Avalanche Tricolor: melhor prevenir do que remediar. E use máscara!

Brasiliense 0 (0)x(2) 0 Grêmio

Copa do Brasil – Serejão, Taguatinga DF

Ferreirinha arrisca o chute em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Em uma semana na qual supostos candidatos a títulos se despediram precocemente da Copa do Brasil, cautela era a melhor estratégia. Pouco exagerada, verdade, dada a escalação de dois volantes mais fixos atrás — até porque tínhamos Geromel e Kannemann em campo, o que por si só é uma garantia de redução de riscos. O Grêmio havia saído do jogo de estreia, na Arena, com a impressão de que desperdiçara a oportunidade de decidir a classificação antecipadamente, mesmo que a vantagem de dois gols desse a impressão de que a vaga seria sua nas oitavas-de-final. Mas vai que …

Nunca é bom apostar com o azar. 

Um chute desviado daqui, um pênalti mal ajeitado logo ali e tudo se complicaria no Serejão, também conhecido por Boca do Jacaré — um estádio acanhado para dizer o mínimo. O gramado, então, um desrespeito ao futebol profissional. Em péssimo estado e com buracos no meio do caminho. 

A primeira vítima foi o goleiro adversário que teve o pé preso na grama e uma torção logo no início que o prejudicou no restante da partida. Depois, o talento e o toque de bola. Perdoe-me quem pensa o contrário: piso ruim atrapalha muito quem sabe jogar mais, porque reduz a velocidade da bola, distorce a direção do passe e costuma chegar na canela do companheiro, quando deveria ser tocada de pé em pé. Vimos isso durante o jogo.

Seja como for, desde o primeiro movimento, ficou claro que o Grêmio não queria jogar. Ao menos não queria se expor no jogo. O primeiro passe foi para trás e o segundo mais para trás ainda. A bola circulou entre os zagueiros muito mais do que pelos jogadores de meio de campo. Para um lado, para o outro. O marcador não vinha. Para um lado, para o outro. O marcador arriscava e voltada. Para um lado e para o outro. Às vezes, um avanço. Nada convincente.

No segundo tempo, com Diego Souza e Ferreirinha o nível da partida subiu.

Não que precisasse muito esforço para isso. A bola ficou mais no campo de ataque. A proximidade do gol não foi suficiente para colocá-la lá dentro. Além de um chute no travessão do nosso atrevido ponteiro esquerdo, pouco coisa se viu na partida desta quinta-feira à tarde.

O zero a zero ilustrou bem a qualidade do jogo, do gramado e do estádio. E o Grêmio cumpriu seu papel nesta etapa da Copa do Brasil, o que diante do desastre de gente graúda, convenhamos, está de bom tamanho. 

Tiago Nunes, nosso técnico, invicto até aqui, ao lado do campo —- na única derrota, ele estava em casa se recuperando da Covid-19 —, gaúcho como eu, deve ter ouvido muito sua avó recomendar: melhor prevenir do que remediar. Cumpriu a risca o ensinamento.

A propósito: se é melhor prevenir do que remediar no futebol, quando o que está em jogo é a vida, o ditado é ainda mais pertinente. Portanto, a despeito do que este lunático que comanda o Brasil tenha dito hoje, cuide-se, previna-se, mantenha distância, evite aglomeração e use máscara. Tenha tomado vacina ou sido contaminado pela Covid-19, use máscara, pelo amor de Deus!

Avalanche Tricolor: não se lamente, Ricardinho! 

Grêmio 2×0 Brasiliense

Copa do Brasil – Arena Grêmio

Ricardinho no caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um gol, uma assistência e a cara de lamento no banco —- assim foi, na tarde desta quarta-feira, Ricardinho, o goleador que assistimos nascer no berço tricolor, desde que foi descoberto em São Paulo. Que tem marcado um gol a cada duas partidas disputadas, neste ano. E gols de um de um tipo de centroavante que há algum tempo faz falta para nós. Na trombada, na bola sobrada, na perspicácia de roubar do zagueiro desatento ou aproveitando-se da falha alheia. 

A cada gol uma emoção nos atinge. Ricardinho bate continência para a câmera e ergue a camisa para revelar ao público a homenagem eterna ao pai e ao avô, que morreram de Covid-19. Uma perda que, claramente, ainda causa dor no guri de apenas 20 anos. Ele próprio, dia desses em entrevista coletiva, agradeceu pelo acolhimento dos companheiros e pelo fato de que quando entra em campo consegue amenizar o sofrimento da morte de gente que para ele é referência na vida.

Hoje, foi na disputa apertada, dentro da área congestionada de marcadores, que Ricardinho fez o Grêmio desencantar e abrir o placar na nossa estreia na Copa do Brasil, aos 44 minutos do primeiro tempo. Na volta para o segundo tempo, novamente foi ele, o oportunista, quem percebeu a falha na reposição de bola do goleiro e a desatenção do zagueiro, para arrancar em direção ao gol. Chutou uma, duas vezes. Até encontrar Jean Pyerre na pequena área pronto para empurrar a bola às redes. 

Ricardinho foi essencial para a vitória que deu boa vantagem ao Grêmio nesta briga por uma vaga à próxima fase da Copa do Brasil.

Não foi o suficiente para o nosso atacante sair satisfeito de campo. Um erro que ele cometeu aos 19 minutos do segundo tempo —- quando o Grêmio já tinha vantagem —-, ao desperdiçar o gol aberto e colocar a bola no travessão, deixou o centroavante inconformado.

Nosso jovem goleador lamentou, socou a trave, bateu as mãos nas pernas, tapou o rosto quando sentou no banco, logo que foi substituído. Vai dormir essa noite com o lance na mente; com a tristeza de quem fez o mais  difícil e não soube concluir a gol.

Não se lamente, Ricardinho! 

A gente até entende seu desejo de marcar e marcar cada vez mais gols. É importante que tenhamos esse desejo de acertar sempre. De sermos perfeitos —- mesmo que saibamos que somos apenas humanos. De pararmos para pensar por que erramos ou como evitar esse erro novamente.

Mesmo que você leia aqui ou acolá alguma crítica ao gol perdido, tenha certeza de que o gol marcado e o gol armado por você foram muitos mais relevantes. Se você perdeu um gol feito é porque você se fez presente para tentar marcar mais uma vez. Assim é a nossa vida: acertamos e comemoramos; erramos e aprendemos; sorrimos e sofremos. 

Valorize suas conquistas —- elas nos fizeram muito mais felizes nesta estreia da Copa do Brasil. E, em nome desta felicidade, agradecemos a você, Ricardinho.