Avalanche Tricolor: calma, o domingo vem aí!

 

Grêmio 0 x 0 Juventude
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Três jogos seguidos na Arena e nenhuma vitória (pior, duas derrotas). Sete jogos jogados no Campeonato Gaúcho e apenas um oitavo lugar na competição, o que mal-e-mal nos assegura entre os classificados à próxima fase. Todos esses malogros são resultado de coisas ruins que têm marcado nosso desempenho dentro de campo. Defesa desarrumada, risco de gol a todo ataque adversário, falta de objetividade no avanço do time e produção pífia no ataque é o que assistimos à cada partida, independentemente do time escalado. E tentativas do técnico para encontrar o time certo não faltaram: é lateral de zagueiro e meio-campo na lateral; volante mais à frente, um dia com mais um ao seu lado na função e no outro com mais dois. Sem contar a turma do nosso ataque que muda para direita, muda para esquerda, muda a dupla, vende a dupla e, tanto faz uma dupla ou outra, nada acontece. Tem ainda as cobranças de escanteio que não encontram a cabeça dos nossos homens na área e as de falta que não encontram destino algum.

 

Justiça seja feita, mesmo diante dessa lista de horrores, ontem à noite, ainda se ensaiou um futebol um pouquinho melhor, especialmente no segundo tempo. Troca de bola mais curta e mais rápida e um razoável esforço para que as coisas deem certo, o que sempre gera esperança. Houve momentos em que até acreditei que a bola entraria, mesmo que empurrada, por insistência nossa ou falha deles. Passou perto uma, duas vezes. E nada de gol. Jogaram a bola para dentro da área e na falta de alguém melhor para colocar para dentro acabava sempre nas mãos do goleiro adversário. Na última bola, mais uma esperança. Agora vai! Alguém mete o pé e desvia para a gente comemorar uma sofrida vitória? Bem que se tentou, mas, os pés se atrapalharam. Bola para fora, de novo.

 

O futebol não dá certo, as mudanças não dão certo, os chutes e o cruzamento também não. Nada está dando certo! Quando parece que vai dar certo, lá vem a China! E cadê o diabo da nossa Imortalidade? Foi então que encontrei o fio de esperança que sempre me move mesmo nos piores momentos do Grêmio: domingo tem Gre-Nal.É isso! Se nada está dando certo até aqui é por que algo melhor estão nos reservando. Só pode ser isso. É a nossa penitência na busca da felicidade suprema. Eu sempre tenho no que acreditar. E é nisso que resolvi acreditar.

 

E você? Vamos acreditar juntos e até domingo!

 

A foto que ilustra este post é do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: só um pouco de esperança, pode ser?

 

Grêmio 0 x 1 Veranópolis
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Lá se foram algumas horas, uma noite inteira e a manhã de domingo já se iniciou antes de começar a escrever este texto que costumo entregar após as partidas do Grêmio. O jogo foi ontem ao fim da tarde, em pleno Sábado de Carnaval, o que, ainda bem, motivou apenas 9 mil torcedores a ir ao estádio. Ninguém merecia passar pelo que eles passaram. Alguns, como eu, interromperam suas atividades, para sentar diante da televisão e acompanhar a mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho. Além de torcer, por razões que não preciso explicar neste espaço, vejo os jogos na busca de um bom gancho – como os jornalistas se referem aos assuntos que os inspiram em um texto – para a Avalanche que teimo em escrever. Pode ser uma jogada bacana cometida por alguns dos nossos. Pode ser uma bela defesa que impediu o gol matador. A abnegação dos que suam a camisa e se entregam como eu faria se estivesse dentro de campo. No meu caso, me entregaria de corpo e alma, mesmo porque futebol não teria muito para entregar. Gosto também de encontrar na reação do torcedor o tema para o texto. Os closes que a câmera flagra durante a transmissão às vezes são simbólicos: a mão no rosto demonstrando sofreguidão, o casal de namorados que nos revela que tem coisa mais importante na vida do que a bola rolando, ou a criança entusiasmada de estar em um estádio de futebol, apesar de os jogadores terem esquecido de levar o futebol para o estádio.

 

Começo a me preocupar mesmo é quando a partida está chegando ao fim e quase nada encontro que valha a pena uma escrita. Pior ainda: quando o que assisto dá raiva e me leva a praguejar contra Deus e todo mundo (leia isso apenas como uma expressão, por favor!). Será que terei de fazer uma Avalanche cheia de ódio neste coração tricolor? E quem será o alvo deste ódio? Os jogadores que estão ali tentando se entender um com o outro? O veterano que, com a bola no pé, tenta encontrar alguém solto para recebê-la? Os guris que mal saíram de casa e já se exige personalidade de líder e decisão de gente grande? Coitados, são todos promessas de um bom futebol, mas que podem desaparecer no emaranhado da mediocridade. Quem sabe falo mal do técnico que escalou a todos? Mas ele escalou o que tinha para escalar, pois mais não encontrou no elenco. Poderia começar, então, pelos diretores que fizeram do clube uma feira livre, onde quem chegar com dinheiro no bolso leva. Mas eles, pelo que parece até aqui, também são vítimas deste cenário triste que estamos passando, pois tentam acertar as contas que foram corroídas nas gestões anteriores. Eu digo a você que não sei bem quem as corroeu, pois se tem coisa que detesto no futebol é prestar atenção no jogo da cartolagem que, pelo que já percebi, está cheio de torcedor envolvido.

 

Confesso que se desgosto do desempenho do time que está em campo, gosto menos ainda de ficar esculachando todo mundo. Sempre tento acreditar que alguma coisa acontecerá para reverter a situação. Quem sabe um desses jogadores que são sempre apresentados como esperança de bom futebol, deixem de ser apenas uma esperança e passem a jogar futebol de verdade? Ou o atacante que está há alguns anos no banco de reserva a espera de sua chance, sem nunca ter mostrado nada que lhe fizesse merecê-la, de repente desembesta, acerta o pé e todas a bolas que costumam ir para fora tomem a direção do gol? Fico a espera que o cobrador de faltas, aquele que, é o que dizem, fazia gol nos times em que jogou antes de vestir a camisa do Grêmio, consiga concluir em gol as cobranças de falta. E que o zagueiro que disputou a Copa do Mundo como titular consiga ao menos não tropeçar na bola. Minha torcida, como você percebe, sequer é por performances arrebatadoras. Resultados brilhantes. E vitórias heróicas. Quero pouco, muito pouco. Só um pouco de esperança! E se vier com futebol, melhor!

 

Em tempo: quando vejo que até o redator do ClicRBS tropeça feio na língua portuguesa ao flexionar o verbo haver para dizer que não existiram cartões vermelhos no jogo, percebo que a vida não está fácil para ninguém ….

 

Estatistica

 

A foto do alto deste post é do álbum do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: paciência, muita paciência!

 

Grêmio 0 x 1 Brasil de Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Ganha uma, perde outra, ganha uma, perda outra …! Paciência! Assim será por algum tempo e enquanto estivermos em construção. No time, muitos jogadores novos e muitos novos jogadores. Alguns apesar de recém-chegados, estão apenas voltando. Há os velhos conhecidos, também. Essa mistura impõe tremendo desafio em um início de temporada. Especialmente, em uma temporada como esta na qual o Grêmio além de acertar a equipe em campo terá de acertar as contas no banco. Com essa receita, esportiva e financeira, não é possível esperar resultados extraordinários.

 

Verdade que eu esperava bem mais do que assistimos na noite de hoje, principalmente por estarmos jogando em casa. Mas, convenhamos, parece que o tal fator casa tem pesado muito pouco a nosso favor desde que nos mudamos para o Humaitá. Não que eu não goste do novo estádio, não! Nada disso. É um orgulho saber que aquela é a nossa nova casa. Apenas ainda não conseguimos criar um clima favorável, que impactasse o adversário – exceção a alguns raros momentos. Parece que os times vão jogar na Arena como se estivessem em campo neutro, mesmo com o grito forte da torcida no ouvido. Nos últimos dois jogos que fizemos em Porto Alegre, por exemplo, até as torcidas adversárias se motivaram a ocupar seu espaço. A impressão é de que todos se sentem confortáveis por lá. Conforto para os torcedores nas arquibancadas eu entendo e concordo, mas dentro de campo …!?

 

Hoje, vimos mais uma vez alguns ensaios de boas jogadas, uma ou outra iniciativa individual e raríssimas chances de gol. E se não as criarmos, teremos que contar com a sorte. Esta, porém, costuma estar do lado dos que mais acertam passes, jogam pelos flancos, se movimentam com velocidade e lutam incessantemente. Por enquanto, a luta da maioria dos nossos é com a bola e para se manter entre os titulares. E enquanto isso não mudar, será este ganha uma, perde outra, ganha uma, perde outra …! Paciência, muita paciência!

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: a maldição dos goleadores

 

 

Avenida 1 x 3 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Santa Cruz do Sul

 

 

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Foi-se o tempo em que partidas pelo interior do Rio Grande do Sul me provocavam grandes emoções. Já falei aqui que o acanhamento dos estádios e a precariedade da infraestrutura oferecida para se jogar bola são desanimadores. O dos Eucaliptos, em Santa Cruz, não é muito diferente do que estamos acostumados a ver por aí no Campeonato Gaúcho. Nada, porém, que me tire o desejo de assistir ao Grêmio em campo e, claro, vencendo. Por isso, não faltaria ao compromisso desse fim de tarde de domingo. Com os minutos contados no relógio, interrompi o trabalho que tem tomado todo meu tempo neste começo de ano, sobre o qual já conversamos na Avalanche que marcou o início da temporada 2015, para me postar, animadamente, diante da televisão.

 

 

Para minha surpresa e, imagino, para muitos dos torcedores gremistas, logo ficamos sabendo que Marcelo Moreno estaria no banco de reservas, preservado pelo fato de fazer parte de mais um negócio com a China, mesmo destino de Barcos, nosso goleador nas temporadas 2013 e 2014. A história parecia se repetir, pois quando o argentino entrou em campo em seu último jogo, os jornalistas diziam que seria seu último jogo, mas ninguém confirmava a informação oficialmente. Naquela oportunidade, estreia no Gaúcho, deixaram com que nos deliciássemos mais alguns minutos com o talento de Barcos e comemorássemos com ele os dois gols marcados para depois entregá-lo ao futebol chinês.

 

 

Desta vez, parece que Felipão resolveu pensar em testar soluções para os problemas que terá no resto da temporada do que apostar em mais um jogador que está de saída. Como vimos, teve de mudar de ideia, pois apesar de ver seu meio campo se movimentando bem, com dribles e trocas de passes mais precisos do que nos jogos iniciais, além de algumas enfiadas de bola dentro da área, pouco se produziu no ataque. Chutes a gol foram raros no primeiro tempo de partida, mesmo quando já tínhamos um jogador a mais em campo. No momento em que o juiz decidiu equilibrar as forças usando de forma indevida os cartões amarelo e vermelho a situação ficou ainda mais complicada.

 

 

O jeito foi chamar Moreno que entrou ao lado de Everton que, aliás, está merecendo um lugar entre os titulares. Assistimos à outra partida de futebol, com a bola chegando dentro da área e encontrando um atacante de ofício, daqueles que sentem o cheiro do gol. Moreno tentou uma, tentou duas, tentou três vezes até que na quarta o zagueiro adversário se assustou e fez contra. De tanto tentar conseguiu fazer o seu gol ao concluir de cabeça cruzamento dentro da área. Fez do jeito que se espera que os atacantes façam. Correu para a torcida, beijou o distintivo e agradeceu os gritos de “Fica!”. Ao fim do jogo disse que tudo vai depender da diretoria. Talvez me engane e tomara que realmente esteja enganado, mas creio que assistimos ao último jogo de Moreno com a camisa do Grêmio, também.

 

 

Entendo as dificuldades financeiras que nos levaram a desconstruir a equipe do ano passado e contratar jogadores modestos para as posições que necessitavam algum reforço. Entendo que se deva investir nos talentos que surgem nas categorias de base; e temos visto alguns jogadores ensaiando bons desempenhos como foi o caso de Lincoln na partida de hoje. Minha dúvida apenas é a quem vamos recorrer no próximo jogo para finalizar em gols as jogadas criadas no meio de campo? Talvez seja melhor mesmo que não apareça nenhum goleador típico. E nos contentemos com vitórias enxutas baseadas em gols aleatórios de um zagueiro, de um chute à distância do volante ou quem sabe das trapalhadas dos adversários. Pois corremos o sério risco de nos animarmos com um novo goleador um dia e nos despedirmos dele no outro.

 

A foto deste post é do álbum do Grêmio Oficial no Flickr
 

Avalanche Tricolor: Parabéns ao Inter!

 

Inter 4 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Centenário (Caxias do Sul)

 

Você, caro e raro leitor deste Blog, talvez estranhe o título desta Avalanche sempre disposta a identificar do lado gremista méritos, inclusive quando estes praticamente não aparecem. A paixão que tenho pelo Grêmio, declarada desde sempre e escancarada em qualquer oportunidade que surge, me faz, mesmo diante dos maiores fracassos, fechar os olhos para nossas fraquezas e identificar como heróicos lances insignificantes. Quantas vezes, você já deve ter colocado em dúvida minha razão por elogios ao chutão que despacha a bola pela lateral, ao carrinho destemido de um dos volantes, à coragem do atacante que, isolado, briga aos trancos e barrancos com seus marcadores. Nunca fiz questão de escrever estas linhas com a razão, prefiro deixar este papel para os entendidos em futebol, aqueles que enxergam os times pela formação tática e posicionamento em campo, que tentam dar lógica para movimentos de um jogo que é, na essência, improvisação. Eles é que têm de justificar o bom e o mau futebol, apesar de muitas vezes não me convencerem com o que dizem e escrevem. Seja lá como for, não estou aqui para reclamar dos comentaristas, e é bom voltar logo para a origem desta minha conversa, antes que você abandone meu texto imaginando que esteja sofrendo alucinações (convenhamos, não faltariam motivos para tal). Estou aqui é para justificar a manchete deste post em espaço sempre destinado ao azul, branco e preto. E o farei com mais precisão e sem delongas no parágrafo seguinte.

 

O Inter fez por merecer o título que conquistou em mais esta temporada do futebol gaúcho. Desde o início da competição liderou seu grupo com boa vantagem em relação a seus adversários diretos, a ponto de encerrar a fase inicial com a melhor pontuação, o que lhe ofereceu o direito de jogar as partidas finais em casa, se não em sua própria casa, que passa por reformas, ao menos naquela que escolheu jogar. Apesar de não ter os números em mãos, e prefiro não acessar os sites de futebol para confirmá-los (peço-lho licença para não fazer isto neste fim de domingo, por razões que me parecem óbvias), sei que o melhor ataque do campeonato foi o colorado; se não teve a melhor defesa em número de gols tomados, era, sem dúvida, a mais bem postada e organizada. Chegou à decisão tendo vencido todas as partidas nas quais disputou com o time titular, a única derrota em toda a competição foi quando atuou com os reservas. Foi assim até a final, onde fez dois jogos impecáveis. O primeiro venceu de virada na casa do tradicional adversário e o segundo, desfilou em campo. Como diriam os mais antigos do futebol, fechou com chave de ouro e fez a volta olímpica no Estádio Centenário, de Caxias do Sul, no interior, diante de pouco menos de 20 mil torcedores. O Inter foi grande no campeonato estadual e mereceu ser campeão pela quarta vez consecutiva, no Rio Grande do Sul. Poderia até ser rebatizado de Interregional.

 

O Grêmio segue firme e forte na Libertadores.

Avalanche Tricolor: que os deuses do futebol me perdoem

 

Grêmio 1 x 2 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Deus escreve certo por linhas tortas, dizia minha mãe sempre disposta a me consolar diante do revés e mostrar que teríamos de aprender com nossos erros. Seriam esses os sinais divinos enviados para amenizar a dor da derrota e lhe dar caráter pedagógico. Você, caro e raro leitor deste blog, sabe muito bem das minhas restrições quanto a misturar religião e futebol, por entender que o Cara lá em cima tem muito mais coisa para se preocupar do que interferir nos resultados em campo. Por isso, se o objetivo é escrever de bola rolando (ou rolada), como costumo fazer nesta Avalanche, melhor prestar atenção nas lições oferecidas não por aquele Deus superior que alguns de nós acreditamos (eu, inclusive), mas nos deuses do futebol, aqueles que, recentemente, foram clamados pelo técnico Mano Menezes, do Corinthians, para rogar praga sobre o arquirrival São Paulo (parece que deu certo). São eles que sempre me dão esperança de dias melhores, que me fazem acreditar na Imortalidade que marca nosso time, mesmo diante de todas as dificuldades.

 

Como tenho uma certa intimidade com os deuses do futebol, eles costumam me confidenciar segredos que devem ser guardados até a revelação final. Desta vez, porém, perdoem-me senhores, serei obrigado a contar aquilo que vocês sussurraram em meu ouvido assim que se encerrou o Gre-Nal na tarde deste domingo. E faço está inconfidência pois imagino que muitos torcedores gremistas estejam tristes com o placar desfavorável na primeira partida da final do Gaúcho, principalmente por saberem que terão duas semanas de espera até o jogo da volta – bem verdade que neste tempo todo teremos coisas bem mais importantes a fazer, como confirmarmos a classificação à próxima fase da Libertadores nos dois jogos que faltam nesta fase de grupos. Sobre isso, porém, falaremos na quarta-feira à noite. Como sei que muitos de vocês estarão cabisbaixos na segunda-feira, quebrarei meu pacto com os deuses de futebol. Eles me garantiram que o resultado ruim de hoje tinha a única intenção de convencer os dirigentes adversários a abrirem seu estádio, que será reinaugurado semana que vem, para o Gre-Nal final, coisa que não aconteceria se a conquista do título regional estivesse ameaçada. Diante da vantagem do gol qualificado e a possibilidade de perderem o título apenas se o Grêmio fizer dois gols de diferença, levarão o jogo para o Beira Rio, vão se preparar para a festa, colocarão o champanhe na geladeira, se vestirão de arrogância e, com o cenário pronto para a tragédia final, a Imortalidade Tricolor ressurgirá mais uma vez.

 

Só uma coisinha a mais da minha conversa com eles: um dos deuses que conheço, metido a dar palpites técnicos e táticos, me disse também que para a palavra deles se concretizar não podemos repetir o segundo tempo dessa tarde, pois o futebol não perdoa apáticos nem prepotentes da mesma forma, aliás, que eu não perdoo os idiotas racistas que seguem a manchar as arquibancadas. Que tirem a camisa tricolor ao tomar essas atitudes, pois nós não os queremos. E vocês não nos merecem.

Avalanche Tricolor: pelo direito de ser aquele garoto mais uma vez

 

Grêmio 2 x 1 Brasil-Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Havia um menino, desses que entram em campo de mãos dadas com os jogadores, que me chamou atenção no momento em que o Grêmio ainda cumprimentava sua torcida. Estava com a camisa tricolor, calções pretos, meias brancas, vestido de jogador. O cabelo tinha o mesmo corte (estranho) usado por Pará, e ficou ao lado dele boa parte do tempo, o que me faz crer que o lateral gremista seja um dos seus ídolos, assim como também é um dos meus. Não foi o estilo da cabeleira, porém, que fez o garotinho se destacar em meio a tantos mascotes que acompanharam o time na saudação inicial. Com o menino havia um sorriso sincero e emocionado, que brilhou ainda mais quando, com os braços erguidos, imitou o gesto dos jogadores. O olhar voltado para a arquibancada era de uma alegria contagiante. Deveria estar ali imaginando que todos os gritos e aplausos com que os torcedores recepcionaram o time fossem para ele. Deve ter por alguns segundos sonhado que assim que o árbitro soasse o apito, ele é quem estaria correndo atrás da bola, driblando os adversários, chutando a gol, livrando seu time dos perigos com cabeceios lá no alto e carrinhos rente à grama. Sei lá o que estava pensando aquele menino, mas me fez relembrar as vezes em que meu pai me ofereceu a oportunidade de ter as mesmas sensações ao entrar em campo de mãos dadas com Loivo, Anchieta e tantos outros craques que admirei.

 

De volta à arquibancada, o garotinho de cabelo estranho e rosto tomado pela alegria deve ter comemorado com seus pais ao ver Dudu, jogador com tamanho e apelido de menino, furar o mais complicado bloqueio defensivo que já enfrentamos nesta temporada e dar início a vitória que nos levou à final do Campeonato Gaúcho. Saltitou sem conter a emoção quando percebeu que o talento de Luan, outro dos nossos meninos, que já havia sido decisivo no primeiro gol, seria capaz de superar a mais violenta marcação que encarou na sua carreira com a camisa tricolor e, sem tituberar, roubar a bola, driblar dois zagueiros, o goleiro e fazer o gol que sacramentou nossa conquista. Aquele menino, o da torcida, com certeza sofreu nos minutos finais diante da possibilidade de um revés, fechou os olhos nas bolas alçadas para nossa área e vibrou com as bolas despachadas lá de dentro. E voltou a sorrir, se emocionar, quem sabe chorar, quando o jogo se encerrou e todos seus desejos (ou quase) se concretizaram nesta noite de futebol.

 

Eu, assim como ele, também me emocionei, vibrei, sofri e sonhei. Sonhei em ter o direito de ser aquele garotinho ao menos mais uma vez.

Avalanche Tricolor: três gols de Barcos e a vitória de um grande time

 

Grêmio 3 x 0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

O primeiro veio por cima após excelente cruzamento de Pará; o segundo da marca do pênalti, resultado de belo passe de calcanhar de Dudu para Wendell; e o terceiro exigiu talento para driblar o goleiro, depois de mais uma jogada de Dudu, desta vez em parceria com Luan. Barcos fez os três gols desta classificação às semifinais do Campeonato Gaúcho, e merece todo nosso aplauso e admiração, mas sabe que o mérito é da equipe. A vitória desta tarde de domingo, em Porto Alegre, foi de um elenco que tem sido capaz de superar a maratona de partidas, o cansaço e as lesões. Um time que tem muito talento com a bola no pé, troca passe com precisão, se movimenta com rapidez, varia as jogadas, tenta por um lado e pelo outro, até encontrar espaço na defesa adversária. Da mesma forma, marca com firmeza, desarma com força quando necessário, despacha a bola pela lateral se preciso e não dá chance para o adversário pelo alto. Hoje, até ter a partida decidida, Marcelo Grohe praticamente não foi exigido. E quando o foi, mostrou porque temos tanta confiança nele.

 

Estar nas semifinais do Campeonato Gaúcho não passa de obrigação, sem dúvida. Qualquer coisa que não seja o título estadual, significará muito pouco à torcida. Temos, contudo, que admitir que tem sido cada vez mais agradável ver o Grêmio jogando com talento e firmeza, reflexo da forma como o time está montado e comandado por Enderson Moreira. Os gritos do treinador ao lado do campo mesmo quando a goleada era certa, deixa evidente a seriedade e responsabilidade com que encara cada desafio. Para quem busca nesta temporada os títulos que almejamos não se pode mesmo baixar a guarda. Enderson tem nos oferecido esse entusiasmo e permitido o desfile de ótimos jogadores que muitas vezes entram no decorrer da partida para nos dar a certeza de que se for preciso reforço, não nos faltará.

Avalanche Tricolor: é de pequeno que se aprende

 

Grêmio 3 x 0 Pelotas
Gaúcho – Estádio do Vale (Novo Hamburgo)

 

 

Muitos anos depois, voltei a praticar golfe, nesse sábado. Sinceridade? Praticar não é a palavra certa. Fui lá no campo tentar acertar na bolinha com o mínimo de jeito. Foi sofrível. Algumas tacadas sem destino nem classe deixaram evidente a necessidade de treinar muito antes de me arriscar à frente de amigos e conhecidos. Um deles tentou me convencer que o fato de ter me iniciado no esporte mais tarde (mais velho, quis dizer) torna a tarefa complexa, principalmente por não me dedicar como deveria nem buscar orientação de um professor para corrigir vícios: não se preocupe, dá pra aprender ainda, me incentivou. Tenho certeza que a garotada de casa, que começou bem mais cedo a jogar golfe, mesmo sem treinar com frequência, se voltar aos tacos não encontrará dificuldade. Os jovens conseguem se adaptar muito mais rapidamente e não esquecem os gestos aprendidos quando criança. Por isso se costuma dizer que nunca se esquece como andar de bicicleta. Se aprende quando pequeno. Ao crescerem, somam ao hábito à experiência e alcançam bons resultados.

 

Vamos deixar o golfe e a bicicleta para outra oportunidade, mesmo porque o espaço aqui se dedica a falar de futebol, especialmente o do Grêmio, time que, por sinal, teve como grande mérito, na tarde deste domingo, a juventude. Decidido a descansar os titulares para a difícil tarefa do meio de semana, quando enfrentaremos o Newell’s Old Boys, na Argentina, pela Libertadores, Enderson Moreira escalou time bastante jovem com média de idade de 21 anos – segundo os cálculos do matemático Osvaldo … nada disso, segundo a minha calculadora mesmo. O adversário já rebaixado, mesmo sendo tradicional e retrancado, só foi capaz de segurar a meninada no primeiro tempo quando o esforço gremista era desperdiçado em bolas alçadas para dentro da área – muitas sem destino definido, parecendo minhas tacadas no dia anterior – para tentar encobrir o ferrolho que o técnico visitante montou. No segundo tempo, porém, colocou-se ordem na casa e os meninos brilharam, em especial Jean Deretti, 20 anos, que entrou e marcou dois gols, decidindo a classificação em primeiro lugar no grupo, o que nos permitirá decidir em casa a vaga à semifinal do Campeonato Gaúcho. No primeiro, aproveitou jogada iniciada por Everaldo, 22 anos, e no segundo de Yuri Mamute, 18 anos. Coube a um garoto mais novo ainda concluir a goleada: Everton, de apenas 17 anos, que chutou a gol depois de novas participações de Everaldo e Mamute.

 

Apesar de o jogo ter dado a aparência de treino, foi muito bom saber quantos jovens estão prontos (ou quase) para representar o Grêmio. Alguns dos que estiveram em campo com o time devem, inclusive, se juntar a delegação que vai para a Argentina e, se não saírem como titulares, podem entrar no segundo tempo. Dudu, 22 anos, Alan Ruiz, 20 anos, além do próprio Jean Deretti são exemplos de jogadores novos que têm condições de desequilibrar a partida e ajudarem o Grêmio a voltar com a liderança do Grupo da Morte, na Libertadores.

 

Seria ótimo que estes meninos aprendessem desde pequeno a serem campeões pelo Grêmio.

 

Foto: Bruno Alencastro/Agência RBS

Avalanche Tricolor: torcendo contra o racismo

 

Grêmio 3 x 1 Passo Fundo
(São Luiz 2 x 2 Grêmio)
Campeonato Gaúcho

 

 

Escrevo antes mesmo de a partida deste domingo ter se iniciado, pois, convenhamos, se é para falar de jogo jogado, o que nos interessa, nesta maratona que encaramos, é a quinta-feira, dia 13 de março, quando teremos o New’s Old Boys como adversário, na Arena Grêmio. Independentemente dos resultados desses últimos jogos, inclusive o de sexta-feira, sobre o qual sequer dediquei uma Avalanche – apesar de todo o meu respeito aos jogadores que estiveram em campo – , temos é que repetir o desempenho que entusiasmou o torcedor, na próxima rodada da Libertadores. O Campeonato Gaúcho, por enquanto, está bem resolvido com nossa presença garantida na fase eliminatória. Antecipo-me na escrita mesmo porque o assunto ao qual quero me dedicar pouco tem a ver com a bola rolando e muito mais com que nós somos ou queremos ser.

 

Hoje cedo, na missa dominical, na paróquia da Imaculada Conceição, próxima de casa, encontrei o Pe. Jose Bertoloni, meu conterrâneo e torcedor do Grêmio. E posso lhe garantir que frequentar as missas de um padre gaúcho e gremista, aqui em São Paulo, não passa de coincidência (eu juro que é uma coincidência). Ele acabara de celebrar a cerimônia e, como sempre fazemos, trocamos algumas rápidas palavras de despedida. Ao contrário das vezes anteriores, porém, o recado do Pe Bertoloni não tinha o tom otimista que sempre emprega quando se refere ao nosso Grêmio. Ele me chamou atenção para a tristeza que sentia desde que soube, pela rádio CBN, do incidente racista que havia ocorrido em Bento Gonçalves, cidade em que nasceu e onde alguns dos seus parentes ainda moram. Imagino que você tenha ouvido falar dos insultos proferidos contra o árbitro Márcio Chagas da Silva por torcedores do Esportivo, durante partida contra o Veranópolis, no estádio Montanha dos Vinhedos, pelo Campeonato Gaúcho, quarta-feira à noite. Além de chamá-lo de macaco, alguns estúpidos sujaram com bananas o carro do árbitro que estava estacionado do lado de fora do estádio. O acontecimento se deu um dia antes de torcedores do Mogi Mirim usarem as mesmas palavras ofensivas contra Arouca, do Santos, no interior paulista.

 

É bem provável que os dois casos que mancharam a semana futebolística avancem pouco, quando muito serão publicados alguns artigos reprovando a atitude dessas pessoas, proferidas palavras de apoio às vítimas e, na melhor das hipóteses, alguma punição sem consequência será anunciada. Sem precisar muito esforço, vamos nos lembrar do que aconteceu com Tinga, do Atlético Mineiro, alvo de ofensas racistas, em partida contra o Real Garcilaso, no Peru, pela Libertadores. Faz pouco mais de um mês e até agora os torcedores e o clube não sofreram nenhuma sanção. Independentemente do que vier ocorrer, porém, é fundamental que esses casos nos ajudem a refletir sobre estes atos inaceitáveis. É preciso entender que isto não é parte apenas do futebol, pois não se leva para a arquibancada comportamento diferente daquele que cultivamos no nosso cotidiano. Acreditar que existe uma conduta no estádio e outra na rua é querer esconder um desvio grave da nossa sociedade que pode ser percebido no mercado de trabalho e na sala de aula, apenas para ficar com dois exemplos mais conhecidos.

 

Como o futebol, porém, é um componente importante na formação do caráter da sociedade brasileira, e não apenas consequência deste, se poderia usar o esporte para corrigir este comportamento, assim como Nelson Mandela fez com o rugby para reduzir diferenças profundas que persistiam na África do Sul pós-apartheid. Nos discursos oficiais, há uma tentativa de transformar a Copa do Mundo no Brasil em um grito contra o racismo, mas será preciso muito mais do que isso. Os clubes poderiam começar a educar seus torcedores sobre o papel primordial dos negros na nossa história. Lá mesmo em Bento Gonçalves, cenário de cenas racistas na quarta-feira, no início do século passado, surgia o primeiro clube genuinamente negro a excursionar pelo interior gaúcho, batizado, aliás, com o nome da cidade. Como gremista me orgulho de saber que a estrela dourada que faz parte de nossa bandeira oficial é homenagem ao lateral Everaldo, tricampeão mundial pelo Brasil, assim como o hino que cantamos foi escrito por Lupicínio Rodrigues – dois ícones negros em suas artes.

 

A tristeza do Pe. Bertoloni deve ser compartilhada por todos nós que acreditamos na igualdade e no respeito ao próximo, mas tem de ser seguida por atitudes afirmativas. É preciso estarmos convencidos da ideia de que, sim, somos brancos, somos pretos, e, no caso dos gremistas, também somos azuis.