Avalanche Tricolor: vítima da falta de respeito do futebol brasileiro (e gaúcho)

 

Veranópolis 2×1 Grêmio
Gaúcho – Veranópolis/RS

 

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Escrever sobre o jogo um dia depois de disputado nos oferece algumas boas oportunidades de reflexão. Mais tempo para pensar costuma resultar em palavras mais equilibradas menos influenciadas pela emoção do resultado. E, mais uma vez, o resultado não foi bom. E não o foi pelos motivos que conhecemos muito bem, mas parece que alguns preferem deixar em segundo plano.

 

Sem ter tido tempo de preparação, planejando a temporada sul-americana e às vésperas de mais uma disputa de título, o da Recopa, abriu-se mão do Campeonato Gaúcho ao colocar times de transição, reservas, alternativos ou seja lá o nome queiram dar. Paga-se o preço por tal decisão, talvez mais alto do que merecêssemos: houve partidas em que seria justo termos pontuado mas bolas desviadas, árbitros atrapalhados e algumas pataquadas da nossa defesa nos levaram a somar revés atrás de revés.

 

De volta às vantagens de escrever uma dia após o jogo: dá tempo de ler o que dizem seus protagonistas, como é o caso de Renato, que durante toda a partida de ontem revelou insatisfação com o desempenho do time, entre caras e bocas registradas pela televisão. Na entrevista, admitiu erros e desentrosamento, mas fez questão também de criticar a Federação Gaúcha de Futebol. Pediu que os organizadores do campeonato “pensem um pouquinho” em relação ao sacrifício que obrigam alguns clubes a assumirem para atender o capricho do calendário da competição. E reclamou: “preferem quantidade e não qualidade”.

 

Foi na leitura dominical que encontrei na mesma página de site, naquele espaço em que destacam as mais lidas, duas manchetes que dizem muito sobre o que acontece com o Grêmio nesta altura do campeonato. Na primeira, um colunista fez o cálculo: temos quatro jogos para encerrar essa fase da competição, precisamos de três vitórias para se classificar e duas para não cair. Na segunda, estava a informação que o Grêmio é o quinto clube com mais títulos internacionais.

 

Não há como não relacionar esses fatos, mesmo que estejam escritos de maneira isolada. Somos grandes e nos comportamos como tal; e no futebol brasileiro ser grande é pecado, porque confederação e federações sobrevivem com os votos dos pequenos. E para beneficiá-los criam competições maiores do que nossa capacidade e espremem o calendário sacrificando os melhores times, aqueles que vão mais longe, que disputam títulos aqui dentro e se capacitam a jogar lá fora, como é o caso do Grêmio.

 

O Grêmio é o time gaúcho com mais presença em competições no exterior e disputou 17 vezes a Libertadores. Só nos anos 2000 participou nove vezes do principal torneio sul-americano. A lembrar: 2002, 2003, 2007, 2009, 2011, 2013, 2014, 2016 e 2017. Uma sequência de anos que o fez focar, por óbvio, na competição maior, deixando o Gaúcho para o que desse e viesse.

 

O Grêmio não é vítima de seu sucesso, como eu mesmo já devo ter escrito algumas vez nesta Avalanche. O Grêmio é vítima da falta de respeito do futebol brasileiro (e gaúcho) com seus grandes clubes.

Adote um Vereador: para incluir na sua agenda cidadã

 

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Um sábado para encher a agenda. Assim foi o encontro do Adote um Vereador, no café do Pateo do Collegio, centro de São Paulo, nesse fim de semana. O calor, parece, afugentou alguns, pois o quórum foi menor do que nos encontros anteriores. Os que lá estiveram, porém, não economizaram esforços para convencer os parceiros de mesa a seguirem em frente na caminhada em favor da cidadania.

 

No Adote, e já falamos sobre isso, discordamos em alguns aspectos relacionados à política, nem todos comungam da mesma ideologia; isto não nos impede de sentamos à mesa e conversarmos sobre os instrumentos que temos para acompanhar o trabalho no parlamento ou transformar nossa cidade.

 

Lei de Acesso à Informação Pública

 

O Danilo Barboza, acompanhado da Sonia, ambos incansáveis na defesa da cidadania, sugeriu que ficássemos atentos ao trabalho que a Rede pela Transparência e Participação Social vem desenvolvendo em favor da Lei de Acesso à Informação, que completará quatro anos, em maio. Estudos do grupo mostram como governos, legislativo, judiciário e ministério público respondem às iniciativas da sociedade na busca de informações que lhe são devidas. Duas certezas: tem muita gente dando as costas para essa lei e muitos de nós ainda não sabemos como usá-la a nosso favor.

 

Para colocar na sua agenda: dia 18 de maio, a partir das 18h, a RTPS estará reunida apresentando alguns casos, na sede da Ação Educativa, na rua General Jardim, 660

 

Aliás, com base no direito do cidadão de ter acesso às informações públicas, a Gabriela Cabral, que sempre está conosco, enviou e-mail à Câmara Municipal para saber como funcionam as emendas parlamentares – aquele dinheiro que os vereadores conseguem separar no Orçamento para atender, suas próprias demandas: geralmente para arrumar uma praça no bairro onde costumam pedir votos, colocar grama sintética em campo de futebol na vila que está no seu reduto eleitoral ou garantir a festa dos amigos do funk, do samba, da marcha por Jesus ou qualquer quer outro segmento que lhes prometa ajuda na próxima eleição.

 

A resposta que recebeu:

 

“Em atenção às solicitações encaminhadas a este setor, cabe esclarecer que não há normatização predefinindo número ou valor de emendas por vereador que serão acolhidas no relatório final (na Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO ou na Lei Orçamentária Anual – LOA). O valor acolhido varia a cada ano conforme o relator do projeto (LDO ou LOA) e das emendas apresentadas. Complementarmente, a Câmara Municipal de São Paulo disponibiliza em seu site a relação das Emendas Parlamentares aprovadas com os seus respectivos autores, valores, descrições e órgãos.

 

Segue, a seguir, o link para acessar essas informações

 

Emendas parlamentares aprovadas no Orçamento de 2016

 

Vale a pena dar uma espiada no destino que os vereadores pretendem dar a R$ 165 milhões dos R$ 54 bilhões que compõem o Orçamento da Cidade de São Paulo. Aquele valor se refere a 800 emendas parlamentares que foram aprovadas no ano passado. De acordo com o relator do Orçamento, vereador Milton Leite (DEM), em entrevista na época da aprovação, o valor é para que os vereadores possam investir conforme demanda da população encaminhadas aos mandatos.

 

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Conselho Participativo das Subprefeituras

 

A Gabriela é conselheira participativa da Subprefeitura Aricanduva/Vila Formosa/Vila Carrão assim como a Rute Pereira, que, também, sempre se faz presente no encontro do Adote. As duas, mãe e filha, além de compartilharem com a gente a experiência no conselho, deram publicidade ao abaixo-assinado que pede ao prefeito Fernando Haddad a apresentação de lei que torne permanente a existência dos conselhos participativos. A lei aprovada em 2013 dá apenas caráter transitório à instituição. Ou seja, os conselhos podem deixar de existir na troca de Governo municipal.

 

Para saber como apoiar esta iniciativa, entre em contato com a Gabriela através de seu perfil no Facebook.

 

Leia mais sobre os conselhos participativos.

 

Cuidando do ambiente urbano na Aclimação

 

Convite que nos foi apresentado, em meio a bate-papo entusiasmado, também foi feito pela Eliana Lucania, que, entre tantas outras atividades, é da Associação dos Moradores da Aclimação. No dia 14 de maio (coloque mais esta na agenda), a entidade vai promover discussão sobre o direito à água e preservação do meio ambiente no Centro de Educação Especial Helen Keller, na rua Pera Azul, 314. Várias entidades se reunirão com o objetivo de definirem iniciativas em favor da recuperação de córregos da região, proteção do lençol freático e melhoria na qualidade de vida dos moradores do bairro. Pelo endereço, você perceberá que o encontro será bem em frente ao Parque da Aclimação – nada mais inspirador.

 

E como o sábado foi dedicado a falar sobre eventos e ações importantes para nossa agenda cidadã, nunca é de mais lembrar que este ano temos eleições municipais e, mais uma vez, você está convocado a escolher seu candidato a vereador. Como os nomes ainda não foram lançados, um bom exercício é começar a pensar como seria o seu candidato ideal.

 

Responda a si mesmo e compartilhe com a gente: o que você espera do seu candidato a vereador?

Que sem graça seria se os calendários não existissem!

 

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Lembro das folhinhas dos calendários pendurados na parede de casa, geralmente na parede da cozinha, ao menos até os imãs de geladeira aparecerem. Arrancava-se as folhas a medida que os dias passavam e com elas iam-se as homenagens que, imagino, seus criadores procuravam a dedo nos livros das bibliotecas – como deve ter ficado desinteressante a tarefa deste pessoal depois que a internet chegou!?. Ficava-se sabendo que o 8 de outubro era Dia da Santa Pelágia Penitente, enquanto o 25 de julho, o Dia da Abóbora. Havia as folhinhas com mensagens que pareciam tiradas de cadernos baratos de poesia: “a beleza das pessoas está na capacidade de amar e encontrar no próximo a continuidade de seu ser”, dizia uma que sei lá bem porque guardei na memória. Nada que fosse mudar nossas vidas, mas as folhinhas nos ofereciam a cada dia uma curiosidade por mais inútil que fosse.

 

Hoje, ainda recebo alguns calendários de mesa, de plástico e feios. As folhinhas são raras e chegam com tanta propaganda que mal têm espaço para as mensagens e homenagens. Para não jogá-las fora, passo à frente, muitos para minha sogra que insiste em pendurá-las na parede da cozinha. Os dias se passam agora no computador, em agendas virtuais, nas quais há lugar apenas para as atividades do cotidiano: reunião, palestra, conta para pagar, consulta no médico. Mesmo assim, ainda servem para marcar o nosso tempo e nos oferecer a oportunidade da renovação de esperanças sempre que o ano se encerra. E esta é uma sensação curiosa, porque, pense comigo, amanhã será apenas a sequência de hoje; vamos acordar e nos deparar com a mesma casa, a mesma cidade, a mesma família (neste caso, ainda bem); os compromissos que não atendemos continuarão pendentes e as coisas mal resolvidas permanecerão assim até que encontremos uma solução. Nada de novo, a não ser o dia, e, graças ao calendário, o ano.

 


Que sem graça seria se os calendários não existissem!

 

Feliz 2015!

O Bom Senso não acabou

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No momento em que o futebol começa a ganhar espaço na mídia e nas conversas do dia a dia com a Copa do Mundo, é uma boa notícia o retorno do movimento que pretende melhorias mais que tardias. À proximidade do evento máximo da FIFA, somaram-se o recorde de Messi, o retorno do fantasma de Grafite, a soltura dos invasores do CT Gravas e a reunião de segunda feira do Bom Senso FC.

 

Enquanto o feito de Messi será difícil de repetir, o de Grafite surgirá sempre que regulamentos mal feitos ou paixões e fanatismos acentuados se apresentarem. Tanto que até em Copas do Mundo já houve entrega de jogos para evitar adversários mais fortes. O próprio Corinthians de Mano já perdeu do Flamengo em jogo em que a vitória favoreceria o SPFC. É o “Vale Tudo” ao que o Alberto Helena se referia no “Bem Amigos” com Muricy. Ao mesmo tempo a liberdade aos invasores do CT corintiano demonstra a disfunção existente entre clubes e torcedores, agravada neste caso pela inacreditável justificativa do juiz.

 

De qualquer forma, o surgimento do Bom Senso FC vem com proposta para reordenar as relações funcionais e hierárquicas entre clubes, federações e jogadores. A reunião no auditório da UNINOVE na Barra Funda reforça a premissa básica dos jogadores envolvidos, que se propõem a promover a mudança de calendário, reduzindo o número de jogos, ao mesmo tempo em que admitem o fair play financeiro, que deverá ocorrer em função da diminuição do trabalho. Ou seja, do número de partidas. O destaque do evento foi a ampla cobertura dada pela mídia e a presença marcante do goleiro Rogerio Ceni cuja atuação teve repercussão geral, e avaliação sem unanimidade. Críticas favoráveis e discordantes apareceram. As positivas ressaltam a amplitude de suas colocações, citando até mesmo os Mensaleiros, ao mesmo tempo em que outras são negativas pelo mesmo motivo, além de apontar diversificação de discursos entre Dida, Alex e Ceni.

 

Efetivamente na fala de Ceni não há como discordar da cobrança aos dirigentes e políticos da atenção às propostas do Bom Senso FC e do pedido de espaço à mídia.

 

A mídia já respondeu positivamente, inclusive a Rede Globo, alvo principal pela importância e poder no âmbito do esporte. Esperamos que dirigentes e políticos façam o mesmo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.