Num belo dia de domingo dos anos 50, minha família resolveu visitar o Horto Florestal, aqui na cidade de São Paulo. Éramos eu, minha irmã mais velha e nossos pais.
Ao chegar ao local, tivemos uma surpresa que para mim foi inesquecível. Fomos orientados a subir em um trem pequeno e bonito para fazermos um passeio pela região. Nem imaginava que esse trem, anos mais tarde, ficaria famoso em todo Brasil.
Atravessamos com a máquina boa parte da floresta local. Que coisa mais linda, era um verdadeiro abraço da natureza!
Depois desse lindo passeio descemos num local apropriado para um piquenique. Saboreamos os salgados, bolinhos, sanduíches e, após, um delicioso pão doce feito em forno de barro, construído por meu pai.
Aos meus pais e minha irmã Zezé que ajudou muito na preparação dos alimentos, saudades…
Depois de vários anos desse passeio, tivemos o surgimento da música “Trem das Onze”. Cheguei à conclusão que eu e minha família, por alguns momentos, viajamos no trem de Adoniran Barbosa em sua bitola estreita.
Trem que antes de ficar famoso era chamado de Trenzinho da Cantareira.
Olivio Segatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“Para você exercer influência como o objetivo do desenvolvimento humano e social, você tem que ser um ser humano exemplar, você tem que ser uma pessoa altruísta. Entender e atender as necessidades legítimas das pessoas com que você se relaciona”.
Celso de Souza e Souza, consultor
Os líderes são formados para alcançar metas econômicas, porque a cultura organizacional tem como prioridade os resultados financeiros. O problema é que se a prioridade são os números, as pessoas ficam em segundo plano. Logo elas que são as responsáveis por atingirem os objetivos tão almejados. No fim das contas, em muitos casos, até se consegue atender as exigências que estão nas planilhas, o problema é que a maior parte dos gestores não percebe o custo a ser pago. Esse cenário é draconiano e um dos maiores desafios para a implantação do conceito da liderança diferenciada, promovida pelo consultor Celso de Souza e Souza, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo:
“O resultado econômico financeiro é legítimo; é uma necessidade do acionista: mas uma organização diferenciada está comprometida com seus stakeholders. Obviamente esses stakeholders estarão comprometidos com ela e o resultado econômico financeiro acontecerá como consequência”
Autor do livro “Como ser líder diferenciado”, Celso diz ter se inspirado na ideia que surgiu no Fórum de Liderança da Unesco, de 2006, que propôs aos gestores o compromisso de implantarem nas suas empresas processos para o desenvolvimento humano e social. Naquele mesmo momento, um alerta foi disparado às organizações: o líder diferenciado era um artigo de luxo nas empresas. Mais de uma década depois, o cenário mudou pouco de acordo com Celso de Souza e Souza:
“O avanço foi muito pequeno. A toda hora nós estamos recebendo pesquisas denunciando que alguns stakeholders estão insatisfeitos no atendimento de suas necessidades legítimas. Notadamente colaboradores”.
O líder diferenciado está comprometido com o funcionário, com o cliente, com o fornecedor, com o parceiro de negócios, com a sociedade e com o meio ambiente. Seu olhar vai muito além do resultado financeiro. Deve entender e atender às necessidades dos stakeholders ou seja todos aqueles que são impactados pelas ações da empresa. Por isso, se diz que o líder diferenciado é um líder servidor. Que serve não apenas seus funcionários, mas a sociedade:
“O adjetivo diferenciado traz no seu bojo uma amplitude de atuação. O líder transcende as organizações, entra na sociedade, entra na família. O líder diferenciado que foi formado na organização, quando vai atuar como pai ou como mãe, vai exercer influência para os seus filhos, para os seus netos de uma forma extremamente diferente da tradicional, para melhor. Então, nós estamos falando uma metodologia capaz de fazer com que o mundo seja um mundo melhor:.
Para que esse método seja interiorizado na empresa, Celso não titubeia ao afirmar que depende muito do CEO ou daquele que ocupa o cargo mais alto na empresa: a chuva vem de cima para baixo, lembra o consultor. É preciso que o gestor assine um contrato psicológico no qual assume a responsabilidade de ser um agente de mudança, de ser o exemplo a ser seguido. E isso passa por adotar um manual de conduta que não apenas define o comportamento a ser realizado como as punições àqueles que não seguirem essas regras.
“Essa política deixa muito claro quais são as responsabilidades da liderança e deixa muito claro que haverá tolerância zero para indisciplina. Quem foi treinado para seguir o manual de liderança da empresa e não cumprir o manual sofrerá consequências”.
Usar comunicação apropriada é fundamental para uma liderança diferenciada se realizar na empresa. Mais do que isso. O carisma e a inspiração do líder têm de estar a serviço do desenvolvimento humano e social. Se não houver uma intenção altruísta, a comunicação terá efeito contrário.
“Existem métodos e técnicas científicos para que você se comunique de uma forma adequada. Tudo isso existe. Métodos são os críticos. Você tem que descobrir onde estão esses escritos. Têm de ser científicos. E você tem que exercitá-los com frequência, tem que pratica-los. Aí você vai se transformar em um comunicador diferenciado. Então, a partir de uma comunicação eficaz, uma comunicação não violenta você consegue influenciar, você consegue fazer com que ele tenha o desempenho que você gostaria que ele tivesse”.
Para entender mais como funciona a metodologia do líder diferenciado, desenvolvida por Celso de Souza e Souza, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:
O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Cacheoria de Marsilac em foto publicada em SelvaSP.com.br
Não! É difícil acreditar!
Saí de Campinas com mochila e barraca nas costas pra dois dias em delicioso modo acampamento: livre prazer na natureza! Tudo parecia muito certo e planejado, menos o destino que se lia no bilhete da passagem: São Paulo!
Como assim?!
Certo, já conhecia há muito os seus metrôs e quanto concreto na megalópole, mas o incrível: era verdade! Soube que por uma linha de busão, atrás de um tal Engenheiro Marsilac, e mais uma pequena caminhada, chegaria a um lindo lugar às bordas da cidade.
Mochila, barraca e namorada. Lá estava eu. As libélulas faziam as honras da casa. Com o entardecer, fogueirinha para o café à lenha e, com o friozinho da noite, o romântico estrelado Manto Sideral.
Quem diria? Acordar em meio ao verde em plena cidade de São Paulo
Glauber Júlio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo
“Num mundo em que as coisas, sentimentos, relações, significados são líquidos, como dizia o filósofo Sygmunt Bauman, a busca por um porto seguro, com estabilidade e consistência é um antídoto importante”
Jaime Troiano
A gestão de empresas familiares tem muito a ensinar sobre a preservação de valores e imagem das marcas. Especialmente aquelas que superaram a segunda e até a terceira geração tendem a ter um cuidado quase religioso com a sua razão de ser na sociedade e transformam sua marca em uma espécie de brasão familiar.
Ao recomendarem que os gestores de marcas observem como esse trabalho é realizado nas empresas em que a família se sucede na direção e na propriedade da organização, Jaime Troiano e Cecília Russo demonstram a preocupação que têm com o costume de alguns gestores de esquecerem o passado da empresa em nome de oferecer ao público uma visão inovadora.
“(Nas empresas familiares) a marca e seus significados são muito menos expostos ao risco de mudanças que eliminem seu passado. E isso é o pior que pode ocorrer: matar a galinha dos ovos de ouro!”
Jaime Troiano
Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília lembrou que um dos motivos para empresas familiares alcançarem a longevidade é fazer uma passagem cuidadosa de uma geração para outra, sem pressa, quase cientificamente e com muita objetividade. Para ela, não é por ser filha ou filho que a transição pode ser automática:
“Em certo sentido, é um processo mais complexo do que contratar um profissional do mercado. Como eleger o sucessor da família que tem mais preparo, pendor e vontade sem ser discriminatório com os demais?”
Cecília Russo
Dentre as empresas que conseguiram fazer essa passagem de uma geração a outra com sucesso está a Algar, pautada por um propósito: gente servindo gente. Um tema que liga todas as preocupação e comportamentos ano após anos. A Aços Cearenses foi outro exemplo citado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Pelas mãos do seu fundador, Vilmar, sua irmã e suas filhas Aline e Marie, conseguiram construir um caminho de êxito, mantendo a essência do negócio ao longo do tempo: uma forma de produzir e vender aço não apenas para grandes compradores, mas também para atender necessidades de pequenos e médios clientes.
Conheça outras empresas familiares brasileiras que foram capazes de superar o período de sucessão mantendo sua essência e se tornando exemplo para quem trabalha com gestão de marcas, ouvindo o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
Kelly Carvalho entrevistada no Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti
“O empresário que não se adaptar a essa nova tecnologia, não acompanhar essas tendências do mercado com certeza vai ter os seus dias contados porque a concorrência vai fazer”
Kelly Carvalho, FecomercioSP
Era fim de novembro de 2022 quando a empresa americana de tecnologia OpenAI lançou o ChatGPT, um chatbot com inteligência artificial especializado em conversação. Em cinco dias, havia mais de um milhão de usuários explorando as múltiplas possibilidade do serviço que pode ser usado gratuitamente, apesar de já ter versões pagas com mais funcionalidade. Hoje, não há qualquer risco em afirmar que o ChatGPT virou sinônimo de inteligência artificial (e se houver, assumo esse risco).
Se nós, meros usuários da tecnologia, ainda aproveitamos a ferramenta da OpenAI para perguntas banais e até algumas brincadeiras típicas da 5a série ( -“ChatGPT, você conhece o Mário?”; -“Que Mário”), profissionais, empresas e organizações têm investido tempo e dinheiro para entender como tirar o maior proveito da inteligência artificial que se tornou muito mais acessível. A Fecomercio de São Paulo foi uma dessas instituições. Fez um relatório para orientar pequenos e médios comerciantes, neste momento em que os riscos e as oportunidades do ChatGPT ainda estão sendo mais bem avaliados.
No programa Mundo Corporativo da CBN, Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, antecipou o resultado deste trabalho e elencou uma série de utilidades que o investimento no ChatGPT e seus assemelhados pode levar aos negócios do comércio. Ela participou, do Web Summit Lisboa 2022, considerada a maior conferência da Europa em tecnologia, quando uma das tendências apontadas tratava da inteligência artificial, principalmente no que diz respeito a se ter uma ferramenta digital cada vez mais intuitiva e conversacional.
“Hoje, nós temos o WhatsApp, temos alguns chats em alguns canais de comércio eletrônico e esses chats tradicionais funcionam de uma forma muito robotizada de fato … O ChatGPT consegue ter acesso e proporcionar todas as informações possíveis para esse consumidor de uma forma muito mais otimizada e muito mais rápida”
Para aproveitar os benefícios da inteligência artificial, os comerciantes terão de fazer investimento em tecnologia. Aqueles que mantém equipes próprias conseguirão desenvolver melhor o serviço e com custos menores. Por outro lado, quem ainda não se preocupou com o tema da digitalização do seu negócio, terá de recorrer a consultorias tecnológicas para se adaptar a essas mudanças. É importante fazer pesquisa de mercado para se evitar desperdício em relação ao dinheiro investido e às suas necessidades.
Kelly disse que ainda não é posssível precisar quanto custará para os pequenos e médios comerciantes usufruirem as funcionalidades do ChatGPT e afins. A versão paga do chatbot da OpenAi é de US$ 20 mensais, pouco mais de R$ 100 por mês, e permite que se use o ChatGPT mesmo com alta demanda e se tenha respostas mais rápidas, além de receber acesso prioritário para novos recursos e atualizações. Porém, a ideia é que o empreendedor aproveite a inteligência artificial de forma muito mais profunda:
“Muito importante é que essa plataforma pode até mesmo colaborar na redução de custos. Porque a partir do momento que você faz uma automação das atividades, principalmente atividades rotineiras, como emissão de relatórios ou a questão do perfil do consumidor, você pode realocar aqueles profissionais para outras áreas da empresa e aumentar a própria produtividade”.
No relatório da FecomercioSP, foram identificadas algumas utilidades para o ChatGPT e a inteligência artificial:
Usar como assistente virtual para atendimento ao cliente, fornecendo informações rápidas e precisas, sem a necessidade de contratar ou treinar funcionários.
Ajudar na automação de tarefas repetitivas, como lidar com solicitações e consultas de clientes, produzir relatórios e realizar promoções sem mídias sociais, criando materiais de marketing.
Processar grande quantidade de dados, permitindo que a empresa tome melhores decisões baseadas em “insights” gerados por meio desses dados.
Para o consumidor, o ChatGPT oferece a conveniência de obter informações e soluções de forma rápida e eficiente, sem ter de aguardar por uma resposta humana ou navegar por menus complicados de atendimento telefônico. Podendo ainda fornecer informações personalizadas com base nas interações anteriores desse consumidor
“Então, a gente tem aqui um bom momento para adaptar as operações na empresa, melhorando toda a jornada de compra do consumidor e conseguindo fidelizar esse consumidor”.
Como toda a tecnologia, é preciso que se tenha cuidados essenciais como a atualização das informações disponíveis ao consumidor, a veracidade dessas informações, o acesso simplificado à ferramenta na plataforma digital da empresa e a preservação dos dados desse cliente — as inteligências artificiais que conversam com humanos podem coletar e armazenar informações pessoais, um perigo se caírem em mãos erradas.
O ChatGPT também tem limitações de compreensão, como destaca o relatório da FecomercioSP. Embora tenha conhecimento amplo, a ferramenta ainda tem limitações na interpretação de contexto e nuances humanas; pode não ter julgamento moral e ético, respondendo a perguntas impróprias, ofensivas e discriminatórias; e por ter sido treinado com base em dados da internet pode reproduzir informações incorretas e desatualizadas.
Para os comerciantes e demais empreendedores interessados no uso da inteligência artificial no seu negócio, Kelly Carvalho recomenda que se preste atenção nas discussões sobre a regulamentação dessa tecnologia no Brasil, procure saber quais são as empresas capacitadas a fazer a integração dos diversos sistemas do empreendimento e avalie o investimento necessário, planejando melhor seu orçamento:
“… porque como eu mencionei, o concorrente vai fazer e você pode perder espaço”.
Assista à entrevista completa com Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, ao programa Mundo Corporativo:
O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
Vila Nova Sílvia, zona leste de São Paulo, CEP 03820-020.
Embora poucos de nossos moradores ou frequentadores saibam o seu nome, a pequenina praça se chama Natal Antônio da Cunha; tem o formato de um triângulo escaleno e foi criada 1981 com a construção de um conjunto habitacional do BNH, o Banco Nacional de Habitação — já extinto — do INOCOOP e da Caixa Econômica Federal.
Contam os antigos moradores de nossa vizinhança que aqui era um descampado, para onde traziam animais para pastar. Havia algumas árvores aleatórias e muito capim e carrapicho.
Com a nossa chegada, no início dos anos 1980, e os 500 sobrados que foram construídos era necessário no mínimo uma praça, por menor que fosse.
O local passou a ser cuidado pelos próprios moradores. Que além de preservar a praça ainda cobrava melhorias da subprefeitura da Penha. Foi assim que a nossa praça, mais de 40 anos depois, tornou-se ostentosa e bonita. Há períodos em que os órgão públicos de conservação de afastam, mas os moradores resistem. É por isso que nos orgulhamos de ter aqui plantadas árvores de décadas: um eucalipto, três pau-brasil, cinco paineiras, um jacarandá e três Ipês (um roxo, um amarelo e um branco). As mais apreciadas são as frutíferas: tem pés de manda, jambo, pitanga, ameixa, de limão e, em fase de crescimento, um pé de romã e outro de acerola.
Há espaço, também para um pequena academia ao ar livre, bancos planos e uma recente mesa para jogar dominó, o que faz da nossa praça um mini-ponto de atração para muitos moradores, atraindo até vizinhos mais distantes, o que nos leva a enfatizar que esta é a melhor praça de São Paulo
O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Cláudio Antonio. Participe enviando seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.
“Marca é aquilo que você não precisa, compra com o dinheiro que você não tem, para mostrar para as pessoas de quem você não gosta”
(o profeta do fim das marcas)
As profecias apocalípticas não poupam ninguém. Atue na área em que atuar, você deve ter ouvido alguém em algum momento prevendo o fim de alguma coisa: é assim com a profissão que você exerce, com o mercado em que sua empresa está posicionada ou com o produto que sustenta o seu negócio. Não seria diferente com as marcas.
Jaime Troiano e Cecília Russo, que apresentam o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, vasculharam o “livro do Apocalipse” do branding para entender melhor os argumentos usados por aqueles que preveem um mundo sem marcas. O primeiro deles é que as marcas servem somente para atrair o consumidor, gerar uma necessidade que eles não têm e fazê-los usar algo com a intenção apenas de se mostrar para os outros:
“É uma ingenuidade pensar assim, porque não existem marcas apenas para produtos de auto-expressão e projeção social. Existem marcas para produtos básicos de cuidado com a casa, por exemplo. Ninguém chama o amigo para mostrar o sabão no tanque”.
Cecília Russo
Outro argumento que sustenta a tese daqueles que veem o fim das marcas para breve é que as pessoas perceberão que, a medida que os produtos estão cada vez mais parecidos, as marcas se tornarão supérfluas. Convenhamos, essa não se sustenta de jeito nenhum, porque se realmente existe essa semelhança eis aí uma boa razão para as marcas existirem. Somente com elas, o consumidor saberá o que está comprando. Nesses casos, as marcas são a assinatura de alguém que se responsabiliza pela qualidade do que entrega.
Há os saudosistas que lembram que há uns 150 ou 200 anos quase não havia marcas no mundo e as coisas funcionavam muito bem. Se você está entre os que pretendem defender o tal mundo sem marcas pense duas vezes antes de sacar esse argumento da cachola. Corre o risco de deparar com uma realidade bem diferente: naqueles tempos também não havia vacinas, automóveis mais seguros, serviços médicos acessíveis, comunicação rápida e expectativa de vida longa.
“.. e mais uma coisa: as marcas tiram o caráter meramente mecânico das escolhas em nossa vida como consumidores. As marcas preenchem de significado as escolhas que fazemos. Ou seja, elas traduzem um pouco mais do que eu quero ser e como quero ser identificado”.
Jaime Troiano
Concorde ou não com as ideias dos nossos comentaristas de branding, aproveite para ouvir o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e leve depois essa discussão para os seus grupos de amigos. Será que eles acreditam que um dia viveremos em um mundo sem marcas? Eu não!
“Liderar pessoas parte do pressuposto de que você consegue ser muito transparente com relação ao que você está sentindo mas também ser muito humilde para entender e receber feedbacks do seu time”
Mariam Topeshashvilli, LTK América Latina
Foi para o Brasil que vieram na condição de refugiados os pais de Mariam, uma menina de apenas quatro anos, nascida na Georgia, país que faz fronteira com a Rússia e do qual ela tem poucas lembranças. Sabe mais pelo que o pai, cientista político, e a mãe, enfermeira, contam e pelos registros que fazem parte da história desta nação de cerca de 3,7 milhões de habitantes, marcada por uma série de conflitos externos e internos.
Sem que os diplomas conquistados no país de origem fossem validados no Brasil, os pais tiveram de se virar do jeito que podiam. Seu Avtandil foi vender cerveja em lata na praia de Copacabana, no Rio. Mariam acompanhava o pai e não se contentava em observar o trabalho dele. Usava de sua desenvoltura para atrair os clientes, dando, sem que soubesse ainda, o primeiro passo em uma carreira vitoriosa de empreendedora e aprendendo lições que seriam aplicadas mais à frente:
“O principal ponto (que aprendi) é ficar muito perto do seu cliente e entender o máximo possível todas as dores ou os momentos de consumo ideais e, realmente, conseguir conversar e ter esse diálogo. Eu olhava muito para o meu pai como uma inspiração de pessoa que tenta entender o seu redor”.
Escrevi no parágrafo anterior que ela tem uma carreira vitoriosa. Eu sei que pode parecer precipitado considerando que Mariam ainda é muito jovem, 26 anos, mas convenhamos: ter conseguido, com os pais, recomeçar uma vida aqui no Brasil depois de tudo que enfrentaram na Georgia já é uma baita conquista. A história dela não para por aí. Na crença de que a educação é transformadora, foi matriculada no Colégio Pedro II, escola federal das mais renomadas no Rio de Janeiro, participou de olimpíadas de matemática, química e história, fez trabalhos voluntários, aprendeu cinco línguas e formou-se em ciências sociais na Universidade de Harvard.
“Eu acho que eu entendi muito cedo a importância das diferenças culturais, em conseguir construir algo ainda maior. Meio que um mais um não é dois é muito mais do que dois. Você consegue realmente enxergar muito além do que só uma cultura te entregaria ou só a outra te entregaria. Então, essa junção de culturas para mim foi muito importante. Me deu essa visão de sempre tentar ir um pouco além do entendimento das coisas”.
Em cada uma das etapas, Mariam foi construindo sua personalidade e amadurecendo além do seu tempo. Trabalhou na Ambev e The Kraft Heinz Company, e se realizou como empreendedora ao criar a Avocado que entregava com agilidade produtos de maternidade, ajudando mães de filhos recém-nascidos, investindo no modelo de dark stores — centros de distribuição que atendem às compras online. Os resultados foram tão positivos que a empresa foi comprada pela Rappi, durante a pandemida, em 2020, onde Mariam assumiu um posto de direção.
Mariam Topeshashvilli, entrevistada do programa Mundo Corporativo, recentemente assumiu o cargo de líder da LTK América Latina, uma plataforma de marketing digital que conecta marcas a influenciadores. E leva para a empresa aquilo que ela própria define como sendo suas características de empreendedora:
“Acho que o principal é questionar. Então, eu gosto muito de questionar as coisas. Eu não necessariamente aceito as respostas, por exemplo, que o meu time dá. Eu sempre gosto de questionar e tentar entender se de fato aquilo está fazendo sentido. E obviamente perseverança. Não aceitar as barreiras que a vida impõe para você. Eu acho que tudo tem um jeito, talvez não seja o jeito que você visualiza mas você consegue chegar lá de outra forma, por outro caminho. Além disso, humildade pra saber que nem sempre você está certa e tentar o máximo possível ouvir as outras pessoas”.
Na LTK, a ideia é potencializar a capacidade de criadores de conteúdo e permitir que cresçam como influenciadores, e oferecer às marcas aqueles que têm maiores possibilidades de conversão de vendas. Escrevi no masculino, mas deveria ter feito no feminino, até porque a maior parte do público que passa pela plataforma da LTK, atualmente, é formada por mulheres. Geralmente meninas que não precisam ter um turbilhão de seguidoras — a partir de quatro a cinco mil seguidores e você já pode ser identificada como uma influenciadora —, porque o importante não é o número de quantos as seguem, mas, sim, de quantos ou quantas elas influenciam.
“Você (para ser influenciadora) precisa da confiança da sua base para converter em vendas”.
Se ficou interessada ou interessado — já que a Mariam disse que homens são bem-vindos na plataforma — a recomendação é que você visite o site da LTK ou faça contato com a empresa pelo Instagram @LTK.brasil . Lembre-se, é preciso também planejar sua presença nas redes sociais, desenvolvendo conteúdo de interesse do público. Não é fácil, não!
A entrevista completa com a Mariam Topeshashvilli, da LTK América Latina, é bem mais inspiradora do que esse texto aqui, por mais que eu me esforce para ser um influenciador do meu jeito (não, não vou aceitar o convite dela para me inscrever na plataforma, porque jornalistas não devem ou não deveriam vender produtos). Por isso, convido você à assistir ao vídeo completo com a Mariam que está publicado em seguida. Tenho certeza que você terá muito a aprender sobre empreendedorismo, marketing digital e liderança feminina:
O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. O ridículo é muitas vezes subjetivo.
Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.
Criamo-lo para vestir com ele quem fere
nosso orgulho, ignorância, esterilidade.
(Pauliceia Desvairada)
Falei com o Engenheiro Goulart e com o Ermelino Matarazzo e disse que ia tomar a Liberdade de ir até a Sé para conseguir alguma Consolação ou até alguma Luz para a Pedreira que é a vida do Paulista.
No Pacaembu, procurei Palmeiras que acabei não achando. Achei, porém, Paineiras, no Morumbi, depois de passar pelo Paraíso sem pedir licença para a Ana Rosa.
Andei também por Itaquera, mas só achei o que queria no Parque da Vitória, pois a dita cuja não estava lá. Falei com muitos santos: São Mateus, Santa Terezinha, São Domingo, Santa Ifigênia, São Lucas. Pedi a eles Socorro para minha Saúde.
Santo Amaro, então, me falou que deveria ir até a Vila dos Remédios para encontrar o que eu queria. Fiquei com fome e fui pescar na Ponte Rasa, lá no Rio Pequeno. Não consegui nada. Fui então rezar na Vila Oratório para conseguir comida — a não ser que eu quisesse alguns Perus, pois as Perdizes estavam muito caras, tanto no Mercadão como no Mercado da Lapa.
Além de fome, senti sede e fiquei em dúvida entre a Água Fria, a Água Funda e a Água Branca. Achei melhor ir para a Água Espraiada, não sem antes fazer um Bom Retiro no Alto da Lapa, de onde se podia ter uma Bela Vista.
Cheguei na Lapa de Baixo e falei Mandaqui um Limão, pois ainda vou passar pela Quarta Parada e pela Quinta da Paineira. Parei na Parada Inglesa e fiquei pensando por que tanta coisa com os ingleses – Chácara Inglesa, Morro dos Ingleses se nós temos apenas Brás e Brasilândia.
Sem dinheiro para o Metrô, fui ao Tatuapé e, enquanto andava, me perguntava por que a gente precisa de um Moinho Velho se há um Brooklin Novo, ou um Parque Popular se há um Real Parque?
É mesmo uma Pauliceia Desvairada, como dizia o Mario de Andrade. Ainda bem que, quando estiver chateado, posso ler uns trechos de Brás, Bexiga e Barra Funda, do Alcântara Machado, pegar o “Trem das Onze” com Adoniran Barbosa, ou tomar um “chopps” na esquina da Ipiranga com São João.
Flávio Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
“Lealdade a marcas só funciona bem quando o consumidor ou cliente continuar se sentindo o centro das decisões”.
Cecília Russo
A Nívea, das mais tradicionais marcas de cremes do mundo, lançou recentemente um programa de fidelidade em parceria com a Droga Raia e Drogasil, as duas redes de farmácia do Grupo DR, aqui no Brasil. É a primeira iniciativa nesse modelo da multinacional alemã em todo o mundo. O Nívea Mais oferece pontos aos consumidores que poderão ser revertidos em descontos na compra da sua linha de produtos. A intenção é levar essa fórmula para outros países, em breve.
A estratégia da Nívea chama atenção para a importância dos programas que buscam manter a fidelidade do consumidor com a marca. Uma iniciativa que, segundo Jaime Troiano, do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, costuma funcionar quando a marca já tem prestígio:
“Cresça e depois apareça. Antes disso, é prematuro. Nívea tem história, chão rodado, já é suficientemente conhecida para dar esse passo”.
Jaime Troiano
Mesmo grande, as marcas precisam ter cuidado ao investirem nesse modelo de relacionamento. Um dos aspectos a serem considerados é a regra de resgate dos pontos que precisa ser simples e acessível a todos. Por isso, cabe o alerta para o risco de a marca oferecer benefícios em nome da lealdade do cliente e entregar uma experiência ruim:
“(O ideal) é ele sentir que é tão bem vindo quando entra no programa como quando resgata seus pontos ou prêmios”.
Cecília Russo
Algo que incomoda demais os clientes desses planos são os pontos que vencem. Talvez seja necessário pensar em um modelo de negócio em que haja a renovação automática ou alertas para que o consumidor troque os pontos que estão para expirar.
“Empresas que sabem usar bem o programa de fidelidade transformam a relação num verdadeiro programa de amizade. E amizade de verdade é sempre regida pelo sentido de reciprocidade”
Jaime Troiano
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã: