Conte Sua História de SP: minha carta ao Belenzinho

 

O texto que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo foi enviado por Heloísa Valle Fernandes, mas é de autoria da mãe dela, Da. Maria Helena Cavalcante Fernandes, que completou 80 anos, em novembro de 2012. Dona Maria Helena escreveu esta história de próprio punho:

 

 

Quando fiquei sabendo que o Sesc Belenzinho seria inaugurado no mês de dezembro, fiquei tão feliz que me vieram à memória tantas passagens de minha vida aqui no Belém. Moro aqui há 77 anos e quando tinha oito anos de idade tomava o bonde bem em frente onde hoje é o Sesc, na antiga fábrica de tecidos do Moinho Santista, e ia para a Escola Padre Anchieta, onde fiz o curso primário. Fico encantada com tanto progresso no meu bairro e o Sesc será uma importante referência. Me lembro bem das brincadeiras na rua, pois não eram asfaltadas e a meninada brincava de Mãe da Rua, Lenço Atrás, pulava corda … e quando a prefeitura trouxe as guias para preparar o asfalto, a gente pulava de uma a uma até a Álvaro Ramos. Foi um tempo muito gostoso! Agora, por aqui, já existem prédios luxuosos que foram construídos onde eram as fábricas de tecidos. A outra importante referência do bairro é o Hospital Infantil Cândido Fontoura, na Siqueira Bueno, que foi construído onde era antigamente a ‘Caixa D’Água” que pegava o quarteirão todo.

 

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Você pode participar com texto enviado para o e-mail milton@cbn.com.br ou pode agendar uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Mundo Corporativo: perfil ético de profissional brasileiro é preocupante

 

 

Pesquisa sobre o comportamento dos profissionais brasileiros mostra que 69% dos entrevistados são flexíveis quando se deparam com dilemas éticos no seu dia-a-dia, enquanto 38%, dependendo da situação, aceitam suborno para beneficiar um fornecedor. Os dados são do estudo desenvolvido pela ICTS – consultoria e Serviços em gestão de riscos e proteção aos negócios, que entrevistou 3.200 profissionais das empresas privadas no Brasil entre 2010 e 2012. “Profissionais que mostram flexibilidade ética tendem a agir sobre pressão e não sobre princípios”, analisa o consultor Renato Almeida dos Santos, um dos responsáveis pela pesquisa, e entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Almeida dos Santos alerta que é preciso acabar com o mito de que suborno é um crime sem vítima e lembra que a mesma empresa que tira vantagem de comportamentos ilegais poderá se transformar em vítima destes crimes. Na entrevista, o executivo da ICTS fala de estratégias que devem ser adotadas pelas empresas para reduzir os riscos de fraude e eliminar comportamentos antiéticos dentro do ambiente corporativo.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, só no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: o taxista do Belenzinho

 

Por Cesar Cruz
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

Céu preto. Fiz sinal pro táxi. Oxalá! Quase eu gritei de alegria quando ele parou, porque eu já estava tomando aqueles pingões grossos na careca. Pulei pra dentro do carro a tempo de vê-los (os pingões) desabarem todos lá do céu, de uma só vez.
 

 

— Segue pra onde? — foi a pergunta do taxista, que eu mais intuí do que propriamente ouvi, por conta do barulhão da chuva na lataria.
 

 

— Metrô Belém! — gritei — É o mais perto, né?
 

 

Ele não respondeu, porque acho que também não ouviu. Se nem eu com 42 anos estava conseguindo ouvir minha própria voz, que dirá ele, que parecia bem velhinho.
 

 

Seguimos pelas ruas do bairro do Belenzinho, já empoçadas àquela altura. Fui observando pela janela os transeuntes com seus guarda-chuvas se aglomerando nas calçadas, duas moças aos gritinhos que, com cadernos na cabeça, buscavam refúgio sob uma marquise, e os camelôs correndo pra desmontar tudo.
 

 

Enquanto meus pensamentos vagavam, pelos meus ouvidos parecia ir entrando uma espécie de reza sonolenta, numa vozinha abafada pelo barulho da chuva; certamente uma missa na rádio do táxi. Espiei no painel e o rádio estava desligado. Não era rádio coisa nenhuma! Era o velhinho taxista, que recitava aquela ladainha e me espiava pelo retrovisor, esperando que eu desse algum tipo de sinal. Apurei os ouvidos para ver se entendia alguma coisa do que ele dizia. 
 

 

Lá fora já não se enxergava um palmo à frente do carro. E os trovões rachando sobre nossas cabeças. Enquanto o táxi avançava passo lento, fui pescando alguns fragmentos das histórias que contava o homem, em seu uníssono monocórdio e de baixo volume. Para fazê-lo feliz, mesmo sem conseguir ouvir quase nada, eu ia vez por outra dizendo “Oh, é verdade!”, ou “Puxa, que coisa, hein?”.

 

Algumas passagens eu conseguia compreender, como a do pai dele, que na época da Segunda Guerra dirigira bondes ali pelo bairro, foi motorneiro; da mãe, que trabalhou a vida toda na extinta firma Moinhos Santista, na Marquês de Abrantes; do irmão, dois anos mais velho que ele, que quando eles eram meninos de calças curtas foi atropelado por um bonde e morreu na sua frente.
 

 

— Não era o bonde do seu pai, né? — perguntei de um súbito, repentinamente chocado.
 

 

— Não, com a graça de Deus… — ele disse.
 

 

E o trânsito ia fechado diante de nós, e o que deveria ser uma corrida de 5 minutos já levava quinze. Não havia o que fazer. Impossível saltar na chuvarada a procurar uma estação que eu nem sabia onde ficava.

 

E na minha distração já ia avançado um relato sobre elevadores, e pelo que consegui escutar, desde mil novecentos e sessenta e alguma coisa ele não entrava em um, porque sei lá quem morreu num “despencamento horroroso” de um elevador no centro da cidade, e do corpo só sobrou a cabeça em cima dos sapatos…
 

 

E tome história!
 

 

Na calçada uma confusão enorme causada pela tempestade que arrastou tudo, e dentro do táxi uma profusão de causos que se sucediam loucamente. Agora ele contava o drama de um câncer que tinha vencido “com a força do trabalho”, porque o homem não pode ficar ocioso nem na hora da doença e…
 

 

Trovão! Cabrum!
 

 

— Porque a minha senhora, que…
 

 

Catabrum! Chuaaaá!
 

 

O final dessa frase se misturou a todos aqueles barulhos, e me sucedeu uma aflição, porque desconfiei que houvesse acontecido alguma coisa com a senhora dele.
 

 

— O quê? — perguntei; mas ele não parava nem por Deus de recitar suas histórias; nem pra ouvir os outros, nem pra esfregar a flanela no para-brisa que ia espalhando o embaçado do vidro. Por fim eu fiquei sem saber se o complemento da frase seria:
 

 

“Porque a minha senhora, que hoje é acamada,…”; ou:
“Porque a minha senhora, que não gosta que eu conte histórias,…”; talvez: “Porque a minha senhora, que acha essas chuvas um perigo,…”;
 

 

Ou um terrível:
 

 

“Porque a minha senhora, que Deus a tenha,…”.
 

 

Sei que àquela altura o táxi já estava encostado no meio fio. Paguei a corrida e chapinhei na enxurrada até a segurança da cobertura da estação, mas ainda a tempo de ouvi-lo enfim se apresentar:
 

 

— Luiz Fernando, seu criado!

 

Mundo Corporativo: estratégias para proteger a imagem da sua empresa

 

 

A reputação é a soma das imagens na história da sua empresa. A definição é do consultor e sociólogo Fábio Gomes, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN, no qual apresenta estratégias e ações que devem ser adotadas pelas instituições para proteger sua imagem. Na entrevista, Gomes lembra que construir uma boa reputação é fundamental para a empresa enfrentar momentos de crise: “A história daquela instituição pode ir construindo um relacionamento com o público muito corrosivo, muito fragil, e, então, um deslize pode ser fatal; para outras instituições em que sua relação com os públicos é mais sólida, um deslize é apenas um arranhão”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: a casa da Avenida Brasil

 

No Conte Sua História de São Paulo, o depoimento de Ana Maria Mato Nardelli, gravado pelo Museu da Pessoa. Ana Maria chegou da Itália com 17 anos, ao lado da irmão e da mãe. O pai, comerciante bem sucedido, viaja muito ao Brasil, para fazer negócios. Lá no início da década de 1950, mandou buscar a família. Havia decidido morar de vez por aqui. Foram todos para uma casa alugada na Avenida Brasil com a Rebouças. Ana Maria conta que naquela época, as avenidas eram largas; as distâncias, enormes; e, apesar dos edifícios do Centro e a arquitetura francesa, boa parte da cidade ainda parecia selvagem. O clima de São Paulo também era bem diferente dos tempos atuais: mais úmido e frio, o que a fazia lembrar da Itália.

 

Ouça a história de Ana Nardelli, que foi ao ar na rádio CBN, sonorizada pelo Cláudio Antonio:

 

 

Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva um texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Mundo Corporativo: estratégias para uma transição sem crise

 

“A mudança é tudo aquilo que vai acontecer externamente na vida do indivíduo; e transição, aquilo que vai precisar acontecer de transformação dentro dele: valores, crenças, hábitos. E essa é a parte mais difícil para viver, tanto quando você tem de se transformar dentro da mesma empresa, como quando você vai de uma para outra empresa. As pessoas não resistem tanto a mudanças, resistem mais a transição”. É o que diz o consultor Rogério Chér, autor do livro “Todo novo começo surge de um antigo começo” (Editora Évora), em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, na qual apresenta estratégias que podem ajudar o profissional a enfrentar processos de transformação.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, às 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internatuas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN.

Cadê o dinheiro do Lalau ?

 

 

O juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto construiu um prédio nababesco para abrigar o Tribunal Regional do Trabalho, na capital paulista. Aproveitou para fazer um acerto de contas com o dono da construtora, ex-senador Luis Estevam, que resultou no desvio de R$ 170 milhões, de acordo com denúncia que o levou a ser condenado a pouco mais de 26 anos de prisão, pena que havia sido revertida em prisão domicilar. Ontem, Lalau, apelido carinhoso que recebeu dos amigos (e foi propalado na imprensa pelos inimigos), teve de voltar à cadeia com a suspensão da prisão domiciliar. Pergunta comum quando tratamos do caso Nicolau é quanto de dinheiro voltou aos cofres públicos. Quase nada é a resposta. Em setembro do ano passado, a Suíça decidiu repatriar cerca de US$ 7 milhões bloqueados desde 1999 em uma conta do ex-juiz em um banco do país.

 

A busca pelo dinheiro desviado e a volta de Lalau à prisão inspiraram o encerramento do Jornal da CBN, desta terça-feira, dia 26/03, que você ouve clicando neste link.

No fim do JCBN: lamparina no morro pra impedir apagão

 

 

A presidente Dilma Roussef convocou cadeia de rádio e TV para reafirmar o compromisso de que a conta de luz dos brasileiros ficará mais barata. Ao mesmo tempo, relatório da Aneel fala em atrasos nas obras que vão garantir energia elétrica nas cidades-sede da Copa do Mundo. Enquanto isso, a turma do morro se arruma como pode para não ficar no escuro, inspirando o encerramento do Jornal da CBN desta quarta-feira, dia 23/01.

 

Ouça o encerramento do Jornal da CBN, produzido pelo Clésio, Thiago, Felipe e Paschoal.