Adote um Vereador: tinha tudo para dar errado e deu tudo muito certo

 

 

Tinha tudo para dar errado.

 

Nunca nos encontramos em janeiro e sempre nos encontramos no segundo sábado do mês.

 

Era janeiro e este era o terceiro sábado do mês.

 

O Alecir nunca falta, mas tinha um casamento na agenda. Que a festa tenha sido à altura do merecimento dos envolvidos. Vida longa para o casal!

 

A Sílvia que sempre aparece, havia reservado o período para visitar os parentes. O que é muito saudável.

 

O Mário, que havia convocado nosso “Carnaval fora de época”, foi ao interior para atender uma emergência. E temos certeza de que lá a presença dele foi de profunda importância. Nossa solidariedade.

 

Ao chegar no café do Pateo do Collegio, onde o Adote um Vereador, em São Paulo, se encontra, até que havia bastante gente. Muita mais gente do que estamos acostumados a ver por ali. Eram turistas querendo conhecer detalhes do local em que São Paulo foi fundada há 462 anos.

 

Fico feliz em perceber o interesse das pessoas por aquele espaço. Mas nenhum estava lá para o nosso encontro.

 

Diante do movimento, restava uma mesa com quatro lugares, que ocupei com a expectativa de que seria suficiente para receber os demais. Ledo engano. Ainda não havia terminado de almoçar e a Lúcia já se aprochegava com as compras feitas no comércio popular das redondezas. Em seguida, apareceu o casal que inspira nossas lutas cidadãs: Danilo e Sonia.  Não demorou muito para o Saul, a Silma, a Rute, a Gabi, o Sandro, o Moty e o Marcos se juntarem a nós.

 

Era gente mais do que suficiente para buscarmos mesa maior e colocarmos o assunto em dia. E assunto não faltou (e logo encontramos outra mesa).

 

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Soubemos que os novos conselheiros das subprefeituras vão tomar posse no dia 25 de janeiro, data de aniversário da cidade. A Rute e a Gabi, que estavam à mesa, foram eleita e sinalizaram entusiasmo para o próximo mandato, apesar de incomodadas com a falta de estrutura para essas organizações influenciarem as ações dos subprefeitos.

 

A eleição direta para subprefeitos, proposta pelo prefeito Fernando Haddad, esteve no nosso cardápio, também. Eu já disse que sou a favor, com participação de partidos e candidaturas avulsas, mas na mesa havia votos contrários e desconfiados, sensação que se justifica dadas as referências que temos de partidos e políticos, no Brasil. Insisto, porém, que ambos são necessários na democracia, temos é que usar as ferramentas disponíveis para melhorar o funcionamento dessas instituições.

 

O Adote um Vereador está aí, desde 2008, exatamente com esta proposta: inspirar o cidadão a influenciar nos destinos da sua cidade a partir da fiscalização do trabalho dos vereadores. Sugerir mudanças e cobrar respeito. Denunciar condutas impróprias e mobilizar as pessoas.

 

Nossa causa costuma ganhar adeptos em ano de eleição municipal, por isso estamos confiantes de que este 2016 será importante para darmos nova dimensão ao trabalho do Adote um Vereador. No encontro deste sábado, apresentamos alguns dos vídeos que pretendemos espalhar nas redes sociais (um deles está aqui no post) nos quais falamos sobre nossa experiência e convidamos outras pessoas a vivenciarem esta mesma sensação.

 

 

E foi quando rodei os vídeos que percebi: o Mário estava ali com a gente, o Alecir e a Sílvia, também. Tinha ainda o Bruno, recém-chegado e com palavras inspiradoras já gravadas. Havia, também, um pouco da história de todos aqueles que estiveram conosco em algum momento desde a criação do Adote e já sentaram à mesa conosco no café do Pateo do Collegio.

 

Ao fim e ao cabo, aquilo que tinha tudo para dar errado, deu certo! Mais uma vez, deu certo!

Giorgio Armani: luxo, água e sustentabilidade

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A grife Giorgio Armani anunciou sua participação na campanha Acqua for Life pelo quinto ano consecutivo, em parceria com a Green Cross International (GCI), em prol de populações que vivem sem acesso à agua potável. Em 2015, atuarão no desenvolvimento da campanha em destinos como Gana, Costa do Marfim, Senegal, China, Bolívia, México e Argentina.

 

Atualmente cerca de 80 comunidades em todo o mundo já são beneficiadas com água potável graças a esse projeto de extrema importância. Lançada em 2011, o objetivo é apoiar o desenvolvimento de sistemas avançados e inovadores de água nessas novas comunidades. A primeira iniciativa na Argentina incidirá sobre a Província de Chubut da Patagônia, uma região atingida com a pobreza e um clima severo.

 

Para Armani, o acesso à água potável é um direito humano. A falta de água não só coloca a vida das pessoas em risco, mas também limita severamente o acesso à educação e ao desenvolvimento. Armani se comprometeu a utilizar a força de sua marca e de suas duas fragrâncias associadas à água – Acqua di Gio e Acqua di Gioia – para ajudar a disseminar a consciência sobre a necessidade de tomar medidas em escala global para resolver esta questão. Parte das vendas destas fragrâncias é revertida em litros de água para a campanha. Essa iniciativa aumenta a consciência da preciosidade da água e da necessidade de ajudar centenas de milhões de pessoas que não tem acesso à ela.

 

Não há dúvidas de que Giorgio Armani (não apenas o estilista mas também a marca que leva o seu nome) são admirados ao redor do mundo por muito além de suas criações de moda masculina e feminina. O consumidor contemporâneo é sensível a ações de engajamento social, preocupa-se com o meio ambiente e com um mundo melhor para todos. Para as marcas de luxo, hoje ser sustentável pode até ser uma tendência apenas, mas vai se transformar em questão de sobrevivência, principalmente com o crescimento do luxo consciente por seus consumidores.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Campanha propõe criação de DNA das armas para combater violência

 

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Impossível rastrear quatro de cada 10 armas usadas para cometer assassinatos no Brasil, pois estão com a numeração alterada. A situação é mais complicada quando se faz a busca em armas usadas durante os roubos: 54% estão com a numeração raspada. Estes são resultados de pesquisa inédita sobre o caminho percorrido por armas apreendidas em situações de crimes, realizada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com o Instituto Sou da Paz. O trabalho analisou 4.289 armas apreendidas em roubos e homicídios, na cidade de São Paulo, nos anos de 2011 e 2012.

 

Com aproximadamente metade das armas não tendo seu perfil revelado por conta da numeração raspada, fica ainda mais difícil o trabalho de investigação e o controle do mercado de armas no Brasil. A proposta agora é da criação do DNA das armas, sistema que já funciona em outros países como a Suíça. Impossível de ser visto a olho nu, o DNA poderá ser aplicado por meio de um registro de várias partes da arma, com isso a supressão da identificação somente será possível por meio da destruição da arma.

 

Com base neste trabalho, o Ministério Público e o Instituto Sou da Paz lançam campanha “DNA das Armas” destinada a promover o debate na sociedade sobre a necessidade de implantar esta tecnologia inteligente de marcação individual das armas de fogo, fabricadas no Brasil. De acordo com os organizadores da campanha esta é uma forma de aprimorar o “raio-x” da violência e com isso aperfeiçoar o combate ao crime, especialmente o de roubo.

 

Um dado interessante encontrado pela pesquisa que de certa forma derruba alguns mitos que sustentam a venda de armas no Brasil: 38% das armas rastreadas tinham registro legal prévio, o que na prática significa que foram vendidas legalmente e depois desviadas para as mãos de criminosos. Das armas com registro prévio, a grande maioria foi registrada no Estado de São Paulo, demonstrando que é preciso reforçar a fiscalização dentro das fronteiras do estado.

Mantenha-se em forma, exercite sua cidadania!

 

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Exercitar a cidadania é como fazer atividade física. Todos sabemos da importância para garantir uma vida com qualidade, ameaçamos iniciar a qualquer momento, às vezes até iniciamos, mas levar a tarefa em frente é obra árdua. Por isso, não me espanta que ao participar em diferentes atividades encontro quase sempre as mesmas pessoas: uns na organização, outros na agitação; tem os que sempre pedem a palavra e os que preferem ouvir; às vezes, estão todos juntos, mas em papéis trocados. Se a cena talvez cause desânimo em alguns batalhadores, para mim é a prova de que não podemos desistir jamais pois temos uma missão relevante na sociedade: mostrar que a luta cidadã é transformadora.

 

Já conversei com você, caro e raro leitor deste blog, que, a primeira reunião presencial da rede Adote um Vereador, em 2014, mostrou-me o verdadeiro valor desta ideia que lançamos há seis anos. No entorno da mesa do café do Pateo do Collegio, centro de São Paulo, havia uma dezena de pessoas, poucas ligadas diretamente ao Adote, todas motivadas a atuar em favor da comunidade em que vivem. Ser indutor das discussões políticas pelo cidadão é uma de nossas funções, por mais pretensiosa que possa parecer. E naquele momento enxerguei em volta da mesa pessoas que acreditavam no seu poder de transformação.

 

No sábado, estivemos mais uma vez no encontro que realizamos mensalmente no Pateo. Havia poucas e boas histórias sendo contadas, que passavam desde a vigilância à atuação dos vereadores-candidatos – que acabaram de ser avaliados pelo Movimento Voto Consciente – até a propaganda eleitoral, que insistem em colocar no lugar errado. A propósito, conta-me Alecir Macedo, com aval do Cláudio Vieira, ambos integrantes de primeira hora do Adote um Vereador, que as reclamações feitas ao Tribunal Regional Eleitoral, inclusive com foto de irregularidades, têm retornado com a informação de que nada foi encontrado. A dúvida deles é se os fiscais estão indo aos locais certos. Talvez tenham de levar esta bronca até o Ministério Público Eleitoral, outro órgão capacitado a por ordem na bagunça eleitoral que se transformam nossas cidades, neste período.

 

Outro tema interessante quem nos trouxe foi Ruth Pereira, conselheira da Subprefeitura do Aricanduva, na zona leste da capital paulista, que seguidamente está na nossa companhia. Ela nos convidou a pensar sobre a produtividade e funcionamento dos conselhos de representantes – organismos que começaram a atuar neste ano, em São Paulo -, a medida que as reuniões costumam reunir número pequeno de participantes eleitos pela cidade. Percebe como é difícil mobilizar pessoas em torno da ideia da cidadania? Ela lembra que, neste momento, alguns conselheiros estão mais envolvidos com as campanhas eleitorais de seus candidatos na região do que nas discussões locais. Além disso, reclama que a infraestrutura oferecida aos conselhos está aquém do necessário, muitas vezes com salas dentro da sede da subprefeitura, mas sem acesso a telefones e internet. Ou seja, os conselheiros têm de usar seu próprio equipamento se houver necessidade de levantar alguma informação relevante para o trabalho deles.

 

Estruturar os conselhos de representantes; controlar os abusos cometidos na campanha eleitoral; provocar novos parceiros a exercitar a cidadania. Esses são apenas alguns dos muitos desafios a serem enfrentados por quem se dispõe a ajudar na luta pela melhoria do ambiente urbano. Há os que o fazem por outros meios, usam ferramentas disponíveis na internet, atuam em seus grupos sociais, às vezes até mesmo dentro da família, orientando e educando seus mais próximos. O importante é que este exercício seja permanente.

 

Se você estiver precisando de uma forcinha para começar a colocar o corpo em forma, sugiro ouvir o Márcio Atalla. Já se quiser exercitar a cidadania, pode conversar com a gente do Adote um Vereador. Estamos à disposição!

O dia em que o candidato comprou um livro

 

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A cobertura jornalística da campanha eleitoral, em rádio e TV, tem várias limitações impostas pela legislação e, algumas vezes, se transforma em um “agendão”, como costumamos dizer nas redações. O candidato está aqui, vai até lá e passou acolá. Informações ilustradas por imagens de político sorridente em meio a multidão que se espreme na feira livre e a rua de comércio popular. Gostam também de aparecer no palco de seminários de engravatados, onde recebem propostas de governo que assinam e jamais serão cumpridas. Com o pé no chão ou no palanque, estas agendas costumam render cenas para a campanha, talvez votos e, em alguns casos, infecção estomacal. Um dos lugares preferidos desta semana é a Bienal do Livro, que leva hordas de estudantes e fãs de escritores para os corredores no Parque do Anhembi, em São Paulo.

 

Há uns dois dias, vi um dos candidatos à presidência, ao lado de seu vice, caminhando entre “eleitores” e encenando para selfies que serão distribuídos nas redes sociais. Nos estandes, folhavam livros e posavam para as câmeras como se estivessem interessados na leitura. E nós jornalistas relatando o acontecido. Encenação que me lembrou história contada pelo jornalista Lucas Mendes, na época em que trabalhamos juntos na redação da TV Cultura. Ele já dava expediente em Nova York quando o presidente Fernando Collor acabara de ser eleito no Brasil. Antes da posse, Collor fez viagem para os Estados Unidos, não lembro se para descansar e recuperar o fôlego da intensa campanha eleitoral ou se para mais uma vez viver no mundo do faz de conta, o que lhe era típico. Cada passo que dava era coberto com curiosidade e intensidade pela imprensa brasileira que deslocou suas equipes de jornalistas atrás do primeiro presidente eleito desde o fim da Ditadura Militar.

 

Conta Lucas Mendes que, entre os programas realizados, Collor entrou em uma livraria e começou a olhar as estantes em busca não se sabe de que livro. Dezenas de repórteres cinematográficos e fotógrafos entraram correndo para registrar o momento, assuntando a dona da livraria. Ela se dirigiu a Lucas Mendes, que observava tudo da periferia da confusão, e quis entender “por que toda esta gente?”. Lucas explicou que o novo presidente do Brasil estava comprando um livro. E foi obrigado a ouvir da atônita livreira americana: “ele nunca comprou um antes?”

Campanha e relíquias no encontro do Adote um Vereador

 

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Três relíquias de campanhas eleitorais nos foram apresentadas (e me foram presenteadas) no encontro da rede Adote um Vereador, em São Paulo, sábado, no café do Pateo do Collegio. Eram alfinetes de lapela com o rosto ou a marca de Jânio Quadros: duas usadas na disputa para a presidência da República, em 1960, e a outra na vitória para a prefeitura, em 1985. Presentes de dona Silma Prado, moradora do Centro, que costuma levar suas indignação e risada para as reuniões mensais que realizamos. Com 70 anos de vida, mantém em casa uma série de lembranças históricas que costuma distribuir para a turma mais jovem sob a esperança de que o material seja preservado para o todo e sempre. A primeira vez que ganhei um presente dela foi no ano passado: um exemplar de outubro de 1911 da revista Caretas, que circulou nas primeiras décadas do século 20, com “redacção e officinas” na rua da Assembleia, 70, no Rio de Janeiro.

 

Hoje, os candidatos não distribuem mais alfinetes, mesmo porque as lapelas são raras nas campanhas. Nossa preocupação no Adote é com outras práticas que já começam a tomar a cidade, como a distribuição de cavaletes pelas avenidas. Os candidatos mais endinheirados saem na frente, talvez com a ideia de marcar posição antes que a imagem urbana esteja infestada de propaganda, nomes e números e ninguém mais consiga se destacar. Esse tipo de propaganda é permitido pela lei eleitoral, mas o exagero agride o olhar do eleitor e o ambiente. Da Câmara Municipal, nosso foco de monitoramento, Alecir Macedo, um dos fundadores do Adote, conta serem 19 os vereadores tentando cargos maiores. Dois concorrem a governador do Estado, oito a deputado federal e nove a estadual (a lista completa, você encontra aqui). Alguns se aproveitaram dos benefícios do gabinete para publicar cartilhas de prestação de contas do mandato – é como eles chamam o material impresso com dinheiro público que tem como objetivo alavancar suas campanhas. A tentativa deles não seria válida se estivesse em vigor ideia que prevalece entre algumas entidades que fazem o acompanhamento político, as quais defendem que o mandato seja cumprido até o fim, portanto, não poderiam concorrer a outro cargo sem antes completar os quatro anos para os quais foram eleitos. Mas isto é outra discussão.

 

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Integrantes do Adote um Vereador receberam ligações telefônicas, nas últimas semanas, com convites para trabalhar pela campanha de alguns dos candidatos, mas nenhum aceitou a proposta. Que fique claro que não há nada de ilegítimo em participar das campanhas, afinal é um direito que qualquer cidadão tem. Em anos anteriores, ao menos um dos participantes do Adote foi candidato a vereador, experiência que agregou no seu conhecimento e permitiu que ele enxergasse como funciona o trabalho – difícil trabalho – nos bastidores e como o poder econômico é definitivo na escolha feita pelo eleitor. A maioria de nós, porém, prefere atuar na política de olho no que os políticos fazem (ou deixam fazer) e, quando possível, compartilhando seu pensamento e conhecimento. Os resultados são motivadores, mas precisamos ir além e contamos com a sua participação.

Dinheiro de empresa na campanha desvirtua democracia

 

Carlos Magno Gibrail

No STF Supremo Tribunal Federal, quarta e quinta-feiras, votaram pelo fim das doações das pessoas jurídicas nas eleições o presidente Joaquim Barbosa, o relator Luiz Fux, e os ministros Dias Tóffoli e Roberto Barroso. Os demais onze membros não votaram em função do pedido de vista de Zavascki que ocasionou a suspensão da sessão sem prazo de retomada.

 

A interrupção é inoportuna, pois a aplicação é para a eleição de 2014, mas combina com a dicotomia que vivemos há anos entre PT e PSDB, embora a matéria pressuponha apartidarismo. Suposição prontamente desmentida pela revista Veja que coloca na capa Adir Assad, acusa-o de movimentar R$ 1 bilhão em propinas e de Caixa Dois de campanhas, mas dedica seu editorial à defesa do financiamento das campanhas eleitorais pelas empresas. E ainda usa Assad como argumento alegando que é melhor liberar do que proibir o dinheiro das empresas nas eleições para evitar “o aumento exponencial das doações ilegais”, considerando falso o problema das doações empresariais. Para a revista, o problema é a falta de fiscalização. O editorial da Época usa também o falso, mas por entender que são temas secundários ou já resolvidos. Verdadeiros problemas para Época são a burocracia (que estimula a corrupção) e a educação.

 

O fato é que diante dos aspectos conceituais e empresariais das doações, a participação de empresas no processo eleitoral é questionável. Do ângulo conceitual, a democracia se exprime a partir do cidadão e não de uma pessoa jurídica. Colocação usada por Tóffoli em seu voto. Sob o aspecto empresarial, as doações são feitas esperando vantagens, pois a essência das organizações privadas é o resultado. Tanto é que os principais fornecedores do Estado são os maiores financiadores de eleições. Na campanha de Dilma e Serra, 98% das contribuições vieram de pessoas jurídicas, o que desvirtua o significado de democracia, pois demo é povo e cracia é governo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Nota do Blogqueiro: o símbolo que ilustra este post é da campanha Eleições Limpas que você conhece acessando este link

Cuidado: campanhas eleitorais

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

 

Violando frontalmente os direitos constitucionais de liberdade de expressão e de propriedade privada, a reforma eleitoral “debatida” pelo Congresso Nacional visando já o pleito de 2014 veda a possibilidade de propaganda eleitoral por meio de faixas, placas, cartazes, pinturas ou inscrições veiculadas em bens particulares tais como muros, pátios de residências e até mesmo nas janelas.

 

Após alguns debates nas duas Casas Legislativas, suas excelências também determinaram que os adesivos de carro poderão ter a dimensão máxima de 50 (cinquenta) centímetros por 40 (quarenta) centímetros. Detalhe: estes adesivos, que logo ficam esmaecidos pelo sol, deverão ser microperfurados. Todavia, num toque de generosidade, os congressistas estabeleceram uma ressalva: a possibilidade de colocação de mesas na rua para a distribuição de material de campanha e a utilização de bandeiras ao longo das vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos. Surge, assim, o cabo-eleitoral sentado e de mesa. O que desgarrar disso será considerado infração ou ato irregular de campanha, talvez até crime. Mas nem tudo estará perdido: o parcelamento das multas eleitorais por eleitores, candidatos e partidos políticos poderá ser em até 60 parcelas. Isto mesmo que você leu: sessenta vezes. Ou seja: até a eleição seguinte, a dívida já estará paga!

 

A pretexto de reduzir custos de campanhas, atos outrora tradicionais e corriqueiros de campanha eleitoral se tornaram infrações. As pinturas e demais formas de identificação visual das candidaturas majoritárias e proporcionais estão proibidas. Mas a propaganda eleitoral através de helicópteros é permitida. Ufa, ao menos isto!

 

Com estas medidas, ressalvando a mímica, é claro, e a campanha eleitoral estará praticamente resumida aos horários de rádio e televisão que de gratuitos tem apenas o nome. Nome falso, aliás. Os protagonistas do cenário eleitoral suportam apenas os encargos com a produção dos seus programas, nada desembolsando quanto à utilização do espaço de exibição naqueles que são conhecidos e negociados como os horários nobres da televisão. Contudo, na prática, a União Federal confere isenção fiscal ao valor que seria cobrado por inserções comerciais não-obrigatórias. Dito por outras palavras: o pagamento deste espaço e de seus respectivos impostos é remetido ao contribuinte.

 

Ao invés de aprofundar uma reforma eleitoral condizente e convincente a ponto de alterar o próprio sistema e o eixo da representação popular – hoje muito mais voltado para dinâmicas de campanha do que para atuações parlamentares propriamente ditas –, vale-se o Congresso Nacional de um projeto de lei tosco e confuso para, à guisa de baratear disputas, reforçar a mais-valia política que favorece os detentores de mandatos em relação aos demais candidatos. É um absurdo mas, como se diz, é sempre possível ficar pior.

 

O passo derradeiro e mesmo previsível, ou seja, a sempre tão aguardada discussão da matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal frente à regra da anualidade, pode resultar na frustração de alguns, eis que a mesma goza de precedente favorável admitindo alterações similares. Trata-se da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3741, que legitimou as alterações introduzidas em 2006, ano de eleição tal e qual 2014.

 

Em Brasília, 19 horas.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age).

A felicidade da prostituta incomoda muita gente

Das missas na Igreja do Menino Deus, em Porto Alegre, lembro de algumas passagens. As homilias realísticas do padre Tarcísio de Nadal eram provocantes, pois falava coisa que padre não costumava falar naquela época. Era final dos anos 1970, início dos 1980. Cutucava as carolas que sentavam na primeira fila de bancos da Igreja e lembrava que não bastava estarem presentes com roupa recatada e oração decorada se, ao saírem pela porta, cuspiam no chão diante de uma prostituta, na avenida Getúlio Vargas. Aquelas mulheres, referia-se as moças que faziam ponto mais à frente, têm de ser respeitadas como qualquer outra. Católicos não poderiam se dar ao direito de discriminar seres humanos, aprendi das suas falas.

 

Muita coisa mudou desde as domingueiras na Igreja, nem todas para melhor. Desde a semana passada, a imagem de uma prostituta gaúcha, que soube depois faz ponto na praça da Alfândega, a 20 minutos do Menino Deus, derrubou um diretor do Ministério da Saúde, constrangeu o Ministro e expôs o lado mais conservador da sociedade (e de colegas meus, também). A peça, você já deve ter lido sobre isso, foi criada em oficina que reuniu profissionais do sexo, como costumam dizer por aí, e buscava melhorar a autoestima destas mulheres, chamar atenção para o respeito que merecem e os cuidados que devem ter com doenças sexualmente transmissíveis.

 

O que pegou mesmo foi a frase usada em um dos cartazes: “Eu sou feliz sendo prostituta”. Que direito aquela mulher, olhando no meu olho, tinha de jogar na minha cara a felicidade dela? Este sentimento que muitos de nós não somos capazes de alcançar com a realização do nosso trabalho ou em meio a nossa família. Imagine ela, desrepeitada, cuspida – para lembrar as carolas do padre Tarcísio – e esquecida pela sociedade. Jamais poderia ser feliz. Uma falta de respeito desta senhora. Pensaram muitos.

 

Imediatamente, todos saíram a falar sobre o assunto e criticar o comportamento do Ministério da Saúde, que pressionado recuou da iniciativa, cancelou a campanha que circularia nas redes sociais, defenestrou o diretor do Departamento de Doenças Sexuais Transmissíveis (DST), Aids e Hepatites Virais do ministério, Dirceu Greco, e jogou fora a boa oportunidade de avançar nas políticas públicas para as populações mais vulneráveis. Deve imaginar que assim o problema da prostituição esteja resolvido.

 

No fim de semana, descobre-se que, sim, é possível ser prostituta e feliz, assim como ser jornalista, engenheiro, arquiteto, ou seja lá qual for a profissão que você escolheu, e ser feliz. A modelo do cartaz, Nilce Machado, de 53 anos, foi ouvida por Elder Ogliari, do caderno Aliás, do Estadão, e disse com todas as letras: “sou prostituta e feliz porque adquiri muito conhecimento, é na profissão que consigo ajudar minhas colegas, ganho meu dinheiro, não tenho patrão, faço meu horário, tenho minha liberdade, cuido da minha saúde … além disso, tenho uma bela família que me aceita como sou, prostituta e feliz”. Coisas que muitos de nós não conquistamos até hoje. Por digna que é, teve mais coragem do que o ministro Alexandre Padilha. Além de falar do tema abertamente e não se esconder nas esquinas, anunciou seu descontentamento com a decisão do Governo Federal, disse que ficou aborrecida e não está mais disponível para campanhas no ministério.

 

Nas redes sociais, garotas de programa também criticaram a postura do governo. Monique Prada, por sinal tão gaúcha como Nice, e como as carolas do padre Tarcísio, lembrou, no Twitter, que a campanha “não tratava apenas de prevenção de DSTs, mas também da cidadania da prostituta”. Em outro texto, defendeu a legitimação da prostituição, acompanhada de cuidados especializados com saúde, diminuição do preconceito e garantia de diversos outros direitos: “a prostituição em si não fere a dignidade humana. As condições em que algumas colegas exercem sua atividade, sim”.

 

Ou seja, aqueles que não conhecem a situação das prostitutas, não convivem com elas, ou convivem como clientes sem respeitá-las, se apressaram em dizer que não é possível ser feliz assim. As prostitutas, discordam.

 

Saudades do Padre Tarcísio!

Que ônibus passa aqui

 

 

Se a prefeitura não faz, o cidadão faz. Foi incentivado por esta ideia que o grupo Shoot The Shit (melhor não traduzir) decidiu resolver um problema comum nos pontos de ônibus, a falta de informação sobre as linhas que passam no local – ou deveriam passar. Criada em Porto Alegre, a organização colou adesivos nos postes que indicam as paradas de ônibus e convida as pessoas a anotar as informações à mão. Da capital gaúcha, a ideia chegou a 11 cidades brasileiras, mais Lima, no Peru. O projeto Que ônibus Passa Aqui Teria, inclusive, recebido incentivo da EPTC, empresa responsável pelo transporte público em Porto Alegre.

 

O vídeo abaixo foi produzido pelos criadores do projeto quando estavam arrecadando dinheiro para lançar a campanha e os adesivos:

 

Que Ônibus Passa Aqui – Catarse from Shoot The Shit on Vimeo.


Dica do Blog Ponto de Ônibus