Hoje, senti como missão escrever sobre minha relação com a Central Brasileira de Notícias.
No caminho ao trabalho, pela manhã, estava acompanhando um depoimento da Lúcia Hipólito em comemoração aos 20 anos de criação da rádio, assim como acompanhei os dos diversos jornalistas nos dias anteriores. Mas, somente hoje, a idade dessa jovem informante me causou estranhamento.
_Vinte anos… Mas, como assim, se eu tenho 27?!_ Pensei.
Minha surpresa se deu pelo fato de eu me lembrar ter escutado a CBN durante a vida inteira. Me surpreendi ao perceber que a rádio é mais nova que eu e não bem mais velha como imaginava.
Talvez, pela imagem que criei da rádio quando ainda era criança. Ouvia tantas informações e sobre tudo, que não podia imaginar que, a época, a CBN fosse tão menina quanto eu.
Enquanto algumas pessoas iam formando seu gosto musical pelos discos de vinil de seus pais e irmãos mais velhos, eu – que sou primogênita, fui influenciada pelo rádio do carro do meu pai, que só tocava notícias.
No caminho da escola, do hospital, passeios e viagens ia me acostumando com a vinheta que se tornou parte do meu acervo musical.
No início, não gostava tanto assim. Como criança, queria ouvir outros assuntos que não fossem tão adultos. Mas essa implicância durou pouco tempo.
Rapidamente, fui pegando gosto pelas informações. Queria estar sempre antenada!
Foi assim que, indiretamente, acabei virando porta-voz da rádio.
Chegando ao trabalho, se sinto falta de alguém, já me adianto: “a recepcionista vai chegar atrasada. Tem um engarrafamento no trânsito. Acabei de ouvir na CBN”.
No assunto da hora do almoço, às vezes me pego concordando sobre algum assunto: “é mesmo! Eu ouvi isso na CBN”.
Com pouco tempo de namoro, inocentemente, perguntei ao meu namorado cujas características marcantes são, ser musical e nerd: _Você não escuta notícias? _ Estava tão acostumada a não ouvir músicas no carro, que achava aquilo estranho.
Era engraçado perceber que eu acabava lhe mantendo informado sobre a queda da bolsa, ou dicas de investimento, assuntos com os quais não tenho muita afinidade. Até que, no dia 5 de outubro, ele me cumprimenta à noite dizendo:
_Soube que o Steve Jobes morreu?
Eu respondi surpresa:
_Não… Onde viu isso???
Ele rebateu:
_Acabei de ouvir na CBN.
Achei aquilo no mínimo inusitado.
Talvez, ele só vá saber ao ler esse texto que, o livro “Saga Brasileira” presente dado no dia de seu aniversário foi uma dica da CBN não ouvida por mim, mas pela minha mãe, que durante o dia ouve todas as dicas sobre gastronomia, cultura e tantos mais e nos mantém mais informados quando chegamos em casa.
Nunca tinha parado para pensar nesse tipo de interação, mas o aniversário da rádio me fez parar e rir de tudo isso.
Outro dia, ao passar pela recepção da empresa onde trabalho, ouvi a vinheta que me acompanhou e acompanha ainda hoje.
_ Você está ouvindo CBN?_ Perguntei surpresa.
A moça respondeu:
_Sim! Preciso me manter informada, quero passar num concurso público.
Ri mais uma vez de tudo isso.
Achei, então, que deveria compartilhar com vocês o quanto são influentes sobre a minha vida e a de muitos brasileiros.
Ouvindo a voz de vocês, aprendo todos os dias como ser feliz profissionalmente, como não ficar louca com as dívidas do cartão de crédito, como escolher o político em que vou votar, o restaurante em que vou jantar, formo minha opinião sobre os mais diversos assuntos, até mesmo sobre o futebol que não rendeu nada no fim de semana. E isso faz parte da minha vida!
Parabéns pelo trabalho!
Meu nome é Suellen de Oliveira Sá. Sou professora, ativista de direitos humanos e ouvinte da CBN. Essa é a minha história de amor com a rádio.


