Conte Sua História de SP: o cemitério salvou minha vida

 

Por Paulo Roberto Nakashima
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Estava eu caminhando pela Rua Aurora, entre o Largo do Arouche e a Rua da Consolação, no final da década de 80, entre as 23:00 / 24:00, voltando da escola. Eu usava o cabelo bem comprido, algo pouco comum naquela época para um homem e seguia tranquilamente o meu caminho quando me deparei com um homem visivelmente embriagado, que falava alto em espanhol, abraçado por duas mulheres que, provavelmente, prestavam-lhe serviço como acompanhantes. Ao passar por eles o homem gesticulou algo para mim e tentou me beijar. Acho que me confundiu com uma mulher por causa do meu cabelo e as mulheres começaram a rir e zombar de mim. Empurrei o homem e respondi de forma impetuosa as mulheres. Uma delas começou a gritar enquanto que a outra entrou correndo em um barzinho próximo e logo saiu de lá acompanhada de um homem enorme, do tamanho de um armário, bufando com olhos arregalados, enquanto que a mulher falava: “ Foi aquele ali !” e apontava para mim.

 

Tenho que confessar que não me sinto envergonhado em dizer que não pensei duas vezes em sair correndo. Fui em direção a Rua da Consolação seguido pelo furioso armário ambulante que gritava: “Eu te mato, eu te mato, filho d#%¨¨&* !”.

 

Fui subindo a Consolação e só parei quando cheguei aos portões do cemitério, lugar bem conveniente para um descanso no caso dele me alcançar. Felizmente não vi sinal algum do homem. Fiquei surpreso com a minha capacidade atlética. Cheguei a pensar seriamente em participar da São Silvestre, mas desisti da ideia porque não tive a oportunidade de convidar aquele homem para correr atrás de mim, já que eu mudei o meu caminho que eu fazia para voltar da escola.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, após às 10h30 da manhã, no CBN SP. E você participa enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendado entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: minha festa de debutante não foi por água abaixo

 

Por Beth Russo
Ouvinte-internauta da CBN

 


 

Minha rua ficava no Bairro do Cambuci. Rua Freire da Silva. Eram os anos 50/60. No começo nem era asfaltada e o esgoto era a céu aberto. Depois veio o asfalto. Foi uma grande melhoria. Só tinha um problema. Eram os dias de chuva. Enchia a qualquer chuvinha. Todas as casas tinham um murinho na porta ou comportas para a água não entrar. Mas não adiantava. A água é poderosa e quando não “pulava” o murinho, vertia pelas paredes. Minha mãe colocava pedaços de jornal nas frestas da porta, mas também não adiantava muito. Para meu irmão e eu era uma festa: fazíamos barquinhos de jornal e ficávamos na janela vendo-os partir. Às vezes passava um caminhão na enchente e formavam grandes ondas e aí entrava nas casas. As mulheres saiam a xingar, mas as crianças adoravam ver aquele mar bem na sua porta.

 

Eu estudava no Colégio Rainha dos Apóstolos (tinha bolsa, porque era ótima aluna). Para ir para escola, os bombeiros levavam os moradores de barco até a parte seca. Era uma festa. Sentia-me em Veneza. Outras vezes tínhamos botas de borracha, cano alto. Sempre que alguém precisava sair, um familiar acompanhava até onde não havia água e trazia as botas de volta. Nunca ficamos doentes. Quando a água baixava era hora da limpeza. Dava um trabalhão. Desinfetar tudo, esperar secar, raspar o chão, escovão, etc.

 

Quando completei 15 anos, era moda fazer uma festa, com 15 pares de amigos, com velas acesas e tudo mais. Era em nossa casa mesmo. Tinha a vitrola, um bolo, pão com patê e cuba libre. Só que no dia caiu a maior chuva e encheu a rua. Não teve festa. Mas no dia seguinte apesar de tudo conseguimos reunir todo mundo e eu tive minha festa de 15 anos. Era tudo tão simples! Contentávamos-nos com tão pouco! E éramos felizes!

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode enviar sua história para milton@cbn.com.br ou agenda entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net

Políticos e ladrões de olho no Google Glass, nos Estados Unidos

 

 

No início desta semana, Ethevaldo Siqueira, comentarista de tecnologia do Jornal da CBN, mostrou que as tecnologias vestíveis já são alvo de cobiça dos ladrões ao contar o caso de uma jovem americana que ao ser assaltada, na saída de um bar em São Francisco, alertou os bandidos de que o óculos dela, um Google Glass, estava gravando as cenas. Temendo serem descobertos, arrancaram o equipamento e a bolsa dela, provocando reação imediata da vítima que conseguiu salvar seu gadget. A bolsa ficou com os larápios. Por coincidência, no mesmo dia, leio em material divulgado no site da NPR, rede de rádios públicas dos Estados Unidos, reportagem do editor de política em Washington, Don Gonyea, impressionado com o interesse dos coordenadores de campanhas políticas e partidos em conhecer esta tecnologia.

 

Ouça as duas reportagens nos links publicados ao fim deste texto

 

Gonyea descreve que em conferência de políticos conservadores encontrou ativistas fazendo experiências para identificar como os voluntários podem explorar o Google Glass em benefício das campanhas eleitorais. O republicano Peter Idelfonso disse ao jornalista que dois membros de sua equipe relataram que os óculos têm mais capacidade para gravar vídeos e de forma menos intrusiva do que os celulares, vantagens significativas especialmente em eventos e comícios públicos dos adversários políticos.

 

A tecnologia vestível também chama atenção dos estrategistas digitais do presidente Barack Obama que enxergam no Google Glass a possibilidade de enviar informações com mais agilidade aos seus voluntários, por exemplo, quando estes estiverem prestes a abordar um eleitor. Poderiam até mesmo ter suas visitas assistidas instantaneamente pelos escritórios políticos, permitindo análises de comportamento. Betsy Hoover, do 270Strategies, lembra que o Twitter e o Facebook foram importantes na campanha de Obama porque as pessoas podiam acessar as informações e compartilhar através de seus smartphones. O Google Glass coloca esta relação em um outro nível, pois as pessoas serão acessadas enquanto estiverem caminhando na rua, lendo placas de rua ou esperando ônibus.

 

Daniel Kreiss, professor da Universidade da Carolina do Norte, que estuda o impacto das tecnologias nas campanhas políticas, entende que a popularização da tecnologia vestível tem potencial para engajar pessoas que estejam desmotivadas ou afastadas da política. Assim como o Twitter surgido antes das eleições de 2008 somente foi absorvido pelas campanhas presidenciais em 2012, ele acredita que a tecnologia vestível não impactará as eleições deste ano, mas pode se transformar em protagonista na disputa seguinte.

 

Aqui no Brasil, não se conhece nenhum experimento dos óculos do Google para fins eleitorais. Confesso que já ficaria bem feliz se alguns políticos passassem a usar os óculos certos para enxergar as reais necessidades dos eleitores.

 

 

Conte Sua História de SP: na casa do vigário

Por Sônia Maffei

 

 

Minha história sobre a querida metrópole,tem início no fim de 1940,até início de 1960, morava com minha família na cidade de Itu,onde nasci,assim que podia minha mãe,eu e minha irmã, vínhamos para a capital visitar parentes, para mim era uma alegria imensa ,quando era anunciada a viagem,e nem dormia devido a ansiedade.

 

Viajávamos apenas,eu,minha saudosa mãe,e também minha falecida irmã, papai também já em outro plano espiritual, ficava trabalhando, pois era advogado,e nunca tirava férias,pois teria que se manter por conta própria,como todo profissional liberal. Veja como as coisas mudaram em São Paulo, geralmente ficávamos hospedadas na Casa Paroquial de Santa Cecília, pois duas tias de minha mãe,minhas tias avós,tia Ditinha ,e tia Inacinha, eram funcionárias da casa paroquial,e o vigário,gentilmente permitia que parentes das empregadas ali fossem hospedadas.

 

A Casa Paroquial ,era situada à rua Frederico Abranches,e posteriormente transferida para a Fortunato,passeávamos com segurança pelas ruas das imediações, pois,o bairro dos Campos Elíseos,ali perto era onde estava a sede do governo estadual.

 

São Paulo era uma cidade bem policiada,e o trânsito organizado quando eu era criança, vínhamos de trem,para cá ,desembarcávamos na estação Júlio Prestes e caminhávamos com segurança até o bairro de Santa Cecília. O bairro já não é mais o mesmo,mas a majestosa igreja de Santa Cecília lá permanece,testemunha de nossa história.Tenho esperança de que as coisas melhorem,pois tenho fé.Graças a Deus, após minha aposentadoria consegui me mudar para esta querida metrópole,que sempre visitava nos finais de semana,e nas férias.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participartar enviando sua história para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em vídeo com o Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: a maravilhosa Vila Pompeia

 


Por Denilson Claro
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nasci em 1966 no Hospital Beneficência Portuguesa, Vila Mariana, fui batizado na Igreja de São Judas Tadeu, próxima ao Jabaquara e de todos os anos de minha vida, mais de trinta passei no bairro de Vila Pompeia, zona oeste da capital, mais especificamente na Rua Raul Pompeia, em uma casa na qual meus pais ainda moram. Mais Paulistano impossível.

 

Tenho muita saudade deste que foi meu antigo bairro de infância, adolescência e juventude no qual cresci, estudei e fiz grandes amigos.

 

Sou de um tempo em que aos domingos tudo fechava incluindo os postos de gasolina. Tudo ficava muito silencioso, menos em dias de jogos. Quando brincávamos na rua escutávamos os vizinhos torcendo assistindo suas tevês dentro de suas casas. Sim casas e de muros e portões baixos, pois hoje este bairro recebeu a intensa verticalização que veio das Perdizes e os bares e restaurantes que vieram da direção da Vila Madalena.

 

Um tempo que brincávamos na porta de casa fosse de esconde-esconde (e não valia se esconder na garagem dos outros, apenas atrás dos carros ou em cima das árvores) ou então competindo na contagem de cores dos Fuscas, Kombis e Corcéis que passavam, sempre de forma bem espaçada, pela rua. Tempo que a frota de veículos era de pouco menos de um milhão de veículos e hoje passam de sete milhões.

 

Um tempo em que com meus onze anos ganhei a “liberdade” de ir a pé a escola que ficava pouco mais de três quadras de casa na então “semi tranquila” Avenida Pompeia. Hoje vendo meu filho com esta exata idade, sinceramente não creio ter a coragem de dar a mesma liberdade de locomoção que meus pais me deram na época.

 

Conhecíamos cada vizinho pelo nome e pela história de vida. Jogávamos bola em uma pequena e tranquilíssima rua próxima chamada Taipas, na qual fiz grandes amigos. Marcávamos o campo com tijolo e valia a famosa tabelinha com os muros das casas.

 

Naquele tempo, nem era preciso planejar grandes viagens nas férias escolares, pois no dia seguinte ao término das aulas, cada rua do bairro se transformava em um recanto de amigos conversando, andando de bicicleta, jogando futebol ou até mesmo bola de gude em algum terreno vazio.

 

Poderia me estender e contar de cada rua e cada estabelecimento, mas infelizmente não há tempo nem espaço aqui para contar, mas guardo todos em meu coração.

 

Tudo passa, São Paulo mudou e a Pompeia não foi exceção, muito pelo contrário. Os edifícios cada vez mais repletos de infraestruturas de lazer colocam os garotos de hoje atrás dos muros. Amizades hoje só na escola – amigos de bairro, ou de rua estão praticamente extintos na capital. Vizinhos? Morando nos edifícios, mal encontramos nosso vizinho de frente.

 

Por fim, minha vida neste maravilhoso e inesquecível bairro da capital, deixou marcas e muita, muita saudade.

 


O Conte Sua História de São Paulo é sonorizado pelo Cláudio Antônio e vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: o carnaval da Vila Esperança

 

Por Ana Maria dos Santos

 

Ana Maria dos Santos nasceu em 1956 em São Paulo. Quando criança, não conheceu seu pais. E uma série de coincidências curiosas a levaram a acreditar que finalmente havia revelado esse segredo. Ela contou sua história ao Museu da Pessoa, em janeiro de 2010.

 

 

Quando nasci, isso a mais de cinquenta anos, minha mãe estava sem condições e encontrou uma mulher muito bondosa para me criar. Essa senhora morava então na Rua Maria Carlota, na Vila Esperança. Essa rua ainda não havia sido asfaltada e, na época que asfaltaram, virou a alegria da molecada e a tristeza das mães, com surras e tudo, pois o danado do piche grudava em nós e em nossas roupas, dava o maior trabalho para tirar. Isso quando saía.

A filha da minha mãe de criação me batizou, era a minha madrinha muito querida, e de vez em quando eu falava que queria ter um pai. Às vezes, elas me arrumavam um (acho que era um parente distante do interior) e lembro que recebemos a visita da comadre que elas tanto falavam. Foi quando ela me contou que era a minha mãe verdadeira e que eu tinha de recebê-la (pensava que o nome dela era Rosa Maria?!).

A partir daí comecei a me esconder quando ela vinha me visitar. Eu simplesmente sumia. Até dentro de um cesto de vime enorme eu me escondia, tanto era o pavor que ela me levasse embora. Porém, aos meus sete anos ela teve que me levar para estudar num internato em Pinheiros. Aos onze anos, fugi com mais duas meninas, por causa dos maus tratos desse colégio de freiras, correndo a pé pela rua Cardeal Arcoverde, de Pinheiros até o Pacaembu. Foi tragicômico, pois a família que deu garantias que nos abrigaria, e era também o único lugar mais perto que eu sabia como ir, era do diretor da instituição.

Tudo isso para tentar voltar para minha Vila Esperança. Era fevereiro e eu queria também matar a saudade do meu querido e velho carnaval da infância, que subia pela Rua Evans e descia pela Rua Maria Carlota: as matinês, a batalha de confetes, eu tinha de ir.

Como naquela época eu não tinha muita proximidade física, afetiva, com minha mãe verdadeira e estava muita revoltada por causa da ida pro colégio interno, apesar dos esforços dela para fazer algo por mim, quase não conversávamos. Sabia muito pouco sobre ela, somente que trabalhava demais como empregada doméstica. Um dia, mexendo em seus documentos, li que seu nome era Maria Rosa!? Aí eu, muito infantil, quando escutei a música, marchinha de carnaval do Adoniran Barbosa, “Vila Esperança” – “Foi lá que conheci Maria Rosa, meu primeiro amor/Primeira Rosa, primeira esperança, primeiro carnaval, primeiro amor, criança”.

Criança!? Pensei: sou eu!! Pensei comigo: “Desvendei a segredo da minha mãe!” Que ilusão de mente fértil! Só dando risada mesmo. Mas a Esperança, o carnaval, ainda moram bem profundamente nesta velha criança. Por outro lado, até hoje não consigo cantar essa música inteira até o fim sem conter o choro. Nos últimos anos de vida da minha mãe, conseguimos restaurar muita coisa, principalmente a compreensão.

 

Ana Maria dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você pode marcar uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou enviar seu texto por escrito para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: para onde foi tua garoa fina?

 

Por Neusa Kihara
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Com tanto calor, para onde foi tua garoa fina, suave e suavizante?
Com tantos assaltos, para onde foi a calma das tardes de domingo no Parque da Aclimação, quando jogávamos pão aos peixes do lago, comíamos cachorro quente do carrinho da dona Maria e assistíamos aos jogos de vôlei e futebol?

 

Com tanto trânsito para onde foi a tranquilidade dos trólebus silenciosos, percorrendo as ruas do centro velho…Higienópolis…Perdizes…? Por onde andará o moço bonito das viagens da tarde, que sempre se oferecia para segurar meus livros e pastas, quando o trólebus lotava?

 

Dos teus 460 anos vivenciei apenas os últimos trinta, mas notei tuas mudanças…Já não é possível sentir o frescor da garoa contínua; andar despreocupada pelas ruas e parques, paquerar no trânsito… Talvez tua violência e insegurança sempre estiveram presentes e o calor de nossa paixão por ti nos manteve cegos!

 

Não importa, São Paulo: tu serás sempre a melhor cidade, por quem estaremos sempre, eternamente, enamorados!!

 

Os videogamens e a influência sobre as crianças e adolescentes

 

 

O comentarista de tecnologia Ethevaldo Siqueira, do Mundo Digital, levou para o Jornal da CBN a discussão sobre a influência dos jogos eletrônicos para os adolescentes. O tema é extremamente atual a medida que em muitas casas ainda assistimos ao drama dos pais na tentativa de controlar o uso da tecnologia por entender que os excessos podem causar prejuízos, danos no desenvolvimento psicológico e perdas no desempenho escolar. Ethevaldo disse que o tema divide os educadores em quatro grupos: os radicais que são totalmente contra os games; os liberais que recomendam o acompanhamento dos pais; os que condenam os jogos violentos; e os que só aceitam os educativos.

 

Provocado pelo comentarista, contei minha experiência com os dois adolescentes de casa, ambos apaixonados pela internet e pelos videogames. Quando eram pequenos, jogávamos juntos; agora que cresceram, têm interesses próprios e o tempo em que compartilhamos os games diminuiu (mesmo porque passei a tomar surras históricas). Uma coisa não mudou: mantivemos o mesmo ambiente para acessarmos computadores e games. Uma mesa redonda no início, agora horizontal, onde estão nossos computadores, equipamentos que usamos para trabalhar, estudar e nos divertir. Eles fazem lição, conversam com os colegas pelo Skype, trocam mensagens e conhecimento. Também assistem aos seriados, graças a conta no Netflix, e aos seus Youtubers preferidos, onde encontram informação relevante. Jogam bastante em games que, atualmente, são capazes de atrair audiência maior do que boa parte dos jogos de futebol dos campeonatos estaduais aqui no Brasil. Ao lado deles, faço meu trabalho, escrevo textos (como agora), atendo a demandas de jornais e revistas, respondo e-mails, planejo o Jornal da CBN com o apoio dos produtores do programa e organizo minha vida. Em meio a tudo isso, conversamos muito.

 

Considero-me um liberal, pois sequer imponho tempo de uso dos videogames. Nunca precisei disso. Eles sempre foram capazes de perceber quando exageravam e cumpriram perfeitamente suas obrigações. Importante registrar que o desempenho escolar de ambos é exemplar. Pode ser que isto aconteça porque sou um pai de sorte, ou melhor, somos pais de sorte, afinal minha mulher tem tudo a ver com a educação que eles receberam. Creio, porém, que esse privilégio também está ligado ao diálogo que mantivemos durante todos esses anos, sem esconder nossos pensamentos sobre os diferentes comportamentos diante do computador. e da vida. Afinal, jamais pensamos em delegar para a televisão, para os games, para os amigos ou mesmo para a escola a formação que sempre desejamos para ambos. Provavelmente cometemos alguns erros nessa jornada, mas assumimos nossa responsabilidade.

 

Se há um erro que percebo em parte das famílias é a ideia de que a educação de nossos filhos tem de ser terceirizada. É comum ouvirmos pedidos para se encher a grade curricular com temas que poderiam ser muito bem resolvidos em casa: ética, religião, direitos humanos, cidadania, respeito ao meio ambiente, entre outros. São assuntos importantes, sem dúvida, e devem ser debatidos de forma interdisciplinar na escola, mas, principalmente, devem ser exercitados em casa, o que somente vai ocorrer se os pais estiverem presentes. Sei que a maioria de nós tem obrigações profissionais que nos impede de acompanhar os filhos 24 horas. Mas não é isso que se deve buscar, mesmo porque seria impossível. Precisamos valorizar o tempo em que estamos com eles e aproveitar para reforçar os laços de confiança que os fará procurá-lo sempre que surgirem dilemas. E muitos dilemas vão surgir na vida desses adolescentes.

 

Fiquei bastante satisfeito ao perceber que não estou sozinho nesse pensamento, pois a maior parte das mensagens que chegou à minha caixa de correio eletrônico, na rádio CBN, foi de pais que concordam com a ideia de que os videogames não são a fonte de todos os males que descaminham os jovens. Pais que entendem que a responsabilidade deles é muito maior na formação das crianças.

 

Ouça aqui o comentário do Ethevaldo Siqueira que motivou este artigo:

 

Conte Sua História de SP: águas passadas não movem moinho

 

Por Alberto Juan Martínez

 

 

Nas primeiras horas do 20 de janeiro, justo um ano e cinco dias antes do IV Centenário de minha futura querida cidade, São Paulo, cheguei via Santos. Os amigos que aqui me aguardavam me alojaram em um apart hotel na avenida São João depois da Dom José de Barros e a poucos metros da Ipiranga. Melhor que isso só mandando fazer.

 

Terra da inesquecível garoa; bondes abastecendo mão de obra da Pça do Correio à Lapa, da Pça Ramos de Azevedo ao laborioso Pinheiros, aos perfumados e elegantes Jardins; e de ai para a cidade em crescimento.

 

O bar do Jeca, do Brahma, o Hotel Excelsior, o cinema Marabá, a Pça da República, a nobreza da Vieira de Carvalho, o deus-nos-acuda da Sta Ifigênia, Timbiras, Rua do Triunfo; a Av. Rio Branco com sua mini-rodoviária e o ponto de partida e chegada das lotações que serviam a baixada Santista e suas praias.

 

A discreta rua e Largo do Arouche, “O Gato que Ri”, o francês “Le Casserole””, o Mercado das Flores. O charme da rua São Luiz embalada pelo som da trompete de Araquem e a voz de seu irmãozinho Cauby Peixoto. Roberto Luna dava o ar da graça e a noite corria mansamente.

 

Não esquecer os restaurantes da São João com destaque para o Leão, onde gregos e troianos se alimentavam como reis a preços de operários. Fácil chegar, difícil era encontra uma mesa vaga ou um lugarzinho na mesa de alguém que graciosamente te convidava a sentar.

 

Durante o dia, todo o respeito pelo Centro da Cidade com lojas de artigos de últimos lançamentos em outras latitudes: o Mappim, a Mesbla, o luxo da Barão, da Rua Direita, São Bento, Três de Dezembro, onde o bom e o melhor poderia ser comprado, onde homens e mulheres vestidos de domingo circulavam naquele frenesi paulistano.

 

Águas passadas não movem moinhos; filhos, sobrinhos, netos não viveram esse esplendor e me acham um saudosista exagerado. Queira Deus que esse enorme pequeno mundo volte a ser o que era. Que sejam enterradas promessas, utopias e o sol volte a brilhar na minha, nossa cidade, que se pretendeu e se pretende assassinar a sangue frio.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar no CBN SP, sábado, após às 10h30 da manhã. Você participa enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou marcando entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. A sonorização do texto é de Cláudio Antonio.

Mundo Corporativo entrevista Carlos Ewandro da Endesa Brasil

 

 

“A palavra comunicação é dita ‘como única ação’. Você quando separa isso, dá uma dimensão maior a questão da comunicação, porque se você não comunica e não se aproxima – e a comunicação é falar mas essencialmente escutar – alguém comunica por você. Se você não fala, o Sindicato vai falar, o corredor vai falar, a fofoca vai falar”. O alerta é de Carlos Ewandro, responsável pelo RH da Endesa Brasil, empresa do setor energético, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Evandro diz que a troca de informações entre os chefes e os colaboradores tem de ser valorizada, por isso “nós temos modelos robustos de comunicação na Endesa e para se ter ideia as salas dos executivos não tem porta”. O resultado desta troca de experiência foi o uso de câmeras que registram toda a movimentação das equipes que realizam serviços de implantação e reparo da rede elétrica, método que teria reduzido o número de acidentes de trabalho e aumentado a confiança dos consumidores.

 

Você pode assistir, ao vivo, o programa Mundo Corporativo, toda quarta-feira, 11 horas da manhã, pelo site da rádio CBN (www.cbn.com.br) e participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @miltonjung, usando a hashtag #MundoCorpCBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.