A minha história é sobre esperança e fé no futuro.
Escolhi falar de uma área extremamente degradada no Largo de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Área que renasceu. Uma praça na rua Paes Leme, próximo da Igreja Matriz.
Eu sou um trabalhador que iniciei jornada em Pinheiros, limpando calçada das lojas Pernambucanas, na Teodoro Sampaio.
Fui para a Pedroso de Morais, no Banco Santander, o antigo Noroeste, onde fiquei por seis anos Depois, graças a Deus, segui para os livros: Editora Vozes, Editora É Realizações, Editora Cosmos e, voltando para Pinheiros, na Editora Todavia. Um volta para celebrar o espaço verde renascido.
Aquela praça me ensina como podemos ter esperança na semente —- tão pequenininha, tão minúscula. Começou do zero e hoje é uma pequena floresta. Até mesmo a temperatura muda quando passeamos por ela: é sempre amena.
reprodução da capa de O Globo com o resultado do Marcas dos Cariocas 2022
“O Brasil é um país muito plural, e possui marcas nacionais e internacionais muito fortes bem estabelecidas por aqui, mas quando observamos com uma lupa certa região, as marcas regionais sempre têm força”
Cecília Russo
O Rio de Janeiro é uma cidade com identidade universal mas tem uma personalidade local, também. E isso fica evidente no resultado da pesquisa “Marcas dos Cariocas”, do jornal O Globo, que chegou a sua décima-terceira edição. Jaime Troiano e Cecília Russo, nossos comentaristas, é que estão à frente da elaboração deste estudo e têm visto, ano após ano, o fortalecimento de marcas tipicamente cariocas, como é o caso da Drogaria Pacheco e dos Supermercados Guanabara, por exemplo:
“…por que mais do que serem marcas nascidas no Rio, são marcas que entendem o carioca, que os representam de forma genuína, e que estão ali no dia a dia deles, sempre presente, para atendê-los”.
Ceília Russo
A ideia do localismo, uma das tendências da gestão de marcas para o ano de 2023 — falamos disso no programa anterior a este que você também encontra aqui no blog — fica evidente quando os pesquisadores querem saber quais as as “Marcas que são a cara do Rio”, onde o consumidor elege aquelas que representam, em sua essência, o que é o Rio de Janeiro. Além da Pacheco e do Guanabara, a lista conta com a presença do Mate Leão, do Biscoito Globo e das Havaianas — que já são presença história no ranking realizado pela TroiannoBranding. Como se percebe, exceção a marca de sandálias de dedos, todas as demais são nativas.
Alguns destaques na lista de marcas eleitas pelos cariocas são aquelas que saltaram para o todo do ranking em suas categorias nesta edição: Nubank, Pic Pay, Claro, Shopee e Heineken. Atente-se para o fato de que as quatro primeiras revelam outra tendência nos últimos tempos que é o fortalecimento das marcas nascidas no digital. A Heineken, por sua vez, cresceu muito diante das ações relacionadas ao Rock in Rio.
“As (marcas) que estão nas primeiras posições trazem dois fortes recados: entender seu público e criar iniciativas que conversem corretamente com ele e, sem dúvida, se comunicar. O silêncio raramente cria marcas fortes e desejadas.
Jaime Troiano
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que foi ao ar no Jornal da CBN:
Horto Florestal em foto de divulgação do Governo de São Paulo
Nasci em 21 de abril de 1959 na Maternidade de Vila Maria, na zona norte de São Paulo. Naquela época, morávamos em um cortiço no bairro de Vista Alegre e era bem arborizado.
Alguns anos depois, meus pais compraram uma casa no bairro de Vila Medeiros, divisa com Vila Sabrina — sempre na zona norte. Existiam muitos lugares arborizados até com lagoas onde pescávamos lambaris, que chamávamos de Varjão.
Com o passar dos anos e a necessidade de moradia, lugares arborizados foram sendo destruídos para a construção de casas. Nosso Varjão virou Jardim Guançã. Em 1978, casei-me e fui morar no Parque do Mandaqui onde encontrei ainda muitos lugares arborizados.
Um desses que frequento até hoje é o Horto Florestal. Durante muitos anos o Horto foi administrado pela prefeitura, e a depredação foi deixando o local impossível de se frequentar.
Quando começaram a cobrar entrada e ocorreram melhorias, o Horto voltou a ser aconchegante. Em 1993, passou a se chamar Parque Estadual Alberto Löfgren, homenagem ao naturalista, cientista sueco e idealizador do Horto Florestal.
Em 10 de fevereiro fará 127 anos. Hoje tem 187 hectares, abriga remanescentes da Mata Atlântica e contribui para a manutenção de um corredor ecológico que conecta a cidade de São Paulo à Serra da Mantiqueira. Lá estão instalados o Palácio de Verão do Governo do Estado, as sedes da Polícia Militar, Polícia Florestal do Estado e o Museu Octávio Vecchi, também chamado de Museu da Madeira Florestal, inaugurado em 1931.
Em 20 de janeiro do ano passado, o Governo de São Paulo assinou contrato de concessão por 30 anos para a iniciativa privada. O Horto Florestal é o meu lugar preservado de São Paulo.
Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
Era julho de 1962, nascido no Bexiga, eu passava alguns dias de férias na casa de minha avó Antônia, em Santo Amaro. Foi quando recebi um telefonema de meu pai, num domingo de manhã, em que ele dizia que no fim da tarde me buscaria para cumprir uma promessa antiga: me levar a uma pescaria.
Ele apareceu de caminhão, às quatro e meia da tarde, com mais seis pessoas — dois meninos de idade semelhante a minha, 11 anos, filhos de um dos seus quatro amigos. Subi na carroceria e meu pai foi na boleia. Logo avisou que precisávamos andar rápido, uma vez que a última balsa que ligava o Grajaú a Ilha do Bororé saía às seis da tarde. Chegamos um pouco antes do horário e fizemos a travessia.
Acampamos à beira da represa Billings, em um pequeno rancho de um dos amigos. Chegamos quase sete da noite e estava relativamente escuro. O rancho parecia mais com uma garagem sem porta: três paredes e uma cobertura de sapé; mal cabiam cinco pessoas e nós estávamos em oito. Foi então que entendi a razão deles tirarem do caminhão uma grande lona, que seria colocada em frente à entrada para formar uma barraca.
Foi o Zé Mineiro, um dos amigos do papai, quem deu por falta de duas grandes caixas de madeira onde estava toda a nossa comida, a cachaça e as garrafas d’agua. Tinham ficado na casa dele no bairro do Socorro.
Meu pai, que era o mais velho de todos, pediu calma e lembrou que o Seu Augusto, dono do rancho, sabia onde tinha uma venda na ilha. Chegamos lá quando o dono já estava quase fechando. Só havia cachaça de cabeça do seu próprio alambique, cebolas, uma réstia de alho, um pedaço de bacalhau seco, que servia de tira gosto para as pingas, e, com muita boa vontade, o dono da venda arranjou duas xícaras de arroz. Esse seria o nosso banquete antes de dormir: uma sopa de arroz com cebolas. Eu que nunca tinha tomado sopa de cebola e muito menos comido cebola crua, não titubeie quando a fome bateu para valer. Também tomei o meu primeiro gole de cachaça na vida. Desceu queimando.
No dia seguinte, depois de um café preparado pelo Zé Mineiro, fomos para beira da represa. Estava frio e após mais de quatro horas tínhamos pegado poucos peixes — os meninos sequer pescamos algum. Foram suficientes para o almoço preparado pelo Seu Augusto, acompanhados de arroz, feijão e carne seca, comprados pela manhã.
Em meio as garfadas, meu pai e Zé Mineiro resolveram brincar com o nosso medo. Falaram que, na madrugada, ouviram corujas e miados de onça do mato. O efeito da história foi percebido assim que o Seu Augusto convocou os meninos a arrumar as coisas e voltar para Santo Amaro. Nossa produtividade superou a dos adultos.
A Ilha do Bororé é, ainda hoje, um dos rincões de São Paulo, com muita Mata Atlântica e pouca densidade demográfica. Aos fins de semana, recebe um bom número de turistas, que apreciam as beiras da Billings. A balsa segue sendo o único meio de acesso, agora com capacidade para 20 automóveis e funcionando 24 horas, inclusive aos domingos.
Durval Pedroso é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
Parque Augusta em foto do perfil @parqueaugusta.sp no Instagram
Moro no bairro de Moema na zona sul de São Paulo. Um parque que marcou minha vida, apesar de ser novo, é o Parque Augusta. Mesmo não sendo próxima da minha casa, sempre gostei de frequentar a Sorveteria Soroko, que fica na Augusta, bem no quarteirão do parque. Gosto de seus sorvetes com múltiplos e deliciosos sabores.
Sempre comentei com o dono da sorveteria, os funcionários e outros frequentadores, que aquela área verde me fascinava e sonhava com ela transformada num parque.
Num domingo de sol levei minha mãe na sorveteria, pois ela queria muito provar os sabores de melancia e abacate. Acomodei minha mãe em uma mesa com quatro lugares e fui pegar os sorvetes.
Quando retornei, vi que dois rapazes se sentaram na mesma mesa e o que estava ao lado da minha mãe tinha muitas tatuagens e mesmo com a diferença de idade, conversavam de forma descontraída. Isso é uma marca dessa região, pois não importa a idade, a tribo, a religião, a orientação sexual ou o time de futebol, todos convivem em harmonia e respeito. Mais um motivo para existir ali um parque.
Na gestão do prefeito Fernando Haddad surgiu o impasse, duas construtoras disputavam o terreno para construir prédios e parte da população queria o parque. Felizmente a turma da natureza venceu.
Visitei o parque Augusta uma semana após a abertura, não consegui tomar o sorvete, pois havia uma enorme fila, mas fiquei contente pelos comerciantes da região Ao passear por lá senti um enorme ar de felicidade, que só não foi completo, pelo fato da minha mãe não estar mais entre nós.
Apesar de que num momento de magia, senti como se ela estivesse ao meu lado, e ela que adorava parques e áreas verdes, contemplava feliz as árvores, os pássaros e as pessoas, comentou de algum lugar qualquer em que ela esteja hoje:
“Que bom que fizeram este parque, meu filho, foi muito bom preservar esta linda área verde”
Sérgio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
“Daqui a pouco são cinco horas, hora do guardinha ir embora….”
E lá ía eu e meus amigos em corrida pelo verde do São Francisco Golf Club nadar nas lagoas do clube fundado pelo conde Luiz Eduardo Matarazzo, em 1937. Ficava em Osasco que não época era um bairro de São Paulo — que viria a se emancipar em 1962.
Aquelas tardes de verão eram lindas. O gramado quase que nivelava com as águas que refletiam o brilho do sol que já se punha — o suficiente para alguns mergulhos e várias travessias.
Às vezes até dava tempo de ir ao “Green 7” onde logo acima havia as amoreiras. Era subir e se encher de amoras; uma delícia.
Até que uma vez, o guardinha que ia embora às cinco não foi embora e nos surpreendeu ameaçando atirar. Ele tinha fama de disparar com espingarda de chumbinho. Eu sempre morri de medo do guardinha. Naquele dia, nunca corri tanto.
Minha surpresa foi, tempos depois, vê-lo passando em frente de casa e cumprimentando o meu pai. Eles eram amigos.
Bons tempos aqueles de infância, começo dos anos 1960, em que aprendi a nadar nas lagoas do São Francisco Golf Club. Tempos de doces lembranças.
João Nunes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
Parque da Juventude Foto Dibulgação Gov. do Estado de São Paulo
Como guarulhense e, agora, vivendo no extremo sul da Bahia, em uma região agraciada pela natureza, não resisti em escrever sobre a minha eterna relação com os parques da cidade São Paulo, nossa querida Sampa.
Ainda com o meu filho pequeno, o San, iniciei o ritual de amar a cidade que é um organismo vivo e que injustamente ganhou o título de selva de pedra, como foi cantado por Caetano Veloso. Aproveitávamos as férias para desbravar os parques e por instantes nos jogar nos braços da natureza gentil.
Cada parque com sua característica e com algo a nos ensinar.
Do parque do Ibirapuera, as árvores centenárias que se tornaram testemunhas e cúmplices de amantes em seus primeiros beijos, de pedidos de noivado, do fim de um namoro.
Árvores caladas e donas de segredos, sombra para um remanso, para esquecer o mundo lá fora, ouvindo o cantar dos pássaros e suas algazarras e nos lembrando que nunca poderemos ser como eles e, por isso, sinto uma boa inveja.
Do parque do Zoológico, amamos a presença dos animais em um espaço rodeado de matizes de cores das árvores, e de nós seres humanos. A gente se sente parte de um todo e nesse momento não consigo saber onde começo e termino; me afundo e sinto que posso rugir, que posso ser uma árvore bonita que balança e balança nos dando a sua seiva.
Do Jardim Botânico, descobrimos que tem árvores centenárias com milhares de espécies nativas que contam a nossa história e guardam esperanças e sonhos.
Para cada parque uma história.
E assim chego ao Parque da Juventude, cujo espaço democrático não discrimina pessoas idosas, etnias e orientação sexual. Sua história precisa ser contada para que as próximas gerações se contraponham ao massacre de pessoas presas. Assim como uma fênix, o espaço ressurgiu. A grande área verde é palco para shows, encontros e despedidas, a contemplação da natureza e a possibilidade de recarregar as baterias e respirar.
O que seria de São Paulo sem os nossos parques?
Maria Emília dos S. Gonçalves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
Faz exatamente 72 anos que moramos na mesma casa no Pacaembu. Minha avó recomendou, quando mudamos do Parque Dom Pedro, para tomarmos cuidado com os indígenas e cobras, nas ruas recém-abertas do condomínio da Companhia City, no entorno do estádio do Pacaembu, também recém-inaugurado.
Plantamos pinheiros e árvores frutíferas em nosso jardim que dá a volta em toda casa, três frondosas jabuticabeiras, pitangas, goiabeiras e diversas outras espécies com frutos em seus galhos.
Desde então, convivemos com pássaros, principalmente os sabiás que nos alegram com seus cantos contínuos, as maritacas barulhentas que comem todas nossas jabuticabas, os pombos, os gaviões, as corujas, os gatose os ratos — até duas araras fugidas do Parque da Água Branca, que não fica muito distante.
Hoje, os sabiás se deleitam com uma grande bacia de água, onde passam o dia tomando banho sob o comando do sabiá pai — depois dele surge a família toda, mamãe sabia e os filhotes. O Bem-Te-Vi tem que esperar sua vez. Temos também beija-flores. Todos os dias, eles distraem minha mãe de 99 anos que fica controlando esse desfile de pássaros no seu terraço envidraçado no meio do verde.
O Pacaembu ainda preserva nossa fauna natural no meio de tantas árvores que resistiram em um bairro bem próximo do centro da cidade. É São Paulo com ares de interior em plena capital.
Claudete Brochmann é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
Estávamos no início dos anos 80 —- se a memória não me faltar era 1981. Eu, aluna da Escola Estadual Oswaldo Aranha, na Avenida Portugal, no Brooklin Novo. Nós os alunos fomos surpreendidos com a notícia de que o terreno arborizado que ficava na lateral do prédio do colégio, no quadrilátero rua Pensilvânia, avenidas Portugal, Padre Antonio José dos Santos e Santo Amaro, teria suas árvores derrubadas para a construção de prédios.
O pessoal do centro acadêmico iniciou uma mobilização e convocou os estudantes para uma passeata e um abraço ao terreno. No dia marcado, os alunos de todos os períodos, professores e funcionários com cartazes e imbuídos do espírito de preservação daquela área arborizada saíram em caminhada entoando palavras de ordem pela preservação da área.
Alguns colegas subiram nas árvores e ao fim abraçamos o terreno — e olha que o quadrilátero é enorme!!!
A mobilização foi um sucesso. À época, o pessoal do centro acadêmico entrou em contato com a turma do jornal Gazeta de Santo Amaro para cobrir o evento. Foram enviados um jornalista e um fotógrafo e fizeram uma reportagem que chamou a atenção dos moradores, levando a um movimento de preservação incrível. A construção dos prédios foi desautorizada pela prefeitura de São Paulo — ordem mantida até 2004.
Naquele ano, uma construtora comprou o terreno para iniciar um empreendimento. Começou nova mobilização dos moradores que conseguiram reduzir os danos ambientais. Graças aos protestos ficou registrado em matrícula que dos 18 mil metros quadrados de Mata Atlântica ao menos 7 mil e seiscentos teriam de ser preservados e abertos para uso público.
Foi assim que nasceu o Bosque do Brooklin, um dos poucos espaços de Mata Atlântica mantidos na região do Brooklin Novo. Quando passo pelo local e me recordo desse momento na juventude, sinto uma enorme emoção, pois foi fundamental para construir na minha personalidade a consciência da preservação ambiental e do exercício da cidadania. Aquele bosque me traz a confiança de que temos de nos engajar na defesa do meio ambiente e fazermos a diferença para a construção de um mundo melhor. De uma cidade melhor.
Eliana Lucania é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
“A vida só pode ser compreendida olhando para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente”
Søren Aabye Kierkegaard
Fechar seu perfil no Instagram para reduzir o impacto que as redes sociais geram sobre o seu cliente pode parecer loucura nesses tempos em que todos queremos estar bem posicionados nessas plataformas e em busca de, cada vez mais, seguidores. Foi essa, porém, a atitude da marca indiana de alimentos The Whole Truth Foods (TWT) que anunciou uma pausa na sua conta por entender que a profusão de mensagens estaria causando exaustão às pessoas e isso não atenderia aos propósitos da empresa.
A “hiperfadiga” provocada pelo turbilhão de informações que recebemos e pelas incertezas do cotidiano é uma das tendências da sociedade, em 2023, identificadas pela consultoria internacional Mintel, em relatório anual divulgado recentemente. Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, alertam para a necessidade de as marcas se atentarem a esses movimentos e refletirem como devem se ajustar as demandas do público.
“É importante olhar para trás, no caso das marcas, mas também saber o que vem pela frente, para nos inspirar”
Jaime Troiano
No relatório da Mintel são apresentadas cinco tendências (e não seis como falamos no comentário):
Mentalidade Eu — essa tendência aponta para o olhar das pessoas voltando-se para si e querendo que marcas os ajudem nesse olhar mais autocentrado.
Poder para as pessoas — seguindo a tendência anterior, as pessoas querem ter mais poder de fala nos negócios, por isso sugere-se que as marcas dêem espaço para um novo C em seu C-Suite, tradicionalmente integrado pelo CEO, CFO e o CTO, cargos de alto nível dentro da empresa. É preciso criar o C do consumidor permitindo que este passa a fazer parte do centro criativo e de inovação.
“Para as marcas isso significa trazer condições para que as pessoas se expressem, criem soluções customizadas, ganhem mais voz”
Cecília Russo
Hiperfadiga — o excesso de informação; as incertezas política, socioambiental e econômica; a necessidade de estar por dentro de tudo que acontece em todos os cantos causam essa exaustão. Para a maior parte marcas cair fora das redes sociais pode não ser uma boa estratégia, mas há outras ações a serem adotadas para acolher o consumidor.
Um café no bairro de Arimatsu de Nagoya, no centro do Japão, fez esse momento em direção às necessidades do seu público e oferece espaço privado para os consumidores meditarem enquanto desfrutam de chás e doces em um ambiente tranquilo e escuro.
Localismo — faz alusão a dar valor aos produtores, comerciantes e empreendedores locais, não apenas como forma de protegê-los, mas também para reduzir impactos ambientais.
“Isso abre uma enorme oportunidade para marcas locais estreitarem seus laços com sua comunidade, valorizando e trazendo esse orgulho local. Por exemplo, um frigorífico que oferece carnes com QR Code para rastreabilidade de origem, comprovando essa proximidade”.
Jaime Troiano
Gastos inteligentes — em um cenário econômico difícil, os consumidores querem tornar inteligente as escolhas financeiras, sem sacrificar sua qualidade de vida. Isso vai além de pensar em um ‘orçamento amigável’, passa por considerar a flexibilidade do produto, a durabilidade e a sustentabilidade.
Em tempo: antes que você decida apagar de vez seu perfil no Insta ou qualquer outra rede social, a TWT já está de volta. Foi apenas um “break” e não um “instagramicídio”.