Conte Sua História de São Paulo: encontros marcados no Centro Velho

Por Neide de Souza Praça

Ouvinte CBN

Foto Mílton Jung

Nasci e sempre morei em São Paulo. Cresci em Itaquera, e, em 1978, quando conclui a universidade, morava na Parada Inglesa, na zona norte. Formada, comecei a trabalhar em regime de seis horas diárias com uma folga semanal. Por se tratar de uma maternidade, a folga não era fixa, variava de acordo com a escala de serviço. 

À época, o “centro velho” tinha lojas que atraíam a população, que variavam de utensílios domésticos a vestuário. Havia o Mappin, na Xavier de Toledo, logo após o Viaduto do Chá; a loja Pitter, próxima ao Teatro Municipal, com suas vitrines que expunham roupas modernas, voltadas aos jovens. Na rua São Bento havia a Mesbla, bonita loja de departamentos, a Botica Ao Veado d’Ouro, antiga farmácia de manipulação; a Casa Fretin, de materiais cirúrgicos, e muitas outras.

O movimento de pedestres era grande também nas ruas Direita, XV de Novembro, no Pátio do Colégio e nas Praças da Sé e do Patriarca. A linha azul do Metrô já havia sido inaugurada e a Estação Sé fora aberta no início daquele ano. Era por essa estação meu acesso ao Centro Velho. Após um percurso de aproximadamente 10 minutos de ônibus desde minha casa, embarcava no metrô, na estação Santana da linha azul, e viajava por aproximadamente 15 minutos até a Sé.

Eu tinha uma amiga que concluíra a faculdade na mesma turma, e que trabalhava em uma maternidade da zona sul da cidade, atuando em regime de 12 por 36, isto é, trabalhava 12 horas e tinha outras 36 de descanso. Pelo menos uma vez ao mês, sempre que nossas folgas coincidiam, agendávamos um encontro para conversar, passear e tomar um lanche.

Nosso encontro era marcado pela manhã nas escadarias da Catedral da Sé, no “Centro Velho” de São Paulo. Aquela que chegasse primeiro ao local do encontro, aguardava a companheira, esperando no topo da escadaria. Era um momento de observação do movimento de pedestres.

Permanecíamos tranquilas, sem qualquer preocupação com a segurança. As pessoas caminhando na Praça nos pareciam trabalhadores que, apressados, iam cumprir sua tarefa diária. Minha amiga vinha de ônibus do bairro da Aclimação onde morava, e descia no ponto na própria praça.

Assim que nos encontrávamos, entrávamos na Igreja, onde rezávamos por alguns minutos e agradecíamos nossa condição. A Igreja estava sempre silenciosa aquela hora da manhã. Chamava nossa atenção o número reduzido de pessoas em seu interior, rezando ajoelhadas ou sentadas em reflexão e agradecimento. O olhar distante delas nos passava a sensação de que buscavam paz interior. No entanto, permaneciam ali, silenciosas, por pouco tempo. O movimento de entra e sai de fiéis era constante.

A Igreja era pouco iluminado. A luz externa, filtrada pelos vitrais ao alto, era difusa e não suficiente para iluminar a nave. Nem mesmo a iluminação artificial dava conta da tarefa. Nós entrávamos, agradecíamos a vida que tínhamos, e alguns minutos depois saíamos para o passo seguinte de nosso encontro, quando passeávamos pelas ruas do entorno, observando as vitrines das muitas lojas.

Há vários anos, um ponto especial e bastante frequentado na rua Direita, era o das Lojas Americanas, onde se encontravam pequenos objetos para casa, mas também brinquedos e outros produtos. Ainda que sua principal porta de entrada fosse pela rua Direita, a loja era suficientemente grande para oferecer acesso, também, pela rua José Bonifácio, paralela à anterior. Nesta rua, quase em frente à anterior, localizava-se a “Nova Lojas Americanas”, mais moderna e com produtos diferenciados. As pessoas acostumadas à loja antiga, aos poucos descobriam a nova loja e era comum frequentarem ambas, já que bastava apenas atravessar uma rua para o acesso.

Após nosso encontro e prece na Catedral da Sé, e a caminhada pelas ruas próximas, minha amiga e eu dávamos continuidade ao nosso programa, indo à “Nova Lojas Americanas”. Nela, nos dirigíamos à lanchonete, que era exclusiva e cumpria seu papel de modernidade oferecendo produtos que não eram comumente encontrados na região naquele tempo.

Sentadas no balcão, sempre fazíamos os mesmos pedidos: eu solicitava um lanche “americano” e um “sunday”, enquanto minha amiga pedia um sanduiche tipo “cheese salada” e um “banana split”. Enquanto lá permanecíamos, colocávamos as notícias em dia, e trocávamos ideias sobre situações ocorridas em nossos trabalhos. Uma vez concluído o “almoço”, nos dirigíamos à Praça da Sé, onde nos despedíamos com a certeza de novo encontro no próximo mês, exatamente igual a este. Eu me dirigia à estação do Metrô e minha amiga ao ponto de ônibus que a levaria para casa.

Mantivemos estes encontros, exatamente iguais, por vários meses, até que nossa rotina de trabalho nos absorveu totalmente, e perdemos a oportunidade de fazer coincidir nossas folgas para podermos estar juntas em nosso prazeroso passeio ao Centro Velho de São Paulo, ao final da década de 1970.

Ouça aqui este episódio do Conte Sua História de São Paulo:

Neide de Souza Praça é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Daniel Mesquisa. Seja você também personagem desta cidade, escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade e ler o texto completo da Neide, visite o meu blog miltonjung.com.br e conheça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: desvendando o potencial da Inteligência Artificial 

Photo by Matheus Bertelli on Pexels.com

“Não devemos ignorar a IA, muito pelo contrário, mas em gestão de marca, nossas cabeças e planos para a marca ainda são nossa mais valiosa ferramenta.”

Cecília Russo

No mundo contemporâneo, um dos temas mais discutidos é o da Inteligência Artificial (IA) e sua influência nos diversos setores da economia, e a gestão de marcas ou o branding não ficaria de fora dos impactos desta tecnologia. Com a popularização dos chatbots GPT (Generative Pre-trained Transformer), uma nova era de possibilidades se abre para aprimorar estratégias de marca. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo exploraram as diversas maneiras pelas quais a IA pode contribuir para o branding.

IA no Branding: Uma Parceria Poderosa

A inteligência artificial oferece um vasto leque de contribuições para o branding. Ela é capaz de moldar o tom de voz da marca, criar experiências envolventes, gerar conteúdo personalizado para comunicações, realizar pesquisas de mercado precisas e segmentar audiências específicas. Possibilidades que foram elencadas pela própria IA, a partir de provocação feita pela Cecília no ChatGPT.  

O Papel Humano no Processo Criativo

Apesar de todas as vantagens da IA, é importante destacar que a criatividade humana continua sendo a peça-chave para o sucesso no branding. Na conversa estimulada pela Cecília, o próprio Chat GPT enfatiza que a assistência da IA é valiosa, mas a perspectiva humana é indispensável para garantir que os conteúdos gerados estejam alinhados com a essência da marca e suas metas futuras.

“Ou seja, uma coisa é prover respostas, a outra é o quanto essas respostas atendem à minha marca e ao que eu quero por ela” 

Cecília Russo

Surpreendendo e Encantando o Consumidor

Um dos principais desafios do branding é antecipar desejos e surpreender o consumidor, lembrou Jaime Troiano. Enquanto a IA pode auxiliar na resposta às demandas atuais, a gestão de marca requer a capacidade de oferecer algo inesperado e envolvente. Essa abordagem surpreendente é o que cria conexões emocionais e fidelidade do público. 

“São essas surpresas que geram envolvimento e fidelizam. Seja quando surpreendo com um novo produto, seja com uma comunicação totalmente fora da caixa ou com algo que nem sabíamos que queríamos, mas quando chega, é como se tivessem adivinhado seus desejos”.

Jaime Troiano

A IA como um Espelho Retrovisor

A IA se baseia em algoritmos que analisam dados passados, tornando-se um “espelho retrovisor”. Embora essas análises sejam úteis, a verdadeira gestão de marca depende da visão para o futuro, da compreensão das tendências emergentes e da coragem para inovar além do que já foi feito.

Jaime e Cecília concordam com a ideia de que o futuro do branding é uma harmoniosa colaboração entre a IA e a inteligência natural humana. A tecnologia deve ser abraçada como uma aliada poderosa, complementando as capacidades criativas dos profissionais de branding. Através dessa parceria, as marcas poderão alcançar novos patamares de sucesso ao proporcionar experiências memoráveis, relevantes e surpreendentes aos consumidores.

Mantenha-se atualizado sobre o papel da Inteligência Artificial no branding enviando suas opiniões e perguntas para marcasdesucesso@cbn.com.br. E para mais dicas sobre como tornar sua marca líder de mercado, ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN: 

Mundo Corporativo: Roberta Colleta, da Lwart, fala da solução ambiental para o óleo usado do motor do seu carro

Imagem do site da Lwart

“A gente precisa saber para onde esse óleo lubrificante vai, a gente precisa entender que ele é um tema da pauta ESG, que deveria estar lá em cima.  Se fala muito em ESG, mas a gente não tem falado sobre o óleo lubrificante usado”.

Roberta Colleta, Lwart

“Troca o óleo”. Você já deve ter feito este pedido inúmeras vezes ao chegar em um posto de combustível ou oficina mecânica. Fazer a troca é recomendável para a saúde do motor do seu carro. Os fabricantes sugerem que isso ocorra a cada 5 mil ou 10 mil quilômetros, conforme orientação do fabricante.

Agora, você parou para pensar o que acontece com o óleo que o profissional tira do motor? Se descartado no meio ambiente, esse produto é bastante prejudicial à sua saúde e ao meio ambiente.

O  Mundo Corporativo, na série ESG, foi saber quais são as soluções desenvolvidas no Brasil para atender a rígida legislação ambiental do país.  Nós entrevistamos Roberta Colleta, head de comunicação e marketing da Lwart Soluções Ambientais. A empresa trabalha com  rerrefino do óleo lubrificante e é líder nesse mercado é a nossa entrevistada.

Impactos Ambientais e de Saúde do Óleo Lubrificante Usado

O óleo lubrificante usado é aquele líquido preto que sai do motor de carros, motos, ônibus e máquinas. O produto pode causar danos significativos ao meio ambiente quando descartado incorretamente. Ele possui potencial para contaminar a água, o solo e o ar, causando sérios problemas ambientais. Apenas um litro de óleo usado pode contaminar até um milhão de litros de água, tornando-se uma fonte poluidora poderosa:

“Na água, um litro de óleo usado, de óleo lubrificante usado, é capaz de contaminar um milhão de litros de água. No solo, ele permeia e pode ter prejuízos para a plantação, água etc. E no ar, quando ele é queimado, gera resíduos  tóxicos, tanto para o ser humano quanto para a camada de ozônio. Então, é um tema que a gente precisa olhar com carinho”.

Rerrefino: A Solução Sustentável

A Lwart Soluções Ambientais é pioneira na técnica de rerrefino de óleo lubrificante usado no Brasil. Esse processo ocorre a partir do óleo básico extraído do petróleo, que é aditivado e se transforma em óleo lubrificante.

O óleo, após ser usado e extraído do motor do carro, é coletado pela empresa. que o refina novamente, eliminando contaminantes e transformando-o em óleo básico de alta qualidade. Esse processo leva a um ciclo completo, tornando-o uma solução ambientalmente correta e sustentável:

“Através de tecnologia, a gente consegue mudar a estrutura molecular desse óleo e transforma ele de novo em óleo básico. Então, perceba que é uma cadeia circular perfeita. Ele foi refinado. Ele foi usado. Ele foi rerrefinado. E ele volta para o mercado de novo depois de aditivado novamente como óleo lubrificante. E isso é infinito”. 

A empresa faz a coleta em cerca de 4 mil municípios brasileiros e concentra o produto em 18 centros de coleta, que são unidades armazenadoras espalhadas em diversas partes do país. O material é levado para a fábrica da Lwart em Lençóis Paulistas, interior de São Paulo. Lá é feito o processo de rerrefino do óleo lubrificante. Por ano, são rerrefinados cerca de 240 milhões de litros, segundo dados oficiais da Lwart.

Quem é responsável pela gestão do óleo usado

legislação brasileira é rigorosa em relação ao óleo lubrificante usado. A única destinação ambientalmente correta é a reciclagem por meio do rerrefino. Postos de combustível, concessionárias, oficinas e indústrias têm a obrigação legal de destinar corretamente o óleo usado para o refino.

“Os países de grandes extensões territoriais, como o Brasil, são grandes produtores de óleo lubrificante, e muitos deles também são grandes rerefinadores, mas outros países têm legislações diferentes. Então, posso citar para você, por exemplo, os Estados Unidos que permitem a queima do óleo lubrificante usado. O Brasil não permite, o que para nós é um uma grande conquista”. 

Roberta explica que de cada 10 litros de óleo coletado, sete e meio são rerefinados e voltam ao mercado de máquinas e motores. Outra parte dos resíduos desse processo vai para a indústria da construção civil como impermeabilizante e manta asfáltica. A água usada na operação passa por uma estação de tratamento e volta à natureza, ou gera vapor e alimenta a própria fábrica.

Desafios e Conscientização

Apesar da legislação e dos avanços na reciclagem, ainda existem desafios. Um dos principais é conscientizar as pessoas sobre a importância de destinar corretamente o óleo lubrificante usado. Muitos ainda não têm a consciência dos riscos ambientais desse produto e precisam ser sensibilizados para contribuir com a preservação do meio ambiente.

Além do Óleo Lubrificante

A Lwart Soluções Ambientais não se limita à coleta e rerrefino de óleo lubrificante usado, conforme explica Roberta Colleta. Há 50 anos no mercado, a empresa expandiu suas atividades para outras soluções ambientais. Hoje faz a gestão de resíduos sólidos, incluindo plástico, metal, madeira, papelão e águas contaminadas. Além disso, a Lwart investe em inovação e tecnologia, buscando soluções que agreguem valor aos resíduos e enfrentem desafios futuros.

O tema da coleta e reciclagem do óleo lubrificante usado é de suma importância para a sustentabilidade ambiental. E os resultados no Brasil são bastante positivos. Para Roberta, no entanto, a conscientização e a colaboração de todos são fundamentais para que esse esforço da coleta seja ainda mais significativo. Ela destaca que devemos lembrar que, ao cuidar do descarte adequado do óleo lubrificante, estamos zelando pelo planeta e pelas gerações futuras.

Assista à entrevista completa com Roberta Colleta, head de comunicação e marketing da Lwart Soluções Ambientais. O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Leandro Gouveia e Débora Gonçalves.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como Barbie vira lição para marcas longevas ao enfrentar o desafio de permanecer relevante ao longo dos anos

Foto divulgação do filme Barbie

“Para manter a relevância, marcas precisam preservar o essencial na busca do novo!”

Cecília Russo

As marcas longevas enfrentam um desafio constante: como se manter relevantes ao longo dos anos em um cenário competitivo e em constante mudança. Um exemplo emblemático é a icônica Barbie, que teve seu filme lançado há pouco mais de uma semana. A trajetória de sucesso da Barbie ao longo de mais de seis décadas é notável, mas também levanta a questão de como a marca pode evoluir e se adaptar às expectativas e aspirações das novas gerações. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano exploraram como a Barbie tem enfrentado esse desafio e as lições valiosas que essa jornada pode oferecer a outras marcas longevas.

A Evolução da Barbie ao Longo dos Anos

A história da Barbie remonta a 1959, quando foi criada por uma empreendedora co-fundadora da Mattel. Desde então, a boneca passou por diversas transformações e representou diferentes papéis, desde astronauta até presidente dos Estados Unidos. A visão original da Barbie era permitir que as meninas se identificassem com ela e sonhassem em ser o que quisessem ser, abrindo caminho para a imaginação e a liberdade criativa. 

“Eu fui da geração da Susi, que se não me engano era da Estrela. A Barbie foi lançada em 1959 por uma empreendedora que era co-fundadora da Mattel. Segundo fontes que li, sua ideia original era criar uma boneca em que as meninas pudessem se identificar e ser o que quisessem ser”.

Cecília Russo

O Sucesso da Marca: Um Mundo Idealizado e Inspirador

A Barbie conquistou um enorme sucesso ao longo dos anos, tornando-se sinônimo de um universo feminino idealizado, repleto de fantasia e cor-de-rosa. Sua capacidade de mostrar às meninas mundos distantes da realidade cotidiana pode ser considerada um dos ingredientes-chave de sua popularidade. A marca entendeu a importância de representar aspirações e sonhos, criando um ambiente onde a imaginação pudesse florescer sem limites.

O Novo Filme da Barbie: Rebranding ou Preservação de Valores Tradicionais?

Com o lançamento do novo filme da Barbie, surge a questão se este representa um rebranding, aproximando a personagem da geração atual, ou se apenas reforça os valores e ícones tradicionais que tornaram a Barbie uma figura icônica.

Cecília, em suas reflexões, tende a acreditar que o filme não representa uma revolução completa na marca. Ela menciona elementos como a persistência do cor-de-rosa característico, a presença do Ken e uma relação entre os personagens aparentemente similar ao passado. Essas observações sugerem que a Barbie mantém sua essência intocada, o que pode ser compreendido como uma estratégia para preservar o que torna a marca tão amada por suas consumidoras.

A Importância de Preservar o Essencial na Busca do Novo

Jaime, por sua vez, destaca que marcas longevas precisam de uma abordagem equilibrada: preservar o essencial enquanto buscam a inovação. Essa convivência inteligente entre tradição e renovação é fundamental para que uma marca permaneça relevante e atenda às expectativas do público-alvo em constante evolução.

“Tem  de entender muito bem o que é essencial em sua marca e podem ser várias coisas, desde as tangíveis até coisas impalpáveis, como a personalidade de uma marca”

Jaime Troiano

Exemplos Práticos de Sucesso e Fracasso

Dois exemplos práticos, um positivo e outro negativo, de marcas brasileiras que ilustram esse conceito. A extinta marca Kichute não conseguiu se adaptar à crescente concorrência e, consequentemente, não inovou para atender às novas demandas do mercado, resultando em sua decadência. Em contraste, a Olympikus soube inovar, expandindo sua linha de produtos e aprimorando a qualidade, enquanto manteve o compromisso com esportes e sua personalidade única. Esse equilíbrio resultou em um crescimento significativo para a marca mesmo em tempos desafiadores

“Com uma linha extensa de produtos, com inovação mas preservando seu compromisso com esportes e com qualidade, a Olimpikus, na pandemia, cresceu 300%, segundo dados da empresa”

Jaime Troiano

Barbie é Uma Lição Para Marcas Longevas 

A trajetória da Barbie e outros exemplos práticos destacam uma lição essencial para marcas longevas: a busca do novo não deve comprometer a preservação daquilo que torna a marca autêntica e apreciada. A Barbie, ao longo de mais de seis décadas, soube se reinventar, mantendo sua essência de inspirar a imaginação e os sonhos das meninas. Esse equilíbrio entre preservação e inovação é a chave para que marcas perdurem no tempo e continuem relevantes para as futuras gerações, conquistando a fidelidade de seu público e se tornando verdadeiras referências no mercado. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Cecília Russo e Jaime Troiano, e com a sonorização do Paschoal Júnior:

(este comentário foi ao ar no dia 15 de Julho)

Conte Sua História de São Paulo: as lembranças de infância de uma decendente croata na cidade

Por Arlete Bačić

Ouvinte da CBN

A catedral da Sé em foto de Thgusstavo Santana

Uma descendente de croatas em São Paulo.

Nasci em 1974 na maternidade do Brás — na época ainda se escrevia com Z — e sou apaixonada por São Paulo. Morei em vários bairros da zona leste, principalmente Belenzinho e Tatuapé, o que não me impediu de conhecer tantos outros.

Da minha infância, lembro com muito carinho do ônibus elétrico que saía da Praça Silvio Romero rumo ao centro; das compras no Mappin e na Mesbla; do Largo do Anhangabaú e suas fontes; da Catedral da Sé com suas iguanas escondidas na arquitetura; dos curiosos edifícios com os vidros para fora das persianas; dos belos jardins escondidos da Liberdade; do Centro Cultural onde tantas vezes fui fazer trabalhos de escola.

Tenho lembranças ótimas do Jardim Vila Formosa onde moravam meus avós; da Vila Santa Isabel com seus tradicionais tapetes de serragem nas ruas para o Corpus Christi; da Igreja São Paulo onde eram encomendadas as missas para os parentes falecidos; e de jogar taco e basquete, e andar de skate pela Rua Cantagalo, no Tatuapé.

Lembro também do Museu do Ipiranga com suas ânforas de cristal; do Parque do Tietê onde fazíamos piquenique; do CERET onde aprendi a nadar; dos peixes no Aquário de Itaquera, na Jacu-Pêssego, e do caminho saindo de São Paulo com destino a Bertioga.

São tantas lembranças que precisaria de muitas linhas para narrar todas, então me concentrei apenas nas da infância, pois são elas as mais importantes na memória afetiva que tenho da nossa maravilhosa São Paulo! 

Arlete Bačić é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua Historia de São Paulo.

Como tornar a comunicação uma solução para o bem-estar e a longevidade

Foto de Andrea Piacquadio

A comunicação é uma ferramenta poderosa que molda nossas relações sociais e influencia diretamente nosso bem-estar. Falei sobre esse tema com o Márcio Atala quando fui convidado por ele a participar no programa Bem-Estar e Movimento, que vai ao ar, aos sábados. Estava de férias quando a entrevista foi reproduzida na CBN — está disponível em podcast, também —, por isso trato do assunto apenas agora. 

Nós discutimos a importância da comunicação em nossas vidas e como essa competência evoluiu ao longo dos anos. Ponderamos que o bem-estar e a longevidade estão intimamente relacionados à comunicação eficiente. Haja vista que uma boa comunicação é essencial para estabelecer relações sociais profundas e significativas, o que tem sido demonstrado em pesquisas sobre longevidade e felicidade.

Inspirado pelo livro “Escute, expresse e fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso” (Editora Rocco), lembrei que a comunicação é composta por três caixinhas de recursos: verbal, não verbal e vocal. Esses elementos combinados possibilitam uma comunicação eficaz, mas cada um deles, isoladamente, também pode gerar interações significativas com os outros. Por exemplo, um simples olhar solidário ou um sorriso de um desconhecido pode impactar positivamente o dia de alguém.

Os desafios da comunicação digital

No entanto, a evolução da tecnologia e da comunicação digital também trouxe desafios. Atualmente, somos inundados por uma quantidade exorbitante de informações todos os dias, levando à ansiedade informacional. A capacidade de filtrar e selecionar fontes confiáveis torna-se essencial para evitar a desinformação e a propagação de notícias falsas.

Além disso, a violência também está intrinsecamente ligada à comunicação. Estudos mostram que pessoas que se comunicam mal tendem a cometer e ser vítimas de violência. A comunicação inadequada pode levar a conflitos e brigas, enquanto a capacidade de argumentar e se comunicar efetivamente pode evitar esses problemas.

Destaquei a importância da comunicação em todas as profissões, especialmente em um mundo digital onde a imagem e a presença online são fundamentais. Porém, alertei para o perigo de influenciadores que, apesar de serem excelentes comunicadores, podem propagar informações falsas e não oferecer um serviço real para a sociedade.

A busca da verdade é antídoto a fake news

Enfatizei que, apesar dos desafios e das más interpretações que podem surgir, é essencial resistir e continuar se comunicando com qualidade e responsabilidade. A comunicação tem o poder de inspirar e transformar, e a busca por uma comunicação efetiva é um passo importante para promover o bem-estar individual e coletivo.

Neste contexto, os jornalistas enfrentamos o desafio de encontrar e informar a verdade, especialmente em um cenário onde notícias falsas e desinformação são disseminadas com facilidade. A busca pela verdade e pela informação confiável torna-se crucial para combater a propagação de mensagens enganosas.

Dicas importantes para melhorar a comunicação:

1. Escutar: o ato de escutar é tão importante quanto falar. A escuta ativa e o acolhimento do outro são fundamentais para uma comunicação bem-sucedida. Entender a intenção do interlocutor e também a própria intenção no processo de comunicação é fundamental para estabelecer uma conexão efetiva.

2. Escolha de fontes de informação: em um mundo com excesso de mensagens, é essencial fazer escolhas conscientes sobre as fontes de informação que consumimos. Buscar fontes confiáveis e qualificadas ajuda a evitar a propagação de informações falsas ou enganosas.

3. Simplicidade e objetividade: ao se comunicar, seja simples, direto e objetivo. Evite complicar a mensagem e busque expressar-se de forma clara para que o público compreenda facilmente o que está sendo transmitido. Isso ajudará a inspirar e impactar positivamente as pessoas.

Em resumo, devemos aprender a selecionar fontes confiáveis, filtrar informações e promover uma comunicação eficaz, respeitosa e construtiva. Somente assim poderemos criar relações mais saudáveis e uma sociedade mais informada e harmoniosa. E ao adotar a escuta ativa, escolher fontes confiáveis e comunicar-se de forma simples, direta e objetiva, podemos melhorar a qualidade das nossas interações e contribuir para uma sociedade mais informada, consciente e saudável.

Assista à entrevisa completa que concedi ao Márcio Atala, em Bem-Estar e Movimento

Mundo Corporativo: Samuel Campos, da Vega, mostra como a tecnologia e o compliance ambiental transformam o Agronegócio

“Quem não tiver, não acompanhar esse movimento, não vai conseguir escoar o seu produto e não vai conseguir ter acesso, nem a prêmios ou investimentos, financiamentos de bancos que têm linha de crédito verde com juros diferenciados no mercado; e para ter acesso a isso você tem que mudar o seu modelo”

Samuel Campos, Vega

O conceito de compliance ambiental abrange as práticas e o manejo agrícola, buscando entender a interação da produção do imóvel rural com aspectos ambientais relevantes, como o combate ao desmatamento, sobreposições com terras indígenas, povos e comunidades tradicionais e unidades de conservação. A implementação dessas práticas sustentáveis é essencial para que o produtor atenda aos principais protocolos internacionais, como os da União Europeia, garantindo a aplicação desse conceito em toda a cadeia de suprimentos. Sobre o tema, o Mundo Corporativo entrevistou Samuel Campos, da Vega, uma empresa que especializada em monitorar a produção agrícola e testar a sustentabilidade das práticas na cadeia produtiva do agronegócio.

Rastreabilidade e Avaliação de Fornecedores

A rastreabilidade dos produtos agrícolas é fundamental para garantir a procedência sustentável da matéria-prima. Empresas como a Vega monitoram toda a produção desde a origem até a chegada na indústria, aplicando certificações e selos de sustentabilidade que atestam a conformidade com os protocolos ambientais. A avaliação de fornecedores desempenha um papel crucial nesse processo, e muitas empresas têm regras bem definidas para aceitar ou barrar a compra de produtos com origem não sustentável.

Tecnologia e Desafios para a Sustentabilidade no Agronegócio

A tecnologia tem papel fundamental no desenvolvimento sustentável do agronegócio. Samuel explica que a Vega usa técnicas de Inteligência Artificial e Big Data para processar e analisar dados de mais de 48 milhões de hectares de terras agrícolas no Brasil, buscando formas de integrar lavoura, pecuária e floresta para otimizar a produção e reduzir emissões de CO2. Os desafios incluem a conscientização dos produtores, a regularização ambiental, o monitoramento em tempo real e a transparência de toda a cadeia produtiva.

“O produtor rural às vezes quer estar dentro de um modelo mais produtivo, mas ele não encontra ainda as alternativas de saída: como é que ele vai regularizar o seu passivo? Como é que ele vai trabalhar com o estado no programa de regularização ambiental? Como é que a gente vai trabalhar esse monitoramento dessa transição? Esse para mim é um grande desafio na conscientização e na mudança desse modelo de produção brasileira”

Potenciais Impactos Negativos e Incentivos para a Sustentabilidade

Os produtores que não se adaptarem aos protocolos de compliance ambiental podem enfrentar restrições na venda de suas commodities em mercados internacionais, reduzindo a liquidez de seus produtos, de acordo com Samuel. Por outro lado, aqueles que adotam práticas sustentáveis têm a oportunidade de receber prêmios financeiros pela sua produção, além de acesso a linhas de crédito verde com juros diferenciados. A conscientização e a transparência na cadeia de suprimentos são cruciais para que a sustentabilidade se torne um ativo e não um passivo para os produtores. Além disso, lembra Samuel, os produtores ao aplicarem em tecnologia podem ampliar a variedade de safras e melhorar a produtividade:

“A gente costuma dizer que quando a gente conseguir mudar o mindset do produtor rural, que ele pode ter uma safra, uma safrinha, uma terceira safra ambiental, conectada a rastreabilidade da produção sustentável dele, a gente vai mudar toda a cadeia”.

Samuel destaca que o agronegócio está passando por uma grande transformação, impulsionada pela tecnologia e pelo compliance ambiental. O futuro do agronegócio está na conscientização dos produtores, na transparência da cadeia produtiva e no investimento em tecnologias inovadoras que permitam uma produção mais eficiente e sustentável. O desafio é grande, mas as oportunidades para profissionais qualificados no campo da tecnologia e da inovação são igualmente promissoras.

“Hoje, o mercado ele precisa  cada vez mais pessoas que enxerguem essa visão de sustentabilidade, que tem noção dessas questões de  ESG, de compliance; e quando você traz isso munido ali de conhecimento de inovação de tecnologia, você hoje é um profissional diferenciado no mercado”. 

Assista à entrevista completa com Samuel Campos, da Vega, ao Mundo Corporativo que tem a colaboração de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Saville Alves, da Solos, mostra como estratégias de ESG e economia circular podem avançar com base na tecnologia

“O que a gente não pode perder de vista é que catador, cooperativa, não fica rico com catação. A gente precisa mudar essas relações de trabalho para que a gente possa ter empreendimentos escaláveis, e que coloquem o Brasil numa ponta de índices de reciclagem”

Saville Alves, Solos

Um dos maiores desafios quando o tema é economia circular é a conscientização do cidadão sobre o descarte correto de resíduos recicláveis. No Brasil, a taxa de reciclagem é muito baixa, cerca de 3%; e 90% do material reciclado é coletado pelos catadores, muitas vezes em condições precárias. Saville Alves, CEO da Solos, identificou esse problema e contou ao Mundo Corporativo como a criação da startup gerou oportunidade para o desenvolvimento de soluções nessa área. Ela é a primeira entrevistada de mais uma série especial sobre ESG — que trata da governança ambiental, social e corporativa.

A Solos é uma startup que trabalha com o descarte correto de resíduos recicláveis e economia circular. Além de conscientizar os cidadãos sobre a importância do descarte correto, a Solos percebeu a necessidade de criar um sistema de inclusão socioeconômica para os catadores e estabelecer parcerias com grandes indústrias recicladoras. Essa abordagem visa costurar todas as pontas da cadeia de reciclagem, desde o cidadão que faz o descarte até o reciclador que transforma o material em novos produtos, utilizando matéria-prima reciclável em vez de matéria-prima virgem.

“O nosso negócio é um negócio B2B, ou seja, ele é uma empresa que vende uma solução para outras empresas, mas a gente parte sempre da premissa da geração do impacto. Seja ela através do aumento de volume de resíduos reciclados, da geração de renda para as populações historicamente excluídas dentro desse processo, e, também, pelo número de pessoas que a gente vai alcançando e vai convertendo para participar das nossas ações”. 

A Solos atua em três frentes principais:

  • a primeira é por meio de experiências e conteúdos sustentáveis, que buscam sensibilizar e engajar o público de forma leve e lúdica.
  • A segunda frente é a gestão de resíduos em grandes eventos, oferecendo consultoria e operação logística para aumentar a quantidade de resíduos destinados à reciclagem.
  • A terceira frente é a implementação de operações de logística reversa e micrologística, garantindo o acesso ordenado e estruturado à coleta seletiva em diferentes regiões do país.

Saville Alves Alves  é uma empreendedora que teve sua trajetória marcada por vivências significativas. Ela estudou comunicação na Universidade Federal da Bahia, onde teve contato com um ambiente de pensamento crítico e começou a questionar os paradigmas sociais. Sua participação em movimentos como o Movimento Empresa Júnior e organizações internacionais, como o TETO, despertaram o desejo de fundar um negócio de impacto. A Solos foi então concebida como resultado desse processo de amadurecimento pessoal e profissional.

O Papel da Tecnologia na Reciclagem

No contexto da reciclagem, a tecnologia desempenha um papel fundamental. O Brasil tem a oportunidade de usar algoritmos e sistemas de rastreamento para trazer mais transparência e informações para a população. O lastreamento da cadeia de reciclagem, identificando a origem e o destino dos materiais, pode ser realizado por meio da tecnologia. Além disso, a automação das estações de triagem e beneficiamento contribui para aumentar a eficiência e diminuir as taxas de erro no processo.

De acordo com Saville, a Solos está explorando formas de digitalizar o processo de conscientização da população, especialmente das crianças e adolescentes, para criar um hábito sustentável desde cedo. A empresa acredita que, ao mudar os hábitos das novas gerações, teremos adultos conscientes e engajados na reciclagem. A tecnologia também desempenhará um papel importante nesse processo, permitindo a conexão de informações e a automação de diversas etapas do ciclo de reciclagem.

Dicas para Empresas interessadas na Economia Circular

Para empresas que desejam adotar práticas de economia circular, é importante começar de maneira verdadeira e identificar o que é mais sensível para o negócio. Cada empresa tem suas peculiaridades, e é essencial escolher causas alinhadas aos seus valores e setor de atuação. Inicialmente, focar em questões como resíduos, inclusão socioeconômica ou qualquer outra área relevante pode ser um bom começo. É fundamental buscar parcerias e redes confiáveis, participar de programas de aceleração e capacitação, e aproveitar as oportunidades oferecidas pela digitalização para expandir o impacto positivo.

Saiba outras formas de colaborar e investir em economia ciruclar, assistindo à entrevista completa com Saville Alves, CEO da Solos, no Mundo Corporativo, especial ESG:

O Mundo Corporativo tem as participações de Priscilla Gubiotti, Rafael Furugen, Renato Barcellos e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: delírio com o Canindé e um sonho com o Tietê

José Emilio Guedes Lages

Ouvinte da CBN

Foto aérea do estádio do Canindé; autor: Will Lusa

A primeira vez que fui a São Paulo, vindo de Belo Horizonte, desci no terminal rodoviário Tietê cheio de curiosidades. Logo de cara, esperando o táxi, vislumbrei o campo da Portuguesa, time da minha maior admiração na capital Paulista  — Félix, Ivair, o Príncipe, Leivinha, Lorico. Só com isso aí já fiquei satisfeito. Lembrei também do livro Quarto de Despejo, em que autora Carolina Maria de Jesus falava da favela do Canindé, onde passa parte de sua obra , aí então o astral melhorou mais ainda.

No táxi, pedi para que fosse para o Alto de Pinheiros e o taxista me perguntou se era para passar pela Cerro Corá. Como eu não conhecia nada da cidade e achei o nome muito lindo, disse que sim.

Quando passávamos por uma rua, próximo ainda a rodoviária, vi uma frase no muro que me encantou sobremaneira: “Kdê o Salvador daqui?”.

Cheguei ao endereço que me esperava e apaguei! Acordei no dia seguinte, para conhecer a Ipiranga com a São João, uma bela história que me ronda até hoje. No passeio, puxei da memória o que havia visto no dia anterior, após deixar a rodoviária: lembrava de ter ficado deslumbrado ao passar pelas marginais Tietê e Pinheiros, encontrado s ruas arborizadas e floridas; e a criançada pulando de um trampolim imaginário e — “tibum” — nadando de braçada naquelas águas límpidas dos rios que cortavam a grande metrópole.

Somente no dia seguinte, quando voltei a cruzar as marginais é que percebi que aquelas cenas eram apenas imaginação, resultado do sonho que sonhei enquanto descansava. O que era real, porque voltei a encontrá-la, no dia que retornei a Belo Horizonte, era a frase no muro: “Kdê o Salvador daqui?

José Emilio Guedes Lages é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua Historia de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: o Pedro, o Lobo e os meus amiguinhos de corrida

Paulo Mayr Cerqueira

Ouvinte da CBN

Foto de Caique Araujo

Mil anos atrás, mesmo não sendo próximo a minha casa, costumava correr na Pista de Cooper do Parque do Ibirapuera. Estacionava o carro em uma travessa da 4º Centenário e caminhava um pouco.

Dois dias seguidos, um menino de uns três, quatro anos, que estava com a empregada no jardim de casa puxou conversa:

– Quem é você?

– Sou o corredor do Parque.

Parei e continuamos o bate-papo.

Na semana seguinte, ao me ver, chamou o irmão, um pouco maior, para me apresentar.

Meu já amigo, o Pefeli, e o novo, o Nirani.*

E assim foi indo. Com frequência, eles estavam por ali e conversávamos.

Então, no começo de dezembro, fiz uma fita K7 com a História do Pedro e o Lobo do músico russo ProKofiev, narrada por Roberto Carlos, no início do início da carreira do ídolo.

A ideia do autor era introduzir, de maneira lúdica, crianças no mundo da música erudita. Assim, cada personagem da história era representada por um instrumento de orquestra.

Em um envelope natalino, além da fita, o histórico, que xeroquei da contracapa, e um cartão meu de Feliz Natal. Eles não estavam em casa. Deixei com a empregada, já minha conhecida.

Dia 25 de dezembro, por volta de meio dia, antes de ir para o Almoço da família, passei por lá. Toquei a campainha. A avó, pelo interfone, perguntou quem era. Disse que havia deixado uma fita K7 para as crianças.

Ela:

– Não vai embora, não vai embora.

E veio correndo para o portão.

Novamente, os meninos não estavam. Ela contou que todos haviam se encantado comigo; e insistiu para eu tomar uma bebida com eles. Agradeci, mas não aceitei.

Hoje Pefeli e Nirani são homens feitos e talvez tenham um toca-fitas de museu só para, de vez em quando, ouvir com chiados a lembrança que o Corredor do Parque lhes deu.

Paulo Mayr Cerqueira e seus amigos, Pefeli e Nirani, são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.