Avalanche Tricolor: sol, família e goleada

 

Grêmio 5×0 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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O desabafo de Edilson (reprodução SporTV)

 

Um sabadão daqueles de dar gosto de viver. Depois de semana corrida e viajada, estava em família, tranquilo e em casa. Lá fora sol e temperatura agradáveis. Aqui dentro, o Grêmio na tela da TV com a possibilidade de ficar mais próximo da liderança do Brasileiro.

 

Tudo bem que o adversário era aquele que nos tirou os primeiros três pontos do campeonato quando já estávamos nos dedicando a Libertadores e estreamos o time reserva na competição nacional. E agora com um técnico respeitado pela torcida. Havia, também, o fato de a escalação estar com alguns desfalques: Luan e Barrios servem à seleção; Geromel e Maicon ao departamento médico; e Pedro Rocha às finanças do clube.

 

Bastou, porém, a bola rolar para percebermos que se o Grêmio não tinha os melhores à disposição, nós tínhamos o melhor do Grêmio em campo. A marcação era precisa, com a dupla de zaga se destacando e Bressan ratificando a aposta de Renato. O meio de campo dominava o jogo com toque de bola veloz e criativo e o ataque apresentava com mobilidade suficiente para atordoar o adversário.

 

Registre-se: quando falo em marcação, lembro-me da atuação dos atacantes, também que voltam para fechar o espaço; quando falo em meio de campo, incluo a chegada forte dos laterais; quando falo em ataque, lembro-me do volume enorme de jogadores que chegam a área vindo das mais diferentes posições.

 

Assim é o Grêmio de Renato. Time moderno no qual os jogadores invertem de lado, fazem a transição com tranquilidade e são capazes de se reinventar independentemente da posição que estejam escalados. Um time com personalidade para superar o impacto da desclassificação na Copa do Brasil.

 

Aliás, o adversário deste sábado à tarde, lamento, pagou caro seja pelo que fez no começo do Brasileiro seja pela perda que tivemos na Copa. E isso ficou evidente na forma como Edilson jogou: endiabrado. O primeiro gol que explodiu na rede e sua comemoração sinalizavam a raiva de alguém que não engoliu o desperdício do título e do pênalti, em Belo Horizonte. E ficou clara na fala dele ao fim do primeiro tempo quando lembrou do poder de recuperação do time mesmo sem que o repórter o tenha provocado a tratar do tema.

 

Edilson foi perfeito. Mas não só Edilson. Arthur segue carregando a bola com uma intimidade de dar inveja. Everton, que completou em gol a dupla meia lua de nosso lateral, também fez seu show lá na frente. Ramiro voltou a ser o batalhador de sempre, roubando bola, distribuindo jogo, sendo incisivo no ataque, provocando o pênalti e servindo seus companheiros. Fernandinho, goleador e melhor cobrador de pênalti da equipe, confirma-se como substituto natural de Pedro Rocha.

 

Faltando 16 jogos, tendo 48 pontos em disputa, o Grêmio está com 65% de aproveitamento no campeonato, tem disparado o melhor ataque com 40 gols, tomou conta do segundo lugar da competição e se aproxima do líder. Imagine se estivéssemos levando a sério este Campeonato.

Avalanche Tricolor: meu programa preferido na TV foi oxo

 

Grêmio 0x0 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Meu programa preferido na televisão mudou de horário, neste domingo. Foi ao ar pela manhã, ainda quando a maioria da turma na vizinhança dormia. Aqui em casa, também. Todos preferiram ficar embaixo das cobertas. Não era para menos, fazia frio e chovia, em São Paulo. A temperatura variou dos 15 aos 17 graus, um pouco mais alta só do que em Porto Alegre. Como estou acostumado a madrugar, ver o Grêmio às 11 horas, convenhamos, estava longe de se transformar em sacrifício. Ao contrário, programa de primeira e no conforto da minha sala.

 

Pena que o jogo foi oxo, como dizia o narrador da extinta TV Tupi, Walter Abrahão, aqui de São Paulo. Oxo no placar e no futebol jogado. Muito esforço e pouca produtividade. Muito ensaio e pouco protagonismo. Às vezes se tentava um drible, em outras um toque de bola mais rápido. No gol mesmo, quase nada, exceção a uma boa jogada de Everton já no segundo tempo, que se completou com a precipitação de Kaio para fora. O adversário impôs mais perigo do que nós, o que ao menos serviu para testar Paulo Victor e mostrar que estamos em boas mãos. De resto, desperdício. Falta de criatividade. Oxo.

 

O time alternativo, ops, reserva do Grêmio tenta jogar no mesmo molde que o titular. Faz parte da mesma ideologia. Não poderia ser diferente. Por que então não funciona da mesma forma? Claro, tem a ver com a qualidade técnica de jogadores: ninguém conseguiria manter dois times – titular e reserva – com atletas do mesmo nível. Mas tem também a ver com um aspecto tático importante, que faz muita diferença dada a maneira com que o futebol gremista se desenvolve.

 

Um dos motivos que põem o Grêmio acima da média dos demais clubes brasileiros é o fato de ter passe preciso e veloz. Isso ocorre não apenas pela qualidade do passe dos seus jogadores, mas pelo posicionamento daqueles que vão receber a bola. No plural mesmo. Porque cada jogador que está com a bola tem mais dois se movimentando próximo para recebê-la. Com opções para passar, o marcador tem dificuldade para interceptar. E assim evolui o futebol gremista.

 

No time reserva, tenta-se o mesmo ritmo de passe, mas falta entrosamento. O que é totalmente justificável. Nem todos os jogadores conseguem se movimentar de maneira harmônica e o jogo não flui, passa a depender mais do desejo em acertar e de algumas jogadas individuais. Infelizmente nada disso deu certo neste domingo pela manhã e o elenco do meu programa de TV preferido teve uma perfomance sem muita graça, abaixo da esperada. Foi oxo.

 

Agora não pense que saio de frente da televisão frustrado pelo resultado, mesmo porque sei que o sacrifício de hoje está diretamente relacionado às necessidades de quarta-feira quando se conquistarmos um “OXO” maiúsculo estaremos mais uma vez na final da Copa do Brasil.

Avalanche Tricolor: um time cheio de alternativas

 

Grêmio 2×0 Atlético-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Fernandinho, o goleador “alternativo”

 

Sei que já reclamei nesta Avalanche do neologismo futebolístico da temporada: chamar time reserva de alternativo. Foi bem no início do campeonato, quando o Grêmio colocou em campo uma escalação totalmente desfigurada, já pensando na maratona de competições que teria neste ano. Logo percebi que a expressão estava na boca de boa parte dos jornalistas esportivos e já havia contaminado o bate-papo do torcedor. Era o politicamente correto entrando em campo.

 

Hoje, enquanto assistia ao Grêmio desfilar talento na Arena, pensei melhor sobre o termo, talvez influenciado pelo fato de as duas equipes terem feito a mesma escolha: poupar alguns de seus jogadores principais visando a partida da Libertadores no meio da semana. Verdade que fomos menos econômicos do que eles. E a campanha na competição sul-americana explica a opção dos técnicos: nosso caminho é bem mais simples, apesar de nada ainda estar decidido. Podíamos arriscar um pouco mais.

 

E tínhamos alternativa.

 

Está aí aliás o que me fez mudar a opinião sobre o uso da expressão “time alternativo”. Só o tem, quem soube montar elenco. O resto tem time B. Ops, não quero que pareça provocação barata: o resto tem time reserva.

 

Se não, vejamos: Paulo Victor fez sua estreia em substituição a Marcelo Grohe com boas defesas desde os primeiros minutos de partida. Sempre que possível manteve a bola firme entre seus braços. Nas mais complicadas, mandou-a para longe, mesmo quando teve de se virar com os pés. E se virou bem. Não bastasse tudo isso, ainda defendeu pênalti com inteligência ao permanecer no centro da goleira no momento da cobrança. Mostrou-se excelente alternativa para o gol.

 

Na defesa, destaco os dois laterais.
Pela direita tem Léo Moura que joga com elegância e firmeza. Foi responsável pelo cruzamento de um dos gols que nos levaram a vitória ainda no início da partida. Substitui Edilson com a tranqüilidade que a longa jornada nos gramados lhe ofereceu. Não bastasse ser alternativa para o meio de campo como demonstrado no meio da semana.

 

Pela esquerda tem Marcelo Oliveira, titular até pouco tempo, campeão da Copa do Brasil em 2016, líder em campo e voluntarioso com a bola nos pés. Experiente para entrar e sair da equipe alternando-se na posição com Cortez, que é o atual titular pelo momento que vive.

 

No meio de campo, quem se atreve a chamar Maicon, nosso capitão, de reserva? Ele e Michel se alternam como volantes e mantém a mesma qualidade na marcação e saída de bola. Podem revezar com Arthur e Ramiro. Vê-los jogando juntos também é alternativa à disposição de Renato.

 

Já que citei Ramiro, vamos lembrar das multi-tarefas cumpridas pelo nosso meio-campo, que pode atuar em três funções diferentes, é dos que mais desarmam no time e marcou nove gols na temporada. Hoje, pode até descansar.

 

Lá na frente as alternativas são ainda mais curiosas. Tudo bem, Luan é insubstituível. É craque acima de qualquer suspeita. Mas na ausência dele, podemos montar times ofensivos da mesma maneira. Sem contar que alternamos os goleadores, também: Fernandinho, esse que dizem ser reserva no ataque, é o goleador do Brasileiro, com seis gols; Everton e Luan têm cinco cada um; Barrios, Ramiro e Michel têm quatro. Situação que explica termos a maior média de gols entre todos os times do Brasil nesta temporada: 1,9 por partida.

 

Diante dessas constatações passo a aceitar os que dizem que o Grêmio foi a campo com o time alternativo, desde que não usem a expressão como sinônimo de time reserva. Quando falarem do Grêmio, digam que é um time com muitas alternativas e uma delas é ser campeão de toda e qualquer competição que estiver disputando.Inclusive o Brasileiro (com todo respeito as outras alternativas).

Avalanche Tricolor: obrigado por mais este presente!

 

Atlético-GO 0x1 Grêmio
Brasileiro – Estádio Olímpico/Goiânia-GO

 

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No aniversário da gente os presentes dizem muito sobre nós mesmos. Ou sobre o que os amigos pensam da gente. O meu foi nesta semana, terça-feira, dia 1º de agosto, oportunidade em que a gentileza dos ouvintes da rádio foi enorme e entusiasmante. Dos mais próximos, que frequentam minha casa, livros não faltaram, o que é sempre um bom sinal. Ganhei garrafas de cerveja, de vinho e de café, também – muito apropriada para quem madrugada no trabalho. Os amigos da onça aproveitam para se divertir: um deles me entregou em mãos o CD do grupo Molejo. Coletânea com os clássicos do grupo. Diversão pura.

 

Foi, no entanto, na manhã desta quarta-feira, que me chegou o presente definitivo, aquele que toca diretamente seu coração: uma camisa do Grêmio, oficial e celeste. A mesma que vestia nosso time na noite em Goiânia. Essa já tem lugar garantido no memorial que mantenho em casa: uma parede com camisas emolduradas, das quais a mais significativa é uma de goleiro, autografada por Danrley. Tem a minha, com o número 13 em destaque, dos tempos em que era jogador de basquete do Grêmio. Nem todas as camisas que coleciono têm espaço entre os quadros, mas todas são devidamente armazenadas com o devido carinho e destaque.

 

A celeste com golas e barras da manga pretas, do uniforme número 2, vai para o memorial mesmo antes de qualquer título que se ganhe na temporada. Independentemente do que venha a acontecer – e tenho a expectativa de que muita coisa boa aconteça ainda -, o ano de 2017 está marcado pelo futebol de qualidade que chama atenção do Brasil. Aqui em São Paulo, não há um só torcedor que não me aborde para falar do desempenho gremista na temporada, mesmo aqueles que estão à nossa frente no Brasileiro. Elogios que recebo como se fossem um presente.

 

Esse futebol está sendo testando a cada semana que passa, pois somos reféns da maratona de jogos e do bom desempenho em todas as competições que disputamos. Manter o futebol qualificado no Brasileiro, na Copa do Brasil, na Libertadores – e hoje ainda me lembraram da Primeira Liga – é um desafio tremendo para Renato e seus jogadores. Fazer rodízio na escalação torna-se obrigatório e isso nos cobra um preço às vezes muito alto.

 

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Na noite desta quarta-feira, mesmo contra a equipe de pior desempenho na competição, tivemos dificuldade para impor o futebol que nos dá destaque no Brasil. Renato se redobrou ao lado do gramado e no vestiário para tirar dos jogadores à disposição o melhor possível. A mudança de postura do time no segundo tempo teve claramente o olhar do técnico, seja pela conversa seja pelas mudanças. Uma delas crucial: a entrada de Léo Moura em uma espécie de articulador no meio de campo. Não foram necessários muitos minutos para ele mostrar que era só o que nos faltava para garantir os três pontos: alguém para passar e entregar a bola como se oferecesse um presente aos seus colegas.

 

Léo cumpriu o seu papel com maestria e encontrou Lincoln, que também havia entrado no segundo tempo, no único espaço livre dentro da área congestionada pelo adversário. O resto ficou por conta do futebol que estamos acostumados a assistir neste temporada: a chegada de vários dos nossos jogadores, inclusive os volantes, em condições de marcar o gol. No caso, o gol de Michel.

 

Vitória que considerei mais um presente nesta semana de aniversário!

Avalanche Tricolor: coisa de torcedor!

 

Grêmio 1×1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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A camisa 7 que Renato vestia, na partida deste fim de domingo, tinha o nome de Paulo Sant’Ana. Na braçadeira preta que estava no braço esquerdo do técnico e de todos os demais jogadores gremistas havia o rosto dele ilustrado. Era uma das homenagens que o time fazia ao jornalista e torcedor declarado do Grêmio, morto em 19 de julho.

 

Logo que percebi as menções, lembrei-me de algumas histórias que vivenciei com Sant’Ana. Ele sempre trabalhou na empresa que era a principal concorrente daquela em que meu pai, também jornalista e gremista declarado, atuava. Ele era da RBS e o pai da Caldas Junior. Na última vez que vi Sant’Ana, os dois estavam internados no mesmo hospital, e ele foi visitar o pai no quarto, quando contou que era o único paciente com autorização implícita para fumar no hospital.

 

Havia entre eles respeito e divergências, nada que os afastasse; mas o suficiente para protagonizar momentos curiosos, como em 1975, do qual participei, também, apesar de estar com apenas 12 anos. O Grêmio era treinado por Ênio Andrade, meu padrinho por adoção, e tinha no ataque um dos meus maiores ídolos: o ponteiro esquerdo Loivo, batizado pelo pai como o Coração de Leão.

 

Loivo ganhou o meu coração quando entrei com ele de mãos dadas no gramado antes de uma partida no estádio Olímpico. A cena inesquecível me impedia imaginar um dia o Grêmio sem aquele batalhador que vestia a camisa 11. No entanto, havíamos contratado Nenê que era mais jovem, tinha estilo de jogo diferente, entrava ao longo da partida e se tornava uma ameaça ao meu ídolo.

 

Na crônica esportiva, Sant’Ana defendia a escalação de Nenê. O pai preferia Loivo. Ênio Andrade, também, e passou a ser criticado pelo jornalista com frequência. Santa’Ana costumava tocar alto sua corneta quando não gostava de alguma coisa no Grêmio – nestes momentos era mais torcedor do que jornalista.

 

Houve uma partida no Olímpico, e não vou lembrar o adversário, na qual o Grêmio somente venceu depois da entrada de Nenê que fez o gol da vitória. No momento em que deixávamos o estádio, eu e meu pai, fomos abordados por Sant’Ana, no Largo dos Campeões. Sem se fazer de rogado, o jornalista se atirou aos meus pés e de joelhos, sob olhar de todos os demais torcedores que deixavam o jogo, berrava: “ouça sempre o seu pai, ele é o maior pai do mundo, mas quando for de futebol ouça a mim, por favor, ouça a mim” – repetiu várias vezes.

 

A cena me deixou chocado, eu ainda era um guri de calça curta e sem capacidade de entender o que levaria um homem maduro como ele tomar aquela atitude diante de uma criança. Claro que havia algo de espetaculoso, mas entendi com o tempo que tinha muito a ver com a personalidade histriônica de Santa’Ana e a paixão que mantinha pelo Grêmio, a mesma que eu e pai cultivamos até os dias de hoje.

 

Torcedores têm dessas coisas – e Sant’Ana era um. Às vezes nos apaixonamos por um. Às vezes nos incomodamos com outro. E num caso ou noutro somos passionais. Tomamos atitudes nem sempre lógicas. Como torcedor – e aprendi isto com o pai -, sempre preferi torcer a favor de todos, mesmo quando percebo que alguns não mereceriam estar vestindo nossa camisa. Nesses casos, torço o nariz, esbravejo entre quatro paredes mas jamais seria capaz de vaiar um dos nossos ou fazer campanha pela sua saída.

 

Confesso que não acompanhava os comentários de Sant’Ana nos últimos tempos, mas imagino que ele estivesse satisfeito com o que Renato vinha conquistando no comando do Grêmio, não bastasse ser um amigo do treinador. A qualidade do futebol jogado pelo nosso time é indiscutível, mesmo que tenhamos perdido alguns pontos que farão falta no Brasileiro. Os dois que deixamos de somar hoje, por exemplo. A partida era do Grêmio, fomos melhores, e tivemos mais chances e até pênalti a nosso favor não sinalizado. Infelizmente, faltou mais um gol.

 

Mesmo assim, só consigo encontrar um motivo a lamentar na partida de hoje: a ausência de Sant’Ana.

 

Avalanche Tricolor: de olho na Copa do Brasil, Grêmio empata no Brasileiro

 

São Paulo 1×1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi/São Paulo SP

 

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Pedro Rocha comemora mais um gol pelo Grêmio (reprodução  Canal Premiere)

 

 

Vivo em São Paulo desde 1991. Cheguei a trabalho, fiz carreira, casei, construí família e em um exercício de futuro é por aqui que me vejo nos próximos longos anos que pretendo viver. Minhas raízes com o Sul nunca serão esquecidas, mas, depois do pai e dos irmãos, é o Grêmio o que mais me identifica com o Rio Grande. A maioria dos que me conhecem aqui sabe para quem torço, aproveita-se disso para provocar sempre que jogamos contra times paulistas e caçoar quando o resultado permite. Típico do futebol.

 

Neste ano, a tarefa dos caros e raros amigos que mantenho na cidade tem sido árdua, mesmo que, por coincidência, tenhamos perdido mais pontos para os times daqui do que de outros Estados, neste Campeonato. O jogo jogado pelo Grêmio, além de encantar nossa torcida e os cronistas, tem ganhado a admiração dos adversários. Os elogios são frequentes; as referências, constantes; e boa parte prefere não me desafiar para apostas – talvez devesse, pois costumo não ter muita sorte em palpites (meus resultados no CartolaFC que o digam).

 

Hoje, voltamos a jogar bem e impor o futebol moderno que tem chamado atenção de todos. A bola passava de pé em pé, com precisão e velocidade. O deslocamento do meio de campo para frente era muito bem feito e as chances de gol começaram a aparecer aos poucos. 

 

Abrimos o placar antes da marca dos 20 minutos do primeiro tempo, o que tem sido padrão no time de Renato. Um gol resultado da boa articulação, posicionamento e marcação: a bola foi roubada por Geromel, lá na defesa, que conseguiu em apenas um toque colocar Pedro Rocha em disparada pelo lado esquerdo. Nosso atacante foi veloz e talentoso para se livrar de um marcador com um drible para dentro da área e bater forte.

 

Houve novas oportunidades e se mantivéssemos o mesmo ritmo a possibilidade de ampliar o placar ainda no primeiro tempo era grande. O Grêmio não marcou e teve de suportar um adversário pressionado pela tabela e empurrado pela torcida. Mesmo assim, os riscos eram poucos até o gol de empate. Bem que tentamos voltar a jogar e os minutos finais deram sinais que se tivéssemos insistido com o nosso jogo um pouco mais cedo, haveria a possibilidade de sairmos com os três pontos.

 

Em condições normais de pressão e temperatura, o empate fora da casa, seria festejado. Renato e seu time, porém, nos acostumaram mal e nos deixaram pretensiosos diante da possibilidade de vencer sempre – mesmo em um campeonato que não está entre nossas prioridades. 

 

Que saibamos dar o verdadeiro valor para este ponto ganho em São Paulo e voltemos logo nossas atenções para Copa da qual somos Rei. Quinta-feira tem decisão!

 

 

Avalanche Tricolor: dá muito prazer assistir ao Grêmio em campo

 

Vitória 1×3 Grêmio
Brasileiro – Barradão-Vitória/BA

 

 

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Fernandinho, o 21 ou o 12º, fez o primeiro gol

 

 

Frio, muito frio aqui em São Paulo. Mesmo para quem tem o Rio Grande como referência. Às quatro da manhã, acordei com oito graus e lá fora o vento fazia com que a sensação térmica tornasse a coisa ainda pior. Vontade de ficar na cama.

 

Sei que você, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem nada a ver com isso, mas o dia de trabalho também não foi fácil. A linha telefônica caiu durante a entrevista mais importante, o crédito do entrevistado estava errado e o repórter que entraria ao vivo teve problemas técnicos.  

 

A colega mais próxima nos projetos que realizo na área de comunicação baixou hospital, o que por si só seria motivos de muita preocupação. O projeto agendado para amanhã, inadiável, no qual dividiríamos o palco, se transformou em duplo desafio com a ausência dela. Responsabilidade redobrada.

 

As tarefas do dia não se encaixam na agenda. É mais trabalho do que horas, mais demanda do que paciência. Parece que a gente não vai dar conta do recado. E sei que você também deve encarar coisas deste tipo.

 

Aí vem o Grêmio jogar. Descobre-se que Geromel está fora do time porque não passou bem, antes da partida. E ao ouvir o nome de Geromel me dou conta que não atualizei a escalação do meu time no CartolaFC. E, claro, ele estava escalado (Geromel sempre está escalado no Reina del Sur) assim como outros tantos que devem se ausentar na rodada deste meio de semana.  

 

A impressão é que o melhor a fazer nesta quarta-feira é dormir cedo para ver se passa logo. Só que a bola começa a rolar no Barradão e o Grêmio está em campo. Toca bola pra cá, passa um jogador pra lá, surge uma chance de gol e o dia que parecia perdido começa a ganhar cor. Tricolor.

 

Em apenas oito minutos, Fernandinho, que não é titular mas joga como tal, sai em velocidade, recebe falta, cobra falta e ….. que golaço deste jogador que carrega a camisa 21 nas costas. Se tem alguém que merece o título de décimo-segundo titular este alguém é Fernandinho. 

 

Aliás, foi o próprio Fernandinho quem participou de mais uma daquelas jogadas encantadoras proporcionadas pelo time de Renato. Se no jogo passado, o terceiro gol marcado por Everton chamou atenção dos cronistas esportivos pelo Brasil, pode colocar o segundo da partida de hoje na mesma lista.

 

Eram 43 minutos do segundo tempo quando Maicon fez passe genial e preciso para Pedro Rocha, que  recebeu a bola dentro da área, no que no passado chamávamos de ponto futuro. Rocha virou e encontrou Fernandinho que se aproximava. E ele teve tranqüilidade para dar um presente a Arthur, que marcou seu segundo gol com a camisa do Grêmio.

 

No segundo tempo até houve pressão. E era natural que isso acontecesse. Tomamos um gol, sem perder a tranquilidade. Sinal de maturidade. E foi com essa personalidade que chegamos ao ataque adversário  e sacramentamos o placar com um chute forte e colocado de Ramiro.

 

Só mesmo o Grêmio pra me deixar tranquilo nesta quarta-feira de tantos percalços. Obrigado, Renato!.

 

 

Avalanche Tricolor: o susto que sempre me lembra a história de um campeão

 

Grêmio 3×1 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Everton faz o terceiro do Grêmio, em imagem reproduzida do canal Premier

 

 

Teimo em lembrar da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981, sempre que deparo com o adversário da tarde desse domingo. Era guri ainda, iniciando a vida universitária, e fui um dos 98.421 torcedores que contaram a história da maior lotação jamais assistida no estádio Olímpico. Fui ao jogo com meu pai e com ele tomamos um tremendo susto ao nos vermos diante daquele time do interior paulista, ainda pouco conhecido da gente, atrevido o suficiente para encarar nossa história e torcida.

 

Depois de termos vencido por 3×2 fora de casa, na primeira partida da semifinal, imaginávamos que a decisão do título estaria logo ali. Ledo engano: teríamos muito a sofrer, pois mesmo com estádio superlotado não foi nada fácil sustentar a derrota de 1×0 desde os 20 minutos do primeiro tempo.

 

Tenho nítida e em preto e branco a imagem da minha caminhada ao lado do pai, descendo as escadarias do Olímpico, ao fim do jogo. Eu parecia mais abatido do que deveria, pois estávamos na final, mas me incomodava ter chegado lá com uma derrota em casa e ainda para enfrentar o mais temido dos adversário daquele campeonato. Meu pai tentava me mostrar que o tropeço havia sido calculado e a estratégia para conquistar o título nacional inédito já estava traçada pelo parceiro de uísque dele e meu padrinho por adoção, Ênio Andrade, nosso técnico naquela campanha.

 

O pai tinha razão, como você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve muito bem lembrar: o Grêmio foi campeão.

 

Neste domingo, repassei todas aquelas cenas em conversa com a turma aqui de casa, a qual revi depois de duas semanas de férias. O papo foi antes de a partida se iniciar e cheguei a comentar que desde aquele jogo sempre vejo a Ponte Preta como um convidado inconveniente, disposto a estragar a festa. Nem sei se é o que a estatística nos prova, mas é a sensação que tenho – legado do susto que tomei em 1981.

 

Curiosamente, hoje muita gente fala que o Grêmio tem capacidade de ser campeão brasileiro novamente, mesmo que a Libertadores e a Copa do Brasil sejam prioridades na temporada, e se tenha permitido que o líder da competição abrisse distância de até 10 pontos ganhos. Essa condição impõe respeito e medo nos adversários e a maioria deles já entendeu que dentro da Arena o melhor a fazer é travar o jogo e reforçar a defesa – tipo de esquema difícil de encarar dadas as características gremistas. Não é por acaso que vamos ao Maracanã ou à Ilha do Urubu e saímos de lá com uma vitória, e ao retornarmos para casa suamos na busca do resultado.

 

A defesa bem montada, jogadores abnegados na marcação, um time disposto a parar a partida o máximo possível e um atacante perigoso fez do jogo deste domingo um desafio muito maior do que poderíamos esperar – e muito mais chato. Faltavam espaço para tocar a bola e velocidade para fugir dos marcadores. Não bastasse isso fomos traídos em uma escapada de contra-ataque e um gol contra, que serviu para reforçar o susto do passado, ainda no primeiro tempo.

 

O intervalo foi providencial e muito bem aproveitado por Renato que fez o time entender que se tentasse jogar o seu jogo, acreditasse no seu talento e tocasse a bola mais à frente do que ao lado teria chances de mudar o cenário da partida. E foi o que assistimos já nos primeiros movimentos do segundo tempo. Aos 11 minutos, Barrios fez um; aos 23, fez dois; e aos 42, Everton confirmou a vitória – no mais bonito de todos eles. Gols que dizem muito sobre o Grêmio de 2017, que aposta em talentos individuais para construir uma obra coletiva.

 

Que o susto que a Ponte nos pregou no primeiro tempo de hoje nos leve ao mesmo destino daquele de 1981.

Avalanche Tricolor: saúde, Grêmio!

 

 

Flamengo 0x1 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Urubu-RJ/RJ

 

 

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Foi no Grêmio.net que li sobre o jogo

 

 

Estratégias precisam ser bem desenhadas e o esboço se inicia com análise dos recursos que se tem em mãos, as condições que serão encontradas no seu caminho e, claro, levando em consideração o adversário. Renato fez isso com maestria, nesta noite de quinta-feira, pelo que pude entender não apenas no resultado final da partida, mas nos lances disponíveis na internet e nos textos escritos pós-jogo – especialmente o publicado no Grêmio.net.

 

 

Sim, pelo que você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter percebido, não assisti ao jogo disputado no Rio de Janeiro, infelizmente. Durante todas estas férias que passo fora do Brasil, encontrei formas de aproveitar ao máximo os dias de descanso com a família, sem me desconectar do Grêmio. Assisti a jogos pelo celular, pelo computador, em aplicativos oficiais e canais nem tão oficiais assim. Agenda estrategicamente desenhada para estar com o Grêmio onde o Grêmio estivesse.

 

 

Desta vez, porém, meu plano de jogo falhou. Na véspera da primeira etapa da minha viagem de volta ao Brasil, marquei um jantar com pessoas muito queridas e acolhedoras. O único problema é que o horário do encontro coincidia com a partida do Grêmio, no Rio – fui traído pelo fuso horário. Seria deselegante desmarcar, sem contar o constrangimento que causaria. Já que minha agenda estratégica havia falhado, restava-me depositar toda a confiança na de Renato e na força do nosso time – e convenhamos, estávamos em ótimas mãos e pés.

 

 

Como bem mostrou o Grêmio, a gente precisa se adaptar as condições da partida. Não dá pra atacar? Vamos defender bem. Não dá pra dar show? Chutemos a bola pra longe. Foi o que fiz.  E da mesma maneira que  Luan foi  capaz de escapar com a bola entre as pernas de um de seus marcadores, sair da pressão de dois adversários e, mesmo espremido na área, encontrar o raro caminho do gol, também dei meus dribles nos convivas e encontrei espaço durante o jantar para conferir a tela do celular a espera dos alertas do jogo. 

 

 

começa o jogo

 

 

O primeiro deles apenas anunciou o início da partida, sem mais nada a acrescentar; o segundo, demorou para aparecer e meu consolo era que se nada surgia ao menos estávamos empatando. Foi, então, que, aos 25 minutos do primeiro tempo, quase gritei gol diante do garçom que me servia mais uma taça de vinho:

 

 

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Dali pra frente, tudo que queria, além de seguir o bom papo que levava com os companheiros de mesa é que nada mais surgisse na minha tela, pois sinalizaria que teríamos garantido os três pontos. Da taça de vinho ao prato principal, passando pela entrada e salada, nada acontecia no meu celular.

 

Quando a sobremesa estava sendo servida, chegou o aviso final e a certeza que o Grêmio seguia firme e forte no Campeonato Brasileiro, apesar dos tropeços nas três últimas rodadas.

 

 

Final

 

 

Aliás, eis aqui algo a se pensar: mesmo sem pontuar três partidas seguidas, privilegiando a Libertadores e a Copa do Brasil, jogando fora de casa e contra um dos mais fortes times do campeonato ainda assim estamos vivos na competição, e somos o vice-líder do Brasileiro.

 

 

Haja estratégia, Renato!

 

 

Pedi para servirem mais uma rodada de vinho e convidei a todos para o brinde final: agradeci a recepção que tive, a forma carinhosa como minha família foi tratada e, no silêncio do meu pensamento, a vitória do Grêmio, também.

 

 

Cheers!

Avalanche Tricolor: assim é pra acabar de vez com minhas chances no Cartola

 

 

Grêmio 0x2 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Vai dizer que você não apostaria neles, também?

 

 

 

 

Havia seis jogadores e o técnico do Grêmio no meu Cartola para a rodada deste fim de semana. A dominância tricolor é um padrão no Reina del Sur*, time que criei para disputar a Liga Hora de Expediente CBN – brincadeira que engajou mais de 4 mil ouvintes de um dos quadros do programa que apresento na rádio CBN.

 

 

No momento de escalar um lateral, analiso as possibilidade da longa lista disponível e teimo em pensar, ou melhor, em torcer para que as opções gremistas tenham melhor desempenho na rodada seguinte. O mesmo critério (o do torcedor) uso na avaliação de quem será o volante, o meio de campo, o atacante, o goleiro e …. bem, o zagueiro é sempre o Geromel e não tem discussão.

 

 

A dificuldade de me desapegar do tricolor, porém, tem me cobrado um preço caro no fantasy game.

 

 

Bons jogos e vitórias não são suficientes para que o craque escalado pontue bem. Às vezes, seu desempenho chama atenção em campo, mas dois ou três passes errados – que podem representar um percentual mínimo diante da quantidade de passes certos -, faltas cometidas e o cartão amarelo, injustamente aplicado pelo árbitro, são suficientes para reduzir a pontuação dele. Ou o seu atacante escalado em lugar de fazer o gol prefere deixar seus companheiros mais bem colocados. E logo aqueles companheiros que você deixou de escalar.

 

 

Sim, porque tem uma curiosidade nas minhas escolhas: quando percebo que tem muito jogador do Grêmio na formação do Reina del Sur, disfarço, faço de conta que vou equilibrar as forças e usar a lógica acima da emoção; substituo um da defesa, escalo outro no meio de campo, e mudo o companheiro do nosso atacante. Geralmente essas substituições são um desastre, pois retiro aquele gremista que acaba tendo melhor pontuação na rodada. Menos o Geromel, é lógico. Esse não sai nunca do time.

 

 

Impus a mim mesmo algumas regras no momento de escalar minha equipe no Cartola.

 

 

Regra número 1: nunca, jamais e em momento algum ponho no meu time alguém que vá jogar contra o Grêmio. Aí, não! Pelo amor de Deus! É desapego demais pra minha cabeça.

 

 

Regra número 2: sempre escalo o Geromel.

 

 

Regra número 3: na dúvida, escalo o jogador do Grêmio na posição.

 

 

Regra número 4: se sobrou dinheiro, convoco o Renato para técnico.

 

 

Não recomendo a você que siga minhas regras, especialmente se tem a pretensão de aparecer com destaque no Cartola. Minha pontuação até aqui, mesmo levando em consideração o bom desempenho que o Grêmio vinha obtendo no Campeonato Brasileiro, é lastimável. Se os líderes da nossa Liga Hora de Expediente CBN já estão na casa dos 800 pontos, eu “malemal” passei dos 550 e ocupava até a última rodada o 1.925º lugar entre 4.188 participantes – com tendência de baixa, haja vista os resultados parciais desta décima-segunda rodada do Brasileiro.

 

 

Por falar nesta rodada do Brasileiro: mesmo que escalar vários gremistas no Reina del Sur seja um padrão deste técnico fajuto de fantasy game, você há de convir que dado o desempenho, até então, dos dois times que se encaravam nessa tarde, na Arena, havia uma certa lógica na presença de seis jogadores e do treinador do Grêmio na minha formação. Imagino até que muita gente deve ter me acompanhado nesta aposta. E, assim como eu, se frustrado com o resultado alcançado em campo (menos com o Geromel, claro!).

 

 

*Antes que algum gaiato queira saber: Reina del Sur é homenagem a Kate del Castillo, musa de novela produzida em parceria de americanos e espanhóis, sobre uma mulher que comanda o narcotráfico, na Colômbia. Dá pra assistir no Netflix, mas cuidado: vicia!