Avalanche Tricolor: que seja passageira

 

Grêmio 0x1 Bahia
Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Bahia

Luan em jogada de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Revés nunca é bom. Deixa a gente incomodado. Às vezes tira o humor. Em outras, deixa ensinamentos. Há derrotas que exigem mudanças. Há as que sinalizam caminhos. O importante é ter a dimensão certa de cada resultado que se alcança —- ou se deixa de alcançar. E tudo isso só vale a pena enfrentar se tivermos inteligência de entender a mensagem que está por trás do resultado.

 

Quero crer que a deste início de noite de quarta-feira foi para colocar o pé no chão, uma semana antes da decisão que realmente nos interessa.

 

A sequência de resultados estava sendo boa. As goleadas reafirmaram jogadores. A chegada no grupo da Libertadores demonstrou nossa capacidade —- e deixou uma válvula de escape para o restante da temporada. Mas antes que a confiança se transformasse em prepotência, o placar negativo se acendeu como sinal de alerta —- injusto, é verdade, mas um alerta.

 

Renato haverá de tirar proveito do que aconteceu na Arena, nesta vigésima sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Sabe que vai precisar que cada um dos jogadores ofereça 110% de seu potencial, na quarta-feira que vem. E terá uma semana inteira para conversar com a defesa, ajustar seu posicionamento, fechar mais os espaços, calibrar os cruzamentos e dribles, e acelerar o passe e a movimentação dos jogadores do meio de campo para a frente.

 

A despeito do resultado, a única coisa que me preocupa é a cena de Luan deixando o gramado mancando e com cara de dor. Que seja passageira! E os próximos dias sejam suficientes para que ele se recupere. Como já escrevi, Luan é um avião pedindo passagem para decolar na hora certa. 

Avalanche Tricolor: com cheirinho de Libertadores

 

Atlético MG 1×4 Grêmio
Brasileiro — Independência, BH/MG

 

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Festa do segundo gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em dez dias, o Grêmio decide vaga à final da Libertadores. E esse tem sido o assunto preferido de seus torcedores. Não há uma só conversa entre nós que não passe por previsões e expectativas para a partida que se realizará no Rio de Janeiro.

 

Hoje cedo, no passeio pela vizinhança, encontrei dois gremistas no caminho. O roteiro foi o mesmo. Cumprimenta um. Abraça o outro. Fala do tempo —- o calor dominical estava insuportável aqui em São Paulo. O mais gentil pergunta pela família. Mas é tudo subterfúgio. Papo periférico para chegar onde mais gostamos: “e a Libertadores, heim?!?”

 

Por curioso que seja, sequer comentamos sobre a partida que fecharia a rodada do Campeonato Brasileiro, neste domingo. O que não quer dizer que às sete da noite, eu e eles não estávamos diante da televisão para assistir ao Grêmio, em Belo Horizonte. Claro que sim. Até porque jogar bem, ganhar confiança, dar ritmo de jogo ajudam na preparação para a decisão sulamericana.

 

E Renato tem aproveitado bem esse intervalo entre os dois jogos.

 

Verdade que o time escalado hoje não contava com Kannemann, Matheus Henrique e Everton —- os três servem à seleção. Estava sem Jean Pyerre, que segue lesionado, Léo Moura que estava no banco, mas não arriscou sequer aquecer, e Tardelli que ficou de repouso. Por outro lado, se apresentava com Geromel, que dá sinais de total recuperação, Maicon, que faz uma baita diferença no nosso meio de campo, e Luan que parece ser um avião disposto a decolar novamente. Tivemos ainda a oportunidade de assistir a Paulo Victor fazendo defesas importantes, oferecendo segurança e enviando uma mensagem ao torcedor desconfiado: pode contar comigo.

 

Apesar das ausências, Renato levou a campo o esboço do que o Grêmio se propõe a ser independentemente do adversário que esteja enfrentando. Dono da bola, passes precisos, jogadores se movimentando para oferecer opção de jogada, dribles sempre que necessários e muita paciência para decidir cada lance no ataque. Na defesa, a ideia é marcar com intensidade, evitar as faltas, diminuir o espaço dos atacantes e reduzir os riscos de gol.

 

Sofremos mais do que deveríamos, mas soubemos resistir quando a pressão ocorreu —- e isso é um bom sinal. Nossa insistência no ataque foi premiada com um lance de sorte de Galhardo, pela direita, e um pênalti provocado pelo drible de Cortez, pela esquerda —- ou seja, nossos dois alas funcionando muito bem. Depois do revés no fim do primeiro tempo, a conversa de vestiário voltou a ajustar a equipe. E o Grêmio foi veloz para chegar ao terceiro gol com Pepê —- aquele mesmo guri atrevido que saiu do banco e nos colocou de volta à decisão da vaga à final da Libertadores. Deu tempo de marcar o quarto gol, desta vez pela esperteza de Alisson e Luciano, em uma cobrança de escanteio.

 

Com a segunda goleada em Belo Horizonte, neste campeonato, o Grêmio não apenas demonstrou que o time está mais ajeitado para a decisão que nos interessa, como também já está entre os seis primeiros do Brasileiro — o que nos permite sentir o cheirinho de Libertadores, mais uma vez.

 

Pelo visto, esse vai continuar sendo o nosso assunto preferido no ano que vem.

Avalanche Tricolor: o gol do guri da Vila Maria

 

Grêmio 2×1 Ceará
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Ceara

Geromel comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sou suspeito para escrever. Sei que sou. Minha Avalanche do último fim-de-semana escancara ainda mais essa suspeição, especialmente diante do tema que pretendo dedicar esse post. O que importa, também, se sou ou não isento no que escrevo? Jamais neguei que essa coluna, mantida desde muito tempo, foi ocupada por um torcedor apaixonado em vez de um jornalista em busca do equilíbrio. Portanto, azar do que pensem.

 

Por torcedor apaixonado e gremista que sou, assim como todos os demais que compartilham comigo esse sentimento, como não se emocionar ao assistir ao primeiro gol desta noite em Caxias do Sul. Nem tanto pelo caminho que usamos para chegar ao gol —- apesar de torcer muito para que cobranças de escanteio, assim como as de falta, se transformem em nosso diferencial competitivo, principalmente nos jogos mais intricados desta e das demais competições da temporada.

 

Emocionei-me pelo protagonista do gol.

 

Geromel estava voltando à equipe. Vamos lembrar que ele ficou de fora da primeira decisão da Libertadores por uma lesão isolada em partida do Campeonato Brasileiro. Já estávamos ganhando o jogo com larga vantagem quando ele despachou a bola para frente e o músculo acusou o golpe. Uma dor que foi sentida na alma de cada gremista. E como nos fez falta.

 

Todos sabem que Geromel impõe respeito ao adversário, oferece segurança aos colegas de equipe e é a esperança do torcedor de que se tudo der errado, ele vai fazer o certo. É um dos jogadores mais simbólicos deste Grêmio que Renato construiu nos últimos três anos. É unanimidade nas arquibancadas da Arena. E hoje ainda entrou com a braçadeira de capitão — que lhe caiu muito bem.

 

Diante de tudo isso, vê-lo saltar mais alto que seus marcadores e desviar de cabeça para as redes me fez ainda mais feliz nesta noite. Porque não era apenas um gol de escanteio ou um gol para abrir o caminho da vitória. Era um gol do filho de Seu Valmir e da Dona Eliane. Do irmão do Ricardo. Do guri da Vila Maria. Um gol de Geromel. De GeroMito. 

Avalanche Tricolor: uma ótima leitura e as boas notícias de sábado

 

Grêmio 0x0 Corinthians
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre, RS

 

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Que o cara entendia do riscado, eu já havia ouvido falar —- dele próprio quando o entrevistei em um dos programas que apresento na CBN, o Mundo Corporativo. Que era o verdadeiro craque da família mas que não seguiu carreira, soube nesse sábado enquanto aguardava na fila para pedir-lhe um autógrafo. Era o que um dos mais próximos de mim contava entusiasmado: o Geromel bom de bola era ele —- só não lembro bem se jogava na mesma posição ou de lateral. Mas jogava muito, falava com entonação capaz de me fazer acreditar no que dizia.

 

Estávamos falando de Ricardo Geromel, 32 anos, empreendedor e escritor, que pelo sobrenome tem parentesco que carece de apresentações, especialmente a você caro e raro leitor desta Avalanche. Ele era o destino da fila que se estendia do salão da Livraria da Vila até o corredor do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Estava lançando o livro “O poder da China” (Editora Gente).

 

Com escritório sediado em Xangai, Ricardo é um entusiasmado com os avanços que a China implementou nos últimos anos, transformando-se de “fábrica” do mundo em fabricante de bilionários, além de uma das maiores criadoras de startup do oriente ao ocidente.

 

Para ter ideia, havia 64 bilionários chineses em 2010. Oito anos depois, já eram 372. A cada 3,8 dias nasce um novo unicórnio no país —- são aquelas empresas de capital fechado com valor de mercado de US$ 1 bilhão ou mais. E tudo isso impactando a vida das pessoas em seu cotidiano, pois, em cerca de 30 anos, a China tirou 850 milhões de pessoas da situação de pobreza. Tem porque se entusiasmar, não é mesmo?

 

Se quiser outros motivos, leia o livro —- ou ouça a entrevista que fiz com ele no Mundo Corporativo. Eu já avancei alguns capítulos apenas neste fim de semana e recomendo (se é que vale alguma coisa a minha recomendação).

 

Mas vamos voltar a esta Avalanche.

 

Sou resistente a essas histórias que já foram contadas nas mais variadas famílias do futebol brasileiro. Sempre haverá alguém para garantir que Dondinho, pai de Pelé, é quem jogava muito. Teria feito cinco gols de cabeça em uma só partida de futebol. Sem contar os que descrevem as habilidade de Zoca, irmão do Rei, que aliás jogou ao lado dele no Santos.

 

Edu, por sua vez, tinha futebol refinado, dribles curtos e desconcertantes, passes e lançamentos precisos —- o que parece ser verdade, mas não o suficiente para torná-lo maior do que Zico, o irmão mais moço. A não ser nas palavras da turma que sempre gosta de uma boa história para puxar papo.

 

Diante de tudo isso, ouvi os elogios ao futebol que Ricardo Geromel jogou no passado e coloquei na conta dos contadores de história. Prefiro admirá-lo por aquilo que ele é do que por aquilo que poderia ter sido. Até porque duvido muito que alguém pudesse ser maior do que Geromel, o Pedro —- zagueiro que trouxe uma nova maneira de jogar dentro da área, tem uma ótima leitura de jogo e forma, ao lado de Kannemann, uma das maiores duplas de zaga que já passaram pela história do Grêmio.

 

Abracei Geromel, o Ricardo, o cumprimentei pelo livro que lançava, recebi orgulhoso o autógrafo dele, e voltei para casa para assistir ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. Do sofá, vi o meu time tentar o gol de várias maneiras sem sucesso e terminar mais uma partida contra o Corinthians no zero a zero.

 

Jogo que não foi de todo perdido, pois tivemos ao menos duas boas notícias para quem entra em campo no Brasileiro mas tem a cabeça na semifinal da Libertadores: Léo Moura está de volta e Maicon desfila talento com a bola no pé — leio nas estatísticas de que de 111 passes que deu, errou apenas três.

 

A terceira boa notícia, tive lá na livraria mesmo: Geromel, o Pedro, não jogaria logo mais à noite, mas está prestes a voltar ao time titular depois da lesão que o tirou da primeira semifinal da Libertadores. Que o Ricardo faria diferença se tivesse seguido em sua carreira como jogador, deixo por conta dos amigos de infância que o viram jogar. Mas que o Pedro faz uma baita falta para a gente, ah, isso eu garanto!

Avalanche Tricolor: vamos ao que importa

 

Fluminense 2×1 Grêmio
Brasileiro — Arena Grêmio

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O time era o alternativo. O jogo era pelo Brasileiro. E o resultado pouca coisa mudaria nas nossas pretensões e expectativas na temporada. Claro que ganhar seria bom — é sempre bom. Se tivéssemos saído de campo com o empate também estaria muito bem resolvido. Verdade, também, que nunca gosto de perder, mas, convenhamos, quem se importa?

 

Cheguei a ouvir críticas de comentaristas à falta de intensidade dos nossos jogadores que estavam em campo, que estariam desperdiçando a oportunidade de apresentar suas credenciais ao “chefe”. Soou-me exagerado para um time totalmente modificado, atletas sem o ritmo necessário e com justificável desentrosamento.

 

Leve-se em consideração, estarem encarando o desespero do adversário que vive um reboliço administrativo, pressionado e desrespeitado por alguns torcedores e precisando pontuar em casa de qualquer maneira. Além de um árbitro cego pela prepotência, incapaz de enxergar um jogador parar a bola com a mão dentro da área mesmo que todas as câmeras sejam oferecidas a ele.

 

Ao fim da partida, Rômulo ainda foi perguntado pelo repórter da televisão o que o placar do fim de tarde de domingo influenciaria na partida da próxima quarta-feira à noite —- que é o que nos importa.

 

Nosso meio de campo fez cara de quem não estava entendendo muito bem o que o jornalista queria saber. Foi lacônico ao responder que não mudaria nada e saiu pela tangente falando de duas bobeadas na defesa e das chances perdidas de gol.

 

Fez certo. Afinal, a três dias de uma decisão do tamanho das Américas, quem, caro e raro torcedor desta Avalanche, realmente estava preocupado com o que aconteceria neste fim de semana no futebol?

 

Fala sério? Quem se importa ? Só quem não tem Libertadores para decidir, é lógico. E o Grêmio tem!

Avalanche Tricolor: gol para quem precisa

 

 

Grêmio 6×1 Avaí
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre/RS

 
 

 

Gremio x Avai

Luan é a cara do gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


 

 

A gente merece. Sabe que a vida não será fácil logo ali em frente. O desafio é enorme. Gigante. Libertador. Vamos testar nossa Imortalidade. Nosso coração. Sendo assim, foi muito boa a oportunidade que a tabela do Campeonato Brasileiro nos ofereceu, nesta quinta-feira à noite. Um jogo em casa, com time (quase) titular e muitos gols à disposição.
 

 

Haverá quem justifique a goleada desta 21a rodada à fragilidade do adversário. Para que não se tire conclusões antecipadas e distorcidas, vamos lembrar que enfrentávamos um daqueles times que jogava a vida para escapar da zona de rebaixamento, vinha embalado com duas vitórias seguidas e está na lista de “toucas” do Grêmio —- é como chamamos os adversários que costumam ser encrenca mesmo diante da diferença técnica.
 

 

O Grêmio só fez o que fez porque se impôs diante do adversário. E o fez com intensidade e talento: passe de pé em pé, deslocamentos de um lado e de outro, jogadores sempre se apresentando para receber e toques de bola precisos e rápidos.
 

 

Um gol, dois gols, três gols, quatro gols, cinco gols, seis gols …. uma goleada que começou a ser construída ainda no primeiro tempo. Um mais bonito do que o outro e com a presença de jogadores que precisam se firmar no grupo: Tardelli, Braz, Luciano, Cortez, André e Luan —- especialmente Luan que, aposto com você, será o ponto de desequilíbrio no momento em que mais precisarmos nesta temporada.
 

 

A gente merecia —- como disse logo na abertura desta Avalanche. E esses jogadores, também. Fazem parte do grupo. E como Renato insiste a cada entrevista, temos um grupo e um grupo forte, formado por jogadores que precisam se destacar sempre que as oportunidades surgem.
 

 

Foi o que aconteceu hoje, especialmente no primeiro tempo quando ouvi do comentarista da Sportv Carlos Eduardo Lino a frase que se transformou em titulo desta Avalanche: gol para quem precisa de gol.
 

 

E se estes jogadores mereciam o gol que fizeram. Nós merecíamos um jogo tranquilo como o desta quinta-feira à noite. Porque, a partir de agora, é concentração total, mente focada e coração na ponta da chuteira. A partir de agora —- mesmo que haja uma partida no fim de semana —- é a alma tricolor que precisará se expressar para nos colocar na final da Libertadores da América.

Avalanche Tricolor: os “pitucas” do Renato estão batendo um bolão

 

Santos 0x3 Grêmio
Brasileiro — Vila Belmiro/SP

 

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Everton, Matheus e Luan foram destaques, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Passei a semana ouvindo que o adversário do Grêmio, na noite de sábado, não teria um dos seus principais jogadores do meio de campo, Pituca. Estaria lesionado, é o que relatavam os repórteres esportivos. Confesso que nunca havia ouvido falar dele. E não é menosprezo, é desatenção mesmo. Com tanta coisa para cuidar no dia a dia, acabo deixando de lado o interesse pela escalação dos adversários. Reconheço um craque de cada time ou o jogador mais expressivo, mas não peça para escalá-los ou comentar o desempenho deles individualmente —- talvez esteja aí uma boa explicação para meu pífio desempenho na Liga Hora de Expediente CBN, do Cartola FC.

 

Do time da Vila sei que vem há algum tempo disputando a ponta da tabela, tem um técnico gringo, inteligente e agitado, uma turma boa de bola e habilidosa, e um ou outro camarada que já passou lá pelo Rio Grande. Sei, também, que não costuma perder jogos dentro de casa. Mas não sabia que tinha um jogador chamado Pituca e a ausência dele poderia prejudicar o desempenho da equipe. Disseram-me que era quem botava a bola embaixo do braço e acionava o ataque veloz e talentoso, com sua ótima visão de jogo. Fui pesquisar e descobri que o volante já jogou Libertadores, marcou 19 gols na carreira e está com 27 anos —- além de, coincidentemente, fazer aniversário no mesmo dia que eu.

 

Assim que os times entraram em campo e a televisão confirmou a escalação das duas equipes, levei um susto: Pituca estava entre os titulares. Se já era difícil fazer três pontos em um time que diante de sua torcida é imbatível, imagine fazer em um time que diante de sua torcida é imbatível e tem o Pituca escalado? Temi pelo pior.

 

O frio e a chuva na Baixada santista somados a intensidade de jogo do adversário nos primeiros 25, 30 minutos também não facilitavam as coisas para o nosso lado. E a gente mal conseguia ficar com a bola no pé. A se destacar, a boa perfomance de Paulo Victor e uma defesa firme que conseguia nos safar de algumas boas investidas de Pituca e sua turma. Houve momentos de talento individual, também: a janelinha de Everton e o chapéu de Alisson, foram dois deles, que a TV e as redes sociais não se cansam de repetir.

 

Somente no fim do primeiro tempo redescobrimos nossa capacidade de chegar ao gol adversário. O fizemos por duas vezes com perigo, mas sem sucesso. Eram apenas ensaios do que viria a acontecer no segundo tempo.

 

Do vestiário, as palavras mágicas de Renato fizeram efeito sobre seus “pitucas”, ops, seus pupilos. A bola passou a ser passada de pé em pé, como estamos acostumados; Matheus Henrique tomou conta do meio de campo e distribuiu o jogo para lá e para cá; Luan encontrou seu espaço mais próximo da área, e Everton …. bem, Everton seguiu sendo Everton.

 

Aos nove minutos, Luan marcou nosso primeiro gol (e a grande notícia da noite foi perceber que ele está em fase de recuperação de seu talento); aos 41, Pepê completou um passe incrível de Matheus Henrique (nosso jovem atacante dá sinais de que recupera a confiança); e aos 47, Everton fechou o placar (bem, esse dispensa comentários extras).

 

Alcançamos um resultado que, dizem as estatísticas, jamais havíamos conquistado na Vila; seguimos em viés de alta  na tabela de classificação (mesmo tendo desdenhado de parte do Brasileiro); o time se reinventa diante das ausências de jogadores importantes do elenco como Geromel, Leonardo Gomes, Maicon e Jean Pyerre; sem falar nos “pitucas” do Renato que estão jogando um bolão.

Avalanche Tricolor: 1, 2, 3 …. 116 anos comemorados em um domingo azul

 

 

Grêmio 3×0 Goiás
Brasileiro — Arena Grêmio POA/RS

 

Gremio x Goias

A alegria do aniversariante em foto de LUCASUEBEM/GRÊMIOFBPA

 

 

“Desejamos a você um dia azul”, disse o comissário de bordo no momento em que a aeronave aterrissava na pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na viagem que marcava o fim das minhas férias —- curtas férias, registre-se; quase uma folga estendida, pois fiquei apenas uma semana fora do ar, na CBN.

 

Sei que a frase faz parte do marketing da companhia aérea em que voei, mas neste domingo me soou mais familiar. Afinal, estava chegando à cidade e em pouco tempo já estaria diante da televisão para participar da festa de aniversário do Grêmio.

 

Quis o calendário que o 15 de setembro deste ano caísse num domingo, dia clássico do futebol. E por uma conspiração da tabela do Brasileiro coube ao Grêmio jogar às quatro da tarde, —- parece-me que foi a primeira vez que isso aconteceu neste campeonato.

 

A torcida entendeu o recado e mais de 41.700 torcedores foram à Arena cantar parabéns à você ao clube que amamos e abraçar o time que nos representa em campo. Um time, aliás, que voltou a jogar o futebol que encantou a América do Sul, com altíssima intensidade, marcação forte, movimentação estonteante e dribles abusados. Um time à altura do nosso clube.

 

A confiança e simbiose com o torcedor “nesta data querida” foram tais que além de dribles também passamos a abusar dos chutes a longa distância. Haja vista o gol de Jean Pyerre que abriu o placar —- o mais bonito desde que ele passou a jogar entre os profissionais, foi o que disse o jovem meio-campista no intervalo do jogo. Já havia arriscado um pouco antes e repetiu a dose no segundo tempo, sempre ameaçando o goleiro adversário e revelando uma arma que pode ser o nosso diferencial nas pretensões que temos no Brasileiro e na Libertadores.

 

Assistir ao segundo gol de Everton me agradou muito também nessa tarde de festa. Gostei porque hoje é o jogador que mais bem nos representa, passou pela base onde foi forjado gremista — daquele que comemora o aniversário do clube de coração —- e é um talento reconhecido mundialmente que conseguimos preservar para a campanha deste ano —- quase um presente de aniversário.

 

Havia algo mais no gol de Everton a me agradar: a maneira como foi construído com participação coletiva e o fato de ter sido resultado da forma intensa que nosso ataque busca jogar. Tínhamos quatro jogadores disputando a mesma oportunidade de concluir a gol dentro da área: Jean Pyerre, Matheus Henrique e Tardelli, além de Everton.

 

No estado de graça que estava o aniversariante, o terceiro gol foi resultado de outros méritos desta equipe treinada por Renato. A começar pela precisão do passe de Jean Pyerre —- joga muito esse guri —- que encontrou Cortez correndo por trás de seus marcadores e o colocou em condições de cruzar para Alisson que, novamente, chegou forte dentro da área. A velocidade foi tanta que o auxiliar se atrapalhou e só não melou a festa porque o VAR o salvou mostrando que o lance era legal.

 

A vitalidade com que o Grêmio comemorou seus 116 anos nos permite acreditar que ainda teremos muito o que festejar em 2019 —- mas, independentemente do que o futebol nos reserve para o futuro, depois de assistir ao Grêmio nesta festa de aniversário, mais do que familiar o desejo do comissário de bordo foi mesmo premonição: o domingo foi azul.

 

Avalanche Tricolor: foi esplêndido, mas trocaria tudo isso por Geromel em forma

 

 

Cruzeiro 1×4 Grêmio
Brasileiro — Independência BH/MG

 

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Everton em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi um espetáculo. Do goleiro ao 14º jogador a entrar em campo, todos ofereceram o que tinham de melhor ao atuar contra um adversário que buscava a redenção diante de sua torcida. E ao listar os 14 não exagero.

 

Paulo Victor foi preciso em três ou quatro defesas de extrema dificuldade, assim como os três que saíram do banco: David Braz, que manteve a segurança defensiva, Luan, que por pouco não fez um gol de placa na tentativa de encobrir o goleiro, e Pepê que usou de sua velocidade e chute forte, no pouco tempo em que esteve em campo.

 

Claro que Everton foi o mais incrível de todos.

 

Jogou como ninguém joga no futebol brasileiro. Cada bola, um perigo à vista. Deslocava-se da esquerda para a direita. Da direita para a esquerda. Às vezes, fazia um estágio pelo meio. Independentemente do lado em que estivesse era capaz de dar dribles alucinantes e impor uma velocidade de deixar seus marcadores desnorteados. Descrição que pode ser ilustrada pelo primeiro gol que marcou quando entrou na área pelo lado esquerdo e cortou para chutar com o pé direito. Com o espaço fechado pelo adversário, tocou para o pé esquerdo e bateu forte, no alto e no ângulo, sem qualquer chance de o goleiro reagir.

 

Antes de marcar seus gols, já havia dado assistência a Alisson que entrou em campo endiabrado contra seu ex-clube. Em uma primeira tentativa de drible foi empurrado dentro da área. O árbitro entendeu que era disputa de bola —- como deve ter entendido que o zagueiro que interrompeu a trajetória do chute com a mão dentro da área adversária também estava apenas disputando a bola (com a mão).

 

Alisson não desistiu. Sempre que tinha a bola no pé, partia contra o marcador, encontrava seus companheiros livres para passar ou recebia faltas. No lance de seu gol, iniciou a jogada na direita, entregou para Everton e se deslocou para a esquerda, surpreendendo a defesa. Apareceu livre para receber a bola e conduzi-la até o momento fatal.

 

Uma goleada que se iniciou com o gol de letra de Diego Tardelli que também estava em uma manhã inspirada. Nosso atacante marcou, desarmou, armou e concluiu a gol de calcanhar, completando a boa jogada pela direita de Galhardo — calando a vaia provocativa do torcedor adversário e arrancando aplausos mesmo de gremistas desconfiados.

 

A nota negativa ficou por conta da lesão de Geromel. E digo com toda a sinceridade: trocaria a esplêndida apresentação deste domingo e os quatro gols marcados por um Geromel totalmente em forma e em condições de jogar a Libertadores.

Avalanche Tricolor: torcer em família

 

 

 

São Paulo 0x0 Grêmio
Campeonato Brasileiro —- Morumbi, São Paulo/SP

 

 

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A alegria de torcer em família, em foto de Paulo Pinto do Foto Públicas

 

 

De mãos dadas com o pai, o guri chegou vestindo a camisa do Grêmio feliz da vida as arquibancadas reservadas a torcida adversária no Morumbi. O sol forte que ardia na pele, na manhã de sábado, fazia brilhar ainda mais os olhos dele, que se movimentavam com rapidez de um lado para o outro como se quisessem captar todas as imagens que compunham aquele cenário mágico que é o campo de futebol. Mal prestou atenção quando o pai o apresentou a mim como “um gremista nascido em São Paulo”. Por respeito, aceitou tirar uma foto ao meu lado. Mas o que queria mesmo era ver o Grêmio no gramado.

 

 

A satisfação do pai também era enorme aquela altura. Sabemos como é difícil criar essa gurizada em terra distante do nosso time do coração. Lá no Rio Grande do Sul, você já nasce predestinado a seguir o time do pai. Ou torce pelo time dele ou pelo arquirrival — o que exige algum atrevimento e muito desprendimento. Quando os criamos fora do Estado, os riscos de termos um desgarrado é enorme, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em que os grandes clubes estão sempre em destaque no noticiário e disputando títulos. Sem contar a tentação em torcer pelos times milionários do exterior.

 

 

Aqui em casa, com dois paulistanos expostos as múltiplas tentações, me esforcei para impedir dissidências. Já contei ao caro e raro leitor desta Avalanche como a batalha de todos os Aflitos, em 2005, foi determinante para o rumo que os meus dois guris tomariam. Tivemos poucas oportunidades de assistirmos juntos ao Grêmio nos estádios de futebol. Mas sempre fiz questão de tratar esses momentos com cerimônia. Houve partidas marcantes, como a despedida do Olímpico Monumental, o primeiro jogo na Arena ao lado do avô ou as finais do Mundial em 2017.

 

 

A última vez que assistimos a um jogo juntos e com a presença da mãe ao lado —- ou seja, família completa —- havia sido em 2001. Por coincidência no próprio Morumbi. Valia vaga à semi-final da Copa do Brasil. O Grêmio já havia vencido por 2 a 1 em casa. Por essas inconsequências do calendário, a partida foi marcada para quarta-feira à tarde, em pleno dia útil. Com a possibilidade de termos pouco movimento de torcida, me arrisquei a levar os guris que estavam com apenas dois e cinco anos, e pudemos experimentar um jogo incrível com sete gols, duas viradas de placar, vitória do Grêmio por 4 a 3 e classificação à fase seguinte.

 

 

Para constar: naquele ano, 2001, fomos campeões da Copa do Brasil.

 

 

Nesse sábado, estivemos de volta ao Morumbi. Eu, eles e a mãe a tiracolo. Justiça seja feita, ela já encarou algumas poucas e boas sozinha ao meu lado, como assistir a um jogo do Grêmio em uma noite de sábado e Dia dos Namorados. É muito amor, né?!? Havia muitas outras famílias reunidas, além da minha e a do pai e filho que inspiraram os primeiros parágrafos desta Avalanche. Uma delas se apresentou a mim, também. “Somos primos”, disse o porta-voz dos Jung de Passo Fundo. Sim, encontramos um parentesco em meio a felicidade de estarmos reunidos torcendo pelo Grêmio. Não sei se todos os Jung são gremistas, mas não conheci até hoje nenhum que não fosse.

 

 

Os Jung e as demais famílias gremistas, aproveitávamos as facilidades que uma partida de sábado pela manhã, em São Paulo, proporciona, mesmo com as dificuldades para se obter ingresso, as limitações impostas pela falta de segurança e o desconforto de ficarmos expostos no espaço menos nobre do estádio — já contados neste blog.

 

 

Todos queríamos ver o Grêmio jogar e não nos importávamos de estar diante de uma equipe alternativa, já que o Campeonato Brasileiro não é nossa prioridade. Nos contentávamos em estar em família, comungando nossa paixão com quem amamos. E assim comemoramos as defesas de Júlio César e os desarmes de David Braz, tanto quanto as tentativas de dribles de Luan e Tardelli.

 

 

Agradecemos a Renato que nos permitiu assistir a Everton em campo — o craque que parece vai ficar entre nós por mais algum tempo. Raras são as equipes brasileiras com capacidade de ter no elenco um craque que é reverenciado por todos os demais torcedores brasileiros, fato alcançado por nosso atacante depois do desempenho como titular da seleção brasileira na Copa América.

 

 

Aliás, que privilégio tiveram os mais de 40 mil torcedores que foram ao Morumbi nesse sábado. Se de um lado tínhamos Everton, o craque da final da Copa América, de outro havia Daniel Alves, o craque da Copa América.

 

 

De nosso lado, olhávamos com o merecido respeito toda vez que o agora meio-campista adversário pegava na bola e ensaiava alguma jogada — na maior parte das vezes não correspondida por seus companheiros de equipe. E vibrávamos assim que a bola era passada a Everton. Aplaudíamos a maneira como corria pela lateral do campo, a forma como cortava para dentro em busca do gol e os dribles que acumulava sobre seus marcadores.

 

 

O que foi aquele sequência de dribles em direção a área no segundo tempo? Lembrou o lance que nos levou ao gol da vitória na Libertadores dias atrás. Desta vez só não completou a jogada porque foi derrubado por um zagueiro, que o árbitro jura ter agido dentro da lei. Nós, como bons torcedores, lógico, reclamamos a injustiça cometida.

 

 

Ao contrário daquele jogo de 2001 que assisti com a família no Morumbi, nesse ninguém conseguiu marcar um só gol. Pela reação final das torcidas, a impressão que ficou é que a nossa saiu do estádio mais satisfeita do que a deles. Até porque nós já estávamos suficientemente felizes em compartilharmos aqueles 90 e tantos minutos de futebol em família — a família gremista.