Calçadas tem lei de mais, respeito de menos

 

Calçada ou escada

Boa parte dos moradores de São Paulo usa as calçadas, mas não tem ideia das leis municipais que regulamentam a construção e manutenção deste espaço público. Sem publicidade, cada proprietário faz o que bem entende e ninguém sabe ao certo se tem direito a reclamar, e do que reclamar. Uma das situações que mais me chamam a atenção é a transformação da calçada em extensão da rua, principalmente em postos de combustível.

Os carros entram e saem dos postos na maioria das vezes sem sinalizar ou levar em consideração a preferência do pedestre. Os proprietários dos postos se preocupam em rebaixar toda a guia, de ponta a ponta, para facilitar o acesso dos veículos, mas se esquecem de avisar às pessoas infringindo ao menos um dos artigos do decreto (no. 45.904 de 2005) que trata do conceito de passeio livre:

“Os locais destinados a postos de gasolina, oficinas, estacionamentos ou garagens de uso coletivo deverão ter suas entradas e saídas devidamente identificadas e sinalizadas” (Capítulo V, art. 16, parágrafo único)

Na conversa com dois urbanistas no CBN São Paulo ficou evidente que há muitas dúvidas sobre o que a lei permite ou não em relação as calçadas. Cândido Malta, da FAU-USP, desconhece regras que impeçam o rebaixamento total das sarjetas diante dos postos de combustível. Sugere que a área seja sinalizada com piso diferenciado que faça o carro diminuir a velocidade e alerte o pedestre para o fato de que aquele trecho é de uso compartilhado. Da maneira como está hoje, um deficiente visual, por exemplo, é incapaz de saber se a calçada é ou não para acesso de veículos.

Regina Monteiro, diretora da Emurb, diz que a confusão nas leis também impede um comportamento padrão por parte dos subprefeitos e fiscais. Ela procurou o Secretário das Subprefeituras Ronaldo Camargo para que, em conjunto, seja elaborado um decreto que esclareça uma vez por toda o que pode ou não. Entende que deve ser estudado modelo que adapte o acesso dos veículos à segurança do pedestre.

Na entrevista ao CBN SP, Regina chama atenção para o fato de que, além do espaço maior do que o permitido, a calçada muitas vezes ganha degraus ou fica inclinada prejudicando o passeio.

Ouça a entrevista de Regina Monteiro ao CBN São Paulo

Uma das leis ainda em vigor é de 1988, de autoria do então prefeito Jânio Quadros, que permite o rebaixamento de até 3 metros da calçada, a cada lote. Seria clara não houvesse exceções: se o proprietário solicitar e o agente público aceitar, a área rebaixada pode ser maior. Mais recentemente, nova lei aceita que o acesso dos veículos ocupe até 50% do lote, porém nunca além de 5,5 metros, exceto os terrenos menores que podem ter toda a frente rebaixada.

De lei em lei, de exceção em exceção, ninguém é capaz de impor respeito e fazer com que o pedestre, pelo menos na calçada, seja prioridade.

Canto da Cátia: Promotor na Calçada da Fama

 

Calçada da Fama em construção 1

As estrelas ainda não estão na Calçada da Fama, a polêmica, sim. A rua Canuto do Val, região central de São Paulo, tem sido palco de discussão desde que a empresária Lilian Fernandes conseguiu apoio da Câmara Municipal e da prefeitura para ampliar a calçada na área em frente aos restaurantes dos quais é proprietária. Agora, o Ministério Público mandou instaurar um inquérito civil para apurar se existe alguma irregularidade nas obras.

Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto, no CBN SP

Calçada da Fama e da controvérsia

 

Calçada da Fama em frente a restaurante

A rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília, é cenário de um debate que deixa qualquer um louco. Em uma cidade na qual as calçadas são um desrespeito ao pedestre, moradores criticam o trabalho de recuperação que está sendo realizado em parceria do poder público e uma empresária, Lilian Fernandes. Ali, onde no passado o abandono era comum, ela decidiu investir na construção de cinco casas com estilos diferentes que funcionam, principalmente, à noite. O aumento do movimento de pessoas passou a atrapalhar o sono dos que por ali moram e a convivência entre o lado residencial e comercial se complicou. Com a aprovação na Câmara de Vereadores e o início das obras para a construção da Calçada da Fama, o caldo entornou.

Acompanhe esta polêmica na reportagem da Cátia Toffoletto que foi ao ar no CBN São Paulo e deixa sua opinião: Ouça aqui a reportagem sobre a Calçada da Fama

Caixas de madeira ainda são transtorno na Ceagesp

 

Caixas de madeira da Ceagesp

Um paredão de madeira se forma nas calçadas atrás da Ceagesp, na zona oeste de São Paulo, em uma demonstração da dificuldade que a cidade tem para resolver este problema. Nossa colega Mônica Pocker fez as fotos e lembrou que este material acaba sendo arrastando pelas águas das chuvas e provoca mais enchente.

Recentemente, em conversa com a subprefeita da Lapa Soninha Francine soubemos da proposta de se criar um banco de compensação para trocar estas caixas de madeira por de plástico, mais resistentes. A discussão, porém, estava apenas no campo das ideias.

Foto-ouvinte: Calçada para o “lazer”

 

Calçada ocupada

Usar as ruas para o lazer é das boas coisas em uma cidade. Mas não para benefício particular. As mesas e cadeiras deste bar, na avenida Faria Lima, ocupam a calçada na esquina com a Rua Chilon, na Vila Olímpia, conforme fotos enviadas pelo ouvinte-internauta Edivaldo Ferreira. Mesmo que haja autorização da prefeitura – o que ocorre em alguns casos na cidade – não se justifica que ao pedestre reste apenas um corredor.

Foto-ouvinte: Nos caminhos de Pinheiros

 

02 Armadilhas na calçada

Veja aqui slideshow sobre os riscos urbanos em Pinheiros

Buracos na calçada, gambiarra no muro, “gato” a gerar energia para camelôs e lixo espalhado nas ruas de Pinheiros são as imagens registradas pelo ouvinte-internauta Willy Graeser Junior. Ele conta que “em qualquer rua que se ande em Pinheiros, se vê não apenas a pobreza cultural das pessoas, mas também o desprezo até de autoridades”. São tantas as imagens de desrespeito que o Blog do Milton Jung, além da foto, montou um slide-show para você assistir e refletir. Na mensagem enviada ao CBN São Paulo, Willy pede licença para mostrar estas cenas. Dispensável o pedido. É direito de todo cidadão denunciar os problemas que atravancam nosso caminho. Assim como é dever da subprefeitura de Pinheiros – e de todas as demais – atentar para as armadilhas urbanas.

Calçada podre: Prefeitura não faz lição de casa

 

Praça da Bandeira São Paulo 1

A Praça da Bandeira fica no centro de São Paulo a caminho da prefeitura. Depois de passar por ali, 100 metros a frente você encontra o edíficio Matarazzo, onde está o gabinete do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A calçada irregular e os buracos mal tapados com madeira são um risco à saúde do pedestre, conforme imagens enviadas por Devanis Amâncio, da ONG EducaSP. Como anda de carro oficial ou helicóptero que parte do topo do prédio, o prefeito nunca deve ter se dado conta do que ocorre no entorno.

Buracos de São Paulo: Osasco, com licença

 

Rua Giuseppe Sacco
Não contente em relatar os buracos da cidade de São Paulo, como visto em post desta semana, o ouvinte-internauta João S. Nicolau pede licença para apontar problemas em seu caminho, em Osasco, região metropolitana. Segundo mostra com fotos, tem buraco na calçada da rua Giuseppe Sacco, no Parque Cachoeirinha. Na Rua José Domingues, no mesmo bairro, além do calçamento ruim, os buracos dividem espaço com mato e sujeira.

Na mensagem, João Nicolau pede desculpa pela qualidade das fotos: “foram feitas com um celular”. Quem tem de pedir desculpas é a prefeitura pela qualidade do serviço prestado.