Conte Sua História de São Paulo: com poesia defendo a cidade que escolhi viver

Laurete Godoy

Ouvinte da CBN

Nevoa, poluição e horizonte em São Paulo  (Foto Petria Chaves)
Foto: Petria Chaves/Flickr CBN SP

 

Excelente ideia! Adorei isso de poder contar uma pequena história sobre São Paulo!  Além da minha história eu quero apresentar também para você uma homenagem rimada que eu fiz mas não sei se ela vai corresponder ao que você deseja.

(leia e ouça a poesia na voz da autora no pé deste post)

Sou santista e, assim que eu obtive o diploma de  professora primária, vim para São Paulo em 1958, para estudar educação física na USP.  Fui aprovada,  comecei o curso, na época ele funcionava no Ginásio do Ibirapuera e eu desisti depois de 2 meses, mas como eu sempre fui atleta  lá em Santos, passei a competir em Atletismo pelo Club Atlético Paulistano.

Como eu já era funcionária da Secretaria da Segurança Pública, eu pedi transferência para a antiga DST, que era  Diretoria de Serviço de Trânsito e funcionava ali no Ibirapuera,  perto do ginásio onde eu tinha aula.

Bom, eu saía do serviço às 18 horas, tomava o ônibus Bola Branca, descia na Avenida Nove de Julho e, pela Rua Estados Unidos chegava ao Paulistano, para treinar até às 21 horas. Depois do treino tomava banho, comia alguma coisa e findo o treino pegava o ônibus elétrico  ali na Rua Augusta, que era super famosa, e descia no ponto final, lá na Praça da República, atrás do Colégio Caetano de Campos.

Aí já eram mais ou  menos quase dez horas da noite! Atravessava toda a praça para, do outro lado, tomar o ônibus que vinha da Praça Ramos de Azevedo e ia para a Lapa, porque eu morava na Água Branca, ali na Rua Crasso, perto da Praça Cornélia. 

Ah, Milton! Que tempinho bom aquele! A gente podia atravessar a praça sem nenhum receio. O perigo eram os playboys da Rua Augusta.

E assim foi passando o meu tempo: trabalhando, treinando, correndo, participando de torneios atléticos. Depois que eu “pendurei  as sapatilhas de prego”, eu comecei a pensar sério na vida. Participei de concursos públicos, fui aprovada e acabei permanecendo por São Paulo. 

Aqui eu estou há 65 anos…

Mas por que minha homenagem rimada?

Há alguns anos, uma conhecida que veio do Interior do estado e foi muito bem sucedida por aqui, passou a falar mal da cidade, para justificar a mudança de residência que ela queria fazer para o Rio de Janeiro . Fiquei tão triste com a ingratidão dela, que fiz umas rimas enaltecendo a minha admiração por esta cidade. 

São essas rimas que eu compartilho com você, com alegria,  e formulando votos de continuidade de sucesso para a sua carreira e a de todos os excelentes jornalistas e todas as pessoas que trabalham na CBN, minha companheira de dia e noite, minha companheira querida, a CBN. Um grande abraço a você! Parabéns, viu, por esse programa e para todos que colaboraram e também contaram suas histórias.

 A poesia de Laurete Godoy

Parabéns, senhora.

 

 

            Neste seu aniversário,

            Venho aqui, bela senhora,

            Trazer os meus cumprimentos

            Falar da alegria imensa

            Que invade o coração

            E toma conta do peito

            Misturando com carinho

            Respeito e admiração.

 

 

                                    Respeito por sua força,

                                    Pelo trabalho incessante

                                    Que ao longo da jornada

                                    Foi a    marca registrada

 

 

            Senhora braços abertos

            Qual enormes avenidas

            Recebendo e acolhendo

            Toda essa gente sofrida

            Velhos, jovens ou crianças

            Olhos cheios de esperança

            Mãos postas em devoção,

            Pedindo trabalho e pão.

 

 

                                    Senhora nome de santo,

                                    Senhora das mil etnias

                                    Senhora das mil alegrias

                                    Dos aeroportos e parques

                                    Sempre repletos de gente, 

                                    Nas tardes ensolaradas

                                    Senhora hospitaleira, 

                                    Onde a fraternidade

                                    Construiu sua morada.

 

 

            Venho aqui, velha senhora,

            Minha São Paulo querida,

            Terra da minha adoção.

            Falar deste bem-querer,

            Expressar a gratidão

            E rogar a Deus que a mantenha

            Digna, altiva, honrada

            No incessante labor,

            Solucionando problemas

            Criados por sua grandeza

            E que também fazem parte

            Da sua rotina e beleza.

 

                        Continue sempre assim,

                        Pulsando com energia

                        Força e determinação,

                        Produzindo a bendita seiva

                        Que alimenta esta Nação.

 

                                                Senhora nome de santo

                                                São Paulo mil etnias

                                                São Paulo mil alegrias

                                                Minha São Paulo querida

                                                Minha São Paulo bendita

                                                Terra da minha adoção

                                                Que me dá trabalho e pão …

                                           

Laurete Godoy é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, vá no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

A poesia de Laurete Godoy

Mundo Corporativo: Rafael Segrera, da Schneider Electric, explica por que eletricidade 4.0 é chave para a descarbonização

Segrera em entrevista no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

O grande desafio das nações do mundo é triplicar a porcentagem de energias renováveis, mas duplicar gestão energética. E essa combinação, essa equação é a equação perfeita. Porque o mundo mais eficiente, utilizando cada vez mais energia elétrica, esse é o verdadeiro vetor da descarbonização.
Rafael Segrera, Schneider Electric

O custo da energia, que muitas vezes aparece apenas como uma linha na planilha financeira, está no centro de uma disputa que define a competitividade das empresas e o futuro da transição energética. Em um momento em que a COP30 coloca o Brasil no mapa das negociações climáticas, cresce a pressão para provar que sustentabilidade não é apenas pauta ambiental, é modelo de negócio — sustentado por digitalização, automação e uso mais intenso de eletricidade. Esse foi o tema da entrevista de Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul, ao programa Mundo Corporativo.

Segrera parte de uma provocação direta ao empresariado: “Sustentabilidade não custa caro, é um negócio”. A frase resume a estratégia que, segundo ele, vem sendo construída há mais de duas décadas dentro da Schneider Electric. A companhia decidiu desenvolver tecnologia com três objetivos combinados: “Ajudar o planeta, fazer bem para as pessoas e, para ser sustentável no tempo, ser bom para a empresa”. Isso significa, na prática, colocar gestão de energia e eficiência energética no centro da geração de valor.

Ele explica que, em qualquer setor, a energia é componente relevante do custo operacional – de 3% a 7% em prédios comerciais, chegando a 20% ou 30% em saneamento, aço ou data centers. A partir daí, o raciocínio é simples: “Tudo o que a gente faz é para assegurar que você utiliza essa energia da melhor maneira possível, que tenha economia particularmente, e essa economia que é gerada é uma economia que tem um benefício no bottom line, na rentabilidade”.

Eletricidade 4.0, digitalização e a conta de luz

A resposta passa pela combinação de três peças: gestão de energia, automação e software. Segrera descreve a trajetória da Schneider, que saiu de uma empresa de produtos elétricos e de controle industrial para soluções integradas e, mais recentemente, para plataformas digitais. O objetivo é medir, monitorar e controlar o uso da energia em tempo real, em diferentes ambientes – de indústrias a prédios, de infraestrutura crítica a data centers.

Nesse contexto surge o conceito de eletricidade 4.0. “A junção do mundo elétrico ao mundo digital é o que a gente chama de eletricidade 4.0”, resume. A ideia é usar o poder das ferramentas digitais – incluindo inteligência artificial e realidade virtual – para redesenhar processos, simular cenários de consumo antes da implantação física, otimizar a operação e reduzir desperdícios.

Segrera destaca que o benefício mais visível da digitalização é a capacidade de enxergar o sistema como um todo: “Se você não mede, você não sabe como está se comportando”. A partir dos dados coletados, torna-se possível criar arquiteturas de informação que suportem decisões rápidas e consistentes sobre investimentos, manutenção e ajustes operacionais.

O tema dos data centers, hoje no centro da discussão sobre consumo de energia, também entra na conversa. Para ele, é preciso relativizar: “Hoje o peso do consumo elétrico dos data centers tá por 1%. A gente não pode pensar que são 20% do consumo energético, não são”. Ao mesmo tempo, ressalta que esse é um dos setores que mais pressiona fornecedores por eficiência, já que consome muita energia, água e espaço.

A inteligência artificial, vista muitas vezes apenas como nova fonte de demanda energética, vira ferramenta de ganho de eficiência: “Mais se aprende sobre o sistema e a inteligência artificial, mais nos permite ajudar a nossos clientes a serem mais eficientes. Então, é um círculo virtuoso”, define.

O lugar do Brasil na transição energética

Quando o assunto é matriz elétrica, Segrera reconhece uma vantagem importante do país. Ele lembra que o Brasil está entre as melhores posições do mundo em participação de fontes renováveis, fruto de decisões tomadas no passado e de investimentos de grandes empresas do setor.

O problema aparece do lado do consumo. “Nada serve gerar uma energia limpa, maravilhosamente limpa, se você tem problema na transmissão e tem perdas que podem chegar a ser até 40% ou mais”, afirma. Nas contas dele, o país está bem em renováveis, porém ainda distante de uma boa posição em eficiência energética.

Daí a ênfase em uma equação que ele considera determinante para o futuro: “O grande desafio das nações do mundo é triplicar a porcentagem de energias renováveis, mas duplicar gestão energética”. A combinação entre expansão de renováveis e uso mais eficiente da energia, com eletrificação crescente, é apresentada como a base de um modelo de descarbonização que não seja apenas discursivo.

O setor empresarial brasileiro, na avaliação de Segrera, caminha em duas velocidades. “O mundo brasileiro das grandes empresas, absolutamente” já compreende o tema, segundo ele, com alto nível de conscientização e adoção de práticas ligadas à eficiência e à sustentabilidade. Já as pequenas e médias empresas ainda esbarram em falta de informação e acesso às soluções disponíveis. Por isso, ele defende que as grandes companhias tenham um papel ativo de apoio, compartilhando práticas e conhecimento com a cadeia de fornecedores.

Há também um recado para conselhos de administração e lideranças: “Se elas hoje conseguem ter processos que, com eficiência energética, conseguem 10%, 12% de economia, elas devem ser mais exigentes para ter ainda mais”. E faz um alerta para quem quer competir em mercados globais: “Se o Brasil quer se tornar mais forte em um mundo cada vez mais competitivo, é com a adoção da sustentabilidade. […] A adoção de tecnologia e da inovação é a chave se você quer ser competitivo fora”.

Carreira global e convite aos executivos brasileiros

Ao fim da entrevista, Segrera abre um parêntese sobre sua própria jornada profissional. Venezuelano, começou estudando engenharia, mas trocou para administração porque precisava trabalhar à noite e não tinha como seguir o curso técnico no horário disponível. A curiosidade pela tecnologia, no entanto, permaneceu.

“Essa curiosidade, uma empresa como a Schneider me permitiu aprender muito”, conta. Em quase 30 anos de companhia, passou por Venezuela, França, China, Canadá e chegou ao Brasil, sempre em posições ligadas a negócios e liderança, não à engenharia. Essa trajetória internacional moldou sua visão sobre o potencial dos profissionais brasileiros.

Ele considera que o país tem educação sólida, cultura de inovação e capacidade humana para ocupar mais espaço no exterior. “O mercado brasileiro é tão grande que muitos decidem ficar aqui”, observa. A aposta dele é que a internacionalização pode fortalecer, inclusive, a atuação doméstica das empresas.

Por isso, deixa um convite direto: “O Brasil é um país muito bacana, o mundo também tem muitas coisas que oferecer e você pode chegar e compartilhar as coisas que você faz aqui”. Em outras palavras, ampliar a atuação para fora é parte da mesma agenda que inclui tecnologia, sustentabilidade e competitividade.

Segrera encerra com números que, segundo ele, mostram que essa estratégia não é apenas discurso. “Nossas receitas se multiplicaram por quatro, nosso benefício net (profit), bottom line, EBIT, se multiplicou por nove e a capitalização, o valor da empresa no mercado, por 12, entre 2003 e 2023”, afirma. A mensagem é que eficiência energética e sustentabilidade, quando encaradas como negócio, podem mudar o patamar de empresas de diferentes portes.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: passeava no cavalo do Seu Oliveira antes de o Ibirapeura ser parque


José Luiz da Silva

Ouvinte da CBN

Quando ouvi o senhor Francisco Assunção Ladeira, em entrevista em 2001, dizer que, na época em que era vereador, em 1948, ao passar pelo Ibirapuera, deparou com vários garotos brincando e lhe veio a ideia de projetar um parque com toda a infraestrutura — o que realmente foi feito —, fiquei deveras emocionado. Talvez um dos garotos que ali brincavam pudesse ser eu mesmo!

Morei de 1945 a 1950 nessa região, precisamente na Rua Octavio Nébias com a Rua Maria Figueiredo. Eu e outros meninos éramos assíduos frequentadores do parque, que tinha muita área verde, vários campos de futebol, eucaliptos e lagos onde nadávamos e até andávamos de carona nos barcos.

Na rua em que eu morava, havia uma padaria que, dentro do estilo da época, tinha cocheiras, carroças e cavalos. O proprietário era o senhor Oliveira, um português nato que, após um sermão, me pedia para levar um dos seus cavalos para pastar. O objetivo do sermão, na verdade, era evitar que eu montasse no cavalo e, sempre com o dedão em riste e o linguajar enrolado, encerrava dizendo: “…intendesti, oh mulequi?” E eu respondia: “Sim, sinhô.” Só então, seu Oliveira liberava o animal.

Bastava descer a ladeira de terra da Rua Maria Figueiredo e adentrar a Rua Tutoia para aproveitar o barranco que havia no local — que servia de trampolim — e montar no cavalo. Cavalgávamos em passos lentos até o Ibirapuera, onde nos juntávamos a outras pessoas e a outros animais, como ovelhas e cabras leiteiras, cujas ordenheiras vendiam canecas de leite tirado na hora. Era uma delícia, tudo isso, no nosso Ibirapuera de antigamente.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Luiz da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: três lições que as pequenas marcas ensinam sobre permanência

Imagem: divulgação

A força de uma marca pode estar mais perto do chão da rua do que dos luminosos das grandes capitais. A constatação é de Jaime Troiano, que trouxe para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso as três ideias centrais que pautaram a apresentação dele, ao lado da filha Beatriz Russo Troiano (líder de Estratégia da TroianoBranding), no palco da Latam Retail Show, evento internacional de varejo.

A primeira ideia que surgiu da reflexão sobre as marcas regionais espalhadas pelo Brasil pode ser resumida em uma frase: “A marca sou eu, eu sou a marca.” Isso é resultado da proximidade quase visceral entre empresas locais e seus consumidores. A fronteira entre quem produz e quem compra é tão curta que, muitas vezes, há sempre alguém da família, do bairro ou da rua que já trabalhou ali. Esse vínculo não se inventa em área de marketing; nasce da convivência.

Memória vale mais que disputa por atenção

Jaime trouxe outro ponto central: a corrida por atenção no mundo digital não garante memória. Ele descreveu o bombardeio de estímulos que enfrentamos — stories, reels, notificações, prateleiras de supermercado. Nesse ambiente ruidoso, marcas regionais mostram um caminho simples e eficiente: entrar na memória é mais poderoso do que disputar segundos de atenção. Para ele, marcas fortes, ainda que pequenas, são feitas de rastros emocionais.

Cecília Russo apresentou a terceira ideia para entender o que essas marcas, muitas vezes escondidas do grande público, têm a ensinar: “Quando a empresa carrega como parte da sua razão de ser a família, a essência da marca não é apenas estratégia: é legado.” Muitas empresas regionais nascem de vínculos familiares, e isso altera tudo. A marca é tratada como uma história que não pode ser traída. Evolui, mas não rompe suas raízes. O exemplo das Balas de Banana Antonina, no Paraná, ilustra bem esse espírito: criadas há 50 anos por pai e filho, carregam até hoje a mesma alma.

Essa combinação de proximidade, memória e legado revela uma provocação: e se o futuro das marcas não estiver no tamanho, mas na profundidade da relação que criam?

A marca do Sua Marca

O comentário deixa uma síntese clara: marcas regionais ensinam permanência, fidelidade e respeito às próprias origens. Como disse Jaime, Golias sempre tem algo a aprender com David.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: “Óhh! Masp e suas obras, não me despreze no olhar”

Expedito Peixoto

Ouivnte da CBN

Avenida Paulista

Óhh! Consolação, me consola; não brigues

Com Luís Antônio, o Brigadeiro; convença-o me advogar  

Da fortuna de Peixoto Gomide

Lhe peço a gentileza de me acertar

Me presenteie um trem de dinheiro

Pra no meu Araripe despejar

Óhh! Paulista da Boa Vista

Ao Dr. Arnaldo, me conduza

Me eleve ao topo, ao mirante

Com breve pausa na Augusta,

De lá me faça ver o Paraíso pulsante

De oportunidades reais, robustas.

Óhh Masp e suas Obras

Não me despreze no olhar

Me ilumine com suas artes

Ajude-me a leveza me levar

Vá ao ápice da mente dos astros

Me induza a pensar o seu pensar.

Óhh império das indústrias

Produza frutos pra conosco ratear,

Óhh terra berço do comércio

De suas rendas, vamos partilhar?

Não deixes o Leão, nem Haddock Lobo

Pão, leite e bom vinho nos faltar.

Óhh, imensos prédios e torres

Protejam-me e não me deixes parar

Me façam viajar às alturas

Pra com amplitude enxergar

Encha meu coração de sabedoria

Pra no meu Sertão poetizar.

Óhh!, Metrô, linha verde, em trilhos

Quantas e quantos a transportar

Oriente-me e me mantenha na linha

Una todas suas forças a me focar

Me eleve pro alto fora do túnel

Guia-me pra com leveza voar.

É Paulista!!! É que nasci pequenino

Longe!, bem longe, distante de cá

Lá viví a infância e juventude

Depois me debandei de lá para cá

Aqui labutei, cresci, resisti, até ri

Mas nunca esqueci, a saudade de lá.

Óhh Paulista!, reembolse-me energias,

Não é que eu queira te deixar;

O segredo é que tenho uma dívida

Só serei (imenso) feliz se quitar…

Desejo é retornar pro meu sertão  

E minha imensa saudade matar.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Expedito Peixoto da Paz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: André Clark, da Siemens Energy, fala do desafio de transformar o potencial energético do Brasil em desenvolvimento

Bastidor da entrevista online de André Clark Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O Brasil é uma potência energética, não só na produção de energia, mas na cadeia de valor da energia.”
André Clark, VP Siemens Energy

O Brasil está numa posição rara no mundo: tem energia renovável em larga escala, uma malha de transmissão avançada e agora começa a atrair data centers e novos investimentos porque consegue oferecer eletricidade verde e em quantidade. Mas, segundo André Clark, vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, isso não garante por si só que o país liderará a transição energética, é preciso organizar setor privado, governo e sociedade para implementar o que o mundo já decidiu fazer em clima. Esse foi o tema central da entrevista dele ao programa Mundo Corporativo, na CBN.

Clark lembrou que o país não chegou ao atual patamar por acaso “O Brasil é um país que produz 92% da sua eletricidade de forma renovável. Não chegou aqui à toa e certamente não por acidente. Foi com políticas públicas muito bem feitas que datam da década de 60”, afirmou, citando hidrelétricas, Proálcool, eólica e solar como escolhas feitas ao longo de décadas. Ele também destacou o papel diplomático brasileiro no tema: “O Brasil é um líder geopolítico disso. Na Rio 92 inicia a discussão do conceito de sustentabilidade na sociedade e nos negócios.”

Transição energética não é teoria: é implementação

Ao analisar a preparação do país para a COP30, em Belém (PA), Clark chamou atenção para o fato de que o debate climático está mais difícil no cenário internacional, mas que isso não pode servir de desculpa para a inação. “A humanidade ainda tá lutando para não aquecer mais de 1,5ºC, mas nós estamos perdendo essa corrida e nós vamos ter que correr muito mais, eletrificando os transportes, reduzindo o consumo de hidrocarbonetos e mudando o nosso estilo de vida como pessoa. O planeta não aguenta tudo isso que nós estamos fazendo.”

Para ele, a COP30 será uma conferência de execução: “Ela celebra 10 anos do Acordo de Paris e ela é uma COP da implementação.” Por isso, o setor privado brasileiro precisa chegar unido, com propostas concretas. “A primeira lição de casa do setor privado é se unir em uma agenda comum brasileira e construtiva.”

Clark fez um alerta que interessa diretamente ao país: o mundo, hoje, corre atrás primeiro de segurança energética, e só então de transição energética. O Brasil, ao contrário, vive um momento de excesso de energia renovável — e isso também exige gestão. “O mundo não tá preparado para acumular energia em larga escala. A energia produzida tem que encontrar do outro lado um consumo. Se ele não encontra esse consumo, o operador nacional do sistema tem que fechar aquela fonte.”

Na prática, isso significa que o país precisa acelerar soluções como armazenamento, baterias, hidrelétrica reversível e, principalmente, atrair consumidores intensivos de energia — caso dos grandes data centers e, no futuro, da produção de hidrogênio verde. “Nós estamos vivendo excesso de energia. Por isso que hoje o Brasil começa a atrair data centers, grandes devoradores de energia.”

Cadeia de valor, empregos e formação profissional

Ao falar da atuação da Siemens Energy no Brasil, Clark explicou por que produzir equipamentos no país é questão estratégica: “Tudo que a gente produz são equipamentos ultracríticos para o sistema energético de um país. Ter fabricação no país é um ativo estratégico, é quase uma questão de soberania nacional.” Segundo ele, a presença industrial no Brasil permite atender emergências e ainda exportar.

Esse movimento vem acompanhado de outra transformação: a dos empregos. A transição energética, afirmou, já está criando demanda por mão de obra técnica. “A transição energética vem junto com o que a gente chama de green jobs e esse green jobs, apesar de parecer só um mistério, é eletricista, técnicos em eletrônica, programadores, programadores de sistemas energéticos… coisa que existe hoje, só que em um volume muito maior.” Ele citou, inclusive, a decisão de direcionar recursos para formação no Pará, em vez de levar uma grande comitiva à COP.

Diversidade como proteção empresarial

Na parte final da entrevista, Clark ligou transição energética, cultura e gestão de pessoas. Para ele, empresas que se afastam da sociedade correm mais riscos. “Diversidade nos enriquece, reduz os riscos e nos faz enxergar os momentos em que a sociedade muda. Os grandes incidentes empresariais na última década foram quando a empresa perdeu visão da mudança da sociedade. Diversidade conecta a empresa à realidade da sociedade.”

Ele defendeu que organizações mantenham canais abertos para ouvir mulheres, negros e população LGBTQIAP+ sobre obstáculos internos. “Não é sobre como a gente erra, é sobre como a gente corrige os nossos erros.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem decide o poder das marcas é o consumidor

Renner assumiu a liderança em varejo, no Marcas Mais

As marcas mais fortes do Brasil não são apenas lembradas; elas são queridas, escolhidas e defendidas pelos consumidores. Essa é a principal mensagem dos novos resultados do estudo Marcas Mais, realizado pela Troiano Branding em parceria com o Estadão. O levantamento, baseado em 11.500 entrevistas, mede o envolvimento emocional e racional entre pessoas e marcas em 30 categorias de mercado, indo além do simples “top of mind”.

O resultado da 11ª edição do prêmio foi analisado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN. Jaime destacou que o estudo permite uma leitura de longo prazo sobre o comportamento das marcas no país: “A cada ano, ele é mais importante porque aumenta a possibilidade de uma comparação histórica de como as marcas estão se comportando no mercado”, afirmou. Ele lembrou ainda que a amostra “é até maior do que boa parte dos estudos de intenção de voto eleitoral”.

Entre os destaques deste ano estão Caixa Econômica Federal, Nubank e Itaú, que lideram o setor bancário; Vivo, no segmento de telefonia; e Heineken, no de cervejas — esta última consolidando uma ascensão constante nos últimos anos. No varejo de roupas, a Renner assumiu a liderança, superando Riachuelo e C&A.

Cecília Russo reforçou que os resultados retratam um mercado mais maduro, no qual as grandes marcas mantêm estabilidade de presença e significado junto ao público. “Há mudanças, mas o mercado brasileiro nos parece cada vez mais maduro, sem grandes solavancos na posição das grandes marcas”, observou. Ela lembrou que, mesmo marcas que enfrentaram crises recentes, como a Americanas, “ainda se beneficiam de um reconhecimento histórico”.

A marca do Sua Marca

Mais do que um ranking, o estudo Marcas Mais mostra que a verdadeira força de uma marca está em quem a escolhe. Como resumiu Jaime Troiano, “é o consumidor o dono da verdade; ele decide sobre o poder de uma marca, e ouvi-lo é fundamental”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Fernando Modé, do Boticário, explica como dar autonomia sem perder a estratégia

Bastidor da entrevista online com Fernando Modé Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“No nosso caso, o erro, ele é até programado.”
Fernando Modé CEO do Grupo Boticário

Descentralizar decisões, aproximar a ponta do consumidor e, ao mesmo tempo, manter uma estratégia única. Esse é o eixo que Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário desde 2021, descreve como a base para escalar resultados em um negócio multimarca e multicanal. Foi o tema da conversa no programa Mundo Corporativo, na CBN.

A aposta começou com a revisão do modelo de gestão: mais autonomia perto do cliente, coordenada por uma lógica única de negócio que a empresa batizou de “ecossistema da beleza”. Nas palavras de Modé, “essa interação com o consumidor, dando mais autonomia para ponta, ela é fundamental para que a gente possa entregar cada vez mais melhores serviços e produtos na medida que o consumidor deseje”. A consequência direta, reconhece, é o aumento da responsabilidade: decisões mais distribuídas exigem cultura, rituais, símbolos e incentivos coerentes.

Cultura que se pratica e se ouve

Modé resume a sua leitura do papel do comando: “o primeiro C de CEO… é o C de cultura”. E reforça que cultura se constrói no dia a dia: “comunica com atitudes, comunica com o processo… [e] é saber ouvir também. É pegar a reverberação daquilo que você tá tentando passar como comunicação e transformar isso em atitudes que levem a esse caminho”.

A confiança é o amortecedor dessa descentralização. Ele recorre a uma imagem para explicar o tempo de maturação: “a confiança é conquistada comendo 1 kg de sal junto”. E deixa claro que errar faz parte do método: “No nosso caso, o erro, ele é até programado… eu faço um teste de uma comunicação A, uma comunicação B e vou testar qual que seja mais efetiva”.

No tabuleiro operacional, o grupo ancora decisões em previsibilidade melhor da demanda — indicador que, segundo Modé, saiu de um erro de 75% para 45% — e na ampliação de categorias e canais, com ênfase recente em cabelos e no mercado profissional de salões.

Um ecossistema, várias jornadas

A integração de canais não é uniformização de experiência. O consumidor, diz ele, já entende que farmácia, loja própria, venda direta, e-commerce ou supermercado oferecem momentos distintos de compra. A missão do grupo é garantir atributos e discurso consistentes, com liberdade para navegar onde for mais conveniente. E essa jornada começa muito antes da loja: “talvez 80% ou mais de 80% dessa jornada esteja fora da loja”.

No desenvolvimento de produtos, o centro de P&D em São José dos Pinhais trabalha milhares de itens por ano e usa modelos computacionais para acelerar testes de eficácia e segurança. Sustentabilidade entra como requisito de projeto — do desenho de embalagens à logística reversa —, em conjunto com preço, margem e atributos de uso.

Pessoas, trabalho e licença parental

A pandemia deixou aprendizados sobre organização do trabalho. “Hoje a gente mantém o trabalho remoto como prioritário para algumas áreas de negócio”, afirma Modé, destacando encontros presenciais por “intencionalidade” — especialmente perto de consumidores, franqueados e equipes. Entre as políticas de pessoas, ele cita a licença parental de 120 dias para todos: “são 120 dias que a gente garante também para os pais. E é obrigatório no nosso caso”.

No fecho, Modé retoma o papel do exemplo: “a sua atitude fala tão alto que eu não consigo ouvir o que você tá me dizendo”. Para ele, liderança é coerência entre discurso e prática ao carregar um objetivo estratégico que “pode ser revisto, mas tem que ter uma consistência de começo, meio e fim”.

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Conte Sua História de São Paulo: partimos de Pirituba e trouxemos a saudade

Rose Mari Sibinel Fasciani

Ouvinte da CBN

Estação de Pirituba construída pela companhia inglesa São Paulo Railway

Vivíamos em Pirituba: pais, a nona e cinco filhos. A rua era de terra, não era asfaltada. Eram os anos de 1970. Em frente de casa passava o trem suburbano que fazia o trajeto entre Jundiai e ABC. Nosso transporte era o trem.

Fomos criados brincando na rua desde pequenos. Um olhava pelo outro. Aos domingos, a mãe nos ensinou a frequentar a paróquia São Luiz Gonzaga. Para chegar lá, se passava por um caminho ermo e  com escadas de terra. Apesar de pequenos, fazíamos tal passagem, muitas vezes, sozinhos.

Sempre havia o Sol.

Sempre havia a calmaria.

Sempre tinha bolo, polenta, pudim de pão amanhecido.

Sempre vizinhos para bater papinho.

Já na juventude havia as domingueiras no clube Piritubão. Lá, a gente se divertia. Eu, como a mais velha do grupo, liderava as moças mais jovens. Fazia com que ficassem juntas e não saíssem com os garotos para fora do clube. As mães confiavam em mim.

Dançávamos bastante e às dez da noite bora para casa que na segunda tinha  de pegar trem para trabalhar, retornar à noite, tomar sopa de feijão com macarrão na nona e estudar no Colégio Xavier Antunes que ficava meia hora de caminhada pelos trilhos do trem. E lá íamos com nossa capa branca de estudante noturno.

Tudo passou, crescemos, partimos de Pirituba, parentes se foram e a saudade ficou.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rose Mari Sibinel Fasciani é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a Fórmula 1 acelera fora das pistas

Divulgação/Warner Bros. Pictures

O ronco dos motores da Fórmula 1 agora ecoa também em Hollywood. O filme estrelado por Brad Pitt, inspirado no universo das corridas, ultrapassou a barreira dos autódromos e conquistou o público dos cinemas e do streaming, transformando velocidade em narrativa e emoção em estratégia de marca. Este foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Cecília Russo contou que o interesse pelo filme começou por uma lembrança pessoal. “Minha memória afetiva em relação à Fórmula 1 é enorme, por conta do meu pai, que era um fã maluco pelas corridas.” Ela destacou que o sucesso da produção está em sua capacidade de ampliar o alcance da marca. “O filme não apenas mostra corridas, ele expande o universo da Fórmula 1 para públicos que talvez nunca tenham assistido a uma prova.” Segundo Cecília, a Fórmula 1 é hoje uma das plataformas de branding mais valiosas do mundo, com carros que funcionam como vitrines ambulantes para empresas de tecnologia, telecomunicação e serviços.

Jaime Troiano observou que a força da Fórmula 1 vai além das máquinas. “Na Fórmula 1, pilotos viram marcas vivas. Hamilton, Senna, Schumacher — cada um é mais que atleta, é um símbolo, um ideal de realização.” Ele acrescentou que o filme cria “uma narrativa aspiracional, misturando real com o ficcional e ampliando o desejo das pessoas de se aproximarem desse universo”. Para Jaime, o sucesso financeiro e simbólico da Fórmula 1 — avaliada em cerca de 25 bilhões de dólares — mostra o poder de marcas que se mantêm ativas, renovando suas histórias.

A marca do Sua Marca

A lição deixada pelo comentário é clara: até as marcas mais fortes precisam se reinventar para continuar relevantes. A tradição é um combustível poderoso, mas não basta sozinha. Para seguir na dianteira, é preciso acelerar na criação de novas narrativas, emocionar em diferentes plataformas e conquistar públicos além das pistas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.