Como impedir que SP gaste R$ 50 bi em congestionamentos

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo no site da revista Época SP

 

Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio

 

Os congestionamentos já custam R$ 50 bilhões por ano para a cidade de São Paulo e o bolso dos paulistanos, conforme estudo da Fundação Getúlio Vargas. A instituição calculou o que deixamos de fazer e produzir enquanto estamos travados no trânsito, assim como os gastos com combustível, manutenção de veículos, poluição gerada e doenças provocadas. O incrível na conta é que o custo tem dobrado a cada quatro anos, coincidentemente período completo de uma gestão no Executivo. O difícil é saber que um prefeito só jamais dará conta do recado, sendo necessárias ações de longo prazo. Antes que Fernando Haddad, que assume em janeiro, veja na afirmação anterior uma justificativa para deixar a coisa como está, deixo claro que as soluções que nos levaram a uma mudança no futuro têm de começar imediatamente.

 

No plano de governo, aprovado por parcela da população, há a previsão de se construir o que foi batizado de Arco do Futuro, conjunto de ações que pretendem mudar a lógica de crescimento de São Paulo aproximando a casa dos paulistanos do local de trabalho. A intenção é criar esta oportunidade a cerca de 1,3 milhão de moradores dos bairros entre São Mateus e Itaquera. A principal mudança deve ocorrer na Avenida Jacu-Pessego, na zona leste, que seria transformada em pólo comercial e industrial. Haddad acredita que com isenções fiscais conseguirá levar empresas para a região. Avaliar o tipo de emprego a ser criado para atender as demandas das novas economias e do conhecimento que circula nos extremos da cidade é fundamental, sob o risco de criar vagas para uma mão de obra que não existe..

 

Vai ter de ir além.

 

Ampliar o sistema de trilhos na cidade – e para tal precisará planejar a extensão ao lado do Governo do Estado -, abrir corredores de ônibus sem medo de estreitar a passagem de carros, rever a entrada de veículos em algumas regiões, oferecer espaços saudáveis para a circulação de bicicletas e pedestres, investir em tecnologia para melhorar a engenharia de trânsito, são apenas algumas das soluções que fazem parte deste elenco de medidas.

 

Este projeto exigirá coragem, compromisso e dinheiro.

A Viagem ( final)

 

Por Sérgio Mendes

 

Leia aqui o 1º capítulo de “A Viagem”

 

Leia aqui o 2º capítulo de “A Viagem”

Leia aqui o 3º capítulo de “A Viagem”

 

Naquela posição, ninguém ainda tinha percebido direito o que acabara de acontecer e a sensação de que meu pai daria outra vez a partida e continuaríamos, persistiu até que ele saiu do carro. Após submergir de nossas vistas na janela, emergiu com aquela cara de ‘hum, hum’ que eu nunca mais me esqueci. O eixo traseiro estava partido em dois, e as rodas dobraram se sobre ele fazendo a traseira do carro abrir as pernas fora do asfalto. Nós e o corcel amarelo em pleno Cerrado, frente e verso traspassados pela estrada a perder de vista dos dois lados. Então, saímos todos do carro e nos reunimos numa sessão do conselho diretor para discutir o que faríamos.A conclusão foi que um dos adultos seguiria de carona até a próxima cidade para buscar socorro, e os demais montariam guarda na estrada pra assegurar que o tal socorro tivesse a quem socorrer na chegada.

 

Assim se fez e assim aconteceu!

 

As horas a partir de então, foram uma sucessão de generosidade anônimas e o esvaziamento total das reservas familiares. Por causa disso, a viagem se completou com suas ultimas 24h a bordo da nave da mamãe.

 

O socorro chegou com o socorrista que depois de um exame minucioso na fratura exposta, igualmente emergiu a nossas vistas do outro lado do carro, com a cara de ‘hum, hum’ escondida detrás dos óculos de fundo de garrafa. Não conseguiu nos assustar por que a cara já tínhamos visto! Conversa vai, conversa vem, e nós em silêncio acompanhando o ping-pong. Hora olhando para um lado, hora para o outro.

 

Depois de muita exclamação e de cada um dos três partícipes naquela negociação dar umas duas ou três coçadinhas na própria cabeleira, chegaram a um acordo: o mecânico rebocaria o nosso corcel, providenciaria outro osso igualzinho e ainda faria o implante a troca de todos os centavos que nos restasse naquela altura do campeonato!

 

Demos o ping-pong por encerrado.

 

O socorrista, com ares de sabe-tudo e muito boa vontade, amarrou bem amarrado o eixo do nosso corcel e nos montou a todos, exceto o meu pai, na garoupa do seu próprio pangaré e fomos rebocados até o seu hospital de pangarés na entrada da cidade mais próxima. Meu pai ficara no nosso carro, apenas manobrando.

 

Ao chegar, apearam o paciente e entraram com ele para a mesa de operação. Do lado de fora da janela do CTI, quatro pares de olhos pequenos, arregalados, não perdiam uma só cena daquele capítulo final. Estávamos esticados e de pé, cada um esticado como era possível, é claro, obedecendo as curvas na coluna impostas pelos últimos dias.

 

Uma senhora que acompanhara nosso drama desde a chegada do comboio( pangaré partido e pangaré resgate) nos ofereceu sua casa para o pouso enquanto providenciavam outro eixo de outro pangaré partido em algum outro lugar. Dormiríamos aquela noite na casa dela.

 

No dia seguinte pela manhã, a peça chegou e o implante foi completado. Depois de um café com pão, leite e muito amor, estávamos de volta ao asfalto ou o que se pudesse chamar aquilo sob o carro, nas ultimas horas da nossa aventura. Prosseguimos nossa viagem pelo restante de estrada que faltava. A maior parte do tempo em silencio.

 

Nem mais a caixa do meu piano, nem as dores no corpo, nem as tensões pelo esgotamento quase completo de todo dinheiro disponível eram maiores que a vontade de chegar. À noite daquele último dia, passamos em um outro posto de combustível junto de uma porção de caminhões e seus caminhoneiros a quem meu pai contou a nossa história. Logo estávamos outra vez cercados do apoio de gente nossa, no meio de um mar de caminhões. Dormimos no carro.

 

Pela manhã, mais café com pão e estrada.
Então, já dentro do Mato Grosso.
Chegar em casa agora, era uma questão de horas.

 

Por volta das 16h, eu entre acordado e dormido e com meu pescoço curvado, por castigo sentado no meio do banco, avistei as luzes da nossa cidade. Lembro de tentar acordar minha tia e que ela me respondeu com um sopapo como se pensasse aquilo ser só mais uma brincadeira de mau gosto.

 

Me deixa dormir! Ela resmungou sem acreditar que a viagem chegara ao final. Mas logo as luzes invadiram o carro e todos os ainda dormidos despertaram. Como era boa aquela sensação!

 

As ruas que faltavam até o fim, eram bem conhecidas e mais um par de curvas, avistamos a praça da vila militar. Foi minha mãe quem abriu o portão e recolhemos o carro. Ninguém nem tocou e nada dentro dele. Só queríamos sair e reencontrar a casa.

 

Na manhã seguinte a nossa chegada, antes que os demais acordassem, fui eu quem me encarreguei de desmontar a cangalha. Não tive impulsos de dirigir o corcel e desmontei os fardos colocando as coisas no chão. Tudo tão indispensável que em uma noite, ninguém precisou de nada guardado dentro dele.

 

Pra que fique bem gravado na memória:

 

‘Nunca subestime nossa capacidade de acumular tranqueiras.’
Ao abri-lo, a fechadura respondeu bem e destravou a porta.

 

Soube depois que o corcel transplantado ainda carregou a família por mais algum tempo, antes de se estrelar num muro em uma balada etílica, a 50km/h, acordando um velhinho no meio da madrugada. Mas eu já não morava mais com meus pais. Naquele mesmo ano iria para um internato militar e igualmente não toquei mais no meu piano que até hoje segue embalado em sua caixa, em algum lugar de nossa casa. Não toquei nem quando retornava por alguns dias nas férias.

 

Isso aconteceu na ultima vez que viajamos todos juntos. Seis dias de carro, um corcel amarelo.

 

Ps: A fechadura colada com chicletes nunca foi descoberta. Nem depois que ele passou para outras mãos. Pelo menos não que eu tenha ficado sabendo.

A viagem

 


Por Sérgio Mendes

 

Quando entramos no carro para o teste, este também já era o início da aventura. Percebemos a obviedade que não caberíamos todos ali dentro, não comodamente. O espaço que naturalmente já seria apertado sem a caixa na traseira, ficou ainda menor com ela. Por sorte, a atmosfera lá dentro estava bem espessa com toda a comoção da despedida. E isso junto do pequeno bico de minha mãe, brigada com o meu pai, dava cabo de qualquer ameaça aos meus planos. À exceção da minha irmã mais nova, Zangada, permanecemos todos sem perceber a caixa ou se alguém percebeu, foi só um pouquinho!

 

Ao encostarmos no banco, os ombros pegavam-se de maneira tal que bastava pensar em mover o braço e o outro o levantava o seu. As cabeças das duas pobres criaturas do meio, Zangada e Meio-zangada, inclinadas. Enquanto Helenita e eu nos dois extremos até podíamos nos encostar, mas caber de verdade não cabia.

 

Conversando com a minha irmã do meio que agora tem ela própria dois filhos com pouco menos idade que tínhamos nós naquele tempo, chegamos a entender aproximadamente a quantidade de coisas que deveriam passar pela cabeça dos nossos pais cientes do tamanho da jornada que iniciavam com quatro crianças e um carro velho, sob os cuidados unicamente dos dois.

 

O bairro inteiro era de terra batida, e as primeiras ruas que venceríamos antes de chegar no asfalto eram as que mais conhecíamos em nossa curta existência. Da frente da casa de vovó, em linha reta passando pelo grupo escolar onde a minha mãe trabalhou, até a esquina da rua da minha tia, e depois pela frente da casa dela. Naquele ponto acenamos para os parentes que nos assistiam passar da varanda no segundo andar.

 

O carro seguia devagar, até porque mais rápido e não daria tempo de enxergarmos ninguém. Sacolejava suavemente como se estivesse dançando uma música do toca-fitas que não tínhamos.
Os parentes foram ficando ao fundo, e nós no banco detrás de ombros grudados e com os olhos vidrados na aventura. A mesma que devia fervilhar a cabeça dos meus pais, mas do nada, o quase silêncio foi interrompido por um estouro forte.

 

Pow !

 

Correu um frio pela minha espinha! O barulho foi feio mas o carro seguiu sua marcha lenta e nos embalava qual molejo de colchão como se não tivesse sido com ele.

 

Era o primeiro susto pra todos os demais, e o segundo pra mim, que de olhos vidrados, agora pareciam querer trincar.

 

Mais alguns metros e chegaríamos ao nosso primeiro obstáculo. A pista asfaltada da rodovia que cortava a cidade, e que era também a saída do bairro, ficava em desnível, e o carro teria que subi-la. Olhei pela primeira vez os rostos de todo mundo ali dentro e não percebi preocupação. O único parecia ser só eu mesmo.

 

Meu pai engatou a marcha mais forte e zaz! O carro subiu sem maiores dificuldades, mas não sem um outro estouro um pouco menor que o primeiro. Paramos logo em seguida.

 

Os olhos vidrados das meninas e os meus rachados um pouco mais pela segunda flatulência do pobre carro, se desmancharam qual musica de vitrola quando o disco diminui a rotação até silenciar por completo, mas a parada não foi por nada mais grave. Foi o desapontamento da minha mãe com o meu pai que se manifestou. Ela o fizera parar e desceu pra que trocássemos nós dois de lugar. Assumi o seu posto de co-piloto no banco da frente e ela foi para onde eu estava, o que apertou ainda mais as meninas.

 

Folgado como fiquei, me ative a um livro qualquer que me propus a ler. Costumava ser fiel aos meus propósitos, lembram? Mas a leitura não rendia com tanta coisa acontecendo. Todo aquele mato ao lado e não raro na própria rodovia…

 

Vezes só o barulho do motor, vezes alguma conversa, vezes um rebuliço da excitação de informar minha tia da cidade nova e vezes a minha leitura que teimava em não render. Prosseguimos nossa marcha e rodamos por mais de três horas ininterruptas, absolutamente excitantes, e portanto as atenções foram desviadas dos incômodos que sentíamos.

 

Na hora do primeiro almoço na estrada, ainda pudemos saborear a comidinha de vovó. Ela nos entregou embalada em uma lata para comermos ali mesmo no carro. Paramos num posto de beira de estrada para comer e esticar as pernas com tão somente algumas horas de toada a bordo do corcel amarelo. Cada um se deliciou com o cheiro e sabor da farofa e do arroz de viagem.

 

Enchemos o buxo e lambemos os beiços! Ainda tivemos tempo de nos lavarmos enquanto meu pai abastecia o carro e trocava alguma conversa com um dos frentistas. Parecia que o bico da minha mãe tinha diminuído um pouco, e ela até ensaiava alguns comentários com as meninas e comigo.
Pressenti que o meu posto folgado de co-piloto igualmente estava a beira de acabar, mas ele ainda durou por toda aquela tarde.

 

À noite paramos para descansar conforme nossos planos e dormimos em uma pensão.

 

As horas correram, as cidades e os estados também. Os dias anteriores foram mais ou menos da mesma maneira, comigo de volta ao banco detrás e meus pais outra vez reconciliados.
Três deles depois e já corríamos por mais de 1500Km desde a partida e portanto a Bahía também já ficara para trás. Até alí o carro comportara-se bem, exceto se a velocidade ultrapassasse os 80Km. Era como se o pobre nos alertasse que todo o conjunto daquela obra era instável demais. Ele entrava em um frenesi de tremores, nos chacoalhando a todos. E tão somente com isso, apesar de estendermos os dias e as curvas obrigadas nos nossos corpos, prosseguíamos nos aproximando de casa.

 

Foi só em algum lugar de Goiás que a minha irmã ‘Zangada’, irritada pelos dias de pescoço e ombros para frente, decidiu soltar a sua fúria sobre mim e sobre aquela caixa! Instantaneamente meu livro escorregou das minhas mãos e as pestanas derriçaram-se sobre os meus olhos no sono mais profundo e mais providencial que já tivera na vida.

 

Ela berrava o que todo mundo queria dizer de tanto incomodo e aperto. Queria parar, queria parar!
Ninguém, exceto a minha mãe, costumava dar muita bola para os reclamos dela naquele tom já muito comuns a pessoa zangada como ela. Mas desta vez a pobre estava acompanhada inclusive por D. Fátima que provara por alguns quilômetros daquela sensação de ter a cabeça pendurada para frente como peça de alcatra. Iniciou-se um motim a bordo do muar! Todos falavam ao mesmo tempo, exceto eu que fingia dormir, farsante como só. De nada adiantou.

 

Então esta era a hora da vírgula. A hora da vírgula! Eu pensei fingindo mesmo que sonhava, com balãozinho de nuvem e tudo.

 

Aline reclamava a dor nas costas. Helenita uma outra dor qualquer, minha mãe me falava apontando pra minha caixinha de nada, coitada, e o meu pai fechava o senho de maneira que eu interpretei ficaríamos a caixa e eu na estrada.

 

A hora da virgula, do entrevero, do acerto de contas, chegara.
Eu desesperado, mas de olhos semi-cerrados só apontava pro meu balãozinho de nuvem sinalizando que dormia…
Mas óbvio, junto com balão, ninguém acreditava!
Era tanto o barulho que o pobre carro não conseguiu se fazer ouvido no seu lamento.
Tremeu, tremeu e estrebuchou!
Neste instante, o do estrebucho, ouviu-se o único som mais forte que aquela humanidade ouvira desde antes de entrarmos no asfalto.

 

Bum!

 

E uma enorme língua de faíscas de metal cinzelando se viu no nosso rastro.
Quando olhei pra trás o tempo parou tudo dentro do carro e só voltou em quadros. Um por um.
Fez-se um silêncio ensurdecedor. Ninguém entendeu muito bem o que estava acontecendo. Muito menos eu, que até pouco antes daquele instante, sustentava a minha farsa.

 

Quando o tempo voltou a correr, o carro já estava parado por completo, e então ouvimos a minha mãe:

 

Todos estão bem? Perguntou assustada.
Sim, sim, sim, sim. E eu, com o meu balão de nuvens nas mãos disse por último, sim.
Estava acabada a farsa. A parte detrás do carro inclinara-se no asfalto e víamos os meus pais de baixo para cima num angulo esquisito. Mas estávamos de verdade todos bem.

 

O balão com meu sonho de gibi escorregou das minhas mãos e murchou no assoalho, por sobre o meu livro, bem no vão dos meus pés.

 


Leia outros textos de Sérgio Mendes publicado no Blog do Mílton Jung

Velocidade máxima de 120km aumentará risco de mortes em rodovia

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No jornal gaúcho Zero Hora, dessa segunda-feira, li e não gostei do que, por enquanto, está apenas em estudo, mas, mesmo assim, me assustou: ”Concepa estuda limite de 120 km/h na freeway”. Se é que alguém não saiba, freeway – que de “free” não tem muito – é a rodovia que une Porto Alegre a Osório e, nos fins de semana do verão, em geral, com o esparramo de veículos que se vê hoje em dia em circulação, para gáudio da indústria automobilística, torna-se congestionada. Não me lembro, mas, no jornal, há um quadradinho, no qual se vê uma foto da freeway, na época em que fazia jus ao apelido. Logo abaixo, lê-se que a fotografia é de 1973. Naquele ano, já um tanto longínquo, existia sinalização indicando que a velocidade máxima permitida na rodovia era a que a Concepa deseja reimplantar agora, isto é: 120 km/h.

 

Em novembro de 2011, o alargamento da rodovia e outras melhorias deram chance a que a velocidade máxima para veículos de pequeno porte – que ridiculamente são chamados de carros de passeio – passasse para 110 km/h. Já os pesados, podem viajar a 90. Não sou dos que mais viajam pela freeway. Neste ano, fui e voltei a Tramandaí duas vezes. Em ambas, mantive-me na velocidade máxima permitida, mas, às vezes, tirei o pé, especialmente para ser ultrapassado por quem dirigia, é fácil imaginar, muito acima dos 110 km/h. Esses, que não são poucos, não querem saber se você está pilotando dentro da velocidade permitida. Sai da frente deles ou se arrisca a ser abalroado.

 

A presidente da Fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga, tal como eu e, provavelmente, inúmeros outros, entende que o aumento da velocidade está ligado à letalidade dos acidentes. Para essa batalhadora, que perdeu um filho, vitimado em acidente de trânsito, os 10 quilômetros a mais que a Concepa pretende implantar, diminuirá a segurança das pessoas que usam a rodovia. A concessionária da freeway, por conta de pequisa por ela realizada, afirma que o número de acidentes diminuiu na estrada que liga Porto Alegre às praias do litoral. A mesma pesquisa não esconde, porém, que o número de acidentes com morte caiu de 14 para 13. A pesquisa da Concepa não me convence. Vou continuar defendendo que, sejam quais forem as melhorias que a estrada experimentou neste ano e que são prometidas para 2013, aumentar a velocidade máxima em 10 quilômetros por hora ,parece pouco, mas será uma temeridade e um risco desnecessário. Afinal, tivéssermos, por exemplo, autobahns como as da Alemanha, as velocidades máximas poderiam ser bem maiores. Estamos, porém, distantes delas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O carro

 

Sérgio Mendes é companheiro de Adote um Vereador, apóia o Movimento Voto Consciente, dá aula de inglês e passa sempre a impressão de que está de bem com os amigos. Não bastassem todas estes predicados, ainda escreve contos sobre sua vida e os deixa guardados no computador, máquina que ele também sabe mexer como poucos. Resolvi provocá-lo e ele aceitou a ideia de ceder alguns textos para o blog. O primeiro, publico hoje. Os demais, vamos ter de pedir para ele.

 

Bom proveito !

 

Causa de problema muito comum aos metais nas cidades do litoral, a maresia não perdoa. E um carro velho sempre tem aqueles grilos escondidos que ainda que bem escondidos, revelam-se qual orquestra de pífanos depois que o carro velho imprime algum movimento. Um grilinho até a gente deixa passar se o assunto é o sonho dourado de possuir um carro. Mesmo velho e com grilos falantes, a gente perdoa. Só que carros que envelhecem em cidades do litoral, não tem assim digamos, grilos. São uns besouros aqueles nhec, nhec….!

 

Estava se formando o cenário da nossa odisséia cruzando o Brasil. E nhec, nhec seria a trilha sonora. O diacho do carro não tinha um toca-fitas sequer.Mas também, não tínhamos fitas.

 

Fazia algumas semanas que estávamos em Picos outra vez. Eram as férias. De fato fim delas e precisávamos voltar. Minha mãe até já tinha planejado algumas vezes comprar um carro pra nós, ha anos nunca mais tivemos um. O problema é que eram daqueles planos que a gente faz sem pensar na parte prática da coisa. Os tempos eram outros, carro era coisa cara de se compra e ela tinha três filhos. A prioridade certamente não seria aquela. Pra completar o quadro, na cidade pra onde nos mudamos, todo mundo usava bicicleta e conosco em casa não era diferente.

 

‘Vejamos como vai ser’ era o que ela devia pensar.

 

Nós os meninos não tínhamos acesso a discussões muito sérias e carro era a típica conversa de adultos. Não podíamos, mas também nenhum de nós estava tão interessado assim.

 

O comando,‘menino sai pra lá’, também já tinha selado que não participaríamos daquele tema e por isso minha aguçada memória não registrou nada do que antecedeu aquela compra. O que eu sei e que creio que era o que acontecia então, é o que uma amiga pontuou numa situação semelhante:

 

‘Carro é sempre assim, a classe média pira!

 

Mas voltando pra onde parei, ele chegou!
E vinha de uma cidade do litoral, Fortaleza.
Era um belo Corcel II cor…, acho que era amarelo mas também puxava pra um bege. Ta bom vai, a cor era a mesminha da de um burro pálido fugido!

 

Acordei bem cedo como de costume e como de costume ninguém mais estava com os olhos nesse mundo a aquelas horas. Fui logo na cozinha beber água pra refrescar e procurar alguma coisa que pudesse matar a fome antes que ela me matasse.

 

Mal entrei e na mesa encontrei aquele chaveiro e sua chave encantada!
WoW!!! Ele chegou! Nosso carro chegou!
Corri pra fora e lá estava.
Eu não o tinha visto chegar, só sei que naquela manhã ele estava ali na minha frente. Lindo e cor de burro fugido, parado na frente de casa. E como se ele também tivesse acordado naquele instante, me chamava para um passeio matinal!

 

Esqueci da fome mas me lembro exatamente daquela sensação incrível de ser o todo poderoso dono de um carro e poder dar-lhe ordens de me levar para onde eu quisesse ir!

 

De tão confiante, voltei pra casa e peguei as chaves sobre a mesa. Até parecia que eu sabia ou podia dirigir.
Meus pais como todos, ainda estavam dormindo. Na noite anterior o meu pai tinha saído para uma volta pela cidade. Foi encontrar com os amigos e voltou, também como era de costume muito tarde ainda que ele soubesse, no dia seguinte viajaríamos rumo a nossa aventura inesquecível.

 

Paciência! A vida é assim mesmo.

 

Peguei as chaves como disse e fui dar uma olhada naquela belezura. Tentei abrir a porta do lado certo, o do motorista. Eu estava disposto inclusive a fazer o motor roncar! Recordei perfeitamente da lição em que um tio me ensinou que com a marcha em ponto morto o carro não pula na partida. Pronto, era tudo que eu precisava para guiar aquele corcel de vários cavalos. Aquilo sim era um super cavalo, era um Corcel II! Cor de burro, mas burro puro sangue eu cria!

 

Infelizmente ou felizmente não foi possível abrir o bicho por aquele lado. No lapso de tempo de tentar abrir, a sensatez que nunca havia sido o meu forte, me sussurrou que dar a partida não seria uma boa idéia.
De pronto refreei o impulso de piloto e dei a volta para abrir a porta do outro lado, aquele que segundo a sensatez, minha amiga pouco presente, seria o mais apropriado pra mim. Enfiei a chave e girei descuidado esperando que a porta abrisse. Senti um click e ela abriu.

 

Oba, pensei.

 

Ato contínuo fiz menção de retirar a chave como seria natural e como também natural em carros velhos de cidades litorâneas, a ferrugem tinha feito a sua parte. A chave trouxe junto com ela a fechadura. Não me lembro se me espantei. Era como se meu inconsciente estivesse disposto a não registrar nada daquilo para não quebrar o encantamento de estar do lado daquele possante só meu. Mas não teve jeito. O fato era concreto demais! Dei uma boa olhada naquele buraco e percebi que ele cheirava a menta. Duas fungadas desconfiadas e identifiquei que o cheiro era menta, mas não da folha que eu conhecia do jardim de vovó. Aquele cheiro era de goma de mascar. Sim senhor! Chiclete-bola Plóc!!! Esse sujeito eu também conhecia e realmente era ele quem estava ali. A fechadura estava grudada com goma de mascar mastigada. O autor daquela façanha mastigatória eu não fazia a menor idéia mas também nem estava interessado. Mesmo um tanto desgostoso com aquele primeiro contato, e sem querer entender que aquilo era prenúncio de coisa alguma, com muito cuidado, tratei de recolocar tudo no lugar e meio de soslaio puxei a porta e entrei. Primeiro no banco do passageiro na frente.
Um susto!!! Apreensivo e arrepiado me sentei e bem devagar me estiquei como que tomando posse daquele espaço.
Olhei tudo do piso ao teto. Olhei bem nos detalhes onde pudessem se esconder mais daquele fenômeno inimigo dos dentes saudáveis e mesmo entendendo que já não encontraria mais do engodo, continuei olhando. E olhei, olhei e olhei muitas vezes.

 

Estava aparentemente tudo lá, com exceção do toca-fitas. Algumas vezes forcei com cuidado as maçanetas internas que se moveram aparentemente bem.

 

Carros não eram novidade pra mim, claro que não. Na verdade a alguns anos meu pai já tinha comprado um outro Corcel II daquele mesmíssimo modelo na cor azul. Ele tinha até a buzina na manopla do limpador do para-brisa igualzinho ao primeiro. Só que diferente deste em que eu estava me acostumando era novo. Um carro zero quilômetro que depois de nós passou por muitas mãos na família. Primeiro ele tinha sido nosso depois foi para as mãos da minha tia Cecília e dela para o meu avô, pai de minha mãe. Com ele permaneceu muito tempo graças a ajuda dos conhecimentos de mecânica de carros velhos dos meus tios.

 

Carros não eram surpresa pra nenhum de nós, da mesma maneira que o Corcéu também não. Mas aquele era o primeiro que na sua constituição corpórea tinha chiclet, e tanto o chiclete como o fato daquele carro ser tão misterioso, teriam que se transformar numa viagem de mais de 2000km Brasil a dentro e levar no seu interior, seis pessoas.

 

Entre tantos pensamentos, olhei bem o painel, os pedais, cambio, bancos, inclusive forçando um pouco o encosto do de onde eu estava. Bem com cuidado é certo.

 

Pronto! Dei por completa a minha inspeção. A fome voltou com toda força e o possante lindo e cor de burro pródigo agora parecia assustador. Perdi a graça até de tentar ligar o muar.
Só queria pensar que correria tudo bem!

 

Saí dele, fechei a porta sem passar a fechadura e tornei a entrar em casa para depositar as chaves exatamente onde elas estavam.

 

Todos ainda dormiam.

 

Silenciosamente, saí outra vez e depois de fechar o portão de tábuas num tropeço das idéias, tomei a calçada que margeava o jardins de vovó seguindo o comando do estômago vazio. Eu estava determinado a me esquecer daquela fechadura suspeita como que para acreditar que ela não tivesse feito o que fez. Pensei num pensamento danado com toda a glicose que já escasseava mas apesar do esforço, a fechadura não queria deixar os meus neurônios em paz.

 

Rumei trançando as pernas e pálido feito uma vela, fui para a o reino encantado de vó Remédios, a cozinha.

Mundo Corporativo: O motor da Volvo é o capital humano

 

Por mais que se tenha um novo veículo com todos os avanços possíveis e tecnologia a bordo os fabricantes não podem abrir mão do capital humano, sendo necessário investir em uma cultura de excelência no ambiente de trabalho. A ideia é defendida pelo vice-presidente de Recursos Humanos da Volvo do Brasil, Carlos Morassutti, que conta a sua experiência em mais de 20 anos de empresa, nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN. O executivo descreve a estratégia desenvolvida pela montadora para ter o engajamento de seus funcionários nas metas propostas e destaca a importância de se entender os colaboradores em todas as suas dimensões, levando em consideração suas necessidades pessoais e familiares. Recentemente, Morassutti lançou o livro “O Lado Humano do Sucesso – como a Volvo do Brasil se tornou uma empresa de classe mundial e uma das melhores do país para trabalhar” (Editora Alaúde), no qual define sucesso da seguinte forma: “Você pode usar qualquer métrica para medir o grau do seu sucesso. Alguns medem pelo tamanho da sua casa ou pelo valor do seu patrimônio. No entanto, a verdadeira medida do seu sucesso não é dada por algo que você possa gastar. É dada pela forma como seu filho o descreve quando conversa com um amigo”.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Você pode participar de debates sobre os temas tratados no programa no fórum Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin

Entidades pedem ônibus de graça no Dia Sem Carro

 

Este texto foi publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Cruzamento insano

 

A imagem do prefeito Gilberto Kassab (PSD) está cada vez mais complicada diante do paulistano. Desde que passou a se dedicar a montagem de seu partido e deixou a administração da cidade em segundo plano, a opinião pública tem rejeitado o governo dele. Kassab apostava no início da campanha eleitoral quando esperava que o candidato da situação José Serra (PSDB) defendesse a administração dele, mas a prioridade do tucano tem sido outra com a queda nos índices de intenção de voto. O prefeito não aparece na propaganda do PSDB, não tem seu nome defendido pelos candidatos a vereador pelo PSD e somente é citado pelos oposicionistas com críticas. Resultado: pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta semana, mostra que quase metade (48%) dos entrevistados consideraram o governo dele péssimo e ruim, uma marca para entrar na história.

 

Com esse cenário negativo, bem que o prefeito Kassab poderia aceitar a proposta feita pela Rede Nossa São Paulo para, ao menos, ganhar alguma simpatia do paulistano. A entidade e mais 33 organizações da sociedade civil entregaram ofício na Prefeitura de São Paulo pedindo que o acesso a ônibus, metrô, trens e trólebus seja de graça durante todo o dia 22 de setembro, um sábado, quando se comemora o Dia Mundial Sem Carro. A intenção do movimento é reforçar a realização de campanhas e programas para ganhar adeptos ao não uso de carros. Conforme a organização, o acesso gratuito ao transporte público oferecece ao cidadão “uma experiência fundamental de valorização da mobilidade inclusiva, democrática e de menor impacto ambiental, além de atender à Política Nacional de Mobilidade Urbana (estabelecida pela Lei 12.587/2012), sancionada no início do ano, que prioriza o transporte público coletivo e não motorizado.”

 

O prefeito Gilberto Kassab ainda não respodeu aos pedidos e, pelas experiências dos anos anteriores, vai desperdiçar também esta oportunidade de melhorar sua imagem diante do cidadão.

 

Já você que me acompanha neste post terá à disposição uma série de outras ações que marcarão a Semana Nacional de Mobilidade, que se realizará entre 16 e 22 de setembro. Veja aqui a programação completa.

 

A seguir, reproduzo algumas das demandas dos movimentos que estão unidos com o intuito de transformarem a cidade de São Paulo a partir de medidas na área de mobilidade. Estas reivindicações fazem parte do Plano Municipal de Mobilidade e Transportes Sustentáveis para a Cidade que deve incorporar diretrizes estratégicas e necessárias para garantir o acesso à cidade para todos os cidadãos, tais como:

 

– Prioridade ao transporte público, com ampliação da rede de metrô e implantação nas principais vias da cidade de corredores expressos de ônibus que possibilitem a ultrapassagem;

 

– A adequação das calçadas aos pedestres, cadeirantes e a todos os que nelas circulam. A Secretaria Municipal de Transporte poderia instituir um departamento para construir e fiscalizar as calçadas;

 

– A criação de um plano de 500 quilômetros de ciclovias, somados a redes complementares nas 31 subprefeituras, e a integração delas com o transporte público;

 

– O adensamento populacional nas áreas centrais da cidade, que possuem melhor infraestrutura, e estímulo à descentralização de serviços e atividades para os bairros e subprefeituras da cidade – as duas medidas em integração com as políticas de habitação;

 

– O estabelecimento de metas para cumprir o plano e um programa de educação sobre mobilidade com o objetivo de mudar o comportamento de motoristas, pedestres e ciclistas;

 

– Participação popular na execução do plano, com a eleição e o funcionamento do Conselho Municipal de Transportes, bem como a criação de uma comissão de acompanhamento das medidas.

 

Neste feriado, lembre-se: devagar se vai ao longe

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O feriado do dia 7 de Setembro é daqueles que se prolongam por bem mais que 24 horas, razão pela qual são chamados, talvez por influência da mídia, de feriadões. Não gosto desse superlativo.Prefiro que sejam identificados, apenas, como feriados prolongados. O nome deles, porém, não tem a menor importância. Todos, em geral, começam, como o de amanhã, numa sexta-feira e se estendem até o domingo. Cada um aproveita os longos feriados da maneira que mais lhe apraz. Há quem adore assistir ao tradicional desfile comemorativo da Data Magna da nossa independência, existe quem prefira aproveitar o fim de semana comprido para descansar ou, então, para viajar, elegendo, como destino, praia, serra ou mesmo uma visita a parentes que moram em outras cidades. Quem fica ou quem sai, torce para que o tempo seja bom, coisa que nem sempre acontece.

 

Preocupa-me, no caso dos que optam por viajar, seja qual for o tipo de veículo escolhido para tal, com o que ocorre, principalmente, quando os feriados começam em sextas-feiras. Refiro-me às tragédias provocadas por acidentes de trânsito. No último fim de semana – nem era de feriadão – morreram, nas estradas gaúchas, 11 pessoas. Dessas, apenas duas foram vitimadas na Região Metropolitana. Para tentar evitar quaisquer acidentes, a Polícia Rodoviária Federal, em parceria com a Brigada Militar e Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN), vão reforçar os efetivos, montar barreiras e por em ação radares. Isso, com toda a certeza, ajuda. Entretanto, não basta. Os motoristas precisam se conscientizar que não podem transformar os veículos que dirigem em armas letais, o que acontece quando fazem ultrapassagens em locais indevidos, em velocidade superior aos limites ou empunham a direção embriagados. Gosto de velhos ditados. No caso, lembro aquele que diz: “devagar se vai ao longe”.

Foto-ouvinte: coleta seletiva e carro sem controle

 

Carro lixo

 

Sem coleta seletiva que atenda as necessidades de São Paulo, a prefeitura abre espaço para imagens como esta flagrada pelo ouvinte-internauta Jomar Silva, na avenida Santa Amaro, zona sul. Carros sem qualquer condição e colocando em risco a vida de todos, transportam enormes sacos com material reciclável. Jomar não entende é como um veículo desses pode rodar pelas ruas da capital neste estado: “passou pela Controlar?”.