Sua Marca: a lição de branding deixada por Charlie Watts e os Rolling Stones

“Obedecer com cuidado os dois ensinamentos de Dawar e Bagga  não é fácil, mas gera muito mais vantagem competitiva” 

Cecília Russo

Charlie Watts é único, singular. Baterista da maior banda de rock de todos os tempos —- perdão, caro e cada vez mais raro amigo leitor deste blog que insiste em admirar os Beatles, mas Rolling Stones é maior —-, morreu aos 80 anos, nesta semana, e motivou uma série de análises e olhares para justificar o sucesso que fazia ao ser contraponto de Mick Jagger e sua trupe. Comedido nos atos, elegante no agir e genial no controle das baquetas, Watts deixa um legado inigualável e lições que podem ser aprendidas em diferentes ciências. Aqui neste espaço, por óbvio que seja, vamos conversar de uma em especial: o branding.

Ao ser a maior das bandas —- e aqui conta a opinião do redator —, Rolling Stones personificou dois conceitos essenciais para o sucesso entre as marcas: centralidade e diferenciação —- assunto de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Nossos especialista em branding lembram que, em artigo publicado na Harvard Business Review, em 2015, os indianos Niraj Dawar e Charan K. Bagga apresentam os desafios dos profissionais de marketing que precisam posicionar suas marcas nessas duas dimensões. Para que a marca se sobressaia no mercado e tenha sucesso —- como sucesso têm os Rolling Stones — é preciso ser central em sua categoria de produtos, o que a leva ter maior market share, e ao menos tempo ser distinta, para diferenciar-se da concorrência. 

Para explicar essa estratégia, Jaime traz o assunto para mais próximo da gente:

“Você vai a uma festa onde quer conversar com algumas pessoas e quer que elas saibam que você está lá. A primeira coisa que precisa fazer é se vestir de uma forma que se adapte àquela festa; mas para não ser apenas mais um, terá de se apresentar e se comportar de uma forma um pouco especial para ser visto além da multidão”

Jaime Troiano

De volta às marcas: o conceito da centralidade pede que você seja percebido como uma marca que opera dentro de uma categoria de produtos — e isso tem de ser feito de forma muito clara. Com isso a marca está em condições de disputar espaço com as concorrentes do mesmo segmento. De acordo com os autores indianos, porém, isso só não basta. É preciso acrescentar alguma coisa, que o faça se destacar naquele grupo

“Os Stones, de Charlie Watts, respeitam rigorosamente esses dois conceitos. Têm centralidade: nunca ninguém pôs em dúvida a existência dos Rolling Stones como uma banda que disputa esse mercado há muitas décadas. Mas eles têm ingredientes de diferenciação que os faz engolirem as outras bandas nos grandes shows”

Cecília Russo

Muitas marcas entram no mercado para disputar espaço, usam os códigos e o estilo da categoria a que pertecem mas são apenas um copycat, uma imitação das que chegaram antes. Falta a elas diferenciação. Há outras que querem se diferenciar a todo custo e rompem com os códigos e estilo da categoria e ficam deslocadas.

Se no início desta conversa ilustramos a importância de saber trabalhar a marca nas duas dimensões, centralidade e diferenciação, com os Rollings Stones e seu baterista Charlie Watts — que mesmo sendo um Stones como os outros, era diferente —, vamos encerrar nosso papo com uma lembrança bem nacional de Jaime Troiano, que decidiu recitar Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Morais:

“olha que coisa mais linda

 mais cheia de graça

 que vem que passa 

num doce balanço 

a caminho do mar”

A letra de Garota de Ipanema fez Jaime lembrar que de tantas mulheres lindas e cheia de graça que passavam pela praia, uma delas em especial chamou a atenção dos dois compositores brasileiros: uma que tinha um “doce balanço” que a diferenciava das demais: 

“É isso que a gente espera das grandes marcas. Que estejam passeando pela praia, que sejam bonitas, atraentes, mas que tenham uma coisa a mais, também: pode ser um sorriso, um jeito de andar, um olhar e assim por diante. Não basta estar na categoria, precisa ser diferente dos outros”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. A sonorização é do Paschoal Junior. 

Mundo Corporativo: Ruy Shiozawa, o CEO do GPTW que demitiu a sede para não perder os talentos

“Mais e mais empresas estão priorizando, focando, colocando pessoas no centro de suas decisões. Ou seja, para tomar decisão, eu preciso pensar em primeiro lugar nas pessoas. Isso foi inclusive ressaltado pela pandemia”

Ruy Shiosawa, GPTW

Imagine a satisfação de você, estar ao lado da sua família, e receber o comunicado, de viva-voz, do próprio presidente da empresa, de que foi promovido. Foi o que aconteceu com uma colaboradora do GPTW, consultoria que estuda ambientes de trabalho, com atuação aqui no Brasil, há 25 anos. A cena só se realizou porque o anúncio foi feito durante uma videoconferência, da qual ela participou a partir de sua casa, onde está trabalhando desde que se iniciou a pandemia. E onde estavam, também, sua mãe e sua avó. As três comemoraram juntas com o presidente a boa notícia. Um dos protagonistas desse momento foi Ruy Shiosawa, CEO do Great Place To Work,  que compartilhou a história com os ouvintes do Mundo Corporativo.

O caso contado por Ruy serve tanto como exemplo quanto como alerta aos líderes. Com parte ou todas as equipes trabalhando em home office, da mesma maneira que se pode usar essa condição para tornar a boa nova uma celebração em família, pode-se gerar situações constrangedoras e desrespeitosas:

“Todo dia quando se faz uma reunião de trabalho, esse líder, esse gestor, entra dentro da casa das pessoas. É como se nós tivéssemos todos os dias, antes de iniciar uma reunião, que pedir licença para entrar dentro do ambiente familiar … Essa proximidade do mundo do trabalho com o mundo pessoal e familiar é muito maior, mudando as características de liderança”. 

Ao contrário da maioria das empresas com quem temos falado no Mundo Corporativo, o Great Place to Work não pretende voltar ao modelo presencial — a não ser em alguns encontros ao longo do ano  que serão organizados para gerar um relacionamento mais intenso entre os colaboradores. Decisão adotada por dois motivos, em especial. Um deles, o fato de que algumas equipes de trabalho foram formadas durante a pandemia com profissionais contratados em regiões diferentes do país, e não faria sentido abrir mão desses talentos. O outro, ainda mais concreto: o GPTW não tem mais uma sede. No inicio da pandemia, ao assistir à queda em 70% dos seus negócios, a consultoria reuniu todos os colaboradores e juntos decidiram que somente haveria demissão se não houvesse mais alternativas. Fazer o quê, então?

“Uma das decisões que nós tomamos foi a de demitir o prédio em vez de demitir as pessoas. Porque sem as pessoas, o GPTW não existiria mais. Sem o prédio, a gente continua funcionando. E, como eu falei: este ano batemos o recorde de participação de empresas na nossa pesquisa”.

É da pesquisa de ambiente de trabalho que vêm boa parte do faturamento da consultoria e dela que surge a maioria das soluções propostas às empresas.  Um estudo que alcançou 4 mil organizações, neste ano de 2021, depois do sumiço da maior parte dos parceiros no primeiro ano da pandemia. Muita gente temia medir o nível de satisfação de seus colaboradores diante da situação que todos enfrentávamos. O resultado não deixou dúvidas: as empresas que demonstraram interesse em perguntar o que estava acontecendo com os seus profissionais, se preocuparam com a saúde mental deles e os trouxeram para o centro das decisões, tiveram suas médias melhoradas, na pesquisa. 

Uma pergunta que muitos se faziam é como ficaria a cultura da empresa com os funcionários à distância. Rituais que fazem parte do cotidiano da organização deixaram de ser realizados. Para superar essas barreiras, as empresas que melhor gerenciaram a crise intensificaram e aumentaram a frequência dos contatos de cada líder com sua equipe. Contatos em grupo e  individuais —- e aqui um destaque em especial, porque a pandemia expressou as individualidades e a necessidade de os casos serem tratados de maneira diferenciada. 

Escutar o outro é tema que tem frequentado as rodas de conversa (online) de gestores e, invariavelmente, é prática comentada por entrevistados do Mundo Corporativo. Não seria diferente com Ruy Shiosawa. Para o CEO do GPTW, é preciso fazer esse exercício para que se encontre a resposta que muitos líderes buscam diante do desafio da retomada das atividades no pós-pandemia:

“A  gente tem uma mania de achar que o líder, o presidente tem de saber tudo e decidir o que é melhor para a empresa, para as pessoas. Não! Faz ao contrário! Pergunte para as pessoas o que é que elas acham. Quando você toma decisão sabendo o que está contemplando, o que você vai resolver e o que você vai complicar, você já pode pensar nos desdobramentos para isso”. 

Foi escutando pessoas que algumas empresas perceberam a necessidade de se criar ações de controle da saúde mental dos colaboradores. Algo que já aparecia em anos anteriores da pesquisa de ambiente organizacional do GPTW e teve crescimento exponencial na pandemia, com o isolamento agravando algumas situações. Os dados globais são preocupantes: uma em cada cinco pessoas terão ao longo da sua carreira alguma questão envolvendo sua saúde mental e 75% desses casos não serão detectados. Ou seja, a pessoa tem um sintoma de ansiedade leve que não é percebido e não é tratado. Esse sintoma se torna moderado e segue sem tratamento. Daí se transforma em intenso e quando menos se espera, a crise já explodiu. 

Ruy defende que as empresas tenham profissionais especializados em saúde mental — no corpo de colaboradores ou terceirizados —- para que se faça uma análise científica das soluções a serem implantadas. No GPTW,  os primeiros passos foram contratar os serviços de um equipe médica e fazer uma variação na pesquisa anual para identificar o tamanho desse problema de saúde mental. Uma das soluções foi criar uma semana de cuidado da saúde, escolhida pelo próprio colaborador, período em que ele ficará afastado da empresa sob o compromisso que dedicará aquele dias para realização de exames e outros cuidados com a sua saúde.

“Uma semana de férias a mais para cada pessoa? Minha empresa não pode ficar sem ela, uma semana, dirão alguns empresários. E eu respondo: se entrar em crise, você ficará sem ela um mês ou até mais. Se já não fosse prejuízo suficiente ter um profissional com a saúde comprometida”. 

Assista à entrevista completa com Ruy Shiosawa, do GPTW, no Mundo Corporativo

Este episódio do Mundo Corporativo teve a colaboração de Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da rádio. O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. E aos domingos, às 10 horas da noite, em horário alternativo.

Conte Sua História de São Paulo: sem se ver e juntas, desde os tempos da escola

Rosiléne da Costa Ferreira

Ouvinte da CBN

Cena do filme São Paulo Sociedade Anônima de 1965

Ainda no ano dourado de 1965, éramos 17 adolescentes cursando o terceiro ano clássico (TAC) num tradicional colégio para meninas, em São Paulo. Unidas nos sonhos, brincadeiras, projeções para o futuro, com muito estudo, disciplina e severa vigilância das freiras — o que não nos impediu de paquerar os rapazes da faculdade em frente.

Formadas, cada uma seguiu seu caminho. Tornamo-nos profissionais de respeito, esposas, mães e, mais tarde, avós e aposentadas. Algumas mantiveram contato entre si através de encontros casuais e cartas mas não nos vimos mais.

Em agosto de 2019, uma delas, com um esforço digno de detetive profissional, investigou o paradeiro de cada uma e conseguiu reunir onze através do celular: São Paulo, Ubatuba, Recife , Rio de Janeiro, até Nova Zelândia!

Com a pandemia ficamos mais unidas, numa comunicação diária sempre ansiada, preocupadas umas com as outras, dando força na tristeza, risos nas conquistas, flores virtuais, receitas, fotos de família e pequenos mimos guardados com cheiro de lembranças.

Hoje, somos senhoras de 73 anos ou mais. Nos apelidamos de “joaninhas”. Nos unimos numa folha para salvar aquela que está em perigo. Rimos e choramos juntas, sem perspectiva de nos encontrarmos novamente, ao menos por enquanto.

É um alento nesses tempos de reclusão e solidão contarmos umas com as outras todos os dias graças ao meio virtual, sem nos vermos há 55 anos, com muitas saudades. É muito tempo. 

Quem sabe um dia?

Que delícia viver e reviver!

Rosiléne da Costa Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Paula Harraca, da ArcelorMittal, defende que é preciso inovar a forma de inovar

“A inovação está nas pessoas. São as pessoas que ousam criar algo novo. São as pessoas, inclusive, que trazem a tecnologia para alavancar as soluções que estão sendo desenvolvidas”

Paula Harraca, ArcelorMittal

Na porta do escritório —- se escritório houver —- deve estar escrito Diretoria de Estratégia, Inovação e Transformação. Seja pela extensão do nome seja porque somos craques em chamar as coisas pelo que realmente significam, do cafezinho —- vazio pela pandemia —- às conversas organizacionais, todos preferem chamar de Diretoria do Futuro. E parece que é assim que Paula Harraca, da ArcellorMittal,  gosta de ser identificada. Foi a impressão que tive na entrevista que fiz com ela no Mundo Corporativo.

Paula é argentina, integrou uma das melhores seleções de hóquei sobre grama do mundo, quando sofreu uma lesão, que interrompeu sua ascensão na carreira esportiva e a levou focar na formação acadêmica. Em 2003, conseguiu seu primeiro emprego, na ArcellorMittal — para ser preciso, em uma subsidiária da empresa, a Acindar.  Era apenas a segunda mulher no setor de aciaria —- a unidade em que sucata e ferro são transformados em aço. Dentre 400 funcionários havia apenas mais uma, que cuidava da limpeza dos escritórios, e era terceirizada. Desde então, tem sido pioneira nas vagas que ocupa na empresa, com a missão de abrir espaço para outras mulheres:

“Fui, também, a primeira diretora C-Level —- ao assumir a diretoria de negócios de aços longos da América Latina. Nunca encontrei obstáculos pessoalmente porque eu tive uma base segura que foi minha mãe, me círculo de ajuda que me alavancou. Para eu estar onde estou, muitos mulheres me ajudaram a chegar aqui”. 

Ao deixar a Diretoria de Pessoas e Bem-Estar para ser Diretora de Estratégia, Inovação … ops, Diretora de Futuro, foi substituída por outra mulher, a segunda entre oito cargos C-Level que a empresa mantém, na América Latina:

“Temos um compromisso mundial de termos 25% de mulheres na liderança  … Hoje, a empresa tem várias iniciativas em nível mundial de mentoria não apenas para incluir mais mulheres, mas para ajudar que elas subam ao longo de sua jornada porque sabemos que ainda socialmente é um desafio que precisamos endereçar juntas”. 

De volta ao futuro. Ou a diretoria que Paula Harraca assumiu há cerca de três anos quando a empresa entendeu que precisava “inovar a forma de inovar”. E a busca pelo novo foi que deu origem ao AçoLab, um centro de inovação aberto a presença de startups e outros parceiros de negócio, considerado o primeiro hub da indústria mundial do aço, que fica. em Belo Horizonte.

“Nós criamos nesse espaço, com um pequeno time, e uma estratégia que deu lugar a uma nova forma de inovar com startups, junto com o ecossistema de inovação. E em um movimento diferente de fazer as coisas que é a co-criação, a experimentação, a prototipagem de soluções que se dão nesse ambiente de uma maneira muito estruturada mas que tem um componente de assumir risco que nos permite ir alem”.

Um bom exemplo de inovação que surgiu no AçoLab, considerado por Paula como emblemático, foi quando a empresa compartilhou com a sociedade uma ineficiência no processo produtivo que atinge toda indústria do aço e leva ao desperdício de cerca de 30% da produção de carvão vegetal. Esse “desafio aberto” propiciou um trabalho conjunto com o Sebrae e o Senai —- que têm recursos destinados a projetos inovadores —, que permitiu investimentos em oito startups, que estão trabalhando com a ArcelorMittal em busca de uma solução.

A inovação não anda sozinha. Não por acaso a diretoria do futuro leva junto os conceitos de estratégia e transformação. Três temas que têm profunda conexão, segundo Paula Harraca. Ela explica que a estratégia tem a ver com onde estamos, onde queremos chegar e como chegaremos lá; a inovação é o caminho que permite, não apenas melhorar aquilo que existe, mas também criar aquilo que não imaginamos; e a transformação do negócio tem a ver com esse movimento que está acontecendo no mundo e precisa ser considerado pelas organizações para que mantenham relevantes sua proposta de valor para os clientes e à sociedade.

Para ser uma “líder do futuro”, Paula diz que é preciso ter mentalidade de aprendiz e adaptabilidade, porque os negócios não são mais lineares. Entende que precisamos ter humildade para aprender, generosidade para compartilhar, responsabilidade para se comprometer e coragem para ousar. 

“Humildade é a escuta. A gente tem de escutar só com a curiosidade de aprender e não querendo responder para o cliente ou querendo oferecer o que a gente tem na cabeça. Escute seu cliente, viva seu cliente, esteja presente dentro do mundo dele, porque no exercício dos cinco sentidos, e de muita empatia, é que se consegue observar aquilo que está acontecendo”

Assista à entrevista completa com Paula Harraca, da ArceloMittal

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, no perfil do Facebook e no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Pricila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: os robôs que humanizaram o atendimento hospitalar na pandemia

Lilian Ishida Arai

Ouvinte da CBN

Foto: Divulgação

Sou médica otorrinolaringologista e uma das fundadoras do Hackmed, uma startup de fomento à inovação em Saúde. Em janeiro de 2020,  quando ainda era possível fazer uma aglomeração, organizamos um grande evento com referências das áreas de saúde, tecnologia, governo e academia para discutir inovação em saúde. Para abrir a atividade, produzimos um vídeo que ilustrava algo futurístico, simulando uma rotina de robôs circulando pelos corredores de um hospital, onde todos interagiam de forma natural. 

Em março de 2020, veio a pandemia.  O Hospital das Clínicas transformou o Instituo Central em um covidário com 600 leitos de enfermaria e 300 de UTI para pacientes de média a alta gravidade. Os pacientes chegavam de ambulância. Grande parte deles, em isolamento e bastante debilitados. Sem direito a um contato sequer visual com a família. O HC não tinha WIFI aberto. E a maioria dos pacientes não tinha plano de dados para internet.

Foi quando me pediram para encontrar robôs de telepresença. Uma empresa emprestou três deles. Dois especialistas se voluntariaram a ajudar na implantação do programa. Médicos se uniram para incluir os demais colegas no sistema. Ainda desenvolvemos um suporte para 40 tablets e trabalhamos com alunos voluntários para que as televisitas ocorressem.

….

Um senhor que já estava com diagnóstico de câncer terminal e pegou COVID, estava internado. Há dias ele só dormia. Pedimos que a família mandasse um áudio gravado. A filha gravou uma música cantada por ela. Enquanto reproduzíamos o áudio, ele abriu os olhos como que procurando alguém. E com a mão limpou as lágrimas que corriam no rosto.

Uma senhora prestes a ser internada recebeu a televisita da filha que trazia palavras de esperança e alegria. Nem mesmo a dificuldade de respirar, impediu-a de dar gargalhadas naquele momento.

Uma mãe, que chorava muito e mal conseguia falar com seu filho devido a falta de ar, usou os robôs para se despedir. E como toda mãe, mesmo em dificuldade, estava preocupada com o filho: “amanhã, acorda cedo porque tem aula virtual”.

Foram três meses de trabalho voluntário e exaustivo até que todos os protocolos da televisita fossem validados. Aquela visão futurística de janeiro de 2020, se fez presente.  Por mais contraditório que possa parecer, os robôs humanizaram o atendimento. E se o fizeram é porque seres humanos estavam por trás deste projeto. Gente como Spencer Santos, Marcius Wada, a turma da Hackmed, Pluginbot e Voice Technology. E todos os demais voluntários, estudantes e profissionais da área de saúde, que tornaram possível essa realidade.

Lilian Ishida Arai é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto, também, e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Fábio Coelho, do Google, sugere que relevância no mercado depende de aprendizado constante e ajustes permanentes

Foto Pexel

“.. as empresas vão conseguir migrar para um modelo um pouco mais híbrido, onde as pessoas vão poder trabalhar do escritório, mas vão poder também trabalhar de outros lugares ..” 

Fábio Coelho, Google

Uma crise sanitária e uma crise econômica que andaram de mãos dadas, enquanto o cidadão era obrigado a se isolar, e por um tempo bastante prolongado. Não bastasse esse cenário, único e grave, tudo ocorrendo em um ambiente polarizado e marcado por divergências. Um conjunto de problemas que surgiu com a pandemia e se expressa de forma contundente na saúde mental das pessoas. É dessa maneira que Fábio Coelho, presidente do Google do Brasil, descreve o que estamos vivenciando desde os primeiros meses do ano passado. Um conjunto de problemas que pede um comportamento diferente de empresas, gestores e da sociedade:

“A gente tem de estar olhando para a melhor forma de como ajudar as pessoas a navegar melhor essa pandemia. Com informação de qualidade, entendendo quais são os passos corretos a seguir e respeitando as individualidades de cada um de nós, porque cada um é um universo em si, que vive essa pandemia de maneira diferente”.

O diagnóstico feito por Fábio Coelho, em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, serve tanto para as ações que se referem a parceiros de negócio quanto as que pautam os relacionamos humanos — seja dentro da empresa, com os colegas de trabalho, ou no círculo de amigos e familiares.

“Nós aprendemos que, primeiro, para a gente poder trabalhar bem as pessoas tem de estar bem. Isso significa cuidar da saúde mental, cuidar do bem-estar das pessoas que trabalham contigo, muito mais do que antes. Aprendemos, também, que temos de ser rápidos na maneira em que a gente apoia as pessoas, sejam as que trabalham contigo sejam os seus clientes”.

Velocidade não faltou para o Google, pelo que se constata no relato feito pelo seu presidente aqui no Brasil. No dia 13 de março, todas as equipes tiveram de deixar a sede da empresa e, em dois dias, as operações já ocorriam totalmente à distância. O uso de plataformas próprias que agregam uma série de ferramentas necessárias para o desenvolvimento de projetos ajudaram a manter o fluxo de trabalho com a conexão e colaboração entre profissionais e equipes. 

O prédio principal que fica em uma das áreas mais nobres de São Paulo e reconhecido por sua estrutura avançada e arquitetura moderna segue ocupado apenas por profissionais da área de segurança patrimonial e manutenção. O retorno ao trabalho presencial ainda não está decidido, de acordo com Fábio Coelho. Talvez no fim desse ano. Provavelmente, no ano que vem. Mesmo assim, uma volta que tende a ser parcial:

“A gente acredita que podemos trabalhar no modelo híbrido, mas isso varia de grupo a grupo dentro da organização. O importante é que a gente tem conseguido navegar na pandemia … Dá pra fazer um equilíbrio entre uma coisa e outra, que aí nós vamos ter o melhor dos dois mundos (remoto e presencial), neste momento”. 

O desafio de encarar a pandemia marcou o décimo ano de Fábio Coelho como presidente do Google Brasil. Uma marca interessante se considerarmos a celeridade das transformações que ocorreram nos diversos setores que a empresa atua. Quando Fábio iniciou sua trajetória — ele próprio lembra dessa situação —- um dos fenômenos tecnológicos atendia pelo nome Orkut, os celulares inteligentes eram raros e a computação em nuvens ainda não havia amadurecido. Provocado a falar sobre sua longa permanência no Google, o executivo identifica três razões:

“Primeiro porque eu gosto. Segundo porque eu continuo aprendendo. Terceiro porque estou sempre me ajustando”. 

Para Fábio é essencial que os profissionais, executivos e colaboradores estejam sempre abertos a fazer os ajustes necessários e entender que cada momento tem uma onda tecnológica diferente. Segundo ele, o aprendizado tem ser constante para que a pessoa se mantenha relevante na função que exerce. Um dos aspectos que considera importante em seu desenvolvimento foi a convivência com a diversidade de opiniões, de conceitos e de pessoas —- que tem muito a ver com o ecossistema do Google:

“Nós temos de ter solução para todos os brasileiros, são de mais de 100 milhões de brasileiros que usam nossas plataformas, que têm mais de 1 bilhão de usuário no mundo. O Google tem de ter gente que represente em 1 bilhão” 

Diante do uso das palavras monopólio e Google na mesma frase —- no caso, na mesma pergunta —-, Fábio Coelho é tão rápido ou mais na resposta do que quando vamos pesquisar no buscador de informações. O executivo diz que não existe monopólio e cita alguns concorrentes nas múltiplas áreas em que a empresa atua —- e-mail, plataforma de streaming, mapas, navegador e o próprio buscador, entre outros. O que chamamos de monopólio para ele é oferta da melhor experiência.

Chame como quiser, a conversa sobre domínio de mercado me fez lembrar a experiência de Jeff Bezos, da Amazon, que decidiu desafiar a lógica e propôs aos gestores da operação que recém havia se iniciado no México a vender seus produtos sem anunciar no Google. Estava cansado de entregar parte de seu lucro à empresa. Em pouco tempo voltou atrás. 

Independentemente do que você pensa, a boa notícia é que o Google está contratando. Fábio Coelho informou ao Mundo Corporativo que a empresa tem cerca de 150 vagas em aberto, em São Paulo e em Belo Horizonte. E o que buscam?

“O que a gente busca são pessoas que possam ter algum impacto na companhia, se for mais experiente, a capacidade de contribuir com experiências passadas; se for uma pessoa jovem, com interesse para aprender”.

Pra saber como se candidatar a uma dessas vagas, dá um Google. 

Assista à entrevista completa com Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, em vídeo, no canal da CBN no Youtube, no site e no perfil da rádio no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Por que livros emprestados não são devolvidos

Foto de cottonbro no Pexels



Uma biblioteca pública, de Massachusetts, nos Estados Unidos, foi surpreendida ao receber de volta o exemplar de um livro que havia sido emprestado há 50 anos —- “isso, 50!” escreveu a leitora em uma carta manuscrita em papéis de caderno espiral. Além do livro e da carta, a moça, que não se identificou, enviou U$ 20 para tentar compensar a multa das cinco décadas de atraso. 

Pelo texto criativo, tendo o livro em primeira pessoa, a ‘escrivinhadora’ gostava mesmo de ler. E justificou-se dizendo que foi levada a se mudar muitas vezes de lugares, e para longe da cidade Plymouth, o que a fez postergar o desejo de devolver a cópia de “Coins You Can Collect”. Garante, porém, que o exemplar sempre esteve acompanhado de vários outros livros. 

Como toda notícia publicada na internet —- esta é do portal G1 —, links para fatos semelhantes se destacam e, através deles, fico sabendo que já houve casos de livros devolvidos até 52 anos depois do empréstimo.

A sequência de informações, que inspirou o bate-papo desta manhã, com Gabriel Freitas, do CBN Primeiras Notícias, e a minha colega de apresentação, Nadedja Calado, logo me remeteu a um hábito há muito tempo esquecido (e não me refiro ao hábito de esquecer de devolver livros).  Falo do hábito de retirar livros em biblioteca. Talvez a última vez que fiz essa retirada foi na época da escola. Lá no Colégio Rosário, em Porto Alegre. Depois, exemplares emprestados, apenas de amigos. Todos, se não me falha a memória, devidamente devolvidos. Hoje, o mais comum é comprá-los. geralmente em livrarias. Mais recentemente, em lojas eletrônicas de livros.

Já que estamos falando em memória: lembro de pesquisa do IBGE, publicada em 2018, na qual se identificou dados alarmantes: as livrarias estão sumindo da paisagem urbana do Brasil. Em 2001, quase 43% das cidades brasileiras tinham ao menos uma livraria. Em 2018, eram apenas 18%. E se olharmos bibliotecas públicas, o quadro não é nada alentador. Se em 2014, tínhamos 97% das cidades com ao menos uma biblioteca pública; em 2018 —- último levantamento oficial –, o índice caiu para algo próximo de 87%

Menos livrarias, menos bibliotecas. Não me surpreende que quando pegamos um livro emprestado, não queiramos mais devolver. Vai que eles também deixem de existir.

Presidente vira notícia ao dizer que vai cumprir a lei: isso diz muito do Brasil em que vivemos

Tem certas coisas que transformamos em notícia que se pensarmos ao pé da letra beiram o ridículo. Vou pegar dois casos que estão relacionados e foram motivos de entrevista com Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, hoje cedo no Jornal da CBN. O primeiro deles tem a ver com o tema que foi o centro da nossa conversa: o projeto de emenda à constituição do voto impresso —- um fetiche do presidente Jair Bolsonaro. 

O Brasil começou esta segunda-feira, com cerca de 563 mil pessoas mortas e mais de 20,2 mil contaminadas por Covid-19. Somos 107 milhões de vacinados (50,58%) em primeira dose; e apenas 45 milhões com o ciclo completo (21,49%). Só de desempregados, passamos de 14,7 milhões de brasileiros. E paro por aqui com os números ruins, porque esses já são suficientemente expressivos e graves para uma nação. 

Qualquer país e gestor público sérios estariam debruçados sobre esse desafio e mobilizando a sociedade para superá-los. E se pensar bem até tem algumas propostas interessantes com o objetivo de encontrar uma saída para essa jornada, mas o tema que está no noticiário é o voto impresso —- que não vai salvar uma só vida e talvez só garanta mais emprego para quem produzir a impressora, a despeito de tirar outros milhares com os gastos que a União deixará de fazer em áreas essenciais para sustentar esse delírio bolsonarista.

O próprio presidente da Câmara dá sinais de que extrapolou ao anunciar que levará a PEC derrotada na comissão especial para votação em plenário como uma forma de enterrar de vez o tema —  não é comum este ato, pois geralmente projetos que não tiveram capacidade de convencer integrantes de uma comissão caem no esquecimento. Lira parece temer que, se deixar o assunto engavetado, vai minar a confiança que o governo tem nele. Disse que pretende expor a PEC ao escrutínio dos deputados até quarta-feira. Outra impressão que tive na entrevista é que Arthur Lira também está cansado do assunto e não vai esticar a corda até a próxima semana, como a base bolsonarista está pregando para ver se consegue virar os votos e aprovar a proposta de emenda à constituição, que precisa de três quintos dos deputados ou 308 votos a favor.

Discutir voto impresso com tanta gente desempregada e outras tantas morrendo de uma morte que poderia ter sido evitada, sem dúvida, beira o ridículo. Tanto quanto imaginar que o anúncio de um líder político de que vai cumprir a lei pudesse ser destaque de uma entrevista. Sim, foi o que aconteceu, nesta manhã, após a conversa com Artur Lira. Ele informou que, na sexta-feira, ligou para o presidente da República para falar da decisão de levar a PEC do voto impresso para plenário e ouviu Bolsonaro dizer que aceitará a decisão dos parlamentares. Foi o que bastou para que a mensagem fosse estampada em sites e redes sociais. 

O presidente dizer que vai cumprir a lei não é notícia. Ou melhor, não deveria ser notícia. Tanto quanto a PEC do voto impresso não deveria ser motivo de preocupação neste momento para o país. E a culpa não é de quem põe em destaque as informações, mas quem a faz se destacar. No caso, o presidente Jair Bolsonaro que deveria estar oferecendo soluções para problemas muito maiores e mais graves do que esses. O fato de ambas as informações ascenderem no noticiário sinaliza claramente o cenário político que estamos expostos, aqui no Brasil. 

Assista ao vídeo da entrevista com o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira:

Sua Marca: quantas vezes por mês você usa o serviço de delivery? E como isso impacta na estratégia das marcas

Foto de Norma Mortenson no Pexels

“O serviço de delivery é inevitável para ampliar opções de relacionamento com os clientes, mas eles não são apenas entregas, eles são mais um momento de criar encantamento com as marcas e merecem essa atenção”.

Jaime Troiano

A moça se apaixonou pelas bolsas de crochê, confeccionadas por uma pequena fabricante do interior de Minas, que encontrou no Instagram. Com alguns cliques encomendou o modelo mais colorido e em menos de uma semana o produto já estava sendo entregue em casa. Mercadoria de qualidade, preço bom e prazo de entrega razoável foram insuficientes para conter a frustração com o pacote que embrulhava a bolsa. Uma maçaroca, foi como definiu em mensagem enviada à fabricante.

A historia ilustra bem o nível de exigência do consumidor que surgiu durante a pandemia. Uma gente  que deixou de comprar presencialmente para usar os serviços de entrega. Uma pesquisa feita pela Globo e a Industry Insights, identificou que 48% dos entrevistados usaram esses serviços ao menos uma vez ao mês, informaram Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Confesso que achei pouco, diante da variedade disponível no mercado, tanto de comércios que entregam em casa seus produtos quanto de empresas que exploram o serviço de entrega.

No mesmo estudo soube-se que a compra no comércio eletrônico aumentou 41% em 2020, em um dos fenômenos provocados pela pandemia. 

“Esse aumento de frequência foi bem importante para que o delivery ganhasse destaque e permanecesse fazendo sucesso, mesmo depois de algumas flexibilizações”

Cecília Russo

O setor que mais esteve ativo no delivery foi o de supermercados que cresceu em até um terço nessa modalidade de venda. Depois vieram bebidas (25%), petshops (18%) e farmácias (13%). 

“E também a pesquisa mostra a experiência multicanal de compra para entregas, que pode ser via aplicativo, pelo marketplace e até pelo whatsapp, direto com o vendedor ou fornecedor”

Cecília Russo

Ao comentar como esse crescimento do delivery impactou as marcas, Jaime Troiano faz antes uma ressalva: os números desse tipo de serviço podem estar inflados porque as pessoas ainda estão temerosas com os riscos da Covid-19. É provável que o serviço de entrega vai recuar em prol de experiências físicas. 

“Ou seja, as marcas precisam fazer esse ajuste de expectativa para terem um número mais real. Mesmo assim, esse aprendizado trará o patamar do delivery para um nível maior do que estava antes da pandemia”

Jaime Troiano

Alguns aspectos que devem ser considerados:

  1. As marcas vão se relacionar com pessoas que hoje são mais exigentes
  2. O cliente mais criterioso vai privilegiar o tempo de entrega
  3. A experiência da entrega será importante
  4. A embalagem do produto será considerada pela consumidora
  5. Eficiência no pós-venda, por exemplo em caso de troca ou reclamação.

“O delivery não pode ser impedimento para o cliente ser bem atendido se ele precisa de ajuda após a com[pra, Esse ainda é um gargalo bem grande de muitas marcas, até de marcas consagradas”

Jaime Troiano

Um aspecto que não pode ser desdenhado pois vai reverberar na imagem da marca que se utiliza do serviço e da própria empresa que faz a entrega é a relação de trabalho entre a prestadora de serviço e os entregadores. Jaime e Cecília dizem que cada vez mais isso será uma pauta de seleção de empresas de entrega, quando são contratadas diretamente. Aspecto que impacta na imagem de quem contrata e influencia na decisão de quem encomenda.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h50, no Jornal da CBN.

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Mundo Corporativo: Raul Correia da Silva, da BDO, aposta no trabalho nem-nem: nem só em casa nem só no escritório

Foto de Thirdman no Pexels

“Você não mantém a cultura da sua empresa com 100% da sua equipe em casa”  

Raul Correia da Silva

Os seres humanos são gregários e essa condição limita a criação de vínculos quando os relacionamentos são à distância ou remoto. Diante disso é muito difícil que as organizações mantenham todos os seus profissionais no sistema de “home office”, após a pandemia. Isso significa que os escritórios voltarão a ser ocupados como antigamente (leia-se, como março do ano passado)? Para Raul Correia da Silva, CEO da BDO do Brasil, a resposta é não. No comando de uma das maiores consultorias do mundo, o executivo entende que haverá uma flexibilidade quanto ao sistema de trabalho que as empresas vão implantar.

Se em duas semanas, assim que a pandemia foi decretada pela OMS, os cerca de 1.700 profissionais da BDO já atendiam seus clientes de casa, adaptados às novas condições e mantendo seu ritmo de produção; em julho do ano passado parte já estava de volta aos escritórios da empresa. Em pesquisa feita com os colaboradores, a auditoria identificou que 65% deles queriam retornar ao sistema anterior. A escolha foi pelo “meio do caminho”: três dias presenciais e dois em “home office”, e aqueles funcionários que não se sentiram confortáveis a voltar, se mantém trabalhando em casa.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Raul Correia da Silva disse que o sistema híbrido é uma tendências nas empresas com  as quais a BDO realiza negócios. Para ele, mesmo com o entusiasmo de muitas pessoas pelo trabalho remoto, é preciso estar atento para que não haja prejuízo a cultura das empresas:

“Toda a empresa têm seus valores, têm sua cultura, têm sua alma. Nós temos que viver a nossa alma, não importa a atividade que a gente tenha na vida profissional ou pessoal. A distância tende a destruir um pouco dessa cultura …. A alma da empresa está na relação das pessoas”. 

Diante do que avalia Raul, pode-se dizer que teremos uma espécie de sistema nem-nem: nem só em casa nem só no escritório. Um pouco de cada. E todos fazendo parte da vida das empresas e seus colaboradores.

Para Raul, vive-se um momento de ajuste e transformação. Muitas empresas descobriram uma série de coisas que já tinham, podiam ser feitas mas não eram usadas. Coisas que passaram a integrar o cotidiano dos profissionais e a reverberar nas relações de trabalho. Hoje, mais acostumados ao uso das telerreuniões, consegue-se incluir um número maior de pessoas nas discussões, tornando mais amplo o debate de ideias.  Encontros que eram presenciais apenas por força do hábito, migraram para as plataformas de teleconferência agilizando as decisões.

Na BDO, são contratados cerca de 400 jovens por ano, estudantes de direito, ciências contábeis e administração de empresas. A seleção que antes ocorria nas feiras de recrutamento, agora é totalmente pela internet e essa mudança fez com que o número de candidatos aumentasse de forma exponencial. 

Para quem tem interesse em uma vaga, Raul dá algumas dicas:

“A pessoa tem de ser curiosa, tem de ter vontade, tem de mostrar disposição aquela ansia, aquela gana de aprender, querer crescer”

“O jovem tem de falar inglês, somos uma empresa multinacional. Aprendam inglês, assistam ao Netflix, com fone de ouvido, vejam filmes em inglês”.

“Sejam racionais e tenham visão periférica, a parte técnica nós ensinamos”

Hoje, a BDO no Brasil tem cerca de 170 vagas em aberto e para os candidatos a sugestão é que procurem as informações de recrutamento no site www.bdo.com.br

Assista ao programa Mundo Corporativo da CBN

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Natasha Mazzaro