Rádio, cinema e mais uma emoção

“O rádio ao vivo é uma paixão antiga…” Foi com essa frase que iniciei meu texto de ontem, no qual relatei a emoção de transmitir aos ouvintes a vitória do tenista João Fonseca no Aberto da Austrália. Não imaginava que encontraria motivo para retomá-la tão rapidamente.

Hoje, durante a apresentação do Jornal da CBN, ao lado da Cássia Godoy, vivemos mais um daqueles momentos que guardaremos para sempre na memória e no coração. Anunciamos, em primeira mão e ao vivo, para a atriz Valentina Herszage que o filme do qual ela é uma das protagonistas, Ainda Estou Aqui, acabara de ser indicado como finalista do BAFTA, o principal prêmio do cinema no Reino Unido.

Valentina, que interpreta Veroca, a filha mais velha de Eunice Paiva, reagiu visivelmente emocionada à notícia:

“Meu Deus, gente! Gente, que fantástico! É tanta coisa boa, a gente nem sabe mais como reagir, vai ficando sem palavras assim…” disse a atriz, aos 26 anos.

No silêncio que fiz após o anúncio, para acolher a emoção da atriz, acabei me emocionando também, como imagino ter acontecido com muitos dos ouvintes que nos acompanhavam.

Fazer rádio é bom demais!

Conte Sua História de São Paulo: o homem que me apresentou os pássaros da cidade

Por Osnir G. Santa Rosa

Ouvinte da CBN

Dalgas Frisch e o filho Christian – Reprodução do livro ‘Aves brasileiras minha paixão’

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Osnir Geraldo Santa Rosa lembra um personagem que faz desta uma cidade inovadora:

Minha casa fica em uma praça arborizada, com alfeneiros que atraem pássaros para suas copas. Desde pequeno, sou fascinado por aves e suas histórias, e um dos alfeneiros da praça sempre foi palco de encontros memoráveis. Todos os anos, pequenos bandos de aves pousavam ali, fazendo uma algazarra animada. Entre eles, um macho sempre se destacava pelo canto barulhento.

De longe, com minha miopia, essas pequenas aves lembravam canários-da-terra. Durante anos, tentei descobrir a espécie sem sucesso, até que comprei o livro Aves Brasileiras e plantas que as atraem, de Johan Dalgas Frisch, renomado ornitólogo paulistano. Sua obra me revelou que as visitantes eram juruviaras, aves delicadas e raras.

O livro narra um momento marcante da infância de Dalgas, quando ele testemunhou um macho de juruviara desesperado pela morte de sua companheira. Essa cena o inspirou a dedicar sua vida às aves, tornando-se uma figura ilustre da nossa cidade.

Aqui em São Paulo, a rara espécie de hylophilus paicilotis, nome científico para o que chamamos de juruviara-de-coroa-castanha, vite-vite-coroado ou verdinho-coroado, também é celebrada no Parque Vila dos Remédios, que preserva uma área diminuta de Mata Atlântica entre a Vila Jaguara e a Vila Aparecida Ivone. É emocionante saber que ajudei a preservar essa área verde, um refúgio importante para pássaros e para os moradores dos bairros vizinhos.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Osnir Geraldo Santa Rosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Rádio, João Fonseca e um capítulo para guardar

O rádio ao vivo é uma paixão antiga, dessas que o tempo só faz crescer. Em quase 40 anos de jornalismo, já vivi de tudo: tensão, tragédia e êxtase. Cada transmissão é como uma corda bamba, e o equilíbrio depende do improviso, da escuta e da alma. Planejar? Quase sempre é apenas um desejo.

Foi assim na manhã desta terça-feira, 14 de janeiro de 2025 — guarde essa data. Enquanto apresentava o Jornal da CBN, algo especial aconteceu. Eu compartilhava com os ouvintes os momentos decisivos de uma partida de tênis. Mas não era uma partida qualquer. Era a estreia de João Fonseca, uma promessa de 18 anos, no Aberto da Austrália, um dos torneios mais importantes do circuito internacional.

João enfrentava Andrey Rublev, o número 9 do mundo. E, no instante do match point, bem no momento em que falávamos sobre economia e a fake news da taxação do PIX (não haverá taxação, que fique claro), pedi licença à Cássia Godoy e à Marcella Lourenzetto. Não dava para deixar aquele momento escapar.

Ali, com o microfone em mãos, vivi algo que só o rádio pode proporcionar. Era como se estivéssemos todos na beira da quadra, testemunhando um jovem brasileiro escrevendo sua primeira página em um Grand Slam. A vitória veio: 3 sets a 0. João Fonseca, que muitos já apontam como a grande revelação do tênis internacional, deu um passo gigante para cravar seu nome na história.

Em meio a tudo isso, chegou uma mensagem de Ribeirão Preto. Um ouvinte dizia que, ao ouvir sobre João, sentiu-se transportado para os tempos de Gustavo Kuerten, quando o Guga surgia como um furacão no tênis mundial. “Revivi a emoção de acompanhar a CBN nos anos 90”, escreveu ele.

Por sugestão do Paschoal Junior, nosso mestre das operações de áudio, decidi guardar no meu arquivo pessoal o anúncio dessa vitória. Não é sempre que temos o privilégio de contar, ao vivo, o começo de algo que pode se tornar histórico.

E, como bem sabe quem ama o rádio, o histórico começa sempre com uma voz.

Conte Sua História de São Paulo: a cidade pioneira no combate a Covid-19

Por Sérgio Slak

Ouvinte da CBN

Imagem: Agência Brasil

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN, Sérgio Slack, destaca a cidade na vanguarda da ciência:

Sempre frequentei o Paço das Artes, dentro da USP, e amava as exposições e eventos culturais naquele belo e agradável espaço. Em 2016, o governo do Estado determinou sua mudança para dar lugar a um novo complexo do Instituto Butantan. Confesso que na época, fiquei muito chateado, pois o Paço era um dos meus locais favoritos. 

Eu mal sabia o quanto essa mudança seria importante.

Em 2019, surgiram as primeiras notícias sobre a Covid-19. Em 26 de fevereiro de 2020, foi confirmado o primeiro caso no Brasil. A doença trouxe internações e mortes, e uma grande agonia tomou conta de mim. Muitos duvidavam da rapidez para se produzir a vacina. 

O Butantan, com histórico exemplar, especialmente contra o vírus da influenza, se uniu a um laboratório chinês e, em 20 de dezembro de 2020, começou a produzir a vacina. Menos de um mês depois, em 17 de janeiro de 2021, eu vi a enfermeira Monica Calazans receber a primeira dose no Brasil, um momento emocionante pois sabia que a batalha contra a Covid começava a ser vencida. 

Tomei minha primeira dose em 29 de abril, e agradeci a enfermeira Janaína que me aplicou a vacina. Embora não fosse a do Butantan, senti alívio e gratidão. Desde então, sigo me vacinando e, toda vez, lembro da cena pioneira em São Paulo, símbolo da esperança na vida dos brasileiros.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Slack é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a influência das marcas italianas no Brasil

Valentino é uma das marcas de expressão na moda italiana

A relação histórica entre Brasil e Itália vai além dos laços de sangue e cultura; ela também se reflete fortemente nas marcas que moldam os hábitos de consumo dos brasileiros. Esse foi o tema central do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

No comentário, Jaime e Cecília destacaram como as marcas italianas deixaram sua marca no Brasil, tanto no comércio quanto na identidade cultural. “A Itália tem um papel enorme nas marcas, nos nossos padrões de consumo e na nossa identidade de consumo”, afirmou Cecília. Jaime completou: “Algumas dessas marcas são tão próximas a nós que parece que já são brasileiras porque vivem aqui entre nós há muito tempo.”

O programa abordou segmentos como alimentação, automóveis, moda e bebidas, onde marcas italianas têm presença expressiva. Na alimentação, o destaque foi para a Barilla, empresa que não apenas exporta para o Brasil, mas também possui produção local. No setor automotivo, ícones como Ferrari e Fiat ilustram extremos de público e vocação, enquanto clubes de futebol como Palmeiras e Juventus reforçam a herança italiana nos campos brasileiros.

Na moda, nomes como Prada, Valentino e Armani surgem como símbolos de um design único e de atenção aos detalhes. “Essas marcas ensinam muito sobre cuidado com os ingredientes, a matéria-prima e o design”, pontuou Cecília. Jaime ainda lembrou de marcas clássicas como Ferrero Rocher, produtora da famosa Nutella e dos Kinder Ovos, e Pirelli, sinônimo de pneus no imaginário popular. “Você passa perto da Ferrero e sente o cheiro de avelã no ar”, comentou.

A Marca do Sua Marca

O comentário deixou como marca principal a lição que as marcas italianas transmitiram ao mercado brasileiro: a importância do cuidado com os detalhes, a seleção criteriosa de matérias-primas e a força de um design bem elaborado. Essa combinação é um dos legados culturais e comerciais da Itália no Brasil.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: a colheita no maior cafezal urbano do mundo

Por Marina Zarvos

Ouvinte da CBN

Photo by Engin Akyurt on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 471 anos da cidade, a ouvinte da CBN Marina Zarvos destaca a os méritos do primeiro centro de formação de cientistas do estado:

“Café com pão, café com pão, café com pão… Virge Maria, que foi isto, maquinista?” 

Manuel Bandeira

O trem de ferro que transportava minha família, no vaivém entre Lins e São Paulo, cortava os cafezais da Noroeste Paulista, memória que ecoa nos versos de Manuel Bandeira. Cresci brincando entre fileiras de cafezais, envolta em sacarias de café e repletas do perfume dos grãos torrados. 

Certo dia, desembarcamos na capital. Sem passagem de volta.

Quanta saudade do cheiro de terra roxa molhada e do aroma do café coado. Garotinha de 10 anos, sentia a  falta do verde e da florada do cafezal — como quem perde uma companheira de alegres brincadeiras. 

Tive a sorte de morar nas imediações e fui acolhida pelas árvores do Parque Ibirapuera. Minhas raízes fincadas no interior deram ramos na Pauliceia Desvairada, onde cresci e amadureci.

Cinco décadas depois, um convite inesperado: participar da colheita de café no Instituto Biológico. Em plena Vila Mariana? Descobri ali o maior cafezal urbano do mundo, com 1.536 pés de café em 10 mil metros quadrados. Criado por demanda dos “barões do café”, em 1927, para combater pragas nos cafezais, o Instituto foi tombado no início deste século, por pressão dos moradores da região, os “barões” da preservação ambiental.

Fui levada por minha filha que lá estudava na pós-graduação. A mãe-menina perdeu-se nas fileiras, fez a colheita, ganhou um cesto e trouxe como prêmio os frutos que conseguira colher.

Visitem o Instituto Biológico e conheçam a beleza do cafezal paulistano. E que, a cada manhã, o café com pão continue nos conectando à nossa história.

Ouça o Conte Sua História de São paulo

Marina Zarvos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: virei notícia de jornal

Por Christina de Jesus Rebello

Ouvinte da CBN

Nasci em 25 de dezembro de 1933, na Avenida Rebouças, 1238. Vi a cidade crescer. Na minha infância, quase não havia carros, mas, mesmo assim, fui atropelada aos 5 anos, na esquina da Rebouças com a Oscar Freire, um episódio que até saiu no jornal. Nosso transporte era o bonde, e o Hospital das Clínicas era apenas um enorme terreno pertencente a uma família portuguesa.

Estudei no Grupo Escolar Godofredo Furtado, no Colégio Pais Leme, onde hoje está o Banco Safra, e fiz Magistério no Colégio Piratininga, na Avenida Angélica. Na infância, adorava visitar o Parque Trianon para ver o bicho-preguiça. Caçula de quatro irmãos, minhas irmãs mais velhas faziam todas as minhas vontades.

Com 20 anos, vivi as comemorações do Quarto Centenário de São Paulo e a inauguração do Parque Ibirapuera. Fui a pé com meu pai, da Avenida Rebouças até o parque, como era comum na época. Frequentei a Colmeia Instituição a Serviço da Juventude, onde participei de atividades e bailes.

Fui comerciante no local onde nasci. Primeiro, com a Avicultura Nossa Senhora Auxiliadora, depois com o Mundo Encantado dos Vasos. Na época, ser mulher e tocar um comércio era para poucas.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Christina de Jesus Rebello é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o valor dos embaixadores internos

Photo by Jopwell on Pexels.com

Nem todos os colaboradores enxergam a empresa onde trabalham da mesma forma, e essa diferença pode ser crucial para o sucesso de uma marca. Esse foi o tema abordado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. Eles discutiram o papel dos “embaixadores da marca”, aqueles profissionais que, além de desempenharem suas funções, demonstram um vínculo especial com a empresa.

Cecília Russo destacou a importância de identificar esses colaboradores, especialmente para empresas de pequeno e médio portes. Parafraseando uma das frases mais célebres de George Orwell, em Revolução dos Bichos, ela afirmou: “Podemos considerar que todos os colaboradores são iguais, mas há alguns mais iguais que outros.” 

Segundo Cecília, “todos podem ser colaboradores corretos e dedicados, mas há alguns que vão além disso no compromisso com a empresa e a marca que a representa”. Ela explicou que, enquanto muitos veem o local de trabalho apenas como um registro na carteira, outros expressam com orgulho onde trabalham, revelando um senso de pertencimento.

Essa diferença foi bem ilustrada por Jaime com um exemplo prático: a diferença entre as respostas “eu trabalho na empresa X” e “eu sou da empresa X”. “A segunda resposta evoca orgulho e um certo sentido de pertencimento, mostrando a força do vínculo que o colaborador sente com o espaço profissional”, explicou. 

Jaime ainda citou o livro Fronteiras da Liderança, de Fernando Jucá, como uma referência para líderes que desejam identificar e valorizar esses colaboradores. “Lá encontramos pistas de como os autênticos líderes conseguem reconhecer quem são os embaixadores da marca e como utilizá-los de maneira estratégica”, comentou.

Cecília Russo complementou o comentário ao afirmar que a força de uma marca depende diretamente desses embaixadores internos. “Sua marca será tanto mais forte quanto mais embaixadores internos você tiver”, resumiu. Ela destacou que o desafio das lideranças é reconhecer e potencializar o papel desses profissionais.

A Marca do Sua Marca

A principal mensagem do quadro é clara: o orgulho e o vínculo genuíno com a empresa são diferenciais que fortalecem a marca. Identificar e engajar esses embaixadores internos pode ser a chave para uma conexão mais sólida entre a empresa e o mercado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: eu fui feliz

Por Leonice Jorge

Ouvinte da CBN

Às vezes, são os sonhos que nos empurram adiante; outras, os pesadelos que nos puxam para longe. Pesadelos traduzidos em dificuldades financeiras que clamam por soluções urgentes.

Os problemas eram grandes demais para um chão tão pequeno, um céu tão curto, uma visão tão estreita. Era preciso buscar novos horizontes: criar asas e encher ainda mais o balão de gás para voar longe, deixar o pequeno lugarejo e seguir rumo à Cidade Grande.

São Paulo, a Cidade Grande.

Do nascer do sol ao cair da tarde, São Paulo pulsa sem descanso. As horas se gastam nos lares, nos bares, lojas, restaurantes, escritórios, fábricas, no metrô, no camelô, nas universidades. É uma cidade que vive na diversão, na labuta, nas batalhas do dia a dia. E as horas, por vezes, se perdem nas rodas de carros, ônibus e caminhões que entopem ruas e avenidas. Mesmo assim, São Paulo não foi feita para parar.

É uma cidade de contrastes e extremos:
De vielas e ruas estreitas a grandes avenidas.
De ônibus e metrôs lotados a carros ocupados por apenas uma pessoa.
Do conforto das mansões nos Jardins ao sufoco de quem vive nas comunidades e periferias.

São Paulo, de tanta gente, de todos os estados brasileiros, de tantos ou todos os países do mundo. Sempre me perguntei: “O que passa pela cabeça dessa gente? São milhões de pés, braços e mentes… Sonhos, trabalho, sustento. Fugir da seca, do sertão, do sofrimento.”

Muitos vêm em busca de fama, outros apenas de uma vida digna. Mas quase todos procuram as oportunidades que só uma metrópole oferece. São Paulo é assim: uma Selva de Pedra, mas sempre de braços abertos, com um coração de mãe onde sempre cabe mais um.

Cheguei pela Estação da Luz, depois de mais de 10 horas de viagem de trem. Ainda atordoada, desembarquei nessa Cidade Grande. Era tudo novidade. Era de assustar! O ano era 1975. O Brasil era governado por Ernesto Geisel, e São Paulo já era imensa, mas tinha apenas um shopping: o Iguatemi. No ano seguinte, em 1976, seria inaugurado o Shopping Ibirapuera.

Na época, a cidade contava com uma única linha de metrô: a Norte-Sul, que mais tarde seria chamada de Linha Azul. O transporte público era básico, mas suficiente para conectar a cidade que começava a crescer vertiginosamente.

Lembro-me também do que fazia sucesso: na televisão, a novela “Pecado Capital” com Francisco Cuoco no papel de Carlão. A música tema não me sai da cabeça: “Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval…”. Nos cinemas de rua, brilhavam filmes como “O Poderoso Chefão”, “Rocky, um Lutador” e “Um Estranho no Ninho”. E no rádio? Raul Seixas cantava sua “Metamorfose Ambulante” e “Maluco Beleza”. Também ouvíamos muito Rita Lee, Roberto Carlos e bandas de rock que dominavam a cena musical.

A cidade ainda tinha as lojas Mappin e Mesbla, que lotavam durante as liquidações. São memórias que me transportam no tempo.

Fui para São Paulo para trabalhar, como diz Caetano Veloso: “sem lenço e sem documento”. Comecei como bancária no Bradesco, com meu sotaque caipira, que arrancava risos e imitações dos colegas de trabalho. Sete anos depois, iniciei um novo emprego no centro da cidade, na Rua Conselheiro Crispiniano, pertinho do Mappin.

Lembro também de momentos difíceis. Era uma época marcada por protestos e saques nas lojas. Do prédio onde trabalhava, ouvíamos o som das portas se fechando às pressas. Corríamos para as janelas, movidos pela curiosidade e pelo medo. Era assustador.

Um ano depois, em 1984, passei em um concurso público e entrei na Prefeitura Municipal de São Paulo, onde permaneci até me aposentar.

Cheguei jovem a São Paulo e lá vivi anos maravilhosos. Estudei, trabalhei, me diverti. E posso dizer, sem dúvida: em São Paulo, eu vivi. Ali, eu fui feliz.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Leonice Jorge é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Como começar o ano novo: reflexões com Rossandro Klinjey

Hoje, 1º de janeiro, inauguramos um novo ciclo no calendário e, com ele, a oportunidade de refletir sobre o que esse marco realmente significa para cada um de nós. Aproveitando a chegada recente ao Jornal da CBN de Rossandro Klinjey, psicólogo e agora parceiro no quadro Refletir para Viver, o convidei para uma conversa mais profunda sobre como iniciar o ano com leveza e acolhimento, além da necessidade de termos um olhar mais atento para dentro de si. Como era de se esperar, Rossandro nos permitiu uma entrevista de altíssima qualidade e rica em ensinamentos.

Ao abrir o diálogo, perguntei a Rossandro sobre o que representa o começo de um novo ano. Ele destacou que, embora o “arquétipo do novo ciclo” seja poderoso, nem sempre nossas emoções acompanham a virada do calendário. Muitas vezes, carregamos pendências emocionais e práticas de anos anteriores, o que pode gerar uma sensação equivocada de incompetência.

“A concretização de certas metas exige tempo”, explicou ele, “assim como um projeto de vida, como se tornar jornalista ou psicólogo, é fruto de anos de dedicação. Plantamos em alguns anos para colher em outros.” Essa reflexão nos desafia a adotar uma postura mais acolhedora consigo mesmos, reconhecendo o valor das pequenas conquistas e não permitindo que metas não cumpridas minem nossa autoestima.

A pressão social e a busca por autenticidade

Lembrei durante a entrevista sobre a pressão social que nos impulsiona a entrar no ano com todas as metas definidas e resolvidas. Em um mundo saturado por “receitas prontas” — como as que vemos nas redes sociais —, Rossandro nos convidou a pausar e ouvir mais o nosso interior.

“Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro, acorda”, citou ele, parafraseando Carl Gustav Jung. Ao priorizarmos o que é relevante para nós, em vez de seguir a onda do que é “moda”, conseguimos criar metas mais autênticas e alcançáveis.

Embora o foco em si mesmo seja essencial, Rossandro destacou o papel vital das relações humanas no recomeço de um ano. Somos seres gregários, disse ele, e a conexão com os outros nos ajuda a construir uma vida mais equilibrada. No entanto, é crucial saber com quem nos conectamos. Ele sugeriu que, assim como deixávamos os sapatos na porta durante a pandemia, talvez seja hora de “deixar para fora” de casa relações tóxicas ou ideias que não fazem mais sentido.

“Reaproximar-se de pessoas que nos fazem bem é essencial”, afirmou ele. Seja nutrindo amizades antigas ou estabelecendo limites claros em relações desgastantes, cultivar boas conexões é um passo fundamental para o bem-estar mental.

A importância do autocuidado e da paz interior

“A paz do mundo começa em mim”, disse Rossandro, ecoando a letra de uma música de Nando Cordel. Ele nos lembrou que, em um cenário turbulento, onde temos pouco controle sobre as transformações externas, cuidar da nossa saúde mental e emocional é uma prioridade. Ao investir em nosso mundo interno, criamos uma base mais sólida para enfrentar os desafios inevitáveis que o ano trará.

Encerramos a conversa com um olhar otimista, e realista. Rossandro destacou que o desejo de um “Feliz Ano Novo” não significa a ausência de dificuldades, mas sim a capacidade de enfrentá-las com coragem e resiliência.

Que possamos, como ele disse, usar este começo de ano para refletir sobre nossas próprias metas, fortalecer nossas relações e acolher nossas emoções. Assim, estaremos mais preparados para aproveitar o que 2025 nos reserva — com serenidade, coragem e, acima de tudo, autenticidade.

Ouça a entrevista com Rossandro Klinjey