Avalanche Tricolor: a disputa do título é agora!

Fortaleza 0x0 Grêmio

Brasileiro — Arena Castelão, Fortaleza/CE

Ferreirinha parte para o ataque em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Ferreirinha parte para o ataque em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Sabe aquele jogo que começa e você já sabe qual vai ser o resultado? A gente fica torcendo para estar errado, mas a cada minuto que passa aumenta a certeza de sua previsão inicial. Foi assim neste sábado à noite. O empate —- o décimo terceiro no campeonato —- foi sendo desenhando no chute para fora, no cruzamento cortado pela defesa, na falta (quase) bem cobrada, no contra-ataque que se perdeu em um passe errado e no gol que por milímetros foi anulado. A previsão de que seria empate tem muito a ver com o time que vai a campo —- éramos na maioria reservas e, claro, paga-se um preço quando tomamos essa decisão. No caso, dois pontos desperdiçados na disputa pelo título do campeonato. 

Verdade que outras vezes entramos em campo sem escalar os principais titulares e conquistamos a vitória mesmo assim —- mas, sei lá o motivo, assim que começou a partida deste fim de noite, tive a impressão de que não sairíamos do zero a zero. Impressão confirmada ao fim deste que foi o vigésimo-oitavo jogo gremista no Campeonato Brasileiro. Não que tenhamos jogado pelo empate. Longe disso. Tentou-se de um lado e de outro. Muitas vezes pelo meio. Chutou-se 12 bolas no gol  — pelo que anotei — e forçamos o goleiro adversário a fazer defesas difíceis. Esforço fugaz. 

Apesar de não termos saído com a vitória, que é o que todos queríamos, o empate nos mantém na disputa do título e entre os cinco primeiros classificados. O mais importante é que, independentemente do que acontecer no domingo, a ideia de que o campeonato será decidido em janeiro permanece. A partir de agora —- e aí entendemos a escolha pelo time reserva —- todo jogo será uma decisão direta pelo título. Nas próximas quatro partidas, o Grêmio terá de ser gigante porque enfrentará quatro adversários que estão embolados e disputando a liderança da competição. 

Seja o que os deuses do futebol quiserem!

Avalanche Tricolor: vencer é o que importa

Grêmio 2×1 Bahia

Brasileiro — Arena Grêmio

Vanderson comemora em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

A temporada 2020 está de volta. A mais atrapalhada das temporadas que já vivemos na era moderna, começou ano passado, parou em março com a pandemia, foi retomada em junho, intrometeu-se nas festas de fim de ano e só deu descanso para times e jogadores passarem o réveillon em casa. Apesar de estarmos, conforme calendário gregoriano, na primeira semana de 2021, ainda sofremos os percalços do ano passado. A impressão é que estamos vivendo a segunda temporada deste triste seriado que foi 2020 — e sequer estou fazendo menção ao que assistimos nesta quarta-feira, nos Estados Unidos; estou falando apenas de futebol.

Para o Grêmio, o mês de janeiro reserva algo raro nesta temporada: um mês inteiro dedicado a um só campeonato, o Brasileiro. A decisão da Copa do Brasil ficou para fevereiro, a persistirem os sintomas. Mês raro e importante, porque teremos jogos decisivos para as nossas pretensões na competição. Alguns dos adversários que enfrentaremos estão no meio do caminho do que pretendemos alcançar que é o título brasileiro, segundo Renato, naquela entrevista ao lado do campo a espera do apito inicial; ou o G4 que garante vaga direta na Libertadores do ano que vem … ops, deste ano. 

Na partida de hoje, o adversário não era direto nem por isso os três pontos deixavam de ser importantes — vencer é sempre importante. Uma vitória agora, além de manter o time com moral alto e motivar para os próximos desafios, também cria gordura para qualquer percalço nos próximos 11 e decisivos jogos. 

E o Grêmio venceu. 

Não foi tão simples quanto parecia nos primeiros minutos de partida, quando impusemos nosso jogo bonito e qualificado, o que culminou com o primeiro gol de Vanderson, que aos 19 anos fez sua segunda partida como titular. O guri —- mais um dos guris gremistas —- fez uma assistência importante no primeiro jogo e hoje foi presenteado com um cruzamento pelo alto que o fez cabecear de maneira consciente no gol adversário. Chorou na comemoração. E nós comemoramos com ele. 

Depois do primeiro gol, assistimos à uma sequência de atrapalhadas e espaços abertos que permitiram a proximidade do adversário na nossa goleira. Se o gol que marcaram no fim do primeiro tempo foi salvo pela linha de impedimento, no segundo tempo, fomos punidos logo no início com a bola desviando na cabeça de outro guri gremista, Rodriguez. 

Coube a um dos veteranos decidir a nosso favor, em meio a uma série de jogadas erradas, passes mal dados, cortes mal-feitos e uma marcação malemolente em alguns momentos. Foi Diego Souza. Sempre ele. Infalível. E foi em um cobrança de falta tão estranha quanto o próprio jogo. A bola desviou na barreira, desviou no braço do goleiro e quando parecia que havia desistido de entrar no gol, foi parar no fundo da rede. E o que vale é bola na rede. E com esta bola, Diego marcou mais um gol decisivo para o Grêmio. 

Somos o time que menos perdeu nesta competição, apenas três vezes; que mais empatou, 12 vezes; e estamos invictos há treze jogos no Brasileiro. Uma estatística suficiente para nos deixar na disputa do título. Cada vitória que vier a partir de agora nos colocará mais próximo dos nossos objetivos — se vier com uma bola do acaso, um desvio do goleiro ou em um gol contra, pouco me interessa. O que importa agora é a vitória.

Avalanche Tricolor: minhas impressões

Sport 1×1 Grêmio

Brasileiro — Ilha do Retiro, Recife/PE

Pepê comemora gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A bola no pé e a cabeça distante do gramado. Assim o Grêmio jogou nesta rodada do Brasileiro disputada entre a desclassificação da Libertadores e a semifinal da Copa do Brasil. Parte do time titular estava em campo, mas não no jogo. A impressão é de que o passe demorava mais do que o normal para chegar ao colega, o deslocamento era mais lento do que costumamos fazer e a marcação mais distante. Haja vista que mesmo com o domínio total da bola, os chutes a gol, especialmente no primeiro tempo, foram raros —- substituídos por uma sequência de cruzamentos na área, sem conclusão. Em um deles, deu-se o contra-ataque adversário que resultou no gol. 

Nada do que disse até aqui significa que o time não se esforçou. Ao contrário, conseguiu se superar quando perdeu Kannemann, expulso aos sete minutos do segundo tempo. Pareceu-me que o cartão vermelho serviu de despertador e fez o Grêmio se jogar para frente, a ponto de conseguir pênalti que foi bem convertido por Pepê. A propósito: depois daquela sequência ruim na retomada do Campeonato Brasileiro, tenho a impressão de que o nível das cobranças melhorou consideravelmente.

Uma vitória nesta rodada não seria redentora, mas tornaria o ambiente melhor — no mínimo faria com que alguns “torcedores” de rede social deixassem de encher o saco. O peso da desclassificação da Libertadores —- da forma como ocorreu —- está claramente sobre o ombro dos jogadores. Em alguns mais do que outros. Jean Pyerre está cabisbaixo. Sentiu o golpe. E Renato certamente está a aconselhá-lo porque sabe que o talento de nosso camisa 10 é fundamental para subirmos o nível do futebol e chegarmos a final da Copa do Brasil.

O empate, levando em consideração como foi construído, não é ruim —- longe do desastre que alguns tentaram impor. O Grêmio ainda está na disputa do G4 no Brasileiro e mostrou, após a expulsão, o poder de reação de um time ainda abalado. Um time que tem muito futebol para jogar e precisará fazê-lo já na próxima quarta-feira. Eu confio — e isso não é um impressão.

Avalanche Tricolor: prepare-se, Dezembro está só começando

Grêmio 4×0 Vasco

Brasileiro — Arena Grêmio

Diego comemora, ele marcou dois gols, foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Escrevo antes de a rodada se encerrar porque mais do que a posição na tabela do Campeonato Brasileiro é a disposição do Grêmio em vencer partida após partida que me interessa, nesta Avalanche. Independentemente de quem esteja no campo, vê-se uma movimentação intensa dos jogadores, com troca de posição, deslocamento pelos lados e velocidade com e sem a bola. A recomposição na defesa chama atenção, também. Apesar de os alas subirem muito e chegarem à linha de fundo, se o adversário não for muito rápido no contra-ataque, logo quatro, cinco, seis jogadores já diminuíram o espaço lá atrás, para em seguida todo o restante fechar-se no sistema defensivo. 

Com um time que foi se ajustando ao longo da temporada, depois de uma série de desfalques no elenco e jogadores recém-chegados e sem o entrosamento para a movimentação, o Grêmio alcançou a marca de 16 jogos invictos, ciclo completado neste domingo com uma goleada na Arena. Até alcançar essa performance, ensaiou-se coro contra Renato acusando-o mais uma vez — além de algumas barbaridades como preguiça e desconhecimento — de ter aberto mão do Campeonato Brasileiro, sem perceberem que o que lhe faltava eram pernas: jogadores com ritmo, bem fisicamente, lesões curadas, livres de Covid e opção no elenco. 

A disposição de Renato e do Grêmio sempre foi ganhar; e ganhar tudo que estivesse no seu caminho. Nem sempre isso é possível. Difícil até de saber se é sustentável, dadas as condições da temporada. O jogo de hoje foi o primeiro de uma maratona que enfrentaremos em Dezembro: quatro decisões em mata-mata, na Copa do Brasil e na Libertadores, e quatro pelo Brasileiro. 

Hoje, Diego Souza foi o destaque com dois gols de cabeça —- mérito dele por se colocar bem dentro da área e saltar alto; mérito, também, de quem tem cruzado com perfeição para ele completar em gol. Nosso atacante marcou 20 vezes na temporada. Já Pinares e Lucas Silva tiveram o prazer de comemorar o primeiro gol de suas carreiras com a camisa do Grêmio. O chileno chegou há pouco e fez o mais bonito dos quatro gols com um chute colocado de perna esquerda —— jogou no lugar de Jean Pyerre e demonstrou ser excelente opção para o time. Já o nosso volante está há mais tempo, costuma arriscar à distância e em cobranças de falta. Desde a última partida, no entanto, tem colocado os pés dentro da área, em mais um sucesso da movimentação gremista que dá este espaço aos volantes. Semana passada, o chute dele explodiu no peito do goleiro; hoje, depois de assistir à bola se chocar com o poste, na jogada seguinte recebeu um passe dentro da área, tentou o drible e sofreu a falta: pênalti, bem cobrado.

Se levarmos em consideração que competições de pontos corridos fazem de cada partida uma decisão, das oito que temos marcadas para dezembro, a primeira já foi vencida. Estamos mais próximos dos líderes do Brasileiro, nas quartas de final da Libertadores e nas semifinais da Copa do Brasil. Como escrevi, não sei se este ritmo de jogos e de vitórias é sustentável. Por enquanto, Renato tem nos deixado sonhar: ao infinito e … além!

Avalanche Tricolor: exclamação!

Grêmio 2×1 Goiás

Brasileiro — Arena Grêmio

Maicon comemora em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

Que baita jogador é esse Jean Pyerre! O que Pepê faz com a bola é uma barbaridade! Geromel é imbatível dentro da área! São tantas as exclamações neste começo de Avalanche que quase esqueço de reverenciar Renato que se consagrou como o técnico que mais vezes comandou o Grêmio: 384 vezes, superando o eterno Osvaldo Rolla. Suas marcas vão além: hoje, alcançou a vitória de número 200, apenas como treinador. Desde que estreiou na casamata, em 2010, contra o mesmo adversário desta noite de segunda-feira, conquistou sete título, de Campeonato Gaúcho a Libertadores. É a terceira passagem de Renato pelo time e, sem dúvida, a melhor.

Se Geromel é quem é, claro, tem muito a ver com ele próprio —- um cara com aquele caráter e semblante merece todo o mérito —, mas também porque Renato sabe montar um sistema defensivo e permite que nosso zagueiro se expresse com talento. Se Jean Pyerre e Pepê jogam o que jogam, Renato é um dos responsáveis. Se o time voltou a jogar o futebol qualificado que encantou o Brasil, tem a mão de Renato.

Se tudo isso não bastasse para começarmos a semana com a alegria que o futebol pode nos proporcionar, ainda tivemos o prazer de ver o sorriso estampado no rosto de Maicon. Nosso capitão vinha de uma sequência de lesões e estava incomodado com o seu desempenho e o do time. O olhar cerrado e o esbravejar com os colegas eram preocupantes. Ficou fora três semanas e, segundo o próprio, teve tempo de com a equipe de profissionais do Grêmio — médicos, preparadores físicos e fisioterapeutas — analisar os motivos de suas lesões e trabalhar especificamente para reforçar o que era fragilidade. Voltou bem e confiante. Comandou o meio de campo fechando um triângulo de ouro com Matheus Henrique e Jean Pyerre (que baita jogador é o …. ops, já escrevi sobre isso). E completou sua performance chegando forte na frente para fazer o gol da vitória. Maicon sorriu bonito após o gol. E nós sorrimos com ele.

Se o jogo teve momentos de risco, perdemos mais gols do que gostaríamos e desperdiçamos a oportunidade de dar tranquilidade mais cedo ao torcedor, também teve o domínio na maior parte do tempo e um esforço redobrado para recuperar a bola quando o adversário se atrevia na frente, que nos levaram a 14ª partida sem perder —- incluindo Brasileiro e Libertadores —- nas quais 11 com vitória. E, sim, Renato tem tudo a ver com isso. Exclamação!

Avalanche Tricolor: Comemora, Vanderlei!

Corinthians 0x0 Grêmio

Brasileiro — Arena Corinthians, SP/SP

Renato e o antirracismo em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

O segundo tempo já estava avançado quando em um contragolpe a defesa do Grêmio cortou mal a bola que caiu nos pés do adversário. Recuada, chegou livre para o chute a gol. Em situação normal de pressão e temperatura, era bater, estufar a rede e correr para o abraço. Havia, porém, uma pedra no meio do caminho. Uma rocha com a dimensão de Vanderlei, que saltou de braços abertos e com uma só mão despachou a bola para escanteio. A vibração com punhos cerrados do nosso goleiro dizia muito sobre o que acabávamos de assistir. 

Aos 36 anos, tendo chegado sob o olhar desconfiado do torcedor, depois de deixar seu clube anterior porque apresentava dificuldades técnicas para se adaptar a estratégia do técnico — diziam que não sabia jogar com a bola nos pés —, Vanderlei logo se tornou titular, no lugar do criticado Paulo Victor, que apesar de ter tido bons momentos com a camisa do Grêmio, revelou-se inseguro, especialmente na segunda parte da temporada passada.

Vanderlei, mesmo tendo ganhado o direito de vestir a camisa número 1, ainda não conquistou o coração do torcedor. Já fez uma sequência de bons jogos desde que chegou à Arena, mas sempre que tomamos um gol, aparece alguém disposto a puxar a lupa, chamar o VAR e fazer contorcionismo para encontrar a falha do novo goleiro. Até mesmo quando o gol é de pênalti há buchicho na arquibancada (que agora é apenas virtual).

Com 1,95 e cara sempre séria, ainda está longe de se igualar a alguns dos grandes nomes que passaram pelo gol gremista nestes anos — para a maioria de nós a imagem de Marcelo Grohe e seus milagres é muito presente. No memorial que mantenho na parede de casa, a camisa autografada por Danrlei está ao lado da de Geromel. Sem falar em Victor, Leão, Mazaropi e, sim, o lendário Eurico Lara — todos merecedores do nosso mais alto respeito. 

Nem se pode exigir essa paixão por Vanderlei. É muito cedo. Por enquanto, ganhou apenas o Campeonato Gaúcho e está sendo testado a cada partida do Brasileiro, da Copa do Brasil e da Libertadores. Uma defesa com a importância desta que fez, nesta noite em São Paulo, sinaliza que está na hora de começarmos a nos convencermos de que estamos nas mãos de um grande goleiro.

Foi ele quem garantiu mais um empate neste campeonato e mais um empate contra este adversário —- é o quarto em dois anos, sem gols. E se hoje não houve gols, Vanderlei tem total responsabilidade no resultado ao fazer aquela defesa magistral.

Tê-lo como destaque nesta partida atípica do Campeonato Brasileiro — na qual o adversário teve dois jogadores expulsos, um deles ainda no primeiro tempo —- também diz muito do que foi o Grêmio nesta noite. Haverá de ser melhor na quinta-feira, creio.

Em tempo: a camisa tricolor trouxe no peito a mensagem antirrascismo que o Grêmio tem propalado ao longo do tempo: somos azuis, pretos e brancos, em meio ao desenho do rosto de negros ilustres que vestiram nossas cores; enquanto Renato estampou uma camisa amarela com a frase “vidas negras importam”. Que o recado seja entendido por todos nós!

Avalanche Tricolor: Jean Pyerre é 10

Grêmio 4×2 Ceará

Brasileiro — Arena Grêmio

O 10 de Jean Pyerre na foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

“Temos camisa 10”, gritaram os torcedores nas redes sociais. Perdão, amigo! Sempre tivemos. Nosso 10 apenas não tinha condições de jogar por motivos mais do que conhecidos por todos — só os impacientes e descrentes faziam questão de não entender, preferindo atacar Renato e suas escolhas. E quando nosso camisa 10 voltou, estava vestindo a 21, mas isso, convenhamos, era apenas um detalhe na jornada de nosso craque. 

Aliás, como você, caro e raro leitor desta Avalanche haverá de lembrar, na edição passada desta coluna esportiva, eu escrevi: “nosso camisa 10 —- mesmo que não carregue o número às costas, ele é o 21 do time —- é um jogador especial”. Quis a coincidência que no dia seguinte a minha Avalanche, Renato e o Grêmio decidiram premiar Jean Pyerre com o número que o futebol mundial costuma oferecer aos craques da bola — apesar de que no nosso time a camisa que consagra é a 7; não é mesmo Renato?

A maneira refinada com que Jean Pyerre toca na bola encanta a todos. Isso ficou evidente desde os primeiros movimentos do Grêmio em campo no início desta noite. Com o nosso camisa 10 buscando jogo no meio de campo e conduzindo o time para o ataque, o deslocamento dos jogadores que estão à sua frente ganha em produtividade. Luis Fernando, Diego Souza e Pepê, especialmente, sabem que podem partir em direção ao gol porque a bola será entregue a eles em condições de marcar. Os laterais e volantes que estão ao lado passam e correm porque sabem que vão receber um presente. Todos saímos ganhando quando o camisa 10 está em campo.

O toque não se restringe ao passe. Jean Pyerre enxerga o gol e lança a bola em direção as redes com a mesma facilidade com que deixa seus companheiros em condições de dar sequência à jogada. Hoje, assistimos a dois ou três chutes que obrigaram o goleiro adversário a se esforçar ao máximo para impedir que a bola entrasse. O chute não parece forte. É como se fosse em câmera lenta. Faz o futebol parecer fácil de ser jogado. 

Em campo, Jean Pyerre é leve, solto e preciso … como na cobrança de falta que abriu o placar, depois de um lance bem ensaiado com Diogo Barbosa (1×0). Como no passe que encontrou Luis Fernando livre pela direita para cruzar e Pepê completar (2×0). Como no momento de perspicácia que o fez pegar a bola que acabara de sair pela lateral e cobrar, sem esperar o jogador de ofício, o que deu velocidade na jogada, e, mais uma vez, permitiu que Luis Fernando desse assistência para o gol —- gol de Diego Souza (3×1). 

E não se satisfez …. 

Jean Pyerre mostrou também seu talento no cruzamento que deu a Diego Churín — o atacante sorriso — o prazer de marcar seu primeiro gol com a camisa gremista segundos após entrar em campo (4×1). 

Jean Pyerre é diferenciado. Tem talento. É craque. É o nosso camisa 10!

Avalanche Tricolor: motivos para sorrir

Fluminense 0x1 Grêmio

Brasileiro — Maracanã

Festa do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

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Devagar e sempre. Cadenciando quando pode. Acelerando quando precisa. Trocando passe no meio do campo e esperando a defesa se abrir. Arriscando dribles pela direita ou pela esquerda. Assustando o adversário e tirando a tranquilidade dele com uma marcação mais forte. Nem sempre exuberante — como nos acostumamos —, mas com uma eficiência que chama a atenção especialmente nas últimas partidas.

Assim tem sido o Grêmio nesta transição que Renato realiza com muita paciência e na qual o time disputa três competições. Duas delas, as Copas, nas quais estamos em uma jornada vitoriosa e a alguns passos da final. No Brasileiro, mais longo e desgastante, os resultados voltaram a acontecer e os pontos foram sendo somados: um aqui, três acolá, mais três agora e quando menos esperavam, o Grêmio saltou seis posições na competição, está a três pontos da Zona da Libertadores e a seis da liderança, com um jogo a menos do que alguns dos que disputam o topo da tabela.

Renato tem mesclado jogadores, descansado quem precisa e aos poucos remontado o elenco. Hoje mesmo, voltou a mudar a dupla de laterais, relançou Jean Pyerre no time titular —- conforme já vinha preparando com calma, apesar das cornetadas de torcedores —-, manteve Pepê, afinal o guri é insubstituível, e saiu jogando com Churín, no comando do ataque.

Pepê dispensa comentários —— mesmo que eu insista em fazê-los. Está sempre pronto para disparar, solidário na marcação e decisivo no ataque. Mais uma vez foi ao Maracanã e deixou sua marca. Que me permitam chamá-lo de Rei do Rio, apesar de saber que o título é de Renato. 

Já o gringo parece estar à vontade no time e com seus colegas. Participou de todas as jogadas de ataque no primeiro tempo e com um deslocamento por trás dos zagueiros, soube dar assistência para Pepê marcar o único gol da partida. Mais cedo já havia colocado de cabeça uma bola na trave. E ao longo do jogo, enquanto teve fôlego, disputou jogadas por todo o gramado. 

O sorriso ao fim da entrevista no intervalo da partida foi o que mais me chamou atenção: transmitiu a mensagem de que está feliz em campo, e tudo que precisamos é de jogadores com alegria para jogar. 

Assim como Churín, o Grêmio também volta a dar motivos para o torcedor sorrir. Porque, estamos chegando, nas Copas e no Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: prazer, Diego Churín!

Grêmio 2×1 Bragantino

Brasileiro — Arena Grêmio

Churín estreia, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

O argentino Diego Churín não havia pisado em campo, aguardava o árbitro autorizar a substituição pouco depois dos 20 minutos do segundo  tempo e já chamava atenção do torcedor a quem seria apresentado na noite desta segunda-feira. Com 1,80 metro de altura e 80 quilos, tem porte físico avantajado, ombros largos, braços com musculatura acentuada —- parece ser forte o suficiente para brigar dentro da área com os zagueiros adversários e pronto para disputar posição no comando de ataque gremista.

Chegou a Arena com o bom retrospecto que construiu no Cerro Portenho, do Paraguai. Fez 53 gols em 128 partidas disputadas. Oito neste ano. Na sua passagem pelo último clube fez quase a metade de gols de toda sua carreira. Aos 30 anos, marcou 110 vezes em 324 partidas. 

Hoje não fez o seu, mas esteve presente nos dois gols do Grêmio. 

Assim que entrou em campo, se posicionou dentro da área para a cobrança de escanteio. Eram 22 minutos do segundo tempo, e o Grêmio mal havia chutado uma só bola no gol adversário. No cruzamento, disputou pelo alto com os zagueiros, não alcançou a bola mas esta sobrou para David Braz que colocou no fundo do poço.

No segundo gol, quatro minutos depois, Churín estava novamente disputando a bola na área, passou para Isaque que cortou para dentro e antes que completasse foi surpreendido pela chegada forte e precisa de Orejuela que estufou a rede. 

O argentino apareceu mais umas duas, três vezes lutando pela posse de bola. Em uma delas, voltou até a intermediária para desarmar o adversário e iniciar o ataque, em outras mostrou que  sua força física se impõe em campo. Mesmo sem marcar, deixou seu cartão de visitas e abre boas perspectivas para um ataque carente de gols.

Ao contrário de Churín, a vitória do Grêmio que nos coloca na parte de cima da tabela, mesmo  com uma partida a menos, e em condições de seguir brincando pelos primeiros lugares da competição, que somente agora chega a sua metade, não foi alcançada com uma performance que agradasse os olhos do torcedor. Neste momento, porém, o que mais precisamos é pontuar. E isso conseguimos fazer nos quatro últimos jogos disputados pelo Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: o talento ainda veste a camisa do Grêmio

Grêmio 3×1 Botafogo

Brasileiro —- Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Comemoração do segundo gol de Pepê em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

Houve quem tenha lido a Avalanche anterior e saído dela com a impressão de que usei de estratégia escapista ao enaltecer o capitão de todos os títulos, Maicon, após termos registrado mais um revés em campo. Aos que desconfiaram das minhas intenções, a melhor resposta veio na partida desta noite, em Porto Alegre.

Os gols foram de Diego Souza e Pepê, eu sei, Mas a presença de Maicon no meio de campo fez toda a diferença. Ao sair do gramado, quando a missão já era de apenas nos defendermos diante de um time que tinha superioridade numérica —- devido a expulsão de nosso centroavante logo no início do segundo tempo —-, Maicon era o líder no número de passes: 75, se não me engano. O mais incrível: havia errado apenas um. É muito talento para uma camisa só.

Isso não bastou para o capitão. Ele comandou o time, organizou seus companheiros em campo, chamou atenção da marcação, cobrou empenho e não descansou mesmo depois da vitória garantida. Sua dedicação e liderança se expressaram em uma dessas cenas que passam batido pela televisão e pela observação dos comentaristas. Após mais um cruzamento desperdiçado pelo adversário, Maicon não poupou de uma bronca Pepê, que já havia marcado dois gols, porque nosso atacante não acompanhou o adversário até a linha de fundo. Ele sabe que, neste momento, o time precisa de esforço redobrado e de cada gota de suor que ainda tiver para ser produzida. Por isso reclamou. E Pepê entendeu.

O Menino Maluquinho do Grêmio, aliás, foi outro jogador com atuação incrível  nesta noite. Fez o gol do desempate com um chute certeiro, após receber bola de presente de Diego Souza. E fez o gol que fechou o placar após uma daquelas jogadas de dar orgulho de ser torcedor deste time. O locutor da TV disse que foi gol de videogame. Cheguei a definir como um gol de futvôlei. Um comentarista de futebol amigo meu, resumiu com uma só palavra enviada pelo WhatsApp: genial!

O Grêmio renasce com seu futebol a medida que começa a colocar em campo alguns dos seus principais jogadores. Ainda tem gente para se recuperar e muito caminho pela frente no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores. O mais importante, porém, foi o aceno que fez ao seu torcedor demonstrando que o talento ainda veste a camisa do Imortal.