Avalache Tricolor: E da-lhe, da-lhe, da-lhe Mário !

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Nossa torcida, na Ressacada, em foto no site gremista aovivo.ducker.com

Foram seis toques com o pé direito até a bola ser ajeitada para o esquerdo, que concluiu cambaleante mas com força suficiente para passar pelos braços do goleiro adversário. Douglas que acabara de escapar para dentro da área pelo lado direito, certo de que seria o destino final da jogada, não teve tempo de reclamar pela decisão individual de seu colega. Foi sensível o suficiente para, com os braços abertos, pedir que André Lima deixasse a bola escorregar para dentro do gol que premiaria um dos jogadores mais incríveis do Grêmio, nesta temporada: Mário Fernandes.

Com apenas 21 anos – completados no início da semana – , Mário foi centro-avante nas primeiras peladas, chegou ao futebol profissional zagueiro e, pelas circunstâncias, se travestiu e ala direito. E foi nesta posição que, recentemente, teve sua primeira convocação para a seleção brasileira principal. Haverá alguém para lembrar que esta apenas se fez devido a restrição imposta a Mano Menezes de chamar os jogadores “estrangeiros”. Que pense assim ! Nosso lateral (como sempre gostei de chamar os que atuam nesta posição) demonstra enorme capacidade para estar entre os titulares do Brasil na Copa 2014, a persistirem os sintomas. É moderno, não no cabelo nem no modo de se vestir, mas na performance, no jeito com que avança em direção ao gol. Mistura força e talento como na arrancada que resultou na abertura do placar na tarde deste domingo, em Florianópolis.

Sempre que o vejo, fico com a impressão de que não vive aquele ambiente. Olha para algum lugar, sem definição. Expressa uma leve depressão no semblante. Quando a bola chega a seus pés escapa pela lateral do campo até a linha de fundo, fazendo atalhos entre as pernas dos marcadores a caminho da área, atropelando quem se atreve a parar na frente. É quase irresponsável nestas escapadas. Uma irresponsabilidade saudável, ressalte-se, pois se beneficia da falta de medo em errar. E se errar, volta com velocidade pronto a abortar o contra-ataque adversário e começar todo o trajeto, novamente. Faz tudo isso como extrema simplicidade. Sem reclamar, espernear ou chiar. E, assim, se transforma em um guerreiro (desculpe-me André Lima, mas este, sim, merece o apelido).

Por tudo isso, merecia aquele gol. E merecia marcá-lo em uma tarde na qual o Grêmio reencontraria a vitória com todos os percalçados e defeitos que nos são comuns nesta temporada.

Em tempo: não bastasse tudo isso, Mário Fernandes ainda carrega nas costas o meu número 13. Dá-lhe, Mário !

Veja mais foto da vitória em Florianópolis, no site Ducker.com

Avalanche Tricolor: Alucinações

 

Grêmio 0 x 1 Botafogo
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram impressionantes os chutes a gol, havia precisão e força, surpreendendo a defesa. A troca de passes veloz confundia a marcação quase não permitindo a organização tática do adversário. E, claro, mais uma vez nossos jogadores foram cruelmente caçados em campo, alguns dentro da área, sem que a punição fatal fosse imposta pelo árbitro. Este mesmo árbitro que congelou no momento em que deveria sinalizar a irregularidade flagrante no único gol que o inimigo foi capaz de marcar. Nem preciso dizer que os nossos gols, estes sim, foram anulados, em mais um ato de injustiça com o Imortal. Na realidade – se é que algo de real existe neste cenário – não sei bem se a bola chegou a tocar as redes, mas tinha esta intenção com certeza.

Escrevia esta Avalanche quando alguém, bisbilhotando sobre o ombro, teve o atrevimento de me alertar de que nada do que teclava havia acontecido no jogo da noite de ontem. Mandei-o às favas. Quem era ele para achar que eu estava louco, que escrevia insanidades? Mas agora, quando arrumei um tempo para publicar este post, comecei a ter dúvidas sobre meu comportamento. Teria meu amigo razão? Teríamos perdido porque esquecemos como se marca gols? Ou porque não conseguimos mais anular os goleadores inimigos?

Confesso, não sei mais o que é real. O Grêmio, ultimamente, tem me deixado alucinado.

Avalanche Tricolor: Eu acredito

 

Vasco 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Olímpico Monumental

Se eu disser que o Grêmio jogou bem no primeiro tempo, mesmo tendo saído com desvantagem de dois gols, você acredita? Claro que não. Isso só pode ser ilusão de torcedor fanático, pensará.

Se eu disser que chutamos a gol e mantivemos a bola na primeira etapa tanto quanto nosso adversário, você acredita? Claro que não. No primeiro tempo a derrota já estava desenhada, responderá.

Se eu disser que mais uma vez o árbitro esqueceu de marcar um penâlti a favor do Grêmio quando ainda tínhamos o domínio da partida, você acredita? Claro que não. É coisa de gente que não sabe perder, dirá.

E se eu disser que mesmo com o resultado desta noite de sábado, o Grêmio ainda está na disputa pela vaga da Libertadores, você acredita?

Não precisa responder, não. Pouco me importa o que você pensa do meu time numa hora dessas – e não entenda esta linha como desrespeito porque você sabe o tanto que me orgulho de tê-lo como leitor deste espaço. Respondo assim apenas porque depois de um jogo como dessa noite só dá pra refrescar a cabeça, sacudir a poeira e sair por ai dizendo aos amigos: eu acredito, eu sempre acreditarei no meu Grêmio.

Avalanche Tricolor: O passe, esse danado

 


Grêmio 4 x 0 Atlético PR
Brasileiro – Olímpico Monumental

Era guri ainda e sonhava em jogar futebol. Com acesso facilitado no gramado principal do Olímpico, assistia a quase todos os treinos dos profissionais. Ficava por ali pensando como seria legal um dia correr atrás da bola, marcar, driblar e fazer gols. Em meio a este deslumbre, ao fim de um treino, ao lado de meu pai, ouvia a conversa dele com o técnico Telê Santana. O “mestre”, ao me ver por ali, jogou a bola em minha direção e me desafiou: “vamos ver se você joga mesmo”. Pensei que ele iria pedir para fazer embaixadinhas, testar um drible ou coisa parecida. Telê pediu apenas para eu passar a bola com o lado de dentro do pé. Foram três, quatro, talvez cinco trocas de passe, até que, entusiasmado, resolvi mostrar minha habilidade, virei a perna para dentro, contorci o corpo e bati de três dedos. A bola foi até Telê, mas antes de chegar nela já dava para ouvir a minha primeira e última grande bronca de um monstro do futebol: “Esse é o problema de todos vocês, ainda nem aprenderam a passar a bola e já querem inventar”.

É de pé em pé que o futebol é bem jogado. Com a bola precisa, encontra-se o colega mais bem posicionado, facilita-se o deslocamento dos companheiros em campo, abre-se a defesa e se evita a pressão do adversário. O passe é o fundamento essencial, e dele surgem os grandes lances, os chutes a gol e, às vezes, a goleada como na tarde deste domingo. Foi assim no primeiro gol em jogada que saiu da defesa teve o toque rápido entre Escudero, André Lima, Douglas e Escudero, novamente. Foi assim no segundo, com André Lima, Marquinhos, Escudero e André Lima voltando a aparecer lá na frente, após uma movimentação veloz de todo o time. O terceiro, com um chute de fora da área, e o quarto, o do pênalti, foram resultado desta mesma agilidade.

Fazia tempo que não éramos capazes de jogar com a tranquilidade oferecida pelo placar. Que não assistíamos a um jogo sem o risco do revés ou o medo de um desastre. E, deixando de lado a fragilidade do oponente, não tenho dúvidas de que esta sensação só se tornou realidade graças ao passe. Este danado que me fez perder a chance de ganhar um elogio eterno do mestre Telê Santana.

Avalanche Tricolor: É sempre especial

 

Corinthians 3 x 2 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu


Falei com você, caro e raro leitor, por mais de uma vez, sobre a importância do Gre-Nal na emoção do torcedor. Uma vitória, como aquela do fim de semana passado, anima qualquer um. Um resultado negativo (deixe-me bater três vezes no tampo da mesa, antes de continuar escrevendo) leva muita gente, lá no Rio Grande do Sul, a ficar em casa no dia seguinte. É melhor desligar o celular e não ler o jornal de esportes. Desde que deixei Porto Alegre, em 1991, a distância do clássico e a probabilidade menor de se deparar com um torcedor colorado na rua ou na redação trazem um certo alívio. Em compensação, novas rivalidades surgiram no meu dia a dia. E a com Corinthians é, sem dúvida, a maior delas. Seja pelo histórico dos dois times, que têm DNA parecido, acostumados a grandes reações e performances heróicas (as tais raça e determinação); seja pelo fato de ambos terem disputados finais memoráveis como aquele que deu o título de campeão da Copa do Brasil, para o Grêmio, em 2001; seja pela quantidade de colegas e amigos corinthianos.

O dia seguinte de uma partida contra o Corinthians é especial, para o bem ou para o mal. Haverá sempre um ouvinte disposto a brincar (alguns não sabem fazer isso de maneira bem humorada, infelizmente) ou um colega pronto para falar – nem sempre estão lá quando têm de ouvir. Por isso, essa quinta-feira vai ser daquelas, apesar de tudo que ocorreu em campo, e me refiro aqui às injustiças cometidas pelo árbitro, muito mais por fraqueza do que por malvadeza. Nenhuma justificativa convencerá o vencedor de que houve equilíbrio de forças em campo e a vitória ocorreu por uma interferência indevida. É do futebol. É dos torcedores do futebol.

Independentemente disso, cabe ao gremista, nesta hora, além da humildade para reconhecer que houve um vencedor (e o que mostra o placar), a tranquilidade de que aos poucos o time volta a jogar bola, mesmo com suas várias carências, em especial no ataque. E admitir que não se pode querer tudo. No domingo, já ganhamos o Gre-Nal, em Porto Alegre. O que pode ser melhor do que isso, mesmo quando se vive em São Paulo e se está rodeado de amigos corinthianos?

A foto deste post é do site Gremio.Net

Avalanche Tricolor: Vitória com a magia do Gre-Nal

 

Grêmio 2 x 1 Inter
Brasileiro – Olímpico Monumental

Da magia do Gre-Nal conversamos muitas vezes nesta Avalanche. O clássico influencia o ânimo dos gaúchos, distorce a realidade e contorce nossas emoções. Os dias que o antecedem são especiais e, portanto, tensos. Mesmo na distância da terra natal não há como esconder uma apreensão pelo que haverá de acontecer em campo. Lá na rádio, no e-mail do ouvinte e na conversa com os amigos sempre terá alguém pronto para um comentário provocador, uma brincadeira. Faz parte do jogo. Sexta-feira, foi meu colega Juca Kfouri que, no Momento do Esporte, do Jornal da CBN, colocou em dúvida meu bom humor após a rodada de clássicos deste fim de semana.

Ele, assim como a maioria dos comentaristas de futebol (e me refiro aqui a todos aqueles que mesmo sem carteira assinada assumem este papel, no Brasil), falava do alto de seu conhecimento sobre a superioridade do adversário, influenciado, também, pelo que o Tricolor vinha apresentando até aqui no Brasileiro. Tinha razão, não fosse a magia do Gre-Nal sobre os ânimos e mentes de seus protagonistas.

O Grêmio jogou como nunca havia feito neste Campeonato. Arrisco escrever: em toda esta temporada. E Celso Roth teve mérito ao redescobrir Escudero, aceitar Douglas e Marquinhos no mesmo time e investir nas aventuras de Mário Fernandes. Mais do que na escalação, mexeu na disposição de sua equipe tornando-a gigante em campo com uma marcação que eliminou o futebol do adversário. Ao contrário do que muitos costumam lhe acusar, não foi retranqueiro. Foi ousado. E pôs o time no ataque com a chegada de laterais e meias em alta velocidade. Até o (ruim) juiz da partida ficou tonto, incapaz de enxergar dois pênaltis.

Tivemos de chegar até aqui, sofrendo o que sofremos, até a última rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro para descobrir que é possível jogar futebol com este elenco, apesar da carência de nossos centro-avantes. Foi preciso a energia emada pelo Gre-Nal para mexer em nosso brio e renovar a esperança pela vitória, com uma atuação que me fez lembrar o que escreveu o gremista Érico Veríssimo: “A vida começa todos os dias”. A nossa recomeçou neste domingo.

A foto deste post é do site Ducker.com.br

Avalanche Tricolor: Até a lojinha fechou

 

Ceará 3 x 0 Grêmio
Brasileiro – Presidente Vargas (CE)

Foi um choque, confesso. Ao subir a escada rolante, pouco antes de chegar ao topo no primeiro andar, olhei ansioso para a única vitrina que me chamara a atenção nos últimos tempos. Era meu ponto de apoio, motivo de orgulho e certeza de que nossa história havia conquistado seu espaço merecido, houvesse o que houvesse nos gramados. Era lá, no meio dos meus passeios prediletos, que avistava a camisa do Imortal Tricolor em destaque, vestida por um manequim inanimado, sem cabeça, mas com o escudo do meu time no coração. Pouco tempo atrás havia escrito sobre isso neste mesmo blog (leia aqui, se tiver paciência)

Olhei e não a encontrei. Aquela camisa predominantemente azul-celeste com duas faixas em preto e branco na vertical e horizontal havia desaparecido. O cartaz ao fundo com Renato em destaque, Vitor, Rochemback e Gabriel como coadjuvantes, também. Pior, muito pior. A loja, a única loja em São Paulo a oferecer como seu produto principal o manto tricolor estava fechada. Para sempre. Substituída por um tapume com anúncio de um novo ponto comercial dedicado a sandálias.

Um prenúncio ? Sinal do que me aguardava ? Texto subliminar do destino traçado ao Grêmio na temporada de 2011 ? Detesto pensar que mensagens aleatórios sejam enviadas para anunciar o nosso futuro. Desagrada-me a ideia de que Deus ou qualquer força superior estejam metidos nesta coisa que é o futebol e interfira no passe, no deslocamento, no cruzamento, no chute ao gol e no placar da partida. Prefiro olhar para os fatos concretos, as ações e decisões tomadas aqui e agora que definem os resultados que buscamos. E estes não tem colaborado com meu ânimo e, menos ainda, com o resultado das partidas.

Antes mesmo de o jogo se iniciar nesta noite, notei que aquela camisa que era destaque na loja do shoping estava em campo. Quando a bola começou a rolar, me dei conta que a alma daquela turba que a vestia era tão viva quanto a do manequim da vitrina. Sequer pareciam jogadores de um time marcado pela imortalidade. Estavam distante do que representaram meus heróis. Afastados da imagem que sempre construí nesta Avalanche e em meus sonhos infantis. Pareciam um bando de ninguém.

O Grêmio esqueceu o que é ser o Grêmio. E eu não tenho mais a lojinha para ludibriar minha dor.

Avalanche Tricolor: Lá vem a Avalanche !

 

Grêmio 2 x 1 Fluminense
Brasileiro – Olímpico Monumental

Uma vitória, finalmente. Necessária, imprescindível e para a sobrevivência. Era a sensação ao fim de mais uma partida sofrível pelo resultado, desempenho e temperatura nesta noite de Porto Alegre. A chuva bateu forte e o frio, também. Da arquibancada ainda se ouviu muita reclamação e no campo ainda havia muita gente atrapalhada. De um lado ou de outro, porém, o som e o suor tinham uma meta: encontrar um novo horizonte.

Os três pontos vieram pela virada e pelos pés de Marquinhos (teremos, enfim, um bom batedor de faltas?). Nosso meia, ao comemorar o primeiro gol, chamou a torcida para dentro de campo em legítimo sinal de que somente com esta simbiose será possível avançar no ritmo da nossa Avalanche. Ao fim da partida, Adílson (teremos descoberto um novo lateral?) falou e Victor (vai ser grande como sempre foi?) ratificou: era preciso vencer, de qualquer jeito. E assim fizemos.

A partir de agora, em meio a todas as dúvidas que ainda temos, é respirar, suspirar e expressar nosso desejo pela recuperação a qualquer custo. Impor nossa história e voltar a superar um adversário atrás do outro como fizemos no ano passado quando chegou Renato. No banco, não temos mais o ex-craque, mas Celso Roth um técnico com capacidade para enxergar o jogo estrategicamente e entender o que o Grêmio representa à sua torcida.

Que o futebol bem jogado volte na esteira desta vitória. E que venha mais uma Avalanche !

Avalanche Tricolor: Que saudade !

 

Grêmio 2 x 2 Atlético MG
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi uma noite para relembrar os anos 1990. Naquela época trabalhava na TV Cultura e deixava a redação lá pelas 10 da noite quando o jogo do Grêmio já havia se iniciado. Pegava meu carro, ligava o rádio e escorregava o ponteiro do dial até o ponto mais à esquerda, próximo dos 500 mghz. Era ali que conseguia sintonizar, entre chiados e descargas elétricas, emissoras de rádio do Rio Grande do Sul. Ou a Guaíba ou a Gaúcha, dependia da condição meteorológica. Demorava no caminho, estendia meu caminho e dava preferência às Marginais, onde o som ficava um pouco melhor. Na maior parte das vezes era difícil até mesmo de distinguir quando o gol era do Grêmio ou do adversário.

Ontem à noite, saí de uma palestra da comunicação quando a partida do Grêmio estava se iniciando. Abri o Ipad, cliquei no aplicativo da rádio CBN e acessei a emissora de Belo Horizonte que estava com sua equipe no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Durante todo o caminho até minha casa, demorado devido ao congestionamento, ouvi a partida em seus detalhes sem qualquer interferência. Transformei meu moderno tablet no velho radinho de pilha com a vantagem dele me permitir acesso a emissoras que não são aqui da cidade.

As diferenças de como e o que ouvia nos anos de 1990, infelizmente, não se resumem a qualidade do som e o meio de transmissão. Naquela época, o time era treinado por Luis Felipe Scolari e dava orgulho torcer por aqueles jogadores.

Avalanche Tricolor: Haja paciência !

 

Flamengo 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

A mão escorrega pelo rosto e puxa as bochechas para baixo, ao mesmo tempo em que os olhos se voltam para o céu, em busca de alguma explicação para o erro, enquanto os lábios se espremem impedindo que palavras impublicáveis se dirijam injustamente àquele que o assiste. De forma repetitiva, o gesto se expressa a cada chute com destino tortuoso, como se a bola ter ido a um lugar qualquer que não o seu objetivo fosse desejo próprio deste ser inanimado, nunca resultado da falta de habilidade ou desajuste do protagonista.

Tem sido assim, jogo após jogo, a reação de nossos Imortais a cada tentativa frustrada de ataque. Já deixei de contar as vezes em que não conseguimos sequer chutar em direção ao gol; são raros os momentos em que o goleiro adversário tem de fazer algum esforço para impedir a investida de nosso time; normalmente o destino da bola é o braço dos gandulas, quando esta não é despachada para um lugar qualquer. Inevitável, porém, é a cena do desespero (pela sua mediocridade, talvez) mal interpretada e destacada na televisão por nosso atores, como se aquilo fosse uma injustiça dos Deuses do Futebol, jamais resultado de sua incompetência.

E nós que só temos o poder de torcer, sofrer ? Passamos a mão no rosto, olhamos para o alto, esprememos os lábios, pensamos o quê? Deveríamos desenvolver um grau de paciência que vai além da capacidade de qualquer monge tibetano? Acreditar no poder de nossa mística ? Na história de um clube que nos apaixonou?

Você, caro e raro leitor deste blog, sabe o cuidado que tenho de sempre exaltar os méritos do tricolor, mesmo que estes se resumam a um chutão para a lateral ou uma roubada de bola. Sabe que o sofrimento a cada rodada sempre é visto por mim como o momento de provação que devemos ser expostos para alcançarmos a glória que nos aguarda na próxima esquina. No jogo desse sábado, no Rio, até parecia estarmos diante de um time diferente daquele que se apresentou nas últimas partidas.

Haja paciência, porém. Quando até mesmo nosso maior ídolo é constrangido pelo erro, defender quem – ou quem nos defende? Quando o comandante entende que toda crítica é política e se mostra incapaz à auto-crítica, esperar que a mudança venha de onde? Quando você olha para o banco e não vê opção, não enxerga confiança nos gestos de seu treinador, por que acreditar que haverá crescimento?

Paciência, muita paciência. E olhar para o que já enfrentamos e como solucionamos nossos dramas. São os caminhos que temos para continuar torcendo, sofrendo e acreditando.

NB: Logo após a derrota para o Flamengo, o presidente Odone disse que Wellington Paulista seria contratado e substituiria André Lima, que será sacado do time até melhor sua forma física. O ex-atacante do Palmeiras está ameaçado de não vir mais. Será obra da oposição, presidente Odone?