Conte Sua História de SP: a grega que adorava os cinemas da cidade, mas era proibida de ver cenas de beijo

 

Melpomene Perides Lawand nasceu em São Paulo, em 1 de agosto de 1928, apesar do cartório insistir em registrá-la no dia 9. O nome foi o pai que escolheu, Seu Nicolau Miguel Perides, que adorava a mitologia grega. Ele, ao lado da mulher Maria Perides, trocou a Turquia pelo Brasil para escapar da guerra entre turcos e gregos, em 1923. Sempre viveram em casarões na capital paulista. O primeiro era um palacete do Barão de Mauá, na Brigadeiro Tobias. Os pais mudaram depois para próximo da São Caetano, onde mantinham loja de malas. E foram morar na rua Mauá, onde Melpomene nasceu e cresceu. Em depoimento ao Museu da Pessoa, ela lembra das caminhadas no centro, as compras na feira e as visitas aos cinemas. Dona Melpomene sempre foi incentivada a apreciar a arte e a cultura, especialmente pelo pai que fazia questão de levar as filhas nas salas que inaguravam, mas com todos os cuidados para impedir as más influências da tela:

 

 

Melpomene Perides Lawand é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi feito ao Museu da Pessoa. Você também pode registrar sua memória, basta marcar entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou então mande suas lembranças de SP para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP/460 anos: o casarão mal-assombrado

 

Por Clarindo Oliveira
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Cada um ao seu estilo, meus pais eram excelentes contadores de histórias. Meu pai, senhor José Américo de Oliveira, falava da sua infância na roça em Minas Gerais e da batalha diária pela sobrevivência na cidade grande na década de 1950. Ele, inclusive, já teve um episódio imortalizado no “Conte Sua história de São Paulo”, da CBN.

 

Minha mãe tinha nome de cantora: Dalva de Oliveira. E também uma linda voz! Vivia cantando as músicas da xará, da Cláudia Barroso e da Angela Maria. Era fã número 1 do Agnaldo Rayol. Quando acabava a energia em casa, ela acendia o lampião a querosene, reunia os filhos na sala e contava fábulas infantis. Eu adorava aquela da Dona Baratinha que não parava de chorar porque o Dom Ratão caiu na panela de feijão.

 

Eu já não tenho esse dom. Trabalho na área de informática, onde a lógica predomina. Ingressei na área na década de 1980, no CPD de um tradicional banco paulista, o Mercantil de São Paulo, na Freguesia do Ó. Foram tempos corridos para mim. Cruzava a cidade todos os dias. Saía da Vila Joaniza, na zona Sul, para trabalhar na zona Norte e à noite estudava na PUC em Perdizes, na zona Oeste.

 

Foi nessa época que conheci o Vasquinho, um sujeito que tinha dois empregos. À noite ele trabalhava num prédio na avenida Rio Branco. Ficava praticamente sozinho nesse local, operando os computadores. Dizia que atrás do prédio existia um casarão com fama de mal assombrado. As pessoas comentavam que o fantasma de uma freira aparecia de vez em quando e que se ouviam barulhos estranhos por lá. Lembro-me de ter comentado que nunca trabalharia num lugar desses!

 

Alguns anos depois, fui trabalhar na Porto Seguro, nos Campos Elíseos. Era um casarão antigo da rua Guaianases, tombado pelo Condephaat e belissimamente restaurado pela empresa.  Havia um jardim enorme, que hoje deu lugar a um prédio muito moderno. Era o tal casarão da história do meu amigo do banco. Estive lá muitas madrugadas, corrigindo erros dos programas, nunca presenciei o fantasma. Calejado pela exatidão dos bits e bytes, acho que os barulhos estranhos seriam de ratos que viviam em tantas construções antigas da região. Já a visão da freira talvez fosse apenas a estátua de um cisne que havia no jardim, envolto pela névoa que baixava. 

 

Mas vai saber…

 

Clarindo Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou marque entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistória@museudapessoa.net. Para ouvir outras histórias de São Paulo, visite o meu blog, o Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: meu casarão dos Campos Elíseos

 

Um centro sofisticado, limpo e chique. É o que se recorda Cynira Casado, que nasceu em São Paulo, em março de 1935, em pleno Carnaval. Veio ao mundo pelas mãos de uma parteira, em casa, ao som do bloco de que passava pelas ruas de Campos Elísios, na região central. Filha de paulistas, descendentes de imigrantes de espanhóis e italianos, Cynira conta que a mãe era artesã, e o pai mecânico eletricista, o que na época rendia um bom dinheiro. Por 12 anos eles viveram em um casarão, no bairro do centro, que, tinha um ar nostálgico do campo, e ao mesmo tempo, requinte e sofisticação. Ali naquele casarão, em diferentes cômodos, viviam tios, tias, primos e avós. Mas um dia a família teve que deixar o local. Era o progresso chegando com os grandes edifícios que começavam a ser contruídos.

 

No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Cynira lembra cada um desses momentos e do cenário que tinha diante de sua janela, muito diferentes do atual. Havia lindos passeios públicos, lojas sofisticadas, um clássico cinema e uma praça espaçosa, com a igreja de Santa Cecília:

 

Ouça estas histórias contadas pela própria autora, editadas pela Marcela Guimarães e sonorizadas pelo Cláudio Antonio.

 


Conte você também sua história de São Paulo. Envie um texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoira@museudapessoa.net.

Arquitetura paulistana: Pensão da Mooca

 

Casarão abandonado

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

 
É impressionante a mistura de beleza arquitetônica e descaso na rua  do Hipódromo, região da Mooca,na zona leste. A rua  perto do prédio São Vito, em demolição, está longe do boom imobiliário que sacode a cidade, mas é possivel  ver na tradicional rua  armazéns, casinhas e casarões deteriorados com   placas empoeiradas de “aluga-se”.
 
Muitas dessas riquezas – esquecidas ou ignoradas pelos órgãos públicos –  não têm dono. É o  caso de um sobrado na esquina da Avenida Alcântara Machado com  a  própria Hipódromo, que salta aos olhos de quem passa pelo local.

O casarão não  está aberto para visitas : ali funciona uma ‘pensão’.