Mundo Corporativo: André Duek desvenda a potência empreendedora

Bastidor da gravação com André Duek, foto de Priscila Gubiotti

“Que é possível, sim, começar de uma maneira simples, com pouco dinheiro, com risco calculado, com bom planejamento. E, logicamente, ter a paciência para entender que o processo é longo..“

André Duek, empresário

Empreendedorismo vai além de simplesmente iniciar um negócio; é uma jornada de transformação pessoal e profissional. Este é o cerne da “potência empreendedora”, um conceito trazido à tona pelo empresário André Duek. Segundo Duek, essa potência é uma força inata presente em cada um, que pode ser despertada e cultivada para alcançar o sucesso, independentemente das origens ou recursos disponíveis.

“Você não precisa ter estudado numa escola de primeira linha ou ter nascido num berço esplêndido para vencer na vida”.

Essas percepções foram compartilhadas por Duek durante entrevista ao programa Mundo Corporativo da rádio CBN. A conversa se desenrolou em torno de sua vasta experiência em empreendedorismo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e de sua jornada desde os primeiros passos nas empresas de moda da família até se tornar um influente empresário e autor.

O sucesso anterior pode atrapalhar o empreendedor

Em sua fala, Duek realça a importância da resiliência e da adaptação às circunstâncias, reforçando que o caminho para o sucesso empresarial não é linear e está repleto de aprendizados. 

“O processo é longo e se você tiver paciência, estudar mais do que todo mundo, trabalhar mais do que todo mundo, as oportunidades surgem”.

Duek também reflete sobre os erros e desafios enfrentados em sua trajetória. Ele menciona que os obstáculos e falhas não devem ser vistos como barreiras intransponíveis, mas como etapas fundamentais para o crescimento.  

Um sucesso anterior acaba atrapalhando você a começar um novo negócio Por quê? Porque você já tem a predisposição de achar que porque você fez alguma coisa certa que qualquer coisa que você vai fazer vai dar certo, também. Isso não é uma verdade. Então, eu paguei para aprender e foi uma lição muito dura, mas me ajudou bastante a depois a consertar e não deixar acontecer novamente.

Uma abordagem mista para empreender com sucesso

Entre os conselhos dados a aspirantes a empreendedores, Duek enfatiza a importância de uma pesquisa e planejamento sólidos, bem como a necessidade de equilibrar emoção e razão nas decisões de negócios. Ele sugere uma abordagem mista, combinando as qualidades criativas e emocionais brasileiras com a praticidade e foco dos métodos americanos.

A entrevista com André Duek no Mundo Corporativo desdobra uma visão profunda sobre o empreendedorismo, destacando a “potência empreendedora” como um motor para a realização pessoal e sucesso profissional. Suas palavras não apenas iluminam o caminho para os aspirantes a empreendedores, mas também ressoam com qualquer um que busque transformar desafios em degraus para o sucesso.

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingos, às dez da noite, em horário alternativo, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: a marmita do senhor Bonifácio

Flávio Cruz

Ouvinte da CBN

(memórias de minha infância em Perus, São Paulo)

A marmita que a dona Eleta preparava para o senhor Bonifácio era uma obra de arte. Tinha cinco andares. Cinco vasilhames redondos de alumínio com alças dos dois lados. Eu era muito criança e a marmita parecia desproporcional para o meu tamanho. Tenho certeza de que uma delas continha feijão e a outra, arroz. Isso era sagrado. As outras três levavam as misturas. Exalava um cheirinho muito gostoso. Ah, havia também, amarrada pelo gargalo, uma garrafinha verde com uma rolha de cortiça que continha o café. Esse café, após minha longa jornada, ainda chegava quente na fábrica de cimento. Garfo e colher eram segurados por um elástico num dos lados. Não me recordo da data exata, mas com certeza era a década de 1950.

O roteiro era perigoso para um garoto com menos de dez anos. Penso que havia mais anjos da guarda naquela época ou, ao menos, menos demônios. Saía de casa sempre no mesmo horário e começava a minha jornada. Descidas, curvas para a direita e para a esquerda, um casarão, o correio e lá no final uma esquina, seguida de uma reta.

Naquela época, acredito que nenhuma rua era asfaltada. Algumas eram cobertas com paralelepípedos e outras ainda eram de terra ou cascalho. Quando chovia, as ruas no alto tornavam-se perigosas, transformando-se em lamaçais, enquanto as mais baixas se enchiam de água. Entre essas pequenas tragédias, continuávamos com nossas vidas.

E também prosseguia meu caminho, até atravessar uma pequena ponte. Logo após, chegava a parte mais arriscada da jornada: um túnel que passava por baixo da estrada de ferro, usado para conduzir as águas do rio de nosso bairro, Perus. No canto, havia uma pequena passarela por onde caminhava cuidadosamente, vendo as correntes de água quase roçarem meus pés. Logo depois, já era possível ver as grandes chaminés da Fábrica de Cimento Portland Perus. Andava então pelo solo coberto por um pó cinza, quase verde, enquanto ouvia o apito anunciando o horário do almoço. Do meu lado esquerdo estendia-se uma grande cerca de arame. Os fios, muito grossos, estavam cobertos com o mesmo pó.

Após algum tempo, via meu pai me esperando. Ele sorria amplamente. Também, quem não sorriria, faminto, vendo chegar tal almoço?

Sentávamos no refeitório e, enquanto ele escolhia as marmitas e pegava os talheres, eu observava os outros trabalhadores, conversando e rindo, apesar do cansaço. Tinha certeza de que meu pai era o mais importante de todos, o mais forte, o mais… tudo.

Era um momento agradável do dia. Afinal, eu estava lá, cumprindo minha importante missão. Após algum tempo, ele terminava sua refeição, arrumava tudo, dava um tapinha em minhas costas e me mandava voltar para casa. Novamente, aquele sorriso de felicidade. Não é que ele sempre sorrisse. Mas quando o fazia, era valorizado. Ele também não era de ficar fazendo carinho ou dando abraços o tempo todo. Ainda assim, sentia que ele era o paizão mais afetuoso de todos, o senhor Bonifácio.

O tempo passou.

Já com dois filhos, visitava frequentemente meus pais em Perus, próximo de onde morava. Não havia mais fábrica de cimento, nem marmita, nem caminhada. A infância já tinha ficado para trás há muito tempo e agora pertencia aos meus filhos. Ao abrir o portão, deixava os dois correrem à frente. Meu pai, já aposentado, que estava abaixado cuidando de sua horta, levantava-se, olhava firme e sorria. Era exatamente o mesmo sorriso de quando eu levava suas marmitas. E esse sorriso era diferente dos outros. 

Foi somente então que entendi. O sorriso não era pelo almoço que eu levava. O sorriso era por mim. Era a alegria de me ver. Agora, já adulto, ele transferira esse presente para os netos. Era um sorriso reservado, mas vasto, do tamanho do mundo.

Agora, enquanto escrevo, após todo esse tempo, sinto que ele está olhando para mim novamente, com o mesmo sorriso, como se eu ainda fosse uma criança.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Flávio Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite o blog de miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: seis dicas e muitos livros para aprender sobre branding

Foto de Stanislav Kondratiev

“A nossa marca de hoje só pode ser uma e com duas palavras: leia muito”

Jaime Troiano

Os livros têm papel fundamental na formação de todos os profissionais. Os gestores de marca não fogem dessa regra. É a partir deles que desenvolvemos conhecimento e nos inspiramos na busca de ideias inovadoras. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com os ouvintes sobre o tema e citaram uma série de autores que nos ajudam a pensar sobre branding — alguns são especialistas na área enquanto outros são geniais o suficiente para com suas palavras nos levarem a criar mais e melhor.

Jaime, por exemplo, mencionou a relevância da literatura em sua formação, incluindo autores como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Dostoiévski, Eça de Queiroz e Jorge Amado. Ele também lembrou da extensa biblioteca de branding que mantém com a Cecília, que considera ser uma das maiores do Brasil sobre o assunto. 

As seis dicas de Brad Vanauken

Um livro em particular foi lembrado pelos nossos comentaristas:“Brand + Aid,” escrito por Brad Vanauken, que oferece um guia prático para resolver problemas de marca e fortalecer o posicionamento no mercado. Os dois destacaram seis sugestões que estão no livro e podem nos ajudar a desenvolver a nossa marca: 

1. Não reduza gradualmente a qualidade de seus produtos ou serviços com a intenção de reduzir custos.

2. Não se foque em resultados de lucratividade de curto prazo, para não comprometer os ganhos de longo prazo.

3. Reduza cada vez mais seus investimentos de comunicação. Isso é um perigo, é como treinar um peixe para ficar mais tempo fora da água.

4. Pense em branding e desenvolvimento da sua marca desde o início do processo, não apenas no fim.

5. Não estenda sua marca para outras categorias de produto, a menos que sua marca esteja muito saudável.

6. Evite mudar constantemente o posicionamento e as mensagens de sua marca, pois isso pode causar confusão e perda de vitalidade.

Uma biblioteca de branding

Vamos a lista de livros e autores citados por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: 

  • David Aaker – professor emérito de marketing da Haas School of Business na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e  autor de “On Branding: 20 Princípios que Decidem o Sucesso das Marcas“,“Construindo Marcas Fortes” e “Relevância de Marca: Como Deixar seus Concorrentes para Trás”;
  • Kevin Keller – professor de Marketing da Tuck School of Business da Dartmouth College e autor de “Gestão Estratégica de Marcas”;
  • Gerald Zaltman – professor Emérito da Harvard Business School e autor e editor de 20 livros, um dos mais famosos “Marketing Metaphoria: What Deep Metaphors Reveal About the Minds of Consumers”;
  • Júlio Ribeiro – publicitário dos mais importantes do Brasil e autor de “Tudo Que Você Queria Saber Sobre Propaganda E Ninguém Teve Paciência Para Explicar” e “Entenda propaganda – 101 Perguntas e Respostas Sobre Como Usar o Poder da Propaganda Para Gerar Negócios”; 
  • Nizan Guanaes – publicitário e empresário brasileiro, autor de “Você aguenta ser feliz?: Como cuidar da saúde mental e física para ter qualidade de vida”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo e vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã:

Mundo Corporativo: Tatyane Lucah, da EBEM, ensina como transformar a economia do cuidado em oportunidade às mulheres empreendedoras

Tatyane Lucah em gravação do Mundo Corporativo, foto: Pricila Gubiotti

“O empreendedorismo é uma maneira de você remunerar a sua paixão”

Tatyane Lucah, Escola Brasileira de Empreendedorismo

Ser empreendedor no Brasil exige coragem, resiliência e uma série de outras habilidades para superar as barreiras que surgem na construção do próprio negócio. Se for uma empreendedora, haverá desafios ainda mais específicos, ressalta Tatyane Lucah, fundadora da Escola Brasileira de Empreendedorismo, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. Ela cita que a mulher está sujeita à “economia do Cuidado”, na qual, frequentemente, assume responsabilidades domésticas, precisa dar atenção aos filhos e até mesmo aos pais idosos.

Ela destaca que, de acordo com estatísticas de 2022, as mulheres têm 18% a menos de tempo disponível em comparação aos homens devido a essas responsabilidades. Tatyane enfatiza a importância de aprender a dividir o tempo entre tarefas urgentes, importantes e circunstanciais.

“Circunstancial é aquilo que dá para fazer? Ótimo! Não dá? Aprenda a dizer não. O urgente é você apagando fogo, você sendo uma empresária bombeira. E a questão do importante é, sim, meninas, sempre respeitem a sua agenda. Está na agenda, missão cumprida! Não está na agenda, não se culpe por não ter dado tempo ou não ter feito.”

Tatyane também discute como o empreendedorismo pode ser uma alternativa para as mulheres que buscam equilibrar suas vidas profissionais e pessoais, permitindo que elas sejam relevantes no mercado enquanto cuidam da economia do cuidado. Além disso, ela menciona a diferença entre empreendedoras e empresárias, ressaltando a importância da capacitação e da gestão empresarial para que as mulheres possam não apenas iniciar seus negócios, mas também torná-los bem-sucedidos e relevantes no mercado.

Uma Trajetória Empreendedora

A jornada de trabalho de Tatyane Lucah começou cedo, aos 11 anos, vendendo pastel na CEAGESP, com o apoio do pai. Aos 15, foi office girl em uma empresa que vendia molas para a Auto Latina (a junção da Ford e da Volkswagen). Posteriormente, trabalhou no SBT por dois anos antes de entrar na área de eventos.

Ela destaca a importância de seu pai e de um namorado que a incentivaram a buscar conhecimento e excelência em tudo o que fazia. Tatyane enfatiza que o conhecimento foi fundamental para acelerar o processo de crescimento e sucesso:

“Você quer dar certo, estude! Eu sei porque eu já ganhei muito dinheiro, já tive muito sucesso financeiro, mas por falta de educação empreendedora, eu já perdi muito dinheiro nesses meus 22 anos de empreendedorismo. E eu falo que é super desnecessário. Se eu tivesse o acesso à metodologia desenhada que eu tenho hoje, teria ido muito além.”

A partir dessa base de experiência, Tatyane fundou o Grupo Projeto Figital aos 21 anos, inicialmente como organizadora de eventos corporativos. Ao longo de 22 anos, expandiu a empresa para áreas como marketing digital, branding e logística, atendendo a clientes de grande porte, incluindo multinacionais.

Um dos principais aprendizados que Tatyane compartilha é a importância das conexões e do atendimento excepcional ao cliente. Ela enfatiza que as pessoas compram de pessoas, e a confiança e o relacionamento desempenham um papel fundamental no sucesso empresarial. Independentemente das barreiras que enfrentou ao longo de sua jornada, Tatyane sempre se concentrou no resultado final e acreditou que alcançaria seus objetivos.

A educação empreendedora é essencial

A ideia de fundar a EBEM – Escola Brasileira de Empreendedorismo surgiu de uma necessidade premente. Durante a pandemia, Tatyane viu seu mercado de eventos ser drasticamente afetado, perdendo contratos no valor de mais de 8 milhões de reais. Esse momento de crise a levou a refletir sobre o que poderia fazer para ajudar outras empresárias que estavam passando por dificuldades semelhantes.

Foi nesse contexto que ela decidiu criar uma metodologia e um curso digital chamado “Gestão Lucrativa”. No entanto, a economia do Cuidado e as preocupações decorrentes da pandemia fizeram com que muitas empresárias não conseguissem concluir o curso. Tatyane então adaptou a metodologia e trouxe um grupo de 20 empresárias para uma versão presencial do curso. Segundo ela, os resultados foram impressionantes, com empresas experimentando um crescimento significativo, incluindo escritórios de arquitetura, advocacia e varejo.

A fundação da Escola Brasileira de Empreendedorismo foi uma resposta à necessidade de oferecer educação e apoio às empresárias, focando em sua essência e bem-estar emocional como um primeiro pilar. Tatyane enfatiza que uma empresária bem cuidada é fundamental para o sucesso de seu negócio.

A escola oferece uma abordagem híbrida com aulas presenciais e online, incluindo um grande evento anual, formação em gestão lucrativa e uma mentoria de um ano chamada “Miss Mind” (Mente Mestra), onde a colaboração e a troca de experiências desempenham um papel fundamental no desenvolvimento das empresárias.

Desafios e princípios do empreendedorismo feminino

Na entrevista, Tatyane identificou três aspectos-chave para que as mulheres não repitam erros comuns na jornada empreendedora, que muitas vezes impedem o crescimento rápido de seus negócios.

  • Construção de Equipe: Ela enfatiza a importância de construir uma equipe sólida, destacando que um empreendedor não pode fazer tudo sozinho. Contratar as pessoas certas e atribuí-las às funções adequadas é fundamental. Tatyane recomenda a avaliação de perfis comportamentais ao contratar para garantir um encaixe adequado.

  • Treinamento: O treinamento é outra peça-chave do quebra-cabeça. Empresárias precisam estar dispostas a investir tempo e recursos no treinamento de sua equipe. Além disso, é importante gostar de pessoas e estar disposta a ensinar, pois o sucesso de um negócio depende em grande parte do engajamento e do encantamento dos colaboradores.

“Primeiro você constrói um time e esse time constrói a sua empresa. É um erro muito grande você achar que sozinha você vai construir o teu negócio. A contratação, o engajamento, o encantamento de pessoas vai fazer com que você se torne uma grande empresária”.

  • Liderança Inspiradora: Tatyane destaca que uma liderança inspiradora é essencial para capacitar e inspirar aqueles que buscam empreender. Ser congruente e autêntico em sua liderança é fundamental, pois as pessoas sentem a energia de um líder. Ela também faz um convite para que as mulheres adotem mais princípios femininos, como compartilhamento, co-criação e intuição, para equilibrar as energias masculinas presentes no mundo dos negócios.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 22h, em horário alternativo. Você também pode ouvir em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Letícia Veloso, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: minha imagem na janela do metrô

Por Marcelo Vieira Pinto

Ouvinte da CBN

Foto de Pixabay

Essa história deve ser contada na primeira pessoa, não por prioridade, mas para expressar fielmente a realidade do sentimento. A generosa frieza da humanidade. Acordei lépido, depois de um sono, por minha consideração, longo, de cinco horas ininterruptas e o complemento posterior de mais três.

Um belo desjejum à base de frutas, sanduíche e o querido e esperado café, acompanhado de uma disposição incomum para a prática esportiva. O sentimento era de um senhor vigoroso, equilibrado e me lembro bem da atenção em manter o foco na minha pessoa.

Sai à rua em direção ao metrô Brooklin para cumprir um compromisso. O caminho se apresentava com uma energia colorida pelo sol forte, que esquentava o ambiente, mas o bem-estar interior se sobrepunha a qualquer pensamento negativo.

Entrei no espaço, comprei meu bilhete e caminhei em direção à plataforma. Sentia-me o melhor cidadão paulistano, admirando a simples educação popular nas escadas rolantes e o inesperado respeito ao entrar no vagão. Ambiente com lotação completa, o calor das pessoas era inevitável sentir, embora o ar-condicionado estivesse em perfeito funcionamento.

Subitamente, uma jovem se levanta me oferecendo seu assento. Sua expressão era de uma pessoa caridosa. Sinceramente, meu sentimento foi em direção oposta ao que eu sentia segundos atrás. Inesperadamente, tive a percepção de que transparecia a imagem de um frágil senhor, um idoso que carecia de um assento.

Agradeci, recusei e automaticamente olhei minha figura, que refletia na janela do veículo, e o esforço para encontrar aquele senhor vigoroso foi de certo modo desgastante. Passados alguns minutos, me desloquei para o centro do vagão, quando, acreditem, um senhor obeso, juro, bem obeso, se levanta para me ceder seu lugar.

Desculpem-me, mas é difícil demais andar em equilíbrio. Acho que vou comprar uma bengala para minha cabeça.

Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo

Marcelo Vieira Pinto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a força das marcas começa no ambiente interno das empresas

Foto de RF._.studio

“Marca não é tapume”

Jaime Troiano

A força das marcas é um tema que tem ganhado cada vez mais relevância, especialmente no contexto do ambiente interno das empresas. Ao longo dos anos, a área de marketing, comunicação e branding costumava direcionar seu foco principalmente para o mercado externo, negligenciando muitas vezes a importância do que ocorria dentro das organizações. Esse cenário modificou-se, a despeito de algumas empresas ainda não terem percebido, como destacaram Jaime Troiano e Cecília Russo no programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”.

“A precipitação digital, a vontade de gerar resultados a curtíssimo prazo, a vaidade corporativa de não obedecer ao ritmo natural de evolução das coisas, tudo isso atropela o processo de amadurecimento interno da marca.”

Jaime Troiano

A necessidade de adotar um autêntico propósito

Um exemplo citado na conversa ilustra essa questão. Um conhecido relatou ter visto um comercial de um automóvel da empresa onde trabalha, mas só o viu na TV, demonstrando que, dentro da própria empresa, a comunicação interna sobre a marca estava sendo negligenciada. Isso reflete uma visão puramente comercial das marcas, que não considera seu papel coletivo e seu propósito interno.

Cecília e Jaime ressaltaram que, nos últimos anos, houve uma mudança significativa nesse cenário. Empresas orientadas por um propósito claro têm promovido uma maior integração interna, onde todos os colaboradores reconhecem o papel coletivo na construção da marca. Um exemplo notável disso é a empresa de chocolates, Dengo, que se destacou no mercado de forma rápida devido à adoção interna de um autêntico propósito.

A importância do RH na gestão da marca

Além disso, a gestão de marca tem envolvido cada vez mais a equipe de recursos humanos, que desempenha um papel fundamental na disseminação da cultura da marca entre os colaboradores. Exemplos como o da Cobasi, uma empresa que valoriza o alinhamento entre cultura, propósito e posicionamento, e a AEGEA, empresa de saneamento, que promove a ideia de “nossa natureza movimenta vida”, destacam como a gestão de pessoas desempenha um papel crucial na construção da marca.

“Nossa experiência nos últimos 10 anos, mais ou menos, tem nos levado a conviver com outros setores da empresa além da turma de marketing e comunicação. Um deles, em particular, que é a turma de gestão de pessoas, recursos humanos. Os nomes variam. Essa área, que tradicionalmente se concentrava apenas em operações mais burocráticas, hoje tem um papel central para quem quer que a marca seja cultivada e cresça saudavelmente.”

Cecília Russo

Portanto, a força das marcas reside principalmente no ambiente interno das empresas, onde a cultura, o propósito e o alinhamento com a estratégia são fundamentais. Essa força interna é o alicerce sobre o qual as marcas podem ser verdadeiramente respeitadas e, posteriormente, refletidas de forma autêntica no mercado externo. A mensagem é clara: o sucesso das marcas começa de dentro para fora, na integração e no comprometimento dos colaboradores com os valores e o propósito da empresa.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O comentário “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã, e é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: preço baixo e carro-chefe são as estratégias do sucesso de Alberto Saraiva, fundador do Habib’s

Gravação do Mundo Corporativo com Alberto Saraiva foto: Pricisla Gubiotti

“O mundo atual precisa de gente que tem a capacidade de controlar despesas. No passado, você se preocupava praticamente só com as vendas. As vendas eram muito aceleradas, as vendas eram muito fortes, então, você não precisava ser um grande administrador de despesa”.

Alberto Saraiva

Oferecer produtos a preços significativamente mais baixos do que a concorrência. Foi esse o caminho que Alberto Saraiva, português de nascença, encontrou para manter a padaria que o pai recém havia fundado no Belenzinho, região central de São Paulo. De verdade, Alberto queria ser médico, mas após um incidente trágico — o pai foi morto durante um assalto a padaria — viu-se obrigado a assumir o negócio para o qual não havia se preparado. Abandonou o curso e investiu na sua intuição para tornar a padaria possível em um bairro no qual a concorrência era enorme. 

Alberto Saraiva é o fundador e presidente do Habib’s, um empreendedor de sucesso que construiu um império gastronômico a partir de uma jornada repleta de desafios e aprendizados. Sua história foi a inspiração para a nossa conversa no programa Mundo Corporativo, da CBN. 

“O grande lance dessa padaria é que não tinha movimento nenhum. E eu não tinha como trazer cliente. Então, eu coloquei o pãozinho a um preço mais barato. Naquela época, o pãozinho era tabelado pela Sunab. Eu coloquei 30% mais barato que a tabela da Sunab. Meus patrícios diziam que o pãozinho não dava lucro”.

A importância de ter um carro-chefe

Com o preço mais baixo, a padaria de Saraiva ganhou uma clientela que foi fundamental para o sucesso do negócio: os “padeiros de rua”, que compravam o pão mais barato e, em seguida, revendiam para bares, botecos e condomínios, de porta em porta. A partir dessa experiência, Saraiva aprendeu a importância de ter um “carro chefe” em seu negócio, ou seja, um produto altamente popular e acessível. Ele enfatiza que, no início, não é necessário se preocupar muito com o lucro, pois ele é uma consequência natural do volume de vendas e da eficiência na gestão de despesas.

“Tente ter um produto que atraia o cliente pelo preço. Que tenha qualidade, que tenha aceitação do público. Carro-chefe é o seguinte: é um produto que você vende, que não tem rejeição, todo mundo quer, todo mundo procura. Então, se você consegue ter um produto desses com uma margem menor e consegue vender a preço acessível, eu diria que isso já é 70% do sucesso do negócio”.

Como o Habib’s se iniciou

A história do Habib’s teve início quando Saraiva encontrou um novo produto para impulsionar seus negócios: a esfiha aberta. Ao conhecer um senhor que sabia fazer esse prato tradicional árabe, Saraiva percebeu que havia encontrado seu “carro-chefe”, e lançou o Habib’s. O nome “Habib” significa “amigo” em árabe, refletindo a filosofia da empresa de oferecer comida a preços acessíveis e construir relacionamentos próximos com os clientes.

Para expandir sua rede de restaurantes, Saraiva adotou a verticalização, produzindo seus próprios ingredientes e controlando de perto a qualidade e os custos. Isso permitiu que o Habib’s mantivesse sua abordagem de preços acessíveis e qualidade consistente à medida que crescia.

A empresa tem de ser contaminada por seu líder

Bastidor da gravação do Mundo Corporativo foto: Priscila Gubiotti

Atualmente, o grupo de Saraiva inclui não apenas o Habib’s, mas também outras marcas como o Ragazzo, uma rede de comida italiana conhecida por sua coxinha, e o Tendall Grill, uma churrascaria que segue a mesma filosofia de preços acessíveis.

Saraiva destaca que um líder de sucesso precisa motivar sua equipe, estar constantemente inovando e cuidar das finanças da empresa com atenção. Ele enfatiza que é essencial acreditar em si mesmo e ter confiança em sua capacidade de realizar grandes feitos no mundo dos negócios.

“Quer dizer, o líder precisa ter sempre um projeto novo que motive as pessoas a tocar o existente. E sempre estar criando e inovando. Eu acho que isso são coisas que contaminam. Uma empresa precisa estar contaminada pelo seu líder”

É preciso estar atento às oportunidades

Além disso, Saraiva não tem medo de correr riscos calculados e acredita que o empreendedorismo é sobre aproveitar as oportunidades sem hesitação. Ele enfatiza que os empreendedores devem ter a determinação de seguir em frente, mesmo diante de desafios e incertezas. Por exemplo, a pandemia da COVID-19 trouxe novos desafios para o setor de restaurantes, mas Alberto Saraiva e sua equipe continuam a inovar e adaptar seus negócios para enfrentar essas dificuldades. Uma das soluções foi usar a infraestutura das cozinhas do Habib’s para produzir marmitas:  

“O que que eu fiz: eu transformei um pedaço dessa cozinha numa cozinha da Mita. Então, eu uso toda a estrutura do Habib’s e tem uma marca digital lá que ninguém sabe que é do Habib’s nem de onde vai nem como é que vai. E com essas cozinhas, eu consigo fazer a expansão porque eu já tenho a infraestrutura montada. Então, a Mita em oito meses já tem 50 lojas, e agora chegamos a faturar R$ 12 milhões”. 

Em resumo, a história de Alberto Saraiva e o sucesso do Habib’s são um testemunho da importância de acreditar em si mesmo, adotar uma mentalidade empreendedora e estar disposto a enfrentar desafios em busca de seus objetivos no mundo dos negócios.

Assista ao Mundo Corporativo

O programa Mundo Corporativo traz uma entrevista inédita todas às quartas-feiras, 11 da manhã, no canal da CBN no YouTube e no site da CBN. O Mundo Corporativo também pode ser ouvido em podcast, no Spotify. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Veloso, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: os bolinhos de polvilho da vovó

Por Waldizia Moniz

Ouvinte da CBN

A casa ainda está lá. Quando nasci em meados da década de 40, ela era muito mais bonita. Um sobradão amarelo com quatro janelas dando para a rua. As do andar superior exibiam duas pequenas jardineiras lotadas de lírios azuis, paixão de vovó. Tempos diferentes aos de hoje. Nossa porta permanecia sempre bem aberta para facilitar a entrada dos parentes e dos vizinhos. O único telefone disponível naquela rua era o nosso, exceto um outro que pertencia ao Lourenço da mercearia.

Pois é. Nasci e cresci ali, numa rua ainda sem asfaltamento e quase nenhum trânsito. De minha porta, podia perfeitamente avistar a pequena igreja de São José do Maranhão, onde fiz a primeira comunhão. Tínhamos dias comuns e bucólicos, com o verdureiro passando logo cedo com sua carroça de frutas, legumes e verduras. Sentadinha no degrau da porta da rua, eu acompanhava a cantoria das donas de casa batendo suas roupas nos tanques e seu vai e vem com bacias equilibradas nas cabeças, em direção ao gramado, onde estendiam sua fileira de roupas alvas e humildes.

Por volta do meio dia, o cheiro de frituras variadas invadia o ar. Vovó fazia uns bolinhos de polvilho sensacionais. A infância que vivi difere completamente da infância atual.

Meu local para brincar e aproveitar a vida era a rua. Com um bando de garotos, eu desaparecia por entre recantos fascinantes do meu querido bairro do Tatuapé. Gozei de uma espetacular liberdade de movimentos, onde não se cogitava ainda da presença de quaisquer perigos. 

Muito pequena, aprendi a me virar sozinha quando foi preciso estudar um pouco mais distante de casa. O velho bonde era meu meio de transporte favorito. Eu esperava por ele ali na Celso Garcia e seguia até o bairro da Penha, descendo no ponto final. O colégio religioso ficava logo atrás da igreja da Penha. Durante sete anos, fiz este percurso. Expandi minhas andanças tão logo comecei a fazer um cursinho pré-universitário na região central de São Paulo. Acho que foi nesta época que caí de amores pela minha cidade. Ao relembrar as ruas de minha São Paulo antiga, muitas vezes ainda sou tomada por uma emoção marcante e singular. 

Fui uma pequena exploradora que percorreu com amor e curiosidade todas aquelas ruas que ainda mantenho vivas na arquitetura de minha mente. Tomei o famoso chá no Mappin da Xavier de Toledo. Fazia meus lanches na Leiteria Americana. Comprei meus vestidos de baile nas butiques da rua do Arouche. E como namorei! Namoros ingênuos, regados a músicas românticas e passeios de mãos dadas. Hoje, tenho três filhos, seis netas e um casamento com o companheiro que está aqui ao meu lado há cinquenta anos.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Waldizia Moniz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: razão ou emoção, uma dança complexa no comportamento do consumidor

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“A gente tem razão e emoção ambas ativadas antes mesmo de pôr os pés na loja.”

Cecília Russo

Na hora de decidir qual marca ou produto comprar, uma série de fatores influencia o comportamento do consumidor. Um dos dilemas mais fascinantes que eles enfrentam é a escolha entre a razão e a emoção. No programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso,” Jaime Troiano e Cecília Russo analisaram essa questão crucial e exploraram até que ponto a lógica e o sentimento influenciam nossas escolhas.

Razão e Emoção: Uma Dança Complexa

Cecília Russo entende que este é um processo complexo. Ela ilustra o tema com um exemplo prático de um casal escolhendo porcelanato para a cozinha. Antes mesmo de entrarem na loja, eles já estão munidos de informações racionais, mas também cheios de expectativas e sonhos, o que demonstra que tanto a razão quanto a emoção desempenham um papel desde o início.

“A gente já vai criando experiências, já se vê recebendo amigos naquele novo espaço da casa, longe da racionalidade.”

Cecília Russo

A conexão emocional surge assim que o consumidor começa a sonhar com os produtos ou serviços que estão prestes a adquirir. No entanto, o ambiente de compra também é crucial, com elementos como promoções, etiquetas de preço e até mesmo a interação com o vendedor influenciando nossa tomada de decisão.

Análise de Regressão: Descobrindo o Peso da Razão e da Emoção

Para determinar se a razão ou a emoção pesam mais, Jaime Troiano menciona o uso da estatística e, especificamente, da Análise de Regressão. Essa ferramenta estatística permite que os especialistas avaliem a importância relativa de diferentes fatores na escolha de uma marca ou produto.

“Quando se tem isso em mãos, não somos nós que vamos dizer se a escolha do piso foi mais emocional ou mais racional, os dados da regressão nos darão isso.”

Jaime Troiano

No entanto, Jaime enfatiza que não há uma resposta única, já que a influência da razão e da emoção pode variar dependendo da categoria de produto.

Conclusão: Uma Dança Complexa entre Lógica e Sentimento

No final, Cecília sintetiza o dilema ao afirmar que a razão e a emoção são praticamente indissociáveis. Ambas desempenham um papel importante na estratégia das marcas, e encontrar o equilíbrio certo é essencial. Não se trata apenas de preço ou paixão desenfreada; a escolha da marca é uma dança complexa entre lógica e sentimento.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Leizer Pereira, da Empodera, diz que empresário reconhece o valor mas não prioriza a diversidade

Gravação online com Leizer Pereira, foto: Priscila Gubiotti

 “Ninguém quer se assumir como racista, machista ou homofóbico. Acho que o maior desafio está na resistência em reconhecer que você é parte do problema e também da solução. Existem os vieses inconscientes, que são os preconceitos que todos nós temos e que criam barreiras para as pessoas.”

Leizer Pereira, Empodera

Apesar de 94% dos líderes reconhecerem o valor da diversidade para atrair e reter talentos, a efetivação da diversidade como uma prioridade real cai pela metade. O Brasil, marcado por sua rica tapeçaria de culturas e histórias, ainda enfrenta desafios significativos quando se trata de diversidade e inclusão nas organizações. Esta não é apenas uma questão de justiça ou de fazer o que é moralmente correto; é também uma questão estratégica que pode impulsionar a inovação e a rentabilidade em um mundo corporativo em constante mudança.

Da conscientização à ação: a missão da Empodera

Leizer Pereira, fundador e CEO da Empodera, mergulha profundamente nesta questão em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN. Ele destaca que, embora muitas organizações estejam cientes do valor da diversidade, ainda existe uma lacuna significativa na transformação dessa compreensão em ações concretas e sistematizadas.

“Eu acho que precisamos promover mais oportunidades para as pessoas. Promova oportunidades, equidade e deixa as pessoas crescer na velocidade do seu talento e esforço. Tem muita gente boa sendo deixada para trás nesse país. A gente não tem. A gente não tá com essa possibilidade de desperdiçar talento”

A Empodera, fundada em 2017, busca capacitar empresas a entender e abraçar verdadeiramente a diversidade. Além de focar na diversidade racial, a organização também aborda questões de gênero, LGBTQIA+, gerações e pessoas com deficiência, reforçando a ideia de diversidade de pensamento como chave para soluções criativas e integradas.

Desafios e oportunidades: a perspectiva pessoal de Leizer

A trajetória pessoal de Leizer Pereira, como um homem negro que cresceu na periferia do Rio de Janeiro e posteriormente ascendeu ao mundo corporativo, oferece uma perspectiva sobre os desafios e oportunidades presentes na jornada de inclusão. Ele argumenta que, enquanto o acesso ao ensino superior tem se tornado mais democrático no Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os jovens, especialmente aqueles de origens desfavorecidas, estejam preparados não apenas academicamente, mas também emocional e culturalmente para os desafios do mundo corporativo.

Com o crescente reconhecimento da importância da diversidade, resta saber se as organizações brasileiras vão intensificar seus esforços para transformar palavras em ações e garantir que a diversidade e a inclusão sejam mais do que apenas palavras da moda, mas sim pilares fundamentais de sua cultura e estratégia.

“Então, as empresas ainda têm um longo caminho, porque elas são inclusivas para quem? Hoje não é para todo mundo. Então, a gente precisa construir essa organização inclusiva para todas as pessoas”.

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  • Quando assistir: Quartas-feiras, às 11 da manhã, ao vivo.
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Colaboram com o Mundo Corporativo: Renata Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen.