dois exemplos foram apresentados por Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, para ilustrar algumas das tendências em design que tinham sido identificadas por Izzy Bunell, fundadora do estúdio de design e branding Friendhood Studio. Considerada uma das maiores especialistas no tema, Izzy publicou estudo em que relacionou as grandes tendências nesta arte de desenvolver a grafia das marcas.

Vamos a cinco dessas tendências:

Simplicidade renovada: remoção de gradientes e efeitos 3D para facilitar sua aplicação em diferentes locais, em especial no mundo digital 

Retrô moderno: fontes serifadas e grandes marcas revisitando logos históricos e trazendo uma visão atualizada do que era antigo.

Flexibilidade: logotipos que mudam de cor e estilo, mas permanecem reconhecíveis. 

Marcas nominativas: logos que focam na tipografia, talvez para deixar o nome da marca mais claro. 

Animações: logotipos dinâmicos que pertencem à esfera digital.

As tendências de design são um bom norte para revisar como as marcas estão se apresentando visualmente e ajudam os gestores a refletirem sobre a necessidade de fazerem mudanças. Jaime e Cecília, porém, alertam para dois fatos. Primeiro, ninguém deve ser refém dessas tendências; segundo, mudanças e atualizações na identidade visual não são para serem feitas todos os anos. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso  em que Jaime Troiano e Cecília Russo trazem outros exemplos de marcas que renovaram sua identidade:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quatro motivos que fazem o consumidor ser refém de uma marca

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“Crie condições para que os consumidores tenham bons motivos para escolher sua marca e não os mantenha com você apenas porque são reféns”

Cecília Russo

Um erro comum na relação com o consumidor, é acreditar que a permanência dele ao seu lado se dê por livre e espontânea vontade. Nem sempre é assim que a “banda toca”.  Os gestores das marcas precisam estar atentos para identificar se a “fidelidade” dele se dá por desejo próprio ou porque ele está prisioneiro daquela situação. Motivos não faltam para que isso ocorra.

Jaime Troiano e Cecília Russo identificaram ao menos quatro razões para o consumidor ser refém das marcas.

A primeira, mais básica, é quando a escolha se faz exclusivamente pelo preço.

“Ele filtra aquela marca que cabe no bolso. E aí não é bem uma escolha, é a única alternativa possível. Infelizmente, isso ainda é bem comum no nosso país”

Cecília Russo

A segunda razão pode ser ilustrada pela situação enfrentada por clientes de planos de saúde. Em alguns casos, o paciente se interna no hospital em que o plano autoriza o procedimento médico e não, necessariamente, na instituição de preferência dele. Outro exemplo é o do funcionário obrigado pela empresa a usar determinada marca de computador ou celular, mesmo que não esteja entre aquelas que mais admira.

A terceira razão para o cliente se transformar em refém de uma marca é quando ele tem de usar os serviços públicos. Nas cidades e nos estados, por exemplo, o cidadão pode ser cliente somente de uma companhia de água ou de energia elétrica. No passado, talvez o caro e rado leitor, já tenha esquecido, acontecia a mesma situação com os serviços de telefonia. A privatização acabou com esse monopólio estatal e o cliente ganhou o direito de escolher qual a empresa contratar.

A quarta situação em que o consumidor pode se transformar em refém de uma marca é quando faz parte, por exemplo, de um clube ou de um condomínio, em que é obrigado a usar determinados serviços como o provedor de internet. Também se encaixa nesse caso, o frequentador de bar que só tem uma marca de “refrigerante cola” ou de “cerveja” para consumir. Ou o profissional que só pode receber o salário pelo banco que a empresa dele têm contrato. 

“Quase ninguém gosta de ser refém. O consumidor, por princípio, quer escolher o que comprar. Queremos ser consumidores livres e não consumidores reféns”

Jaime Troiano

Na existência dessa relação perniciosa, dificilmente as pessoas se sentirão confortáveis com essas imposições, pois ferem o princípio básico de liberdade e independência. Há um alto risco de o consumidor não criar laços afetivos com a marca, mesmo que a utilize com frequência. E o perigo de tudo isso é que ao não forjarmos uma relação baseada no livre arbítrio, esta deixe de ser permanente e na primeira oportunidade o cliente a abandona, “pula fora”.

“Assim, na primeira folga de orçamento, consumidores abandonam as marcas de preço e vão para as de coração, trocam de plano de saúde para terem mais escolhas ou transferem o dinheiro da conta salário para um banco que os atendam melhores ou com o qual já tenham um bom relacionamento”. 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar no Jornal da CBN, todos os sábados, às 7h50 da manhã:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  cinco lições de branding que aprendemos nos livros

“Sem formação literária ou cultural, branding é um deserto”

Jaime Troiano

Está nos livros parte da inspiração que move nossa criatividade. É neles que surgem ideias e conhecimento que ajudam os gestores a desenvolverem suas marcas e mensagens. Quando tratamos desse assunto não estamos aqui falando apenas dos livros de negócios que, por óbvio, são fontes de informação importantes para o planejamento e as estratégias na construção da marca. Romances, novelas, histórias e ficção também se fazem necessários porque ajudam a compreender o mundo ao nosso redor e estimulam nosso pensamento.

Para contribuir nessa tarefa, Jaime Troiano convidou um grupo de pessoas que jamais havia tido a oportunidade de publicar seus textos em um livro para escrever sobre livros. Isso mesmo! A ideia foi incentivar esses “autores novatos” a levarem para o papel a história de livros que tocaram o coração deles. A primeira surpresa do organizador foi que todos os convites que fez foram aceitos. A segunda, que em cada capítulo, surgia uma nova lição a ser aplicada nas mais diversas áreas do conhecimento — e do branding, também, é lógico.

Leio, logo existo – relatos de como os livros encantam e transformam nossas vidas” (Editora CL-A Cultural) reuniu 22 autores dos quais apenas dois não podem ser considerados ‘novatos’: o próprio Jaime e a Cecília Russo, nossos colegas no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Foi na conversa com eles, aliás, que selecionamos cinco ensinamentos para quem trabalha com gestão de marcas. 

  1. É preciso mergulhar na alma humana — lição que surge a partir do destaque que alguns autores deram ao trabalho de antropólogos, essa gente que nos ajuda a entender nossa história e formação. Acompanhá-los é fundamental no branding.
  2. Obras mágicas estimulam o pensamento —  uma das autoras, Dafne Cantoia, escreveu sobre a magia da literatura que a levou conhecer Hobbit, de J.R.R.Tolkien, e o quanto esses textos estimularam seu pensamento em projetos de marcas. Para ela, Hobbit era mais do que uma aventura externa. Era uma jornada de conhecimento em si mesma.
  3. Inspire-se na ousadia e inovação das mulheres — os textos da escritora e jornalista Carmen da Silva, em sua coluna “A arte de ser mulher”, publicada na revista Cláudia, entre 1963 e 1985, foram destacados por Anna Russo. Era inovadora e ousada, características muito exploradas atualmente pelas marcas que falam com mulheres. Foi Carmen quem disse: “quem sabe os ensinamentos de nossos pais, tão sensatos e bem-intencionados, já não tenham total vigência no mundo tal como ele é hoje”. O hoje eram os anos de 1960.
  4. Mirem-se no exemplo das nossas mulheres — Pode parecer redundante com a lição anterior. É proposital. Se como dizem 70% das decisões de compra são feitas por mulheres, é de mulheres que o branding tem de entender. Uma boa maneira de olhar para o pensar feminino é “dar um pulinho” nos livros e contos de Clarice Lispector, citada no texto de Patrícia Valério.
  5. Fuce e escave sob a superfície — um dos textos fala em escavar sob a superfície e nos faz lembrar que os melhores trabalhos de branding são aqueles em que se faz a arqueologia dos comportamentos dos consumidores.

“O que os autores de “Leio, logo existo” fizeram foi buscar os vestígios importantes que livros deixaram em suas vidas, o que, no fim das contas, é o que grandes marcas, marcas de valor, marcas que têm um conteúdo afetivo fazem conosco. Deixam pegadas que nos ajudam a tomar decisões em nossas opções de compra”.

Cecília Russo

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: pra não pisar na bola com a Copa do Catar

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“As marcas não têm o direito de se aproveitar de um sentimento nacional que é muito maior e mais importante do que a importância que elas têm”

Jaime Troiano

O calendário de fim de ano está concorrido, a começar pela eleição que se realiza no próximo fim de semana e se estenderá até o fim do mês seguinte. Mesmo que a escolha do presidente seja decidida em primeiro turno —- uma possibilidade conforme as pesquisas de opinião —, ainda teremos muitos candidatos a governos estaduais se engalfinhando nas semanas seguintes. E assim que a eleição se encerrar, a Copa do Mundo do Catar provavelmente vai tomar para si as atenções do público, mesmo daqueles que dizem não se importar com essas coisas do futebol —- desdenham da força desse espetáculo, mas o simples fato de terem de ressaltar que não estão nem aí para a coisa, sinaliza que a coisa existe.

Futebol e politica se misturam desde que esse esporte passou a ser visto como expressão nacional. Por mais de uma oportunidade foi explorado por políticos e governos. Não é diferente agora, quando até a camisa da seleção brasileira — que por sinal é de uma instituição privada, a CBF — foi sequestrada por bolsonaristas. Na Copa de 1970, a Ditadura Militar não se fez de rogada. Roubou a felicidade dos brasileiros diante da conquista do Tri Mundial para benefício próprio. Causou constrangimento e deixou um sabor amargo nas comemorações de um povo que só queria ser feliz diante da conquista de sua seleção.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, meus colegas de todos os sábados, Jaime Troiano e Cecília Russo, lembraram aquele momento para fazer um alerta às empresas, às marcas e aos seus gestores que pretendem usar a Copa como inspiração para suas campanhas assim que a eleição terminar. 

Primeiro — neste caso, sou eu quem estou chamando atenção aqui neste texto — é preciso saber que a Fifa é muito rígida e competente no controle de como a sua marca e a do Mundial são exploradas. Somente os patrocinadores oficiais têm o direito de usá-las em seus anúncios. Nem mesmo o nome Copa do Mundo do Catar pode aparecer nas peças publicitárias — se você não for um patrocinador oficial. Portanto, antes de tudo, cuidado para não ter de responder judicialmente.

O segundo aspecto a ser considerado  — e aí a bola está com o Jaime e a Cecília —- é o da antiga lição de que jamais devemos transformar oportunidade em oportunismo. O público sabe bem quando isso acontece:

“Mantenha o seu posicionamento, a sua identidade sempre, mesmo quando você  tiver que aproveitar alguma ocasião especial. Pode ser uma data comemorativa, uma celebração, um evento especial, etc. Mesmo  quando você embarca numa dessas datas, nunca troque sua alma, sua essência por uma oportunidade de ocasião”

Cecília Russo

Marcas que mudam de cara conforme a “festa” deixam de ser autênticas e perdem identificação com seu público. A coerência na comunicação constrói imagem e, portanto, nenhuma comemoração —- por melhor que seja participar dela — deve ser motivo para você se arriscar em aventuras distantes da sua essência. 

Jaime constata que, com a aproximação da Copa, algumas marcas querem tirar proveito desse clima de seleção e mostrar, por exemplo, que o evento nos aproxima, como se não soubéssemos da distância que o clima político tem gerado na sociedade brasileira:

“Assumir o papel de quem abençoa a união nacional vai um pouco além da conta, como função de uma marca”.

Jaime Troiano

É possível usar os grandes eventos para engajar o público, mas deve-se considerar se sua marca tem alguma identificação com o assunto. Aqueles que já exploram o universo esportivo podem fazer essa conexão de maneira mais apropriada, portanto cuidado para “não pisar na bola” —- com a devida licença para o uso do trocadilho.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: sete regras para escolher o nome da marca

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“Já dei nomes para marcas. Já dei nome para filhos. Muito mais difícil dar nomes para marcas”

Cecília Russo

Escolher o nome da marca exige cuidados muito especiais. Como disse Cecília Russo no epígrafe deste texto, é mais difícil do que escolher o nome do seu filho – em tempo, além de especialista em branding, ela é mãe. O que justifica esse pensamento? Na minha opinião, que sou pai, é que nome de filho escolhemos para nos agradar e nome de empresa ou marca, para agradar o cliente. Sem contar outros cuidados burocráticos que essa decisão exige.

Para facilitar sua tarefa, a Cecília e o Jaime Troiano identificaram sete regras, ou sete ‘tens’, para você escolher o nome da marca:

  • Tem de ser diferente — nomes precisam ter algo, de fato, diferente dos seus concorrentes. Caso contrário, vão ser engolidos por eles. 
  • Tem de emocionar — os melhores nomes são aqueles que ajudam a provocar algum tipo de emoção, de sentimento e não apenas uma palavra fria.
  • Tem de registrar — consulte o INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial para saber se você pode registrar sua marca ou ela já tem dono
  • Tem de ser curto — vale a pena um grande esforço para se  ter um nome tão curto quanto possível. O que não significa obrigatoriamente criar uma sigla. Mas uma palavra enxuta. Exemplos: Gol; ZAP; Visa, Skol.
  • Tem de saber pronunciar —  é meio lógico, mas é um alerta. Apesar de que nomes que alguns difíceis de pronunciar terem sido capazes de criar uma certa graça como é o caso do Haagen-Dazs. 
  • Tem de desenhar — se o nome permitir uma fácil representação  visual, melhor. A construção da marca agradece. Querem um bom e atual exemplo: Twitter, a sua representação por meio de um pássaro é uma grande sacada por causa do nome tweet que se refere ao barulho de um passarinho. Tem mais: os peixinhos da Hering.

 “Desde pequeno, em nossas vidas, a gente tem muito mais dificuldade de guardar na memória palavras e muito mais facilidade de guardar imagens” Jaime Troiano 

  • Tem de valer lá fora — marcas que poderão ser vendidas em outros países têm de cuidar com as palavras impronunciáveis ou que significam palavrões em outros lugares.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a ingenuidade da simplificação

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“Há uma precipitação febril no uso de siglas para representar marcas que têm uma história consolidada com seu nome original. Cuidado com isso!”

Jaime Troiano

Que no Brasil, a turma gosta de colocar apelidos, encurtar nomes e criar siglas, nós sabemos bem. O José nunca vai escapar de ser chamado de Zé, a Elizabete de Bete e o Paulo César de PC — apenas para usar alguns dos exemplos que me vieram à mente enquanto escrevo este texto. Tem até uma piada antiga que fala deste hábito, se não me engano contada pelo Juca Chaves. Depois de uma sequência de nomes que ganharam novas versões, ele concluiu com o apelido de um amigo batizado Pica-Pau e apelidado de “Dos dois”. 

Piadas à parte, quando migramos para o mundo das marcas é preciso muito cuidado com essas simplificações. Para Jaime Troiano e Cecília Russo existe uma precipitação e até ingenuidade dos gestores em aplicar a tese de quanto mais simples melhor. 

“O que preocupa é quando vira sigla nem sempre compreensível e gasta-se um dinheiro muito grande para explicar a mudança do nome. Sempre que se precisa explicar muito alguma coisa, é porque algo já está errado”.

Cecília Russo

Jaime e Cecília lembraram de simplificações de nomes de marcas que foram bem sucedidas, como é o caso da Vale do Rio Doce que se transformou apenas em Vale ou das Lojas Americanas que assumiu o segundo nome. O caso mais recente foi do McDonalds, que mantém a marca internacional, mas aceita de bom grado, inclusive com uso em peças publicitárias e produtos oferecidos ao público, o apelido Méqui. 

“Todos esses casos têm algo em comum: eles não são simplificações de nome impostas artificialmente de fora para dentro. São fruto de uma natural acomodação linguística pela qual a identidade original da marca passa”.

Jaime Troiano

Há uma tendência para que a linguagem fique mais compacta no mundo dos negócios e nas relações profissionais em geral, provavelmente influência de novas formas de comunicação no ambiente digital. As abreviações — algumas até forçadas —- já fazem parte do diálogo na rede social, além de palavras que são substituídas por símbolos como é o caso do sorridso que ganhou a versão gráfica :). O que não pode é sob o impacto do modismo “jogar o bebê fora com a água do banho”. 

Algumas marcas tem nomes tão conhecidos, tão tradicionais que ninguém  nunca ousou transformar numa sigla. Por exemplo, a Viação Cometa não virou VC, no máximo passou a ser Cometa. O cliente quando pede a cerveja Stella Artois reduz para um íntimo Stella, jamais S.A. Há casos de marcas que nasceram simples e aí  me permitam olhar para o próprio umbigo: a CBN é por origem Central Brasileira de Notícias, o que talvez poucos se lembrem. A IBM é a Internacional Business Machines e a FIAT, a Fábrica Italiana de Automóveis de Turim. 

Forçar um apelido ou uma sigla tende a se transformar em um grande erro de estratégia. É preciso preservar o sentido e o valor da marca; e respeitar a opinião e o hábito daqueles que a consomem:

“As marcas quando bem construídas não pertencem aos donos, pertencem aos clientes. Atenção, você estará mexendo em algo que não é seu”.

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo: