Avalanche Tricolor: …

Grêmio 1 x 1 América (MG)
Brasileiro – Olímpico Monumental

Há momentos de falar, há momentos de calar. Este é um deles.

É legítimo vibrar com os carrinhos – é o esporte bretão em sua essência, diz o blogueiro do Tributo ao Carrinho. É significativo quando negamos um gol de calcanhar pois curtimos muito mais que tenha sido resultado de um coice como o de Miralles. O chutão é bem-vindo, mas apenas para despachar o atacante inimigo, nunca para justificar uma tentativa de gol. O mau futebol é compreensivel. Ou aceitável. Desde que acompanhado do sangue azul que queremos ver correndo na veia de cada um de nossos jogadores. Em alguns até é possível fazer este diagnóstico, é visível o desespero na jogada perdida, no esforço frustrado. Mas não parece ser suficiente para nos convencer.

Mas nós bem que merecemos um pouco mais. E, por isso, prefiro calar na certeza de que a Avalanche Tricolor ainda virá.

Avalenche Tricolor: O meu herói

 

Figueirense 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Com o despertador pronto para disparar às quatro e 20 da manhã, assistir aos jogos até quase meia noite torna impossível a atualização da Avalanche Tricolor logo após a partida, como costumo fazer desde que iniciei esta coluna no Blog. Aliás, tem gente que não consegue entender como acordo de madrugada para ir trabalhar mesmo tendo dormido tão pouco. É a necessidade: de ver o jogo e de trabalhar, não necessariamente nesta ordem de prioridade.

Ainda ontem, conversei por e-mail com a colega Carolina Morand que tão talentosamente (alguns diriam, perigosamente) me substituiu na apresentação do Jornal da CBN nos 15 dias de férias, no início de julho. Mãe recente, acordar cedo de mais exige alguns sacrifícios para ela. Falávamos sobre esta exigência do trabalho e comentava que nas manhãs seguintes aos jogos a tarefa era mais árdua, principalmente quando meu time era derrotado. Em tom de brincadeira, me respondeu: “acordar todo dia a esta hora, você é um herói”.

Nem tanto, Carolina, nem tanto.

Muitos trabalhadores já estão na rua, no ponto de ônibus ou batendo perna, quando começo meu caminho para a rádio, ainda em uma São Paulo escura, pela ausência do sol e precariedade da iluminação pública. Muitos, inclusive, obrigados a assumir função que não lhes agrada em nada. Estes, sim, são heróis do mercado de trabalho. Para mim, estar no ar, dentro de alguns minutos, na CBN, é motivo de prazer, que me leva a acordar entusiasmado, mesmo quando o desempenho do meu tricolor não está a altura da minha expectativa.

Confesso que quase lamentei o sacrifício da quarta à noite ao ver o árbitro assinalar aquele penalti já no fechar das cortinas – como diriam os antigos locutores de rádio. Fiquei pensando como seria complicada a manhã seguinte e quanto desperdício, principalmente após um jogo em que sua equipe não apresentou nada para lhe entusiasmar.

A defesa de Marcelo Grohe, porém, mudou meu cenário. Tive a sensação do gol marcado, da conquista alcançada e de ter sido testemunha de mais um feito incrível. Não era para tanto, afinal nosso goleiro apenas (?) impediu mais uma derrota no campeonato, além de corrigir uma injustiça cometida pelo árbitro. Mas quando se torce alucinadamente por um time e é preciso acordar tão cedo na manhã seguinte, aí sim Carolina, precisamos de heróis. Grohe foi o meu herói.

Avalanche Tricolor: Um olhar em Miralles

 

Grêmio 2 x 2 Avaí
Brasileiro – Olímpico Monumental

Um juiz trapalhão e um time atrapalhado não costumam ser motivo de entusiasmo, mas o gol que impede a derrota no minuto excedente é sempre excitante para o torcedor. Vibra-se muito mais para espantar a indignação pelas coisas que não estão dando certo do que propriamente pelo ponto conquistado, pouco para quem está diante de sua torcida e contra um adversário capenga na competição.

Mesmo levando-se em consideração tudo isso, quero escrever esta Avalanche com uma visão positiva do que pode acontecer com o Grêmio neste Brasileiro. Olhar que se abriu aos 7 minutos do segundo tempo quando Miralles entrou em campo com o desafio de mudar o cenário de melancolia que assistiamos. E conseguiu.

O atacante-argentino-cabeludo demonstrou um desejo e uma coragem na busca do gol que vinham fazendo falta ao time. Foi quem mais chutou ou tentou marcar de todos que estiveram em campo, nessa noite, apesar de ter jogado apenas metade da partida. Além disso, parece ter acordado Escudero, seu compatriota, o que será muito bom para a saúde do torcedor gremista no segundo semestre que se aproxima.

Já vimos muito fogo-de-palha vestir a camisa tricolor, gente que estreou com uma cara e logo se descobriu que não passava de uma máscara para nos ludibriar. Pelo histórico e expectativa em relação a Miralles a possibilidade de sermos enganados, porém, é pouca. É preciso apenas que ele seja encaixado em um time um pouco mais organizado e confiante.

Que o espírito de Miralles contamine o Imortal. E ele se transforme em personagem constante desta Avalanche.

Avalanche Tricolor: A camisa estava lá

 

Botafogo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

O domingo gelado deixou a bicicleta pendurada na garagem, passear no parque não parecia tão agradável como nos dias anteriores, e na cozinha se destacava a louça acumulada do feriado estendido. Com esta equação diante dos olhos, a saída era tomar o caminho do shopping mais próximo de casa. Foi o que fiz. E centenas de outras pessoas, também. As poucas vagas no estacionamento já sinalizavam isto.

Logo que cheguei, antes mesmo de decidir o restaurante – ou entrar naquele que tivesse menos tempo de espera -, cumpri ritual que se iniciou há cerca de seis meses. Subo a escada rolante até o primeiro andar e antes de chegar no topo já olho para a vitrina da loja que está do outro lado. É um espaço pequeno, dedicado a material esportivo, no qual se vende apenas produtos da Topper. Imagino que não chame tanto atenção dos demais consumidores quanto as âncoras que são chamariz, ou as de roupas masculinas e femininas que estão elegantes com as roupas de inverno, ou as de joias que dominam as mulheres e as de tecnologia que enlouquecem os homens. Eu, porém, não consigo passear no shopping sem antes ir até lá.

E o que sempre procuro – e hoje não foi diferente -, encontro. O manequim sem cabeça vestia a camisa predominantemente azul-celeste com duas faixas em preto e branco na vertical e horizontal que se cruzam na altura do coração, onde o distintivo aparece em destaque. Meias, calções e cartazes com a imagem de Renato ao centro decoravam o restante do espaço dedicado ao Grêmio desde que o time passou a ter seu material esportivo patrocinado pela Topper.

Confesso a você que sinto uma ponta de orgulho ao ver aquela vitrina e parece que me tornei dependente dela, dada a necessidade de sempre conferir seu visual quando vou ao shopping. Por motivos mais do que óbvios, as lojas de material esportivo em São Paulo estão sempre ocupadas com camisetas do Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos. Aquela não, é toda dedicada ao meu Grêmio.

Os resultados do primeiro semestre e o desempenho nos últimos jogos não têm sido motivo de comemoração, o que aumenta minha apreensão. Temo um dia passar diante da vitrina e não encontrar mais a camisa gremista, vê-la apenas pendurada nas araras no fundo da loja, quem sabe com o carimbo de liquidação. Seria um duro golpe para este apaixonado.

Depois do passeio dominical voltei para casa disposto a assistir à mais uma partida do Grêmio. Era fora de casa e com time ainda desmontado, reforços a espera de uma chance, a revelação sentada no banco em processo de recuperação física, o melhor goleiro do Brasil servindo o Brasil, o capitão no estaleiro, entre outras tantas perdas e prejuízos que deixaram o técnico atordoado e a estratégia de campo, idem. Mas sempre fica a ponta de esperança de que algo possa acontecer de surpreendente – não foi desta vez, mais uma vez.

No apito final, lembrei-me da vitrina do shopping. A camisa do Grêmio ainda estava lá, mas até quando?

Avalanche Tricolor: O ídolo é um torcedor

 

Grêmio 1 x 1 Vasco
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi na transmissão do PFC, canal Pago-Pra-Ver, na tarde deste domingo, que ouvi a pergunta de uma promoção que me dará algum direito qualquer. Confesso não prestei bem atenção qual seria o prêmio, a qualidade do futebol apresentado pelo Grêmio não me permitiu (entenda como quiser esta afirmação).

Como dizia, foi assistindo ao jogo, narrado por meu ex-colega de Rádio Guaíba, José Aldo Pinheiro, que fui instigado a pensar sobre o assunto: “O que é preciso para ser um ídolo no futebol ?”

Meu filho menor, Lorenzo, que ultimamente tem se interessado em jogar bola no recreio da escola – ainda ontem pediu uma chuteira para quadra de salão -, de bate-pronto respondeu: “Tem de ser Messi”.

Ele tem razão em parte. Messi será idolatrado por onde passar, dado o talento que o argentino desenvolveu. São tantas as qualidades que apresenta em campo que criticá-lo é quase impossível, fenômeno que o faz um tipo raro no futebol mundial, um jogador que consegue extrapolar as barreiras de seu clube e o transforma em ídolo de várias torcidas e nações, ao mesmo tempo.

Os meus ídolos nunca foram assim excepcionais. Alguns sequer tinham tanta habilidade com a bola nos pés. Nem mesmo eram daqueles que apareciam no topo da tabela de goleadores. Tinham, porém, uma identificação com o clube construída por elementos subjetivos, difíceis de serem descritos.

Os jogadores que me fizeram chorar, sofrer e sorrir sempre vestiram a camisa do Imortal Tricolor, isto sem dúvida. Toda vez que estavam em campo corriam atrás da bola como eu correria alucinadamente; eram capazes de ver a alma rasgada pela sola da chuteira adversária pois sabiam que havia uma causa maior em jogo do que a simples vitória; o particípio passado do verbo derrotar não existia em sua gramática futebolística, não a aceitavam, não se consolovam.

Dos primeiros nomes que surgiram na memória, no momento em que a pergunta foi feita, estavam Loivo, Vítor Hugo e Iura. Apareceram, também, Dinho, Sandro Goiano e Danrley. Jardel e Galatto, foram contemplados. Alguns odiados pelo inimigo, o que os fazia ainda maior no meu coração. Outros renegados pelos adversários, o que apenas enaltecia meu sentimento.

Assim como eu teria mais jogadores para incluir nesta lista, você, caro e raro leitor deste blog, provavelmente tenha outros ídolos e seus motivos para colocá-los neste patamar. No meu caso, porém, se tiver que definir em apenas uma frase o que os levou a esta condição no meu coração, diria sem pestanejar: meus ídolos foram torcedores travestidos de jogador.

Quantos do atual elenco se encaixam neste perfil ? Deixo essa resposta para o momento em que não estiver mais sob o impacto do desempenho desta tarde, no Olímpico Monumental.

Avalanche Tricolor: Por amor

 

São Paulo 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

Morumbi

Por ser casado com uma ex-repórter de esportes e eu ser muito ligado ao futebol – ao Grêmio, para ser honesto -, era de se imaginar que os estádios fossem lugares comuns à família. Porém, desde que ela trocou de pauta e passou a ser repórter de geral – como chamamos os jornalistas que cobrem uma variedade de temas, da política à polícia, da moda à educação – nunca mais fez questão de passar próximo de um campo. Nem assistir aos jogos na TV tem vontade.

De minha parte, a falta de conforto e insegurança me transformaram em torcedor de pay-per-view. Desde que cheguei em São Paulo, em 1991, raras foram as vezes em que fui ao campo. Com pouco esforço de memória sou capaz de lembrar das partidas de futebol que acompanhei na arquibancada como torcedor – a época em que narrei jogos pela Rede TV! não conta, pois era pago para ir ao estádio. A primeira foi a final de um Copa São Paulo de futebol júnior, na qual Dener, que morreu precocemente, jogou de maneira tão brilhante que o aplaudi mesmo tendo sido responsável pela vitória arrasadora da Portuguesa sobre meu time de coração.

Assim, quando comentei que havia recebido dois convites para assistir ao jogo da noite de sábado, em um camarote do Morumbi, foi uma gratificante surpresa ouvi-la dizer que me faria companhia, se este fosse meu desejo. Sem titubear nem esconder meu prazer, aceitei a proposta.

Até momentos antes do horário marcado para seguirmos ao estádio, confesso, tive dúvidas se a disposição dela persistiria. O recuo seria razoável e compreensível. Esse sábado prometia temperatura baixa e era a sua folga na redação, fatores que combinam com ficar debaixo das cobertas, ler um bom livro, assistir a um filme divertido de locadora, beber vinho ou, simplesmente, dormir.

Devidamente paramentada, boné de lã, casaco elegante fazendo par com as botas de couro e o cabelo realçado pelo brilho dos cremes que costuma usar, lá estava ela, , na hora marcada, a minha espera. Havia ainda os brincos e o colar que me chamavam atenção no rosto levemente maquiado. Singelamente maquiado.

De mãos dadas e abordo de um táxi seguimos para o Morumbi, estádio que fica a poucos minutos de casa. Nem mesmo o fato de o motorista ter pensado que eu era são-paulino, me tirou o humor: “esse é jogo bom de ver porque é jogo de uma torcida só e o São Paulo é lider”- disse ele sem perceber meu sorriso amarelo no retrovisor.

A bola começou a ser tocada de pé em pé – na maior parte das vezes para o pé errado – e nós sentados um do lado do outro em uma confortável cadeira vermelha (por que se importar com a cor?). O frio aumentava a medida que a noite avançava e isto a fez mais próxima de mim. Encostou a cabeça no meu ombro, pegou minha mão com mais força ainda. Nos separávamos apenas para um gole de bebida ou saborear os petiscos oferecidos. Tudo muito rápido e devidamente compensado com um beijo, uma bochecha sorridente, um carinho.

As coisas aconteciam no gramado, jogadores tropeçavam na qualidade, sacrificavam o bom-senso com suas escolhas e, de vez em quando, conseguiam um drible decente, um passe interessante e um chute em gol. Um gol, dois gols, três gols. Chegaram a marcar quatro gols. Dois do lado de cá do campo, dois do lado de lá. A maioria tive de conferir na tela da TV, pois enxergar o jogo dos camarotes não é tarefa tão bem definida assim.

Nada do que ocorria lá dentro, de bom e de ruim, a fez mudar de postura. Foi, aliás, nos piores momentos que se fez mais presente. Cúmplice do meu sofrimento, usava de subterfúgios para desviar minha atenção, me fazer sentir melhor. Dava sinais de que estava preocupada com os meus sentimentos futebolísticos, dado o desenrolar da partida. Tentou disfarçar com a leitura de faz-de-conta de uma revista de variedades.

Mal sabia ela que nada daquilo que ocorria lá adiante me incomodava. A falta de talento à disposição do técnico, a insistência dele em escalar jogadores fora de posição, a defesa incapaz de impedir o assédio adversário, o passe desleixado do suposto craque e a ineficiência dos atacantes (ou do atacante) não eram suficientemente importantes diante daquele momento que eu vivia.

A paixão que o sacrifício dela me despertou fez superficiais o futebol jogado pelo meu time e o resultado final. Seu gesto e presença ratificaram compromisso que assumimos há pouco mais de 17 anos – não que estes fossem necessários para tal, afinal tantas outros coisas muito mais legais vivemos juntos até aqui. Mas, com certeza, a presença dela ao meu lado era a melhor das sensações que eu poderia ter em um jogo de futebol em uma fria noite paulistana, véspera do Dia dos Namorados.

Avalanche Tricolor: Antes tarde do que nunca

 

Grêmio 2 x 0 Bahia
Brasileiro – Olímpico Monumental

O caro e raro leitor deste blog deve ter percebido a ausência de um comentário que seja sobre a “goleada” desse domingo. Acostumado que estou a comemorar os grandes feitos e a iludir os defeitos com alucinações, geralmente minutos após o encerramento da partida, não teria sentido ficar sem uma palavrinha que fosse sobre a segunda vitória consecutiva no Brasileiro – uma arrancada para o título diria este entusiasmado blogueiro.

Foi impossível, porém, cumprir este compromisso auto-imposto. Se você ouve a CBN – e imagino que o faça – notou que sumi do mapa por alguns dias. Uma folga merecida aos ouvintes-internautas. Retornei no fim da noite de domingo, aterrisei na cama por obrigação profissional e parti para o trabalho ainda de madrugada (e que madrugada fria foi a desta segunda-feira). Desde que reassumi o comando do microfone do Jornal da CBN, às seis da manhã – verdade que às 10 para as seis já estava falando no bate-papo com a Ceci Mello e meia hora antes discutindo as pautas com o Clésio Botelho – não parei mais. Foi gravação do Mundo Corporativo (um ótimo papo com o professor Mitsuru Yanaze sobre gestão de marketing que você poderá assistir em breve), antecipação de comentários do Mundo Digital com o Ethevaldo Siqueira, nova discussão da pauta para a semana, um almoço corporativo e mais algumas obrigações profissionais (e bancárias, também).

Somente agora, quando a tarde de segunda-feira se vai, é que consegui sentar diante do computador para descrever minha sensação ao saber da vitória “estrondosa” com dois gols de Júnior Viçosa, no domingo: antes tarde do que nunca.

Avalanche Tricolor: Começa com um grande goleiro

 

Atlético-PR 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada (PR)

Um grande time começa com um grande goleiro. Máxima consagrada por algumas das melhores formações do futebol mundial e bastante exercida no Grêmio que tem sua história identificada com a função, como nenhuma outra equipe. Haja vista sermos o único clube brasileiro a consagrar no hino o nome de um de seus jogadores e, não por acaso, este ser um goleiro, Eurico Lara (em destaque na ilustração do desenhista Xico).

Pode parecer curioso para muitos, afinal esta é das mais ingratas posições na equipe. Disse Don Rossé Cavaca, publicitário carioca, que de tão maldita, é onde está o goleiro que não nasce grama. No time de várzea a camisa 1 é a do perna pau. Na escola, raros se atrevem a por as luvas.

Evidentemente, existem loucos e abnegados que se prestam para a função. Alguns fizeram história.

O Grêmio de Lara tem tradição de grandes goleiros. Para não forçar a memória, lembro de Mazaropi, campeão mundial e da Libertadores, em 1983, da Copa do Brasil , em 1989, e de seis Campeonatos Gaúchos. Tem, ainda, Danrlei, campeão da Libertadores, em 1995, do Brasileiro, de 1996, de três Copas do Brasil e cinco Campeonatos Gaúchos.

Nossa história é tão intimamente ligada aos goleiros que é o nome de um deles, Galato, que soa forte nos ouvidos de todo torcedor quando somos levados a relembrar a Batalha dos Aflitos, como passou a ser conhecida em todo o mundo a incrível conquista da 2a. Divisão do Campeonato Brasileiro, em 2006. Portanto, não nos surpreende o melhor goleiro do Brasil estar, atualmente, do nosso lado.

Na tarde deste domingo, Vitor mostrou suas qualidades mais uma vez. Impediu o empate, o que parecia inevitável dada a quantidade de bolas jogadas dentro da área gremista. Fez defesas impossíveis, se esticou até chegar ao inalcançável, pulou como um gato em busca da presa, e somente não defendeu pênalti porque não lhe deram oportunidade.

Foi de todos os tricolores que estiveram na Arena o que mais fez. Pois nem o gol nos demos o trabalho de marcar. Deixamos para o atrapalhado zagueiro adversário o autogol – é como os portugueses chamam o gol contra, e eu acho ótima a expressão.

Dito isso, é preciso lembrar que, sim, um grande time começa com um grande goleiro. Mas só este não basta para sermos grandes. É preciso de zagueiros seguros, volantes intransponíveis, meias criativos e, ao menos, um goleador no ataque.

Avalanche Tricolor: É muito bom ser pai desses meninos

    Grêmio 3 x 0 Botafogo
    Brasileiro – Olímpico Monumental

    Olímpico Monumental

    Os foguetes começaram a estourar logo cedo. Alguns ônibus já estavam estacionados perto de casa e torcedores improvisavam o local para o churrasco. Ouviam-se gritos à distância e camisas do Grêmio desfilavam na calçada diante da casa de minha infância e adolescência. Foi ali que meu coração foi forjado gremista e minha alma, imortal.

    O clima era de decisão como tantas que havia assistido em meu passado porto-alegrense, boa parte delas com o direito de me iludir com os ídolos e me enganar com as promessas de vitória. Às derrotas, havia meu pai suficientemente maduro e calejado para me consolar.

    Hoje não, o pai era eu. Quem havia motivado os meninos para viajar à Porto Alegre e torcer pelo Grêmio no Monumental, neste começo de férias, é quem teria de assumir a responsabilidade pelo feito (ou desfeito).

    Por que não levá-los à primeira partida no Olímpico em jogo menos complicado? Quem sabe um de campeonato Gaúcho, desses por onde comecei a saborear o gosto pelas conquistas? Fui escolher logo uma “final” de Brasileiro, com a difícil tarefa de vencer e esperar um resultado externo para saber se teríamos o direito de estar mais uma vez na Libertadores.

    E se nada desse certo? O resultado ruim, a frustração, o estádio lotado de tristeza, os meninos me olhando querendo entender tudo aquilo ? Será que encontrarei lugar para eles sentarem e assistirem à partida com segurança?

    Nessas horas, tudo ganha uma dimensāo muito maior do que deveria. Tinha a responsabilidade de transformar aqueles momentos em algo especial, mesmo que boa parte do espetáculo não dependesse apenas de mim.

    Os meninos foram se vestir para o jogo, e buscaram na mala camisas azuis, sem que eu pedisse – davam sinal de ansiedade, também.

    Lá fora, a música entoada pelos torcedores aumentava, ainda faltavam algumas horas para seguir ao estádio, apesar de minhas preocupações já terem percorrido toda a curta caminhada até o nosso destino.

    Churrasco em família encerrado, não dava mais para recuar. Era hora de sair para ver o Grêmio no Monumental. É bem diferente do que vê-lo em qualquer outro lugar, muito mais do que torcer por ele diante da televisāo como os acostumei.

    Saí de casa de mãos dadas com os dois, e havia ainda a companhia dos meus irmão e sobrinho, ambos neófitos nestas caminhadas até o estádio – torcem pelo Grêmio sem sofrimento, na maior parte das vezes de ouvido apenas.

    Em Familia

    Tantas dúvidas e apreensões não resistiram atė a esquina da Saldanha Marinho, rua que sempre marcou o início do meu passeio ao Olímpico. Os primeiros passos na companhia deles foram suficientes para perceber quanta bobagem desnecessária havia passado pela minha cabeça. Temer o quê, se estar ali com meus dois filhos – acrescido de mais dois caras muito legais em minha vida – era, sim, o mais importante. Maior do que qualquer outra coisa que o futebol pudesse me proporcionar.

    Entrar no Pórtico dos Campēoes com eles em meio a multidão entusiasmada de gremistas foi especial, estávamos quase correndo como se não suportássemos mais a ansiedade de entrar no estádio e encontrar nosso lugar para gritar e comemorar aqueles instantes juntos.

    Pouco antes de subirmos ao nosso espaço não-reservado, encontrei dois velhos conhecidos. Verardi, eterno supervisor do clube, e Pedrão, antigo segurança sempre presente ao lado do time. Foi ele quem me lembrou de frase-lamento que repeti várias vezes ao meu pai sempre que uma adversidade surgia no caminho do Grêmio: “estão nos roubando, pai!?”

    Desta vez ninguém me roubaria a alegria de estar com meus dois filhos no Monumental, independentemente da estratégia armada pelos técnicos e do jogo jogado pelos times.

    Quis o destino, porém, que a alegria fosse completa.

    Meu time e a minha torcida foram cúmplices da satisfação de cantar trechos do hino rio-grandense ao lado dos meninos, de aplaudir a escalação e a movimentação dos jogadores, de socar o ar na bola que explodia no travessão ou fora tirada do adversário com um elegante carrinho.

    Foram cúmplices na festa do gol, dos três gols, emocionantes gols marcados por nossos ídolos. Os de André, Jonas e Douglas. Os evitados por Vítor e Paulão. Os quase feitos por Clementino. Os que se tornaram possíveis graças a inteligência emocional de Renato.

    Meu prazer, nosso prazer, de estarmos pulando, abraçando um ao outro, rindo dos torcedores boca suja, vibrando com o resultado e pedindo sorvete para matar a sede me fez criança como eles. Como na época em que eu era eles. Em que eu era apenas um menino apaixonado pelo seu time.

    Hoje, sou o pai desses meninos. Meus meninos gremistas.

    Vibrar

    Avalanche Tricolor: Tem decisão eu vou

     

    Guarani 0 x 3 Grêmio
    Brasileiro – Campinas (SP)


    Chegou a hora da conquista. Até aqui, disputamos cada partida pelo orgulho de ser gremista. Superamos os momentos mais difíceis neste campeonato, quando muita gente grande nos olhava com desdém, dava de ombros às nossas vitórias  e nos considerava um time com data de validade vencida, após não seremos capazes de conquistarmos a Copa do Brasil.

    Para estarmos onde estamos foi preciso recuperar não apenas o futebol, mas a auto-estima de jogadores desgastados com os resultados ruins. Que não acreditavam neles mesmos. Entravam em campo como se carregassem o peso de uma história em vez de tê-la como aliada.

    Houve um momento em que cada partida teria de ser encarada como uma decisão isolada, como se estivéssemos disputando um campeonato particular em que nosso pior adversário era a imagem que estávamos construindo na contramão dos nossos feitos.

    Renato Gaúcho foi convocado para encarar este desafio, um técnico muito mais elogiado pelo que fez com os pés do que vinha fazendo com a cabeça. Verdade que no comando do Bahia havia ajeitado o time, este ano, e o colocado no rumo da primeira divisão. Mas o restante de sua história diante da casamata não era motivo de exaltação.

    O torcedor gremista acreditou na aura de Renato, apostou na possibilidade dele contaminar o vestiário, mudar o espírito da equipe, torná-la competitiva e fazer, novamente, do Olímpico Monumental uma muralha intransponível. Isto seria pouco, porém, para buscarmos um destino melhor no Campeonato Brasileiro, haja vista os resultados obtidos até aquele momento e a distância que estávamos da tropa de elite.

    Renato foi além. Montou uma equipe corajosa que não temia o adversário no campo dele e organizou o time de forma inteligente, reposicionando jogadores como Lúcio e Fábio Santos, a ponto de fazer do nosso lado esquerdo o caminho mais rápido para chegar ao ataque. Deu confiança a Fábio Rochemback que passou a dominar a frente da área e a Douglas, que ganhou liberdade para criar. Também trouxe sangue novo como o xerife Paulão, incontestável zagueiro que esperávamos há tanto tempo. E Diego Clementino, esse rapaz que tem cara de gremista.

    Fomos conquistando os pontos disponíveis em nossa caminhada até chegar os atuais 60, que nos posiciona entre os quatro melhores da competição e o melhor no segundo turno. Fomos marcando gols e mais gols até nos transformarmos no ataque mais forte do Brasileiro, com os 65 alcançados hoje. Sem contar o artilheiro-dançarino Jonas (com 22), Andre Lima (com 10, quem acreditaria nele?) e Diego (que com 5 deve ter a melhor média de gols por minuto jogado, este ano).

    Falta apenas mais um jogo nesta temporada. Vencemos o que devíamos até aqui. O Grêmio voltou ao seu lugar, entusiasmou sua torcida, levantou seu moral e obrigou analistas a reverem seus conceitos. Chegamos onde muitos, mesmo gremistas, não acreditavam mais em 2010.

    A partida de domingo é tão importante para nós como foram todas as demais sob o comando de Renato. É a última desta série de decisões que nos impuseram. E que pode nos abrir caminho para mais uma conquista da América.

    Todos ao Olímpico domingo que vem. Eu vou