Conte Sua História de São Paulo: brinquei entre os cavalos da repressão e as moças do hotel

Dalton Giovannini

Ouvinte da CBN

Av. Casper Líbero em foto Wikipedia

Nasci no coração de São Paulo, na Avenida Casper Líbero, durante a década de 1960. Minha infância foi marcada pela necessidade de adaptar-me às escassas opções de lazer na sobreloja do prédio onde morávamos.  Não havia espaço de convivência e jogar bola nos estreitos corredores era um desafio, enquanto pedalar meu triciclo nas calçadas se tornava um espetáculo encantador, apesar dos transtornos causados aos pedestres.

Em uma ocasião memorável, enquanto passeava com minha tia Lucia, uma confusão repentina nos fez buscar refúgio no fundo de uma loja. As portas de ferro foram baixadas apressadamente, revelando uma cena de cavalos em disparada e pessoas fugindo—um reflexo dos desafiantes tempos que enfrentávamos.

Todos os dias, eu e minha irmã atravessávamos a magnifica Estação da Luz a pé, passando pelo parque em direção à escola estadual Prudente de Morais, que hoje faz parte da Pinacoteca. Admirávamos suas fontes, hoje secas, e brincávamos com os girinos que se reproduziam nas águas. 

Durante aquela época turbulenta, nossa escola, por vezes, recebia ameaças. Sem entendermos bem o que ocorria, vivíamos o inesperado prazer de sermos levados ao quartel da ROTA, situado em frente à escola. Ali, passávamos horas explorando os carros e equipamentos da polícia até que a situação se esclarecesse—momentos que se gravaram em minha memória.

Após as aulas, eu frequentemente visitava um pequeno hotel na rua Washington Luis, cujas funcionárias me recebiam com balas, doces e carinho. Embora na época eu não compreendesse exatamente o que elas faziam ali, essas visitas eram sempre um ponto alto do meu dia. Curiosamente, também me intrigava um bar na Avenida Cásper Líbero, que escondia pequenos “quartos” em seu interior. Sempre que tentava espiar, o dono do bar me repreendia carinhosamente, chamando-me de “mosquitinho elétrico”.

Outro momento inesquecível era a chegada dos primos que moravam nos bairros residenciais de São Paulo. Eles ficavam fascinados com o elevador do nosso prédio, que era cenário de muitas brincadeiras e frequentes reprimendas do zelador.

Apesar de ser um garoto tipicamente urbano, minha infância naquele cenário foi excepcional, permeada por garrafas de leite de vidro e emoções intensas. Naquela época, não era comum ter redes de proteção nas janelas, e brincar de se pendurar nelas era um passatempo recorrente.

Em 1970, aos oito anos, mudei-me para o bairro do Tucuruvi, na Vila Mazzei, onde vivenciei uma infância diferente, com algumas deficiências que trouxe do centro: nunca aprendi a empinar pipa e jamais avancei além da posição de goleiro. Mas foi lá que conheci Zé Grilo, um amigo que permanece ao meu lado até hoje e cuja memória fantástica guarda histórias que até eu duvido ter vivido. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Dalton Giovannini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Felipe Félix, do will Bank, fala de como tornar seu negócio acessível ao cliente que está fora do mercado

Felipe Felix nos bastidores do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“77% da população brasileira acha mais fácil controlar seu dinheiro em papel moeda do que dentro de uma conta bancária.”

Em uma época na qual a inclusão financeira se torna cada vez mais vital, é importante adaptar os serviços bancários à realidade dos brasileiros que vivem fora do sistema financeiro. Foi com essa ideia em mente que Felipe Félix, fundou o will Bank, em 2017, um banco digital que tem 1.200 colaboradores e oferece produtos como cartão de crédito e débito, conta digital, investimentos, crédito pessoal e marketplace.

40% da base de clientes guarda dinheiro em casa, ou seja, não usam bancos ou poupanças tradicionais disse Félix, em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, elucidando sobre as barreiras enfrentadas por esses consumidores quando confrontados com produtos financeiros complexos como CDBs e debêntures.

Inclusão Financeira e Simplicidade

Ao longo da entrevista, Felipe Félix compartilhou como o will Bank, ao se aventurar pelo interior do Brasil, adotou uma abordagem simplificada para atrair clientes. Ele destacou a importância de uma oferta acessível e descomplicada:

“Antes de você entender as motivações e os porquês, é essencial entender como esse cliente se relaciona com seu produto”.

Uma das estratégias chave do will Bank tem sido o uso do crédito como porta de entrada para uma nova experiência bancária, especialmente para aqueles que são novos no uso de serviços financeiros. Para Félix a tecnologia pode facilitar o acesso a serviços financeiros sem tarifas proibitivas:

“A grande parte do atendimento ao nosso cliente é feita pelo celular, um canal de atendimento digital, porque isso traz escala”

Cinco lições para usar no seu negócio

A entrevista de Felipe Félix oferece várias lições valiosas sobre atendimento ao cliente, especialmente em contextos de inovação e inclusão financeira. Aqui estão alguns dos principais aprendizados que podem ser extraídos:

1. Conheça profundamente seu cliente: Felipe enfatiza a importância de entender não apenas as necessidades financeiras básicas dos clientes, mas também seus comportamentos, motivações e as barreiras que enfrentam ao acessar serviços financeiros.

2. Simplifique os serviços: Um dos grandes obstáculos para a inclusão financeira é a complexidade dos produtos bancários. A abordagem do will Bank de simplificar esses produtos e o próprio processo bancário torna os serviços mais acessíveis e compreensíveis, o que é crucial para clientes que podem ter limitada experiência financeira prévia.

3. Mantenha um equilíbrio entre tecnologia e interação humana: Apesar de ser um banco digital, o will Bank reconhece a importância da interação humana. Felipe discute como eles combinam atendimento digital com momentos de contato humano direto, garantindo que a tecnologia não substitua completamente o elemento pessoal, mas que trabalhe para aprimorar a relação com o cliente.

4. Resolva dores específicas do cliente: Cada serviço oferecido deve ter como objetivo resolver uma “dor” específica, demonstrando um atendimento focado no cliente.

5. Acessibilidade é chave: A estratégia de oferecer serviços por meio de canais digitais amplia a acessibilidade, permitindo que pessoas em regiões remotas ou com restrições de mobilidade possam acessar serviços financeiros da mesma forma que clientes em áreas urbanas. 

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Malu Mões, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Antônio Carlos Aguiar fala dos desafios do trabalho na era digital

Bastidor da gravação com Aguiar, no estúdio da CBN. Foto: Priscila Gubiotti

“Então, não dá mais para fazer aqueles planejamentos que nós fazíamos de cinco, de 10 anos, porque eu não sei o que vai ser. Nem o mercado de trabalho a gente sabe mais o que é.”

Antonio Carlos Aguiar, advogado

A evolução tecnológica tem reformulado as bases tradicionais do trabalho, criando um novo paradigma onde as relações laborais precisam ser tão ágeis quanto as mudanças sociais e tecnológicas que as impulsionam. Neste contexto, o advogado Antônio Carlos Aguiar, especialista em direito do trabalho digital e disruptivo e autor do livro “Direito do Trabalho 2.0 – digital e disruptivo”, compartilhou suas perspectivas no programa Mundo Corporativo da CBN.

Transformação Digital no Ambiente de Trabalho

Durante a entrevista, Aguiar enfatiza que o cenário atual exige uma nova abordagem nas relações de trabalho, onde até mesmo a legislação existente, como a CLT, parece não mais atender completamente às necessidades atuais.

“O trabalhador tem um mindset digital na prestação do trabalho dele com visão de startup, do mundo do Século 21, do mundo com viés digital e não mais aquele mundo analógico, onde tinha para proteção do trabalhador uma CLT , alguma coisa mais formal”

O advogado pontua a importância de entender que estamos em um ecossistema trabalhista onde tem inclusive stakeholders que optam por sequer trabalhar e têm de ser respeitada essa opção” A flexibilidade e a informalidade, que antes poderiam ser vistas como precarização, hoje são entendidas como parte de um ambiente de trabalho que valoriza a autonomia e a contribuição individual de maneira não tradicional.

“Então, as relações de trabalho tem que acompanhar as mudanças das relações sociais e a visão de propósito que a nova geração tem”.

Antonio Carlos Aguiar também discute a interação entre diferentes plataformas digitais e o mercado de trabalho, admitindo que não se tem ainda uma resposta concreta sobre como essa relação deve se realizar porque é ainda algo muito novo. Entende, porém, que se deveria refletir sobre a maneira como as grandes empresas de tecnologia transformaram completamente seus modelos de negócio para atender às demandas do século 21. Um exemplo é a Amazon: se antes vendia livro, hoje entrega qualquer produto em qualquer lugar do mundo. Citou, também, o WeChat, que é a versão do Facebook na China, uma rede social pela qual também se faz pagamento sem usar cartão de crédito ou dinheiro. Ou seja, um espaço de entretenimento, pagamento e prestação de serviço que representa bem o modelo de negócio  atual.

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Conte Sua História de São Paulo: brincadeiras nos paralelepípedos da minha cidade

Gláucia Rosa

Ouvinte da CBN

Imagem criada no Dall-E

Nasci no Hospital Nove de Julho, na época em que meus pais moravam na Vila Mariana. Vivemos na rua Dona Avelina até os meus 5 anos de idade.

Os muros das casas eram baixos, bem como seus portões. Acreditávamos que o “velho do saco” levava, em seus enormes sacos apoiados em suas costas, crianças desobedientes. Sim, éramos constantemente ameaçados de sermos carregados pelo “velho do saco”. Mas, imagine você, aos quatro anos de vida, a menina travessa, com muita energia, corria e brincava na rua.  Rua de paralelepípedo. 

Será que os nascidos no século XXI sabem ou já pisaram numa rua assim?  Eu não só pisei como me ralei algumas vezes.

Digo sempre que estreei meus joelhos nos paralelepípedos da Vila Mariana. O primeiro tombo, inesquecível! Mesmo porque foi curado com mertiolate — o que arde, cura!. 

O progresso e as melhorias da pavimentação chegaram e, nos meus cinco anos de idade, mudamos da Vila Mariana para o Planalto Paulista. Sensacional! Ladeiras lisas. As ruas já com asfalto pareciam um escorregador. Brincávamos de pega-pega, esconde-esconde, queimada, pula-corda e os meninos mais velhos e descolados ousavam se arriscar, ladeira a baixo na “pilotagem” de um carrinho de rolimã “made in home”.

Que época interessante. Nós, crianças até a década de 1970, amávamos quando, à noite, a luz do interior de nossas casas e das ruas era, repentinamente, cortada, e não chovia. Claro, era a combinação perfeita para deixarmos de fazer nossas tarefas escolares, buscar as lanternas e correr para a rua, onde encontraríamos com nossos amigos e amigas e as brincadeiras começavam.

Nossos pais, com olhos a postos, nos vigiavam atentamente sobre os baixos muros, pois, a escuridão era algo assustador… Era mesmo?

Assim que a luz voltava, se antes das dez da noite, ok, poderíamos seguir mas, se já passasse meia hora que fosse, “stop”, parem tudo, vamos entrar e dormir. Amanhã é dia de aula e vocês têm que acordar cedo!

Esta história é uma pequena recordação de uma infância paulistana, vivenciada nas décadas de 60 e 70, que se passava, literalmente, na rua que tinha casas com portas abertas ou destrancadas. Época em que se podia encontrar cadeiras nas calçadas, sobretudo, no verão, ocupadas pelas moradoras das vizinhança, para aquele bate-papo.

Pensar que Sampa um dia já foi vivida com pouco ou quase nenhum medo nas suas ruas que, majoritariamente, eram palcos de brincadeiras e felicidade.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Glaucia Rosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: encarando a concorrência com sarcasmo e diversão

Reprodução de anúncio que compara o Gordini com o Fusca

 “Pelos códigos do CONAR, a propaganda comparativa é legal desde que: seja realizada de forma objetiva com o intuito de esclarecimento ao consumidor”

Jaime Troiano

A estratégia de colocar marcas frente a frente não é nova, mas sua adoção no Brasil, tradicionalmente conservador neste aspecto, vem marcando uma mudança significativa no cenário publicitário. Jaime Troiano e Cecília Russo comentaram no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, da CBN, que por muito tempo se evitou o confronto direto entre marcas por uma questão cultural, de cortesia e de temor ao conflito. Agora, porém, se testemunha uma evolução em suas práticas publicitárias, alinhando-se a tendências globais onde a comparação explícita entre competidores é comum e bem-vista.

“No Brasil, até uns 10 anos atrás, essa era uma prática bem pouco adotada, ao contrário do que a gente vê em mercados como o dos Estados Unidos, onde isso é bastante comum”

Cecília Russo

Segundo Cecília, a resistência nacional pode estar ligada a uma cultura que favorece a empatia pelo ‘underdog’, ou seja, aquele que está em desvantagem. No entanto, a mudança de ventos sugere que as marcas brasileiras estão cada vez mais dispostas a assumir uma postura assertiva, utilizando o duelo direto como uma estratégia de demonstração de superioridade. 

“É interessante notar que para se adaptar a nossa cultura, essa propaganda comparativa usa um tom de sarcasmo, às vezes de reverência ou até um jeito mais divertido de falar, trazendo um caráter mais amigável que deixa essa comparação um pouco mais disfarçada, como se na brincadeira estivesse valendo”

Cecília Russo

No passado, em um dos raros confrontos diretos das marcas na publicidade, assistiu-se a concorrência entre os carros Fusca e o Gordini — alguns dos anúncios, você ouve no áudio que está ao fim desse texto. Atualmente, é possível perceber essa estratégia mais explícita no confronto de marcas do mesmo segmento como Mc Donalds e Burger King, Pepsi e Coca, Duracell e Energizer, Toddy e Nescau, Uber e 99. 

Assista aqui a um vídeo que conta concorrência entre o Fuscas e o Gordini

Jaime Troiano traz à discussão a regulação desse tipo de propaganda pelo CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária),  aqui no Brasil. Ele enfatiza a legalidade da propaganda comparativa desde que cumpra critérios específicos como objetividade, comprovação e respeito à imagem da marca concorrente. Jaime ainda revela dados intrigantes sobre o CONAR, mencionando que em 2023, foram abertos 270 processos, dos quais 186 anúncios foram reprovados.

“A maioria das queixas era de marcas que mostram em suas propagandas qualidades que não eram comprovadas”.

Jaime Troiano

Outro indicador interessante é que do total de processos no CONAR, 81% vinham de veiculações no ambiente digital, o que mostra que as marcas e anunciantes são mais lenientes quando usam esses espaços.  

A marca do “Sua Marca”

Este comentário ilumina a crescente aceitação da propaganda comparativa no Brasil, refletindo uma adaptação cultural diante do “capitalismo mais feroz”. Ainda assim, os especialistas alertam para o uso equilibrado dessa estratégia

“Mesmo que hoje em dia seja uma prática mais usual, ainda há algum receio dos consumidores em relação à comparação de marcas, portanto, use com moderação e amparado, sempre, em comparações que possam ser comprovadas”

Cecília Russo

Ouça o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, trazendo sempre temas atuais e relevantes sobre o mundo das marcas e da publicidade. A sonorização é do Paschoal Júnior

Mundo Corporativo: para Paulo Antunes, da Fogo de Chão, “deixa comigo” é valor a ser preservado

Paulo Antunes entrevistado no Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“Um bom líder cuida de pessoas, e essas pessoas cuidam dos clientes e dos resultados.” 

Paulo Antunes, Fogo de Chão

Para que se faça um bom churrasco tem de entender de carne, de fibra, de gordura, de como espetar, de como fazer o fogo e de como cortar. Para se fazer uma boa churrascaria, tem de entender de gente — além de tudo aquilo que está descrito na frase que abre este parágrafo. É o que se aprende ouvindo Paulo Antunes, country manager do Fogo de Chão no Brasil, uma das maiores redes de churrascarias do país. 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN, o executivo comenta que se não bastassem todos esses desafios para entregar excelência, no caso das churrascarias ainda há um outro complicador: cada garçom é um chefe de cozinha, ao menos no modelo de atendimento mantido nas lojas da Fogo de Chão 

“Na Fogo de Chão, você tem a figura do chefe nas 20 pessoas que te servem no salão. Então, cada um que vem com um corte específico é o chefe daquele corte”

Preparar essa equipe de cozinheiros exige investimento, treinamento e tempo. Paulo Antunes diz que o ideal é desenvolver profissionais que tenham perfil de uma persona que ele define como “Gaúcho” — alguém que entende muito bem de churrasco, atendimento e trabalho: 

“(O Gaúcho) personaliza uma atitude. Então, nós temos valores na Fogo de Chão de excelência, de excelência operacional, de trabalho em equipe e, principalmente, um valor que eu gosto muito que é o “deixa comigo”.” 

“Deixa comigo” transcende ser apenas um lema; é uma essência profundamente enraizada na cultura gaúcha que Paulo Antunes destaca. Essa expressão simboliza a propriedade completa e o comprometimento do indivíduo com sua função, seja na gestão dos recursos ou na satisfação do cliente. Tal responsabilidade não emerge instantaneamente, mas é forjada com tempo e dedicação.

Duas curiosidades: apesar de a empresa ter sido criada no Rio Grande do Sul, atualmente não mantém nenhuma loja no estado, e apenas 30% dos garçons são realmente gaúchos. Paulo Antunes comenta que os outros “gaúchos” são dos demais estados brasileiros. 

Diante de todos esses desafios o sucesso deste negócio se constrói a partir da gestão eficaz das equipes, diz Paulo Antunes :

 “Eu tenho que ser um líder servidor. Preciso inspirar as pessoas, preciso viver pelos valores”.

A Fórmula do Sucesso 

Em suas reflexões sobre estar sempre preparado para superar obstáculos além do esperado, Paulo Antunes enfatiza a necessidade de uma prontidão para enfrentar adversidades maiores do que as antecipadas. Esta abordagem não somente equipou o Fogo de Chão para navegar por tempestades significativas, como a crise provocada pela COVID-19, mas também permitiu à empresa ressurgir com ainda mais força, traçando caminhos para a expansão e a inovação. 

A liderança eficaz e a perspectiva empreendedora são fundamentos dessa capacidade de superação. Antunes reconhece esses atributos em si e na sua equipe, propondo que “o verdadeiro executivo de sucesso é perenemente munido de um espírito empreendedor”, ressaltando a vital importância de antever as demandas e identificar as oportunidades que residem nos desafios.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: Luizinho, o guarda do coração da cidade

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

Reprodução de jornal da época

Nasci na zona norte de São Paulo, em 21 de abril de 1959. 

No início dos anos de 1970, eu trabalhava como office boy e para entregar a  correspondências, às vezes, cruzava a rua Coronel Xavier de Toledo com a Praça Ramos de Azevedo,  onde havia a antiga loja Mappin, no centro. 

Uma personagem daquela época trabalhava organizando o trânsito e proporcionando segurança aos pedestres: o Guarda Luizinho, apelido que Luiz Gonzaga levou para  a vida.

Muitas vezes, eu ficava parado na calçada, em frente ao Mappin, apenas para assistir às peripécias que esse guarda de trânsito proporcionava ao público. 

Quando o motorista parava em cima da faixa de pedestre, Luizinho abria a porta e pedia que os pedestres passassem por dentro do carro, haja vista que o infrator estava bloqueando o caminho.

Ele também não deixava barato para os pedestres descuidados. Quando um de nós, impaciente, não esperava o farol fechar para os carros e ameaçava cruzar para o outro lado da via, o Guarda Luizinho também intervinha. Pegava o pedestre pelo braço e o fazia voltar à calçada da qual havia saído. Uma caminhada curta, mas suficiente para que ele desse o maior sermão. 

Às vezes, ele aproveitava essa situação para cantar. Uma de suas músicas favoritas era “Eu nasci há dez mil anos atrás”, de Raul Seixas. Naqueles tempos, fim dos anos de 1970 e início de 1980, o  Guarda Luizinho havia ficado famoso devido as reportagens publicadas nas rádios, nas emissoras de televisão e nos jornais. 

Atualmente, Luiz Gonzaga mora na minha zona norte, está com 88 anos e faz parte do Conselho de Segurança de Santana. Para ele, que segue sendo nosso Guarda Luizinho, com a função atual pode seguir ajudando as pessoas, em São Paulo

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

O Guarda Luizinho, ops, Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: 10 frases para comemorar 10 anos de programa

Bastidor do “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” em foto de Priscila Gubiotti

“Praticar branding é trabalhar um plano de ações contínuas. Sem isso a gente não tem marca forte” 

Cecília Russo

No mundo do branding, a constante evolução e a capacidade de refletir a verdadeira essência de uma empresa são elementos-chave para o sucesso. Diante da transformação digital e da mudança nos padrões de consumo, compreender o verdadeiro significado e o impacto da gestão de marcas nunca foi tão crucial. Este é o tema central do comentário no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN, que celebra seus 10 anos de contribuição ao mundo do marketing e do branding. Jaime Troiano e Cecília Russo aproveitaram a data para lembrar dez frases que foram apresentadas ao longo dessa década de programa e têm muito ensinamento a oferecer. 

Cecília começou a lista com “branding é verbo” para lembrar a natureza dinâmica da gestão de marcas.  Jaime resgatou uma frase que podemos considerar um clássico nas nossas conversar: “marca não é um tapume”, enfatizando a transparência e a verdade como pilares fundamentais.

A interação com o consumidor também foi tema de discussão, com o destaque para uma das muitas lições que aprendemos ao longo deste tempo: “o consumidor não faz o que pensa, mas faz o que sente”. Esta percepção aprofunda a compreensão das motivações reais por trás das escolhas dos consumidores, indo além das justificativas superficiais.

Entre as dez frases emblemáticas destacadas, algumas refletem diretamente os desafios e as oportunidades no campo do branding. Por exemplo, a analogia “noiva não se escolhe no altar” ilustra a importância de construir relacionamentos duradouros e significativos com os consumidores muito antes do ponto de venda.

As 10 frases do branding

  1. Branding é verbo
  2. Marca não é tapume
  3. O consumidor diz o que pensa mas faz o que sente
  4. Marca é aquilo que falamos de você quando você sai da sala
  5. Não jogue fora o bebê junto com a água do banho
  6. Noiva não se escolhe no altar
  7. The fruits are in the roots
  8. Pedra que rola não cria limo
  9. Não há uma segunda chance de se causar uma boa impressão
  10. Marca sem propósito é marca sem alma

Para entender o significado de cada uma dessas frases, ouça o áudio disponível logo abaixo

A marca do Sua Marca

Ao celebrar 10 anos de existência, o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” se consolida como um farol de inovação, estratégia e originalidade no mundo do branding. Este marco não apenas comemora uma trajetória de sucessos e aprendizados mas também reafirma o compromisso do programa em iluminar o caminho para marcas que buscam fazer a diferença no mercado. 

“Nosso propósito, nossa razão de ser que é poder disseminar essa cultura de branding como uma ferramenta fundamental para desenvolver negócios gerar emprego nas empresas deixar as pessoas mais felizes” 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, duas vozes que têm orientado, com maestria, a jornada de inúmeras marcas rumo ao sucesso. Através de suas análises profundas e abordagens inovadoras, eles continuam a inspirar gestores e empreendedores a explorar o verdadeiro potencial de suas marcas. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Mundo Corporativo: a visão de Valter Patriani sobre inovação e cliente

Valter Patriani entrevistado no estúdio da CBN em foto de Priscila Gubiotti

“Então, você veja que a perspectiva do cliente é toda diferente, você precisa ter muita humildade para ouvi-lo, você aprende e transforma esse aprendizado em um bem maior.” 

Valter Patriani, empresário

Em um universo corporativo que exige constante inovação e adaptabilidade, a trajetória de Valter Patriani se destaca por uma visão diferenciada sobre a importância do cliente e da equipe no sucesso empresarial. Fundador da Construtora Patriani, Valter compartilhou, no programa Mundo Corporativo da CBN, ideias valiosas sobre como criar uma empresa vencedora. Este é um relato que vai além da construção de imóveis, adentrando o terreno da construção de relações sólidas com clientes e colaboradores.

O cliente no centro de tudo

Valter Patriani não é um nome estranho ao sucesso. Após uma carreira notável na CVC, uma das maiores operadoras de turismo do país, ele se aventurou no ramo da construção civil com um olhar inovador:

“E a gente vai tentando pegar o nosso cliente e entendendo quais são os momentos da vida dele para fazer imóveis para os diferentes momentos da sua vida, mas precisa ter muita atenção ao cliente, precisa entender de gente,” 

Essa percepção acerca da importância de colocar o cliente no centro das decisões empresariais é um dos pilares de sua estratégia. Fez assim no turismo, quando percebeu que apenas os mais ricos conseguiam viajar de férias, e buscou soluções para permitir que a família dos trabalhadores também aproveitassem os principais destinos do Brasil. Fez na construção civil, ao planejar apartamentos que oferecem funcionalidades e benefícios demandados pelos moradores.

Patriani destaca que ouvir o cliente não é apenas uma parte do processo, mas a essência para a inovação e adaptação. As necessidades e desejos do cliente direcionam desde a concepção dos projetos até as práticas de sustentabilidade e tecnologia empregadas na construção. Placas solares para economia de energia, janelas automatizadas para maior conforto e infraestrutura preparada para carros elétricos são apenas algumas das inovações mencionadas por Patriani, sempre com o foco na experiência do cliente.

Pensa nos detalhes: na janela diante da pia onde se lava pratos ou no nicho para produtos de banho ao lado do chuveiro; se todos os prédios já oferecem gerador de energia nas áreas comuns, o empresário amplia o atendimento a pontos essenciais dentro do apartamento, como a tomada para o celular não descarregar e a que mantém a geladeira funcionando.

Liderança e colaboração: pilares para o sucesso

A visão de Patriani sobre a importância do trabalho em equipe é igualmente reveladora. 

“Tudo nasce dentro da companhia, dentro do time. O que os funcionários de obra estão executando hoje foi pensado a um ano e meio, dois anos antes. E quem é que pensa? O time. Nenhum de nós é melhor do que todos nós juntos”.

Essa filosofia ressalta o valor da colaboração interna e da liderança participativa. Patriani sublinha a importância de conhecer e conversar com os clientes e colaboradores, uma prática que permite uma troca constante de aprendizados e experiências.

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Conte Sua História de São Paulo: vamos vestir a cidade de flores

Amaryllis Schloenbach

Ouvinte da CBN

Imagem da poetisa Colombina, a Cigarra do Planalto

O meu amor por esta encantada cidade brotou desde a mais tenra infância. Era bem pequena e ouvia meus pais enaltecerem louvores aos inúmeros atributos de São Paulo. Tenho gravado na memória a ideia de que meu pai nadava em um límpido Rio Tietê e minha mãe transportava para a tela as paisagens bucólicas que se estendiam pelo planalto.

Eu nasci no Bixiga, onde voltei a residir quando adulta, e onde moro no mesmo endereço, desde 1981. Aqui aguardo o momento de partir para o mundo das estrelas. 

Foi para essa decantada região histórica e turística que dediquei o meu poema “Postal do Bixiga”. Apesar dessa relação amorosa com o bairro e arredores, minha infância se desenvolveu, nos idos da década de 1940, em Pinheiros, lugar pelo qual tenho amáveis lembranças. 

Muitas vezes fui levada a respirar o delicioso ar do bosque de eucaliptos, a pescar com peneira os peixinhos do rio que leva seu nome. Naquela época, meninas e meninos felizes, coleguinhas do grupo escolar, brincávamos tranquilamente na rua, jogávamos bola, trocávamos figurinhas, e brigávamos, também, só pelo prazer de fazer as pazes. Ao anoitecer, as mães nos chamavam da janela das casas para o banho, imprescindível graças ao barro e aos arranhões que acumulávamos no decorrer das tardes.

Era hábito, aos domingos após o almoço, junto com os primos, sermos levados ao Parque Trianon, para a diversão de observar as árvores, os animais que lá eram mantidos bem cuidados e, acima de tudo, apreciar a incrível performance do bicho-preguiça.

Outro passeio que sempre lembro com saudades era ao Viaduto do Chá, nos fins de tardes, para acompanhar o chilrear de incontáveis pássaros, que se recolhiam nas frondosas copas das árvores, plantadas próximas as escadarias, nas imediações do Teatro Municipal.

Saudosa, também, das visitas que fazia a minha tia-avó, a consagrada poetisa Colombina, a Cigarra do Planalto, que então morava em um apartamento no Largo do Arouche, onde no espaçoso terraço escreveu vários livros, deixando versos imortalizados como os de “As Árvores da Praça da República”.

Aproveito a conclusão desse relato e faço apelo aos meus conterrâneos. 

Antes devo contar para aqueles que não conhecem o passado de nossa cidade que, no fim da década de 1950, o jornal “A Gazeta”, que gozou de grande prestígio até sua extinção, promoveu campanha com uma série de 50 reportagens sob o título “Vamos Vestir São Paulo de Flores”. A promoção foi levada a cabo pela redatora Maria Thereza Cavalheiro.

A jornalista, também poeta e ecologista de primeira hora, escreveu livros de poesia, contos e trovas. Antes de seu passamento, que ocorreu na primavera de 2018, escreveu o livro “Consciência Ecológica na Educação”, que ainda não chegou a ser editado. 

A escritora, minha saudosa prima e querida mestra, está por merecer a homenagem póstuma que espero lhe seja prestada pelos amantes do verde. Quanto a nós que aqui estamos, peço que cada um se encarregue do modo que lhe for possível, por amor à vida e à natureza, tornar realidade, o lindo sonho de “Vestir São Paulo de Flores”!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Amaryllis Schloenbach é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.