Avalanche Tricolor: não se lamente, Ricardinho! 

Grêmio 2×0 Brasiliense

Copa do Brasil – Arena Grêmio

Ricardinho no caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um gol, uma assistência e a cara de lamento no banco —- assim foi, na tarde desta quarta-feira, Ricardinho, o goleador que assistimos nascer no berço tricolor, desde que foi descoberto em São Paulo. Que tem marcado um gol a cada duas partidas disputadas, neste ano. E gols de um de um tipo de centroavante que há algum tempo faz falta para nós. Na trombada, na bola sobrada, na perspicácia de roubar do zagueiro desatento ou aproveitando-se da falha alheia. 

A cada gol uma emoção nos atinge. Ricardinho bate continência para a câmera e ergue a camisa para revelar ao público a homenagem eterna ao pai e ao avô, que morreram de Covid-19. Uma perda que, claramente, ainda causa dor no guri de apenas 20 anos. Ele próprio, dia desses em entrevista coletiva, agradeceu pelo acolhimento dos companheiros e pelo fato de que quando entra em campo consegue amenizar o sofrimento da morte de gente que para ele é referência na vida.

Hoje, foi na disputa apertada, dentro da área congestionada de marcadores, que Ricardinho fez o Grêmio desencantar e abrir o placar na nossa estreia na Copa do Brasil, aos 44 minutos do primeiro tempo. Na volta para o segundo tempo, novamente foi ele, o oportunista, quem percebeu a falha na reposição de bola do goleiro e a desatenção do zagueiro, para arrancar em direção ao gol. Chutou uma, duas vezes. Até encontrar Jean Pyerre na pequena área pronto para empurrar a bola às redes. 

Ricardinho foi essencial para a vitória que deu boa vantagem ao Grêmio nesta briga por uma vaga à próxima fase da Copa do Brasil.

Não foi o suficiente para o nosso atacante sair satisfeito de campo. Um erro que ele cometeu aos 19 minutos do segundo tempo —- quando o Grêmio já tinha vantagem —-, ao desperdiçar o gol aberto e colocar a bola no travessão, deixou o centroavante inconformado.

Nosso jovem goleador lamentou, socou a trave, bateu as mãos nas pernas, tapou o rosto quando sentou no banco, logo que foi substituído. Vai dormir essa noite com o lance na mente; com a tristeza de quem fez o mais  difícil e não soube concluir a gol.

Não se lamente, Ricardinho! 

A gente até entende seu desejo de marcar e marcar cada vez mais gols. É importante que tenhamos esse desejo de acertar sempre. De sermos perfeitos —- mesmo que saibamos que somos apenas humanos. De pararmos para pensar por que erramos ou como evitar esse erro novamente.

Mesmo que você leia aqui ou acolá alguma crítica ao gol perdido, tenha certeza de que o gol marcado e o gol armado por você foram muitos mais relevantes. Se você perdeu um gol feito é porque você se fez presente para tentar marcar mais uma vez. Assim é a nossa vida: acertamos e comemoramos; erramos e aprendemos; sorrimos e sofremos. 

Valorize suas conquistas —- elas nos fizeram muito mais felizes nesta estreia da Copa do Brasil. E, em nome desta felicidade, agradecemos a você, Ricardinho.

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