Mundo Corporativo: Percival Jatobá fala como a inovação tem tornado mais seguros os pagamentos eletrônicos

 

 

 

 

“O banco recebe uma informação dizendo que você está na latitude A e na longitude B, e o comércio se encontra em um outro local, absolutamente diferente, ele vai ter muito mais propriedade para tomar decisão … a indústria vem trabalhando muito fortemente no campo de garantir que os dados sejam corretamente carregados e que a transação ocorra da forma mais segura possível”. Desta maneira, Percival Jatobá, vice presidente de produtos da Visa do Brasil, explica como as empresas do setor de pagamento eletrônico têm atuado diante do desafio da segurança e da privacidade dos dados do cliente. Ele foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da radio CBN.

 

Uma das inovações que vem sendo estudadas pela empresa é a utilização dos carros conectados que podem ser usados para tornar mais simples e produtiva a relação de compra dos consumidores. Hoje já se tem tecnologia que permite que o motorista faça a encomenda de uma refeição, e, ao chegar ao ponto de venda, encontre o produto à sua espera e com o pagamento realizado, apenas pelo comando de voz. A Visa mantém, em São Paulo, um centro de inovação para promover a interação entre novos empreendedores e incentivar a busca de soluções tecnológicas.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Luiza Silvestrini e Debora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: o Rei dos Cartões na 25 de Março

 

Por Luiz Silva

 

 

Para entender a Rua 25 de Março é necessário vivê-la intensamente, é necessário passar um dia inteiro circulando por lojas, entrar na galeria Pajé, subir os 12 andares de elevador e descer a pé pelas escadas, passando loja por loja, visitar o shopping 25 e observar a multidão comprando e pesquisando preços.

 

Em 1.998 comecei a vender cartões de visita na 25 de Março. Nas primeiras horas da manhã, lá estava eu com meu mostruário de cartões e uma lanterna para iluminar os pedidos, pois quando era horário de verão, ainda estava escuro.

 

Descia no metrô São Bento, atravessava a praça, benzia-me diante da Igreja São Bento, pegava um pedaçinho da Rua Florêncio da Abreu e percorria a ladeira Porto Geral. E lá estava eu no meu escritório a céu aberto.

 

Confesso que no primeiro dia fiquei um pouco assustado, mas com o passar do tempo fui acostumando com o pessoal. Pessoas maravilhosas, sofridas, que montavam suas barracas logo nas primeiras horas da madrugada e passavam lá na Rua Vinte e Cinco de Março doze e até quinze horas das suas vidas a cada dia.

 

Vendia meus cartões de visita para os camelôs da feirinha da madrugada e era muito engraçado quando existia o tal do “rapa”, que era o pessoal da prefeitura que vinha verificar os camelôs ilegais vendendo seus produtos. Aí era um corre-corre danado; e eu acompanhava meus clientes, ajudando-os a carregar pesados plásticos. cheio de brinquedinhos, perfumes e outras mercadorias que eram esparramadas pela rua. Afinal, tinha que vender meus cartões e até avisava quando o rapa estava se aproximando e os camelôs agradeciam e faziam os cartões comigo.

 

Muitos camelôs da Rua Vinte e Cinco de Março eram pessoas que vinham do nordeste do Brasil; e das experiências que tive uma delas foi o prazer de nunca ter recebido um “calote” de nenhum comerciante, eram todos honestíssimos. Quando não tinham dinheiro suficiente para pagar os cartões, o que era raro, eles pegavam emprestado de um conterrâneo e estavam sempre de bom humor, pois tudo era festa, com chuva, com sol, sempre estavam a sorrir, às vezes de alegria em ter vendido muito, outras, de tristeza, mas sempre de bom humor com todos e sempre fazendo algumas piadinhas que era para quebrar o gelo e a sisudez de alguns clientes.

 

Garanto que muitas vezes é necessário um pouco de sorte, além da nossa capacidade de persuasão e garanto que tive muita sorte, pois uma das minhas primeiras vendas foi feita para o Senhor José, um camelô que vendia alguns colares, brincos e pulseiras de pedras de todas as cores, que vinham de Minas Gerais, e estava trabalhando na Rua Vinte e Cinco de Março fazia uns trinta anos. Então ele conhecia quase todos os comerciantes e assim foi apresentando-me um a um e meus cartões eram comercializados com alguma tranquilidade e lá pelas dez horas da manhã já tinha vendido de dez a quinze mil cartões para os camelôs.

 

O tempo foi passando e eu fui conhecendo várias pessoas da Rua Vinte e Cinco de Março e até já era conhecido como o “Rei dos Cartões”.

 

A vida começava a melhorar, os negócios iam de vento em popa com as vendas dos cartões e foi quando observei dois garotos vendendo bonequinhos do Pikachu que soltavam bolinhas de sabão, não tive dúvida, larguei a venda dos cartões de visita, comprei mil bonequinhos e fui vendê-los nas praias de Ubatuba até Santos.

 

Mas a saudade ainda existia e tempos depois voltava a Rua Vinte e Cinco de Março como “comprador” e ficava imaginando como era gostoso aquele tempo que saia as quatro e meia de casa, na zona Leste de São Paulo e passava um período entre os maravilhosos camelôs da Rua 25 de Março.

 

Parabéns Rua Vinte e Cinco de Março, o maior centro comercial a céu aberto da América Latina e obrigado por permitir que eu passasse um período maravilhoso entre seus clientes e camelôs! Muitas saudades, muitas boas recordações! Obrigado!

 

Luiz Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você mais um capítulo da nossa cidade e envie para milton@cbn.com.br

Nova sala VIP em NY, velhos problemas em Guarulhos

 

Por Ricardo Ojeda Marins 

 

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Já falamos em alguns de nossos artigos aqui no Blog do Mílton Jung sobre cartões de crédito de luxo. Seletivos e cobiçados, esses cartões oferecem, entre seus principais benefícios, salas VIPs em aeroportos ao redor do mundo. Há apenas alguns dias, a American Express, que tem um dos cartões mais elitizados do mercado, abriu nova sala VIP no Aeroporto La Guardia, em Nova York.

 

A entrada para o Centurion Lounge, localizado no Terminal B, possui mais de 400 metros quadrados, elegantes e modernamente decorados, sendo cortesia aos associados The Platinum Card e Centurion Card, e seus familiares, ou até dois companheiros de viagem. Associados de outros cartões da bandeira American Express podem comprar o acesso ao lounge por um dia mediante o pagamento de USD 50. As comodidades incluem mimos como criações gastronômicas de Cédric Vongerichten – chef executivo no prestigioso restaurante Perry St, coquetéis e vinhos premium, espaço com acesso a internet, assessoria a clientes para reservas com restaurantes, companhias aéreas, hotéis e outros.

 

Impossível não compararmos o novo espaço com a sala vip da Amex no Aeroporto de Guarulhos (SP). Seja pelo que observei em minha últimas passagens pelo Centurion Lounge de GRU Airport seja pelo que leitores e amigos descrevem, é triste dizer que o serviço vem decaindo consideravelmente. Sala cheia, espaço Kids lotado de pessoas (adultas) sentadas no chão, demora na reposição dos alimentos, demora na limpeza das mesas;  enfim, nota-se que o serviço está muito longe da excelência que promete e distante do conceito que se busca: ser impecável. Para um cartão cuja anuidade é R$ 1.200, impecável é o mínimo que todo cliente espera de um atendimento. No Brasil, desde 2006, a marca American Express está sob os cuidados do Banco Bradesco.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Parabéns, uma boa ideia!

 

51? Uma boa ideia

 

Passei parte da sexta-feira ouvindo amigos e conhecidos reagirem assim diante da minha nova idade. Brincadeira feita, como era de se esperar, por aqueles que, como eu, já haviam passado ou beiravam a casa dos 50. Aos mais jovens, o diálogo não fazia o menor sentido, pois eles não têm mais como referência o slogan que se transformou em marco do mercado publicitário, criado pela Lage Stabel & Guerreiro, em 1978, para vender a cachaça 51. Com “uma boa ideia”e estratégia de marketing arrojada, o fabricante conseguiu fazer de seu produto um sucesso mesmo que para muitos não seja a melhor cachaça produzida no Brasil. Como a idade me ensinou que em alguns assuntos, tais como futebol, religião e cachaça o freguês tem sempre razão, não vou meter meu bedelho na discussão e deixo por sua conta o voto nesta concorrida eleição.

 

De volta aos abraços recebidos no fim da semana passada. Se brincar com a ideia do 51 não significa nada para a garotada, com certeza Facebook, Twitter e internet têm tudo a ver com a turma; e ainda me causam algumas surpresas. Assim que cheguei no estúdio da rádio, abri o computador e o Google Chrome despejou na minha tela um doodle com tortas, bolo e velinha de aniversário. O que é apenas resultado de uma máquina que identifica sua conta e cruza os dados com seu perfil se transforma em uma mensagem simpática e quase pessoal de congratulações. Você chega a acreditar que alguém lá no Goggle acordou bem cedinho só pra lhe mandar aquele recado.

 

Eu fiquei impressionado mesmo foi com a quatidade de mensagens geradas nas redes sociais, e em algumas delas chegando por todos os lados. No Facebook, por exemplo, tinham parabéns na caixa de entrada, em posts e na linha do tempo; e no alto da página ainda aparecia uma lista de fotos de pessoas que teriam me enviado as felicitações. Curioso é que se fiquei perdido olhando para cima e para baixo para não deixar escapar nenhum abraço – afinal, não sou o Felipão mas também gosto de carinho -, alguns amigos também. Ao menos dois muito próximos, que conseguiram falar comigo por telefone, me disseram que haviam registrado suas congratulações no Facebook, mas não sabiam bem por onde: “Milton, o abraço tá lá, mas não sei onde foi parar”, me disse um deles.

 

Sem saudosismo, lembro que nos meus 25 anos, quando ainda morava em Porto Alegre, as felicitações chegavam ao vivo pelos amigos que conseguiam lhe encontrar no dia do aniversário ou colegas que lhe abraçavam no trabalho – alguns por obrigação -; também discavam para o seu telefone fixo (se você não souber o que isso significa, procure no Google) ou enviavam cartões pelo correio. Estes cartões podiam ser encontrados nas papelarias, muitos com mensagens prontas – o sujeito só se dava o trabalho de assinar embaixo. Agora, até os cartões são eletrônicos: costumo receber nas datas especiais um assinado pelo meu pai, normalmente com alguma referência mais pessoal (registre-se: ele também me telefona e só não me dá um beijo ao vivo devido à distância).

 

Indepentemente do formato que chegam, quero deixar claro que fico muito feliz com as lembranças registradas aqui ou acolá e, por isso, escrevo este post, mesmo que atrasado, para agradecer a gentileza de cada um de vocês que despendeu minutos do seu dia para me escrever algumas palavras. Serei sempre grato. Agora, estou mesmo muito curioso para saber como chegarão as felicitações nos meus 60 anos. Serão drones os cartões de parabéns à você? Taí, uma boa ideia!

Cortar benefícios no cartão é cortar relacionamento com cliente

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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O Banco Bradesco Prime enviou a seus clientes correspondência impressa informando mudanças no programa de fidelidade dos cartões de crédito, especificamente para os cartões Mastercard Black e Visa Infinite, destinados ao público de alta renda. As mudanças foram para beneficiar o cliente? Ganha um ponto quem acertar a resposta: não, claro que não. Cortaram benefícios e um dos principais: a pontuação conforme o uso do produto.

 

No início da emissão desses cartões pelo banco, há alguns anos, os clientes recebiam 2,2 pontos para cada um dólar americano (ou o equivalente em reais) gasto no cartão. Em 2013, já havia tido uma mudança para pior: o banco passou a exigir um valor mínimo de R$ 4 mil a serem gastos na fatura mensal para manter os 2,2 pontos para o Visa Infinite, e dois pontos para o Mastercard Black. Para clientes com fatura mensal abaixo desse valor, o benefício diminuía: dois pontos para Visa Infinite e 1,8 para o Mastercard Black.

 

Agora, o banco efetuou mudança ainda pior. A partir de primeiro de setembro próximo, clientes Visa Infinite e Mastercard Black terão apenas 1,8 pontos para cada um dólar americano (ou o equivalente em reais) se tiverem gastos mensais de até R$ 9 mil, e somente com gastos acima desse valor terão 2 pontos, e não mais 2,2. Além disso, transações como saques (no Brasil e no exterior), encargos e juros lançados nos cartões deixarão de ser pontuados. Clientes novos já não mais terão os benefícios automaticamente, e deverão realizar cadastro no site do banco.

 

Diminuir qualidade e benefícios de produtos e serviços é lamentável. No mercado premium e luxo, ainda mais. Trata-se de segmento no qual clientes são cada vez mais exigentes e sensíveis a um atendimento que pede, no mínimo, a excelência. São cartões com anuidade por volta de R$ 800 e público-alvo que, além do cartão, normalmente tem aplicações e outros produtos do banco. Ou seja, há relacionamento.
A atitude certamente fará clientes reverem sua relação com o banco, principalmente se compararem com empresas concorrentes. Itaú Personnalité, Banco do Brasil e Santander são apenas alguns exemplos onde os clientes Visa Infinite e Mastercard Black recebem dois pontos pelo uso do cartão, não havendo a antipática exigência de gastos mínimos. Já no programa do banco HSBC Premier, associados Mastercard Black recebem três pontos para cada dólar gasto no exterior e dois pontos, no Brasil.

 

Clientes que se sentirem prejudicados ou, até mesmo, desapontados, devem tomar a decisão que lhe for mais conveniente e confortável: reclamação formal na Ouvidoria do banco, registrar o descontentamento para seu gerente de relacionamento ou, em situação mais extrema, trocar a instituição por um concorrente. Cortar benefícios, me parece, é um golpe na relação cliente e empresa, especialmente porque o mundo contemporâneo exige que as empresas cada vez mais atendam, entendam e encantem.

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Viagens de luxo, experiências inusitadas e desejos realizados

 


Por Ricardo Ojeda Marins

 

Nova York, Miami, Paris, Milão, Londres. Essas são cidades que, certamente, nos vêm à mente quando pensamos em viagens de luxo. São destinos visitados por muitos consumidores de alto poder aquisitivo, viajantes que buscam muito além de hóteis elegantes, destinos urbanos e serviços especiais. Eles desejam viver experiências inusitadas que podem ser roteiros exóticos ou de aventura, contato com a arte, gastronomia e novas culturas. Visitas privativas a ateliês de costura ou a museus, fotógrafo particular para registrar, com qualidade, cada momento da viagem, jantares em restaurantes estrelados, aulas com experts e, claro, carros de luxo à disposição, são alguns itens que devem constar nesse cardápio.

 

O Estudo Global de Intenções de Viagem Visa 2013, realizado pela empresa Millward Brown, mostra um crescimento generalizado no turismo internacional e o Brasil é o país que apresenta percentualmente a maior aceleração entre os pesquisados. O turista brasileiro está entre os cinco que mais gastaram na última viagem, com valor em torno de USD 2.956, acima da média global, que foi de USD 2.390. E espera aumentar em 52% o valor desembolsado com a próxima viagem. Mesmo assim os valores são modestos se comparados com o que gastam os turistas de alto poder aquisitivo: em média USD 20 mil por viagem, de acordo com o World Travel Market Trends Report, da Euromotor.

 

No Brasil, cresce o número de agências de viagens especializadas no setor de luxo. Teresa Perez, PrimeTour, Matueté e Queensberry são algumas dessas que fazem parte do Virtuoso, seleta rede que reúne agências de viagens e hotéis de luxo ao redor do mundo. Os cartões de crédito também estão presentes no mercado ao dispor a seus clientes benefícios e atendimento especializado. A bandeira American Express tem o Platinum Travel Service, agência de viagens exclusiva apenas para os associados do cobiçado The Platinum Card. Clientes do cartão são atendidos e recebem ajuda na elaboração de suas viagens e contam com benefícios nos hotéis da rede Fine Hotels & Resorts, tais como café da manhã, late check-out e upgrade de acomodação. Já o Visa possui o Visa Luxury Collection, serviço exclusivo para associados dos cartões Visa Platinum e Visa Infinite em hotéis conveniados, oferecendo amenidades como café da manhã, status de hóspede VIP, late check-out e outros. A bandeira Mastercard também oferece aos portadores do cartão Mastercard Black alguns desses benefícios, além de crédito para uso em serviços no hotel. (Conheça outros benefícios oferecidos pelos cartões de crédito no artigo “Cartão de Crédito: a exclusividade transforma plástico em ouro”, que escrevi no Blog do Mílton Jung, em setembro)

A palavra-chave para atender as demandas desses clientes é customização. Cada um tem necessidades e gostos peculiares e busca algo feito sob medida, diferente de pacotes ou roteiros prontos. Com o aperfeiçoamento das agências especializadas, o consumidor elevou suas expectativas e se tornou ainda mais exigente. Há quem deseje, por exemplo, durante a viagem, alterar seus planos, como sair de Nova York para ir a uma festa no Caribe, ou, simplesmente, alugar uma residência privativa na Toscana. A agência deve estar preparada para não apenas atender, mas entender as necessidades dele. O relacionamento do cliente com sua agência de viagens é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível. O viajante de luxo hoje busca o diferente, o inusitado, o “poder fazer”, o “feito sob medida” para as suas necessidades e desejos específicos, sempre com segurança, privacidade e conforto.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Parecido não é igual

 


Por Abigail Costa

Queria ter a capacidade de colocar os gastos no papel.
Queria. Todos eles.
Fazer exatamente o que recomendam os economistas.

A primeira pergunta a ser feita é:
Precisa ou deseja?

Em seguida, se tiver dinheiro antes da compra, pesquise.
Se nao tiver dinheiro, espere o pagamento entrar, poupe e, depois, muito depois, compre.

Das vezes que fiz isso, (nem me lembro quando ou quantas) …
Só lembro que foi uma decepção total.

Marcou-me a cara de desapontamento do vendedor:
– Senhora, nao tem mais. Esse produto acabou, na semana passada.
Ai que ódio…

A minha cara deve ter sido pior.
– Como não? Eu trouxe o dinheiro pra pagar à vista!

Bem feito.

Claro que não foi isso que me impede de trabalhar em cima de uma planilha.
A equação é simples.
Sou imediatista.
Vi, desejei, pronto – levo pra casa.
Nesse “desejei” entenda-se impulso em muitos momentos.

Não devo ser única, caso contrário seria objeto de estudo.

Tenho a impressão que quando entro nas lojas, os sapatos sorriem pra mim.
Com a mesma carinha dos cachorros abandonados a espera da adoção.

Pego o sapato preto.
Se tivesse o poder da fala o vermelho diria:
– Mas eu vou ficar sem o meu irmão, me leva também!

Definitivamente, não sei decidir entre as cores e as marcas.
Enquanto escolho, experimento, vem aquela sensação gostosa de prazer.

Dá prá parcelar?
A pergunta é quase que automática pra levar os “irmãos coloridos” para o meu closet.

Passado o cartão, digitada a senha, uma outra sensação nem tão gostosa assim passa a tomar conta da cabeça.

Jesus ! Nem precisava, já tinha uns três parecidos.
Uma voz interior, coisa de amiga, me conforta.
– Mulher, parecido não é igual. Fica em paz e ponto.

Dois minutos depois já estou conformada.
E assim, de loja em loja, de semana em semana, de parcela em parcela.
É claro que desse jeito não tem ser humano com orçamento fechado.

Certa vez alguém disse:
– Só se gasta o que se tem.
A frase me pegou igual conselho de avó.

Tinha que acreditar, não é?

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung, enquanto aprecia os cartões de crédito na bolsa nova.

Natal 2009: crédito em descrédito

 

Por Carlos Magno Gibrail

Do álbum digital de Fotero, no Flickr

A menos que você tenha todos os cartões de crédito ou de débito, certamente já passou apuros na hora de pagar contas.

Entretanto, nada comparável ao que ocorreu na véspera de Natal, principalmente se o seu cartão é da operadora Redecard. O sistema Redecard dos cartões de crédito Mastercard e Diners e dos cartões de débito Mastercard, Maestro e Redeshop, apresentaram um apagão ou uma queda, tipo Itaipu ou Rodoanel. Talvez para comprovar a similaridade entre grandes corporações, quer pública ou privada. Resultante indesejável, mas inevitável nos regimes oligopolizados ou monopolizados.

As lojas perderam vendas, e bares e restaurantes tiveram outros problemas, pois não havia como devolver a mercadoria consumida. De qualquer forma o comércio, já emparedado pelo duopólio dos cartões com cifras fora do padrão internacional, além de receberem o dinheiro 30 dias após, tiveram neste episódio efetivo prejuízo.

Os consumidores, que pagam a conta, ficaram sem ela, mas pagaram caro pelo atendimento do serviço que não veio. Ficaram sem os presentes de Natal.

Por que as prestadoras de serviço cobram multas e juros aos inadimplentes, e quando falham no suprimento dos mesmos não são obrigadas a ressarcir os prejuízos advindos?

O CDL – Câmara dos Dirigentes Lojistas informa que 30% das vendas do mês do Natal são realizadas no dia 24, e que 70% das vendas em Shopping Center são realizadas através dos cartões de crédito e de débito.
Com volumes crescentes de negócios e operando em regime de duplo monopólio, Visa e Redecard apresentam lucros significativos. Acima de 60%.

A Redecard é controlada pelo Itaú Unibanco (50,1%). A margem EBTIDA (Earning, Before, Interest, Taxes, Depreciation, Amortization – ou lucro antes de juros, taxas, depreciações e amortizações) da companhia, indicador de sua lucratividade, foi de 68,03% em 2008. A da VisaNet, de 62,3%.

Ao encaminhar ontem notificação extra oficial à Redecard, o CNDL – Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, em nota à imprensa assinada pelo seu presidente, empresário Roque Pellizzaro Júnior, destaca: “esse lamentável evento expõe a fragilidade do sistema e comprova nossos questionamentos e apreensões quando condenamos os constantes abusos desse duopólio, de um mercado dominado praticamente por duas grandes empresas que, além de cobrar altas taxas aos lojistas, não correspondem às nossas expectativas no momento que mais precisamos”. É o início do caminho jurídico que o CNDL se propõe.

A ALSHOP, entidade que representa lojistas em Shoppings Centers acena em outra direção, propondo uma negociação informal, sem interferência dos canais legais. Nabil Sayon, seu presidente nos afirmou que está em contato com a direção da Redecard para estabelecer um canal de entendimento com os lojistas associados à ALSHOP. E, diz que: “O maior prejudicado foi a Redecard”; “Todos tem mais de um cartão”; “O dia 24 não é o de maior movimento”.

O diretor da Mixxer consultoria de varejo, Eugenio Foganholo aponta a fragilidade da tecnologia disponível pela Redecard, diante da importância dos cartões como meio de pagamento e da resultante dependência do varejo.

O Prof. Nelson Barrizzelli, USP e Sênior Partner da AGC International, vê há tempos com preocupação as tarifas e as operações inadequadas do sistema de cartões, ressaltando o incomodo do oligopólio do setor. Entende que o caminho mais promissor será ações de órgãos diversos convergindo sem divergências para o interesse de quem interessa, o consumidor .

O fato é que o problema não vem de agora, pois a SDE – Secretaria de Direito Econômico, órgão subordinado ao Ministério da Justiça abriu processos administrativos para apurar eventual infração à ordem econômica praticada no âmbito do comércio eletrônico pela Redecard e uma possível conduta anticompetitiva da Visanet e da Visa International. E, justifica: “Em vista da gravidade da conduta e do perigo de lesão irreparável ao mercado, a SDE adotou uma medida preventiva a fim de suspender os efeitos da exclusividade”.

O processo Redecard envolvendo vendas on-line foi iniciado em agosto e o da VisaNet focando a exclusividade começou em novembro. Efetivamente a SDE estava no caminho certo e, como entidade responsável é quem possui a autoridade pertinente e esperamos que atue com a necessária competência.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung