Conte Sua História de SP: quando era um bosque o meu bairro

 

Por Silvio dos Santos
Ouvinte da rádio CBN

 

Imagem aérea da época em que o Bosque da Saúde era um bosque

 

Sou paulistano do Bosque da Saúde, bairro criado com a construção da linha de bonde nº30, no início do século 20. O bairro era realmente um bosque de araucárias que resistiram até a década de 1950. O Bosque, como era conhecido, começava na atual Praça da Árvore (estação da linha Norte-Sul do metrô), antiga primeira secção da linha de bonde Jabaquara. Descia pela Av. Bosque da Saúde, ruas Ibirarema e Guararema até o ponto final na Tiquatira. O Grupo Escola Princesa Isabel, imponente construção em tom rosa, da década de 1940, foi o berço do conhecimento de muitas gerações, posteriormente complementada pelo Instituto de Educação Conde José Vicente de Azevedo, conhecido apenas como Conde. Cortado pelo histórico  Riacho do Ipiranga  era reduto de numerosos campos de futebol de várzea, entre eles o Corintinhas do Bosque, o Cometa e o Granadeiros. Enfim, era um reduto aprazível dentro do mosaico dos bairros paulistanos.

 

Sílvio dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou marque entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistória@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: nada como a Holanda para enfrentar ETs

 

 

Por Álvaro Donizeti de Carvalho
Ouvinte da rádio CBN

 

Acompanhe o texto completo enviado pelo ouvinte; e no arquivo a seguir, ouça o programa que foi ao ar no CBN São Paulo, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

 

Bairro da Penha, verão de 1976. Tempos áureos do Mercado Municipal que resistiu bravamente a um incêndio na década passada, da belíssima Basílica de Nossa Senhora da Penha, da Loja Eletroradiobraz que virou Extra, da papelaria “A Estudantil” na rua Dr. João Ribeiro, e da charmosa “Loja das Bagunças” na Av. Penha de França, atrás da Igrejinha do Largo do Rosário que, assim como a Estudantil, permanece imponente no endereço original.

 

Na “Loja das Bagunças”, meus pais compraram meu primeiro carrinho de brinquedo: o famoso Pé na tábua, um carrinho de fórmula 1 feito de plástico movido pelo impulso de ar que recebia de um tipo de fole que se encaixava na parte de trás do brinquedo. Bastava pisar no fole e o bicho saia em disparada. Na papelaria “A Estudantil” comprávamos o material escolar que não encontrávamos no bazarzinho da simpática dona Herminda que funcionava bem ao lado da escola: o Grupo Escolar Esther Frankel Sampaio onde eu estudava.

 

Os alunos das escolas públicas estaduais usavam avental branco com um mapa vermelho do estado de São Paulo estampado em um bolso gigante no lado esquerdo do peito. Naqueles tempos, a escola pública era de respeito e nós, alunos, ficávamos em pé quando os professores ou o diretor entravam na sala de aula.

 

Eu, na época com 11 anos, levava a típica vidinha de moleque dos anos 1970: futebol no campinho de terra batida, na travessinha da Rua Barra do Rio Grande; pião, bola de gude, taco, pipa nas férias de janeiro e julho, pega-pega e até queima (quando as meninas nos desafiavam). Depois do futebol, a gente corria para a vendinha do Seu João, palmeirense roxo, que ficava lá na Rua Goiapi para encher a pança de doce e refrigerante. Na vendinha o cliente comprava fiado e deixava marcado numa caderneta que o dono preenchia à mão mesmo. Nossos pais, lógico, só ficavam sabendo daquele montão de doces no fim do mês quando acertavam as contas com o Seu João. Era bronca para todo lado.

 

Vou narrar um caso que me lembra o Hospital da Penha, que durante décadas, foi a opção de tratamento mais tradicional da região. No início, apesar de particular, o hospital possuía convênio para atendimento público (anos 1970 e 1980). Durante os anos 1990 passou a atender exclusivamente como hospital particular. Fechou no início dos anos 2000 e reabriu administrado pelo Sociedade Beneficência Portuguesa. Eu e todos os meus irmãos nascemos lá. O prédio na rua Santo Afonso (ao lado da Igreja Velha da Penha) que durante tempos foi usado como consultório, não foi reaproveitado e hoje está para alugar. Pena, pois pela beleza arquitetônica deveria ser tombado. O outro prédio, na rua Arnaldo Vallardi Portilho ainda não foi totalmente reativado, mas conserva incrivelmente o mesmo aspecto de décadas atrás.

 

Eu preferia brincar na rua como a maioria dos moleques, mas também assistia à TV quando, nos horários em que minha mãe ia trabalhar, ficava encarregado, com o meu irmão, de tomar conta da casa e de nossa irmãzinha chorona e babona de apenas 3 anos de idade. Bem, garoto que se prezava não gostava de assistir à novela. Preferia Ultraman, Vingador do Espaço, Fantomas ou qualquer outra atração grotesca que tivesse monstros no enredo.

 

Foi naquele verão que, apesar do ótimo desempenho escolar, bom relacionamento com vizinhos, amigos e até de tocar na banda da escola (que a gente chamava carinhosamente de fanfarra), o garoto que vos escreve passou a ter certos “pesadelos noturnos” nos quais a Terra era invadida por seres extraterrestres os quais controlavam monstros gigantes que destruíam tudo que encontravam em seu caminho. Durante à noite, eu levantava e corria pela casa dormindo, gritando e acordando todo mundo para que fugissem dos tais alienígenas.

 

Depois de cortar sem resultados a TV, meus pais, já preocupados com a situação, resolveram procurar um médico. O bom doutor me examinou, fez um montão de perguntas para ver se eu regulava bem das ideias e, depois de muito coçar a cabeça, resolveu me encaminhar para um exame neurológico, que consistia na extração, por meio de seringa com agulha, de líquido da medula espinhal (dói só de lembrar isso!!!).

 

Naturalmente, meus pais tentaram me tranquilizar dizendo que era só uma “picadinha”. Eu, malandramente, logo quis aproveitar a oportunidade para fazer uma chantagenzinha: concordei em fazer o exame desde que eles me comprassem o jogo de futebol de botão da seleção da Holanda.

 

Lembro-me que o exame estava marcado para a manhã de um sábado e lá fomos nós para o hospital. No caminho, fiz minha mãe parar no pequeno bazar da japonesa que ficava no finzinho da Rua Penha de França ao lado do mercado da Saúde (início da Avenida Cangaíba) para mostrar o jogo de futebol de botão que eu queria ganhar.

 

Chegamos adiantados ao hospital e lá conhecemos uma jovem e simpática senhora que também aguardava o exame. Ela era loira, bonita, aparentava ter por volta de 40 anos e era muito comunicativa. Conversa vai, conversa vem e ninguém falava em outra coisa além do “bendito exame.”

 

Ela entraria antes de mim e havia outros pacientes que fariam o exame depois. Eu tinha saído de casa tranquilo mas aos poucos fui ficando desesperado com tanto burburinho:  “fulano não sentiu nada, mas ciclana quase morreu”,  “ouvi falar que a agulha é pequena!” ” Não, a agulha parece carga de caneta bic!”. Percebendo que eu estava de olhos arregalados e apavorado com os comentários dos outros pacientes, a jovem senhora e a minha mãe tentaram desconversar. “É muito tranquilo. Meu sobrinho que é pequenininho já fez e nem chorou” – disse a mulher com um sorriso nada convincente. A enfermeira então apareceu na sala e chamou a jovem senhora. Acompanhada pela irmã e pela enfermeira, ela rumou para o fim do corredor meio escuro onde ficava a salinha do médico.

 


Minha mãe então recomendou: – fica quietinho que vai acabar logo e a gente vai pra casa. No entanto, a mulher não saía mais da sala do médico e eu ali paralisado não conseguia tirar os olhos daquele corredor escuro. Depois de um tempão, vi que três vultos vinham caminhando. Era a jovem senhora, escorada de um lado pela irmã e do outro pela enfermeira. Ela que tinha pele clarinha estava vermelha como um pimentão maduro. Ao chegar perto de mim, fitou-me com os olhos ainda cheios de lágrimas e balbuciou, com a voz toda trêmula: – Não dói nada, não… O quê? Não tive dúvidas, aos berros fui me afastando e gritei para a o bairro inteiro da Penha ouvir: – Não quero, não vou fazer, eu vou embora! Naquele momento, minha mãe toda envergonhada, a enfermeira e outros pacientes tentavam me agarrar e me arrastar para a sala do médico, que, ao ouvir a gritaria saiu até o corredor para saber que “barraco” era aquele. Não teve jeito, Nem médico, nem enfermeira, nem os outros pacientes conseguiram me segurar. Como um foguete eu ganhei a rua e ainda ouvi o médico gritar algum tipo de elogio que eu não entendi, mas também não fiz a menor questão de saber o que era.

 


No caminho de volta, sozinho e ainda assustado, passei em frente ao pequeno bazar da japonesa para dar “adeus” ao presente que eu certamente não iria mais ganhar. Morávamos em um sobrado e eu, com medo de levar umas belas palmadas, tratei logo de subir no telhado e puxar a escada para não ser alcançado. Assim foi o sábado inteiro, sem café nem almoço, até que, à noite, meus pais finalmente me convenceram a descer prometendo que eu não seria punido. Tive apenas que escutar um longo sermão durante o jantar. Eles decidiriam, depois, se remarcariam, ou não, o exame médico. Nem foi preciso. Eu nunca mais tive pesadelos. O medo da tal agulha gigante que parecia “carga de caneta bic” espantou, para sempre, os seres espaciais.

 


Bem, a vida segue. Hoje, adulto, acho graça quando vejo as crianças assistindo aos seriados bobos de monstros na TV e sempre que passo pela Penha, lembro, com saudades, daquela travessura de meus tempos de moleque.

 

Conte Sua História de SP: o homem que me salvou no futebol

 


Por Marcelo Locci
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

O ano era 1973. Eu tinha dez anos. Meu pai, palmeirense de quatro costados, me levou ao meu primeiro clássico no antigo Parque Antarctica: Palmeiras versus Corinthians. No timaço do Palmeiras (a segunda Academia) jogavam Ademir da Guia, Dudu, Leivinha, Luis Pereira, Leão, Cesar Maluco, enfim uma verdadeira seleção. Conosco, foram primos de meu pai, corintianos. Minha mãe me fez uma bandeira enorme, verde e branca, e estava com uma camisa do Palmeiras, com o número oito às costas, número do Leivinha, meu ídolo maior. O Palmeiras terminou o primeiro tempo perdendo de 1 a 0. Durante o intervalo, recebi algumas bolinhas de papel, alguns copos e outros objetos, pois apesar de ser palmeirense, estava mais ou menos próximo da torcida do Corinthians. Nada de muito relevante.

 

Na volta do intervalo, o técnico do Palmeiras tirou o Cesar Maluco e colocou em campo o reserva, com uma estrela formidável, o finado Fedatto. Assim, logo o Palmeiras empatou o jogo, para nossa alegria e felicidade. Eis que, de repente, algum louco tirou um revólver no meio da torcida, e começou um corre-corre infernal. Meu pai, tentando me proteger, me levou até o beiral da arquibancada. O Parque Antarctica era conhecido como Jardim Suspenso, pois o campo ficava acima do nível do chão. Meu pai, apavorado com a situação, olhou para baixo e viu um homem enorme vestido com a camisa do Corinthians. Ele gritou para que o sujeito me segurasse e me jogou para baixo. Nessa hora eu imaginei que estava frito, pois eu com a camisa do Palmeiras nunca seria seguro por aquele homem com a camisa do Corinthians. Para minha surpresa, não só ele me segurou, como me colocou atrás dele, nitidamente me protegendo da bagunça. Quando olhei para os lados, vi ainda que ele estava protegendo mais umas três crianças do meu tamanho. Meu pai deve ter demorado ainda uns 20 minutos para chegar até onde estava, mas o sujeito corintiano me protegeu até meu pai conseguir chegar. Assim que ele chegou, agradeceu ao sujeito, e tentou dar uma gratificação a ele. Para minha surpresa maior ainda, ele recusou, dizendo que estava fazendo o trabalho de Deus. Depois disso, ainda tivemos que pular as grades da piscina, e sair pelo outro lado do estádio. Terminou tudo bem, mas eu nunca mais me esqueci daquele homem que salvou, literalmente, a minha vida.

 

Eu espero que ele esteja vivo, e que tenha curtido as conquistas de seu time. Ele merece.

 

Marcelo Locci é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN: envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Você vai lá, grava o depoimento e ainda ganha um DVD com suas memórias registradas.

Conte Sua História de SP: a seleção jogava e eu corria atrás do balão

 

Vagner Osmar Boneto
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Tudo acontecia na época de férias do Grupo Escolar. Eu nasci em Valinhos, interior, e até hoje estou por aqui. Porém durante as férias, e isso foi na década de 1960, eu passava férias da metade do ano na casa da minha tia Floripes, que morava no prédio “Treme Treme” ao lado do Mercadão, na rua Pagé e, também, na Paula Souza.

 

Minha tia tinha um filho, Álvaro, mas ele não gostava de andar a pé, e isso era o que eu mais fazia nas férias em São Paulo. Com idade entre oito e 12 anos cheguei a passar horas andando pelo Parque Dom Pedro sozinho e sem nenhuma preocupação. O transito para quem morava no interior era fantasticamente “pesado”. Eu andava muito pela cidade sem ao menos ter ideia onde estava, mas fazia isso sempre marcando pontos de referência para poder voltar. Me perdi várias vezes, mas bastava perguntar: onde fica o Mercadão? E já me davam todas as direções.

 

Me lembro em 1962, a seleção jogava naquele dia e eu estava pelo parque Dom Pedro seguido um balão verde e branco formato Santos Dumont que estava caindo. Me parecia logo ali e não havia ninguém por perto. Corri desesperado achando que iria pegar o balão, mas de repente o balão se escondeu por trás de um prédio e desapareceu. Hoje eu sei que a noção de distância dentro de uma cidade grande faz muita diferença.

 

Dentro do Mercadão eu passava um bom tempo, era conhecido por alguns vendedores, pois meu pai transportava figo de Valinhos direto para a Mercadão. O cheiro característico ainda está na minha memória e quando ainda hoje passo por lá, vem à tona toda uma doce lembrança.

 

Na rua Pagé, minha tia morava no décimo andar do edifício, se não me engano no número 106, e, às vezes, eu ficava só no apartamento e, claro, na janela observando todo o charme da cidade. Por vezes fazia avião de papel e jogava lá de cima. Um dia descobri uma coleção de gibis do
meu primo e comecei a fazer um avião atrás do outro e soltar para ver qual iria mais longe. Depois de algum tempo quando olhei lá embaixo a rua com muitos papéis me assustei, fechei as janelas e passei o resto da tarde com muito medo. Achava que alguém viria reclamar para minha
tia e ela não me deixaria passar mais as férias ali. Ainda bem que nada aconteceu de ruim.

 

Quando minha tia morava perto da gravadora RCA Victor, na Paula Souza, cheguei a ver os membros do conjunto The Fivers subindo a rua correndo. Nossa! Como fã da Jovem Guarda me senti super feliz. No interior ver um artista de perto nunca aconteceria. Foi um momento do qual eu fazia parte e muito gratificante. Boas lembranças sem dúvidas.

 


Vagner Osmar Boneto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Quem sabe você conta a sua história aqui na CBN. Escreva para milton@cbn.com.br. Pode, também, registrar tudo isso no Museu da Pessoa, em áudio e vídeo. Marque pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net e depois você ainda ganha um DVD com tudo gravado.

Conte Sua História de SP: o nosso apartamento da Cohab

 

Por Maria Claudia Oliveira Paiva
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Meus pais se conheceram em Minas Gerais. Se conheceram em um conservatório de música (sim, a arte os uniu), decidiram se amar e vieram tentar a vida em São Paulo. Morei primeiro em Higienópolis, por pouco tempo, era muito pequenininha, e em seguida fomos morar no bairro Alto da Mooca, zona leste. Tenho lembranças maravilhosas desse tempo. Apesar das dificuldades, da vida simples, naquela época eu e meu irmão brincávamos muito na rua, andávamos muito de bicicleta na pracinha que tinha próximo de casa. Meu pai era taxista e minha mãe, costureira.

 

Cresci ouvindo clássicos da música erudita por influência do meu pai. Foi por causa dele, também, que conheci o grande compositor e violonista Dilermando Reis, bem como o compositor e mestre do cavaquinho Waldir Azevedo.

 

Em um dia triste do mês de fevereiro, numa dessas fortes chuvas de verão, a parede da cozinha de nossa casa veio abaixo. Me lembro que estávamos todos juntos, minha mãe costurando, meu pai ouvindo música, eu e meu irmão brincando na mesa. Nos hospedamos de forma provisória na casa da dona do imóvel, que morava na frente, mas em pouco tempo nosso apartamento da Cohab foi liberado, e fomos morar em Itaquera, também na zona leste.

 

Lá vivi dos 7 aos 25 anos, no Conjunto Habitacional José Bonifácio. Foi a época mais marcante da minha vida, pois ali passei da infância para a adolescência, e desta para a idade adulta. Em nosso prédio aconteciam muitas festas para as crianças: dia das mães, dia dos pais, festa junina, Natal, ano novo. Um dos moradores tinha uma das paredes de seu apartamento tomada por caixas de som. Seu apelido era Deca. Nós ficávamos ansiosos esperando: “hoje o Deca vai descer o som!”. E a festa rolava até tarde. Os vizinhos não reclamavam, pois era um ambiente muito familiar.

 

Primeira surra (sim, apanhei em pleno ano novo por ter passado a noite inteira passeando pela Cohab com um namoradinho), primeiro namorado, primeiro emprego, faculdade. Minha formação aconteceu ali e até hoje guardo essas boas lembranças, inclusive das várias amizades que fiz.

 

Mas minha paixão mesmo é pelo centro de São Paulo. Quando comecei a trabalhar no Banco Real, primeiramente na Rua Benjamin Constant, do lado da Praça da Sé, e depois na Rua Boa Vista, eu fui apresentada a esse lugar delicioso. Me lembro que os happy hours de sexta-feira eram sagrados. Eu e minhas amigas explorávamos cada canto, cada bar, cada boteco, em busca de uma boa conversa, uma cerveja gelada e uma boa paquera.

 

Hoje, continuo explorando esse lugar, mas com um olhar diferente. Hoje eu observo mais as pessoas, seus estilos, a arquitetura dos edifícios e das casas, a arte e a manifestação cultural nas ruas….. Tanta coisa boa que muita gente deixa de conhecer, pois preferem ficar fechadas dentro de um shopping center.

 

Irei comemorar mais um aniversário de São Paulo, mas desta vez será especial. Conheci pela internet uma moça que mora em Governador Valadares/MG. Tenho parentes lá e me lembro de ter ido conhecê-los quando eu era muito pequenininha. Essa moça, chamada Dayse, me ajudou a encontrar meus parentes que havíamos perdido contato há mais de 3 anos. Ela virá conhecer São Paulo e ficará alguns dias hospedada na minha casa. Irei mostrar a ela um pouco da cultura, da beleza e das mazelas dessa nossa cidade, inclusive irei levá-la para conhecer um lugar que sempre me leva às lágrimas quando vou: a Sala São Paulo.

 


Maria Claudia Oliveira de Paiva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte a sua história aqui na CBN, escreva para milton@cbn.com.br. Melhor ainda, grave em áudio e vídeo lá no Museu da Pessoa. E só agendar pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net e já sai de lá com um DVD em mãos.

Conte Sua História de SP: aulas no fusquinha 62

 

Por José Augusto da Silva Rocha
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

A vida de um professor é repleta de histórias e experiências, e comigo não é diferente. Iniciei a carreira em 1987 lecionando Ciências e Matemática na Escola Estadual Said Murad, na Zona Leste de São Paulo. Eu sempre gostei de Ciências e em minhas aulas procurava despertar o interesse dos alunos. A experiência que mais recordo foi a de 1989 quando os levei para conhecer a cozinha do McDonald’s, em um tempo em que não havia a prática do “visite nossa cozinha”. O objetivo foi trabalhar os micro-organismos e a saúde.

 

Já em 1992, na E.E. Jardim das Camélias, junto com os meus alunos, em especial o D’Ângelo, numa aula de física, criamos a primeira “Redação Móvel” transformando um fusquinha 1962 numa redação de jornal. Entre muitas outras experiências, a mais marcante, também em uma aula de física, na E.E. Professor Pedro Brasil Bandechicc, com os alunos, adaptamos uma bicicleta para atender as pessoas na rua como se fosse uma escola móvel, seguindo os passos do fusquinha 1962. Na aula, eu explicava aerodinâmica, Leis de Newton, inércia …, enfim, uma aula de física. Nesta época, estava estudando Filosofia, pois pretendia trabalhar com a matéria no Ensino Médio.

 

Em agosto de 2009, já lecionando Filosofia, e na mesma escola, em uma aula, explicando sobre a vida de Aristóteles, o aluno Wilson falou: “Professor Rocha, lembra da experiência da bicicleta na oitava série, vamos transformá-la num “Café Filosófico Móvel” onde o senhor poderia ensinar Filosofia na rua, como o Aristóteles fazia”. E, assim, iniciou-se mais uma história. Com o apoio dos alunos, começamos a desenvolver o projeto do café filosófico nas imediações da escola, como experiência e verificação da aceitação e participação do público. O envolvimento dos alunos foi 100%, incluindo outras turmas, pois eu ainda lecionava Ciências para o Ensino Fundamental. Após um semestre de trabalho, pude observar que o resultado foi positivo, pois aproximei os alunos e eles passaram a participar mais das aulas, tanto de Ciências como de Filosofia.

 

Em 2010, com a bicicleta totalmente readaptada, fomos para a rua desenvolver o café filosófico móvel, projeto que serviu como base, para outros, como o “A Educação como desenvolvimento local”, “Mediação Judicial” e o mais novo projeto que estamos realizando na E.E. Pedro Brasil Bandechicc com o objetivo, de despertar valores e respeito ao próximo, que se chama Justiça Restaurativa.

 

Hoje, ao comemorar 25 anos de magistério, só tenho que agradecer a todos os meus alunos, pois, com eles, aprendi mais do que ensinei. E a minha história não termina aqui, pois se educar é um atributo que Deus deu a todos e a alguns Ele chama de professor, sem perder a essência, hoje caminho em estradas paralelas. Em 2011, a convite de minha amiga, Dra. Margarete, fui fazer o Curso de Conciliação Judicial e descobrir ali a grande oportunidade de continuar contribuindo com a sociedade. Engajado neste caminho, o percurso da Justiça, em 2012, fui para a Faculdade de Direito, e posso me considerar um acadêmico de sorte, pois já iniciei o Curso com uma nova visão: o olhar,para a cultura da paz e não a cultura da sentença, que de certa forma, é ensinada nos Cursos de Direito. Neste ano, 2014, paralelo ao meu trabalho como professor, sou voluntário no CEJUSC Central, atuando como Conciliador e Mediador Judicial, iniciando assim mais uma história de minha vida, que mesmo, estando readaptada ainda pulsa em mim, o educador que nasci para ser. Muito obrigado a todos, por participarem direta ou indiretamente, de cada história, de nossa vida.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando seu texto para Milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.​

Mundo Corporativo: Ernesto Haberkorn e 10 princípios para ter qualidade de vida

 

 

Ter sucesso na carreira profissional e manter a qualidade de vida é um desafio para os trabalhadores que vivem sob pressão e em busca de metas que muitas vezes parecem inatingíveis. Para ajudá-los a vencer esta batalha, o empresário Ernesto Haberkorn apresenta 10 princípios básicos que aplicou em sua própria vida com resultados positivos, nesta entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Haberkorn é diretor da TI Educacional e tem a carreira dedicada à área de tecnologia da informação. Ele foi um dos fundadores da TOTVS e lançou o livro Dicas Para Chegar Lá, distribuído gratuitamente em suas palestras. Para receber o livro em casa, basta fazer o pedido pelo e-mail ernesto@tieducacional.com.br

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, e você assiste, ao vivo, no site da rádio CBN. As perguntas podem ser enviadas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: chegou do Egito para encontrar a Liberdade

 

No Conte Sua História de São Paulo, você ouve um pequeno trecho do livro Vou para o Brasil, escrito por Ugo di Stefano, italiano nascido no Egito que veio jovem para o Brasil.

 

 

No dia 17 de dezembro de 1956 o navio atracou no cais de Santos. Desembarcamos com nossas poucas malas, só roupa e alguns livros. Subindo a serra de ônibus sob uma leve chuva, observava com curiosidade os telhados vermelhos das casas, muitas casas com telhados. Era acostumado a ver casas sem telhas. Claro, no Egito não chovia, portanto bastava uma laje de concreto e só. As telhas eram usadas em palácios públicos ou em grandes mansões. A vegetação da serra de Santos mostrava vários tons de verde e as árvores muito próximas umas das outras, sem deixar espaço. Incrível, uma floresta perto das cidades de Santos e de São Paulo. Uma maravilha! Em um bosque de pinheiros no Egito, era fácil o acesso entre as árvores, mas nesta linda floresta, de vegetação tão densa, não me parecia possível penetrar facilmente.

 

Recebi a informação que para encontrar uma pensão italiana razoável precisava comprar o jornal italiano Fanfulla publicado em São Paulo. Fiz isto e achei uma pensão que visitei. Era boa,. situada na rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília e meu irmão ficou em outra, na rua adjacente à minha. As donas das pensões eram italianas e ofereciam café da manhã, almoço e jantar. No meu quarto um rapaz italiano que trabalhava como vendedor em uma firma de relógios de ponto. No dia seguinte fomos ao consulado geral da Itália para registrar presença e, mais importante, para perguntar sobre a possibilidade de trabalho. Quando souberam que vínhamos de Port Said, fomos apresentados imediatamente ao cônsul, que depois de conversar um pouco conosco chamou por telefone o responsável do jornal Fanfulla para anunciar duas pessoas que poderiam dar informações interessantes sobre o desembarque anglo-francês no Egito. Percebemos que a resposta do outro lado da linha era de que o assunto do desembarque já era notícia velha. Com um telefonema, o cônsul conseguiu um trabalho para mim nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Pediu-me, que fosse no dia seguinte à Praça do Patriarca, escritório central, falar com o sr, Maddaloni no sexto andar. Para meu irmão ele deu outro nome e endereço.

 

Fui admitido com o salário de 3.700,00 Cruzeiros, que era o salário mínimo da época, mas dava para pagar a pensão e ainda sobrava um pouco. Três meses depois o salário mínimo aumento para 4.500,00 Cruzeiros. Com o extra, dava p[araa fazer algo mais., Às vezes penso, como o Brasil mudou, Hoje com o salário mínimo em São Paulo de 755,00 Reais não daria para pagar uma pensão completa para uma pessoa em um bom bairro, como era Santa Cecília naquela época, em 1957.

 

Comecei a conhecer os arredores da pensão, Uma igreja grande e bonita, no largo Santa Cecília, lojas de departamentos, escritórios comerciais e sobrados bem pintados e bonitos. A avenida Angélica com grandes casarões e com uma bela praça de nome Buenos Aires, ampla e arborizada. Andando pela calçada da praça … O que vejo? … Alarme! Um jovem casal em pé, mais do que juntos se beijando apaixonadamente na boca? Um outro casal, nos seus 20 e poucos anos, sentado em um banco da praça, também se beijando com muito entusiasmo. na minha mente tocou o alarme: HARAM!!! Isto não pode ser, é HARAM. Na língua árabe HARAM quer dizer: PECADO, não permitido. Como fazer uma coisa destas em público? E tudo com a maior tranquilidade, não se importando com ninguém. Devo confessar que eu nunca fui santo, mas em público não se faziam estas coisas no Egito, herdando, assim, os costumes árabes. Foi neste momento que senti verdadeiramente o sublime sentido da liberdade. Me senti absolutamente livre … em um país livre.

 


O Conte Sua História de São Paulo tem a locução do Mílton Jung e a sonorização do Cláudio Antonio. Para participar do quadro que vai ao ar, aos sábados, após às 10h30 da manhã, no CBN SP, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net

Conte Sua História de SP: poema da cidade

 


Por Dryca Lys
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Eu nasci e cresci nesta cidade maravilhosa chamada São Paulo. E com seus mistérios e sua fantástica frieza aconchegante. São Paulo é uma experiência de vida, é uma chance única de encontrar vários países em um único lugar.

 

Você pode conhecer a cultura alemã, entrar em contato com a cultura indígena, se sentir no Japão, conhecer a cultura coreana, judaica entre várias e várias culturas sem sair de São Paulo. Graças a magia que existe aqui, você pode se inspirar e difundir arte. Para o aniversário da minha São Paulo, envio este poema. É o que sinto e o que vejo nesta metrópole que chamo de lar

 


Este poema é parte integrante do livro Clube de Autores

 

São Paulo

 

Existem lugares que te fazem sonhar
outros fazem você se sentir mal
mas existe um lugar que te enfeitiça
um lugar que acende seus desejos, atiça
sua vontade de estar ali presente
um lugar único que te faz voar…

 

Mesmo caminhando nos becos escuros
as ruas brilhando como diamante
a música se espalhando e de repente
as estrelas caem e você anda pela poeira sideral
todos os cantos desse lugar parecem seguros
nem sempre… Mas um tapete brilhante

 

se estende aos seus pés, você chora
sozinho, canta em meio a multidão
nos dias de chuva, a brisa aquece
seus anseios, a noite vem, incandesce
seus desejos, a noite se esconde, vai embora
nos dias de sol você vê a sua solidão…

 

Você pode estar em vários lugares, sem sair
de dentro dela, mas não há nada
melhor do que estar lá, faça
o que for, corra, vá e volte, você pode ir
mas ela esta dentro de você, a saudade
te queimará inteiro, você sempre volta para esta cidade.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar deste quadro enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Roberto Colacioppo diz o que os números fazem por você

 

 

Foi ao ler os números e entender as estatísticas que uma seguradora conseguiu melhorar seu desempenho, reduzir custos e qualificar o atendimento aos seus clientes. Com base nos dados obtidos na empresa, identificou-se que o envio de equipe de socorrista seria muito mais produtivo do que um guincho para resolver o problema dos seguradoras. Este é um dos exemplos apresentados pelo estatístico Roberto Colacioppo em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, para mostrar com os gráficos podem ser um aliado do empreendedor. Colacioppo é dono da Anova Consultoria e Treinamento e autor do blog Atirei o Pau no Gráfico, no qual busca desmistificar dados e números que muitas vezes estão à disposição dos gestores mas que não são interpretados da maneira correta. Na entrevista, ele também dá sugestões a quem precisa fazer apresentações com base em estatísticas e gráficos.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo às quartas-feiras, a partir das 11 horas da manhã, no site da rádio CBN, e enviar perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorporCCBN). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN.