Avalanche Tricolor: dava pra ser diferente, mas como não pensar naquilo?

Grêmio 0x3 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

30213468073_6350bc7ba2_z

Tava confuso … foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA no Flickr

A semana começou com jornada tripla.

Madrugando como sempre, apresentei as três horas e meia de Jornal da CBN com destaque para os mais de 5 milhões de estudantes que realizaram o ENEM no fim de semana, o descontrole das contas públicas no Brasil e a política dos Estados Unidos.

À tarde, estava em um dos maiores encontros sobre gestão e negócios, realizados no Brasil que ocorre anualmente em São Paulo, a HSMExpomanagement. No espaço de debates que a CBN mantém por lá, fui ao palco para conversar com Sérgio Chaia, comentarista do quadro O Terapeuta Corporativo. Bate papo saboroso e com participação de muitos ouvintes, alguns do Sul do País: Santa Catarina, principalmente. E havia gaúchos, também. A maioria gremista. Como sempre.

Por lá, ouvi orientações sobre o papel do líder, a necessidade de estarmos focados nas nossa metas e os riscos de perdemos o controle quando estamos sob pressão. Chaia também lembrou de quanto nossas preocupações acabam prejudicando as conquistas do presente. Sim, porque nos preocupamos com algo que vai ou pode ocorrer no futuro. Ou seja, algo que não aconteceu ainda e talvez sequer ocorra. Perdemos tempo com coisa pouca, em bom português.

À noite, foi a vez da entrega do prêmio Época Reclame Aqui, no Espaço das Américas, que se iniciou com a sempre talentosa apresentação do maestro e pianista João Carlos Martins. Emocionante. Como sempre. No palco, o desfile ficou por conta de representantes de empresas que souberam tratar seus clientes de maneira ética, com correção e respeito. A festa se encerrou tarde, bem tarde.

Diante da maratona de compromissos, pouco tempo sobrou para acompanhar o desempenho tricolor na noite de segunda-feira pelo Campeonato Brasileiro. Foi um dos convivas que estavam na festa da noite que me recebeu ao pé do palco para registrar o resultado negativo contra o Sport.

Soube depois que fomos vítimas de três golaços e dois deles de uma craque que não apenas vestiu mas ainda respeita, e respeita muito, a nossa camisa. Há quem levante suspeitas sobre a estratégia do “corpo mole” que teria levado ao resultado de forma proposital para prejudicar o co-irmão – como se o co-irmão precisasse de nós para ser prejudicado neste campeonato.

Independentemente do time que estivesse em campo, da falta de força no ataque e do desfalque do lado direito da defesa e mais do que qualquer teoria de conspiração, o que aconteceu nós sabemos muito bem: foco.

Torcida e jogadores desde a semana passada não pensam em outra coisa. A cabeça, o corpo e a alma estão voltados para a Copa do Brasil. Mais do que na Copa do Brasil: sonhamos com a possibilidade do título do qual tanto tempos saudades.

Sei que não deveria ser assim. Teríamos de ter encarado a partida de ontem à noite como a chance de deixar uma pegada no G6 e na vaga da Libertadores. Agora, – eu, por excesso de trabalho; você, pelo excesso de expectativa -convenhamos, quem de nós, gremistas, conseguiu se concentrar naquela partida?

Avalanche Tricolor: Marcelo Grohe merece vestir nossa camisa listrada

 

Figueirense 0x0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli/Florianópolis (SC)

 

img_6480

 

O time era o reserva. De titular, só Marcelo Grohe. E meu destaque vai para ele.

 

Antes dele, porém, falarei de outros personagens do jogo deste fim de sábado.

 

Era de se esperar pouco, apesar de eu sempre alimentar a esperança de que alguns dos escalados tenham seu momento de recuperação, desempenhando em campo o futebol que imaginávamos ter, mas que deixou a desejar e os levou à condição de reserva.

 

Dos mais jovens, a expectativa é que se destaquem, demonstrem condições de reivindicar um lugar no time e, principalmente, ofereçam alternativas para Renato, nesta ou na próxima temporada.

 

Do que se esperava de uns e de outros, ficou o esforço e a luta pela bola. Foram competentes na marcação e impediram qualquer perigo que o adversário pudesse impor.

 

Tivessem caprichado um pouco mais até sairíamos de campo com os três pontos, subiríamos na tabela de classificação e estaríamos colados no G6. Mas não dá pra reclamar. Eram os reservas em campo. E, independente do que esperávamos deles, tinham como principal missão dar fôlego aos titulares para a batalha que realmente vale, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

 

Além de fôlego, nas duas vezes que foram convocados ganharam dois pontos e nos deixaram ainda na disputa pela vaga a Libertadores, graças a combinação de resultados com os outros jogos da rodada. E convenhamos:  tem uma turma aí que tem metido o time titular, joga em casa, precisa desesperadamente de uma vitória e tem sofrido para conquistar o mesmo ponto que os nossos reservas garantem a cada partida.

 

Como disse lá em cima, o que me agradou mesmo foi ver Marcelo Grohe. Por uma ótima defesa no primeiro tempo, mas, principalmente, por vê-lo vestindo a camisa tricolor. 

 

Tenho sempre um olhar especial aos goleiros, pois os considero solitários em sua função ingrata de impedir que um time inteiro alcance seu maior objetivo: o gol. É sempre difícil de entender por que alguém ao tomar a decisão de jogar futebol queira fazê-lo como goleiro, apesar de eu já ter me arriscado na posição e meu pai ter se dedicado a ela nos times da escola e de amigos. Deve haver um viés masoquista ou algo equivalente que a psicologia saiba explicar.

 

Ao ser goleiro você sequer tem o direito de vestir a camisa titular da equipe que representa. Refiro-me aquela que os torcedores usam para ir ao estádio ou desfilar pelas ruas. Os do Grêmio, por exemplo, jogam anos no clube sem jamais ter usado nosso manto listrado. Imagine a frustração.

 

Fui surpreendido, hoje, com o número 1 e o nome de Marcelo Grohe estampados nas costas da camisa azul, preto e branco. Grata surpresa. Em um jogo de tão poucos atrativos, ao menos ali havia um motivo para minha satisfação.

 

Achei justa a decisão, de quem quer que tenha sido, de oferecer esta oportunidade ao goleiro gremista. Que se repita sempre que o Grêmio entrar em campo com o segundo ou terceiro uniformes. Grohe merece!

Avalanche Tricolor: clássico de muita disputa e pouco futebol

 

 

Grêmio 0x0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

30483111216_88e69b77f3_z

Torcedores a espera do Gre-Nal em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Se você não é da terra, dificilmente será capaz de entender o sentimento que move os gaúchos em um domingo de Gre-nal. Esse clássico extrapola os interesses do futebol, vale mais do que três pontos na tabela e talvez um título não seja capaz de superar o desejo da vitória.

 

Já assisti ao meu time vencer uma partida final por 3 a 1, na casa do adversário, e apesar de o resultado não ser suficiente para o título, comemorarmos como se a conquista do jogo fosse maior do que a do campeonato. Do outro lado, a festa foi constrangida, sem graça. O contrário também deve ter ocorrido, mas prefiro não lembrar coisa ruim.

 

O resultado do Gre-nal define a segunda-feira, a semana, às vezes a temporada que se segue. Pergunte a eles se já esqueceram do 5 a 0?

 

Quando era guri, fingia uma dor qualquer para não ir a aula no dia seguinte em caso de derrota. E quando não havia a conivência da mãe, vestia a camisa tricolor e tomava um copo de leite quente misturado a uma dose extra de coragem para encarar os colegas encarnados. Aí deles, porém, se a vitória fosse minha. O dia começaria cedo com direito a homenagem já na porta da escola. E seria longo, capaz de durar até o próximo clássico.

 

Estou mais velho e vivido do que naqueles tempos de guri em Porto Alegre; e a distância do Rio Grande reduz o impacto do resultado. Mas, acredite, o Gre-nal ainda importa muito.

 

Hoje cedo, como sempre faço aos domingos, fui à Igreja perto de casa, onde a missa das 9 da manhã é rezada por um padre gremista – e isso, como já expliquei nesta Avalanche, é apenas uma feliz coincidência.

 

Padre José sabe que temos coisas mais importantes durante o ato religioso, mas é incapaz de se despedir sem uma palavra de graça: “é hoje”, disse-me de forma simpática. E imagino que a expressão foi ouvida em todo o Rio Grande, a cada troca de cumprimento na padaria, no passeio na Redenção ou a caminho da Arena.

 

“É hoje” significa muita coisa. É quando vamos vencer ou vamos derrotar. É quando, com certeza, vamos sofrer. É quando vamos viver emoção que não se encontra igual em nenhuma outra partida de futebol pelo mundo – e deixemos que os torcedores de outros clássicos pensem igual de suas disputas. Mas este é o nosso clássico a disputar.

 

“É hoje” tem a capacidade de resumir tudo que pensamos sobre o Gre-nal. E dá o clima deste jogo de características singulares no futebol brasileiro.

 

Mexe a tal ponto com os ânimos que o torcedor comemora até recorde de público, como na festa feita pelos gremistas diante da informação de que havia 53.287 pessoas assistindo ao jogo, o maior número já registrado na curta história da Arena.

 

É este ambiente que fez o gringo Kannemann se transformar em jogador de rugby ao se atirar na grama para disputar com as mãos a bola que sequer estava em jogo, e provocar a agressão do adversário. Mesmo motivo que o levou a se jogar como pode para impedir o contra-ataque que poderia ter sido fatal, quase ao fim da partida.

 

É esta sensação que nos faz vibrar (sem que isso signifique comemorar) ao assistir a cena de pugilismo travada no campo e provocada por Edílson. Soca-se o ar e depois bate uma baita vergonha, pois se percebe que nada daquilo é justificável. É uma sensação animal que toma conta da pessoa e tem de ser contida.

 

O “É hoje” de hoje só não foi capaz de levar as equipes a fazerem um jogo mais bem jogado. Apesar de a bola ter rolado muito e por boa parte do tempo, foi mal rolada e isso deixou os times muito parecidos em campo, um prejuízo para nós que estamos mais bem arrumados e ainda disputando vaga para a Libertadores.

 

PS: diante do pouco futebol jogado, o melhor do clássico foi o pedido de casamento de um torcedor gremista para a colorada que estava ao seu lado na área destina à torcida mista. É a prova de que apesar de todas as provocações e indignações, a convivência é possível e muito bem-vinda. Imagino que o casal ao sair de casa se olhou e disse um ao outro:”é hoje” – cada um com o seu significado!

Avalanche Tricolor: os nossos “alternativos” mandaram bem, na Vila

 

 

Santos 1×1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro SP/SP

 

 

29679478364_f0c18ef7b4_z

Renato em foto do arquivo no Flickr de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA


 

 

Havia quem esperasse pouco do time escalado para jogar neste domingo. Eu, por exemplo. Você, talvez. Quero acreditar que o próprio Renato não apostaria todas suas fichas em um resultado positivo.
 

 

O time era o alternativo, como repetiu o repórter de campo durante a transmissão da televisão. Não sei se no rádio disseram o mesmo. Chamou-me atenção porque no meu tempo costumávamos dizer que este era o time reserva.
 

 

Bem que gostei da ideia de batizá-lo como alternativo. Creio que isso seja coisa do Renato e os jornalistas estejam apenas levando à frente. Nos dá um olhar diferente sobre os jogadores que estão em campo. Não os impõe a pecha de segundo escalão, apenas de diferentes.
 

 

E foram diferentes em campo. Surpreendentes, eu diria.
 

 

Além de se fecharem bem na defesa, sem vergonha de admitir a diferença em relação ao adversário, usaram o contra-ataque como poucas vezes vimos na competição. Capacidade que se revelou logo no início da partida com gol que surgiu de jogada na qual Everton soube combinar sua velocidade com domínio de bola e precisão no chute. Coisa rara de se ver no futebol.
 

 

Conter a pressão de um time pouco acostumado a derrotas em seu campo seria tarefa das mais complexas. Por isso, o gol que tomamos de cabeça parece que já estava mesmo na nossa conta. E veio para ratificar que se a zaga principal parece ter se ajeitado por cima, a alternativa ainda tem o que melhorar.
 

 

O segundo tempo, apesar de nosso gol não ter saído – e foi por detalhe -, voltamos a surpreender. A marcação foi mais alta, na saída de bola do adversário, e isso desorganizou a chegada do ataque deles. Mudança, com certeza, que teve o dedo de Renato.
 

 

Estivemos sob fogo cruzado boa parte do jogo, mas vimos nossos defensores se multiplicarem para segurar o empate. Em alguns casos chegamos a ter dois jogadores marcando a mesma bola. Houve aquilo que a turma gosta de chamar de entrega total em campo.
 

 

Ao fim da partida Maicon definiu o empenho da equipe: “se não vai no entrosamento, vai na vontade”.
 

 

Os nossos alternativos demonstraram muita vontade e estão de parabéns, pois neste domingo, jogando pelo Campeonato Brasileiro, seguraram a onda da turma que descansou para, na quarta-feira, “jogar a vida” na Copa do Brasil.

Avalanche Tricolor: O Grêmio voltou!

 

 

Grêmio 1×0 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

29679478824_8b76d47bdf_z


Pedro Rocha em mais um lance de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA
 

 

 

O Grêmio venceu. E isso seria suficiente nesta altura do campeonato. Mas o Grêmio não se limitou a vencer. Venceu e voltou a jogar bem.

 

 

Vimos desfilar na Arena o futebol que fez do Grêmio sensação na primeira parte da competição, que havia sido esquecido em algum lugar qualquer do vestiário a ponto de nos levar a perder Roger, técnico que deixou um legado importante à equipe.

 

 

Há algum tempo não via movimentação tão intensa em todas as partes do campo. A troca de passe veloz, o apuro no toque da bola e o deslocamento de jogadores por um lado e outro reapareceram sob o comando de Renato.

 

 

Já disse algumas vezes, que o futebol bem jogado servia-me de consolo mesmo quando o placar não estivesse a nosso favor. Fazia-me sofrer menos. E temia que a mudança de técnico nos levasse de volta àquele futebol sofrido de garra e determinação – lugar comum nos times de coração, mas sem muito talento.

 

 

A passagem de Roger deixou-me exigente. Queria ver o Grêmio lutador de sempre, mas com o futebol qualificado. Nesta noite, liderado por Renato, parte de meu desejo se fez realidade.

 

 

Michael, Walace, Douglas, Ramiro e Luan trocaram passes com qualidade. E dava prazer ver a bola correndo de pé em pé, às vezes de um calcanhar para outro. Os laterais, especialmente Edílson, apareceram para auxiliar o ataque.

 

 

Dentro da nossa área, Bruno Grassi, Geromel e Kannemann seguraram qualquer tentativa de ataque adversário.

 

 

E aqui um parênteses: Kannemann me parece muito com aqueles zagueiros de antigamente, que tinham um missão a cumprir, despachar a bola para longe de seu gol. E cumpriam do jeito que desse, chutando a bola para o lado em que o nariz estiver apontado. Função que faz com maestria.

 

 

Deixei Pedro Rocha por último nesta lista. E não foi por acaso. Quando tenho a impressão de que vamos desistir dele, o atacante aparece. Seja chutando e provocando o rebote; seja rebotando, como, aliás, fez hoje para marcar o único gol da partida.

 

 

Lembrei de entrevista que fiz com o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, em março deste ano, quando comentei que Rocha perdia muitos gols: “mas ele está sempre lá”, disse o dirigente.

 

 

Rocha estava lá mais uma vez e para resolver a partida.

 

 

O Grêmio voltou a brigar em campo e jogar com talento.

 

 

Com a vitória, cola no G6 e a Libertadores está logo ali.

 

 

O Grêmio voltou!

Avalanche Tricolor: nem tão heróico nem tão histórico, mas vencemos!

 

Vitória 0x1 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova

 

0_21233697_l

Jailson e Walace comemoram o gol em foro do Grêmio.Net

 

Foi heróico, quase histórico!

 

Ok, sem exagero. Estou apenas excitado pela tensão do jogo.

 

Não foi exatamente, heróico. Foi sofrido.

 

E sofremos porque tivemos de suportar a pressão de um time disposto a ficar longe da Segunda Divisão – alguns de vocês aí no Rio Grande do Sul sabem bem o que isso significa.

 

E sofremos porque a bola que chegava na nossa área era despachada aos chutões para frente. Às vezes para o lado, outras pra trás. E até de rosca, se preciso fosse. Ou se errássemos o taco, como erramos.

 

E sofremos porque nas muitas chances criadas para abrir o placar, desde os primeiros minutos de jogo, novamente fomos assombrados pelo Monstro do Desperdício (vide a Avalanche anterior). Incrível, como perdemos gols. Sinal que criamos, diria o otimista. É verdade. Mas precisa perder tantos?

 

Não foi exatamente histórico. Foi raro apenas.

 

E a raridade está no fato de vencermos fora de casa. Apenas a terceira vez que conquistamos este feito em toda a competição. A última, lembrou o locutor da TV, foi contra o mesmo técnico de hoje, que, na época, comandava você-sabe-quem.

 

E a raridade também se fez presente no gol marcado. Uma bola alçada para área, a espera que alguns dos nossos a empurrasse para dentro. Nesta temporada toda aproveitamos pouco as cobranças de falta ou de escanteio – lances de bola parada, como costumam definir os comentaristas de futebol. Hoje não apenas deu certo, como havia quatro chegando na linha de frente.

 

O jogo, que nem foi tão heróico nem tão histórico assim, deixou-me excitado de verdade pela disposição mostrada pela equipe. Tinha um pouco de ansiedade em cada chute torto, passe errado ou bico pra longe, mas, também, tinha um desejo de conquistar a vitória e sustentá-la a qualquer custo, o que sempre me anima.

 

Além disso, o jogo de hoje, nem tão heróico nem tão histórico assim, também serviu para mostrar que não desistimos do Campeonato Brasileiro. E a Libertadores pode estar mais próxima do que imaginávamos.

Avalanche Tricolor: tem de combater o Monstro do Desperdício

 

Cruzeiro 1×0 Grêmio
Brasileiro – Mineirão/Belo Horizonte-MG

 

renato_fotor

Renato comanda o Grêmio (Foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA no Flickr)

 

Lá na redação onde trabalho, tem cartazes espalhados por todos os cantos e adesivos colados em pontos estratégicos nos quais a imagem que se destaca é a de um monstro em sua pior versão. Uma imagem horrível e desfigurada, a ponto de ser cômica.

 

O material faz parte dessas campanhas que as empresas costumam realizar periodicamente com o objetivo de incentivar os funcionários a controlarem o desperdício. Dizem que custos é como unha, tem de se cortar a toda hora, pois não param de crescer.

 

A ideia é chamar atenção para a necessidade de se combater o “Monstro do Desperdício” – nome que deram à figura horrenda – evitando gastos com energia elétrica, água, material de escritório e outros quetais.

 

Pois não é que o “Monstro do Desperdício” entrou em campo nesse início de noite de sábado, no Mineirão? E não bastasse estar lá, ainda vestiu a camisa do Grêmio.

 

Aos 2 minutos de jogo, na casa do adversário, que estava amedrontado por outro monstro, o da Segunda Divisão, iniciamos jogada com Wallace Oliveira, que encontrou Ramiro, que passou para Luan, que enfiou a bola para Pedro Rocha. Nosso atacante recebeu a bola em posição legal e por trás da defesa, sem marcação. Bastava ajeitar e bater para o gol. Desajeitou e desperdiçou o primeiro gol.

 

Aos 4 minutos, a bola veio lá de trás, dos pés de Geromel, que acionou Luan, que correu livre em direção ao gol. Ele chegou a driblar o primeiro marcador que apareceu, mas deixou a bola correr para as mãos do goleiro.

 

Aos 10, o adversário sai errado, Luan fica com a bola, tabela com Wallace Oliveira e, mais uma vez, jogamos fora a chance de abrir o placar e escrever de forma diferente a história do jogo.

 

E como o “Monstro do Desperdício” não perdoa, passamos a ser atacados, nossas chances diminuíram e, no fim, pagamos caro com a perde de três pontos que poderiam nos colocar mais próximo do grupo de cima.

 

Assim como o Monstro que nos amedronta lá nas paredes da rádio, no Mineirão privilegiamos a pior versão … no caso a pior versão do futebol proposto por Renato: o chutão – aquele que pode salvar uma defesa, como na partida anterior, mas que em excesso faz sumir qualquer chance de organização no ataque.

 

E como o tema aqui é combater o desperdício. Por favor, não caíamos na tentação de acreditar que o caminho mais curto para a Libertadores é a Copa do Brasil. Nesta, disputamos contra oito clubes uma só chance. No Brasileiro, a possibilidade de estarmos no G5 ainda existe … basta combater o “Monstro do Desperdício”.

Avalanche Tricolor: motivos para sorrir

 

Grêmio 1×0 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

29842090191_de87468c80_z

Elenco comemora gol da vitória em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA, no Flickr

 

Tínhamos 12 minutos do segundo tempo quando Henrique Almeida recebeu a bola do lado direito da área, limpou a jogada e chutou em gol, obrigando o goleiro adversário a se esticar para despachar a escanteio. Soaram aplausos de todas as partes da Arena. Pouco mais tarde, ele deixou o gramado e a maioria dos torcedores voltou a aplaudi-lo, apesar de alguns apulpos.

 

Mesmo sem ter feito muito em campo, além daquele chute já no segundo tempo, e tendo ofendido um grupo de torcedores no meio da semana, durante partida da Copa do Brasil, o atacante recebeu o apoio da torcida na tarde deste domingo.

 

Até Marcelo Oliveira tirado para Cristo nesta temporada pelo baixo rendimento na lateral esquerda foi reverenciado ao receber, antes de a bola rolar, a camisa com o número 100 às costas, simbolizando a quantidade de partidas que disputou pelo Grêmio. Ao fim, depois da entrevista na beira do campo, também foi aplaudido.

 

Pedro Rocha, que muitos queriam ver em disparada mas a caminho do banco, também vaiado no meio da semana, foi aplaudido aos 10 minutos de partida, ao marcar o único gol do jogo, após iniciar jogada de contra-ataque e trocar passe com Wallace.

 

Chamou-me atenção, ainda, a diversão provocada sempre que o placar eletrônico destacava o resultado de jogos dos times que tentam escapar da zona de rebaixamento. Bastava um gol que complicasse a vida do co-irmão, e uma onda repentina de vibração tomava a Arena.

 

Tudo bem, o  nosso gol era mais do que motivo para comemorar. Porém, nos demais momentos destacados nesta Avalanche, tive a impressão de que o torcedor estava mesmo era procurando motivos para ser feliz novamente.

 

A sucessão de derrotas e empates, o despencar na tabela, depois de ter sonhado com o título, e a perda de um dos técnicos mais promissores do futebol brasileiro, geraram um baixo astral nos últimos tempos que afastou o torcedor das arquibancadas.

 

Neste domingo, porém, provavelmente impactado pela classificação à próxima fase da Copa do Brasil da forma como foi conquistada, parecia que se buscava razão para sorrir.

 

E esta será uma das missões de Renato: nos dar motivos para sorrir. Ele precisará contar com 100% da disposição do time. O apoio do elenco pelo que se viu não faltará. Que agora consigamos retomar a bola, dominar o jogo, encaixar o passe, ter mais intensidade na frente, concluir mais e marcar mais, muito mais, gols.

Avalanche Tricolor: gremista acima de tudo!

 

Grêmio 0x1 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

29771345595_4c119c5299_z

Na disputa pela bola, em foto de Rodrigo Rodrigues/GrêmioFBPA no Flickr

 

Era de se esperar pouco para este domingo. Os pontos desperdiçados nas últimas rodadas e a saída de Roger fizeram do Grêmio um coadjuvante no Campeonato Brasileiro. Com interino no comando, um time sem rumo certo e alguns poucos torcedores na arquibancada, não surpreendeu-me o resultado, apesar de sempre achar que alguma coisa possa mudar logo ali adiante.

 

Agora, o que tem me incomodado mesmo é ver que diante de todas as dificuldades, parte daqueles que poderiam mudar a história gremista está mais preocupada com seu futuro político do que com o destino do time na temporada.

 

No site tricolor – talvez por força da burocracia- , a principal notícia é a eleição para o conselho que vai ocorrer sei lá que dia. Na televisão, torcedores desfilaram vestindo camisetas com adesivos nos quais o relevante era o número da chapa que apóiam. Nos poucos blogs gremistas que visito, o bate-boca na área destinada aos comentários é de cunho eleitoral.

 

Lamento se tenho dificuldade em entender o momento político que o Grêmio enfrenta. E peço desculpas se sou incapaz de interpretá-lo de maneira correta. Tendo a desconfiar, porém, que parte da crise técnica que encaramos nas últimas rodadas do campeonato esteja relacionada a essa tensão dentro do clube.

 

Sei pouco sobre quem comanda, comandou ou quer comandar o Grêmio. Mas sei que uma boa ou má administração influencia no resultado final. Lembro, por exemplo, que, em passado recente, a forma irresponsável com que nossas contas foram administradas – em alguns casos irresponsabilidade que andou de mãos dadas com a má-fé – destruíram o clube e nos levaram à segunda divisão. Portanto, o que acontece no gabinete chega ao vestiário.

 

Se erro na avaliação, por favor, culpe a visão romântica que sempre pautou meu olhar sobre o Grêmio. Apesar de ter vivido muito tempo bem próximo dos bastidores, fui torcedor forjado na arquibancada, que se apaixonou pelo time que havia em campo e pela entrega daqueles atletas orgulhosos de vestir a camisa tricolor. Por isso, ainda me espanto quando vejo estes embates políticos se sobrepondo aos interesses do time. Antes de desperdiçarem esforços para comprovarem suas teses e alcançar o poder, deveriam todos lembrar que temos de ser gremistas acima de tudo.

 

Eu sou! E continuarei sendo, jogo após jogo, independentemente de quem seja o presidente de plantão e qual grupo político que o apoie. Se for do Grêmio, pode ter certeza, eu torço para dar certo! 

Avalanche Tricolor: merecíamos a vitória

 

Grêmio 0x0 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

29584121686_ec9ebf59a3_z

Guilherme e Batista de olho na bola, em foto de RODRIGO RODRIGUES/GREMIOFBPA

 

Fomos melhores do que o adversário. E, especialmente, melhores do que vínhamos sendo. 

 

Fomos consistentes na defesa, setor que preocupava por motivos óbvios. A transição para o ataque também funcionou. Chegamos com mais rapidez lá na frente. E não faltaram oportunidades para marcar. 

 

A bola voltou a rolar na grama e a movimentação da equipe tinha uma lógica em campo. O passe nem sempre foi no ponto certo e o chute foi um pouco além do necessário. A ansiedade em fazer o gol talvez tenha impedido jogadas mais precisas.

 

Merecíamos a vitória.

 

Nada disso nos fez somar três pontos na tabela de classificação, é verdade. E nessa fase pontos são fundamentais para não deixar os da frente se desgarrarem. Precisamos manter todos os cinco adversários diretos na nossa mira para mantermos as chances de dar o bote na hora certa.

 

A partida era em casa e somamos apenas um ponto. Também é verdade. Mas esse ponto valeu pelo futebol jogado. Já obtivemos empates com um nível bem abaixo do que vimos neste fim de domingo.   

 

Depois dos últimos acontecimentos, principalmente do desastre no meio da semana, o que precisávamos era saber se a equipe voltaria a ter equilíbrio e tranquilidade. Tivemos mais equilíbrio do que tranquilidade.

 

Mas, repito, precisávamos ver de volta o Grêmio de Roger com os fundamentos que o diferenciaram nesta competição. Vimos um esboço daquele Grêmio e a esperança de que nosso técnico será capaz de nos colocar novamente no caminho certo.

 

O campeonato está aberto e eu sigo acreditando. Desistir é para os fracos.

 

Você é um deles? Eu, não!