Avalanche Tricolor: a teoria do omelete se confirmou

 

Grêmio 1×2 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Edinho tenta sair jogando (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

Edinho tenta sair jogando mas tem dificuldade para driblar o omelete (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

 

Já falei pra você da teoria do omelete? Provavelmente, não. Aproveito o domingo, então, para dividir com você esta tese muito particular que venho construindo há algum tempo. Costumo lembrar dela nas manhãs dominicais quando acordo bem mais cedo do que toda turma aqui em casa, vou para a cozinha e começo a preparar meu café. Mudo muito pouco o cardápio matutino, dando preferência para o café preto, duas xícaras, normalmente, e um omelete (tem quem prefira chamá-lo de a omelete). Pode variar a quantidade de ovos e a mistura. Às vezes faço experiências nem sempre com sucesso. Mas me divirto diante do fogão, aliás, momento raro no meu cotidiano pois tendo a ser um desastre cozinhando.

 

Vamos, porém, ao que interessa: a teoria do omelete. Você deve saber que depois de despejar os ovos batidos com um fio de leite na frigideira, o que o deixa “espumoso”, cobrir com frios e salpicar a mistura do dia – pode ser azeitona, cebola picada, tomate cortado bem fininho ou qualquer outra coisa que aparecer na frente – deve-se esperar o momento certo para virar o omelete. Com a mão direita bem posicionada e dedos firmes envolvendo o cabo é necessário um movimento rápido e preciso que permita que a massa de ovos já consistente suba a meia altura, vire de cabeça para baixo e caia novamente na frigideira. Manobra que, você que já fez um omelete há de confirmar, nem sempre é feita com sucesso.

 

É no momento da virada do omelete que minha tese se concretiza. Porque se no início do domingo, quando a maioria das pessoas ainda dorme, os bichos me acompanham da porta da cozinha com olhar preguiçoso e os santos ainda aguardam nossos pedidos na parede da Igreja, o omelete sobe, vira e desce no ponto certo, sem sujar nada no fogão, eu tenho certeza de que aquele será um domingo especial. Um dia de satisfação com a família, sem visita de gente chata, pouco trabalho extra e, claro, uma vitória no futebol da tarde.

 

Tem domingo, porém, que a virada do omelete é feita sem muita firmeza, pega-se o cabo de forma desajeitada, o movimento para o alto sai inseguro, e o ovo despenca pelas bordas da frigideira, lambuzando o fogão por inteiro. Ao assistir à esta cena e antes mesmo de correr para pegar o pano de prato e tentar limpar a sujeira feita, fico sempre com a impressão de que alguma coisa vai dar errado naquele domingo. Coisas como o goleiro titular que está voltando ao time depois de três jogos ter torcicolo e não conseguir entrar em campo; o zagueiro que vinha realizando uma sequência de atuações perfeitas e acaba de servir sua seleção errar todos os botes que tinha para dar durante a partida; o craque da equipe tropeçar na bola; e a equipe que se destaca pelo toque refinado e marcação impecável errar mais de 40 passes no jogo e ser incapaz de segurar os contra-ataques adversários.

 

Acho que não preciso dizer para você o que aconteceu com o meu omelete nessa manhã de domingo. Mas, tudo bem: vou continuar tentando acertar meu omelete e jamais deixarei de acreditar no Grêmio.

Avalanche Tricolor: futebol campeão!

 

Corinthians 1×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians

 

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

 

O intervalo de tempo entre o fim da partida e a escrita desta Avalanche me ofereceu a oportunidade de ratificar pensamento que foi sendo construído no decorrer do jogo na noite de ontem. Naquelas entrevistas feitas na beira do gramado quando os jogadores ainda tentam recuperar o ar e, imagino, a maioria sequer consegue fazer uma reflexão mais profunda sobre o que aconteceu em campo, ouvi de um dos nossos, se não me falha a memória foi o goleiro Tiago, a afirmação de que o empate teria tido sabor de derrota. Imagino que o pensamento se deva ao fato de, jogando na casa do adversário, termos saído na frente no placar para depois cedermos o empate. Justificável a frustração, pois os três pontos fariam uma tremenda diferença e nos ofereceriam uma vantagem incrível na disputa pelo título.

 

Obrigado a ir para cama logo após a partida, por motivos mais do que descritos nestas Avalanches, deitei com aquela frase na cabeça. Durante todo o jogo, minha sensação tinha sido bem diferente, mesmo após o gol de empate, tomado em bola cruzada na área e de cabeça – o que, aliás, não me surpreendeu em nada. Pela maneira madura e qualificada com que o Grêmio se apresentou, a estratégia ofensiva imposta durante toda a disputa, sem abrir mão da marcação forte e precisa, exercida mesmo nos minutos finais quando o cansaço já deveria ter tomado conta do time, além do talento demonstrado por alguns jogadores gremistas, assisti ao jogo com satisfação e orgulho.

 

Em nenhum momento senti o tal sabor de derrota até porque o empate, na casa do adversário, impediu que o líder se desgarrasse na ponta, manteve a mesma diferença de pontos e nos deixou vivo na disputa do título – sim, porque eu vejo o Grêmio com esta pretensão, independentemente dos desfalques e dificuldades que a dupla jornada – no Brasileiro e na Copa do Brasil – gera à equipe.

 

Durante toda a manhã de hoje, a reação que vi de torcedores adversários, em São Paulo, apenas confirmou meu pensamento. O Grêmio saiu de campo ainda mais respeitado do que entrou. Àqueles que apenas ouviam falar do nosso futebol e assistiam à arrancada em direção ao topo da tabela, tiveram a revelação do que nós, que acompanhamos o Grêmio onde o Grêmio estiver, já sabemos há algum tempo: o time montado por Roger é um time campeão, independentemente do que conquiste neste campeonato.

Avalanche Tricolor: faltam seis pontos para chegar ao topo

 

Grêmio 2×1 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

Só faltam seis….sim, é isso mesmo, só faltam seis pontos para chegar ao topo.

 

Não, você não está enganado, não! Eu comecei mesmo a contagem regressiva para alcançar a liderança do Campeonato Brasileiro. É provável que você, caro e raro leitor desta Avalanche, estranhe esta minha abordagem. Logo eu, sempre tão comedido, cuidadoso com as palavras, jamais querendo colocar a carroça na frente dos bois – como costumavam dizer antigamente -, estou aqui fazendo projeções tão otimistas?

 

Sei que pode parecer estranho e arriscado, diante do tamanho do desafio e da força dos adversários que disputam o título, mas a partida desta tarde de domingo, teve elementos que me proporcionaram esta confiança.

 

Comecemos pelo fato de que eram oito pontos de diferença do líder antes de a partida se iniciar. Apenas nossa vitória não seria suficiente para nos aproximar do topo da tabela de classificação. Havia a necessidade de os adversários, que continuo tratando com o merecido respeito, cederem dois ou três pontos para a contagem começar. E deu certo. Talvez por linhas tortas, é verdade. Mas foram essas mal traçadas linhas em campo que me trouxeram tal confiança.

 

Hoje, encarávamos mais um daqueles times que estão na categoria “touca” do Grêmio. Confesso desconhecer a origem da palavra, mas imagino que venha da expressão “marcar touca” que significa bobear diante de uma situação qualquer. No futebol, “touca” são aqueles times que, por uma razão não muito bem justificada, costumam ser difíceis de vencer. É sempre contra eles que bobeamos.

 

Para não desmerecer o título que carrega, o adversário, contra toda a lógica da partida, na qual o Grêmio tinha mais de 70% da posse de bola, jogava no ataque, tinha um pênalti à sua disposição e vantagem numérica em campo, graças a expulsão do zagueiro oponente, conseguiu se safar de um gol, com a cobrança de Douglas no poste, e, na segunda jogada de ataque em todo o primeiro tempo, marcar o seu de cabeça. Só mesmo o futebol e seus deuses alucinados para explicar essas distorções. Convenhamos que sequer podemos reclamar deles – os deuses -, pois os mesmos já conspiraram muitas vezes a nosso favor.

 

Em campo, estavam todos os elementos indispensáveis para as coisas darem errado ao tricolor. O histórico contra o adversário era apenas um deles. O pênalti desperdiçado e o gol tomado estavam ali, também, para ajudar a construir esse drama. Bem antes disso, no vestiário, Roger já havia tido a necessidade de montar uma equipe com muitos desfalques e alguns imprescindíveis, que começavam no gol, passavam de forma cruel por dentro da nossa área e se estenderiam até o comando do ataque com nosso goleador e craque Luan mais uma vez cedido para jogar sei-lá-o-que e por sei-lá-quem.

 

A retranca justificável que viríamos a enfrentar no segundo tempo apenas tornaria mais complicada nossa tarefa, pois a falta de espaço atrapalha o toque de bola e impede que o nosso jogo se desenvolva com naturalidade. Quando os times se fecham muito, o ideal é ter um atacante fincado lá na frente a espera de uma espirrada de bola. E nós não o temos.

 

Foi, então, que minha esperança começou a surgir de maneira mais concreta. Pois ficou claro que Roger pediu paciência aos nossos jogadores. Insistiu para que eles não desistissem de jogar como têm jogado desde que ele assumiu o comando da equipe, aliás contra este mesmo adversário, no primeiro turno, quando, só pra justificar o título de “touca”, lembro agora, empatamos.

 

Seguimos mantendo o domínio da bola e acelerando o passe para dar velocidade ao jogo na expectativa de uma brecha para chutar. E não esperamos mais de seis minutos para que isso acontecesse, em jogada que se iniciou na nossa defesa e com uma visão incrível de jogo do zagueiro Geromel – que baita zagueiro, amigo! – que encontrou Everton partindo para o ataque isolado no meio de campo, que viu Bobô se deslocando para a ponta esquerda, de onde cruzou para encontrar Douglas dentro da área. Nosso maestro precisou de apenas um toque para desviar a bola e fazer aquilo que não havia conseguido na cobrança de pênalti.

 

O gol de empate não seria suficiente para tirar a “touca” do caminho e ainda fez o adversário fechar-se mais, o que exigiu nova dose de paciência e muitos passes trocados até encontrar outras oportunidades de gol. Uma foi para fora, a outra ficou perdida entre os zagueiros e houve uma em que o goleiro teve de fazer um milagre.

 

Coincidência ou não, a jogada do segundo gol se iniciou novamente na defesa, desta vez no desarme de Willian Schuster que substituíra o combalido Maicon. Passou pelos pés de Giuliano, Douglas e Yuri Mamute antes de se apresentar para Everton, que, mesmo com o ângulo fechado, conseguiu encontrar um espaço entre as pernas do goleiro adversário e o travessão, onde a bola se chocou antes de entrar. Iria para fora em outros tempo. Desta vez, não!

 

Com os três pontos retomados, restou-nos fazer a bola correr de pé em pé para reduzir o risco de uma nova surpresa. Verdade que ainda passaríamos por um grande susto que me parece ter ocorrido apenas para que pudéssemos ver o nosso goleiro Tiago se redimir das saídas desvairadas que costuma dar sempre que a bola é cruzada na área. Fez uma defesa que mereceu comemoração de punhos cerrados, os dele e os meus.

 

O time mostrou maturidade apesar de todas as mudanças na escalação e adversidades que nós próprios construímos. Superou o histórico e suas fragilidades. Venceu nosso ceticismo e espantou a assombração desta “touca” em momento oportuno.

 

Só faltam seis pontos para chegarmos ao topo.

 

PS: por falar em contagem regressiva,alguém sabe quantos jogos faltam para Erazo voltar?

Avalanche Tricolor: futebol eficiente leva o Grêmio a mais uma vitória

 

Figueirense 0 x 2 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli (SC)

 

O primeiro gol de Bobô (imagem: site oficial do Grêmio)

O primeiro gol de Bobô (imagem: site oficial do Grêmio)

 

Houve um tempo em que iniciava esta Avalanche antes mesmo do apito final e arriscava um raciocínio, sempre em favor do nosso time, é claro, que poderia ser desmentido no chute a gol a seguir. O tempo, a prudência e a apreensão me desestimularam a persistir neste hábito. Esta noite, porém, talvez pelo primeiro gol marcado tão cedo, a mão coçou e o desejo de começar a escrever antes do fim da partida me fez abrir o computador e ensaiar este parágrafo. Ainda estava 1 a 0 quando iniciei-o, parei duas ou três vezes, assustado por alguns ataques do adversário e vacilos da defesa, mas não me contive ao ver o segundo gol se concretizar.

 

Curiosamente, comecei esta partida sem a mesma ambição de jogos anteriores, talvez desconfiado da capacidade de nosso elenco que seria mais exigido do que em qualquer outra oportunidade neste campeonato. Por lesão, por cartão e por convocação entramos em campo sem cinco importantes jogadores: três que fazem parte da nossa fortaleza, Marcelo, Erazo e Maicon; um maestro, Douglas; e o craque e goleador, Luan. A tarefa não seria fácil, mesmo porque estaríamos jogando fora de casa e diante de um daqueles adversários que sempre causam problemas, dada a rivalidade regional.

 

A despeito de todos esses problemas que poderíamos ter, conseguimos uma vitória importante. Uma importância forjada pelas nossas próprias carências. Soubemos entendê-las e superá-las, mesmo que alguns dos substitutos não se mostrassem a altura dos titulares. Foi, contudo, no padrão jogado pelo Grêmio de Roger que chegamos ao primeiro gol. Pois se é verdade que o fizemos após cobrança de escanteio, também é verdade que o escanteio foi resultado de intensa troca de passes e movimentação de nossos jogadores pelo lado esquerdo. Já quanto ao escanteio, destacam-se o cruzamento de pé esquerdo de Maxi e o cabeceio de Bobô, dois dos que estavam entrando no time.

 

Estávamos construindo pouco e destruindo muito, impedindo o adversário de jogar com um sistema defensivo coeso. Quando erramos feio, consertamos, haja vista a defesa feita por Bressan no lance em que não tínhamos mais goleiro para nos defender. Nosso zagueiro, outro dos substitutos, bem que poderia ter comemorado como se fosse um gol. Foi, então, que mais uma vez o futebol ensinado por Roger fez a diferença em campo. No contra-ataque, com pouco mais de cinco toques, rápidos e precisos, e o deslocamento de nossos jogadores, Pedro Rocha apareceu na frente do goleiro adversário para fazer aquilo que nos esperamos dele: concluir em gol.

 

Nesta noite, não fizemos muito, mas fizemos o suficiente. E a vitória deixa o Grêmio mais próximo do líder, encostado no vice-líder, e, principalmente, muito mais consolidado na vaga para a Libertadores.

Avalanche Tricolor: um empate no caminho do Tri

Grêmio 0x0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Assim como a história se constrói no tempo, um campeonato – especialmente de pontos corridos – se ganha no desempenho geral. Neste domingo, no qual nossa história foi relembrada, com as celebrações de 20 anos pelo Bi da Libertadores, conquistamos um ponto no Brasileiro. Ter somado os três possíveis, especialmente por estarmos jogando em casa e contra adversário supostamente mais frágil do que a maioria que está na disputa, seria o ideal para quem pretende se aproximar do topo da tabela. Porém, adepto da ideia de que o feito é melhor do que o perfeito, lamentar o desperdício de pontos é desperdício de tempo. Temos de enxergar o campeonato em perspectiva e, convenhamos, o iniciamos sem muita pretensão, em processo de desmonte de time e de sonhos. Hoje, estamos na disputa e temos uma equipe que joga com dignidade e qualidade. Se é verdade que marcamos passo na busca da liderança, também o é o fato de que consolidamos nossa posição entre os três primeiros e, especialmente, no G4, que nos devolve a Libertadores.

 

Estar em campo tão cedo e sob forte calor causou desgaste físico e prejuízo técnico, principalmente para uma equipe que se atreve a disputar ao mesmo tempo e com chances de título as duas competições mais fortes do futebol brasileiro. A maioria dos jogadores em campo sequer havia descansado do jogo duro de quinta-feira à noite, pela Copa do Brasil, e se viu obrigada a acordar cedo e sofrer diante da alta temperatura registrada neste inverno tropical. A maratona que, lembremos, algumas equipes têm o privilégio de não disputar, faz com que a perna pese mais e o passe perca precisão, o chute saia sem direção ou com força desmedida, e a marcação dê o bote fora da hora, o que resulta em mais risco à defesa, faltas e cartões. Era visível que, ao sol do meio-dia, a saúde dos jogadores dava sinais de estafa e os músculos começavam a reivindicar uma parada.

 

De volta, porém, ao que disse no início desta Avalanche: uma história se constrói com o tempo e um campeonato se ganha no conjunto da obra. O Grêmio foi bi da Libertadores com um empate na final contra o Nacional de Medellin, no Estádio Atanasio Girardot, na Colômbia. Talvez poucos se lembrem, mas nas quatro primeiras rodadas daquela competição havíamos perdido na estreia, empatado duas e vencido apenas uma partida, resultados que talvez tivessem espantado a esperança de qualquer outro torcedor. O que se seguiu, porém, colocou o Grêmio em outra dimensão, encaixamos uma sequência de goleadas e vitórias históricas até alcançarmos o título.

 

Se quiser jogar a toalha, jogue você. Eu – e o Grêmio, também – seguimos na luta, principalmente pelo Tri na Libertadores.

Avalanche Tricolor: Geromel e Erazo, zagueiros que conquistaram nosso respeito

 

Ponte Preta 0x0 Grêmio
Brasileiro – Moisés Lucarelli,Campinas/SP

 

Geromel e Erazo_Collage

 

Em uma manhã na qual abdicamos de jogar bola seja pelo horário, pelo gramado, pelo calor, pela maratona que estamos enfrentando ou, e imagino que este tenha sido um dos principais motivos, pelo próprio adversário, ao qual vencemos poucas vezes na casa dele, vou dedicar esta Avalanche a dois jogadores que têm merecido nossas atenções há algum tempo, mas que, pela correria das vitórias e bons resultados, costumam ficar em segundo plano diante do desempenho de nossos homens de meio de campo e ataque.

 

Geromel, confesso, soube que vestia a camisa do Grêmio, no início do ano passado, quando me atrevi a jogar o Fifa 2015, no Xbox, com os meus meninos . Fui surpreendido com aquele zagueiro recém-chegado ao clube fazendo parte dos titulares na formação automática do jogo eletrônico. O curioso era ver a perfomance dele no meu time. Com escore mais avançado que a maioria dos demais, sempre aparecia em destaque e, inclusive, fazendo gol. Geromel havia se transformado em meu ídolo digital, sem jamais tê-lo visto em campo pelo Grêmio. Naquela época, o defensor, que havia rescindido seu contrato com o Mallorca, da Espanha, e não encontrara lugar no clube ao qual pertencia, o Colônia, da Alemanha, acabara de ser emprestado ao tricolor. Demorou para se firmar como titular e, principalmente, para, no futebol de verdade, me fazer confiar nele tanto quanto confiava no futebol virtual. Às vezes, parecia desengonçado ao despachar a bola para longe. Outras, me dava a impressão de que era muito estabanado na marcação e fazia faltas desnecessárias. Claramente, não era um zagueiro para botar a bola no chão e sair jogando com seus companheiros. Hoje, atua como poucos nesta posição e se transformou no ponto de segurança de uma equipe cada vez mais atacada por seus adversários.

 

Erazo chegou ao Grêmio neste ano. E dele mais havia ouvido falar do que havia assistido jogar. Sabia que deixara o Flamengo porque não passava muita confiança para o torcedor. E do que fazia na defesa do Equador, a única referência era seu apelido: “El Elegante”. Nesse futebol publicitário que temos, convenhamos, os apelidos que acompanham alguns atletas não estão a altura de sua performance. Que o digam os “matadores”, “gladiadores” e “guerreiros” que vestiram nossa camisa. Emprestado ao Grêmio pelo Barcelona de Guayaquil, as primeiras participações dele neste ano não me ofereciam grande expectativa. Seria apenas mais um reserva para Rhodolfo, este sim carregando na braçadeira de capitão todo nosso respeito. Por força das negociações, transformou-se em titular e torcer pelo sucesso dele era o que nos restava. Com uma tranquilidade que causa angústia e precisão que nos oferece confiança, o zagueiro equatoriano conquistou minha admiração. Foi bem no Gre-Nal, foi bem na partida seguinte, e o mesmo se repetiu nos demais jogos, e mais uma vez foi dos melhores do time. Por cima, tira o que pode, por baixo desarma com firmeza. Soube, hoje, que ainda não recebeu cartão amarelo, o que para mim é algo que não combina com a função que exerce no campo, mas se é capaz de fazer tudo que faz e ainda levar consigo esse mérito, que assim seja para todo e sempre.

 

Nossos dois zagueiros titulares, Geromel e Erazo, cresceram com o Grêmio e, hoje, são a garantia de que se as coisas não estiverem muito bem do meio para frente, eles estarão lá atrás para evitar um estrago maior. Foi o papel que cumpriram nesta manhã de domingo ao segurarem o empate que nos permitiu seguir na disputa do título e distante de ser ameaçado no G-4. Minha torcida é que eles sigam nesta evolução, mas que se mantenham como coadjuvantes em um time em que os astros têm de brilhar e voltar a marcar gols.

Avalanche Tricolor: a essência de ser gremista

 

Grêmio 2 x 1 Joinville
Brasileiro – Arena Grêmio

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Só quem não é gremista ou esqueceu o que é ser, imaginava que após duas vitórias retumbantes no Campeonato Brasileiro, teríamos um resultado tranquilo apenas porque estávamos diante de nossa torcida e enfrentávamos um time da zona de rebaixamento. Sem dúvida, a goleada no clássico regional, domingo passado, e a conquista alcançada na casa do adversário, que disputa o título diretamente com a gente, na última quarta-feira, seriam motivos de sobra para acreditarmos que os três pontos desta rodada eram favas contadas. Perdão, mas o Grêmio não joga com a lógica do futebol. E o torcedor do Grêmio tem consciência disso. Se não o tem, está na hora de aprender a lição. Nascemos e escolhemos torcer por esse time porque o sofrimento nos torna maior, mais gremistas ainda.

 

Tudo bem, apesar dessa saga histórica que enfrentamos, não esperávamos um time tão apático no primeiro tempo. Tão distante daquele futebol que encantou nas últimas rodadas. Parecia queremos dar razão aos críticos que ainda põem em dúvida a qualidade técnica do Grêmio e a capacidade de disputar o título. Erramos o que não vínhamos errando ultimamente: na forma de marcar, de pressionar a saída de bola e de partir em velocidade. E deixamos de acertar o que foi nosso grande diferencial nas duas últimas vitórias: o passe.

 

Sei que agora é fácil escrever, mas se nada dava certo no primeiro tempo – nosso único mérito foi contar com a sorte – tinha esperança de que no vestiário as coisas se ajeitariam. Minha esperança era Roger. Têm falado muito das qualidades estratégicas dele e da maneira como conseguiu mudar a forma de jogarmos futebol e recuperou alguns jogadores que estavam desacreditados. Essa é uma obra que se realiza no cotidiano dos treinos e foi nele que ajustou a equipe, reposicionou jogadores e implantou o estilo moderno que vemos em campo. Hoje, porém, Roger foi colocado à prova, pois precisaria mudar o ânimo e o jogo nos poucos minutos que tinha entre o primeiro e o segundo tempos, no intervalo da partida. E conseguiu.

 

O Grêmio que voltou do vestiário foi o Grêmio que nos tem feito vibrar neste campeonato. Era um time completamente diferente já no primeiro minuto quando partiu para cima do adversário com força, velocidade e prudência. Curiosamente, nossa virada se deu por caminhos que não costumamos trilhar: na cobrança de escanteio, aproveitada por Erazo, e na de falta muito bem batida por Galhardo. “Fizeram gols de bola parada”, dirão alguns na tentativa de desmerecer nosso resultado. Ledo engano. Fizemos gols porque a equipe voltou para o segundo tempo convencida, por seu técnico, da qualidade e força que tem, e sabendo de que ambas somente fariam diferença se executadas à exaustão.

 

Daqui pra frente será sempre assim. Somos um dos times a serem batidos pelos adversários. A cada partida estaremos disputando uma decisão. É bem possível que algum revés apareça. Portanto, é bom que você esteja preparado, pois ainda haverá muito sofrimento até a conquista final. Essa é a essência de ser gremista!

Avalanche Tricolor: que venha o Gre-Nal!

 

Fluminense 1×0 Grêmio
Brasileiro – Maracanã (RJ)

 

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Já disse nesta Avalanche que de futebol costumo entender tanto quanto qualquer outro torcedor apaixonado por um clube que, provocado pelo coração, distorce os fatos em campo e retorce a verdade a seu favor. Jamais daria, por exemplo, aquele segundo cartão amarelo a Wallace – que nos custou o jogo, ao nos deixar em menor número em um gramado com aquelas dimensões – e, sem titubear, teria tirado o vermelho para o carrinho que o camisa 10 deles deu em nosso zagueiro quando, mesmo em menor número, continuávamos levando perigo ao gol adversário. Teria sinalizado impedimento no lance que os levou a marcar o único gol da partida, mesmo que a linha digital da televisão me provasse por A mais B que a posição era legal. Como disse, sou apenas torcedor. Também apitaria sem perdão o pênalti em Edinho quase no fim da partida que poderia nos levar ao empate. Aliás, para apitar esse não precisava ser um torcedor, bastava um pouco de boa vontade e precisão até porque – e a televisão provou isso – houve puxão na camisa do nosso volante.

 

No entanto, não estou aqui para falar do futebol em si, mas de um tema sobre o qual tendo a entender um pouco mais até porque, como diria meu pai, o diabo sabe mais por velho do que por diabo. Quero falar de comunicação, para a qual me dedico há cerca de 30 anos e foi assunto central de livro que lancei recentemente: “Comunicar para liderar”, pela Editora Contexto (momento jabá). E falo hoje, especificamente, da comunicação dos jogadores, pois, creia ou não, os considero geniais. Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, deva estar estranhando esse meu elogio, afinal as entrevistas ao fim das partidas por muitas vezes são motivos de deboche, dada a repetição de frases feitas e expressões sem muito sentido que nossos “craques da palavra” usam para atender as perguntas dos repórteres.

 

Agora, vamos pensar com carinho. O cara passa 90 minutos correndo atrás da bola, disputando cada pedaço do gramado, recebendo botinada de uns e dando botinadas nos outros, cai no chão, se levanta, corre de novo, ouve vaia do torcedor, bronca do professor e não desiste. Ao fim e ao cabo, sai de campo derrotado (ou não) e, sem chance de recuperar o fôlego, já é alvejado com uma pergunta do jornalista. Convenhamos, às vezes alvejado com cada pergunta que pelo amor de Deus! Sem pestanejar, o cara tem de responder de bate pronto.

 

Coloque-se no lugar dele e pense se você seria capaz de articular alguma frase depois de passar pelo que ele passou em campo? Tem doutor que estuda, planeja e treina para falar bem e quando é perguntado, em uma entrevista programada e sem estresse, diz um monte de asneira. Tem autoridade que decora a fala e se dá mal. O jogador é obrigado a responder ali, no calor da emoção, mal conseguindo puxar o ar. E nós queremos que ele diga algo espetacular, com início, meio e fim, e que ainda faça algum sentido?

 

O incrível é que, na maioria das vezes, eles se saem bem, sem se comprometer. Não aprofundam muito na análise do jogo, mas resumem as coisas com uma frase que acaba virando manchete em seguida. No sábado, aliás, um dos nossos se saiu muito bem, inclusive foi melhor nas palavras do que na bola jogada. Refiro-me a Edinho que, ao lado do campo, após ter corrido dobrado na ausência de um de seus colegas e perdido três pontos importantes, foi perguntado sobre o fato de ter sido derrotado e já ter que encarar um Gre-nal na próxima rodada. Poderia ter concordado com o ar de dificuldade que a jornalista usou na pergunta, mas, não, nosso volante com a sutileza que lhe é peculiar tascou: “ainda bem que tem um Gre-nal!”.

 

Ou seja, que bom que teremos uma partida importante para disputarmos, um clássico pela frente, pois é a oportunidade para se mostrar grande, vencer e crescer na tabela de classificação, antes que seja tarde. Faço minhas as palavras de Edinho. Que venha o Gre-nal!

Avalanche Tricolor: apesar do empate

 

Grêmio 1×1 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Maxi está de volta ao time (Foto Grêmio Oficial no Flickr)

Maxi está de volta ao time (Foto Grêmio Oficial no Flickr)

 

Torcedor quer ganhar sempre. E eu sou torcedor. Quero a vitória a qualquer custo e em qualquer circunstância. Esse fascínio pela vitória porém não é suficiente para me fazer praguejar empates como o da noite deste sábado.

 

Sei que era jogo contra adversário direto. Sei que saímos na frente. Sei, também, que tivemos próximo do gol que nos deixaria colado do líder, no Campeonato. E, provavelmente, é por saber de tudo isso que não saio frustrado.

 

Há jogos em que ganhamos com futebol sofrido. Hoje, jogamos futebol bonito. Bem jogado na maior parte do tempo. Fomos punidos com um gol exatamente na parte ruim, quando corremos atrás da bola em lugar de mantê-la no pé.

 

Com a bola de pé em pé e trocada com precisão. Com gente passando por um lado e gente passando pelo outro. Com drible e velocidade. Com a velha marcação de sempre. Fizemos jogo de gente grande e potencial de título. É isso que me dá tranquilidade, apesar do empate.

 

Quero ganhar sempre, mas sabemos que nesta competição não bastam vitórias mal-feitas. Essas são ilusórias. Garantem três pontos hoje, mas representam pouco a longo prazo. A conquista do título, que afinal é o que queremos mesmo, vem com jogo sustentável. E assim temos sido no Brasileiro deste ano.

 

Temos que fazer consertos no meio da área, principalmente, pois pelo alto seguimos enfrentando dificuldade. Lá na frente, talvez chutar com mais precisão a gol para aproveitar melhor as chances que criamos. E encontrar alguém com aquele jeito de matador. Do tipo que sai do banco para resolver o jogo.

 

Que a vitória seria importante para a campanha, não tenho dúvida. Mas vou curtir o fim-de-semana com tranquilidade, pois estamos na disputa e com futebol consistente.

 

A lamentar: a covardia da regra que segue a dar poderes ditatoriais ao árbitro

Avalanche Tricolor: eu já fiz a minha escolha

 

Criciúma 0 (3)x(4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Heriberto Hülse/Criciúma (SC)

 

Time comemora classificação com Grohe (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

Time comemora classificação com Grohe (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

 

Decidir nos pênaltis estendeu minha noite para além do prudente, mas o resultado final fez a espera valer a pena, e acordar ainda de madrugada nessa quarta-feira não foi um fardo para este “trabalhador do Brasil”. Aliás, meus amigos Dan, Teco e Zé, colegas do Hora de Expediente,no Jornal da CBN, ressaltaram a felicidade emitida na voz a despeito do cansaço, durante o programa de hoje. Motivos não faltaram, pois, em campo, não disputávamos apenas uma vaga à próxima fase da Copa do Brasil, precisávamos mostrar a nós mesmos que os resultados positivos da gestão técnica de Roger não haviam sido ocasionais. O revés na primeira partida, em casa, também dava munição aos que ainda não confiam na capacidade dele e, principalmente, na da equipe em apresentar futebol qualificado e diferente. E se os sintomas ruins persistissem, eu temia pelo reflexo no restante da temporada, principalmente no Brasileiro.

 

Mesmo diante de um estádio cheio e provocativo e de um time bastante motivado, com outro jovem e criativo técnico no comando, que tinha a vantagem do empate para seguir em frente, o Grêmio demonstrou personalidade, impôs seu jeito de jogar e soube encontrar o ponto de equilíbrio entre a coragem e a prudência. Há quem entenda que fomos adiante por acaso, com um gol sem querer, alguns lances de sorte no decorrer da partida e a ajuda da imprecisão na cobrança de pênaltis do adversário. Análise muito aquém do que realmente fizemos na noite de terça-feira quando demonstramos, antes de mais nada, a capacidade de reação do time.

 

O gol de Pedro Rocha, por exemplo, foi resultado da movimentação constante dos jogadores de meio e de ataque mais a precisão na troca de passes, que aumenta consideravelmente quando Douglas está inspirado. Mesmo não estando com sua melhor formação, o que nos leva a pensar na necessidade de reforços para o setor,a defesa se comportou com a firmeza exigida e contou com Marcelo Grohe em seus melhores dias. Nos pênaltis, aliás, Marcelo foi genial e não vê-lo como o principal responsável pelas cobranças desperdiçadas do adversário é uma tremenda injustiça com o baita goleiro que nós temos.

 

A propósito, já que demos mais um passo à frente na Copa do Brasil,antes que alguém me pergunte, antecipo-me a dizer: quero, sim, que o Grêmio deposite todo seu esforço na conquista desta competição, apesar de disputá-la em paralelo com o Campeonato Brasileiro. Ainda não é hora de abrir mão dessa ou daquela competição. Temos de jogá-las dispostos a fazer o nosso melhor a cada partida e cobrar que a diretoria ofereça a Roger um elenco com capacidade de suportar o desgaste da sequência de jogos. Entre a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, eu já fiz a minha escolha: ganhar sempre. Ou, lutar sempre para ganhar!